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| Ricardo Calazans |
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O site 'Spinner' publicou esta semana uma lista, curiosíssima, dos 20 hits com as piores letras (em inglês) da história do pop. A relação emparelha Elton John e Vanilla Ice, U2 e Puff Daddy, Shania Twain e Paul McCartney.
A cantora Sade ficou com o troféu, pela balada 'Smooth Operator' (operador suave), dos versos "Coast to Coast/ LA To Chicago". "Sade nasceu na Nigéria e cresceu em Londres, mas seu maior hit revela que ela claramente não é uma operadora suave", debocham os redatores da lista. É que Chicago fica bem no centro dos Estados Unidos...
Mas, justiça seja feita, o Culture Club, do Boy George, merecia um troféu especial: foi o único a comparecer com duas músicas na inglória lista. Os eleitos são estes:
1) Sade. 'Smooth operator' 2) Culture Club. 'War song' 3) Madonna. 'I love New York' 4) Puff Daddy. 'Can’t nobody hold me down' 5) Paul McCartney and Wings. 'Live and let die' 6) Michael Jackson. 'Bad' 7) Saves the Day. 'See you' 8) Shania Twain. 'Honey I’m home' 9) Vanilla Ice. 'Play that funky music' 10) Natalie Imbruglia. 'Torn' 11) The Bangles. 'Manic monday' 12) Culture Club. 'Time (Clock of the heart)' 13) América. 'Horse with no name' 14) Eminem. 'Ass like that' 15) R.E.M. 'Leaving New York' 16) Slayer. 'Necrophiliac' 17) U2. 'Staring at the sun' 18) 50 Cent. '21 questions' 19) Shakira. 'Whenever, wherever' 20) Elton John. 'Your song'
Aqui no Brasil, uma lista semelhante renderia boas risadas. A primeirona da minha lista seria 'A Cera', do Surto, dos inacreditáveis versos "Um rosto lindo e um sorriso encantador/ e um jeitinho de falar que me pirou, que me pirou o cabeção". Lembra disso? Pois é.
Abre hoje, em Botafogo, bem pertinho do Espaço de Cinema, a Cinematèque Jam Club. É mais uma etapa do plano de dominação mundial da galera da Casa da Matriz, que, nos últimos dez anos, multiplicou um estilo próprio e bem-sucedido de produzir festas e shows. Da Casa da Matriz original, eles hoje habitam o Teatro Odisséia, Casarão Cultural dos Arcos, Cine Íris (onde a festa Loud! acontece regularmente), Drinkeria Maldita e o recém-inaugurado Bar da Ladeira (na Lapa). A estréia do dia é a Cinematèque, daqui a duas semanas a Chopperia Brazooka abre as portas, exatamente ao lado do Odisséia, e em maio (parece) é a vez do Garage, clássico palco do rock alternativo do Rio, reabrir as portas na Rua Ceará.
O palco da Cinematèque vai ser giratório: nele, o público verá gente do samba, do choro, do rock e da música alternativa impossível de rotular. Abaixo, a programação da primeira semana da casa, que fica na Rua Voluntários da Pátria 53.
- Hoje começa o projeto MMC, com Carlos Malta, Marcos Suzano e DJ Mam, voltado para o encontro de músicos de diferentes formações. - Amanhã, a jovem cantora Anna Luísa interpreta temas da já não tão nova geração MPC, de Pedro Luís, Rodrigo Maranhão e Seu Jorge. - Dia 3 começa o projeto 'Terça Desplugada', com shows acústicos de artistas da cena roqueira: o primeiro a se apresentar será o gaúcho Wander Wildner. PELVs e Canastra são os próximos da fila - Às quartas-feiras, temporada de jazz com Henrique Band e Os Emblemáticos. - Às quintas, jam sessions com o Fino Coletivo, formado por músicos do Rio e de Alagoas (como Wado). - Às sextas-feiras, o produtor Lefê Rodrigues escalou Áurea Martins e seu Choro na Feira: este vai ser o dia do samba. - No próximo sábado, Jards Macalé é quem estará por lá, para matar as saudades de 'Gotham City'.


Amy Winehouse estava bêbada quando caiu de cara no chão, no início do mês, antes de uma apresentação na Inglaterra. A cantora, que sobe feito um foguete nas paradas americanas com seu arrebatador segundo CD, ‘Back To Black’, é uma das grandes novidades da temporada, com sua voz temperada a jazz, dor de corno, soul e álcool.
