Karla Rondon Prado

Kamille Viola
 

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Quinta-feira, 31 Maio, 2007

'Cão Sem Dono', novo filme de Beto Brant e Renato Ciasca

Entrevistei ontem a equipe de 'Cão Sem Dono', de Beto Brant e Renato Ciasca, baseado no livro 'O Dia em Que o Cão Morreu', do gaúcho Daniel Galera. Não sei quando sai a matéria, mas amanhã sai um perfil com a Tainá Müller, que faz um dos personagens principais do filme, Marcela, pelo qual ganhou prêmio no Cine PE.

Foto: Márcio Mercante/O DIA

Durante a sessão de fotos, o querido e talentoso fotógrafo Márcio Mercante nos fez sofrer, andando pelo aterro em busca da foto perfeita - e, quando passávamos pela passarela (pesadelo-mor), descobri que o Beto Brant também tem medo de altura.

Uma prévia do filme tá no trailer:



Daniel Galera é mais um gaúcho que fez parte do extinto CardosOnline, um fanzine por email criado em 98 que se tornou um fenômeno e revelou, além dele, Clarah Averbuck, Cardoso e Daniel Pelizzari, o Mojo, isso sem falar nos talentos que ainda não apareceram pro grande público. Num tempo em que a internet não era tão grande quanto hoje mas já mostrava poder, eles não esperaram a ajuda de ninguém pra dar o seu recado e usavam uma linguagem precursora da que vigorou nos blogs, misturando impressões sobre tudo o que interessava a eles (músicas, shows, filmes, livros etc.) e de suas próprias intimidades.

Play it again, Sam!



Está aí para quem quiser ver o novo clipe dos Chemical Brothers (e é simplesmente sensacional). 'Do It Again', que você confere abaixo ou no site da dupla de DJs, é o primeiro single do novo disco de Tom Rowlands e Ed Simons e só será lançado oficialmente na próxima segunda-feira. Já o álbum todo dos ingleses, 'We Are The Night', chega ao mundo no sábado e o show de lançamento é hoje, em Londres. Aguardado desde 'Push The Button', de 2005, o CD é o sexto dos dois, que já vieram ao Brasil em 99 e 2004.

A música é altamente dançante - há quem compare em tom de crítica com Fatboy Slim - e dá vontade de 'do it again, do it again'... porque não cansa, cada vez fica melhor. Nos vocais traz o precocemente cultuado Ali Love, o londrino que, aos 25 anos, escreve, toca, produz e faz um sucesso danado - virou fenômeno britânico desde seu single de estréia, 'K Hole'.

O clipe lembra cenas do filme 'Babel'. Porém, é divertido e não sofrido. No Marrocos, dois garotos simpáticos vêem uma fita cassete cair do céu (nela está escrito 'Chemical Brothers' em marroquino) e a música embala uma 'aventura' que vem a seguir. Prestando atenção, dá até para ver um Osama Bin Laden dançando no telhado. O cenário é maravilhoso e vai das humildes áreas rurais até a cidade de Lalla Takerkoust, como se lê numa placa.



Terça-feira, 29 Maio, 2007

Delicadeza em imagens



Janaína Magalhães é publicitária, mas também uma sensível e talentosa ilustradora e fotógrafa. Uma boa amostra dos trabalhos dela (como a figura acima) está no site Ludicices, sempre com novidades. Dá um pulo lá.

Segunda-feira, 28 Maio, 2007

Marcelinho Da Lua mostra novo disco na Modern Sound

Foto: Daryan Dornelles

O bróder Marcelinho Da Lua (na foto) lança hoje, às 19h30, na Modern Sound, o disco 'Social'. Participam BNegão, Angelo B, Marcela Mangabeira, André Derizans e Gabriel Muzak.

No repertório, as ótimas 'Ela partiu', de Tim Maia, e 'Pode me chamar', da banda pernambucana Eddie, além das novas 'Plim-plim' e 'Papo de Ya Ya'.

Bandas independentes brasileiras dos anos 90 em fita k7



No início de maio, o selo midsummer madness lançou o volume 1 da coletânea em fita cassete (sim, isso mesmo) 'Fim de Século', compilada por Gabriel Thomaz (atual Autoramas, ex-Little Quail), com músicas tiradas de fitas demo de bandas do 'boom' do rock nacional nos anos 90, todas guardadas por Gabriel.

São 22 músicas, com grupos como Pato Fu, Graforreia Xilarmônica, Doiseumimdoisema, Gangrena Gasosa, Raimundos, Maskavo Roots, Cabeça e Eddie, entre outros. A tiragem, limitadíssima, é de 50 cópias.

No site do selo, dá pra baixar de graça todas as faixas que estão na fitinha e mais oito que ficaram de fora.

Sexta-feira , 25 Maio, 2007

O rei do amor platônico

O grande Jorge Ben Jor começa a turnê do novo disco, 'Recuerdos de Asunción, 443', com show hoje e amanhã no Circo Voador.

Para o CD, Ben Jor terminou músicas incompletas que estavam esquecidas em seus arquivos, e ainda compôs uma faixa pros emos, a tão criticada tribo adolescente. "Eu adoro os emos. No meu tempo não tinha, mas sempre gostei dessa coisa da alegria e tristeza, tudo junto, no mesmo dia", contou ele recentemente, em coletiva do lançamento.

No embalo, o cantor e compositor lança o DVD 'Energia', um especial gravado em fevereiro de 1982 pela Globo, com participação de Caetano Veloso, Tim Maia, Baby do Brasil, Gal Costa e Fábio Jr., entre outros.

Jorge também teve três CDs reeditados: 'Dádiva' (1983), 'Sonsual' (1984) e 'Ben Brasil' (1986). A gravadora promete relançar mais discos remasterizados.

Ídolo das duas blogueiras do Pós-Pop, Ben Jor foi abordado pela gente (mais Regina Rito, colunista de O Dia) na festa do Prêmio Tim, semana passada:



Karla: Você é o rei do amor platônico!
Jorge: Obrigado!
Regina: Ela tem todos os seus discos! (aponta para Kamille)
Jorge: Opa! Dias 25 e 26 de maio tem show no Circo Voador.
Kamille: Eu sei, eu vou lá ver você cantar pros emos.

Terça-feira, 22 Maio, 2007

Depois de São Paulo, a japonesa Miho Hatori faz show hoje no Rio

A japinha Miho Ratori, metade do Cibo Matto, uma das vozes do do Gorillaz, foi uma das atrações do Resfest, que aconteceu este fim de semana em São Paulo, faz show hoje no Estrela da Lapa, com a participação de Moreno & Kassin.

Ela se apresentou no sábado na Cinemateca Brasileira (um lugar incrível) com uma tecladista e um talentoso baixista, num show de altos e baixos, que cativou mais pela simpatia da moça, que cantou trecho de música de Baden Powell e arriscou diversas frases em português. Também fez uma boa versão de 'Heart of Glass', do Blondie.

