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| Ricardo Calazans |
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Do Escriba: Tem um grafiteiro brasileiro transformando ruínas urbanas em obras de arte. Não sei em que cidade nem sei quem é o cara, mas olha essa aqui:
 Achei a cara do 'In The Court Of Crimson King', piração original do Robert Fripp à frente do King Crimson, de 1969. Vê só: Nesta página você pode ver outros trabalhos do grafiteiro anônimo. Chorei com ele, hein.

Nos 50 anos da Bossa Nova, quem leva prejuízo é você. Tudo bem, cada um com seus reais. Você pode ser desses que acha que vale a pena pagar - atenção - R$ 2.100,00 (agora por extenso: dois mil e cem reais) para ver Roberto Carlos e Caetano Veloso cantando os clássicos do amor, do sorriso e da flor no Theatro Municipal, no dia 15 de agosto. Este é o valor de uma frisa ou um camarotes; outros setores do teatro saem mais em conta (os mais baratos, na galeria, custam R$ 30; balcão nobre fica em R$ 350 e balcão simples sai por R$ 120).
A questão é: será que algum show na face da Terra vale esses (ou quaisquer outros?) R$ 2,1 mil? Mesmo com o Rei e o Caê juntos e misturados? Eu, com essa grana, passava um fim de semana em Buenos Aires, ou comprava uma TV de LCD irada pra ver um DVD do Iron Maiden, ou um Nintendo Wii pra descer uma montanha num snowboard virtual, ou talvez duas noites no Copacabana Palace, ou até mesmo as discografias completas do Roberto e do Caetano, ou aplicava em ações da Starbucks se quisesse jogar o dinheiro fora... Ou será que os ingressos de ouro são um sintoma da inflação? Se forem, o custo de vida no Rio está bem maior do que em São Paulo. Lá, a dupla vai se apresentar no auditório do Ibirapuera. Os ingressos mais caros (caríssimos) custam R$ 360; os populares, R$ 30. Mais justo, não é?
As vendas para o show no Rio começam dia 5 de agosto; em São Paulo, a farra do banquinho e do violão será dia 26 do mesmo mês. Aposto que os ingressos vão esgotar em meia hora, lá e aqui. Afinal, são os 50 anos da bossa nova, cobrar os olhos da cara pelo ingresso é muito natural. Ou não?
Terça-feira publiquei no impresso uma entrevista com Léo Jaime, que acaba de lançar o disco 'Interlúdio' pela Som Livre. Abaixo, segue o texto original, sem cortes nem edição. Assim, bem roots.
 São Paulo abrigou Léo Jaime por 14 anos. Um longo período para se viver por lá, mas ainda assim bem menor que o intervalo entre seu trabalho anterior e 'Interlúdio', álbum de inéditas que acaba de lançar pela gravadora Som Livre. O exílio paulistano foi proposital; o dos CDs, que durou 18 anos, não. "Aconteceu um erro histórico. 'Sexo, Drops & Rock'n'Roll foi lançado em 15 de março de 1990, o dia em que o Collor confiscou as poupanças dos brasileiros. Disseram: 'sinto muito, ano que vem a gente faz outro'. E o ano que vem chegou e nada. Quando conseguiu lançar o próximo, um disco de intérprete, em 1995, já estava há cinco anos na gaveta", lembra. Léo Jaime foi um dos grandes hitmakers dos anos 80, mas passou quase em branco após isso, à exceção do recente revival oitentista e da Internet. "Comecei a fazer shows na cena alternativa de São Paulo, criei blog, Orkut e repercutiu. Essa comunicação direta com o público deu à indústria noção da minha popularidade.", diz o cantor, hoje com 48 anos. Seu disco anterior saiu quando ele tinha 30. "As gravadoras só se interessam pelo que já é sucesso. Só querem o pé da laranja quando ele está maduro.", constata, mais do que se queixa. Apesar da contundência da crítica, Léo Jaime não guardou espaço para rancores. "Ficou uma preocupação com a qualidade. Muita gente gravou nestes 18 anos e eu não. Não tinha o direito de errar", afirma. Então, chamou amigos como os compositores Leoni e Alvin. L e