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Ricardo Calazans

Quinta-feira, 31 Maio, 2007

LIVING COLOUR NO CIRCO VOADOR

tocam muuuito / reproduçãoA notícia é curta e grossa, mas diz tudo o que interessa. O anúncio está lá no folheto 'Expresso Voador', do Circo:
"Vem Aí:
Living Colour - Formação Original
Em Agosto."

E mais não diz, mas o show deve acontecer no dia 18 de agosto. E com a excelente formação original do Living Colour, responsável por um show histórico no finado festival Hollywood rock, em 1992. Não conhece?Dá uma olhada no vídeo de 'Type'. Mas não repare nas roupinhas dos malandros...


O BURAKA É MAIS EMBAIXO

Na gringa, o reinado do “baile funk”, nomenclatura que o pancadão carioca ganhou lá fora, está ameaçado. Mastigado e popularizado na Europa e Estados Unidos por paulistas (Tetine), curitibanos (Bonde do Rolê), alemães (DJ Daniel Haaksman), ianques (DJ Diplo) e cingalesas (M.I.A.), agora o ritmo ganhou um concorrente de duplo sentido: o kuduro. “Li num jornal de Nova Iorque o aviso: ‘Esqueça o baile funk! A onda agora é o kuduro’”, entrega (e se diverte) o antropólogo Hermano Vianna, curador do Baile Skol, reunião de black music em quatro cantos do Grande Rio (Campo Grande, Duque de Caxias, Lapa e Nova Iguaçu) que acontece no sábado. Entre as atrações da festa, Hermano escalou o Buraka Som Sistema, conexão luso-angolana de “kuduro progressista” e prato cheio para amantes de trocadilhos.

o povo do kuduro / reprodução

O kuduro nasceu em Luanda mas sua vertente pop, que invadiu as pistas do Hemisfério Norte, veio do subúrbio lisboeta de Buraca. Um site português tentou explicar a origem do negócio e saiu-se com esta: “Muito provavelmente o nome Kuduru vem também do quimbundo”, explicação bem razoável, aliás. Formado pelos pelos portugueses Lil'John e Riot e o angolano Conductor, o grupo também provoca manchetes do tipo “Buraka ganha a Europa com o kuduro”, maneira honestíssima e muito popular de se ganhar a vida. O Buraka, mais embaixo, mostra como se dança o pancadão d’além-mar. Se liga no kuduro:


Terça-feira, 29 Maio, 2007

GEORGE ELETRÔNICO

Programa da MTV definiu mais ou menos assim a trajetória de George Harrison pós-'Sgt. Peppers', o disco-ícone que completa 40 anos nesta sexta-feira: "Gravou uma versão em inglês de 'Anna Julia', dos Los Hermanos. Morreu em 2001." Apesar de Anna Julia ser um belo hit em qualquer língua, o resumo é infeliz. Harrison foi grandioso fazendo música pop e pioneiro nas viagens eletrônicas (certamente aditivadas). Em 1969, armado com um sintetizador moog, ele criou e lançou o LP 'Electronic Sound'. Tinha apenas duas músicas, 'Under The Mersey Wall' (18'42 de zzzzzzzzzzzps!) e 'No Time Or Space' (melhor que a outra, com seus 25'07 de bzzzzzzzrrrsssssx). Experimental até dizer chega, o melhor do disco, porém, era esta frase do encarte:
"Tem um monte de gente por aí fazendo um monte de barulho; aqui vai mais um pouco."
A frase é atribuída a um certo "Arthur Wax". A capa é do próprio George.

Electronic Sound (1969) / reprodução


Segunda-feira, 28 Maio, 2007

THE POLICE DÁ A LARGADA

Oficialmente, o trio The Police começou hoje, em Vancouver, no Canadá, sua primeira turnê mundial em 21 anos. Ontem (27 de maio), Sting (baixo, voz), Stewart Copeland (bateria) e Andy Summers (guitarra) fizeram um show especial para cerca de 4 mil fãs, num clube da cidade.

