Karla Rondon Prado

Kamille Viola
 

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Quarta-feira, 31 Outubro, 2007

Promo para meninas (ou meninos que queiram presenteá-las)

divulgação

Várias marcas de cosméticos das mais hypadas e reconhecidas internacionalmente têm seus cremes que deixam a pele com um brilho lindo graças a partículas iluminadoras, certo? Agora a tradicional Phebo investe numa nova linha para adolescentes e mulheres que seguem as tendências da moda, investindo numa produção com glitter na fórmula, para o corpo ficar com efeito de purpurina, através de hidratantes, espuma de banho (que também pode ser usada como sabonete líquido), sabonetes e fragrâncias bem leves de melão, morango e uva. Para dar um toque mais moderno ao lançamento, cada cheiro virá associado a um personagem com ilustração de Joana Passareli (como a de cima). A estampa dos rótulos ficou por conta da designer carioca Pat Lobo e o rótulo foi finalizado pelo designer francês Jerome Berard.

Agora, o melhor: tudo isso é para mocinhas pós-pop. Por isso, a Phebo Girls oferece três kits para nossos leitores, que, além de brilho próprio, amam a forcinha de um glitter. Cada sacolinha traz três sabonetes, shampoo, condicionador, espuma de banho cintilante e chaveiro. Para ganhar a sua basta deixar seu nome, com email valendo, nos comentários. Na segunda-feira, às 18h, sortearemos e publicaremos os nomes das vencedoras (que também serão avisadas por mensagem). É isso aí.

Prince proíbe vídeo no You Tube

reprodução internet

Prince está em seus dias de Daniella Cicarelli e no caso nem era tão grave quanto ser flagrado em cenas tão íntimas com o namorado no mar da Espanha. Festejadíssimo ao abrir o desfile de Matthew Williamson em Londres no fim de setembro, cantando 'Chelsea Rogers', música de seu novo disco, ele provocou uma corrida sem fim entre o povo pós-pop sedento para ver sua imagem num dos momentos mais cobiçados dos últimos tempos. Resultado: alguém adicionou há apenas três dias um registro do evento no You Tube e, depois de ser visto apenas 24 vezes, o vídeo agora saiu do ar. Segundo o You Tube, Prince reclamou da violação de seus direitos autorais. Descobri porque procurava para postar o filminho para vocês...

O baixinho (olha quem fala), ícone fashion, foi aplaudido pela diabo-veste-prada Anna Wintour e usava botas de salto Jimmy Choo e abriu o desfile cantando sentado na primeira fila, para depois ganhar a boca da passarela com dançarinas gêmeas (as 'princets') vestidas de cetim roxo e banda. O povo da moda agora chora. Purple rain.

Agora, fala a verdade: o Prince não era à frente de seu tempo? Ficou pra trás... Que coisa mais sem propósito, mais 'desantenada'. O que ele perde com isso? Francamente, Prince!

Terça-feira, 30 Outubro, 2007

B-52's lança disco de inéditas em fevereiro



Depois de 16 anos, já tem data para chegar às lojas o primeiro álbum do B-52's só de inéditas: 'Funplex' será lançado no Brasil (e no mundo) dia 26 de fevereiro do ano que vem.

Antes de voltar a fazer shows juntos, Kate Pierson, Fred Schneider, Keith Strickland e Cindy Wilson tinham decidido se separar por um tempo, o que acabou durando muitos anos, e nesse tempo cada um tentou seguir seu próprio caminho musical. Mas depois do hiato, digamos assim, Keith achou melhor empregar a energia em composições do novo álbum da banda, o que começou a fazer desde 2003 com os outros parceiros.

E quem produz a obra é justamente Steve Osborne, que fez o disco de estréia do The B-52's, em 1979. O mesmo Steve que trabalhou com New Order e Happy Mondays. Aliás, a escolha do produtor, entre outros motivos, foi pelo fato de ele ter feito o disco 'Get Ready', do New Order, que Keith ama e adora. Quer saber como será 'Funplex'? É 'rock'n roll-glam-electro-soul para suas zonas de prazer. E céu azul com o volume crescendo para hot pink'. É sério: palavras de Keith Strickland.

