A festa do Beirut
Ao contrário do que fez em Salvador, Zach Condon não seguiu ao pé da letra os versos de 'Elephant Gun', em que canta "As I did, we drink to die / we drink tonigh" ("Como eu fiz, a gente bebe até morrer / a gente bebe hoje à noite") no show que fez quarta-feira à noite no Teatro Oi Casa Grande, no Rio, na segunda noite do 16ª festival PercPan na cidade. Comportadamente, o vocalista alternava bicadas em um copinho com um líquido escuro (seria uísque, com crê o colega Pedro Landim? Cachaça envelhecida?), sendo aplaudido pelo público, com goles em uma garrafinha d'água. Nada que comprometesse a apresentação do menino-prodígio e seus colegas de banda.
Previsto para as 22h10, o show começou com quase meia hora de atraso. Logo no fim da primeira música, 'Nante', Condon pediu, em português: "Podem ficar de pé". Foi atendido na hora. Tímido e simpático, ele fez diversas brincadeiras na nossa língua, como quando disse "Não é um cavaquinho" ao empunhar um ukelele (instrumento de corda havaiano) e até mandou um "Toca Raul!". Incentivado pelo público, cantou entre risos um trecho de 'Leãozinho', de Caetano Veloso, à capela.
'Elephant Gun', música que apresentou a banda ao Brasil ao ser tema da minissérie 'Capitu', foi um dos momentos mais animados. Mas eles também foram ovacionados em 'Sunday Smile'. "Vocês nem falam nossa língua e sabem mais as nossas letras do que no nosso país. É uma vergonha para a gente", chegou a dizer o trompetista Tracy Pratt. Voltaram para um bis com direito a uma versão de 'Aquarela do Brasil' em inglês, que só confirmou o climade festa que tomou conta da noite.