No bis, ela cantou uma versão em japonês de 'Paraíba', de Luiz Gonzaga e ainda mandou o refrão em português: "Paraíba masculina, mulher macho, sim senhor". Ainda não achei vídeo dessa música em Sampa, mas aí vai uma versão recente:


Segunda-feira, 21 Maio, 2007

Amor, I Love You

Quando escrevi o post da música que Madonna fez para o Live Earth na quinta-feira, disse que daria a letra ao estilo das extintas aulinhas de inglês da TVE. Um monte de gente veio me perguntar o que era isso. Como assim? Vocês não tiveram infância/adolescência? O que hoje parece bizarro, na época era um sucesso - e não, não sou daquelas entusiastas das baboseiras dos anos 80... pelo contrário. Mas, sobre o meu comentário: trata-se do programa 'I Love You', uma aula de inglês pela televisão, em que a grande inovação era a tradução de músicas cantadas pelos alunos, com a professorinha loura Márcia Krengiel. De acordo com o site da TV Educativa, a atração recebeu o 3º lugar na categoria de Programa Educativo no Festival Internacional de Filme e Televisão de Nova Iorque. Pena que não encontrei uma música mais animada no YouTube, mas fica aí uma das aulas como referência. Repare no cabelo, supercomum e imitado... as 'blitzes' Márcia Bulcão e Fernanda Abreu que o digam.


Tênis faz bodas de prata com megafesta do rap

A incansável Elza Cohen faz a direção artística da festa que Marcelo D2 promove no Rio esta semana para celebrar sua paixão pelo tênis Air Force 1, da Nike, que está celebrando 25 anos. Antigo colecionador do modelo, o rapper esteve em Nova Iorque a convite da empresa no lançamento das coleções comemorativas. A festa vai ser no Largo de São Francisco, no Centro, e Elzinha está orgulhosa de estar à frente da parada. O Apavoramento Sound System cuida dos visuais, enquanto D2 faz show e recebe os DJs Tahira (da noitada já clássica de Elza, Zoeira Hip Hop) e DZ Cuts.

Sábado, 19 Maio, 2007

A banda americana Akron/Family encerra festival em São Paulo amanhã

Começou ontem em São Paulo o Resfest, festival multimídia criado há dez anos em Nova Iorque e que acontece em diversas capitais do mundo.

Além da exibição de filmes, trabalhos de design e debates, o evento, que acontece na Cinemateca Paulista, tem um show internacional por dia.

Amanhã, último dia, quem se apresenta é o grupo norte-americano Akron/Family, formado por quatro vocalistas e multi-instrumentistas, difícil de rotular mas que não pára de fazer shows.

O principal vocalista, Seth Olinsky, responsável pelos lindos vocais da banda, conversou um pouco comigo por telefone antes de vir para cá:

A banda de vocês é difícil de rotular. Quais são as principais influências de vocês até agora?
Acho que uma grande influência são os Beatles. Todos nós compomos e tocamos vários instrumentos. Gostamos da idéia de que cada pessoa incorpore elementos e influências diferentes à banda e ainda assim a música seja, digamos, aceitável pelo público. A gente gosta de muita coisa diferente, muito free jazz, world music, experimental, folk, rock. A idéia é incorporar muitas coisas diferentes, não só bandas de rock.

Vocês se consideram uma banda de rock?
Nos discos nosso som é mais ambíguo, com diferentes sons e instrumentos. Ao vivo é mais rock, com duas guitarras, baixo e bateria.

Vocês estão trabalhando num novo disco?
Isso. Depois dos shows no Brasil, temos mais dois dias em estúdio para terminar o próximo álbum, que deve sair em setembro. O show vai ser metade de canções antigas, metade de novas. Ainda não temos o nome definitivo, mas, a princípio, vai se chamar 'Love is simple'.

No material de divulgação, vocês dizem que são moços bem-educados da América rural que foram para Nova Iorque fazer música e coisas assim. O humor é importante pra vocês?
Humor é imprescindível, o escritor James Joyce dizia que o humor é a coisa para ser levada a sério. É importante pra gente tentar se divertir, incorporar isso nos shows, nos discos, na vida. A gente passa muito tempo tentando se congregar com o público, é difícil se divertir o tempo todo. Nós somos melancólicos, às vezes. Isso é outra coisa que se você olhar pros Beatles a gente tem em comum, é um sentimento de se divertir com a banda.

Como vocês se conheceram?
Dana (Janssen) e eu éramos da mesma cidade na Pensilvânia. O Miles (Seaton), baixista, era de Seattle e foi trabalhar no mesmo coffee shop que eu. Procuramos um baterista e encontramos o Ryan (Vanderhoof) e já tocamos juntos há três, quatro anos. Eu fiz escola de música e estudei jazz, o Dylan fez violão clássico na faculdade e depois foi para Nova Iorque acompanhar a namorada, que foi fazer mestrado.

Deve ser difícil conseguir conciliar todas as idéias de vocês todos. Vocês têm projetos fora da banda?
Isso é a coisa mais glamurosa e mais frutastrante de ter uma banda. Aliás, você pode citar os Beatles, Crosby, Stills, Nash & Young... Cada pessoa pode fazer suas coisas sozinho e fazer bem. Existe uma batalha... Não uma batalha, mas uma tensão criativa. Não dá pra todo mundo fazer o que quiser, tem que se comprometer e sacrificar. De repente eu posso querer fazer polca e os outros dizem: "Ah, não..." Por enquanto é difícil fazer outras coisas, mas acho que daqui a pouco já vamos estar por aí, compondo R&B, CDs, subindo nas paradas de sucesso (risos).

Como você se atualiza musicalmente, conhece bandas novas?
Eu procuro pra trás (risos). Às vezes eu procuro ficar atualizado, mas tem tanta coisa por aí... Tento olharo mundo, a África, o sul da Ásia, o Oriente Médio, a Europe, a América do Sul. A gente não conhece nenhuma banda nova, cada semana surge uma banda e é a melhor do mundo. Gosto de John Coltrane, Bob Dylan, música indiana, tem mais a ver comigo.

Mas Nova Iorque tem uma cena de bandas que estourou, vocês se sentem parte de alguma cena?
Quando se fala das bandas de uma cidade como Nova Iorque, a gente não conhece todo mundo, não convive com todo mundo. Nós somos do Brooklyn e tocamos uma vez com o Grizzle Bear num bar lá, foi bem legal. Mas a gente não é de sair, saímos com nossas namoradas ou ficamos compondo, com nossas famílias. Não somos parte de uma cena, o que é uma pena, aliás. Acabamos tendo mais contato com o pessoal mais antigo. O Hamid Drake, que é um músico de jazz, um dos meus heróis, tocou com a gente. Nos conhecemos, gravamos, tocando juntos, aprendemos tanto!

E a música brasileira, você conhece? O que acha?
Conheço alguma coisa de bossa nova e queria saber mais sobre a Tropicália. Dessa vez vamos ficar só três dias no Brasil, mas devemos voltar pra shows em feveireiro ou março do ano que vem, aí espero ter mais tempo.

Ouça, sinta e veja o grave

É com muito orgulho que a gente apresenta o trailer (abaixo) de 'Dub Echoes', de Bruno Natal, que não foge à luta, correu atrás, produziu (durante uns dois anos) e dirigiu o documentário. Rodado na Jamaica, Inglaterra, EUA e no Brasil, o filme mostra o dub através de seus principais personagens, de Lee Perry a LTJ Bukem, passando por Sly & Robbie e muito mais. Idéia ótima, a exibição no YouTube mixa o eco pronunciado pelos entrevistados imitando o dub ('o avô do reggae', como muito já ouvi dizer) com fundo musical. Bem legal.

E fica aqui uma sugestão: o site do doc deveria ter versão nacional, em português.



Ah, o Bruno acabou de concorrer ao Prêmio Tim na categoria 'Especiais', pela direção do DVD 'Desconstrução', de Chico Buarque.

