Devotada aos Beatles, aos Rolling Stones e a tudo o que evoque a atmosfera roqueira dos anos 60/70, a banda Cachorro Grande uiva bonito em 'Você Me Faz Continuar', primeira faixa do quarto disco do grupo, 'Todos Os Tempos'. Os gaúchos, que formaram o Cachorrão em 1999 e aos poucos vêm escalando degrauzinhos de popularidade, bem que mereciam ficar mais conhecidos do grande público. Compoem bem, tocam cada vez melhor, têm uma das melhores performances de palco do Brasil e uma penca de rocks tri-furiosos.
O CD chegará às lojas no dia 05 de junho, mas hoje já é possível fazer o download das 12 músicas do disco no portal MSN Music. Ou ouvir 'Você Me Faz Continuar', de graça, neste site: www.todosostempos.com.br (a música carrega logo na página de abertura). Nele, a banda posta vídeos, fotos e textos sobre o processo de produção do CD, gravado quase inteiramente ao vivo no estúdio Tambor, aqui no Rio. "Gravamos como os gringos faziam nos anos 60 e 70", confirma o produtor Rafael Ramos. Para quem não liga o nome aos uniformezinhos retrô, 'Sexperienced'.
Agora o rei conseguiu: manchou de uma vez por todas a própria biografia. Uma audiência de conciliação, realizada ontem no Fórum Criminal da Barra Funda (São Paulo) determinou que: - a editora Planeta não continuará a publicar a obra ‘Roberto Carlos em Detalhes’, de Paulo César de Araújo. Em fevereiro, o juiz Maurício Chaves de Souza Lima, da 20ª Vara Cível do Rio, havia vetado a publicação, distribuição e comercialização da obra, para preservar “os direitos da personalidade e a verdadeira liberdade de expressão”. Em dezembro, Roberto Carlos afirmara que entraria com um processo contra Paulo César – mesmo sem, como ele próprio admitiu, ter lido todo o livro.
- a editora Planeta deve recolher os exemplares ainda à venda em livrarias. E a entregar todo o estoque a Roberto Carlos.
Em entrevista à Folha Online, o advogado de Roberto Carlos, Norberto Flach, comemorou: “O mais importante era fazer cessar essa ofensa à intimidade e à vida privada dele, representada pelo fato de o livro estar em circulação”.
Em troca, Roberto Carlos desistiu de pedir indenizações à editora e ao autor do livro. Paulo César de Oliveira, em manobra desesperada para tentar salvar sua obra, ainda propôs fazer uma nova edição, retirando os trechos que desagradaram ao cantor – especialmente os que falam do acidente que lhe custou a perna na infância, seus casos amorosos e a doença da mulher Maria Rita. Dispôs-se, inclusive, a abrir mão dos direitos autorais.
Roberto Carlos já disse que pretende ele próprio escrever sua biografia. Será que ele vai incluir nela este espisódio de censura intransigente a uma obra que, na verdade, é um relato amoroso, quase reverente, de sua vida? Por outro lado, Paulo César nunca conseguiu uma entrevista exclusiva com Roberto para o livro. Será que, olhando por este lado, o escritor tentou ser mais realista que o rei?
O negócio é que o estrago está feito. E é a coisa mais constrangedora que o Rei já cometeu desde ‘Mulher de 40’.
Ainda há salvação para o hip hop? Os Beastie Boys anunciaram que vão mudar de rota rumo ao rock, com mais sons “orgânicos” do que samplers, em seu novo CD. “Nós tocamos em todas as faixas, e há mais rock no disco. Se você nos conhece vai sacar as influências e não ficará completamente surpreso. Mas quem nos ouve ocasionalmente vai pensar: ‘Que diabos estes caras estão fazendo?’”, avisou Mike D. ao New Musical Express. O novo álbum vai se chamar ‘The Mix Up’ e junho é o mês agendado para o lançamento.
Esta semana, o líder do Radiohead, Thom Yorke, também deu pistas sobre o novo disco da banda, ainda sem nome. No blog do grupo, Yorke cometeu uma pequena maldade com os fãs, em crise de abstinência desde 2003, quando saiu ‘Hail To The Thief’. “Tenho um CD com o que já gravamos... E vocês não. Ainda”, tripudiou, antes de avisar que a banda tiraria umas folgas para ouvir com calma o material já gravado. “Isso sempre me deixa nervoso”, confessou. E foi tudo o que disse sobre o novo disco, ainda sem data para ser lançado. De novo, por enquanto, apenas o EP ‘Com Lag (2 + 2 = 5)’, lançado originalmente apenas no Japão e Austrália, em 2004, e agora reeditado.
Artistas engajados na causa ecológica sempre existiram. Com toda essa história de aquecimento global, mudanças climáticas e fim do mundo (há quem defenda a tese de que a Terra é um organismo vivo e os seres humanos, seus parasitas, que em breve vão ser devidamente expurgados), a lista só faz crescer atualmente. Dela fazem parte Beastie Boys, U2, Jack Johnson, Alanis Morissette, Red Hot Chili Peppers, Dave Matthews Band... Mas veio da cantora Sheryl Crow a idéia mais, podemos dizer, econômica dos últimos tempos. Em entrevista à revista In Touch, ela pediu ao mundo que usasse menos papel higiênico. Quanto menos papel gasto a cada ida ao banheiro, menos árvores dizimadas por aí. Ainda bem que a moça não é exatamente radical. "Minha proposta é limitar a quantidade de papel higiênico usada durante as idas ao banheiro. Com exceção, obviamente, das situações que exigirem pedaços maiores", anunciou Sheryl. Resta saber como fazer o controle público de algo tão privado.