O repertório: 'Pump'; 'Hot Corner'; 'Ultraviolet'; 'Juliet Of The Spirits'; 'Funplex'; 'Eyes Wide Open'; 'Love In The Year 3000'; 'Deviant Ingredient'; 'Too Much To Think About'; 'Dancing Now'; 'Keep This Party Going'.

Killers matador no último dia de festival

Sábado
Abrindo a noite do palco Novo Rock US, Juliette Lewis (usando maiô da Bebel e calça de couro) e seus meninos do The Licks arrebataram a platéia com "atitude rock'n'roll": som e postura de palco totalmente poser, mas divertidíssimos. Não à toa ela é atriz, e incorpora o personagem sexy-porra-louca. Mais interessante ainda é que não é uma coisa sexista, já que os meninos da banda também entram na onda e fazem pose de objeto sexual - o momento em que os quatro tiraram as camisas foi sensacional.

Como já era de se imaginar, o Killers fez o melhor show do sábado. Com cenário e figurino lindos, o grupo não está ali no palco somente para tocar seus instrumentos. O Killers oferece ao público um verdadeiro espetáculo, com toda a grandiosidade que um palco daquelas dimensões pede. Um clima meio Queen, pelo conjunto: os figurinos caprichados, o teclado predominante, o bigodinho à la Freddie Mercury do vocaslita Brandon Flowers, a cabeleira à la Brian May do guitarrista Dave Keuning, o bom-humor em cena. O vocalista falou com o público diversas vezes e ainda ofereceu a última do show antes do bis (o hit 'Mr. Brightside') para os cariocas. Voltaram e ainda tocaram quatro músicas, no que foi provavelmente o maior bis do festival.

O CirKus, que tem a cantora sueca Neneh Cherry como vocalista, foi o ponto alto do palco Cool no sábado, com o show mais animado da noite. Acompanhada do produtor e vocalista inglês Burt Ford (Cameron McVey, seu marido), o guitarrista, programador, tecladista e DJ Karmil, e a cantora e tecladista Lolita Moon (namorada de Karmil), além de um baixista e um baterista, eles misturam elementos de reggae, dub, música eletrônica e por aí vai (talvez a banda tenha sido anunciada como trip hop pelo currículo de Ford, que já trabalhou com Massive Attack e Portishead). Fizeram discurso contra George Bush (a quem dedicaram a faixa 'Asshole', algo como "babaca") diversas vezes - o que, no fim das contas, acabou clichê e chato, de tanto repetirem.

Na tenda mash-up, o Spank Rock levantou até defunto com seu rap misturado com drum'n'bass, pancadão, eletro, letras boca-suja e o que mais inventassem os dois DJs, vários percussionistas e três MCs, entre eles uma menina (muito figura, por sinal).

No funk, destaque para o Diplo (que fez um set moderno, mixando funks cariocas com hits 'descolados' como o remix do Justice para 'Never be Alone') e Marlboro, que tocou funks clássicos e as os sucessos mais recentes do estilo, num palco ainda muito cheio (e deixou os integrantes do Spank Rock malucos com as duas dançarinas de shortinho fazendo coreografia: eles filmavam tudo).

O festival foi encerrado pelo DJ Guab, residente da boate indie paulistana Milo Garage (uma espécie de Casa da Matriz de São Paulo). Ele fez um set como se estivesse em sua festa, a Mixtape: tocou de Strokes, Modest Mouse, Pixies, Radiohead e Los Hermanos a Candeia, Cartola, Jorge Ben Jor e Almir Guineto, passando por Racionais. A trilha sonora do nascer do sol foi bem-recebida pelo público (de famosos, só o DJ Diplo deu uma espiada, antes de ir embora), que só saiu depois de 6h30, quando o DJ se despediu do palco, sob aplausos entusiasmados.

Segunda-feira, 29 Outubro, 2007

Sexta-feira com chuva, atrasos e um grande show no Tim Festival

Björk no Tim Festival/foto: Marcio Mercante - agência O DIA

Terminado o Tim, fiz o balanço das principais atrações:

Sexta-feira
Antony and the Johnsons sofreu com o trânsito no show de abertura para Björk no palco Tim Volta, muita gente perdeu. O ar-condicionado estava quebrado, o que só piorou as coisas (e, na hora do show da cantora, beirou o insuportável). Muito falatório, ruim para shows tranqüilos como o dele. Ainda assim, garantiu bons momentos, com sua mistura de voz poderosa e piano, à la Jeff Buckley.