Sexta-feira , 18 Maio, 2007

Agenda

Hora de indicar os programas mais bacanas do fim de semana.
Então, vamos lá:

Hoje, tem mais uma Inferninho, com os DJs Wilson e Edinho, no Casarão Cultural da Lapa (Mem de Sá 23), com sorteio do CD novo do Kaiser Chiefs.

Parceiro de Edinho amanhã na Paradiso (Matriz), Tito toca logo mais na Rock it, no Marun. O DJ convoca a galera para seu 'programinha fofo e meigo' domingo, entre 21h e 22h, na www.multishowfm.com.br, em que vai entrevistar... Edinho (alguém tem um sinônimo pra 'Edinho', para eu não ficar repetindo? ; ))

Ainda hoje: mundo livre s/a e baia na Fundição Progresso, com festa nos intervalos (participação do 'bróder' do blog VJ Timba).

Mais: Maurício Lopes na Oops! (é impressão minha ou a festa vai fazer 10 anos?), hoje, no Fosfobox, em Copacabana.

Amanhã, Shild faz o after da Neue, tocando techno no Dama de Ferro (Vinicius de Moraes 288, Ipanema).

Em homenagem a Kamille: de hoje a domingo, nossa soul woman Alcione faz show no Canecão e relembra sucessos dos anos 70 como 'Devagar com a Louça' (convém avisar: em parceria com Emílio Santiago).

Prainha vazia é uma delícia. Sopa de beterraba na Polonesa, em Copa, também.

Bons dias.


Quinta-feira, 17 Maio, 2007

Madonna lança música para o Live Earth: download é grátis



Está disponível desde hoje para download gratuito a nova música de Madonna, 'Hey You', composta por ela com produção do rapper Pharrell Williams, que já trabalhou com Justin Timberlake, Snoop Dogg e Britney Spears. O futuro hit (claro, não precisa ter o menor feeling para prever) foi feito especialmente para o Live Earth, o projeto comandado por Al Gore para sensibilizar o mundo a lutar contra o aquecimento global. Madonna se apresenta na versão inglesa do evento, que acontece em Londres - e em vários lugares do mundo (incluindo Brasil) - no dia 7 de julho.

'Hey You' não será lançada como single, mas fará parte do CD e do DVD com registro dos shows. O download só é grátis por uma semana, no site do evento, via MSN. Depois, US$ 0,25 de cada arquivo baixado serão doados pela Microsoft para a instituição Alliance for Climate Protection. Baixe a música e aprenda a cantar. O Pós-Pop facilita sua vida ao estilo das extintas aulinhas de inglês da TVE, publicando a letra:

Hey You

Hey You
Don't you give up
It´s not so bad
There's still a chance for us
Hey You
Just Be Yourself
Don´t be so Shy
There's reasons why it's hard

Keep it together
You'll make it alright
A celebration is going on tonight
Poets and prophets
Would envy what we do
This could be good
Hey You

Hey You
Open Your Heart
It's not so strange
You got to change this time
Hey You
Remember this
None of it's real
Including the way you feel

Keep it together
You'll make it alright
A celebration is going on tonight
Poets and prophets
Would envy what we do
This could be good
Hey You

Save your soul little brother
Hey You
Save yourself
Don't rely on anyone else
First love yourself
Then you can love someone else
If you can change someone else
Then you can save someone else
But you must first love yourself
Then you can love someone else

If you can change someone else
Then you have saved someone else
But You must first

Hey You
There are on the fence
You got a choice
One day it will make sense
Hey You
First love yourself
Or if you can't
Try to love someone else

Keep it together
You'll make it alright
A celebration is going on tonight
Poets and prophets
Would envy what we do
This could be good
Hey You

First love yourself
Then you can love someone else
If you can change someone else
Then you have saved someone else
But you must first love yourself
Then you can love someone else
If you can change someone else
Then you have saved someone else


Quarta-feira, 16 Maio, 2007

Começa hoje série de shows do Skatalites em São Paulo

Enquanto o Rio ficou de fora, São Paulo ganhou um show extra do Skatalites, hoje. A banda também se apresenta amanhã e sexta, e o melhor é que esgotou tudo (também, o ingresso inteiro sai por R$ 30).

Os shows vão ser gravados e as imagens vão entrar num DVD da banda.

O Pós-Pop vai pintar por lá no último dia (BNegão diz que também vai, e deve rolar uma participação) e contar tudo por aqui. Hoje, quem participa são os paulistas superbacanas Firebug, que têm repertório de música jamaicana 'old school'.

Vai dançar embaixo da ponte!

Depois de fazer uma peregrinação mariana, visitando os lugares onde Nossa Senhora fez aparições, e percorrer o Caminho de Santiago com Paulo Coelho e Christina Oiticica, nosso colunista Bruno Astuto, Brunette para os íntimos, descansa curtindo as coisas mais mundanas de Paris. Descobriu tudo sobre a nova noitada da Cidade Luz e mandou a notícia:

A boate mais absurdinha de Paris chama-se Show Case e fica... embaixo da
ponte! Mas nao é qualquer ponte, claro, e sim a Alexandre III, a mais chic
da cidade. Na sexta, quem se apresenta por la é o Simian Mobile Disco, que
deu pinta no Skol Beats. Seu hit ‘It’s the beat’ é o chiclete das pistas
francesas. Anotou? Conheça o lugar no link.


Terça-feira, 15 Maio, 2007

Marcelinho Da Lua lança novo clipe na Internet

Marcelinho Da Lua lança online o clipe de 'Ela partiu' (aquela música do Tim Maia que entrou na versão digitalizada do 'Racional' mas não era parte do disco originalmente), que vai estar no próximo disco dele, 'Social' (mais uma vez, o nome do CD é a cara do DJ...):




Quem cantou na faixa foi Tonho, vocalista do Ultramen (de 'Dívida', lembram?) e o vídeo foi feito com imagens gravadas pelo próprio Marcelinho em viagens.

Domingo, 13 Maio, 2007

Bajofondo faz a festa

foto R/antes
Vou roubar uma idéia de mim mesma: o Bajofondo é a liberdade do tango. Assim - inspirada num dos maiores sucessos de Astor Piazzolla, 'Libertango' - defini o show do também argentino Gotan Project no Tim Festival, em 2003, para a extinta revista Bala, então editada pela parceira de blog Kamille. E é isso aí: experimentação atrás de experimentação, num som eletrônico que moderniza o tango e acaba em house, passando até pelo drum and bass. Por isso, a apresentação do coletivo de músicos argentinos e uruguaios comandado pelo genial e animado Gustavo Santaolalla, sexta à noite, no Canecão, acabou em pista, com a platéia invadindo o palco - encorajada pelo compositor - como num tradicional fim de show de Jorge Benjor. Bom demais.

Perdi André Abujamra e Arnaldo Antunes, que abriram a noite dentro do projeto Música em Cena, mas acompanhei cada movimento de Santaolalla, a princípio sozinho no palco, todo simpático, dando boa noite em português para então dizer que já tinha vindo ao Rio, mas não para tocar, e que estava feliz de estar ali. Começou a falar em inglês, a platéia pediu espanhol e ele mudou de língua na hora, todo simpático. Em seguida, só no violão, dedilhou as canções que lhe renderam os dois últimos Oscar, pelas trilhas sonoras de 'Brokeback Mountain' e 'Babel', acompanhado no telão por cenas dos longas de Ang Lee e Alejandro González Iñarritu, respectivamente.

