Adoro superstições de Ano Novo e tenho algumas, tipo usar roupa nova, mentalizar coisas boas.
Um hábito que eu sempre achei legal, mas acabei não botando em prática é fazer lista com desejos pro próximo ano. Este ano vou fazer.
Isso porque, outro dia, arrumando a casa, achei um caderno com algumas coisas que escrevi no dia primeiro de janeiro de 2007. E tive uma sensação incrível: eu falava sobre duas vontades que acabei realizando este ano. Me dei conta de que em 2007 eu concretizei três vontades tão antigas que nem me lembro muito de como era a vida antes de tê-las. Durante muito tempo, elas pareciam tão distantes - mas, olha só, chegaram.
Mesmo coisas que não têm a ver com o que chamamos de projeto de vida (mas são tão importantes quanto, porque dão colorido à nossa existência) podem encher a gente de alegria quando acontecem. Em 2005 (não no Ano Novo, mas até que podia ter sido), eu desejei que o Elvis Costello se apresentasse mais uma vez no Brasil, porque eu perdi o primeiro show. E não é que ele veio?
Por essas e outras, vou terminar 2007 com a alma sorrindo em agradecimento e o coração cheio de sonhos para os próximos anos. E o melhor de tudo é saber que, inevitavelmente, eles vão ser realizados. Feliz Ano Novo!
P.S. Segue o vídeo da música que mais freqüentou a minha playlist em 2007: 'Pogo', do Digitalism.
Uma revista mais ou menos frívola pediu a várias pessoas para dizer as "dez coisas que fazem a vida valer a pena". Sem pensar demasiado, fez esta pequena lista:
- Esbarrar às vezes com certas comidas da infância, por exemplo: aipim cozido, ainda quente, com melado de cana que vem numa garrafa cuja rolha é o sabugo de milho. O sabugo dará um certo gosto ao melado? Dá: gosto de infância, de tarde na fazenda.
- Tomar um banho excelente num bom hotel, vestir uma roupa confortável e sair pela primeira vez pelas ruas de uma cidade estranha, achando que ali vão acontecer coisas surpreendentes e lindas. E acontecerem.
- Quando você vai andando por um lugar e há um bate-bola, sentir que a bola vem para o seu lado e, de repente, dar um chute perfeito - e ser aplaudido pelos serventes de pedreiro.
- Ler pela primeira vez um poema realmente bom. Ou um pedaço de prosa, daqueles que dão inveja na gente e vontade de reler.
- Aquele momento em que você sente que de um velho amor ficou uma grande amizade - ou que uma grande amizade está virando, de repente, amor.
- Sentir que você deixou de gostar de uma mulher que, afinal, para você, era apenas aflição de espírito e frustração da carne - a mulher que não te deu e não te dá, essa amaldiçoada.
- Viajar, partir...
- Voltar.
- Quando se vive na Europa, voltar para Paris; quando se vive no Brasil, voltar para o Rio.
- Pensar que, por pior que estejam as coisas, há sempre uma solução, a morte - o assim chamado descanso eterno.
(Rubem Braga em 'As boas coisas da vida')
Aproveitamos esse texto lindo (com o qual a Kamille esbarrou ontem, coincidência ou não) para desejar a todos que acompanham este blog um ótimo natal e um ano novo cheio de sonhos realizados, com uma trilha sonora à altura ;)
Amanhã tem mais uma edição da festa Phunk!, no Bola Preta, uma das festas mais legais da cidade. Dessa vez, os DJs Saens Peña, Artur Miró e Coisa Fina e os VJs Simpla, Timba e Milena Sá recebem os convidados MC Biguli e Marco Serragrande, o trombone da banda Canastra. E na festa, todo mundo já sabe: rola música boa de vários estilos, sem preconceito. A partir das 23h, na rua Treze de maio, 13/3º andar, Cinelândia.