Police há 30 anos / reproduçãoPolice há 30 horas / reprodução

Em entrevista a um jornal canadense, o guitarrista avisou os velhos admiradores do som policial que eles podem estranhar alguns dos novos arranjos. “Nós tivemos todas essas canções famosas, mas agora olhamos para elas como se fossem material novo”, disse Summers, na falta de material novo para mostrar. É capaz de o trio passar pelo Brasil em sua turnê recheada de sucessos (foram 21 no primeiro dia). Dezembro seria o mês mais provável dessa visita. Abaixo, um trechinho do show de estréia, que, obviamente, já foi parar no youtube.


TE CUIDA, JUSTIN!

Marilyn Manson anda de olho no 'sexyback' de Justin Timberlake. O enviado das trevas gravou uma versão de 'What Goes Around Comes Around', do ex-N'Sync, e confessou que deu pra levar no bolso uma foto de Justin pra cima e pra baixo, ultimamente. A fixação de Manson com o garotão é tanta que sobrou até pra dona Timberlake. Apresentado recentemente à mãe do popstar, o monstro gótico tratou logo de quebrar o gelo. "Quando fomos apresentados, eu havia acabado de assistir a um documentário sobre sexo, e a primeira coisa que eu disse a ela foi: 'Você sabia que as mulheres têm três buracos entre as pernas?'", contou Manson à Radio 1, da BBC. E jura que a dona Timberlake achou a maior graça.

Ele quer te pegar! / reproduçãoEm época de lançamento ele fica assim mesmo, agitadinho. Semana passada, o roqueiro afirmou que não ligava para o massacre de Virginia Tech, quando um maluco armado matou 33 pessoas no Estados Unidos. "Eu não conheço ninguém envolvido no massacre, não vou gastar minhas emoções com coisas que não estão relacionadas a mim", disse o músico, que recheou com cenas de sexo seu mais recente vídeo,

'Heart Shaped Glasses'. E as cenas entre ele e a namorada, Evan Rachel-Wood, de 19 anos, seriam beeeem reais (seriam?). O single é o primeiro de 'Eat Me, Drink Me', novo álbum de Manson.


Quarta-feira, 23 Maio, 2007

FESTA ESTRANHA COM GENTE ESQUISITA

reproduçãoVocê convidaria Michael Jackson para a sua festa de aniversário? Claro que sim, né? Nem que fosse para conferir se aquilo que ele tem pendurado no rosto é mesmo um nariz.

O príncipe Azim vai poder matar essa curiosidade logo, logo. Ele faz questão da presença de Jacko em sua festinha de 25 anos, neste fim de semana. E reservou US$ 10 milhões dos US$ 14 milhões destinados ao convescote para atrair o cantor ao Barein, onde vive, como não?, nadando no petróleo. O melhor - ou pior - é que Jackson não precisa nem cantar 'Happy Birthday' pro malandro, nem sair de bolo nem nada, nem dar uma de Marylin Monroe. Essa grana toda é só pra dar uma pinta na festinha, ao lado de outras figuras do mundo freak, como Pamela Anderson e Naomi Campbell. Como Michael conseguiu a proeza de transformar sua fortuna em uma dívida de US$ 600 MILHÕES (!!!), é bem capaz de que ele passe o fim de semana no Sudeste da Ásia.


Terça-feira, 22 Maio, 2007

MENSAGEM DO ALÉM

Piada que precisa de explicação não tem graça. Os quatro cartazes abaixo, feitos pela agência Saatchi & Saatchi para os calçados Doc Martens em Londres, não deveriam ser do tipo. Os anúncios serão veiculados apenas na Inglaterra, e estão chamando a atenção por causa de seus garotos-propaganda: Kurt Cobain, do Nirvana; Sid Vicious, do Sex Pistols; Joe Strummer, do The Clash; e Joey Ramone, dos Ramones. Todos punks de carteirinha. Todos mortinhos da silva.

