Ícone do nerd-pride (assunto a ser tratado aqui em breve), Elvis Costello, o homem que conquistou o Tim Festival 2005, lança digitalmente amanhã duas coletâneas, com 22 faixas cada: 'Rock and Roll Music' (com músicas como '(I don't want to go to) Chelsea' e 'This Year's Girl') e 'The first 10 years: the best of Elvis Costello' (tem 'Alison', 'Almost blue' e 'I want you', entre outras). Os primeiros 11 álbuns do artista também vão estar disponíveis para venda digital. Tudo imperdível.
Eles são o maior grupo de rap do Brasil: estouraram em 1998 com o disco 'Sobrevivendo no Inferno', independente. Nove anos depois, sai o primeiro DVD do Racionais MCs, '1000 Trutas 1000 Tretas', igualmente independente, que tem show no Circo Voador nesta hoje.
Eles raramente dão entrevistas, mas conversei com o DJ KL Jay semana passada para uma matéria para o caderno O Dia D."Muita coisa que a gente falou foi deturpada. A imprensa foi desleal, nos associou à criminalidade, à bandidagem e foi hostil com a nossa música", justica KL Jay.
O DVD reúne imagens de um show no Sesc Itaquera em 2004, com participação de Jorge Ben Jor e trechos de outros shows, inclusive um no Japão. Nos extras, imagens dos integrantes em momentos de descontração e um documentário sobre a história da música negra em São Paulo. "Conta a história dos bailes, como começou, dos anos 70 para cá, dos pontos de encontro da galera", explica KL Jay. "É um resgate cultural negro, da história da música em São Paulo", diz ele.
Apesar de todo a evolução da música negra, ele não vê melhoras significativas nas condições de vida da população negra. "Acaba a escravidão e você é jogado na rua, isso explica a situação dos negros: sem terra, sem dinheiro e sem instrução, os pretos não têm nada", explica ele. "A cultura do preconceito, do racismo, é muito forte. Você sente o preconceito quando entra no marcado, na padaria, no metrô. O pior é que ele é camuflado: você sente nos olhares das pessoas", descreve.
"Nossa condição só vai mudar quando a gente tiver terra e instrução. Eles oferecem migalhas pra gente e a gente aceita", conta ele, que é contra as cotas em universidade: "Migalha. Não adianta dar cotas se a gente não tem estrutura pra entrar na faculdade", acredita.
Ex-VJ da MTV (ele apresentou o 'Yo! MTV Raps'), o DJ e produtor diz que sua experiência na emissora acabou ajudando no DVD. "Foi bom em vários aspectos. Me deixou mais desinibido, eu era gago. Você vê a câmera e acaba desencanando dele", conta. "O show foi uma atuação normal do Racionais", jura ele, que sente saudades dos tempos do programa."Tinha RZO, Sabotage, 509-E, foi uma época dourada pro rap. A equipe ia pra rua, falava com o povo, ia nos bailes, nos shows dos caras", lembra.
Foi pela MTV, aliás, que a banda ganhou o País, com o clipe de 'Diário de um Detento', passando a ser admirados até pelos ricos. "A galera com grana ouve porque as músicas falam da vida. Quando você começa a falar da vida, atinge preto, branco, japonês", acredita ele.
Apesar de ter ganho toda essa projeção, o Racionais nunca assinou com nenhuma gravadora: lançou todos os trabalhos pelo próprio selo, Cosa Nostra. "A gente sempre pensou: 'Vamos fazer esse som, ninguém vai interferir'. Certas coisas a gente não faz. Não vamos na rede Globo nunca", afirma.
Ele também reclama do espaço para o hip hop. "Tem muita gente boa. A gente precisa de um programa autêntico como era o Yo!. A Alemanha só tem branco de olho azul e lá só passa rap", analisa. Como explicar o sucesso do Racionais MCs, então? "Racionais é outra coisa. São quatro caras talentosos que souberam administrar o talento e acreditaram no boca-a-boca", diz.
Sobre as críticas de desrepeito às mulheres no hip hop, KL Jay minimiza. "O machismo faz parte da cultura do Brasil, do mundo - como o racismo, vários 'ismos', infelizmente", acredita ele. "Mas o talento é igual trator. Muitos homens têm medo que elas dominem a cena, por isso que 'tesouram'. Mas digo a elas que não se intimidem, produzo músicas de algumas, dou a maior força", conta.
@ Hoje tem Racionais no Circo Voador. Yo! @ Amanhã, Apavoramento no Bola Preta, lançando seu selo. @ Também amanhã, Rio Dancefloor Edição Disco, no restaurante Cais do Oriente, com o DJ Marflow (do projeto Diskokaines) como convidado. Urcasônica, Jonas Rocha (Superagua), Gustavo mm (Fix) e Eduardo Cristoph (Moo) também se apresentam. @ Segunda, os veteranos do punk Buzzcocks tocam no Circo.
Enquanto se prepara para lançar o novo disco do White Stripes, que sai dia 19 lá fora, Jack White começou a gravar o próximo álbum de sua outra banda, Raconteurs.
Previsto para o ano que vem, o CD está sendo gravado no estúdio Blackbird, em Nashville, e o grupo já tem 12 músicas compostas. White contou que eles vão tentar adiantar o máximo antes da turnê de 'Icky Thump', do White Stripes, que sai dia 19 de junho.
Segundo ele, o trabalho vai ser "muito diferente" do primeiro disco da banda, o excelente 'Broken Boy Soldiers', de 2006.
A autora, jornalista freelancer, pegou o hábito de cozinhar para bandas em turnê que conhecia através do selo do namorado. Descobriu que falar sobre comida era uma boa forma de quebrar o gelo para fazer suas entrevistas frila, começou a guardar as receitas.
O mais legal é que elas vêm descritas nas palavras dos próprios artistas. O ripongo Devendra Banhart, por exemplo, sugere, numa receita 'Africanitas Ricas', bananas fritas com ovos e mel: "Agora, corte as dádivas de Deus (bananas) em oito pedaços colados, faça isso com todas as dádivas de Deus."
