"A Reprieve,uma organização de caridade que representa 30 prisioneiros em Guantanamo Bay, lançou hoje (dia 12/12) a campanha The Zero dB Project pela extinção do uso de música como meio de tortura. Prisioneiros não apenas em Guantanamo Bay, mas no Iraque e Afeganistão são submetidos a horas - às vezes dias e meses - ininterruptas de uma mesma música no volume máximo.
De acordo com a organização, o uso de música alta em interrogatórios ainda é bastante utilizado apesar de ter sido banido pela ONU e pela Corte Européia para os Direitos Humanos. Artistas como Massive Attack, The Magic Numbers, Elbow e Tom Morello do Rage Against the Machine estão apoiando a campanha."
Agora, repara bem na lista abaixo, publicada pela Reprieve, com músicas usadas em tortura psicológica. Note que Britney Spears, Limp Bizkit e Dr. Dre contribuem para a infame lista com o conjunto de sua obra torturante. Agora é só chamar o Galvão Bueno e gritar "eu já sabia!"
AS MAIS TERRÍVEIS . AC/DC - Hell's Bells . AC/DC - Shoot to Thrill . Aerosmith . Barney the Purple Dinosaur - theme tune . Bee Gees - Stayin' Alive . Britney Spears . Bruce Springsteen - Born in the USA . Christina Aguilera - Dirrty . David Gray - Babylon . Deicide - Fuck Your God . Don McLean - American Pie . Dope - Die MF Die . Dope - Take Your Best Shot . Dr. Dre . Drowning Pools - Bodies . Eminem - Kim . Eminem - Slim Shady . Eminem - White America . Li'l Kim . Limp Bizkit . Matchbox Twenty - Gold . Meat Loaf . Metallica - Enter Sandman . Neil Diamond - America . Nine Inch Nails - March of the Pigs . Nine Inch Nails - Mr. Self-Destruct . Prince - Raspberry Beret . Queen - We are The Champions . Rage Against the Machine - Killing in the Name Of . Red Hot Chilli Peppers . Saliva - Click Click Boom . Sesame Street - theme tune . Tupac - All Eyes on Me
Outro dia entrevistei Paula Toller. Pessoalmente, o que foi ainda melhor. E, apesar de Paula dizer que não é nenhum fenômeno e que muitas mulheres de sua idade (46) são como ela, eu diria que a moça é modestíssima. Aí surgiu a agradável questão: quais seriam as cantoras mais gatas do país? Depois de muito pensar, escolhi essas cinco. Vê só:
Apesar de morar longe à beça, fiz um esforço e voltei ontem à noite ao Claro Cine, dessa vez para ver a apresentação de Lafayette e os Tremendões. Bicho, foram muitas emoções. Os Tremendões são uma brasa e o Lafayette tem realmente um órgão maravilhoso, que deu prazer e alegria à platéia de jovenzinhas e senhoronas presentes ao Jockey. Ao lado do homem, um time de 'working class heroes' da noite carioca: Gabriel Thomaz (Autoramas, guitarra), Renato Martins (Canastra, guitarra), Nervoso (dos Calmantes, guitarra), Erika Martins (voz, pandeirinho e uma ilha de beleza em meio a tanto homem feio no palco), Melvin (carbona, baixo) e Charles (substituto de Marcelo Callado na bateria no show). Todos aos pés de Lafayette, o homem-baile, o som da Jovem Guarda, um gênio em trânsito.
Foto: Daniel Benassi
Os Tremendões defendem com brilho a obra de Roberto e Erasmo ("o Roberto não gosta mais dessa, mas o Lafayette gosta", anunciou Renato, antes de atacarem com 'Quero Que Vá Tudo Pro Inferno'), que se aproxima de seu cinquentenário bem mais jovem que a Bossa Nova. Os velhinhos se acabando na frente do palco que o digam. João Gilberto pode ser 'o mito', mas o rei é o rei. E o Tremendão é o cara.