Cobain / reprodução
Sid / reprodução
Joe / reprodução
Joey / reprodução

Mas publicitários gostam de explicar as próprias piadas, e o redator das peças quis explicar seu trabalho. “Nós queríamos comunicar que as botas Dr. Martens foram feitas para durar, e descobrimos que estes ídolos as usavam. Mostrá-los ainda usando as botas no céu dramatizou perfeitamente sua durabilidade. E, como imagens, eles estão muito ‘icônicos’”, disse o cara.

O pessoal do movimento “punk’s not dead” deveria comprar essas botas só pra chutar a bunda do cara que fez os anúncios. Ou aposentar o moicano e reconhecer que eles são muito bons. Já os publicitários vão ter que torcer para que o público não confunda, como já percebeu o observador atento, “durabilidade com morte prematura”.


CASAMENTOS, SEPARAÇÃO

Amy casou no civil / divulgaçãoAmy Winehouse, que na Rolling Stone deste mês mostra o sorriso banguela adquirido após uma queda etílica, agora é moça de respeito. Sexta-feira passada, ela casou, numa cerimônia civil em Miami, com um sujeito chamado Blake Fielder. E daí? E daí que aparentemente ela não estava bêbada na hora da cerimônia! Tanto que pretende repetir a dose em breve, de maneira mais "oficial", em Londres.

Outra Amy, a Lee, do Evanescence, decidiu enfim explicar por que razão demitiu o guitarrista e o baterista de sua banda, há poucas semanas. John Le Compt e Rocky Gray caíram atirando. “Amy Lee me ligou e me demitiu hoje. Não há absolutamente lealdade nesta banda”, disse o guitarrista Le Compt. Gray, o baterista, pôs à venda no eBay os discos de ouro e platina que ganhou com o Evanescence.
Amy é a dona da banda / divulgação Ontem, Amy deixou uma mensagem no site do grupo para esclarecer a situação. E começava mais ou menos assim: “Wow! Há tanta coisa para dizer, nem sei por onde começar”. Mas ela sabia: “Antes de mais nada, e o mais importante, agora eu sou oficialmente a senhora Amy Hartzler!” É que, logo depois de dar um chute nas bundas dos ex-companheiros, a ex-miss Lee partiu em lua-de-mel com o Josh. De volta às demissões, a moça de semblante anêmico disse que as cabeças de Le Compt e Gray rolaram porque eles “não ligavam de verdade para o Evanescence e estavam nessa só pelo dinheiro”, que “esta energia negativa cresceu entre a banda por muito tempo” e que tratou os dois “com gentileza e respeito e recebi de volta inveja e ressentimento”. Tenho medo de Amy Lee.


Quinta-feira, 17 Maio, 2007

BRASILEIRO INCRIMINA PHIL SPECTOR

Spector no tirbunal / reproduçãoPhil Spector era famoso por dois motivos:
- pelos discos que produziu, dos Beatles aos Ramones.
- pela notória excentricidade.
Desde 2003, ele passou a ser conhecido também por seu temperamento homicida. Neste ano, ele foi acusado de assassinar a atriz Lana Clarkson.

Há algumas semanas, começou o julgamento do caso. Quatro mulheres disseram, em depoimentos, ter sido ameaçadas por Spector com armas. Mas quem deve ter selado o destino do produtor foi o motorista Adriano de Souza, brasileiro, que era seu chofer particular no dia do assassinato.

"Eu acho que matei alguém", foi a frase que Adriano ouviu do patrão na madrugada do dia 2 de fevereiro daquele ano. "Eu vi as pernas da moça. Então entrei na casa e vi o sangue em seu rosto", contou o motorista ao júri na terça-feira. Ele repetiu o que já havia contado à polícia: o famoso telefonema ao 911 que dedurou Spector foi de Adriano.

Ele contou ainda que, na noite do crime, Spector deixou um lugar chamado House of Blues na companhia de Lana Clarkson, e a convidou para conhecer seu castelo em Alhambra, Los Angeles (acho)."Ela primeiro disse não. Depois, quando abri a porta do carro, a moça me disse que iria apenas tomar um drinque", lembrou Adriano.