Björk fez o melhor show da sexta-feira, como era de se esperar. No palco, ela cria um clima de fantasia (vide o figurino dela e a bandinha de sopros islandesa Wonder Brass, só de meninas), alternando momentos irresistível de pista de dança com baladas emocionantes. Os arranjos de algumas músicas ficam diferentes (mas igualmente bonitos). Ela cantou músicas do 'Volta' e vários sucessos ('Hunter', 'Army of Me','I Miss You', 'Jòga', 'Hyperbalad') e fez as dancinhas que os fãs tanto adoram. Foi tudo acompanhado em coro pela platéia.

O Hot Chip, que abriu o palco Novo Rock UK (embora de rock ali não tenha muita coisa) fez um show competente, mas faltou 'sangue' ali. Dançante, mas no meio pro fim foi se tornando repetitivo, e sem grandes diferenças entre ouvir o disco ou vê-los ao vivo. Abriu logo com um hit, 'Boy from School'.

Os meninos do Arctic Monkeys fizeram um bom show, correto. A luz impecável, eles no instrumentos também: parecia um clipe. Aliás, esse foi o único porém. Eles quase não interagiram com a platéia. Tudo muito perdoável porque são muito jovens e têm o mérito de terem lançados dois bons discos na seqüência. Só talvez não tenha tanto impacto para quem já viu shows impactantes de Strokes e Franz Ferdinand, de quem o Arctic segue a linha. Promissor, espero vê-los daqui a uns dois anos do palco e tenho certeza de que vai ser bem melhor.

No Novas Divas, Katia B, a primeira da noite, entrou no palco com 45 minutos de atraso, às 23h15, para um show que competente, mas sem grandes emoções. Mostrou uma neobossa (à la Bebel Gilberto - Katia, aliás, tem um timbre muito parecido com o dela) agradável, com pouca novidade.

Antony and the Johnsons mostraram três músicas que não estavam na apresentação anterior: 'Dead Boy', 'One Dove' e 'Twilight'. O show, que começou à 0h45, foi mais curto que o primeiro, com sete canções. Mais uma vez, sofreram com o falatório e o som baixo do piano de Antony, que pediu algumas vezes para que ele fosse aumentado.

Foi frustrante o cancelamento dos shows do Novo Rock BR (Montage, Del Rey e Vanguart), no Village, na sexta-feira. A chuva nem foi tão forte assim, mas o festival não estava preparado para o imprevisto e os instrumentos ficaram molhados. Muita gente que foi só ver o palco da Björk ficou esperando para ver as apresentações, previstas para 1h, e só às 3h a produção avisou que não haveria mais shows. E prometeu marcar uma nova data para os grupos, no Circo Voador ou na Fundição Progresso.

Encerrou a noite no Tim Cool a incensada Cibelle, brasileira que vive em Londres. Com o avançado da hora (já passava das 3h), foi anunciado que a entrada para o show estava liberada para todos na Marina da Glória. Ela finalmente subiu ao palco às 3h45, e o público começou a se dispersar com o início do show. Os atrasos prejudicaram a cantora, que faz um trabalho competente, uma atualização do tropicalismo (visível até no figurino). Nada exatamente inédito, mas a boa voz e as composições de Cibelle talvez tivessem sido mais bem-recebidas tivesse o show da cantora acontecido mais cedo. Para piorar, ela reclamou que o equipamento estava dando fortes choques. "Vamos continuar, espero não morrer", falou ao microfone.

Sábado, 27 Outubro, 2007

A trilha sonora da sua vida

Björk no Tim Festival/foto: Marcio Mercante - agência O DIA

Quantos momentos são tão especiais como ouvir ao vivo uma das músicas da sua vida? Para uma pessoa que acorda com música, vai dormir com música, e tem uma trilha para praticamente todas as fases da própria existência, é uma experiência quase que indescritível.

Fui ontem assistir ao terceiro show de Björk (vi o do Free Jazz, em 1996, e o do Close Up Planet, em 1998) sabendo que seria lindo. Quem dizia que seria chato com certeza nunca viu a baixinha invocada ao vivo.