Talvez ela possa pedir carona a Britney Spears, que ontem lançou seu novo CD, Circus, e em março bota o bloco (não do eu sozinho) na rua. Vai percorrer o planeta com seu picadeiro milionário, também conhecido como The Circus Starring Britney Spears 2009 Tour.
Britney se equilibra como pode
Enquanto Mallu sonha e Britney arma o circo, Silvia Machete enrola um cigarro de palha, acende, toma um drink suspeito, solta bolhas de sabão e fumaça no ar e rebola com uns 150 bambolês na cintura. Tudo ao mesmo tempo. Sabe como? Durante alguns anos, Silvia viajou pela Europa num caminhão, com um malabarista, fazendo apresentações de rua. Circenses. Ganhou prêmios, conheceu o mundo inteiro. E então resolveu cantar.
Silvia assovia e chupa cana
Mas o circo é como a Tijuca: dizem que você pode deixá-lo, mas ele nunca deixa você. Por isso, sua performance bem-humorada e acrobática torna ainda mais recomendável a compra do DVD 'Eu não sou nenhuma santa'. O vídeo é o registro ideal para divulgar seu trabalho irreverente. E a música que ela canta, mesmo quando reinterpreta Roberto Carlos ou Cindy Lauper, é novíssima.
A jovem Mallu também tem seu quê de Chacrinha. Ela não veio ao mundo para explicar nada. Na mesma entrevista: Pergunta: Você sai para dançar? Mallu: Dentro de mim, lógico.
Mallu queria fugir com o circo
E Britney é praticamente uma contorcionista. Vá vê-la no documentário 'For The Record': a moça faz malabarismo para provar ser uma pessoa equilibrada neste grande trapézio que é a vida de uma celebridade (celebridade, diz o D2, é artista que não faz arte). Vi outro dia na TV. Aprendi que ela se entrega por inteiro a quem ama, faz de tudo mesmo, que sua vida é como o Feitiço do Tempo, que Madonna era como ela no tempo em que era jovem (põe tempo nisso), que tem muita coisa que as pessoas não sabem dela - e ela quer que todos saibam. Melhor fugir com o circo.
Já Silvia Machete se define assim: "Sou devassa e sou santa/ recatada e vulgar/ louca, tão centrada e tão louca..." E pede: "Me respeita, me abusa, me ame como quiser/ Simples demais ou confusa/ Sou simplesmente mulher". Pronto: em meia dúzia de versos (que na real são do Edu Krieger), ela explicou o que Mallu não pôde na entrevista e Britney não alcançou em 90 minutos de documentário.
Simplesmente Mulher - Silvia Machete
Mallu investe no folk de sarau e Britney faz reality show music. O som da Silvia é um pouco mais engordurado, com uma banda que apimenta ainda mais sua performance, hmm, circense. Portanto, meninas, ouçam a voz de quem conhece bem a vida no circo e aprendam com a Silvia: "Depois de dar uma dentro/ O melhor é dar o fora".
Eram meio que uma dupla de piada: o primeiro, fã dos Beatles; o outro, dos Stones. Um era vascaíno e o outro, tricolor. Sempre se despediam com um cordial "espero que você morra". Mas gostavam mesmo era de suas batalhas musicais. Um sacava: "Eleanor Rigby é genial!". O outro devolvia: "Sympathy For The Devil é revolucionária!". O dos Beatles dizia que eles haviam inventado o punk, o reggae, o hard rock e o heavy metal. O dos Stones dizia que os Beatles eram "umas bichas". E num dia desses de discussão interminável, depois de esgotados todos os insultos, eles decidiram chegar a um acordo. - O Chico Buarque é sinistro. - É mesmo.
It's all true.
