Estavam assim dispostas, lado a lado, as revistas acima. Olhei para uma amiga e falei: 'O que é isso? A moda agora é das agachadinhas?' Ela, designer, falou que havia pensado a mesma coisa, ressaltando que a agachadinha de Fernanda Lima era estilosa, porém dava no mesmo. A conversa girou em torno da criatividade nas capas das revistas e começamos a analisar tudo, ali, em poucos minutos. De conteúdos 'curiosos', Deborah Secco dizia que já sofreu muito e hoje está feliz com Roger, ex de Galisteu, que por sinal era capa da revista ao lado, falando do fim do namoro. Na janela de uma das capas, Daniella Cicarelli com pose de aluna da quinta-série, descabelada e com sorriso ingênuo, para mostrar-se dedicada na faculdade de Direito. Focando nas mais bacanas, vimos que também seguiam uma tendência. Veja só. A espetacular 'Another Magazine', com a antimusa Christina Ricci, e a nacional 'TPM', com o ator Rodrigo Lombardi. Ambos de tesoura na mão.
Eis uma lista de programinhas bacanas que o Pós-Pop selecionou para este fim de semana:
@ Hoje, o DJ alemão Thomas Schumacher toca house na festa Expresso#4, no Pátio Lounge, na Gávea (Praça Santos Dumont 31).
@ Amanhã tem festa Fix, na Pista 3 (Rua São João Batista 14, Botafogo), uma noite pra dançar sem parar, com os DJs Markinhos Mesquita (KZA), Diogo Reis (Moo) e Rafael RM2 (Memorabilia).
@ Hoje, amanhã e depois (e até 24 de abril, das 11h às 20h) ainda tem o File (Festival Internacional de Linguagens Eletrônicas), com exposição no Oi Futuro (Rua Dois de Dezembro 63, Flamengo).
@ Domingo a festa Duo substitui a Playground no 00 (Padre Leonel Franca 240, Gávea). O DJ TZO recebe a DJ Ana Paula.
@ Domingo tem mais uma edição do Mercado Mistureba da Casa da Matriz (Rua Henrique Novaes 107, Botafogo), das 15h às 23h.
@ Mais domingo: é a última High Noon 'da temporada'. Com (de novo!) os DJs Markinhos Mesquita, Gustavo MM e Rafael RM2. No Aprazível (Rua Aprazível 62, Santa Teresa).
@ Também domingo é a estréia do Bazar do Miam Miam (Rua General Góes Monteiro 34, Botafogo), com roupas novas e usadas das estilistas Kylza Ribas e Daniela Conolly, da Koolture. Cardápio de comidinhas exclusivas da chef Roberta Ciasca. Das 16h às 22h.
Depois da 'enfermeira' caolha de 'Kill Bill' (Daryl Hanna como Elle Driver), mais uma bizarrice para mexer com a imaginação masculina. RoseMcGowan é Cherry no sanguinário 'Grindhouse': uma morena estonteante que tem a perna direita (na foto do cartaz é a esquerda, como bem observou um leitor) substituída por uma metralhadora em cenas de ação inacreditáveis. A personagem, claro, não podia ter saído de outro lugar, que não das cabeças de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino.
'Grindhouse' estréia dia 6 de abril nos EUA e é um filme duplo, composto por duas partes, uma dirigida por Rodriguez, 'Planet Terror', e outra por Tarantino, 'Death Proof', com trailer fake de filmes B entre os dois.
Rose McGowan fez 'Dália Negra' e a série 'Charmed'. Agora, diga: o que você faria se desse de cara com essa escultura armada por aí?
O Skol Beats, que infelizmente acontece só em São Paulo, divulgou hoje sua programação oficial.
Sexta-feira 04/05
Skol Live Stage Denise Léo Janeiro Nathan Fake (live) Magal Gui Boratto (live) SugarDaddy (live) 20:20 Soundsystem Life is a Loop Donnacha Costello (live) Mstrkrft
Tenda DJ Mag Ingrid Gabo D Ramirez Paulinho Boghosian David Guetta Sander Van Doorn
Tenda Terra Urban Beats Lui-J Puff Antonia’s CIA Q-Bert Zegon Afrika Bambaataa + TCIzlam Tony Touch
Sábado 05/05
Skol Live Stage Marcos & Marcelo Braga Julio Torres Propulse(live) Carl Loben (DJ Mag) The Cuban Brothers Bonde do Rolê MixHell: Iggor Cavalera & Laima Leyton Shapeshifters The Crystal Method Simian Mobile Disco Guy Gerber (live) Murphy
Tenda Marky & Friends Marquinhos Espinosa Bungle Patife D-Bridge DJ Marky Friction Andy Fabio & Grooverider DJ Marky & Laurent Garnier
Tenda Terra The End Junior C Rodrigo Ferrari Marcelinho CIC M.A.N.D.Y Renato Cohen Laurent Garnier Anderson Noise Miss Kittin
Os ingressos já estão à venda e até 3 de maio custam R$ 120 por dia e R$ 200 o pacote de dois dias, com meia-entrada para estudantes.