De manhã, já tinha visto Björk muito de perto no hotel, na piscina - e mais perto ainda quando a filhinha dela deixou a bolinha cair perto do grupo onde eu estava e veio falar com gente. Não dirigi a palavra: minutos antes, a filha de uma amiga, corajosa, tinha pedido uma foto com ela e a cantora (educada, até) negou. Sorte, porque nunca sabe se sabe quando a islandesa pode ter um ataque de fúria. Um lado ruim do trabalho no jornalismo cultural, aliás, é esse: às vezes, o encanto sobre os artistas se quebrar. Eu preferia não saber certas coisas.

Mas nem dá para lembrar de nada disso quando Björk está no palco. Se fora de cena os figurinos estranhos dela causam espanto, num show fazem todo o sentido: ela sabe que aquilo é um espetáculo e cria a atmosfera de sonho que isso pede. Como uma super-heroína, num certo momento ela até soltou serpentinas-teias das mãos, mais um elemento para encantar o público já boquiaberto diante da mulher-menina de macacão de babados dourado, com adesivos da mesma cor colados na testa. Voz de ninfa, a islandesa nos hipnotizou do instante em que pisou no palco até sair dele com seu canto mágico.

Os músicos que acompanhavam a cantora, com sintetizadores, teclados, laptops e toda uma parafernália fluorescente que gerava sons eletrônicos, criavam melodias oníricas. A bandinha de sopros islandesa Wonder Brass, formada só por meninas com um figurino engraçado (com direito a bandeirinha na cabeça), parecia saída de um filme. Peças no quebra-cabeça irresistível que é o espetáculo de Björk.

Ainda não escutei o disco mais recente dela, 'Volta', com a merecida atenção, mas no palco as músicas funcionaram bem mesmo assim. E ela ainda cantou vários sucessos:'Hunter', 'Army of Me','I Miss You', 'Jòga', 'Hyperbalad', todos acompanhados aos urros pelo público.

Eu estava morta - tinha dormido pouco, estava trabalhando há horas e sentia o suor escorrendo pelo corpo (o ar-condicionado estava quebrado), mas nada disso importava e eu esperaria mais quantas horas durasse. Quando soou o teclado e escutei o "Tcha tcha, tcha tcha tcha aaaa" da introdução de 'Unravel', a música que Björk nunca canta em shows (não cantou nem na turnê do disco onde ela está, 'Homogenic'), senti um arrepio, lágrimas pelo rosto, e fiquei sem voz depois de tanto gritar numa música que nem é de gritar, mas quem se importa? Quantas são as coisas (uma música, um cheiro, um gosto) que têm esse poder de te transportar para um momento que é só seu - como se não houvesse mais ninguém em volta, um turbilhão de lembranças, tudo num espaço curto de pouco mais de três minutos, uma eternidade de três minutos?

Só despertei desse sonho acordado no fim do show, e fiquei vagando pela Marina da Glória quase sonâmbula, quase bêbada (embora não tivesse bebido nada), tentando me equilibrar no mundo real. A noite ainda traria bons momentos musicais, mas não saíam da minha cabeça os flashes daquele delírio interminável de pouco mais de uma hora. Como disse um dia Viriginia Wolf, a vida é um sonho, é o despertar que nos mata.

Sexta-feira , 26 Outubro, 2007

Aquecendo pro Tim

Trânsito ruim, mas consegui chegar ao hotel para entrevistar os Arctic Monkeys. Já tinha falado com Nick O'Malley, baixista, por telefone, um tempo antes deles chegarem por aqui (e ele, piadista, jurou que lembrava).

De perto, os meninos, novinhos, parecem mais jovens ainda. Quando Alex Turner, o vocalista, passou por mim, eu fiquei na dúvida se aquele menino espinhento saindo da piscina era mesmo o vocalista de uma das bandas mais-mais do momento. Ele voltou, foi falar com uma TV: era o próprio.

Relaxados, à beira da piscina, eles eram só felicidade pelo sol que abriu hoje - quando chegaram, ontem, tava chovendo no Rio. O resto conto em entrevista no caderno O DIA D.

Nick e Matt Helders, o baterista, conversaram comigo enquanto tomavam drinques. Enquanto isso, Björk pegava um sol na praia em frente ao hotel. Antes, na piscina, não topou posar para uma foto com uma fã ("É meu tempo particular", disse, doce), e depois surgiu de mão dada com a filha - uma mini-Björk lourinha -, que foi deixar seu brinquedinho cair justo do meu lado. "É a minha bolinha, é a minha bolinha!", repetiu a menina. A mãe, um pouco atrás, continuou muda, olhando a menina. Quase cantei pra ela: "Você não gosta de mim, mas sua filha gosta..."