O livro tem de receitas simples às mais sofisticadas, já que roqueiro não come só junkie food - vale lembrar que Alex Kapranos, vocalista do Franz Ferdinand, é colunista gastronômico do The Guardian, ex-chef e já lançou livro sobre o assunto.
Na mesma linha, o site Cooking with the Rockstars traz músicos e outras personalidades de atitude rock falando sobre suas preferências culinárias.
O primeiro álbum só sai em junho, mas a dupla eletrônica francesa Justice, que lança hoje o single 'D.A.N.C.E.', já é considerada uma das grandes promessas da música eletrônica - eles se apresentam segunda no festival Coachella, nos Estados Unidos, um dos principais do mundo.
Gaspard Augé e Xavier de Rosnay surgiram em 2004, com o remix de 'Never be alone', da dupla inglesa Simian, relançado em 2006 com o título 'We are friends'. O vídeo da música ganhou o prêmio de melhor clipe no MTV Europe Music Awards 2006 - o que fez o rapper americano Kanye West, revoltado por não ter ganho o prêmio, interromper o discurso do diretor.
Depois de remixar músicas de artistas franceses, o Justice fez remixes de gente como Britney Spears, N*E*R*D, Fatboy Slim e Daft Punk. O primeiro single de autoria da dupla, 'Waters of Nazareth', lançado ano passado, caiu nas graças da imprensa musical e de DJs como Tiga e o 'crew' 2 Many DJs.
O mesmo aconteceu com o irresistível single 'D.A.N.C.E.', lançado hoje lá fora (mas disponível na internet há algum tempo), uma das 12 faixas do disco de estréia, 't' (ou cruz). Um 'teaser' do EP que saiu essa semana:
Há algum tempo ouço gente (inclusive amigos dos integrantes) dizendo que o Los Hermanos não ia durar muito mais. Durou. Vem durando. Mas agora eles anunciam um recesso por tempo indeterminado.
As duas últimas apresentações antes da pausa estão previstas para os dias 8 e 9 de junho, na na Fundição Progresso.
Quando a gente pensa que os japoneses já criaram todas as bizarrices possíveis, eles vão lá e inventam mais uma. Se você achava air guitar (ou 'air' qualquer instrumento) vergonha alheia, prepare-se pro air sex.
"É como fazer sexo com um parceiro invisível", explica Sugisako Jtaro, organizador do campeonato da modalidade. Pelas imagens da competição, percebe-se que os praticantes não têm muita noção da coisa. "Nunca fiz sexo com uma mulher", diz o campeão Cobra. "Existe uma disparidade enorme entre os que podem e os que não podem conseguir sexo no Japão. Então, entre os dois, temos o air sex", conta Sentaro Otsuka, outro praticante. "Passo todo meu tempo fazendo air sex. Na verdade, eu não fiz muito sexo real", revela.
As performances, constrangedoras (pra dizer o mínimo), beiram o grotesco. "Eles não têm a menor idéia do que as mulheres querem", diz uma entrevistada por uma reportagem sobre o assunto:
Uma das bandas que eu venho ouvindo no repeat recentemente é a norte-americana The Weepies - na verdade, o casal de cantores, violonistas/guitarristas e compositores Deb Talan e Steven Tannen. A discografia é pequena: o EP 'Happiness', de 2003, e o CD 'Say I Am You', de 2006, lançado primeiro online, em 2005. O álbum foi gravado numa casa alugada por eles em Pasadena, na Califórnia.
A música 'World Spins Madly On' caiu nas graças da indústria de entretenimento dos Estados Unidos: tocou num episódio dos seriados 'Grey's Anatomy' e 'Scrubs', e nos filmes 'Amigas com Dinheiro' e 'Minha Mãe Quer Que Eu Case'. O clipe, aliás, é muito fofo:
O som é um pop com muito de folk e alguma coisa de indie rock. Não vai mudar o mundo - quando você ouve, soa familiar. Mas as letras são boas, a voz de Deb é linda e as melodias, ensolaradas ou nostálgicas, mas sempre delicadas, ficam na cabeça. A minha preferida, 'Take it From Me', só tem clipe em versão ao vivo:
Em duas entrevistas que fiz essa semana, ouvi reclamações dos artistas sobre a MTV. E de duas pessoas completamente diferentes.
O simpático Ian Anderson, escocês, líder do Jethro Tull (que faz show hoje no Citibank Hall do Rio), acha que a juventude de hoje deveriam ficar pelo menos uns dez anos sem assistir ao canal. Para ele, "a MTV estimulou a idéia de que ser músico tem mais a ver com a aparência do que com a própria música", e de que música pra jovens deve ser descartável.
KL Jay, DJ do Racionais MCs (que toca sexta que vem, dia 27, no Circo Voador), ex-apresentador do 'Yo! MTV Raps', reclama da extinção do programa ("Até a Alemanha, que só tem louro de olho azul tem rap pra caramba na TV") e do excesso de programas que nada têm a ver com música na MTV Brasil - o que, convenhamos, num canal chamado Music Television, é mesmo muito estranho.
Ericka Rolim relata a última noite do festival Abril Pro Rock:
Público escasso na última noite do Abril Pro Rock: cerca de 2 mil pessoas foram assistir às atrações da noite. Com uma proposta diversificada, a qualidade se manteve como nos outros dias, com algumas surpresas, como a banda vencedora do Microfonia, Monomotores, e o trio francês The Film.
No palco 3, a noite começou com a banda local Êxito d’Rua, com um hip hop de ótima qualidade, apesar dos problemas técnicos. Infelizmente, havia pouquíssimas pessoas no local. Mesmo assim, não perdeu o brilho e ainda rolou uma roda de break.
Já a banda Valentina (GO) fez uma apresentação um pouco esquisita. O vocalista, andrógino, em alguns momentos soa como uma tentativa frustrada Brian Molko. No início, parecia um emocore meio perdido, mas conseguiu pegar um ritmo mais rock. Quando começou a agradar o show terminou.
O Monomotores abriu a noite no palco 2. Fiquei impressionada com a qualidade técnica do baterista da banda, Nil Agra. O vocalista Marcos Lau seduz o público com sua atitude canastrona. É rock direto, sujo e sem muita frescura, celebrando a vida no rock: álcool e cigarro são os temas mais recorrentes. E a música 'Mulher de bandido' é um dos pontos altos da banda.