o baixista Mingau para gravar as 10 faixas do disco, todo ele melancólico como a faixa-título. "Esse CD foi feito com uma certa dose de sofrimento, até porque talvez seja mesmo o último para mim. Ele é o reflexo desse longo interlúdio", explica. De volta à carreira, Léo está também de volta ao Rio, na companhia da mulher, Daniela, e do filho Davi, de 10 meses, heranças da estadia paulistana. "Foi em São Paulo que eu experimentei as músicas desse disco. Mas sou carioca, apesar de goiano, e tinha que voltar. O bom humor do carioca é maior do que tudo", diz. A escolha dos arranjos e a maneira cuidadosa de compor e cantar deixam Léo Jaime mais perto de Elvis Costello do que do Elvis Presley que idolatrava em sua bem-humorada época de 'Sessão da Tarde', quando enfileirava sucessos – 'O Pobre', 'As Sete Vampiras', 'A Vida Não Presta', 'A Fórmula do Amor'... "Os anos 80 foram o último sopro de inocência nas canções. Havia algo de otimismo e descontração. Não sei se eu perdi isso ou se isso se perdeu com o tempo", conta. Seu disco fala de decepções, amadurecimento, perdas e dúvidas. "Eu já não sei onde vou chegar/ Eu já não me acho no espelho/ Será que alguém sabe responder/ Se um dia desses ainda vou ser/ Quem eu devia ser", pergunta, na única música em que não assina. 'Hoje e Sempre', de Alvin L. Mais do que tudo, porém, 'Interlúdio' é essencialmente romântico – e a obra de Roberto e Erasmo Carlos, uma das matrizes do rock brasileiro dos anos 80, continua a ser perseguido como o santo graal por Léo Jaime. Ele confirma. "'Fotografia' é o mais próximo que Leoni e eu jamais conseguimos chegamos de Erasmo e Roberto."
 (atualização) Mallu Magalhães cantou Música Urbana 2, do segundo disco da Legião Urbana, na festa do Prêmio Multishow, ontem à noite, no Theatro Municipal. Mallu tem 15 anos, mesma idade do prêmio, e sete a menos que a canção de Renato Russo que ela homenageou. Mas o grande homenageado da noite foi Lulu Santos. Por falar em Mallu... Outro dia o João Barone, baterista dos Paralamas, que já dobrou os 25 anos de estrada, fez uma comparação curiosa sobre as mudanças no processo de fabricação da música de lá para cá: "Quando começamos, gravar um disco era o fim do processo, a grande recompensa, era onde todo mundo queria chegar. Agora, gravar um CD é o ponto de partida." Aconteceu exatamente assim com Mallu. Sua 'Tchubaruba' virou o primeiro fenômeno pop do MySpace Brasil e tornou a moça conhecida antes mesmo de fechar qualquer contrato de gravação. E só agora, longínquos, hmm, seis meses? um ano? (tudo isso?) de sua aparição em formato MP3, Mallu chegará ao CD. Mario Caldato Jr., produtor dos Beastie Boys, Marisa Monte, Marcelo D2 e Beck, vai registrar suas músicas, a partir do dia 14, nos turbinados estúdios AR, aqui no Rio. Mallu é novinha, mas vai tocar com equipamentos que poderiam ser seus avós - analógicos, valvulados e com uma fina camada de poeira por cima, para que tudo soe como antigamente, na época dos The Beatles e do Bob Dylan, suas paixões e influências confessas. Capricha, Mallu!
Assim como a imigração japonesa e Machado de Assis, o tênis All Star também tem um centenário a festejar. E como em 100 anos dá para morrer muita gente, os gênios publicitários (todos os publicitários são gênios, já viu?) da Converse bolaram uma campanha que vai passar em 75 países do mundo, com vários ícones da cultura pop posando com o tênis cabeçudo nos pés. O gonzo original Hunter S. Thompson, a vocalista do Yeah Yeah Yeah's, Karen O., o motorista imprudente James Dean, a funkeira M.I.A., a invocada Joan Jett e o acústico Lobão estão entre as estrelas do comercial. Tem gente viva, morta, alguns mortos-vivos e outros muito vivos na peça. Só não consegui descobrir em qual categoria o Lobo se encaixa.