Quinta-feira, 25 Outubro, 2007

Feist fora do Tim

Uma das musas do Tim citada no nosso último post, Feist está fora do festival. Ela cancelou a vinda por conta de uma crise de labirintite. Antony & The Johnsons acumula dois shows na sexta, entrando em seu lugar no palco Novas Divas, no Rio. Em Vitória e São Paulo, Cat Power substitui a cantora.

Quarta-feira, 24 Outubro, 2007

É das mulheres, oba

DivulgaçãoA força feminina no Tim Festival está aí para mostrar que este é o ano das mulheres no evento, que se realiza sexta e sábado na Marina da Glória (em sua versão carioca). Acabaram os ingressos para o palco Novas Divas, nem tão novas assim, mas que talvez só agora tenham passado da fase 'estamos nos conhecendo melhor' com o mainstream. E destas, duas são brasileiras de belas vozes, como Cibelle e Katia B (acima).

Katia B, da abreviação de Bronstein, há muito foi revelada, ainda como musa loura de Fausto Fawcett no antológico 'Básico Instinto', que em meados dos 90 juntava mulheres gostosas com músicos experientes no palco, como Dado Villa-Lobos, do Legião, e João Barone, do Paralamas, que depois virou marido da cantora. Na verdade ela era a loura que cantava e fazia o vocal de 'Katia Talismã', no show que marcou época. De lá para cá, a neta de russos foi passando por uma limpeza de som e imagem, digamos assim, e já tem três discos que vão além do mix MPB e eletrônica: 'Katia B' (de 99), 'só deixo meu coração na mão de quem pode' (2003) e 'Espacial', deste ano e base do show de sexta.

Cibelle é de São Paulo e, como Bebel Gilberto, fez sucesso primeiro em Londres e segue a linha imortalizada pelo produtor Suba (o iuguslavo Mitar Subotic, morto em 99), no projeto 'São Paulo Confessions', que mescla várias vertentes da música eletrônica com diversos gêneros brasileiros. Cibelle tem voz suave e entre suas influências está Nina Simone.

Feist é a aguardada da vez no Tim, aquela que todos querem ver. Canandense, aos 15 anos já era vocalista de banda punk, mas só começou a ver sua sorte mudar em 2000, quando foi dividir o mesmo teto com Peaches e com o músico Gonzáles, com quem compôs muitas músicas do CD 'Let it Die', superbem-recebido com uma mistura de jazz e indie rock. Ela morou quatro anos em Paris, voltou para o Canadá e lançou este ano seu terceiro CD, que está bombando. Também reconhecida na cena indie, muito por conta do disco 'Moon Pix', Cat Power mudou desde então e já esteve no Brasil, mas não agradou tanto. Só que, sempre inquieta, ela agora volta com banda, a Dirty Delta Blues, com quem faz um show em cima do álbum 'The Greatest', do ano passado, em que investiu no soul. A guitarrista e pianista emprestou o rosto para campanha de jóias da Chanel, de tão bonita que é (e pela sofisticação de sua música, segundo Karl Lagerfeld, que a escolheu para o posto).

Do lado oposto e com o rock pesado como referência está Juliette Lewis, aquela que a gente não cansa de dizer que trocou o sucesso em Hollywood pela música. A menina de 'Cabo do Medo' já lançou dois discos com o grupo Juliette & The Licks e no último contou com participação do Foo Fighters David Grohl. Rebelde de verdade ou não, é desse modo que Juliette se apresenta no palco, com performances que levantam a platéia e figurinos idem. É esperar para ver quem faz o que gosta, por isso o resultado é mais feliz.

Outras duas estiveram no País: a islandesa Björk e a sueca Neneh Cherry estão aqui pela terceira vez. A diferença é que Cherry - que cantou com o irmão Eagle Eye Cherry em 2005 e há dez anos no então Free Jazz Festival - deu um tempo na carreira e volta com a banda cirKus, com a qual manda bem com pop, hip hop e soul. Fechando a lista das mulheres, Lisa Ekdahl, uma das mais bem-sucedidas da lista, mistura folk, bossa nova e pop. Ela gravou seis discos em sueco e quatro em inglês. Com produção de Lars Winnerbäck, seus dois últimos discos venderam mais de 800 mil cópias.