O Canto dos Malditos na Terra do Nunca, que veio em seguida, concorre acirradamente com a banda O Quarto das Cinzas como a pior banda do Abril. A vocalista Andréa posa de garota má e rebelde, tentando muito forçar uma atitude rock. Em alguns momentos, ela se insinuava com as mãos na barriga: cairia melhor como vocalista do grupo Rebelde. O som da banda não é nada assimilável, se perdendo dentro de todas as propostas.
Já a Orquestra Contemporânea de Olinda foi um dos pontos altos da noite. Diversão no melhor clima, até para os roqueiros mais ortodoxos. Todos se empolgaram com a mistura de ritmos regionais.
A atração mais aguardada para o palco 2, no entanto, era a banda com mais piadas internas que Pernambuco já teve: The Playboys. Paulo André (organizador do festival), as garotas 'culturais' do Burburinho (bar que se tornou recanto dos 'culturais' da cidade), indies e Ariano Suassuna se tornaram algumas das piadas da noite. Sobrou até pra João Gilberto, quando o vocalista João Neto brincou: “Desliga o ar-condicionado, ele está fora do tom.” Ainda aconteceu a cena de um despacho onde o Chico Science retorna do mundo dos mortos.
No show da Rebeca Matta o público parecia se preparar para o astro da noite, Lee Perry. Talvez por isso o show da cantora não tenha sido bem-recebido pelo público. A cantora bebe em Frank Zappa, usando a voz num volume bastante alto, o que assustou algum dos ouvindos. O show não foi chato; poderia até dizer que o som dela é bem sicero. Mas não foi apropriado pra o momento.
O palco 1 começou com um desses encontros históricos e não tão reconhecidos. No palco: Azulão, Messias Holanda, Biliu de Campina e Valmir Silva. Nomes de peso no autêntico forró nordestino, não tão conhecidos como Jackson do Pandeiro ou Luís Gonzaga, mas de tanto valor quanto. Juntos, formaram o Mestres do Forró. A apresentação foi de uma beleza única, pena que o público não estava ali para vê-los. Arrancaram risos com forrós de duplo sentido como a 'Não fure quinho' ("Não fure Quinho, não/ Quinho é gente boa/ E não gosta de confusão").
Na seqüência, o palco abriu espaço para os franceses do The Film. Grande parte do público não conhecia a banda e foi lá para conferir. Pois o grupo contagiou o público desconfiado com seu rock direto. Numa formação que contava com baixo/guitarra/bateria e alguns elementos eletrônicos, o que poderia se tornar entendiante fez todo mundo dançar. O Vocalista/baixista ainda arrancou alguns suspiros. Brilhantes no palco.
Neil Young com Piazzola? Não. Los Alamos. A banda argentina entrou no palco e fez o público parar. Excelente qualidade técnica, criatividade e uma levada punk. O som acelerava em alguns momentos e tomava um ar folk-punk, depois o ritmo desacelerava e funcionaria mais como lounge.
De repente, todos os rastafaris de Recife surgiram no pavilhão do Centro de Convenções. Os demais se perguntavam de onde eles saíram, já que durante as apresentações anteriores não foram vistos. Essa concentração tinha um motivo: Lee Perry. A banda iniciou tocando sem o mestre e algumas pessoas se perguntavam "Quem desses é o Lee Perry?". Após alguns minutos, a figura entra no palco, vestido cheio de patuás e acessórios pendurados em seu casaco. O show foi praticamente um culto: ninguém cantava junto, todos admiravam a figura excêntrica que pregava a cultura rasta. ‘I'm a good man' foi cantada em estado de cartase. E assim terminou a última noite do Abril pro Rock, no clima de reggae e com a maior concentração de fumaça que o pavilhão já teve.
Hoje tem show dos Djangos no Teatro Ziembinsky, na Tijuca, junto com Rhedoma e MEF3, a partir das 18h.
Não é "mais uma bandinha". Um dos melhores grupos surgidos no Brasil nos anos 90 - que, felizmente, existe até hoje e continua bom -, mistura influências da boa música que eles sempre escutaram: rock, ska, reggae, rap e, de uns tempos pra cá, toques eletrônicos junto a tudo isso (quem pensou em Asian Dub Foundation acertou), sempre com um resultado original.
As letras do vocalista Marco Homobono também chamam atenção: são de uma qualidade rara no cenário roqueiro nacional.
Agora, o trio formado por Marco (vocal e guitarra), João Aquino (bateria), e Lyle (baixo) está em estúdio gravando um disco provisoriamente chamado 'Zona Oeste: Vingança' (os moços são todos de Jacarepaguá). A produção é de Marcelo Yuka.
Acho que já contei essa história muitas vezes desde que conheço a banda, mas nunca é demais divulgar um bom trabalho. Pra saber qual é o som deles, dá uma conferida aqui.
Continuando a saga de nossa amiga Ericka Rolim no festival pernambucano:
A segunda noite do Abril Pro Rock, no sábado, é tradicionalmente dedicada aos metaleiros. O que se vê é uma enorme massa vestida com roupas pretas, atualmente falando mal dos emos. Como principal atração, Marky Ramone.
Quem abriu o evento foi a banda pernambucana Rabujos, que fez o público abrir uma roda de pogo - o que, nesse tipo de show, é sinal de competência. Eles declararam que não precisavam do Abril: por que então aceitaram tocar, então? Podiam ter deixado espaço para algum grupo que tivesse noção do que o festival representa para sua carreira. Em seguida veio o Fiddy (o nome vem da expressão ‘fi di rapariga’), com uma performance extremamente engraçada, com direto a pirulitos, coreografias hilárias e muita vontade de se divertir.
Do palco 2, o único show visto foi o dos cariocas do Carbona. A banda já tem uns anos de carreira e já tocou em Recife anteriormente. Porém, o público na frente do palco foi mínimo, não empolgando quem esperava pelo show de Sepultura. Não dá pra dizer que foi ruim, apesar de alguns riffs batidos: o grupo tem letras engraçadas sobre o cotidiano e umas melodias encorpadas.