Sim, the lady sings the blues e quebrou os dois dentes da frente num pub, enquanto no Shepherds Blues Empire, em Londres, uma platéia ansiosa aguardava pela apresentação que não veio. Parece que Elton John estava lá e não viu nada.
Melhor para a lenda crescente da moça, inglesa, tatuada, linda e com um leve toque de anorexia na fina estampa. Mas seus porres são de verdade – não é por acaso que a música de abertura do disco chama-se ‘Rehab’, e ela canta, num gospel bêbado e incrivelmente suingado: “Eles tentaram me mandar para a reabilitação, mas eu disse não, não, não”. Clique e veja o clipe de ‘You Know I’m No Good’.
Amy “bebeu” da frondosa árvore genealógica do blues, recheada de filhos bastardos. Com ela, o negócio é deixar o cinismo de lado e seguir sua voz e suas histórias de dependência, solidão, encontros e desencontros, perdas e danos – essas coisas que acontecem (ou podem acontecer) com todo mundo. Ela compõe e canta com entrega absolutas. Carrega as dores do blues, cai no chão, quebra os dentes, levanta e sai em turnê pelos Estados Unidos, onde ‘Back To Black’ já está entre os 10 mais vendidos. Bem que ela podia vir tomar um porre por aqui.

O amigo Zean Bravo, colega de blog do ‘Cinelândia’, entrevistou o Dinho Ouro Preto por conta do lançamento de ‘Eu Nunca Disse Adeus’, 13º disco da carreira do Capital Inicial. A ele, o cantor de 42 anos disse sentir-se meio como o Aerosmith, grupo do bocudo Steven Tyler, que garante ter cheirado o equivalente a um (seriam dois?) Boeings entre os anos 70 e 80. “Guardadas as proporções, somos como o Aerosmith, que se deu mal nos anos 80, mas se recuperou e está aí”, disse ele. A matéria foi publicada hoje em O DIA D.
O “fracasso” do projeto Aborto Elétrico – que revisitou as origens punk do grupo brasiliense – deve ter assustado o Capital. Descer ao inferno não é fácil, e o grupo esteve lá durante um bom tempo nos anos 90. Abuso de drogas, ostracismo e frustração marcaram este período, do qual começaram a sair com ‘Atrás dos Olhos’ (1998) e o ‘Acústico MTV’ (2000). De lá para cá, eles têm feito basicamente a mesma coisa: baladas pop, roquinhos leves, mensagens adolescentes. Com exceção do disco do Aborto, têm sido muito bem sucedidos (assista aqui ao clipe de ‘Eu Nunca Disse Adeus’).
 O Capital Inicial quer soar como um irmão ou amigo mais velho que dá toques para a molecada (como um Renato Russo menos inspirado). Mas há também muito de revisão da trajetória do grupo (antes pesada, hoje de passos leves) nas letras de Alvin L (que também já foram mais inspiradas). “O cara parecia ter ficado cego/ Apaixonado pelo próprio ego”, canta Dinho (sem trocadilho) em ‘O Imperador’. Ele, os irmãos Fê (bateria) e Flávio Lemos (baixo) e o guitarrista Yves Passarel (o único que não é da formação inicial) gostam do sucesso e do calor do público, por que haveriam de largar o osso?
“Esse aqui é o meu lugar/ Desci até o inferno/ E consegui voltar”, comemoram em ‘Altos e Baixos’. E estão prontos para outra(s). “Parece que acabei de chegar/ Tenho 18 e não sei por onde começar”. Não soa exatamente juvenil nem é muito alvissareiro. Mas é um disco claramente confessional.
Falei da Graforréia ali embaixo e nem apresentei os caras. Para quem não conhece e quiser saber, é um brilhante trio gaúcho de rock que atravessou as décadas de 80 e 90 arrebanhando fãs fidelíssimos Brasil afora, embora eles quase nunca se aventurassem fora do Rio Grande do Sul.
 O grupo, de Frank Jorge (baixo, voz), Carlo Pianta (guitarra, voz) e Alexandre Birck (bateria), faz um megapop às avessas, com influências de Jovem Guarda, Beatles, Beach Boys, dodecafonia, música aleatória, ritmos tradicionais gaúchos, HQs, novelas, desenhos animados, tudo de uma vez só, tudo muito bom.