Mas muito melhor é a história que Robert Greenfield escreveu sobre os bastidores da confecção do Exile On Main St., o disco dos Rolling Stones de 1972 que figura lindão em qualquer lista de Best Of dos Melhores de todos os tempos para sempre. É, como disse o Gustavo, o registro de uma época de "excesso de excessos" stonianos. O que, está documentado nas 236 páginas de 'Uma Temporada no Inferno Com os Rolling Stones', não é pouca coisa.
Quanto à eterna discussão nerd Beatles x Stones, temo que agora os fãs do infame Keith Richards têm um argumento definitivo sobre os seguidores de Sir Paul McCartney. McCartney e os Beatles fumaram maconha no banheiro do palácio de Buckingham. (mas eram os anos 60) Richards cheirou as cinzas do próprio pai. Ano passado! Acho que temos um vencedor, senhoras e senhores.
Wando só perguntou isso: "trouxeram?" E choveram calcinhas sobre o palco do Claro Cine, no Jockey Club, no início desta madrugada. Fui até lá para ver o Brasov, que é uma banda verdadeiramente espetacular, porque seus sete ou oito integrantes trabalham para divertir seu público.
Eles são: Daniel Vasques :: saxofone (mas quem tocou foi aquela menina que também toca com a Silvia Machete, infelizmente não sei o nome dela; e ela catou uma calcinha azul do Wando! O Daniel passou o show de Bez e bombou) Fabiano Krieger :: guitarra e voz Felipe Rocha :: trompete e voz Lucas Marcier :: baixo Rafael Rocha :: bateria e percussão Raphael Miranta :: bateria e percussão Ricardo Dias Gomes :: teclados
Brasov em brasas
O Brasov já havia amaciado a platéia com seu inclassificável amor pelos sons renegados, do brega brasileiro ao cafona cigano, executados com safadeza, ironia finíssima e precisão de orquestra - o tragicamente calvo guitar hero Fabiano Krieger, que comanda a farra, é filho de um mitológico maestro. "É quase sem voz que eu convoco... Pepeu Gomes!", caprichou o ator Felipe Rocha, trompetista e cantor de interpretação, claro, teatral, chamando ao palco o outro convidado da noite. E, diante dos dois gigantes, a garotada foi reverente e companheira. Fez a cama para os solos - como não dizer? - incendiários de Pepeu e apimentou a malícia de Wando. 'Eu Também Quero Beijar', com Pepeu, e 'Fogo e Paixão', com Wando, levaram a platéia ao delírio. O "obsceno" deixou o palco coberto de presentes: "Obrigado pelas calcinhas!", agradeceu. E o Brasov, com temas de seriados ('Chips'), comerciais ('Piscinas Tone'), da Banda Black Rio ('Maria Fumaça'), de Roberto Carlos ('Falando Sério', 'O Show Já Terminou') e da própria lavra ('Gonzalito Airlines') também deixou a galera em ponto de bala. Parece até que fez o povo esquecer do filme que passou antes...
Li que Michael Jackson teria se convertido ao Islamismo. Agora, quem quiser procurá-lo no orkut deve digitar Mikaeel, com dois 'ê'. Espero que o cantor-antigamente-conhecido-como-Michael (ou '?') siga os verdadeiros princípios do Islã e não caia naquela conversa mole fundamentalista. Ou corremos o risco de ver Osama Bin Laden produzindo sua próxima bomba?
A MTV convenceu o garotão a repetir a foto que o tornou o bebê mais famoso do mundo no fim do século passado - ainda que ninguém saiba seu nome. E, observando os dois retratos, duas conclusões óbvias: bebês são (quase) sempre fofinhos; adolescente tem (quase) sempre cara de mané.
Quando o baterista Matt Tong levantou de seu banquinho para rebolar, na introdução de The Prayer, exibindo seu i-na-cre-di-tá-vel - e absolutamente rock'n'roll - modelito bermudinha + dockside, o Circo Voador já havia conquistado o Bloc Party. É uma peculiaridade do Circo: quanto mais a banda no palco sua a camisa, mais a platéia incentiva; quanto mais os caras se entregam, maior é a empolgação da galera. O show de ontem (10/11) à noite do quarteto inglês foi assim, num crescendo hipnótico, e terminou com o vocalista e guitarrista Kele Okereke nadando sobre o público, na maior alegria, enquanto cantava She's Hearing Voices. Nesta hora, o baixista Gordon Moakes estava sobre o bumbo de Tong e o guitarrista Russel Lissack, o mais contido do quarteto, sacolejava furiosamente em busca de mais microfonia.