É assim que a despachada Amy Winehouse recebe a correspondência em casa -- isso deve aumentar a procura por vagas no serviço postal de Londres. O flagra indiscreto é do site inglês Egostatic!, que ainda tratou de sacanear o cabelo da moça: "Será que ela está pronta para sair ou vai filmar uma cena de ficção científica?".
Se o Los Hermanos vai sobreviver ao próprio recesso parlamentar, só os próprios podem dizer. O negócio é que eles não gostam de falar, por temer ser incompreendidos, sacaneados etc. A nota que eles redigiram em seu site é um tanto vaga, os fãs viram fumaça ali e alerdearam um incêndio que talvez não exista mesmo. Mas não vão ser os Hermanos a apagar estes sinais.
Hoje à tarde, atrás de mais informações sobre "o tempo" que o quarteto deu, disquei um número que constava na agenda como sendo do baterista Rodrigo Barba. - Alô! - É o Rodrigo? - Ahn... Quem quer falar? - É o Ricardo Calazans, do jornal O DIA. - Ah... é que... ele... não está aqui agora. - E eu posso ligar mais tarde? - É... sobre o que seria exatamente? - É sobre o recesso que os Hermanos anunciaram hoje no site. - Ah... ele não vai querer falar sobre isso, não... - Ah, beleza. Um abraço (risos). - Valeu (mais risos).
Há alguns meses, o casal sueco Michael e Karolina Tomaro, fãs de heavy metal, entraram com uma ação contra as autoridades de seu país. Brigavam pelo direito de batizar a filha de sete meses com o nome fofinho que escolheram para ela: Metallica.
Foi uma decisão tomada cuidadosamente pelos Tomaro, a Baby e o Pepeu que vieram do frio. Eles consultaram arquivos de registros e um cartório para saber se haveria problemas em registrar a menina com o nome da banda de metal. (Deram sorte de não serem processados pelo Lars Ulrich – por enquanto.)
Ouviram que não, não haveria problemas – desde que Metallica não fosse o primeiro ou segundo nomes da bebê. A lei sueca costuma vetar nomes que possam ser considerados ofensivos ou impróprios, e o cartório se recusou a registrar a criança. O caso, claro, foi parar no tribunal.
Os membros do júri da corte distrital ficaram divididos. Os que eram contrários lembravam: “Já há uma banda de rock com este nome”. Além, é claro, de evitar prováveis futuros gastos com psicólogos.
Mas como havia um consenso entre os pais (eles não entendiam como alguém pode achar que nome como METALLICA trará problemas à menina), o tribunal decidiu, por fim, atendê-los. Ontem, a justiça escandinava bateu o martelo: a partir de agora, Metallica Tomaro poderá ser oficialmente sacaneada pelo resto da vida, com o aval da lei sueca.
E a mãe da menina, que já deve ter batido muito com a cabeça (fã do Metallica, logo, headbanger), ainda ameaçou deixar a Suécia, este país tão careta. “Um monte de gente me disse que devíamos mudar para os países onde eles vivem, pois lá nossa filha não teria problemas em se chamar Metallica”.
Será que algum brasileiro convidou-a a se mudar para cá? E já pensou se ela aceita? E já pensou a Metallica Tomaro na hora da chamada? Brincando na pracinha? Condenada a passar a vida inteira na Maldita? A tomar cerveja no Risoto? Ainda bem que, depois dos 18 anos, ela poderia se rebelar. E mudar o nome para Sara Shiva.
Os irmãos escoceses Jim e William Reed, que acabam de reativar o Jesus And Mary Chain e voltam à ativa daqui a quatro dias, no festival de rock Coachella (EUA), deram cria. Sister Vanilla é a banda que os dois formaram com a irmã caçula, Linda, e acaba de lançar um disco, ‘Little Pop Rock’.
Historinha caseira: ela cantou em ‘Munki’, último disco lançado pelos ‘chains’ antes da separação, em 1999, eles agora retribuíram a visita e gravaram com ela seu primeiro CD, confeccionado com o auxílio do fiel escudeiro dos Reid, o guitarrista Ben Lurie, e outros bons camaradas. A força dos irmãos mais velhos termina aí: ao vivo, Linda terá companhia de outra banda. Abaixo, o primeiro vídeo/single do álbum, ‘Can’t Stop The Rock’. É igualzinho a Jesus And Mary Chain. Não espanta, mas também não decepciona. Se bem que o resenhista Nick Southal, que escreveu sobre o disco para o jornal inglês The Guardian, aproveitou para fazer piada: “Parece estranho que dois homens crescidos se escondam atrás da irmã, mas é o que Jim e William Reid fazem em ‘Little Pop Rock’...”
Tem gente que afirma e jura pelos Beatles que o Damon Albarn não passa de um picareta. Um malandro com faro musical privilegiado e um poder implacável de arrebanhar comparsas de crime que, como ele, são mestres nas trucagens do pop.
E tem gente que afirma e jura pelo The Clash que o Damon Albarn é um gênio. Um malandro com faro musical privilegiado e um poder implacável de arrebanhar comparsas de crime que, como ele, são mestres nas trucagens do pop.