Não consigo pensar em uma banda da noite que tenha um líder mais presente que João Gordo, com seu inseparável copo na mão. O Ratos de Porão conseguiu um feito único: uma roda de pogo que começou na primeira música e só terminou quando as luzes do palco apagaram. Músicas como 'Aids, pop, repressão' e 'Beber até morrer' empolgaram o público formado por desde adolescentes de 14 anos até quarentões.
Durante a apresentação do Tequila Baby, todos só queriam saber onde se encontrava o Marky Ramone. A banda tocou 10 músicas sem ele, sem obter reação do público. Uma pausa para água e assim começa o show de fato, com o baterista da lendária banda, com um repertório de clássicos dos Ramones. João Gordo foi convidado e dominou o público cantando ‘I don’t care’ e ‘Commando’. Curioso pensar em um show no qual você fica todo o tempo olhando para o baterista. “Hey, ho, let’s go” foi a frase de ordem da noite.
Em seguida, com o Sepultura sem o seu grande baterista (Iggor Cavalera deixou a banda há alguns meses), só pudemos assistir a um show extremamente burocrático, embora muito competente. A apresentação foi repleta de pausas: mesmo os fãs acharam longo e cansativo. ‘Territory’ foi responsável por um dos poucos momentos de empolgação. A banda vive um paradoxo: a qualidade técnica e o prestígio inabalável contra um resultado muito baixo em vendas. Sem Cavalera nas baquetas, resta saber quanto tempo ainda tem o Sepultura.
'O espírito da Paz', álbum que consagrou o grupo português Madredeus em 1994, seria um nome perfeito para o show que Teresa Salgueiro, a voz da banda, apresentou domingo à noite no MAM. No Rio para mostrar 'Você e Eu', seu disco solo só com músicas brasileiras, Teresa apareceu no Vivo Rio sem esconder uma ponta de nervosismo, logo dominado, e encantou a platéia formada por senhorinhas curiosas e jovens fãs. Acompanhada do septeto João Cristal (ele no piano), Teresa, com um vestido espetacular, atraiu todos os olhares e deixou o público em silêncio espontâneo ao cantar em português do Brasil sem o menor esforço.
Ao abrir a boca, as palavras saíam com leveza impressionante, um jeito meio Billie Holliday, atingindo tons dificílimos e uma sonoridade perfeita sem franzir a testa um minuto sequer, como se estivesse em câmara lenta.Tanta naturalidade não foi quebrada nem pelo sotaque (bem escondido), nem pelo frio do ar condicionado. Ela aqueceu cantando 'Você e Eu' (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, primeira música da MPB que interpretou, em turnê do Madredeus de 1993), 'Triste' (Tom Jobim) e 'Valsinha' (Chico Buarque), num repertório que incluiu ainda Pixinguinha e Ary Barroso.
Para quem se apaixonou pelo Madredeus ouvindo 'Electronico', de 2001, foi, no mínimo, uma lição. O disco trazia releituras eletrônicas das músicas do grupo, conservando seu espírito e alma. Gente como o produtor Craig Armstrong (Massive Attack) fez com que a voz de Teresa - descoberta nos anos 80 cantando fado num bar entre amigos - ecoasse pelo mundo e o CD vendeu mais de três milhões de cópias. Era um outro contexto, no qual a voz serena igualmente se sobressaía. Então, já sabe: se ela vier de novo, assista.
Em turnê pela Europa, o DJ Patife confirmou mais duas apresentações na Inglaterra: nesta terça-feira na festa Sheffield, em Londres, e quinta na Magnet, em Liverpool. Nesta viagem, um dos ícones do drum & bass nacional já tocou em Bristol, Brighton, Istambul e até num campeonato de ski na Áustria. Patife diz que a resposta do público tem sido a melhor possível, com casas cheias e boas vibrações. Ainda duvida do sucesso do nosso som lá fora? Veja a foto do álbum do DJ...
O fim de semana do paulista é em Portugal, ô pá: Lua/Lisboa (sexta), Industria/Porto (sábado) e 4ever/Aveiro (domingo).
Confesso que até o momento em Lee Perry adentrou o palco do Circo Voador, por volta de 1h do sábado (e foi muito engraçado: ele entrou com um chapéu de mago, cheio de patuás pela roupa, e o que se viu foi uma mão de mulher puxando o homem de volta pro backstage), eu ainda tinha medo de que ele não aparecesse. Mesmo sabendo que ele já estava no Rio, mais especificamente no Hotel Glória.
Isso porque, finalmente, na sexta-feira, consegui fazer a entrevista. E, fora o sotaque jamaicano quase ininteligível (mas depois dele repetir sempre as mesmas coisas você acaba entendendo um pouco), o papo foi totalmente nonsense. "Eu canto para espalhar a palavra", diz Perry o tempo todo. "Quem usa os elementos do dub hoje em dia usa com uma vibração diferente. Fazem por dinheiro", acusa ele.
Ele demonstra alguma linha de pensamento ao listar suas preferências musicais. "Antes do reggae, eu gostava de soul e pop, boogie woogie, também calipso... Gostava de música 'soulful' (com alma, na tradução literal), Benny King, Fats Domino", enumera. "Quando fiz o reggae, botei algo disso e do jazz no meu trabalho", descreve.
"A minha música é educação. A vibração vem da chuva, do mar. As idéias de outros vêm de bebida alcoólica, cocaína, cigarro. Se eu fizesse esse tipo de música, as pessoas iam comprar meus discos e ficar viciadas. Foi por isso que eu botei fogo no meu estúdio (Black Ark, nos anos 70). Ele não estava dando a música que eu queria", explica, em sua lógica muito particular. Diz a lenda, aliás, que Perry parou de fumar e beber há dois anos - mas sua mulher, com quem vive na Suíça, não.
Perguntado sobre o que acha da música feita na Jamaica hoje em dia, ele segue num discurso parecido. "O Bob (Marley, de quem produziu os primeiros trabalhos, quando ele ainda cantava ska) morreu e eles não tinham mais um guia para mostrar-lhes a luz. Tem muito raggamuffin' e só se fala em atirar nas pessoas", critica.