Depois de emocionar, chamou ao palco Marisa Monte, de quem é fã, que levantou o público com sua voz linda e sua presença de palco expressiva (isso não dá para negar, embora ela tenha ficado um pouco chata pro meu gosto desde Tribalistas). Santaolalla acompanhou Marisa como a uma grande diva e inseriu a melancolia do tango em 'Infinito Particular', ela dançando com os ombros, para despedir-se do palco em quatro músicas, no clímax. Deixou a platéia pronta para o Bajofondo, que empolgou após breve intervalo, com músicas de seus cultuados CDs,'Bajofondotangoclub' e 'Supervielle'. No próximo semestre tem mais: eles lançam o terceiro disco, 'Mar Dulce'.

foto R/depois

Sexta-feira , 11 Maio, 2007

Qual é a boa

Tá meio tarde, mas a noite é uma criança. Vão aqui algumas sugestões para o finde:

Sem dúvida alguma, a melhor atração desta sexta é o coletivo Bajofondo no Canecão, unindo tango e eletrônica, dentro do projeto Música Em Cena.

Hoje tem SuperBlax no Odeon (Praça Floriano 7, tel. 2240-1093), com os DJs Zé Octavio, Preto Serra e Paulo Futura. A festa é mais uma no circuito da bombação soul (radiografada em reportagem da TDB! de 15 de abril último). A partir das 23h, com show de BNegão.

No mesmo ritmo rola logo mais a Black Friday, com o DJ David Tabalipa no Clandestino (Barata Ribeiro 111, Copa).

Ainda hoje, na Pista 3 (São João Batista 14, tel. 2266-1014), Edinho e Wilson Power tocam rock de várias décadas.

Amanhã, imperdível: Nação Zumbi no Circo (tel. 2533-5873), com abertura de China, a R$ 40.

Rodrigo Lariú toca as bandas indies nacionais na Pista 3, amanhã.

Também nos embalos de sábado à noite, mais uma edição da Rio Dancefloor no Cais do Oriente (Rua Visconde de Itaboraí 8, Centro, tel. 2233-2531). Tocam Urcasônica Sound System, Pedro Dubstrong (de SP), Nepal e Jonas Rocha.

E no quesito curiosidade, programe-se: estou ansiosa para ver o grão de areia que tem 125 caracteres gravados, da exposição China Hoje - Coleção Uli Sigg, que estréia terça no CCBB. Diz a matéria do Guia Show & Lazer de hoje: 'No espaço da rotunda, de 32 metros de altura, estará uma caixa transparente sobre um pedestal com um único grão de areia. Nele está gravado um texto, obra do artista Lu Hao. (...) O grão de areia poderá ser visto pelo público através de uma enorme lupa'. Só acredito vendo.

Aproveite o outono!

Quinta-feira, 10 Maio, 2007

Maior viagem

palace of fine arts/divulgação

Fica em São Francisco, nos EUA, o Exploratorium, o museu da ciência e da percepção humana, localizado num dos cartões postais da cidade, o Palace of Fine Arts (no detalhe da bolha de sabão). Fundado em 1969, era e continua sendo vanguarda, tanto na interatividade como pelo fato de ser usufruído como centro educacional.

Num dos 'brinquedos', é possível ver seu rosto fundido ao da pessoa que senta à sua frente, através de um jogo de espelhos. Quando estive lá, rolou uma festa do pessoal da instituição (que vive à custa desses membros e das visitações/é uma organização sem fins lucrativos), na qual projeções eram feitas num bolo gigante estilo bolo de noiva. Conforme as pessoas iam se servindo do doce ou metendo o dedo no glacê, as imagens do vídeo em exibição iam sendo alteradas.

Sem blablablá, o Exploratorium é um lugar muito divertido, onde você vira criança curiosa explorando as instalações. Tem lá tudo que pode surpreender os nossos cinco sentidos. Também dá pra aprender bastante sobre as forças da natureza, arte e tecnologia. Seu site é um dos mais visitados do 'mundo dos museus', com cerca de 20 milhões de acessos por ano. Não à toa é possível ficar horas nele, num passeio virtual bacanérrimo para todas as idades. E com uma novidade: não é preciso ir à Califórnia para se divertir. O simpático e moderno espaço oferece agora exposições virtuais para mexer com nossas sensações, como a visão. A de postais, por exemplo, é uma viagem. A imagem abaixo foi reproduzida de lá: o que você vê? Taças ou rostos de perfil? Depende se foca no branco ou no preto... It's human nature!
vaseface

Terça-feira, 8 Maio, 2007

Resfest leva novidades da cultura pop mundial a São Paulo

Akron/Family

A edição paulista do festival Resfest - que comemora 10 anos da edição em sua sede, Nova Iorque -, que acontece entre 18 e 20 de maio, vai levar para a Cinemateca Brasileira os shows de My Brightest Diamond (18), projeto da cantora e multi-instrumentista Shara Worden; Miho Hatori (19), do Cibo Matto e uma das vozes do Gorillaz, e do grupo de folk/experimental Akron/Family (20, na foto).

Auto-intitulado um festival de cultura pop - com cinema, música, design gráfico, moda e tecnologia -, o Resfest mostra o que há de mais atual em novas mídias e tecnologia: tudo o que você vai ver e ouvir daqui a um ano. Entre os filmes, por exemplo, está 'Drawing Restraint 9', de Matthew Barney, multi-artista norte-americano casado com a cantora islandesa Björk, que atua no vídeo e também fez sua trilha sonora.

Pra se ter uma idéia do caráter vanguardista do evento, o TV On The Radio, que caiu nas graças do público ano passado com o disco 'Return to the Cookie Mountain' e no mesmo ano bombou no Tim Festival, estava programado para a edição do Resfest do ano anterior.

O mais legal é que o ingresso inteiro para cada dia, incluindo o show, custa R$ 50 o antecipado e R$ 60 na hora, preço super-honesto.

Lembrete


Daqui a pouco o Canastra faz show no Estrela da Lapa para lançar o novo disco, 'Chega de Falsas Promessas', que vem encartado na 'revista do Lobão' Outracoisa, editada pelo nosso amigo Adilson Pereira.

Segunda-feira, 7 Maio, 2007

Documentário brasileiro é premiado em Cuba

O documentário '2001: uma odisséia à brasileira', da mineira Mariana Vitarelli (fotógrafa e 'sista' deste blog) levou o prêmio Telesur no Festival Internacional de Cinema Pobre de Gibara, em Cuba (em que concorreram 86 produções), que premia filmes feitos com baixo orçamento, além de convênio para exibição de seu filme na rede pública de televisão cubana. "Um testemunho vibrante e abrangente sobre a realidade contemporânea brasileira", disse o júri.

Filmado em VHS e todo feito por ela, editado em casa, '2001' mostra o Brasil na virada do século, um ano antes da chegada de Lula à presidência, através de depoimentos de anônimos e personalidades como Ruth de Souza, Gilberto Gil, Zagallo, Ziraldo, Siro Darlan, Cesar Maia, Ratinho, Elza Soares, Paulo Lins, Vampeta, Edílson, Antônio Abujamra, Hugo Carvana, José Lewgoy, Cláudio Manoel, Elke Maravilha, Artur da Távola, Nelson Motta, Gabriel O Pensador, Marcelo Yuka, Gerson King Combo, Marcelo D2 e BNegão, entre outros.

"O festival é maravilhoso. Dá oportunidade para novos realizadores, é realizado numa cidade adorável, mágica. O povo é altamante acolhedor, se mobiliza para receber o evento", conta Mariana. "Nunca vi nada igual." Valeu, garota!