Bom, o cara esteve na linha de frente do britpop, nos anos 90, com o Blur, a banda que, dizia o Edmundo, criou ‘Song 2’, a última canção perfeita que surgiu neste planeta. Está à frente (ou por trás) do Gorillaz, uma banda desenhada que vendeu milhões de cópias e reunia Tina Weymouth e Chris Frantz (Talking Heads, Tom Tom Club), Miho Hatari (Cibo Matto), Shaun Ryder (Happy Mondays), Neneh Cherry, De La Soul...
E está à frente de um dos grandes discos lançados este ano, ‘The Good, The Bad And The Queen’. Com ele, estão o baixista Paul Simonon, o mesmo que espatifava seu instrumento na capa do legendário ‘London Calling’, o disco do Clash de 1979; Tony Allen, baterista de Fela Kuti, ícone do pop africano dos anos 70 e 80; e o guitarrista Simon Tong, ex-Verve, uma das dezenas de bandas surgidas dos fragmentos do britpop.
É um disco sobre uma cidade, Londres. Mas como Londres é (ou já era?) a terra do multiculturalismo, é um disco que pode ser apreciado por gente de tudo que é canto. As pessoas, e seus problemas, são basicamente os mesmos em todos os lugares. “Oh, está certo, tudo alegre, correndo morro acima/ Numa pequena ilha de gente misturada”, diz a letra de ‘Three Changes’. “Eu não quero viver uma guerra/ Que não tem fim”, canta Albarn em ‘Eighties Life’. “Outra onda quebrou sobre você / E te colocou num turno/ Numa praça gelada que você conhece bem”, ouve-se em ‘The Northern Whale’. “O chamado para a oração/ É comum por aqui/ De manhã, lavamos o rosto e vamos trabalhar”, reza a linda ‘Herculean’. Isto é o mundo inteiro.
É um disco melancólico, às vezes soturno, mas também repleto de esperança. “Tudo melhora quando a vida é correta”, diz a mesma ‘Herculean’. E não se pode enquadrar muito o disco que Albarn, Simonon, Allen e Tong criaram, com a ajuda na produção de Danger Mouse (do Gnarls Barkley). The Good, The Bad And The Queen não soa como revival de nada. Que bom. É pura música da safra 2007.
Uma das melhores bandas do mundo está com os dias contados. O Gorillaz, o quarteto virtual que saiu da cachola do Damon Albarn, tem apenas mais um trabalho pela frente: a trilha sonora para um filme a ser dirigido por Terry Gillian, ex-Monty Phyton, cineasta de ‘Brazil’, ‘Medo e Delírio em Las Vegas’ e ‘Os 12 Macacos’. Ou seja, um sujeito tão perturbado e delirante quanto Albarn. Será o adeus de 2D, Murdoc, Noodle e Russell – pelo menos até segunda ordem. Ano passado, Albarn já havia dito que ‘Demon Days’ seria o último trabalho com o Gorillaz, mas já deu para ver que ele não é um sujeito assim tão decidido. Mas se for mesmo o fim da banda virtual de sucesso mais concreto que já se (ou)viu, o negócio é celebrar.
Ó a capa do novo do Arctic Monkeys. O lançamento (mundial, maior onda) é segunda-feira. É um discão. E está inteiramente à disposição de quem quiser ouvir neste endereço aqui: http://www.myspace.com/arcticmonkeyss.
O cara anda pela Lapa, mas não vive de sambinha sectário não. Quer dizer, até tem samba no som que ele faz, mas não há um resumo fácil para a música de Edu Krieger. Quer dizer (de novo), até tem: é música bacana, instigante, que olha pra frente e, aos poucos, vai sendo reconhecida. Originalmente um baixista virtuoso (tinha um power trio jazzístico matador, o Caldo Grosso, com o guitarrista Carlos Pontual), Krieger foi caminhando de leve, mostrou suas músicas por aí, foi gravado por Pedro Luís e A Parede, Gal Costa, Maria Rita (apesar do que ela fez, 'Ciranda do Mundo' é uma música maneira). Ano passado, lançou um disco independente, e vendeu as 3 mil cópias que prensou. Sua banda combina sanfona, Los Hermanos, flauta, Nelson Cavaquinho, percussão, Chico Science & Nação Zumbi e a guitarra inteligente de seu irmão, o carequinha Fabiano Krieger, que também toca no Brasov. Amanhã e domingo, Edu Krieger se apresenta no Cinematèque Jam Club, às 22h (ingressos a R$ 30). A brincadeira é na Rua Voluntários da Pátria 53, em Botafogo. Vai lá.
Ainda na vibe "artistas brasileiros que os gringos ouvem":
A cantora Céu entrou no topo da parada da Billboard. Tudo bem, era a parada alternativa, mas e daí? Come poeira, Jarvis Cocker! O ex-líder do Pulp perde para ela na lista da categoria Heatseekers, sobre artistas com potencial para estourar nos Estados Unidos. O primeiro CD de Céu, lançado aqui no fim de 2005 (e que nem é lá essa Coca-Cola toda), está sendo distribuído nos Estados Unidos pelo selo musical da rede de cafés Starbucks.