Perry diz que gostou muito do Brasil. "Me trataram bem e achei que o país merecia outra chance", conta ele, que em cima da hora cancelou os três shows que faria por aqui em 2003. "O avião estava impuro, vi muita hipocrisia", diz ele.
Gravei um pedaço do show para o blog. A qualidade não é grandes coisas, mas dá para ter uma idéia do que rolou:
Durante a apresentação, é claro, o discurso foi o mesmo. Mr. Lee Perry "benzeu" a água mineral e jogou no público, gritou contra George Bush, "exigiu" paz no Brasil. "Jesus é negro e veio salvar o Brasil!", dizia a figura. Acompanhado da banda inglesa, White Belly Rats - que ele, num ato falho, chamou de Upsetters, nome de sua banda inicial, na Jamaica (a outra que o acompanha é a americana Dub is a Weapon), ele cantou músicas como 'Introducing myself', 'I'm a good man', 'Roast fish' e 'War inna a Babylon', em pouco mais de 1h de show.
Além do chinelão com meia estáile, também notei que na equipe de Perry não tem essa de toalhas brancas, só pretas.
Lee Perry tira muita onda: vai fazer show de chapéu de mago, cheio de patuás e de chinelão com meia. Detalhe: uma diferente da outra.
O jornal O Dia de hoje tem uma materinha sobre o show no caderno O Dia D. E, assim que eu me entender com o YouTube, juro que boto aqui um videozinho feito especialmente pro blog.
Ericka Rolim, jornalista e amiga do Pós-Pop, manda suas impressões do festival Abril Pro Rock, em Recife:
Começou na sexta-feira 13 o Abril Pro Rock, que comemora sua 15ª edição. Graças a dois nomes, Nação Zumbi e Mutantes, a primeira noite do Abril poderia se resumir em um só adjetivo: intensidade.
A novidade é a presença do palco 3, para bandas novas. O espaço estreou ao som sessentista da banda Cannivetes, carregada de influência do The Who. Agradou mais pela atitude rock, barulhenta e raivosa. Em seguida, Os Bonnies, do Rio Grande do Norte. Guitarras chapadas, bateria forte: seria basicamente a mesma coisa que várias bandinhas fazem por aí se não fossem a qualidade técnica e a inteligência.
O palco 2 começou mal: O Quarto das Cinzas é uma mistura de MPB com pós-rock e apelação para soar como banda conceitual. O show é sofrível, sem nenhuma identidade e totalmente perdido. Em seguida, foi a vez da atração baiana Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta. À primeira audição, a banda pode soar estranha e até um pouco maçante, principalmente quando aposta no experimentalismo. Mas quando investe no samba de malandro com pegada rock, torna tudo muito envolvente. Muitos dos que ouviram pela primeira vez puderam pensar que a banda era um Jorge Ben Jor mais indie e esquisito (e isso é um elogio).
Você ouve a introdução das músicas e certamente pensa que é o Franz Ferdinand sem tanta animação. Depois da introdução, as guitarras só levam palhetada para baixo e você pensa que só pode ser Strokes sem Julian Casablancas. Mas é a cópia carioca das bandas acima, também conhecida como MopTop. Não que eles não sejam competentes: o som envolve o público, eles são ótimos no palco e o público responde berrando. Mas os arranjos são chupações que deixaram alguns nervosos.
No palco principal, foi a vez da Nação Zumbi. Não tocaram nada da fase com Chico Science, executando apenas músicas dos dois últimos álbuns. E, mesmo assim, fizeram um show lotado de ‘hits’. A verdade é a que a Nação nunca entra em palco para perder nem fazer um show morno.
Toda ansiedade da noite se concentrava em torno de um nome: Mutantes, fosse pelo show histórico, fosse por medo da presença da Zélia Duncan. Mas tudo durou só até o momento em que o show começou. Zélia teve uma presença extremamente discreta, deixando o show para quem de fato fez o espetáculo. No palco, Arnaldo Baptista, com seu sorriso constante, mostra que se diverte ainda fazendo shows.
Mas está muito claro que o homem do Mutantes é Sérgio Dias, um dos guitarristas mais criativos de todos os tempos. O público se envolveu com o show e se emocionou: de 'Top top' a 'Desculpe Babe', tudo era motivo para gritar e tornar aquele momento uma bela viagem lisérgica. Canções como 'Minha menina', 'El justiceiro', 'A balada do louco' e 'Ando meio desligado' foram os presentes dados ao Abril pro Rock, que chegou aos seus 15 anos com um show histórico.
Pra que esperar o lançamento de 'Chinese Democracy', disco que Axl Rose vem prometendo há inacreditáveis dez anos? Os fãs do Guns N' Roses podem matar a saudade da banda com o Velvet Revolver, que se apresentou ontem no Citibank Hall.
Assisti ao Guns no autódromo de Jacarepaguá, em 1992. Nunca fui fanática pela banda - meu irmão mais velho é que tinha os vinis deles -, mas não gosto de deixar shows passarem: muitas bandas surpreendem no palco (pra bem e pra mal). Apesar de boa parte do público presente ontem provavelmente nunca ter visto o grupo em sua formação clássica - quando eles vieram para o Rock in Rio 3, em 2001, Axl Rose já tinha demitido os colegas -, todo mundo recebeu os hits do Guns como se fossem velhos conhecidos.
Além disso, o Velvet é mais Guns N' Roses do que o próprio Guns hoje. Slash continua o mesmo, cartola na cabeça, cabelos escondendo a cara, fazendo solos que são a alegria dos estudantes de guitarra (em vários momentos, a platéia gritava: "Is-la-shê, Is-la-shê"). Duff McKagan (baixista), menos montado, ar meio blasé, tá melhor do que na época de sua ex-banda. Matt Sorum já era coroa quando entrou no Guns, e baterista fica meio escondido mesmo, então não destoa muito (comentário de um cara do meu lado pro amigo: "Esse baterista é a cara da Ana Maria Braga!"). David Kushner está no posto que no Guns era de Izzy Stradlin, a guitarra base. E o vocalista Scott Weiland parece mais com o Axl que guardamos em nossas memórias do que o próprio Axl hoje em dia.