O mágico Oz no Brasil


Volto do paraíso e ao Pós-Pop com uma notícia que muito me alegra: a vinda de Amós Oz ao Brasil, para a Festa Literária Internacional de Parati, de 4 a 8 de julho. Engraçado que ao pisar hoje na redação comprei do livreiro França a nova obra do israelense, 'De repente, nas profundezas do bosque'.

O escritor, conhecido por suas intensas reflexões políticas, seduziu-me há alguns anos com 'O Mesmo Mar' (um dos meus livros preferidos), no qual deixou de lado um pouco o papel de porta-voz da esquerda pacifista do Estado judeu para falar do cotidiano israelense, de vida normal, numa leitura em que cada página é pura poesia, num requinte absurdo, com um poder incrível para as metáforas.

Além de Oz, outros 18 nomes estrangeiros estão confirmados, entre eles dois vencedores do Prêmio Nobel: Nadine Gordimer, premiada em 1991, e J.M. Coetzee, em 2003 - ambos são da África do Sul. O roteirista mexicano Guillermo Arriaga e os argentinos César Aira, Rodrigo Fresán e Alan Pauls são outras atrações. Também vem o moçambicano Mia Couto, de quem minha companheira de blog gosta muito.

O autor homenageado, já divulgado, será Nelson Rodrigues. Orquestra Imperial e João Donato se juntam no palco para fazer a festa de abertura.

Domingo, 6 Maio, 2007

Na segunda e última noite do Skol Beats, Laurent Garnier fez a festa

O sábado foi visivelmente mais cheio que a sexta-feira (segundo a organização, foram 25 mil pessoas ontem, contra mais de 14 mil na sexta, num, total de 40 mil pessoas). Mas, ainda assim, um número bem menor que os 60 mil espectadores do ano passado, que teve só uma noite em vez de duas e contou com o Prodigy na escalação.

O principal destaque foi o DJ francês de techno Laurent Garnier, já conhecido do público brasileiro: entrou à 1h na tenda The End, que permaneceu lotada até as 4h, quando ele encerrou seu set. Mais tarde, ele faria back-to-back com o brasileiro Marky, na tenda Marky & Friends).

Laurent Garnier - foto: Mergulhão

O Crystal Method, duo considerado a versão norte-americana do Chemical Brothers, do chamado big beats, conquistou a platéria com remixes de duas músicas do Prodigy e de 'Killing in the Name', do Rage Against the Machine (que arrancou gritos do público), entre outros. Fez sucesso, mas mais manjado impossível...

A dupla inglesa Simian Mobile Disco, outro show esperado, entrou com 1h de atraso, mas segurou o público até o fim. A francesa Miss Kittin, nome de destaque da cena eletro, também já se apresentou no Brasil antes e mesmo assim atraiu bastante gente para seu show. Pena que, assim como Afrika Bambaataa, tenha sofrido com problemas no som.

Bambaataa, o grande do Skol Beats

Começou ontem a maratona do Skol Beats, que está na 8ª edição. Com tantas atrações (30 por dia) é impossível acompanhar tudo, mas consegui assistir a bons sets. O novo lugar, Espaço Skol Beats, ao lado do Sambódromo, é bem mais legal, com menos cinza - tem até uma área, onde ficam os bares, que simula uma praia, com areia no chão.

A primeira apresentação a que assisti foi da dupla inglesa Addictive TV (que está hoje também no festival), que mostrou no Live Stage um set audiovisual, com músicas e imagens remixadas de forma sincronizada. Teve trechos de 'O Tigre e o Dragão', 'Pulp Fiction' e 'Kill Bill', entre outros filmes, misturados a imagens (e sons) de artistas como Queen, Sex Pistols, Elvis Presley, Franz Ferdinand e até Willie Nelson.

Na tenda Urban Beats, o americano filho de filipinos DJ Q-Bert fez um bom set de black music, mas depois se empolgou com 'solos' de sctrach, tornando sua apresentação chata.

O Sugardaddy, de Tom Finley, do Groove Armada, decepcionou. Eu não sabia o que esperar, mas certamente não imaginava um som dance farofa com um pé fincado no fim dos anos 80, início dos 90 (auge do que chamamos de dance music).

A última atração que vi foi Afrika Bambaataa, que fez o público correr em direção à tenda Urban Beats - e olha que já eram 4h30 da manhã. Com seu crew de MCs, ele fez um show de verdade, chamando a galera, pedindo gritos de guerra, palmas e afins. Em meio ao falatório (pra disfarçar problemas técnicos, uma pena), drum'n'bass, funk carioca (Tati Quebra Barraco, claro), miami bass, eletro-funk e ragga, uma breve história da música negra que influenciou e foi influenciada por Bam, como é chamado. Saí de lá cansada, mas feliz.

Sexta-feira , 4 Maio, 2007

Requebrando quadris à paulistana

Quando contei a uma amiga que ia passar uns dias São Paulo, ouvi a recomendação: "Você tem que ir à Chaka. É a melhor festa de São Paulo." O lugar onde acontece era velho conhecido meu, o Milo Garage: ponto a favor. Fiquei curiosa, anotei o conselho e lá fui viajar.

Graças às confusões aéreas, em vez de chegar às 22h, conforme previsto na minha passagem, cheguei às 2h da manhã em São Paulo. Aliás, em Guarulhos, mesmo que minha passagem fosse pra Congonhas. Às 3h de uma sexta-feira estava na porta do Milo. Na fila (sim, tinha fila às 3h da manhã), já vi gente de vários tipos, com dread, black power, todo mundo superarrumado, mas não de um jeito engomadinho: legal. Uma mistura que não tinha visto em nenhum ambiente paulistano.

O Milo, pra quem não conhece, é uma espécie de Casa da Matriz paulista, mas só com uma pista. No dia em que eu fui à Chaka Honightz, o lugar tinha acabado de inaugurar uma parte nova, com outro bar, uma espécie de "puxadinho" da pista (o som ali é um pouco pior) e uma saleta que dá na "varanda" (uma área aberta do Milo, que eu acho ótima pra fugir um pouco do cigarro). Os preços das bebidas são honestos e tem boa variedade. O único porém é não aceitar nenhum cartão.

O clima lá dentro era o mais tranqüilo possível, no bom sentido, porque animação não faltava. Acostumada com as festas rock ou ska de São Paulo, acho que nunca tinha visto os paulistanos evoluindo tanto (ou tentando, pelo menos) na pista de dança. Isso tanto nas músicas conhecidas (rolou até Prince) quanto nas mais obscuras. "A Chaka tem uma pegada mais baile mesmo, o que eu acho ótimo. Nas melhores noites você consegue ver o povo desencanando do que eles acham que 'devem' gostar e dançando de tudo, sorrindo", conta Guilherme Granado, um dos DJs e idealizadores da festa.

Ele faz parte do Ponicz Chaka Ensemble, completado por Rodrigo Brandão (Mamelo Sound System), Akin, Marcos Gerez (colega de Granado no Hurtmold), Tiago Nicolas e Felipe 'Smooth Operator'. "Cada um leva um monte de discos e vai escolhendo na hora. A idéia principal é que seja dançante. Mas isso é um conceito bem amplo, né? Então pode rolar de tudo, mesmo", explica Granado.