Em sua defesa, Spector jura que a moça se matou com um tiro na boca. Nunca convenceu ninguém disso. Na verdade, os jurados já o consideravam culpado antes mesmo do início do julgamento. Seu comportamento violento sempre foi notório.

I love guns... / reproduçãoBrian Wilson, o gênio doido dos Beach Boys, passou três anos sem sair de casa, certo de que Spector queria matá-lo (será?). E até mesmo os Ramones, que eram cascudos, tinham medo dele, como mostra o trechinho abaixo do livro 'Mate-me Por Favor', de Legs McNeil e Gillian McCain, sobre as origens americanas do punk rock. O detalhe é que o livro é de 1996, sete anos antes do crime.

"Dee Dee Ramone: Uma noite Phil (Spector) sacou o revólver e não nos deixou ir embora. Johnny tratou do caso. Ele disse: "Corta essa, Phil, ou vamos embora."
Phil disse: "Certo, experimentem ir. Não vou deixar vocês irem embora."
Tivemos que ficar lá por um dia, e ele nos reteve com aquelas armas. Tivemos que ficar lá na sala e ouvir 'Baby, I Love You' sem parar."


Terça-feira, 15 Maio, 2007

CHARLIE BROWN CAI NO PAU

Firmeza, manos? / reprodução

Há algumas horas, a EMI enviou o seguinte comunicado por e-mail:
"A gravadora EMI MUSIC BRASIL LTDA. tem contrato de exclusividade firmado com o grupo conhecido por CHARLIE BROWN JR. e o Sr. Alexandre Magno Abrão, conhecido artisticamente por CHORÃO, detém o direito exclusivo de utilização e exibição da marca CHARLIE BROWN JR. - CBJR, com a qual seus lançamentos fonográficos, apresentações públicas e demais peças de promoção e marketing são adjetivadas. A menção da marca, no Brasil e fora dele, da forma que for, é expressamente proibida, sujeitando a quem a utilize às sanções legais cabíveis."

E mais não dizia a nota, aparentemente sem propósito, porque desde 2005, quando o baixista Champignon, o baterista Pelado e o guitarrista Marcão pularam fora do barco, Charlie Borwn Jr. = Chorão. Mas há um recado por trás da nota. Chorão ficou furioso ao descobrir que Champignon e Marcão teriam feito shows nos Estados Unidos usando o nome de sua antiga banda. Do jeito que a coisa vai, daqui a um tempo é capaz de a banda se reunir novamente. No tribunal.


POP NERD STAR

Precisa de uma música-tema? Billy Reid tem a canção exata pra você. Na verdade, Billy Reid faz QUALQUER música que você possa imaginar. Esse cara, um artista e compositor canadense, bomba no YouTube com seus vídeos aparentemente ridículos e nonsense, mas cheios de recados espertos. Ele usa indie rock e hip hop para desmoralizar patricinhas tiradoras de onda (‘White Chicks & Gang Signs’, sobre meninas que se acham gangsters), rappers tiradores de onda (‘Time 4 Bed’, este com atuação do chapa Nick Schelle, o nerd perfeito), geeks tiradores de onda (‘Wiki-Man’)... Com essa cara de mané, Billy Reid critica o nosso universo descartável com muito bom humor. E as músicas são ótimas!

WHITE CHICKS&GANG SIGNS


TIME 4 BED


WIKI-MAN


LISTINHA!