Aliás, Weiland é um caso à parte. Absurdamente magro, sua performance mistura Axl Rose, Iggy Pop e Britney Spears, por incrível que pareça: ele tem mania de botar as mãos nas cintura e depois apontar com uma delas pro público, mantendo a outra na cintura, típica dancinha das cantoras pop.
A banda tá afiada, as músicas não mudam a vida de ninguém mas são boas, menos farofa que o Guns (Weiland não alcançar os agudos de Axl ajuda nesse quesito, também), por vezes lembrando algumas coisas do Foo Fighters. E, confesso, foi legal ouvir clássicos do Guns N' Roses como 'Easy' e 'Used to love her'. Rolou até cover de 'Wish you were here', do Pink Floyd. Só supreendeu pela curta duração, pouco mais de 1h. Tudo bem que eles só têm um disco lançado, mas existe outro a caminho (tocaram umas duas músicas novas) e podiam ter tocado mais coisas do repertório do Guns e até do Stone Temple Pilots.
Ah, uma observação: os shows do Citibank Hall geralmente não começam com muito atraso, coisa rara aqui no Rio. Outros lugares deviam seguir o exemplo.
@ Hoje tem Velvet Revolver (banda com ex-integrantes do Guns'n'Roses e o vocalista Scott Weiland, ex-Stone Temple Pilots) no Credicard Hall (ex-Claro Hall, ATL Hall e Metropolitan).
@ Amanhã, a lenda jamaicana Lee 'Scratch' Perry, um dos inventores do dub, faz show no Circo Voador pelo festival Abril Pro Rock, com abertura do Digitaldubs. A figura já está no Rio de Janeiro. Ufa. Só pra alimentar a lenda, ontem cancelou a entrevista que me concederia faltando 15 minutos.
@ Antes disso, às 16h, tem Vespeiro no sebo Baratos da RIbeiro, em Copa, com as bandas Go! e Big Trep, muito bacanas.
@ Private Dancers, DJ 6, Grandprix, Parêntese e Brisa se apresentam no mesmo dia no Casarão Cultural dos Arcos.
@ Outra dica é a Phunk!, no Bola Preta, clássica. E parabéns para o DJ Saens Peña, que fez aniversário!
O norte-americano Ashod Simonian tem o projeto lo-fi Panty Lions e já passou por bandas como Earlimart e Preston School of Industry. No tempo livre durante as turnês, tirou muitas fotos dos colegas com uma polaroid.
O resultado são as mais de cem fotos do livro 'Real Fun: Polaroids From the Independent Music Landscape', que acaba de sair nos Estados Unidos, em que integrantes de bandas como Pavement, The Shins, Broken Social Scene, Sleater-Kinney, Wilco e Death Cab for Cutie, entre outras, aparecem em situações corriqueiras: comendo, dormindo, pescando ou fazendo bagunça. Alguns dos fotografados escreveram textinhos para acompanhar as fotografias, outros fizeram músicas especialmente para o CD com 18 faixas que vem com a publicação.
As fotos são legais como essas do convite para a festa do lançamento do livro, que pode ser comprado pela internet.
Acaba de ser lançado lá fora o livro 'Bombshell: The Life and Times of Claw Money' (Powerhouse Books' Miss Sara Rosen Editions), ainda sem previsão de lançamento por aqui. Trata-se da biografia da maior autoridade feminina do mundo do aerosol, que traz textos descrevendo a personalidade de Claw (nascida Claudia) e obras de arte alternadas com fotos em preto e branco, em 156 páginas.
Nas colagens reproduzidas, a grafiteira uniu todo tipo de lixo pessoal, como velhos óculos escuros, fotos de família, jóias, grafites, adesivos e afins, transformando as imagens em preciosidades. As resenhas sobre a nova-iorquina foram escritas com paixão e admiração por produtores, fotógrafos e diretores de arte, além de três importantes figuras do grafite, como Dr. Revolt, um ícone do meio, que criou o clássico logotipo do Yo! MTV Raps nos EUA, Miss 17 e West, um dos mais conhecidos da cena nos anos 80 e 90.
Nascida no Queens e criada em Long Island, Claw ganhou os muros de Nova Iorque no início dos anos 90. Depois, trabalhou como stylist de Ice-T, Ice Cube e Guns n´Roses, foi editora de moda e criou sua própria equipe de grafite, a PMS, num meio predominantemente masculino.
Mesmo para os que acham que o grafite virou mainstream demais, não dá para ignorar a graça e o talento de Claw, que, hoje, aos 38 anos, diz que está aposentada dos muros.
Olha que bárbaro o álbum Graffiti Mania: suas figurinhas são grafites de verdade, mais de 180 imagens garimpadas de muros e paredes da cidade por Tomaz Viana, o Toz. E a dica vem de um amigo do blog: o livro, que já está nas bancas, é brinde (com mais três figurinhas) para quem passa pela loja INK, no Cittá America, na Barra.
Se você ainda não ouviu falar no curador da obra em questão, Toz é o autor da fofíssima Niña (abaixo), a bonequinha de traços orientais que já virou até obra de arte e estampa camisas-objetos-de-desejo. Ele também faz parte da Flesh Beck Crew, a equipe que consolidou o poder do spray virando até grife - estreou com belo desfile no Rio Moda Hype, dentro do Fashion Rio, na edição Verão 2007.
Mogwai, J Mascis (do Dinosaur Jr), Ok Go e They Might Be Giants são os principais nomes do disco 'Dig for Fire: A Tribute for Pixies', com versões de músicas da banda de Frank Black e Kim Deal.
O álbum vai sair pelo selo American Laundromat Music e está previsto pra 13 de novembro. São 16 faixas, entre elas 'Gouge Away', na versão do Mogwai.
Lembrando que o grupo já tinha sido homenageado em 'Where Is My Mind?: A Tribute to the Pixies' (1999), em que predominavam bandas punk-pop, emocore e afins, apesar da participação de nomes legais como Weezer e Nada Surf, e no disco 'Tribute to the Pixies', só com bandas japonesas.