A festa existe desde 2004. Há cerca de dois anos, desde que o Milo abriu, se firmou por lá, e acontece toda sexta-feira. "A festa surgiu porque a gente estava cansado das baladas daqui, achava tudo muito compartimentado, sempre as mesmas músicas", conta Granado. "Quantas vezes dá pra ouvir as mesmas coisas? Então a gente resolveu fazer uma festa que nós e nossos amigos curtiriam", diz ele. Faz sentido. E, como eu disse antes, não é que eles não toquem hits: tem espaço pra de tudo um pouco, parece.

Já ouvi dizerem que a festa era cabeça demais. Os 'donos' do pedaço negam. "Não acho que a Chaka seja 'cabeça', de jeito nenhum. Talvez não seja óbvia", analista Granado. "E não acho que precise entender musica pra dançar. É uma festa, a idéia é se divertir. Ninguém está lá pra educar ninguém, só pra curtir", acredita. Outro trunfo, segundo eles, é o fato do público ser tão misturado. "Eu acho ótimo. Festa serve pra isso, todo mundo de enturmar. Tipo quermesse, sabe?", defende Granado. "Aqui em SP as festas são muito divididas por tipo de som, poder aquisitivo e tal", explica.

A festa parece um espécie de versão paulistana da carioca Phunk! - com todas as sutilezas que isso pressupõe. Aliás, soube que os produtores da Phunk! andaram conversando com a galera da Chaka sobre uma possível edição em São Paulo. "O ponto forte é que a coisa é feita na camaradagem e sem pretensão nenhuma, a não ser a de tocar música boa e se divertir", jura Granado. "A gente se diverte tanto ou mais que todo mundo da festa", diz ele. A gente acredita.


Quinta-feira, 3 Maio, 2007

Cansei de Ser Sexy não pára, não pára, não pára, não

Depois de se apresentar no Coachella, o Cansei de Ser Sexy tem shows marcados na Inglaterra (festivais Leeds e Reading), Estados Unidos (inclusive o festival Lollapallooza), Canadá, Escócia, Irlanda, Espanha e Dinamarca (festival Roskilde). Além disso, eles acabam de confirmar que vão abrir sete shows de Gwen Stefani na Grã-Bretanha entre setembro e outubro.

E dia 14 sai na Inglaterra o single com remixes de 'Let's Make Love and Listen to Death From Above' feito por ninguém menos que Hot Chip, Simiam Mobile Disco e Calvin Harris. Chique é pouco.

Cansei de Ser Sexy

Klaxons lança single com covers

O próximo lançamento do Klaxons é um single com dois covers: 'My love', de Justin Timberlake, e 'It's not over yet', de Paul Oakenfold, que ainda ganhou uma versão remix do Justice, também incluída no disco. O lançamento na Inglaterra é dia 25 de junho.

Klaxons

A volta do Rage Against The Machine e expectativa para o ano que vem

Nosso correspondente Marcelo Torres ficou feliz ao descobrir o gel antibactericida para as mãos. Com as mãos limpas, se empolgou (e se decepcionou) com os shows do terceiro dia do festival:

Domingo, 29, terceiro e último dia – E chegamos ao último terço, talvez o melhor. Acordar já no deserto nos poupou da ralação dos outros dois dias. Só no domingo descobrimos um lugar chamado Heineken Oasis, uma grande tenda com (sangue de Cristo tem poder) ar-condicionado, poltronas e laptops conectados à internet. O primo camarada quase ficou por lá de vez, até porque a primeira atração era o libanês Mika, que eu só conhecia de nome. O som que vazou ate o nosso oásis não nos animou a abrir mão do climinha polar oferecido pela cervejaria holandesa. Saímos para ver o rapper americano Lupe Fiasco, que, adepto do islamismo, não fuma, não bebe e faz um som bem agradável dentro do padrão meio monocórdio do estilo.



Do palco principal, fomos direto para a tenda Mojave ver qual seria a do Tapes 'n Tapes. Não conhecia o trabalho da banda de Minneapolis e confesso que a pequena amostra que tivemos ao vivo não foi muito animadora, mas uma audição mais acurada será necessária. Pressionado pelo primo e pelo primo do primo, desisti dos americanos. Fomos forrar o estômago e resolvi dividir meu tempo entre o Soulwax, que perdi no Nokia Trends ano passado, e o hip hop histórico do The Roots. Ambos arrasaram. Na tenda Sahara, os belgas do 2ManyDJs, em seu formato banda, não deixaram ninguém parado. Já no Stage, os Roots mostraram por que influenciaram tanta gente.

Soulwax

Dali foi partir para o Outdoor Theatre para uma das atrações mais aguardadas por mim: o Kaiser Chiefs, que me impediu de dar uma conferida na performance do brasuca Cansei de Ser Sexy porque o horário batia. Os ingleses de Leeds talvez tenham sido a única decepção do festival. Certamente chegaram a agradar aos fãs como eu, mas numa análise mais fria ficaram devendo. Surpreendentemente, atraíram um público modesto e só empolgaram com 'Ruby', 'I predict a riot' e 'Oh my God'. Três hits bastam? Até que sim, mas a impressão foi de que ficou faltando alguma coisa. O vocalista Ricky Wilson bem que tentou, mas nunca conseguiu a resposta pedida ao público. Vai valer ver a provável performance dos Chiefs no próximo Tim Festival, se eles confirmarem presença.

O contraste com o que aconteceria 15 minutos depois na tenda Mojave foi flagrante. Lá entrou o Klaxons, pronto para fazer sua tempestade de areia. Assim como seus instrumentos, o quarteto parecia plugado na tomada e quicava tanto quanto a platéia durante os hits 'Atlantis to Interzone' e 'Gravity's rainbow'. As deliciosas 'Golden skans' e 'Two receivers' não ficaram atrás – quase todo o único CD da banda, 'Myths of the near future', foi tocado nos 50 minutos de show.

Após a new rave inglesa, nada como um showzinho calmo do Air para descansar e preparar a carcaça para o Rage Against the Machine. A apresentação da dupla francesa acabou comprometida pelo atraso. Por ter demorado a entrar no palco, Nicolas Godin e Jean Benoit Dunckel se limitaram a cinco músicas. Ao fim do hit 'Sexy boy', os dois encerraram o show e deixaram um gosto total de "como assim?". Embora o perfil do som deles se encaixe melhor numa atmosfera mais intimista, a coisa fluía bem. Foi pena.

Até daria para ver o também calminho Damien Rice no mesmo palco, mas a fúria do Rage exigia um posicionamento melhor diante da multidão que se reuniu no Stage para vê-lo.

A expectativa depois de sete anos de separação da banda acabou correspondida. Foi um alívio ver novamente Zack de la Rocha à frente dos instrumentistas, em vez do maleta do Chris Cornell. 'Bullet in the head', 'Bulls on parade', 'Freedom', 'Killing in the name', 'People of the sun', 'Guerilla radio'… o público ia querer mais o quê? Só se esperava mais ferocidade no discurso anti-Bush, mas a detonada de de la Rocha deu para o gasto.

Não é só a qualidade dos shows que vai deixar saudade. O ambiente, a produção do evento – genial e profissionalíssima – as figuraças entre o público, o fato de participar de um evento no meio do deserto, tudo contribuiu para a satisfação plena. Mesmo a paranóia americana de fazer tudo absolutamente perfeito acaba resultando admirável. Para beber cerveja, por exemplo – impedir menor de idade de encher a cara é obsessão ianque -, era preciso mostrar identidade e colocar uma pulseirinha que dava acesso à área para venda de álcool. E este local era grande o suficiente para que se sentasse na grama, numa sombrinha, e se assistisse aos shows do palco principal com direito a uma qualidade de som bastante decente.