Quinta-feira, 18 Outubro, 2007

DJ e produtor, o norte-americano Diplo coleciona projetos com o mineiro Leandro HBL

Parceiros na edição de hoje do 'Multiplicidade', projeto que une música e artes visuais no Oi Futuro, o DJ norte-americano Diplo e o video-artista e diretor mineiro Leandro HBL brincam o tempo inteiro durante a entrevista. "Nem eu sei o que ele vai tocar", diz Leandro que, na dúvida se a repórter vai entender, desenha a parte visual do projeto, batizado de 'Telefunkenefunkenstein': treze telas, cada uma exibindo uma parte do corpo humano, formando uma espécie de Frankenstein high-tech.

"Ah, sei lá o que vou tocar. OK, na verdade a gente já tem tudo certinho, preparado e está fazendo tipo", emenda Diplo. "Ei, não fala isso para ela, ela é a mídia", devolve Leandro.



O clima descontraído vem da intimidade dos dois. Diplo — aliás, Wesley Pentz — é graduado em cinema e eles se conheceram na escola Fabrica Cinema, na Itália. Em 2005, filmaram na Rocinha e na Cidade de Deus um clipe do DJ. Foi quando tiveram a idéia do documentário 'Favela On Blast', que tem Leandro como diretor, Diplo e Amiten como produtores, e está previsto para ser finalizado até o fim do ano. "Esperávamos fazer o filme em meses e está levando dois anos", comenta Diplo. Eles não entram em detalhes, mas, como filmaram em favelas, muitas vezes esbarraram nos problemas que isso significa. "Nós vivemos uma guerra civil", analisa Leandro.

Sem conhecer praticamente ninguém nas primeiras vezes em que foram às comunidades, hoje eles se sentem mais integrados ao universo do funk. "É um documentário sobre música, mas extrapolou, virou um documentário sobre as pessoas por trás disso. É como se a gente fosse meio favelado, também, fazendo o filme. Parece que a gente estava ali fazendo parte da coisa", acredita Leandro.



E a parceria da dupla não pára por aí. Junto ao antropólogo Hermano Vianna e ao AfroReggae, eles vão implantar no Cantagalo um novo projeto (baseado em experiência semelhante de Diplo na Austrália): o estúdio Favela On Blast, em que vão ensinar técnicas de gravação e produção aos jovens do morro. "A idéia é ajudá-los a produzir um som melhor e que depois eles mesmos toquem o estúdio", diz Leandro.

Entusiasta do funk
Embora não queira ser associado exclusivamente ao funk carioca, Diplo vem difundindo o estilo (também chamado de 'baile funk') no exterior. "Eu estava tocando na minha festa na Filadélfia e umas argentinas me deram umas fitas com músicas de baile funk", lembra ele.

Ele passou a incluir funks em seu set e fez remixes com o estilo. Também lançou lá fora a banda curitibana Bonde do Rolê, que mistura o pancadão com riffs de hits indie rock e letras engraçadinhas.

Diplo é uma das atrações do Tim Festival, onde se apresenta na tenda dedicada ao 'funk mundial', ao lado de DJ Marlboro, DJ Sandrinho e MC Gringo, entre outros. É a segunda vez que ele participa do festival: da primeira, em 2005, ele não gostou muito. "Na Europa, por exemplo, eu já conheço o público. Ali eu não sabia muito o que estava fazendo. Agora que eu entendo melhor o público brasileiro e o funk, vai ser legal", promete.

Viagem frenética de sons e imagens

A falta de tempo, às vezes, faz-me cometer o erro de deixar passar batido algum post, mas tenho que registrar aqui a bacanérrima exposição dos 50 anos da RBS em Porto Alegre, onde estive recentemente. Ainda impressiona como as coisas evoluíram em 50 anos nos quesitos design e tecnologia, como bem lembrava a propaganda de um banco: 'quando você nasceu as coisas eram diferentes'. Ok, não vou começar a falar aqui de orelhão de ficha (como citou a Claudia Cecília outro dia) e que meu sobrinho entende muito mais de computador que eu, nem tentar imaginar como seria o mundo sem tanta evolução, mas é muito importante sempre parar pra pensar nisso, já que, se a gente for tentar acompanhar tudo, vai enlouquecer. Não dá, a gente tem que assumir.