Toda vez que vem um gringo tocar no Rio (no Brasil), ele é sempre 'o melhor DJ do mundo'. Está nos releases que chegam às redações, nas propagandas, nas rádios. Mas na verdade a gente não precisa aderir a esse estilo colonizado de ser: o melhor DJ do mundo (ou, de fato, um dos) é brasileiro e se chama Marky. O problema é que Marky é rei do drum & bass e, como sempre também, sabe-se lá por que, enaltecer alguém depende de estar na moda. E o drum & bass, insistem alguns, dançou. Chato. Porque o ritmo evolui sem parar mundo afora e quem não quer admitir isso está perdendo.
A novidade é que Marky (que ganhou de reportagem de Zeca Camargo no 'Fantástico' a presença no top 25 da conceituada revista inglesa 'Mixmag', em 2006) acaba de estrear seu site. Lá, dá para saber também sobre outros ganhos do paulista, como o prêmio de melhor artista internacional concedido pela BBC XtraBass, em março. A página é bilingüe, oferece setlists mixados por Marky (e que podem ser baixados, de graça), papéis de parede e ringtones.
Marky começou a se popularizar em 95 junto com o jungle e virou um fenômeno aqui e na Inglaterra. Hoje com 32 anos, o mestre do db mixa como poucos. Quer saber o que ele anda tocando? Confira a playlist.
Random Movement - Her Song (Innerground Dub) TC - Strictly Drum & Bass (D-Style Records) Commix - Emily´s Song (Metalheadz) Calibre - Black Jack (Signature Records) Snow Patrol - Open Your Eyes D&B Remix (Bootleg) C.A.B.L.E. - New Infection (Innerground Dub) Mist:i:cal - Groove Me (Soul:r Records) Redeyes - Hey Lover (Bingo Records) Random Movement - Shattered Dreams (Innerground Dub) Fresh - Witchdoktor (Breakbeat Kaos)
Semana passada, a RIAA (Recording Industry Association of America, associação que reúne as grandes gravadoras dos Estados Unidos) anunciou que iria processar os fãs que disponibilizaram em seus sites as músicas do próximo disco do Nine Inch Nails, 'Year Zero' (na foto acima).
Só um detalhe: quem mandou as faixas pra essas pessoas divulgarem em seus sites foi a própria banda (antenada com os novos tempos), como estratégia de divulgação. A RIAA bateu o pé e o NIN foi mais longe: deixou o CD inteirinho pra quem quiser baixar em seu site oficial. Palmas pra eles.
Se não fossem os comerciais de TV, algumas músicas talvez nunca chegassem aos ouvidos do público. Com a popularização do YouTube a coisa ficou melhor ainda, e é possível conferir anúncios como esse da Sony, que traz a bela versão do sueco filho de argentinos José Gonzalez para uma das melhores músicas da também sueca dupla eletrônica The Knife, 'Heartbeats'.
Por aqui, quem não lembra da trilha sonora dos peixinhos do comercial do Palio Weekend? A música é inspirada em 'Simmer Down', dos Wailing Wailers. Menos conhecido, o anúncio do Peugeot 407 apresentou aos brasileiros, há cerca de dois anos, 'Can you trust me?', hit da banda francesa The Film, que agora se apresenta em Recife e em São Paulo no festival Abril Pro Rock.
Artistas brasileiros também já se deram bem ao servir de fundo musical para alguns filmes publicitários. O De Falla teve 'Popozuda Rock'n'Roll' incluído na trilha de um anúncio da Coca-Cola na Alemanha e na Suécia em 2005, o que abriu caminho para que Edu K lançasse por lá o disco 'Frenetiko'. Black Alien & Speed, então já separados, tiveram 'Quem Que Cagüetou?'/'Follow Me, Follow Me' incluída num anúncio da Nissan em 2003. A música virou hit na Europa e ganhou um remix de ninguém menos que Fatboy Slim.
Confira 'No Morro Não tem Play' (uma das músicas que vão rolar) nesse vídeo gravado pelo bróder Emilio Domingos, também conhecido como DJ Saens Peña, antropólogo, DJ, diretor de filmes e gente que faz:
O CDzinho custa só 5 reais (original de fábrica!) e vai estar à venda no show. Se você não curte reggae, talvez ainda conheça pouco as variações do gênero.
Depois, vale rumar para a Embalo, festa dos DJs Saens Peña e Tito, na Pista 3. Música para dançar de todos os rótulos.
União de talentos de Alagoas e Rio de Janeiro, o Fino Coletivo começa hoje uma temporada de um mês na recém-inaugurada Cinemathèque, todas as quintas-feiras. O grupo vai mostrar o repertório do CD homônimo, que sai em breve pela gravadora Dubas.
O lado alagoano reúne vários talentos da cena daquele estado. O cantor e compositor Wado tem três excelentes discos, com um som que é uma mistura de samba, funk e rock (na temporada no Cinemathèque ele não vai estar nos shows, porque está em Maceió se recuperando de uma operação na mão). Alvinho Cabral, violonista, compositor e parceiro de Wado desde o primeiro disco é outro talento que marca presença. E Siri, do Santo Samba (pouco conhecido por aqui, mas merecidamente cultuado por lá), é o terceiro membro de Maceió.
Do lado carioca, está Marcelo Frota, que acaba de lançar sob o alter-ego Momo o disco 'A Estética do Rabisco', de levada folk com um pé no samba-canção. Alvinho Lancellotti, irmão de Domenico (com quem tem parcerias, aliás), tirou as belas composições da gaveta e estreou nos palcos com o Fino Coletivo. O baixista Daniel Medeiros e o baterista Marcus Coruja completam o talentoso time.
O som combina as influências de todos os integrantes, numa mistura de samba, rock, funk e até forró - e o resultado, original, ora dançante, ora singelo, aponta um criativo caminho para a nova MPB. O show de hoje tem participação de Totonho (d'Os Cabra), de quem Wado gravou uma linda música em seu segundo disco, chamada 'Cenas de um Filme Inglês'. O show está previsto para as 22h e o ingresso custa R$ 20.
Enquanto esperava uns amigos no pátio do Oi Futuro para enfim conferirmos o File Rio 2007, olhei pra cima. E vi progresso e atraso na mesma tela, que era o meu olhar, um pouco cético por esses dias. O espaço é bem cuidado, oferece ótimas atrações culturais de graça e logo ali, ao lado de tanta modernidade, dei de cara com um prédio abandonado, ocupado por umas pessoas que vi estendendo roupa no varal, naquele domingo à tarde. Depois, um amigo perguntou: 'É um squat? Quem sabe é?' E eu falei que não, eram só 'uns sem-teto'.