O quarteto inglês Guillemots não tem mais onde guardar os elogios que seu CD de estréia, 'Through the Windowpane', tem recebido. O disco saiu no Brasil semana passada (pela Universal) e é uma beleza. Entre os músicos, há um escocês (Greig Stewart, bateria, percussão), um inglês (o pianista Fyfe Dangerfield, o gênio delirante do negócio e dono de voz que sabe emocionar), uma canadense (Aristizabal Hawkes, a baixista, obviamente) e o brasileiro MC Lord Magrão (guitarrista cheio de truques). 'Trains To Brazil' (clipe abaixo), dedicada a Jean Charles de Menezes, o brasileiro morto em Londres como se fosse um terrorista, é, apesar disso, uma festa completa, com metais e theremim, num álbum que vai do Pink Floyd ao Radiohead de peito aberto, sem nenhum medo de ser feliz, e com Smashing Pumpkins no recheio. Altamente recomendável.
O Bonde do Rolê está com vídeo novo no YouTube. ‘Office Boy’ (o vídeo está logo abaixo do texto) respeita a estética da molecada curitibana: tosqueira acima de tudo. Há um ano, na LOV.e., em São Paulo, o gordinho, a doidinha e o magrelo se matavam e se divertiam muito em cima do palco, mas pouca gente sacou os caras: nem a platéia de paulistanos convertidos ao pancadão dos morros cariocas, nem o DJ Marlboro, a única estrela (re)conhecida daquela noite.
Meses depois, no Tim Festival, aqui no Rio, Marina, Pedro e Rodrigo continuavam a exagerar nos palavrões e nas historinhas escabrosas de seus funks turbinados por riffs de guitarra. “Ah, o Edu K já fez igualzinho antes”, reclamou metade da platéia, e teve gente que se chocou com a “apropriação”, pelos branquelos do Sul, da legítima cultura carioca da periferia. Mas, de novo, pouca gente se ligou no Bonde.
Na Europa, onde o trio tem 20 shows marcados até o início de junho, com apenas uma brechinha para tocar no Skol Beats, em São Paulo, o Bonde do Rolê tem sido melhor compreendido. Eles cantam em português, então quase ninguém por lá liga para o que eles cantam mesmo, e o que eles cantam são só bobagens, ditas com a mesma sem-cerimônia e desacato de Deize Tigrona e Mr. Catra. Restam a música, irresistível, e a performance, contagiante. Aí a comunicação com o público é direta. Um fã americano decifrou direitinho o som dos caras: “porn groove”. Muito bom.
Rodrigo, Pedro e Marina estão dando um rolê bacana com o bonde. Ficaria melhor se fosse um rolé, mas tudo bem. Ainda vão se divertir muito, mas qualquer hora, é inevitável, eles voltam pra casa (será?). Se não ficarem choramingando reconhecimento, como cansa de fazer o carente Cansei de Ser Sexy, melhor ainda.
Após um fim de semana longe, aos poucos voltei à superfície – e por pouco não me pareceu ter emergido em uma outra dimensão. Liguei a TV domingo à noite e tinha música na MTV! E era o acústico do Lobão! E a surpresa: era bom! Direto, com ‘punch’ lupino, muitos uivos, caretas e um velho/novo repertório muito saudável. Aí ontem, ao longo do dia, ouvi outras notas interessantes:
O piano (!) que John Lennon usou na gravação de ‘Imagine’ “saiu em turnê” pelos Estados Unidos. O piano (!!) protesta contra a violência e peregrina por locais sinistros, como o teatro onde Abraham Lincoln foi assassinado. A causa é boa, e a idéia de George Michael (a idéia é dele) é reforçar a mensagem de solidariedade da música de Lennon... Mas será que o piano passaria uma semana na cama com a Yoko? Mesmo em nome da paz?
E a Alanis Morissette havia tirado uma onda com a cara da Fergie ao estrelar um vídeo que parodiava ‘My Humps’, do Black Eyed Peas, hoje um dos mais vistos no YouTube. A loura agora deu o troco: encomendou e enviou para Alanis um bolo especial, feito no formato de uma bunda (a da própria?). O presente vinha com a inscrição “Alanis, você é um gênio. Com amor, Fergie”. Não foi detectada ironia no recheio.
Acabo de ler boa notícia no site sobremusica: o irredutível e rechonchudo quarteto The Magic Numbers vem tocar no Rio em julho. Os casais de irmãos Romeo (composições, guitarra e vocais impecáveis) e Michelle Stodart (um dos melhores baixos surgidos nos últimos anos) e Angela (vááários instrumentos) e Sean Gannon (bateria, que mais?) tocam no Circo Voador no dia 25 de julho. Está confirmadíssimo na página do grupo -- no dia 26 seguinte eles devem fazer um show em São Paulo (no site, inventaram um Circo paulistano). O Magic Numbers é um dos grupos mais empolgantes da boa safra atual do rock, e uma dessas bandas que está sempre em busca do pop perfeito. Têm dois discos que provam isso repetidas vezes. Abaixo, para quem não conhece, o clipe de 'Forever Lost', do primeiro CD dos caras. Sejam muito bem-vindos.
Esta é a capa do novo CD do White Stripes, ‘Icky Thump’, o sexto da dupla Jack e Meg White, previsto para sair em junho na Europa, Estados Unidos e Japão. A linda foto p&b mostra os dois em climão country-psicodélico (desde já, voto em Drew Barrymore e Johnny Depp para interpretá-los no filme que o Gus Van Sant ainda nem sabe que vai dirigir sobre a estraaaanha relação dos dois). E já que hoje é Sexta-Feira 13, a figura ali ao fundo seria uma bruxa prestes a voar em sua vassoura?