Eles haviam se aposentado, mas voltaram aos poucos, graças ao clamor popular do povo que os conhece e estão cheios de gás. Em entrevista ao jornal gaúcho Diário de Santa Maria, Frank Jorge contou que o grupo pretende lançar mais um CD (“já estamos beliscando algo”), notícia incrível, mas não mais espetacular que a outra novidade: um curso superior de rock’n’roll.
Frank coordena a cadeira Formação Específica de Produtores e Músicos de Rock da Unisinos de Porto Alegre, e Birck é o professor de Laboratório de Rock 1. É a faculdade dos sonhos, mas ele jura que o negócio é sério, na entrevista que deu a Francisco Dalcol (leia aqui a íntegra). “Não é só tocar rock em sala de aula. Aborda a história do rock, linguagem musical, softwares de áudio, direitos autorais, negociação com gravadoras... O estudante poderá atuar como compositor, arranjador, instrumentista, produtor fonográfico, engenheiro de som...” Na boa, ia ter muita banda que toca na MTV levando bomba nesse curso.
A história parece mesmo a da comédia ‘Escola de Rock’, com o Jack Black. E não é só isso que parece não: o Frank Jorge e o Jack Black são a mesma pessoa!
 
saca a semelhança
Para quem quiser conhecer a história peculiar dos guris xilarmônicos, o documentário ‘Erga-te, Graforréia Xilarmônica’, de Felipe Ferreira, está disponível no YouTube, em sete capítulos.
O Daniel uma vez me disse que todo mundo tem uma rádio na cabeça. Digo, dentro da cabeça, com uma programação 100% independente, que inclui tudo o que você ouve na rua, na TV, no CD player, e sobre a qual ninguém tem nenhum controle. Se você se concentrar um pouco, provavelmente notará que, agora mesmo, há uma música qualquer tocando dentro da sua cachola. Não é necessariamente algo de seu agrado. Às vezes não tem nada a ver com o seu gosto pessoal. A música simplesmente está lá, tocando o tempo todo, fora de controle. Pode ser uma do Léo Jaime, o jingle do Assolan, a nova do Kaiser Chiefs.
Hoje eu passei o dia inteiro cantarolando uma velha canção da Graforréia Xilarmônica, “Eu gostaria de matar os dois/ Mas como não posso vou matar ele depois...”. E lembro muito bem que, na semana da morte dos Mamonas, ‘Mina, seus cabelo é da hora/ seu corpão violãão...’ era a campeã no paradão dos meus neurônios.
E dentro do teu cérebro, o que é que tá rolando hoje? É pagode, rock, axé, samba, funk, samba-funk? Emo??! Diz aí. A brincadeira é tentar criar a primeira parada de sucessos cerebral do mundo – um novo conceito popular para música-cabeça. Será que tem jabá dentro do coco?
Comecei a ler um livrinho infanto-juvenil chamado ‘Feed – Conexão Total’ (ed. Rocco, 256 páginas). O título não é muito estimulante, mas a história parece ser bacana. É uma ficção que projeta para o futuro destes nossos dias cada vez mais conectados. Chats mentais, google no cerebelo, e-bay nos pensamentos, youtube na retina: conheço muita gente que sonha com isso. Por enquanto, a história tem me parecido um tanto juvenil, irônica e ágil. Quem escreveu foi M.T.Anderson, um cara que deve ter lido muito H.G.Wells e Aldous Huxley quando era novo. Num universo paralelo ou num futuro qualquer, ninguém vive sem um feed, um software implantado no cérebro. O feed informa sobre promoções em shoppings e dá dicas de diversão na Lua para jovens que se cumprimentam com um “e aí, unidade?” e têm estranhas lesões corporais, das quais se orgulham muito, aliás. Hmmm, deve haver um “grande irmão” por trás disso tudo...
Hip hop é música de afirmação. Daí o nível altíssimo de tiração de onda de quem faz, ouve, dança e se identifica com o pancadão, o groove, o recado dado na lata – imbecil, genial ou medíocre, mas sempre na lata. O hip hop é afirmativo de uma cultura própria e um tanto intransigente ao propagar suas verdades. Para afirmá-las, cantar nunca foi suficiente; os negros dos Estados Unidos, pais da criança, queriam enfatizar a mensagem. ‘Samplearam’ o estilo dos locutores de rádio, mandaram suas rimas em cima de beats de funk e mudaram a música pop.