O Pós-Pop vai sortear um ingresso com direito a acompanhante para os leitores. Basta deixar um comentário com nome, sobrenome e um email válido, até as 21h de amanhã. Funcionários da editora O DIA não podem participar.
Aqui o cantor e compositor fala sobre tocar com ex-companheiros de banda: "Não vejo por que não, não vejo isso acontecendo, mas sempre tive claro que não sei o que pode acontecer no futuro", disse, malandramente.
A outra repórter que estava na entrevista simplesmente esqueceu de fotografar o Chris Cornell. Pelo vídeo, dá pra imaginar por quê...
Quem disse que vida de artista é fácil. Ontem, apenas algumas horas após ter chegado ao Rio, o cantor norte-americano Chris Cornell recebeu a imprensa no hotel em que estava hospedado para uma entrevista.
Depois de dar um perdido na equipe, Cornell surgiu, bem-humorado e em forma, aos 43 anos, acompanhado da mulher, Vicky. É a primeira vez do artista no Brasil, e ele se apresenta hoje no Citibank Hall, e amanhã já parte para São Paulo, onde faz show no Credicard Hall.
O show traz músicas do Soundgarden (banda que revelou Cornell ao mundo), Temple of the Dog (projeto tributo em que dividiu os vocais com Eddie Vedder, do Pearl Jam, entre outros músicos que formavam a cena de Seattle nos anos 90), Audioslave (que ele formou com integrantes do Rage Agains the Machine) e de seu segundo disco solo, 'Carry on', lançado recentemente. "Não tenho certeza ainda do que vai entrar, não fiz o setlist", riu o cantor. "Depende do humor, muda de um lugar para outro. E é um show muito longo, o último (em San Diego, Califórnia) teve 2h45", contou.
A vontade de vir ao Brasil era antiga. "Desde 1996, quando saímos em turnê com o Ramones, o Johnny Ramone contou sobre as turnês aqui, o público", lembrou Cornell em papo anterior, por telefone. Hoje, pai de três filhos (um do primeiro casamento e dois do atual), ele garante que é mais fácil viajar para fazer shows do que com suas ex-bandas. "Com o Soundgarden, até pela Europa era difícil viajar", jura.
Às vésperas de completar 20 anos de carreira - data do lançamento do primeiro álbum do Soundgarden, 'Ultramega OK', ele diz que não pretende fazer nenhuma celebração. "O lançamento de 'Carry On' já foi uma espécie de comemoração", despistou. Ele, no entanto, não cai no erro de outros integrantes de grupos que foram muito famosos e diz que não vê por que não tocar novamente com seus ex-companheiros de banda. "Hoje eu não vejo isso acontecendo, mas não claro que não posso falar do futuro", esquivou-se.
Sempre que eu vejo alguém dizendo "o disco tal mudou minha vida" acho esquisito. Sei lá, me parece meio vago. Fico pensando: "Mudou como? A pessoa ouviu o disco e aconteceu alguma coisa?" Mas aí que estávamos esses dias almoçando, eu, uma amiga e um amigo. Falávamos sobre o show do Police, de como o ingresso estava (está) caro, e como amávamos a banda etc. Até que ela diz: "Uma música deles mudou a minha vida."
A música em questão era 'So Lonely'. Nos anos 80, ela estava numa festa e, durante essa música, 'ficou' com um cara.
Dias depois, surgiu uma vaga para trabalhar numa casa de shows muito bacana e ele perguntou se ela não queria. Aos 17 anos, linda e magra (até hoje), ela nunca tinha trabalhado. E de repente estava ali, onde todas as coisas que interessavam aconteciam. "Imagina! Rolava de tudo...", ela me conta, aos risos.
Um integrante de uma banda que viria a se tornar um grande sucesso chamou minha amiga pra sair algumas vezes, sem sucesso. "Devia ter aceitado!", ela brinca. Do jeito que ela é bonita, com certeza foi só mais um. Mas lá ela acabou conhecendo um homem com quem se casou. E o resto é história. E com uma trilha sonora de alto nível...