Enquanto escrevo este post, ouço ‘Take Me To The River’, dos Talking Heads, diretamente do túnel do tempo. A gravação, com boa qualidade de áudio, foi feita no dia 31 de maio de 1977, no lendário clube nova-iorquino CBGB, e está disponível para quem quiser ouvi-la no site ‘Concert Vault’. A página reúne centenas de gravações, muitas raras, de shows clássicos do rock (e do blues e do jazz). De A a Y (falta um do ZZ Top pra fechar o alfabeto!), tem para todos os gostos. Pense em The Clash: está lá um show da banda em 1979, na fase pré-‘London Calling’; Neil Young? Ouça o cara numa apresentação ao lado de Bob Dylan, em 1975, em San Francisco. Tem um do Led Zeppelin de 1969, um Pink Flyod de 1970, um U2 de 1983, um Jimi Hendrix Experience de 1968, um Bob Marley de 1979. A lista é imensa e, além dos concertos, há textos que situam o ouvinte no tempo e espaço de cada um. Vai lá: http://concerts.wolfgangsvault.com/
A MTV, que de música pouco ou quase nada exibe atualmente, tentará se redimir com uma nova série, prevista para estrear ainda no dia 20 deste mês.‘Discoteca MTV’, informa a Folha de S.Paulo, vai escarafunchar os bastidores da produção de 12 discos históricos do rock brasileiro, nos moldes daqueles documentários que passam no VH1. Lobão é o primeiro da fila. Contará as histórias que envolveram a gravação do álbum ‘Ronaldo Foi Pra Guerra’, de 1984, do hit ‘Me Chama’. Estréia apropriada (pra ele), já que dia 15 vai ao ar o ‘Acústico’ que o velho lobo do Leblon fez para selar as pazes com o combalido mercado "oficial", pra quem ele andou rosnando com furor na última década. Ironia ou acomodação?
Bom, além do ‘Ronaldo’, estão na discoteca: - o disco de estréia dos Mutantes, de 1968. Arnaldo Baptista conta a história de quando ele, Rita Lee e Sérgio Baptista eram apenas garotos que amavam os Beatles, os Rolling Stones e o bolero de Ravel. - ‘As Aventuras da Blitz’, de 1982, marco zero do que a imprensa paulistana da época chamava (pejorativamente, como não?) de “rock de bermudas”. - ‘Tempos Modernos’, de 1982. Estréia solo de Lulu Santos como Lulu Santos – ele lançou um disco antes com o nome nada artístico de Luís Maurício (seu nome de batismo, aliás). E nada aconteceu. - O ‘Revoluções Por Minuto’ do RPM, de 1985. De uma época em que o Paulo Ricardo nem pensava em ir ao ‘Big Brother Brasil’. Porque o BBB ainda não havia sido inventado. - ‘Nós Vamos Invadir Sua Praia’, o incrível primeiro disco do Ultraje a Rigor. Pena que Roger Rocha Moreira gastou todas as suas boas idéias ali. - ‘Cabeça Dinossauro’, de 1986. Os Titãs ainda eram oito e Arnaldo Antunes ainda não fora apresentado à dupla Marisa Brown e Carlinhos Monte. - O ‘Dois’, do Legião Urbana, de 1986. Tinha a longa ‘Eduardo e Mônica’, um prenúncio do que viria a seguir: a interminável ‘Faroeste Caboclo’. - ‘Vivendo e Não Aprendendo’, de 1986, do Ira! ‘Flores em Você’ tocou até em novela. Isso foi antes do Nasi se transformar no Wolverine. - ‘Da Lama Ao Caos’, estréia apoteótica de Chico Science & Nação Zumbi, de 1994. Já eram a melhor banda do Brasil, mas não sabiam. Até hoje não sabem. Melhor assim. - ‘Usuário’, do Planet Hemp, de 1995. Marcelo D2 e B Negão até se falavam!
E se tudo o mais der errado, a MTV pode entrar na onda e fazer uma série sobre os álbuns geniais que (quase) ninguém ouviu falar – mas deveria! Eu voto em: - ‘Revolver’, do Walter Franco - ‘Corredor Polonês’, primeiro e único da Patife Band - ‘Coisa de Louco II’, da Graforréia Xilarmônica - O primeiro do De Falla - ‘Samba Esquema Noise’, do mundo livre s/a - O ‘Loki?’, do Arnaldo Baptista - ‘Fellini Só Vive Duas Vezes’, o segundo do Fellini - O ‘Supercarioca’, dos Picassos Falsos - ´Baladas Sangrentas’, do Wander Wildner - ‘O Futuro é Vortex’, dos Replicantes - O disco de estréia do Bonsucesso Samba Clube - O primeirão do ‘Acabou La Tequila’ - E, claro, a obra completa de Perebah e Jair
Entendi: Britney Spears não precisava de terapia, e sim... de um hit! Sean Garrett, o produtor que está à frente do próximo CD da ex-lourinha (loura careca ainda é loura?), acredita na força da música, ou melhor, de uma música de sucesso (qualquer uma) para fazê-la superar a fase pós-ataque de nervos.
"Ela vai voltar forte de verdade, eu prometo", disse o produtor, dando uma banana para psiquiatras, psicólogos e terapeutas que tentavam controlar a moça enquanto ela era internada para desintoxicação, raspava a cabeça, sofria com a separação e o afastamento dos filhos, dizia ser o anti-cristo, combatia paparazzi com um guarda-chuva verde, tentava o suicídio e tinha pesadelos com as próprias músicas (muito irônico que ela também sofra com 'Baby One More Time').