M.I.A., Dean e o grande Lobo de pés juntos
 Acelerado, bem humorado e contagiante, o Canastra é sempre garantia de diversão — e hoje à noite o grupo toca no acolhedor palco do Estrela da Lapa, onde o clima de proximidade com a platéia costuma tornar seus shows ainda mais quentes. Agora com o ex-Los Hermanos Rodrigo Barba na bateria (no lugar de Marcelo Callado, que se mudou para a banda de Caetano Veloso), os roqueiros das camisas estampadas vão tocar músicas de seus dois ótimos discos discos, ‘Traz a Pessoa Amada em Três Dias’ (2004) e ‘Chega de Falsas Promessas’ (2007). A banda de Renato Martins (voz e guitarra), Edu Villamaior (baixo acústico), Fernando Oliveira (guitarra e trompete), Marcelo Magdaleno (saxofone) e Marco Rafael (trombone) fala de sorte e azar (no amor, na vida) com ironia e sagacidade, e faz uma saudável confusão de estilos: do dixieland à surf music sem traumas nem sustos. O Estrela da Lapa fica na Avenida Mem de Sá 69, Lapa (2507-6686). Hoje, às 22h30. A bagaça fica em R$ 25. Vai lá!
 MC Lord Magrão, guitarrista do Guillemots, a cintilante banda-colagem que volta e meia aparece por aqui, queria levar um som nas Europa. E pra lá ele se mandou, com um amigo músico, em 2004. Deram com os burros em Barcelona, onde nada aconteceu. Quando viu, estavam dormindo na rua, sem dinheiro para o aluguel. Mas ainda sobravam cem dólares no bolso do Magrão. O amigo músico partiu para os Estados Unidos, ele voou para a Inglaterra. Chegou lá com 25 dólares e o endereço de uma amiga, onde se aboletou por uns tempos, até arranjar visto de estudante e emprego como lavador de pratos. Estava prestes a embarcar para Berlim quando encontrou o anúncio do delirante compositor Fyfe Dangerfield numa revista. O paulistano respondeu à cata de músicos para a nova banda de Fyfe: "toco máquina de escrever e caixa de fósforos". O inglês adorou o humor; foi amor à primeira vista. Com a canadense Aristizábal Hawkes, a baixista com nome de cabeça-de-área da seleção Mexicana, e Greig Stewart, o escocês da bateria, o Guillemots tirou Magrão do sufoco. Ele já não mora mais na rua - "comprei um apartamento financiado este ano" - tem um trabalho regular - "fazemos uma média de 20 shows por mês" - e vive do que gosta de fazer - "dá para pagar as contas e é melhor do que lavar pratos". Os dois discos do Guillemots (Through the Windowpane, de 2006, e o recém-lançado Red) foram editados no Brasil, e a banda espera tocar por aqui logo. Caso alguém se interesse, a banda vai (na categoria definições musicais babacas) do 'orquestral onírico' ao 'indie pop' sem escalas, passa longe do pós-punk e mais ainda do estilo Timbaland de ser. Houve quem tenha odiado o disco novo: a Rolling Stone já decretou, em junho, que Red estará entre os piores de 2008. Se eu tivesse 16 anos estaria morrendo de vergonha de gostar do disco; 20 anos mais velho que isso, tudo o que eu posso fazer é cair na gargalhada. Magrão também anda rindo mais ultimamente: o R.E.M. os adotou para abrir, com os Editors ( ouça esses caras!), uma turnê pelo Reino Unido. "Parece mentira pra mim, que cheguei aqui sem nem um puto". Conto de fadas? Nada. É só música bacana amplificada.