Esse nariz de cera todo só pra falar da 'No Ar - 50 Anos de Vida', a exposição que fica até 18 de novembro na Usina do Gasômetro, em POA. De primeira já há redomas com objetos apaixonantes de design, eletrodomésticos, acessórios, carros... tem TV pé-palito, o primeiro rádio a pilha, a primeira geladeira que chegou ao País, um telefone público de ficha (olha ele aí), no qual ainda tem colado as instruções: retire o fone do gancho; espere o sinal de discar; introduza a ficha; um ruído indicará que o tempo está terminando; introduza outra ficha. Gente, será que ninguém saberia como proceder mesmo?! Enfim... Ao ouvir o sinal, fale! Acho que estou só refletindo um pouco, que é o que a mostra faz por quem a visita, diante de uma olhada no quanto o mundo mudou de 57 pra cá e como radio, jornal, TV, internet, música e cultura se multiplicaram e estão presentes em cada detalhe da vida em sociedade.

Superinterativa, palavra de ordem, a expo tem uma gangorra que mostra os projetos sociais da rede: para mudar de tela na TV de plasma diante de você, é preciso que alguém sente do outro lado. A cada batida da gangorra no chão, a imagem com legenda de uma nova informação. Divertido e genial. Tem ainda todas as capas do jornal 'Zero Hora', cronologia dos últimos fatos, um caleidoscópio gigante com imagens de canais de televisão do mundo ao vivo, comerciais de vários tempos e a sala de silêncio, para reflexão.

A entrada é franca, mais uma iniciativa legal. A criação e curadoria da 'No Ar' ficaram por conta de Marcello Dantas, que assinou a mostra Ascension, do indiano/britânico Anish Kapoor, que levou um tornado pra dentro do CCBB do Rio em setembro do ano passado.

Se não dá para ir ao Sul agora, não tem problema. Um passeio virtual pode ser feito no site completíssimo da exposição, confira.

Segunda-feira, 15 Outubro, 2007

Chique é pouco

De férias, eu nem sabia da existência do comercial da Gucci assinado pelo David Lynch, com 'Heart of Glass' do Blondie na trilha sonora (valeu, Bean).

É impressionante como um artista sabe pôr a sua assinatura num trabalho, seja ele qual for.


Quinta-feira, 11 Outubro, 2007

O indie rock francês do Autour de Lucie

Durante muito tempo o que o mundo conhecia da música francesa eram os clássicos da 'chanson', como Edith Piaf. Até os anos 90, o nome mais recente a romper as fronteiras tinha sido o gênio Serge Gainsbourg.

Recentemente, porém, artistas franceses conquistaram platéias além do país - especialmente os de música eletrônica, como as duplas Air, Daft Punk e, este ano, Justice. O pop revelou o projeto Nouvelle Vague e a cantora Camille. No rock, no entanto, pouco se sabe da produção gaulesa - o The Film, que tocou no Brasil este ano, no festival Abril Pro Rock, em Recife, era praticamente desconhecido por aqui quando veio.

Uma exceção é o grupo indie (ou 'indé', como dizem por aquelas bandas) Autour de Lucie, presença constante na internet. A banda chegou ao fim em 2004, após mais de dez anos de carreira e quatro álbuns, e não tem muitos clipes online - já que terminou na era pré-You Tube - mas dá pra conferir 'Personne n'est comme toi':



Uma coisa legal é que, ao contrário da maioria das bandas do estilo na França, o Autour de Lucie fazia músicas em francês, o que garante um charme extra ao som deles. O clima de sonho era completado pelas letras inspiradas (falando sobre amores, utopias e afins) e a voz doce de Valerie Leulliot, que hoje segue em carreira solo.

Em fevereiro deste ano, ela lançou 'Caldeira', que tem a mão de Sébastien Lafargue, percussionista, baixista e arrajandor que entrou para o Autour de Lucie antes da gravação de 'Faux Mouvement', de 2001. Ele compôs as faixas e toca vários instrumentos do disco, que aposta na delicadeza, como na música 'Mon homme blessé':