"É possível para Britney ser grande e popular outra vez. Hits sempre resolvem as coisas. Um hit pode fazer as pessoas esquecerem tudo", receitou o doutor Garrett, numa entrevista à Entertainment Weekly recheada de frases cretinas como "Ela é uma pessoa de verdade, e pessoas de verdade têm problemas" ou "É hora de jogar e ela vai voltar. Aguardem". Será que ela volta antes do Obina?
Todo mundo tem o direito de pifar. O negócio é que pessoas públicas, quando pifam, pifam publicamente. E é sempre um escândalo. Britney sofreu com os excessos do próprio sucesso -- e em vez de dar um tempo agora, depois de sobreviver a um piripaque furioso, o que ela faz? Volta correndo para o furacão, cai de cabeça outra vez.
Ela e Garrett já estão em estúdio, na fase pós-colapso total da ex-futura Madonna (alguém algum dia acreditou mesmo nisso?). A posição de Garrett, produtor de gostosas como Fergie, Beyoncé e Pussycat Dolls, é bem mais confortável que a de Britney. Se o novo disco, o quinto da carreira da moça, estourar, ele vai saber colher os louros direitinho, como o sujeito que reergueu a lourinha. Se não, a culpa é toda dela -- quem mandou ser maluca, né?
Enquanto o disco novo não sai, a molecada do Artic Monkeys exercita a pontaria. O vocalista Alex Turner ficou furioso ao ouvir a versão "glamurosa" que Mark Ronson (um dos produtores de Lily Allen) fez de 'Stop Me If You Think You've Heard This One Before', antiga e excelente música do The Smiths, lançada há exatos 20 anos no disco de adeus da banda de Morrissey. Turner é fã dos títulos quilométricos de canções e da fina ironia smithiana, mas deixou o sarcasmo de lado e disse na lata à New Musical Express: "Eu odeio todos estes cantores do 'Pop Idol' (a matriz britânica do 'American Idol' e do 'Ídolos', do SBT). E deixa eu te contar o que eu não suporto: esta *%@#! versão cover R&B de 'Stop Me...' Realmente, o moleque tem razão: Ronson transformou a parceria de Morrissey e Johnny Marr numa baba ridícula.
Já o guitarrista do Ártico Jamie Cook apontou para o hip hop e resolveu declarar a morte do gênero ao tablóide The Sun. "Até mesmo músicas que eu em geral não ouço, como o hip hop, andam obviamente mal das pernas. Não existe mais hip hop de verdade." Sobrou também para o onipresente produtor Timbaland (Justin Timberlake, Nelly Furtado, Pussycat Dolls, Bjork, Missy Elliott, 50 Cent, Fall Out Boy, o cara mete a mão em tudo). "Ele é um bom produtor, mas peralá!, existem outros bons produtores - e outras batidas".
'Favorite Worst Nightmare', o aguardado segundo disco do quarteto inglês Artic Monkeys, vai para as lojas (britânicas) no próximo dia 23 cercado de mistério - ou precaução, vá lá. Desta vez, os garotos de Sheffield, que venderam 360 mil cópias do CD de estréia em uma mísera semana graças a uma estratégia involuntária de divulgação na internet, com os fãs compartilhando arquivos das músicas da banda à revelia da própria (e sua fama crescendo exponencialmente), estão morrendo de medo de que as novas canções vazem para a rede antes da hora. "A idéia de que essas músicas possam vazar nos preocupa, sim. Por outro lado, não sei... Não há muito que possamos fazer, né?", conformou-se o baterista Matt Helder em entrevista a Paulo Terron, publicada na edição deste mês da revista Bizz. Pois é.
Por enquanto, os fãs podem fazer o download do primeiro single do CD, 'Brianstorm', no site da Domino Records, a esperta gravadora dos Monkeys, do Franz Ferdinand (e do Archie Bronson Outfit, outra banda bacana lá daquelas bandas). O videoclipe, feito na intensidade de tirar o fôlego da música, é uma estranha combinação de luzes ofuscantes e dançarinas do Faustão. Eu curti.
Dia 1º de junho, o mitológico 'Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band', dos Beatles, completa 40 anos de seu lançamento. A celebração vai ser em ritmo de covers: Oasis (é claro), Kaiser Chiefs, Razorlight, Travis, The Killers e The Fratellis estão entre os grupos convidados para reinterpretar 'Lucy In The Sky with Diamonds', 'With A Little Help From My Friends', 'She's Leaving Home' e outros clássicos do disco. Os beatlemaníacos fiquem à vontade para resmungar desde já.
Como era de se esperar, a já histórica declaração de Keith Richards “A coisa mais estranha que eu tentei cheirar? Meu pai. Eu cheirei meu pai” virou uma polêmica de dimensões stoneanas. Dita pelo guitarrista numa entrevista ao New Musical Express, a frase repercutiu com força em tudo que é canto do mundo. Ontem, ele correu para dizer que, hahaha, “essa história foi toda um mal-entendido”. O rapaz de 63 anos jurou de pés juntos que as cinzas de seu pai, morto em 2002, serviram inocentemente de adubo para um carvalho inglês. “E ele iria me adorar por isso”, garantiu, orgulhoso.