Quase dez anos antes, em 1970, o escritor e músico Gil Scott-Heron afirmava que ‘A Revolução Não Será Televisionada’ num disco de poemas declamados sobre bases de jazz e funk. Era um proto-rapper em ação, cheio de ativismo político e orgulho racial. Criticava o consumismo, a mídia dominada por brancos, as grandes corporações.
Aos 21 anos, ele também enredou uma trama policial/social de cair o queixo em seu romance de estréia, ‘Abutre’. O Bronx estava nas páginas de um livro, escrito por um jovem negro sobre a vida dos jovens negros da periferia de Nova Iorque.
DO LIXO AO LUXO Saiu no Brasil, há pouco mais de um mês, ‘Do Lixo ao Luxo’ (Ediouro), a autobiografia que o rapper 50 Cent escreveu para “explicar”. De alguma forma, apesar do alto coeficiente de marra do sujeito, em seu livro ele pretende que todos (os consumidores) entendam suas atitudes, que o vejam (ouçam) e digam “é assim que eles pensam lá na periferia”.
Em 2000, 50 Cent levou nove tiros, e os tiros o levaram ao estrelato. Antes disso, ele conta que contava pilhas de dinheiro ganho com a venda de crack. Desde criança, ganhar dinheiro sempre foi a meta, o objetivo único e primordial de sua vida, o fim, o princípio e o meio. Foi para enriquecer que 50 Cent traficou, foi para ganhar dinheiro que ele compôs seus raps. O slogan “Fique rico ou morra tentando” o tornou milionário, é verdade, mas o pobre 50 Cent ainda sente que deve explicações à platéia. “Se Confúcio diz, é sabedoria, mas se quem diz é o 50 Cent, aí é negativismo”, reclama, logo na primeira página do livro. É ou não é muita marra?
VENDO TUDO
 50 Cent vendeu 20 milhões de discos, lembrando a toda hora que sobrevivera a nove tiros. Depois, começou a vender roupas, games, tênis, relógios, água tônica – e livros. Estrelou um filme que conta a história de um rapper que leva uma penca de tiros, sobrevive e fica rico. Em ‘Do Lixo Ao Luxo’, o rapper romanceia a própria infância infeliz e glamuriza o modo como “as ruas” forjaram sua conduta na adolescência. Fala da mãe traficante que quase nunca o via e morreu cedo (assassinada), da escola que nunca o atraiu (ao contrário), dos exemplos que vinham de casa (a começar pelos tios viciados), da iniciação no tráfico (vendendo para os parentes), de seu machismo militante (lamentável) e das etapas que puxou em reformatórios (e fortaleceram o ‘bandidão’ que há nele). Sempre num nível de marra que similares nacionais nunca alcançaram (embora vários tentem de verdade).
No fim das contas, o músico 50 Cent escreveu uma biografia que pouco fala de música. Talvez sua fama de mau estivesse perdendo força quando decidiu escrever o livro. Mas ele sempre terá carrões para dirigir, mulheres para maltratar, roupas de marca para exibir, histórias tristes para contar – e assim, agressivo e inofensivo, vai continuar bombando nos auto-falantes dos playboys. Mas o melhor manual de tiração de onda que existe (porque tira onda de quem gosta de tirar onda) é o do Rabu Gonzales, o sujeito aí de cima. Se liga nele. “Vou entrar para o mundo do rap e ganhar dinheiro/ Não vou ser o primeiro/ Vou me dar bem...”

Dizem que, se conseguir vender os direitos das 200 canções dos Beatles que, para desgosto de Paul McCartney, estavam em seu poder desde 1985, o valor da dívida de Michael Jackson cairá substancialmente: será então de apenas US$ 600 milhões. Enquanto a Sony não fecha a negociação, as minhocas na cabeça de Michael vão tramando outras maneiras de voltar no tempo e aos dias de glória: há boatos (no caso dele, sempre são boatos) de que ele sairá em turnê com o Jackson 5 e de que estuda propostas para se apresentar em Las Vegas, como um Elvis que sabe fazer o moonwalk.
Michael ainda corre para entregar este ano seu novo CD, que tem sido construído cuidadosamente por will.i.am, do Black Eyed Peas, e a ajuda de caras como Pras, do Fugees. Clique e ouça ‘No Friend Of Mine’, a nova música de Jackson, ou quase: na verdade, é um dueto entre Pras e ele. O rosto e o resto mudaram, mas a voz do maluco continua a mesma.