Fiquei sonhando se aquilo ali e tantos outros lugares que vemos ocupados entre outros bem cuidados pelo Rio fossem squats e aquelas pessoas, squatters, que não são simplesmente 'uns sem-teto', como defini, mas representam toda uma cultura. Comum na Europa, os squats não são favelas, tem gente que trabalha em emprego bacana e tem dinheiro, mas se dá ao luxo de morar num prédio ou casa abandonada pelo que isso representa, pela liberdade que traz. Os squats surgiram nos anos 60 por conta da crise no setor de habitação e por isso tinham significado político. Hoje, em Londres por exemplo, reúnem músicos e artistas.
Essa galera promove festas secretas em casarões abandonados e o som são os sound systems das próprias comunidades. Como a cultura das raves no início, você fica sabendo onde é a noitada no próprio dia, por telefones passados boca-a-boca ou filipetas. Taí uma inspiração.
Os DJs Leo Janeiro e Marcelinho CIC são os representantes do Rio no Skol Beats, que, como já falamos, só rola em São Paulo, em maio.
Acostumado a eventos grandes, Leo vai levar seu house ao Live Stage na sexta-feira, dia 4, onde sobem as principais atrações do evento. Em fevereiro, o DJ participou do cruzeiro da Ministry of Sound e, no mês passado, foi uma das estrelas do Chemical Music.
"Tocar no Live Stage e com nomes como 20:20 Sound System, Nathan Fake e o Gui vai ser muito bacana. Minhas expectativas são as melhores", diz Leo. "Estou com algumas idéias bem legais para o meu set."
CIC é DJ de techno e se apresenta na tenda The End, no segundo dia de evento.
A dupla participou no fim de março do Winter Music Conference, que acontece desde os anos 80 em Miami e reúne a nata da cena eletrônica mundial. Eles acabam de lançar seu segundo EP, 'Second Time', composto por seis faixas totalmente produzidas pelos dois, misturando house, techno e electro.
Não é exagero dizer que o Skatalites é o precursor de toda a música moderna jamaicana. Ao trazer influências de jazz e da música da Motown para os ritmos da ilha, inventaram o ska, que viria a originar o reggae, o dub e toda a diversidade sonora que surgiu por lá. Isso sem falar no punk, que bebeu muito na fonte do grupo, criado nos 60.
A boa notícia é que eles finalmente vêm ao Brasil. A banda tem uma apresentação marcada para 17 de maio em São Paulo, ainda sem local definido. "Eu tô negociando com o SESC, mas ainda não chegamos a um acordo", conta Bruno Lancellotti, dono do selo Radiola Records e produtor do show. "É possível que aconteça mais um show, na véspera ou no dia seguinte", adianta.
O Rio, por enquanto, está de fora. "A banda tá louca de vontade de tocar no Rio, é claro, mas ainda não conseguimos nos entender com o Circo Voador", diz Bruno.
Lembrando que a banda ainda conta com integrantes originais Lloyd Knibbs (bateria) e Lester Sterling (sax alto), além da vocalista Doreen Sheffer (embora vocalistas não sejam fixos no Skatalites). Os outros morreram. Ou seja: se não rolar por aqui, vale a ida a São Paulo só pra ver o show.
Enquanto isso, dá uma conferida numa apresentação da banda ano passado:
Imperdível o show do compositor, arranjador e instrumentista Eumir Deodato, um dos mais respeitados e conhecidos músicos brasileiros no exterior, hoje e amanhã na Sala Cecília Meireles, na Lapa.
Meu primeiro contato com o trabalho de Deodato foi pelo clássico disco 'Clube da Esquina', com monumentais arranjos feitos por ele. Mas em seu currículo, o brasileiro radicado em Nova Iorque tem trabalhos com artistas do naipe de Frank Sinatra e Aretha Franklin. Recentemente, foi "redescoberto" pela islandesa Björk, para quem também compôs arranjos.
Uma das suas primeiras produções foi o famoso álbum 'Celebration', do Kool & The Gang. 'Also Sprach Zarathustra', música de Richard Strauss que virou tema do filme '2001 – Uma Odisséia no Espaço', de Stanley Kubrick, teve arranjos de Deodato.
Nos shows, ele vai se apresentar com o baixista Marcelo Mariano e o baterista Renato Maia. O repertório vai ser um apanhado da carreira do artista, que começou como arranjador nos primeiros discos de Marcos Valle e Wilson Simonal, e no álbum 'Inútil Paisagem', com músicas de Tom Jobim.
O projeto mais recente do músico é o álbum 'We All Love Morricone', um tributo ao mestre italiano das trilhas sonoras, com participações de Quincy Jones, Herbie Hancock e Roger Waters, entre outros.
A Sala Cecília Meireles fica no Largo da Lapa, 47 – Centro (2224-4291). Ingresso: R$ 80.
Depois de ver alguém esquecer do mundo ao redor por pelo menos uma hora jogando 'Lego Star Wars', eu, que sou fã da trilogia e nunca irei para o lado negro da Força, até que me apeguei ao jogo de Play Station 2. O primeiro da série é de abril de 2005 e o segundo, de setembro de 2006, mas para mim foi uma grande novidade. É o cúmulo do nerd juntar Lego com a trilogia de George Lucas, pensei. Depois, explodiu um momento sem noção, porque 'fofo' foi o mínimo que pude dizer sobre Princesa Léa e Luke Skylwalker correndo com suas bundinhas Lego pra cima e pra baixo naquele game de 'Guerra nas Estrelas'. Não é de hoje que o brinquedo é cultuado, tem até site 'clube do Lego', com invenções, papéis de parede, games, notícias... mas juntar duas coisas tão 'cult' numa só foi realmente idéia genial que merece ser comentada e recomentada.
Agora, uma notícia quentinha: depois de Lego Star Wars, Batman vai virar game em parceria com a Lego. Chega às lojas em 2008.