A Mark Beaumont, jornalista da NME, Richards havia contado uma história um tanto diferente sobre o fim de seu pai. “Ele foi cremado e eu não resisti a misturá-lo com um pouco de pó. Meu pai não ligaria”, disse ao repórter. “E desceu muito bem. Eu ainda estou vivo”, fez questão de recordar. Leia aqui a entrevista original. Ao contrário do rabino, ontem o stone tentou “explicar o inexplicável”. “Só estava tentando expressar como Bert e eu éramos unidos.” (Bert é o pai e a frase é tipo “aí, vou ficar ligadão nele!”). Beaumont ficou injuriado e garantiu que Richards não parecia estar brincando durante a entrevista. “Ele não me disse isso de graça, não. Tive que fazer um monte de perguntas para arrancar a informação dele”, afirmou.
Richards que me desculpe, mas, com um histórico desses - preso inúmeras vezes com drogas - internado incontáveis vezes para desintoxicação - teria trocado todo o sangue numa clínica na Suíça, para se livrar do vício de heroína - bêbado inveterado - declarou que parou com as drogas “porque a qualidade caiu muito” - ano passado caiu de um coqueiro, bateu com a cabeça e teve que sofrer uma cirurgia no cérebro. No hospital, pediu doses extras de morfina – e foi atendido eu fico com a versão do jornalista. Mesmo que não seja verdadeira, é a que vai entrar para a vasta lenda de Keith Richards.
Joss Stone (res)surge, nua e colorida como uma hippie prestes a rolar na lama de Woodstock, na capa de seu terceiro disco, o recém-lançado 'Introducing Joss Stone' (EMI). Na foto da parte interior do CD, ela está enroscada num garotão com uma pintura de Jimi Hendrix no braço. Nuazinha. Mas são pistas visuais falsas: o álbum não tem nada a ver com a paz & amor riponga. O clima é de romance, sim, mas Joss Stone está enamorada de si mesma."Estou tão apaixonada pela minha música", canta em 'Music', que tem participação de Lauryn Hill, dos Fugees, uma das 14 faixas do disco.
A inglesinha que tem uma Aretha Franklin na garganta chegou aos 19 anos bradando independência pessoal e artística.A primeira providência foi posar nua para a capa do CD. Liberdade é pintar as palavras ‘love’ (amor) e ‘Change’ (mudança) nas pernas, deduz-se de outra foto do encarte. Joss Stone já andou dizendo que considera este seu primeiro disco de verdade, aquele que expressa realmente o que sinto e como vejo a música". Daí o ‘Introducing...’ ("apresentando...") do título.
A outra providência, a que realmente salta aos ouvidos, foi chamar o produtor Raphael Saadiq, apreciadíssimo entre os artistas de soul e rhythm’n’blues, para dividir com ela a encomenda. O resultado balança entre irresistíveis balanços r&b, como 'Tell Me ‘Bout It' (que já toca à beça nas rádios) a atirada 'Put Your Hands On Me' ou 'Girl They Won’t Believe It', e faixas que valorizam os gemidos cada vez mais lúbricos de Stone - afinal de contas, ela agora é maior de idade - mas se perdem na mesmice dos arranjos.
Cheio de referências ao seu novo 'momento', a cantora acabou fazendo um disco que mantém o padrão de sua estréia, o disco de covers ‘The Soul Sessions’ (2003) e de 'Mind, Body and Soul' (2004), sua primeira incursão autoral. Joss Stone mudou, mas ainda é a mesma. Sua música, apesar do que ela insiste em afirmar, também.
Quer ver a Alanis Morissette tirando uma onda com a cara da Fergie? Saca a versão pianinho da cabeluda pra 'My Humps', o hit calipígio da louraça. Garanto que ninguém jamais viu a Alanis dessa maneira, assim tão... soltinha. Nem naquele clipe bizarro em que ela ficava peladona no meio da rua.
Nesta quarta-feira, acontece a terceira e última sessão do ciclo de debates ‘Música Chappa Quente’. Resumidamente é o seguinte: a indústria da música enfrenta um perrengue danado, não é? E essa história de direito autoral e propriedade intelectual das músicas interessa a todo mundo, certo? As pessoas ainda não conseguiram entender, por exemplo, qual é a vantagem de comprar música pela internet se elas estão todas ali mesmo, à disposição de quem quiser baixá-las. E desconfiam cada vez mais que pirataria e jabá são os dois lados de uma só moeda: infelizmente é a moeda com as quais as gravadoras têm que lidar.
No ‘Música Chappa Quente’ esses temas estão fervendo há três quartas-feiras. Esta semana, serão discutidos o Mercado Independente e a Propriedade Intelectual. Toda a cadeia da música, quem produz, quem consome e quem comercializa, participará do debate. “Vemos a música brasileira e a economia da cultura como fontes de receita para o País”, diz Bruno Maia, um dos idealizadores do evento. As empresas Tecnopop e Rinoceronte, o site Sobremúsica e o organização do Terceiro Setor Lunuz organizaram a bagunça e estão tocando o ‘Chappa Quente’. E o que eles querem dizer é: a questão não é falta de rumo para a música. Ao contrário, há vários caminhos a se tomar. E eles estão todos abertos. Vai lá dar uma olhada.
Agora há pouco, num dos intervalos da final do ‘Big Brother Brasil 7’, a TV exibiu um comercial de um minuto da Azaléia. E a melhor coisa do reclame era a trilha sonora: na telinha, uma penca de modelinhas bem jeitosas desfilavam sandalinhas ao som de ‘Meu Esquema’, da banda pernambucana mundo livre s/a. É de se imaginar como ela parou ali.