- Qual a diferença entre mashup e bastard pop? - É uma questão de época. - Bastard pop é muito 2003? - Isso.
O diálogo acima, verídico, é só para introduzir o assunto. Nas andanças recentes da Pós-Pop por São Paulo, notamos que o mashup é a "onda do momento".
É possível que você nunca tenho ouvido falar nesse nome especificamente, mas provavelmente já escutou algum dos outros que o estilo tem: bastard pop, bootleg, hybrid tune e por aí vai. Na prática, é simples: uma música feita com a mistura de duas (ou mais) outras.
A invenção não é nova: se puxarmos pela memória, vamos lembrar que nos anos 80 muita gente já fazia. Pesquisando, descobrimos que isso começou nos anos 50.
Algumas misturas são muito bem sacadas, e é engraçada a idéia de "enganar" que está na pista de dança: a pessoa pensa que é uma música e - arrá! - é outra. Mas depois de escutar vários mashups seguidos, dá vontade de pedir pro DJ: toca uma versão original, vai?
Para escutar alguns, a dica é ouvir o podcast da festa paulistana Gente Bonita, Clima de Paquera.
O Mombojó misturou tudo em 'Nadadenovo' e 'Homem Espuma', saindo da cena independente de Recife e vindo parar no palco principal do Tim Festival. É um dos grupos mais envolventes surgidos nos últimos anos, seja pela intensidade sonora ou pelas letras. Grande responsável por boa parte disso é Marcelo Campello. O violonista da banda pernambucana resolveu mostrar agora seu primeiro trabalho solo - que lança em breve em CD. 'Projeções e mais duas séries para violão de sete cordas', um disco instrumental, tem 35 faixas compostas entre 2002 e 2006. O Pós-Pop conversou com Campello.
Apesar de não ter nada a ver com as músicas do Mombojó, seu trabalho instrumental tem algum drama, uma profundidade, sonoridade marcante nas músicas do grupo. É sua personalidade como compositor falando alto? Deve ser. Meu objeto de reflexão é mesmo grave, denso. Não sou muito da turma da 'arte engraçada'.
Em que situação você sugere que o disco seja escutado? Ao balanço da rede é bom, na praia também... Mas há várias formas - alguns amigos gostam de ouvi-lo pintando; Eu sugiro apenas que se permitam levar pela atmosfera de introspecção.
Você sustentaria um show só com seu trabalho solo? Sim. Vou fazer apresentações de lançamento nas principais capitais do país, a partir de maio. As datas ainda não foram fechadas devido à agenda da banda.
Não é muita coragem lançar um trabalho instrumental no Brasil agora? Talvez, mas não pensei num retorno financeiro. Na verdade, eu precisava esvaziar a cabeça para compor mais, então fiz esse 'backup' e as pessoas mais próximas me encorajaram a lançar.
Com 'Projeções', é evidente seu talento como violonista. Quais as suas influências e de quem você gostaria de ter reconhecimento, hoje? Obrigado! Bem, comecei a tocar violão tirando de ouvido uma velha fita K7 de Canhoto da Paraíba, que eu adoro; Depois li várias partituras do mestre paulistano Garoto. Gosto ainda de Baden Powell, Horondino Silva, Poly, Django Reinhardt, Marc Ribot etc. Mas o disco é mesmo fruto de uma forte introspecção - a verdadeira influência vem daí. Ficaria muito feliz se João Gilberto escutasse as 'Projeções'.
Mais uma vez você disponibiliza na Internet as faixas do disco para download gratuito. Já virou um ideal? É mais uma certeza de que o disco cairia na rede independente de minha vontade. Prefiro então canalizar essa energia para a minha página - dessa forma tenho acesso às estatísticas e estabeleço um contato mais direto com as pessoas.
Perguntinha infame: Já te confundiram com Marcelo Camelo? Além do nome parecido, há quem ache algumas músicas do Mombojó semelhantes às dos Los Hermanos... Pelo que sei, já confundiram ele comigo! Hahaha. Ficamos amigos no ano passado e rimos muito disso.
Quando você volta ao Rio com o Mombojó? Sabe que a recepção aqui é calorosa... Tem algum show marcado? É sempre incrível a vibração dos shows no Rio. Não sei quando estaremos aí de novo, mas estamos nos mudando para São Paulo neste ano e certamente freqüentaremos mais vezes a cidade.