 Mick Jagger, apesar de toda a propaganda, não é a maior língua do rock'n'roll. O posto, qualquer adolescente sabe (pergunte ao Rivers Cuomo), pertence ao baixista do Kiss, Gene Simmons. O ex-mascarado botou o linguão pra funcionar e revelou todo o seu rancor com os fãs de música. Afeito aos temas escabrosos, tio Simmons não gosta nem um pouco de, neste exato momento, ser uma das viúvas a velar o cadáver da indústria fonográfica, enquanto internautas daqui, de lá e alhures navegam, mergulham e pescam como querem todo tipo de petisco sonoro - inclusive a discografia do Kiss.  Como se portasse seu mítico contrabaixo-machado, o P2People mutilou, eviscerou e cuspiu em cima das gravadoras, essas gigantes indefesas, sem repelente à vista para combater os milhões de mosquitinhos da pirataria, os flibusteiros do download e os bucaneiros da troca de arquivos. Pra completar, o malcriado Gene mostrou a língua, bateu com os saltos de 20 cm no chão e... resolveu não fazer nada. "Assim que os executivos acordarem para o problema, gravaremos de novo", avisou. Alô, fãs do Kiss: é melhor tirar a poeira do velho Dressed to Kill. Pelo jeito, agora o tio Simmons só vai dar mesmo as caras (são várias, depois de tanta plástica) em realities shows.
É assim que se atualiza um blog empoeirado sem ter que escrever nada:
Em primeira mão (segunda, na verdade), impressões da Gabi sobre a volta aos palcos do Franz Ferdinand, no show londrino de ontem, 9 de junho. O corta-e-cola é do blog Altos Decibéis, que ela acaba de inaugurar lá na terra da Rainha. Na página você encontrará também um vídeo de Kathryn Kiss Me, música nova dos dândis. Vai lá!
 "O show do Franz Ferdinand, ontem à noite, foi curtinho, apenas 40 minutos, mas muito bom. Eles abriram com “Jacqueline” para Alex Kapranos dizer que estavam felizes por estarem de volta das férias dos palcos. No início estavam revezando sucessos dos dois álbuns anteriores com músicas novas, mas foi só ver que a platéia estava respondendo bem, que seguiram apenas com novas faixas. Kapranos e Nick McCarthy colocaram uma energia na performance como se não estivessem tocando em um showzinho íntimo como aquele, mas para uma platéia de 5 mil pessoas na Brixton Academy. "As músicas novas vão das guitarras e viradas do segundo álbum a alguns momentos bem pops e dançantes. Acho que vem mais um disco bom do Franz Ferdinand por aí. Pelo menos no palco, eles estão redondinhos, prontos para cair na estrada. "As novas músicas tocadas no show de ontem foram “Send Him Away”, “A New Thrill”, “Kathryn Kiss Me”, “Ulysses”, “What She Came For”, “Turn It On”. Das antigas tocaram “Jacqueline”, “Tell Her Tonight”, “Dark of the Matinee” e “Outsiders”. Todo mundo saiu do pub bem suado (ontem foi o dia mais quente do ano por aqui), surdo (o som tava muito alto, ouvidos ainda estão zunindo) mas feliz."
Fui ver a 'Obra em Progresso' de Caetano Veloso, ontem à noite, no Vivo Rio. É um show simples, simples; quatro tapetes no chão, algumas luzes sobre o palco, Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (baixo) e Marcelo Callado (bateria) jogando redondinhos e o Caetano com a jaqueta jeans de sempre. Começou com o, disse ele, "transamba profético" Incompatibilidade de Gênios, de João Bosco e Aldir Blanc, e foi embora, experimentando de tudo ali no palco, sem muito compromisso com a perfeição. A graça do show, aliás, é justamente essa informalidade. Jacques Morelenbaum subiu ao palco para o momento Joseph Klimber + Fausto Silva da noite ("este é Jacques Morelenbaum!", "não é mole não!" repetia o baiano, após cada participação do maestro). Jorge Mautner levou seu violino pra festa e a banda se dividiu entre momentos de alegria alegria coletiva (com corinhos para Nosso estranho amor, Cajuína e Um Índio) e audiência compenetrada diante das novas músicas. E vou dizer: 'A Base de Guantánamo' (é isso?) é sensacional. Só indo lá pra ouvir, ou catando no Youtube, quem sabe. A letra é pequena, mas me gustó. Anotei no escuro e mal entendo os garranchos agora, mas é mais ou menos assim:
O fato de os americanos Desrespeitarem os direitos humanos Em solo cubano É por demais forte simbolicamente Para eu não me abalar
(Ah, e o coro coletivo "odeeeeeio você" alivia ressentimentos de toda sorte.)
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