Fiquei pensando se por acaso algum moleque (ou mocinha), nascido por volta de 1980, não deu a sorte de cruzar, durante a fase de crescimento, com algum dos discos do mundo livre. ‘Por Pouco’, o que traz ‘Meu Esquema’, é de 2000. A música também foi tema de um programa da Luana Piovani na MTV. Tanto faz como a música entrou na vida dela (ou dele). E se o garoto (ou a menina) cresceu, foi trabalhar numa agência de publicidade e teve a manha (e a sorte) de emplacar uma música do Fred Zero Quatro (o autor da música) em horário nobre? Se isso aconteceu, ainda há esperança para a Humanidade...
O Rolling Stone Keith Richards aumentou um pouco mais a própria lenda ontem, ao dizer, numa entrevista publicada pelo New Musical Express, que cheirou as cinzas do próprio pai, misturadas com cocaína, há cinco anos. "Foi a coisa mais estranha que cheirei", garantiu. Nem precisava dizer. A verdade é que muita gente não acredita que, depois de uma vida dedicada a excessos de todo tipo, Richards, de 63 anos, ainda esteja vivo para contá-los. "Durante dez anos eu fiquei à frente da lista das 'celebridades à beira da morte'. Sinto muito, mas eles se deram mal", gargalhou o homem-riff.
Depois de longos 14 meses de gravação, finalmente o terceiro disco do Linkin Park, galinha dos ovos de ouro da Warner Music, vê a luz do dia. A gravadora informa que ‘Minutes To Midnight’ será lançado mundialmente “por volta” do dia 14 de maio – será que atrasa?
Ontem, a primeira música de trabalho do CD, ‘What I’ve Done’, foi disponibilizada para download (por R$ 1,89) em diversas lojas digitais. Hoje, o videoclipe da música, uma bem-produzida colagem de imagens de geleiras derretendo, bombas explodindo e closes de assassinos históricos (Saddam Hussein, Hitler, Fidel Castro, Stálin – senti falta da família Bush ali), já estava rolando no youtube (clique aqui e confira).
Rick Rubin é o produtor do CD, ao lado do vocalista do LP, Mike Shinoda. A banda deve sentir a pressão de superar o estrondoso sucesso de seu rap-rock, que já vendeu mais de 40 milhões de cópias em todo o mundo. Até chegar ao resultado final, testou mais de 100 músicas.
É verdade ‘Minutes To Midnight’ está muito longe de ser um ‘Chinese Democracy’, que vem sendo gravado pela (ex)grande baleia branca Axl Rose há 15 anos, mas... Resta saber se tanto esforço vai prestar. Rubin garante que sim: “Eles realmente estavam se reinventando, não parece com rap-rock. Eles são fortes nas composições. É um disco muito melódico... e progressivo”, disse o produtor barbudão. Espero que não, mas se o disco todo for na linha de ‘What I’ve Done’, não vai ter tanta “reinvenção” assim nele...
Não fosse sua origem irlandesa, o dublinense Paul Hewson hoje seria conhecido como ‘Sir’ Bono Vox. Semana passada, o vocalista do U2 recebeu um título de nobreza, por seu trabalho influente como artista e “ativista humanitário”. Por decreto da Rainha Elisabeth II, agora ele é Cavaleiro Comandante Honorário do Império Britânico. Como não é inglês, Bono não pôde receber o título de ‘Sir’, mas deu de ombros. “Vocês podem me chamar do que quiserem, menos ‘sir’”, explicou, ao receber a medalha do Embaixador inglês em Dublin. “Que tal lorde dos lordes? Ou semideus?”, brincou.
No fundo, os roqueiros (e outros homenageados) ficam mais atordoados do que gostariam diante da condecoração da Rainha. Ficam meio como o Mutley, o cachorro do Dick Vigarista que era doido por medalhas. Os BeeGees, Ray Davies (do Kinks), Sting, Brian May (god save the Queen!), Mick Jagger, Paul McCartney, Tom Jones, Elton John, Bob Geldof são todos “comandantes” e “sires” (é assim que escreve?) do Império Britânico. Claro, são condecorados somente depois de velhos, para evitar recusas ou causar vexames à Rainha.
“Quando eu era um garoto, não estava pronto para isso; eu era contra o establishment. Agora eu cresci”, admitiu Eric Clapton, ao receber sua medalha, em 2004. David Gilmour ainda tentou manter a pose. “Eu suspeito de que, se ela (a rainha) nos ouviu alguma vez, foi porque seus filhos ou netos estavam tocando nossos discos... E ela deve ter dito: ‘desliguem isso!’”, riu o guitarrista do Pink Floyd, ao receber a sua, um ano depois. Roger Daltrey, do The Who, imaginou que a rainha cairia do trono se ouvisse sua banda. Nem por isso recusou o título.
Mas Keith Richards não perdoou o amigo Mick Jagger por se bandear para o lado da nobreza, depois de décadas construindo uma imagem marginal nos Rolling Stones. “Acho que é um absurdo aceitar uma dessas medalhas do sistema, quando fizeram o que podiam para nos colocar na prisão”, protestou, em 2003, cheio de pose e vincos. Mas continua a excursionar firme e forte com o velho e nobre companheiro. Ou será que foi por desgosto que ele despencou daquele coqueiro?