Na outra ponta do consumo de álcool, os banheiros químicos, em número suficiente, davam conta do recado com sobras. E, ao contrário do último Tim Festival, era possível limpar as mãos com um gel que, prometia o fabricante, mata 99,99% dos germes. De qualquer forma, o efeito psicológico já era o bastante.

Ser ecologicamente correto também estava no cardápio dos organizadores. Até um carrossel e um brinquedo com o princípio da roda gigante eram movidos a força humana, gerada por pedaladas em bicicletas. Viam-se também, o tempo todo, jovens catando garrafas de plástico – 10 delas eram trocadas por outra cheia de água, um ótimo negócio diante dos dois dólares cobrados para matar a sede.

Carrossel movido a pedaladas

Terminada a maratona, devo confessar que um festival espetacular como o Coachella nós dá duas grandes alegrias: uma quando começa, a outra quando acaba. O estado de exaustão é absoluto. Mas basta entrar no carro para se perguntar: quem estará nos palcos ano que vem???

Quarta-feira, 2 Maio, 2007

Organização impecável no segundo dia do Coachella

E a saga de Marcelo Torres no festival Coachella continua:

Sábado, 28, segundo dia – Menos de cinco horas de sono depois, lá estávamos nós a caminho do deserto de novo. Agora, em vez da caminhonete guerreira mas velhinha, o mercedão confortável. O carrão seria fundamental, já que, depois do enduro da véspera, decidimos dormir no carro na noite que viria para sobreviver e chegar com um mínimo de disposição ao domingo. Mais engarrafamento na estrada e… perdemos o The Cribs e o The Fratellis, segunda e terceira atrações da tenda Mojave, a segunda menor do evento. Tudo bem, parte do jogo, não dá pra ver tudo de que se gosta em meio a 115 artistas.

A galera busca uma sombra

Corremos para, na mesma tenda, assistir ao showzaço do Hot Chip, electro-pop inglês de primeira. Com poucos curiosos na platéia, quem estava lá queria mesmo ver os caras e sacudir o esqueleto. Se 'Boy from school' fez sucesso, o auge da apresentação foi o hit 'Over and over', som delicioso que fez a galera quicar. O sábado prometia.

Hot Chip por Marcelo Torres

Parentêsis extenso: um megafestival como o Coachella tem milhões de prós e um ou outro contra. A infinidade de atrações paradoxalmente se torna uma agonia, ja que é impossível ver tudo de que se está a fim. Se acontecer a sorte de os shows não coincidirem, de qualquer forma é preciso um tempo para descansar e comer alguma coisa – enquanto isso, o couro está comendo em algum palco. Uma ou outra razão me impediu de ver, por exemplo, Regina Spektor, The New Pornographers e The Decemberists no sábado. Mas a organização impecável (a despeito da saída do estacionamento na véspera) permite que o fã saiba que “aquela” banda vai entrar no palco exatamente no horário marcado. Por isso é possível elaborar uma planilha certo de que ela vai ser respeitada. Alguns artistas até se atrasaram, mas aí foram obrigados a encurtar suas apresentações para não provocar um efeito-dominó. Ouvi dizer que cada minuto além do determinado para o fim do show custaria 10 mil dólares à banda. A informação tem tudo para ser quente, porque ninguém passava do horário.

O brasileiro Rodrigo, há 6 anos morando nos Estados Unidos

A tarde e a noite seguiram nota 10, com o country rock do Kings of Leon, a riqueza do som do Arcade Fire (que eu perdi, imperdoavelmente, no Tim de 2005) e a mistureba do The Rapture, que se apresentou na tenda Sahara, logo depois do LCD Soundsystem, a que não pude assistir. Ainda rolou Red Hot Chili Peppers, com um padrão de som – tecnicamente falando – bem melhor do que os shows que eles já fizeram no Rio, e The Good, the Bad and the Queen, projeto do ex-Blur Damon Albarn. Fizeram uma ótima apresentação, mas que cairia melhor num lugar menor e fechado, provavelmente como aconteceria com a Björk. Black Keys e !!!, infelizmente, tiveram que ficar para a próxima.

Lição aprendida na véspera, o sono dentro do mercedão no estacionamento do festival foi bem mais reparador do que voltar para casa. A decisão foi sensata, já que pudemos nos recuperar, chegar cedo para o último dia e aproveitar tudo que fosse possível dentro das limitações da concomitância dos espetáculos.

Como fizemos para tomar um banho? Bom, deixa pra lá. Vale lembrar que, apesar dos 41 graus durante a tarde, a secura do clima não nos deixava produzir uma gota de suor, a não ser que pulássemos como um Mike Patton nos tempos do Faith No More. Isso serviu para reduzir um pouco a culpa e o mal-estar pela ausência de uma boa chuveirada.

Scarlett Johansson no palco na primeira noite do festival Coachella

Marcelo Torres, editor de saúde de O Dia e indie de carteirinha, foi conferir de perto o festival de música Coachella, nos Estados Unidos, que aconteceu no último fim de semana. Ele conta aqui como foi (e nos mata de inveja) a maratona de shows incríveis:

Lá se vão dois dias do fim do oitavo Festival de Coachella, mas o Pós-Pop não vai ignorar o maior evento musical da atualidade por causa de meras 48 horas. Aqui vai um pequeno panorama do que rolou nos cinco palcos instalados no alto forno que é o local da maratona, no meio do deserto, e do clima abrasivo que tomou conta do festival no Empire Polo Fields, no condado de Índio, Califórnia.

Sexta, 27, primeiro dia – A expectativa era medida em gigas. Afinal, foi para isso que encarei uma viagem de 24 horas até Los Angeles (escala de 10 horas na Cidade do Panamá) e de LA até Orange, onde fiquei. Após vencer 1h50 de estrada, nos deparamos com uma fila de carros que não acabava nunca para chegar ao estacionamento do festival, que parecia um pátio de montadora tamanha a quantidade de veículos estacionados.

Depois da fila sobre quatro rodas, a fila para provar que tenho mais de 18 anos e poder tomar minha cervejinha quente por sete (!!!) dólares e a fila para entrar de fato na área do festival, o choque: um terreno gigantesco, totalmente cercado por palmeiras e tomado por instalações, obras interativas, miniclubs ao ar livre para raves à luz do sol ou da lua, lojas, barraquinhas para comida e bebida, jogos e brincadeiras, um sem-número de atrações, além dos esperados shows.

O tempo exigido para a primeira exploração do local e colocar o queixo de volta no lugar nos fez perder o Tokyo Police Club. Só paramos de fato para ver o Silversun Pickups - de quem não conheço o som, mas sei que está bombando aqui nos EUA - e nos aquecer para o Arctic Monkeys, primeiro aspirante a cachorro grande do dia, se não incluirmos nessa categoria a Amy Winehouse, relegada ao menor palco do festival e que tocava quase simultaneamente aos ingleses de Sheffield.

E os moleques arrebentaram. A inclusão das músicas do ótimo disco novo elevou a qualidade do show e ficou nítido o amadurecimento dos garotos. Há exatamente um ano, numa apresentação em Paris que tive a sorte de testemunhar, eles ainda pareciam aqueles seus vizinhos que acabaram de sair da garagem e para quem você quer dar uma força – a despeito do enorme sucesso que já faziam com o primeiro disco, 'Whatever people say i am' etc. Agora, com o repertório encorpado pelo CD 'Favourite worst nightmare', o show foi de primeira. Com o sol querendo baixar, eles começaram batendo forte com 'Brianstorm', que abre o novo CD, e empolgaram com 'A view from the afternoon', o hit 'I bet you look good on the dancefloor' e as também novas 'Do me a favour' e 'If you were there, beware'. Foi um show de bola do quadrado mágico britânico.