Na época do ‘Thriller’, Michael fez algo parecido com McCartney. O dueto com o ex-beatle em ‘The Girl Is Mine’ ajudou-o a vender milhões de discos, que por sua vez lhe deram dinheiro suficiente para tomar de Paul suas próprias canções. As voltas que o mundo dá, né?
Chamava-se R. Era um CD como outro qualquer. Regravável, muito solícito, sempre à espera de servir a quem fosse, sem manifestar opinião ou preferência musical. O negócio dele era sentir o leitor ótico percorrendo seus 'sulcos digitais' com delicadeza, para que ele pudesse reproduzir, 'One More Time', ou sempre que pedissem, as músicas que trazia dentro de si. Acontece que o pobre CD R caiu nas mãos de uma loura má, que não estava nem aí para a sensibilidade do pobre e decadente disco compacto. Ele ficou tenso e travou, ontem pela manhã, no sinal que fica na esquina da Maria Angélica com a Jardim Botânico. A loura não perdoou: zuniu o pobre de seu Mercedes Classe A e ficou xingando, dentro do carro, enquanto o sinal não abria.

Enquanto isso, lá vinha o Landim descendo a ladeira da Maria Angélica, em direção à Rua Jardim Botânico. E na direção do meu vizinho de blog veio o objeto voador não-identificado, planando perfeitamente até pousar, todo estropiado, a seus pés. Então ele viu a loura furiosa no sinal e entendeu tudo. Recolheu o combalido R da calçada e o trouxe para a redação, ansioso para ouvir o que a moça não conseguira dentro do Mercedes. Colocou o bichinho pra rodar, e, contra todas as probabilidades, ele rodou! Nada como ser tratado com carinho. Havia sete músicas no CD: Fat Boy Slim, Daft Punk ('One More Time'), umas faixas de trance e a onipresente 'Eu Sei', do Papas da Língua, para encerrar a seleção. Landim, então, fez o que a loura do Mercedes não fez: mandou delicadamente o pobre R para a lata de lixo.
 
Está marcado para o dia 07/07/07 o lançamento do primeiro álbum do Smashing Pumpkins, após sete (07) anos de separação. O nome do disco é ‘Zeitgeist’ (que não é “sete” em alemão) e está sendo fabricado por metade da abóbora: o compositor, vocalista, guitarrista e dono da banda Billy Corgan e o baterista Jimmy Chamberlin. Eles ainda nem saíram em turnê e já tem gente lamentando a ausência da baixista D’Arcy e do guitar-samurai James Iha.

No blog do grupo no myspace, o perfeccionista Corgan não conta quem são os novos integrantes da banda (se é que eles existem). Diz apenas que “virou a página”, após anos de “lamentos sobre oportunidades perdidas e corações quebrados”. Em maio, o Smashing Pumpkins inicia uma peregrinação pelos festivais do Hemisfério Norte.
Enquanto a grande abóbora hibernava, Corgan formou o Zwan em 2001, com Matt Sweeney (guitarra, com Chavez, Guided By Voices e Cat Power no currículo) e a argentina Paz Lenchantin (A Perfect Circle, grande hermana), entre outros craques, no time. Chamberlin estava lá também. Voto neles pra nova formação.
Da atual epidemia de bandas extintas que levantaram da tumba (The Police, Jesus And Mary Chain, Happy Mondays, Smashing Pumpkins...) a "volta" mais incrível é a do, desculpe qualquer coisa, Milli Vanilli. Volta entre aspas por duas razões: 1) eles não voltaram de fato, mas vão virar filme; 2) eles nunca "foram" de fato, mas estão no top 5 de qualquer lista do tipo "as grandes farsas da história da música". A Universal Pictures quer produzir um filme sobre a dupla Fab Morvan e Rob Pilatus, que no fim dos anos 80 vendeu 11 milhões de discos. Suas canções, adoradas pela multidão, eram interpretadas, na maciota, num puríssimo playback. Eles são caso único, na História, de vencedores do Grammy obrigados a devolver o prêmio que receberam. O vexame aconteceu em 1990, oito anos antes de Pilatus morrer de overdose.

O caso é que há 17 anos o Milli Vanilli sofre o escárnio universal. Mas como picaretagem é vocação, o próprio Morvan, prestará consultoria à produção do longa. Não será de espantar um sucesso de bilheteria. A farsa se repete como história de cinema. E agora Girl You Know It's True vai bombar nas telas.