Já confirmado para o Abril Pro Rock em Recife, Lee Perry se apresenta também no Rio e em São Paulo. O festival pernambucano, que completa 15 anos mês que vem, vai ter uma edição paulista e outra carioca.
Por aqui, o mestre faz show dia 14 no Circo Voador, com abertura do Digitaldubs. Sampa, que já teve um Abril Pro Rock em 2001, recebe quase todas as atrações internacionais do festival - tocam lá, além de Perry, os franceses The Film e os argentinos Los Alamos, dia 17. "Vou com muita expectativa, ele é um dos caras mais importantes pro gênero", diz Nelson Meirelles, DJ do Digitaldubs, primeiro baixista do Rappa e um dos fundadores do Cidade Negra.
Lee 'Scratch' Perry é, sem exageros, um dos nomes mais importantes do reggae e do dub. Produtor e compositor, ele produziu, entre outros, discos do Wailers. "Ele é o big bang, empurrou a coisa pra frente", afirma Nelson.
Ele já esteve escalado para se apresentar no Brasil em 2002, com duas datas em São Paulo e uma no Amazonas, mas, em cima da hora, desmarcou. "Quando deram o bilhete de avião, ele não gostou do número que veio", lembra Nelson. "Essa maneira bizarra, esse comportamento peculiar, vira também parte do marketing. Ele fica uma espécie de Tim Maia", brinca.
Eu amo trilhas de cinema e fui uma das pessoas que se emocionaram ao saber que Ennio Morricone, de quem sou fã há muito tempo, ganharia seu Oscar (antes tarde do que nunca). Além de ouvi-lo em meus filmes preferidos, tinha uma fitinha (sim, uma k7 daquelas que acabaria com a indústria fonográfica, he he) gravada por um amigo com muitas coisas misturadas, Ennio, Nino Rota, Elvis Costello e tal. Levei a fita para Roma e tenho ela decorada na minha cabeça. Agora, eis que o gênio italiano vem ao Rio, onde se apresenta no Teatro Municipal, dia 5 de maio, abrindo o evento 'Música em Cena', com a regência de um concerto de sua música composta para o cinema ('Os Intocáveis', 'Cinema Paradiso', os westerns...).
E BAJOFONDO AQUI TAMBÉM!
O argentino Gustavo Santaolalla, que comanda computadores e samples do Bajofondo Tango Club, também vem ao encontro de música de cinema. O compositor ganhou Oscar este ano, por 'Babel', e ano passado, por 'O Segredo de Brokeback Mountain'. Ele se apresenta dia 11 de maio, em local ainda não definido. O Bajofondo é um coletivo de músicos argentinos e uruguaios que mistura tango e eletrônica. É mais dançante que Gotan Project (que também desconstrói o ritmo dos hermanos), tem umas coisas de house e, enfim, é muito bom mesmo.
O 'Música em Cena' também terá palestras na PUC-RJ.
Há exatos quatro anos, fui ao primeiro show do Zuco 103 no Brasil. No Rio, foi no Ballroom, palco que faz falta na cidade. Eu ouvia o disco sem parar e todo mundo tinha acabado de descobrir o som que mistura vários ritmos, mas, predominantemente, músicas brasileira e eletrônica. Gostoso de ouvir e de dançar. Foi uma daquelas noites com clima ótimo, todo mundo conhecido e ligado no mesmo tipo de som. Ainda não existiam os genéricos que depois viraram jingles e vinhetas do GNT. Vamos deixar de lado o nariz de cera e ir direto no ponto: o grupo radicado na Holanda, formado pela cantora brasileira Lilian Vieira; pelo holandês Stefan Krueger (bateria); e pelo alemão Stefan Schmid (teclados) lança hoje e amanhã, na Estrela da Lapa, o disco 'Tales Of High Fever'. Eu não vou poder ir, mas alguém vá por mim! Aguardo posts contando como foi o show!
Quais os rumos da indústria fonográfica? Para discutir o assunto, o evento Info Sessions vai levar nomes do mundo da música a nove cidades brasileiras, entre março e abril.
O primeiro debate acontece nesta terça, no Rio, com o MC Marechal, Marcelo Lobato (baterista do Rappa) e o advogado Nehemias Gueiros (especializado em direito autoral, música e internet), às 20h, no Rio Scenarium (Rua do Lavradio 20, Centro). O curador e mediador é o jornalista brasiliense radicado em São Paulo (e bróder deste blog) Alexandre Matias.