Repara na bermuda do baterista, lá no fundo!
Em torno deles, os fãs dançavam, pulavam, tiravam fotos com os músicos e se atiravam (ou eram atirados) do palco. Uma mulatona deu uma bela duma sarrada no Okereke do Kele depois que ele foi pra galera, e ao mesmo tempo que os seguranças (da banda e do Circo) suavam para conter os mais empolgados, Moakes, moleque, convidadava as pessoas a continuarem a subir ao palco. O som do Circo fez, como disse o Silvio, o som do REM, sábado, na Arena, parecer um radinho de pilha - o que também ajudou a levantar o ânimo do pessoal.
E olha que duas horas antes não dava para dizer que seria uma dessas noites incríveis na Lapa. Às 21h30, só havia meia dúzia de gatos pingados debaixo dos Arcos. às 23h, quando o show começou, com uma hora de atraso, ainda tinha gente entrando às pressas no Circo. O Bloc Party abusa dos efeitos e do metrônomo humano que é o baterista Tong para criar ondas de transe que embasbacaram o povo, como em 'Mercury', do novo disco, Intimacy. E não era playback!
Pequena demonstração do tamanho da alegria de Michael Stipe diante da HSBC Arena parcialmente cheia (ou vazia, depende do gosto do freguês), no show do REM, sábado à noite: já no bis, depois de se empolgar com a reação estrondosa à recente 'Supernatural Superserious', o saltitante vocalista ergueu uma lata de Itaipava, tentou ler o nome da cerveja e admitiu que havia gostado do que provou. "O Brasil é ótima!", brindou, em bom português de gringo.
Stipe rebolou até o chão
Generoso, esse mister Stipe. Inclusive no show. Ele e os veteranos companheiros Mike Mills (o baixista afinado) e Peter Buck (o guitarrista sensível), mais Scott McCaughey (guitarras, teclados) e Bill Rieflin (bateria), dupla igualmente cinqüentona - ou em vias de. Por duas horas, ele se esmeraram num irrepreensível show de 24 músicas, das ultra conhecidas Losing My Religion, Everybody Hurts, Orange Crush, Drive e The One I Love a preciosidades como Ignoreland, What's the frequency, Kenneth?, Exhuming McCarthy e Let Me In. Como diria o outro, quem sabe faz ao vivo (por falar nisso, será que o Bloc Party vai repetir o playback do VMB no Circo Voador, nesta segunda?).
Embora nos poleiros da Arena houvesse quem reclamasse do som baixo que vinha do palco, a sensação geral, após o show, era mais de satisfação garantida do que de dinheiro de volta. E olha que não era pouco dinheiro - as entradas estavam na média (cara) dos últimos tempos, o que talvez tenha impedido a casa de ter a lotação esgotada. Mas quem compareceu viu um grande show. Nos anos 80 o REM ocupava na vanguarda do rock independente, inteligente e inspirado, que ainda ramifica e se espalha por aí, 28 anos após sua estréia (a banda tinha ainda o baterista Bill Berry, que pediu para sair em 1997, depois de sobreviver a um aneurisma cerebral). Não vi o show do Rock in Rio em 2001, que, dizem, foi uma espécie de 'Echo and The Bunnymen' com lama, mas já ouvi que o de sábado não deixou muito a dever àquele. Isso não sei. Mas ninguém tira dos simpáticos gringos bebedores de Itaipava o troféu de trocadilho da semana, exibido em letras garrafais num telão nada convencional: 'Barack'n'roll'.