Já era noite e a temperatura caíra a ponto de ficar perfeita. Pausa para uma cervejinha, antes de voltar para o Coachella Stage, o palco principal de onde não sairíamos mais, devido à qualidade do time que ali subiria. Já estava lá o The Jesus and Mary Chain, o primeiro retorno triunfal antes do Rage Against the Machine, que tocaria domingo.

Nem parecia que os irmaos Reid se odeiam. Guitarras distorcidas ao ultimo grau, a voz soturna de Jim e a participação especial da musa Scarlett Johansson, que fez o backing vocal de 'Just like honey' – parte da trilha sonora de 'Encontros e desencontros' –, ganharam o público. Grande parcela da audiência, alias, nem tinha nascido quando os escoceses lancaram seu primeiro disco, o historico 'Psychocandy'.



Depois dos dinossauros, foi a vez de os novaiorquinos do Interpol exibirem seu som herdado do pós-punk inglês, elegante, trabalhado e valorizado pela voz marcante de Paul Banks. Sucesso total, com direito a música nova, 'The Heinrich Maneuver', do disco que será lançado em julho, 'Our love to admire'.

Mas a vida pode ser dura, mesmo com direito a férias no Festival de Coachella. Para ver o Interpol, tive que perder o Sonic Youth, que tocava no palco ao lado, o Outdoor Theatre. Seria a oportunidade de ver um show decente deles, depois da lástima que foi a apresentação no Claro Que é Rock, em 2005.

Para encerrar a noite, a diva pós-tudo Björk arrebanhou uma legião de fãs devotados, mas seu som mais experimental – embora fascinante - foi a senha para centenas de convivas já exaustos tomarem o caminho de casa. Com uma peça do seu figurino habitualmente bizarro, a islandesa se destacou principalmente com os sucessos 'Army of me' e a belissima 'Pagan poetry', de 'Vespertine'.

Quem ficou até o fim do show e não estava acampado na área do festival foi obrigado a encarar o pior momento da empreitada: a volta para casa. Pela primeira vez algo deu errado, em meio à enxurrada de acertos e ao primor de organização do festival. Só para sair do estacionamento e chegar à estrada, levamos duas horas, no relógio. Mais uma hora e meia de viagem (sem trânsito, senão seria mais), foram três horas e meia. A preocupação maior era vigiar o primo camarada para evitar que ele dormisse ao volante e nos fizesse perder os outros dois dias de festival. Sofrer um acidente, mesmo grave, não seria problema, chato ia ser deixar de ver Kings of Leon, Hot Chip, Klaxons...

Terça-feira, 1 Maio, 2007

Uma platéia muito estranha

Fernando de Albuquerque conta pro Pós-Pop como foi o Cine-PE 2007:

Com onze anos de estrada, o Cine-PE (Festival do Audiovisual de Pernambuco) encerra mais um ciclo sob dois estigmas. De um lado, merece aplausos pela fuga ao bairrismo que tanto marca a pernambucanidade; do outro, leva vaias pela pausterização da platéia que vai aos urros e palmas, até mesmo com logomarcas de patrocinadores projetadas na tela. Sem falar dos espectadores que se davam ao luxo de atender o celular, soltar piadas, tecer comentários em alto volume, mantendo um clima de 'big party' onde os atrasos são permitidos, gritos sempre mais que bem-vindos e o silêncio raramente é respeitado.

O grande prêmio da maratona, que teve início na última segunda, 23 de abril, só terminou na madrugada de do 1º de maio e tem média de oito filmes (curtas e longas) por dia, foi para 'Cão sem Dono' de Beto Brant e Renato Ciasca. Mais do que isso, o filme deu ao Cine PE o que todo festival precisa: películas impactantes, de repercussão, que explorem a linguagem fílmica, que sejam capazes de gerar debates. O filme de Brant é maduro, detém uma alma forte e visceral, advinda muito mais da tríade roteiro-diálogos-personagens do que de alguma estratégia formal mais mirabolante. Traz nas seqüências a marca de obras mais intimistas que precisam ser fruídas com certo cuidado, porque nos relata a trajetória de uma geração que encara o mundo com um misto de estoicismo e ceticismo mau-caráter.

'Os 12 trabalhos' de Cláudio Yosida e Ricardo Elias ficou numa espécie de segundo lugar sendo agraciado com os prêmios de melhor roteiro, melhor direção, melhor ator coadjuvante (Flávio Bauraqui) e um não merecido prêmio de melhor ator (dividido com Leonardo Medeiros, por 'Não por Acaso'). Sidney Santiago, que encara o motoboy do filme de Yosida e Elias, não dá veracidade ao personagem. Em várias cenas é notório o titubeio da interpretação e um certo sentimento de “isso não me pertence” que emana do ator.

O que é bem diferente em Rodrigo Santoro em 'Não Por Acaso', dirigido por Barcinski. Autor de curtas premiados ('A escada', 'Palíndromo', 'A janela aberta') ele tem nos padrões geométricos e na simetria cênica a principal marca de suas produções. Mas dessa vez o diretor lançou mão do elemento humano para marcar a passagem. Santoro encarou o ponto de toque do filme que levou os prêmios de melhor atriz coadjuvante, com Branca Messina, melhor montagem (com Marcio Canella) e melhor fotografia (de Pedro Farkas). O filme é bom, mas tem na música o problema que mais importuna o espectador. Sem sintonia, ela parece uma barulhada inserida entre as imagens e situações.

Na premiação de longas outros dois filmes figuraram na listagem: 'O coco, a roda, o pneu e o farol', da pernambucana e estreante Mariana Fortes, levou o prêmio Gilberto Freyre, concedido pela “importância conferida à música como elemento de miscigenação cultural das raças brasileiras”. Explicação um pouco grande, mas bem adequada a um filme que diz muito pouco além o usual e já (re)dito sobre o mundo "original Olinda style”. '5 Frações de uma quase história' recebeu o prêmio especial do júri "pela iniciativa de uma criação coletiva de uma nova geração de realizadores" e também levou o de melhor direção de arte.

Curtas
Uma gratíssima surpresa foi a premiação do cearense “Vida Maria”, com direção de Márcio Ramos, que também levou o de melhor roteiro, o prêmio especial da crítica e melhor trilha sonora. Melhor direção ficou com Kleber Mendonça Filho, pelo seu simpático e muito bem amarrado 'Noite de sexta, manhã de sábado'.

A produção mais intrigante, no entanto, foi o curta 'Cabaceiras', com direção de Ana Bárbara Ramos. O filme procura trazer uma radiografia da cidade que serviu de locação para vários filmes e que hoje está esquecida no "roteiro" de desenvolvimento do País. Muitíssimo esperado, para muitos soou como uma decepção. Quando o espectador entra na alma da narrativa, ela se finaliza sem concluir seu próprio discurso e sem defender bandeira alguma, realizando uma cartografia da cidade de Cabaceiras de maneira fria, hermética e sem compromisso. Um filme que foi pouco lembrado durante a premiação foi 'Pixinguinha e a Velha Guarda do Samba', agraciado somente com a estatueta de melhor edição de som. Outros prêmios, como o para 'Beijo de sal', melhor nem comentar.