Lobato acredita na importância de se discutir o papel da internet na música hoje. "O receio das pessoas é muito porque é tudo muito novo, as mudanças acontecem em tempo menor", analisa. "É meio quando se começou a usar bateria eletrônica: os bateristas achavam que iam perder o emprego", lembra.
"A gente tem um problema de discos com preço muito alto no Brasil, a gente sabe disso", diz ele. "Tem que se adaptar às mudanças. A internet, apesar de nem todo mundo ter acesso, pode ser um meio de divulgação democrático. Rádio é um meio que chega a muito mais lugares, mas é pasteurizado. O problema não é a internet, é o ser humano", explica.
O evento passa por Belém, Fortaleza, Recife, Goiânia, Brasília, Campinas, São Paulo e Porto Alegre. A idéia é divulgar a Red Bull Academy, que seleciona músicos para uma série de palestras e workshops com músicos conhecidos, a cada ano em um país diferente - este ano acontece em Toronto, no Canadá.
Chegou o DVD de 'The Confessions Tour', a turnê de Madonna que arrecadou quase US$ 200 milhões. Com a experiência de quem dança com ela desde 'Borderline', passo minhas impressões sobre o 'vídeo'. No bônus, quando Madonna aparece sem maquiagem e ensaiando com seus bailarinos e backing vocals à exaustão, é quando se sai mais acessível e verdadeira e mostra, mais de 20 anos depois, que canta bem, tanto que se arrisca a capela. Mas de trás para frente e com o play no menu principal, dá para ver quanta coisa mudou. E, claro, isso não é novidade, porque ela nunca esteve em baixa, sempre se reiventando, é moderna de fato etc e tal.
O show começa com a popstar de adestradora, mexendo com a fantasia sadomasô da platéia inglesa (o registro é de Londres). Vem então um momento auto-ajuda, recitando em telão a abertura de 'Future Lover'. Ela chega ao palco numa bola gigantesca de espelho que, ao se abrir, lembra a nave de Xuxa na TV (já falaram isso, mas só vendo para crer). Madonna faz o mesmo olhar ingênuo de 'Virgin Tour' ao encarar a platéia e posa o tempo todo. A música vira 'I Feel Love', marco da disco, cantada por Donna Summer em 77. É muita informação, mas quando o olhar se volta para ela, continua a mesma exibida e gostosa de sempre, às vezes ensaiadinha demais - e isso estraga um pouco.
Quando relaxa, Madonna mostra o quanto dança bem. E nessas horas consegue ser a grande atração desse musical de alta tecnologia. Ela monta numa sela e se contorce... E aí começa 'Jump', com dançarinos de break. Nesse momento vem uma seqüência totalmente americana, que chega ao patético, com números de dança casados com historinhas narradas. É a parte piegas do show, quando ela surge crucificada na cruz espelhada - isso é a cara da Madonna - vestida totalmente seventies com bata vermelha e calça justa de veludo vinho. Chega a ser infantil essa provocação à Igreja, que é mais infantil ainda e sempre cai. Madonna é o máximo, porque faz isso como ninguém, uma tremenda cara-de-pau. Depois ela expõe em telão números das crianças órfãs na África devido a Aids. Sim, é meio chato, mas ali ela está sendo mais católica que muitas beatas.
Depois ela surge de corpete vermelho para cantar 'Sorry', faz muita ginástica e encenação, mostra a cara de bundão de George W. Bush no cenário e depois volta toda glam, guitarra em punho, para cantar 'I love New York'. Mais coisas de musical e a pista vira 'Nos embalos de sábado à noite', com Madonna de terno branco e a iluminação de bolinhas coloridas igual a do filme que imortalizou Travolta. 'La Isla bonita' acaba em um house ótimo e aí Madonna faz a pista, de collant de lycra, cantando 'Lucky Star', do primeiro disco da carreira. E termina em grande estilo.
É maravilhoso, é único, mas eu vou confessar: queria muito vê-la num palco do Tim Festival, com no máximo três trocas de roupa, como se fosse no começo de carreira num club em Nova York. Fãs e popstar merecem esse momento 'banquinho e violão'.
Pós-Barroco, Pós-Tropicalismo, Pós-Moderno, Pós-Punk, Pós-Rock. Não faltam rótulos para definir o tempo e o espaço das coisas, no mundo cultural e na vida. Brincando de fazer teoria surgiu o nome do blog, Pós-Pop. A idéia é a seguinte: tomar a dianteira e contar o que se passa no pop. Tentar revelar o que ainda não chegou ao grande público e a gente sabe que é bom, falar dos ídolos de todos os tempos, mostrar a cultura que está nas ruas e não nos salões fechados. Agora que botamos a cara a tapa, não tem volta.