STRUMMER! O Milli Vanilli vai enfrentar concorrência nessa onda “recordar é viver”. Uma penca de músicos também terá a vida transformada em filme nas próximas temporadas. Fiquei ansioso para ver logo ‘Joe Strummer: The Future Is Unwritten’. É um documentário sobre o líder do The Clash, morto em 2002 para infelicidade geral dos fãs da música-arte, aquela que mata no peito, engana o goleiro e estufa a rede. Estréia em maio – na Inglaterra...
 
- A loura Debby Harry escolheu a dedo a loura Kirsten Dunst para interpretá-la, jovem e loura, na Nova Iorque dos anos 70, no filme que contará a história do Blondie. - Spike Lee vai filmar a vida de James Brown (será que o enterro vai pro roteiro?). - Don Cheadle, cheio de moral, vai interpretar o indecifrável gênio do trompete Miles Davis. - O comediante Mike Myers (‘Austin Powers’) será Keith Moon, o baterista do The Who que não parava nunca, até receber uma trava definitiva em 1978. - A tragédia de Marvin Gaye, o soulman assassinado pelo pai em 1984, também deve virar filme. - Mais tragédia: o suicida Ian Curtis será retratado em preto-e-branco. Dá para imaginar o climão do longa, soturno como o Joy Division. - A overdosada Janis Joplin e o siderado Brian Wilson devem ganhar biografias bem lisérgicas. Uma com final triste, outra com final feliz. Smile. - Em compensação, Yoko Ono continua vetando a exibição de ‘Three Days In The Life’, registro de três dias na vida de John Lennon em 1970, dois meses antes da separação dos Beatles...
QUEM VAI? Outros artistas da farofa que dariam (ou não) bons filmes, mas seriam lançados apenas em DVD: MC Hammer, Rick Astley, Falco, New Kids On The Block. Já pensou uma minissérie em quatro capítulos sobre o Roxette? Ou um reality show sobre a nova volta do Vanilla Ice? Por aqui, o RPM daria um bom filme sobre a velha história de ascensão meteórica e queda estrelar. Zezé Di Camargo e Luciano e Cazuza já mostraram que o povo curte ver seus músicos favoritos no cinema. Se a porteira abrir, quem é que merece entrar?
É em São Paulo, mas é legal. No dia 16 de maio, o Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado (MAB-FAAP) inaugura a exposição 'Rockers', com 270 fotografias feitas por Bob Gruen nos últimos 40 anos. Gruen, que se apresenta como "fotógrafo de rock'n'roll", passou a vida registrando imagens de palco e bastidores de artistas como John Lennon, David Bowie, Led Zeppelin, The Who, Rolling Stones, Tina Turner, Elton John, Kiss, Ramones... A curadoria ficou a cargo do roqueiro Supla, que conheceu Gruen quando morou em Nova Iorque, nos anos 90. Abaixo, cliques de Gruen para Elvis Costello (em 1977, isso é ser punk), Ramones (na porta do extinto CBGB, em 1975), Bob Dylan (eletrificado em Newport, 1965) e Beastie Boys (molequinhos, em 1987).   
Esse negócio de inventar nome pra blog não é fácil, não. Este aqui mesmo, antes de se chamar (((reverb))), teve uma série deles, todos ridículos, evidentemente. 'Everybody macacada!', por exemplo. Ficaria ótimo num blog sobre homens e símios, com posts e mais posts inspirados pelo King Kong, comentários sobre o Jota Quest e listas dos grandes micos da semana – assunto não ia faltar.
O negócio é que este blog é pra ser sobre "música e outras coisas que fazem barulho". Aí pensei que canções do Roberto Carlos poderiam servir para batizá-lo. Tentei 'Além do Horizonte', mas aqui não é página de turismo. 'Detalhes' também não serviu: não é o caso expor a vida das celebridades, por mais que elas gostem. 'Como É Grande O Meu Amor Por Você': grande demais...
Desisti do Roberto e comecei a caçar nomes aleatoriamente: 'Hippie-Punk-Rajneesh', 'O Bonito Agora É Isso', 'Só Se Fala Em Outra Coisa', 'Mas Hein?'. Uma tristeza.
E então, outro dia, com Hendrix nos ouvidos, (((reverb))) reverberou. É aquele efeitinho que ajuda a guitarra a falar bonito. E aqui vamos falar de guitarras, rock'n'geral e tudo o que habita os universos paralelos da cultura pop, e até alguns além dela. A gente se fala.
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