A Rolling Stone, em sua mais recente lista de “melhores, piores etc”, acaba de listar os 15 piores discos cometidos por grandes artistas de rock. Porque todo mundo tem o seu dia ruim, não é mesmo? A listinha da Rolling Stone:
1. Bob Dylan, “Down In the Groove”
2. Rolling Stones, “Dirty Work”
3. David Bowie, “Tonight
4. Van Morrison, “Beautiful Vision”
5. The Clash, “Cut the Crap”
6. Neil Young, “Old Ways”
7. Van Halen, “Diver Down”
8. The Who, “Face Dances”
9. Elvis Costello, “Mighty Like A Rose”
10. Red Hot Chili Peppers, “One Hot Minute”
11. Crosby, Stills, Nash & Young, “American Dream”
12. Aerosmith, “Rock in a Hard Place”
13. Lou Reed, “Mistrial”
14. Morrissey, “Kill Uncle”
15. Led Zeppelin, “Presence”
(‘Dirty Work’, a propósito, é um título bem escolhido)









E eu, como não resisto, arrisco outra listinha, com alguns esqueletos no generoso armário do nosso mui estimado cancioneiro pop. Se você não os conhece, continue assim.
Rita Lee, ‘3001’
Ultraje A Rigor, ‘Crescendo’
RPM, ‘Quatro Coiotes’
O Rappa, ‘O Silêncio Q Precede O Esporro’
Titãs, ‘As Dez Mais’
Paralamas, ‘Longo Caminho'
Los Hermanos, ‘Quatro’
Pato Fu, ‘Televisão de Cachorro’
Lobão, ‘Cuidado’
Capital Inicial, ‘Independência’
Detonautas, ‘Detonautas Roque Clube’
Pitty, ‘Anacrônico’
Charlie Brown Jr., ‘Imunidade Musical’
Cazuza, ‘Burguesia’
Cidade Negra, ‘Hits’


Segunda-feira, 14 Maio, 2007

JAGGER, RICHARDS E COOPER NO MEIO

Minha vida é um tédio... / reprodução“É melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez”, já dizia o velho Lobo, mas Mick Jagger exagerou e não sabe mais como resumir sua vida, acelerada nos anos 60 e sem freio conhecido. O taxímetro do líder dos Rolling Stones ainda corre solto e ele se confessou “entediado” ao tentar escrever uma autobiografia. Um caminhão de euros, libras, dólares não foi o suficiente para fazê-lo avançar com suas memórias de sexo, drogas, rock’n’roll e Luciana Gimenez. “Me ofereceram um caminhão de dinheiro. Foi tentador, por isso comecei a escrever”, disse o bocudo. Mas a animação durou pouco. “Fiquei sentado por horas escrevendo sobre o passado e achei isso um tédio.”

São 18 buracos... / reproduçãoAlice Cooper, que poderia freqüentar os mesmos médicos de Mick, foi mais persistente e conseguiu concluir sua biografia. O problema é não considerá-la, esta sim, um tédio. Seu título: ‘Alice Cooper, Monstro do Golfe: 12 Passos para um Roqueiro se Tornar Viciado em Golfe’. E não se fala mais nisso.

Eu tenho tanto pra lhe falar... / reproduçãoDe qualquer jeito, não se preocupem, crianças, que na hora H alguém sempre salva a pátria. Enquanto Tio Mick tirava o corpo fora, Tio Keith, aparentemente já recuperado da morte de sua mãe (não, ele não cheirou a véia) levantou o braço, pediu a bola e partiu em direção ao gol. Como Keith sempre foi de dizer o que pensava, espera-se uma história repleta de lances incríveis, com muito sexo, todas as drogas existentes, rock’n’roll e a participação especial de policiais, traficantes, enfermeiras, as cinzas de seu pai, Chuck Berry, Andy Warhol e, como não?, Mick Jagger. E este aqui Roberto Carlos não vai poder censurar.


Quinta-feira, 10 Maio, 2007

HAHAHAHAHA!

acabou? não acabou? / reprodução

O fim do New Order é o mais divertido dos últimos tempos. Na última década, o grupo de Manchester, nascido em 1980 das cinzas do Joy Division, andou devagar, quase parando. Estacionou de vez quando o baixista Peter Hook anunciou o nada surpreendente fim da banda, há alguns dias. Espantoso mesmo foi descobrir que a banda não só NÃO acabou como tem compromisso marcado para a próxima semana. "Até onde todo mundo sabe, o New Order estará indo para Cannes na semana que vem, como uma banda, para promover o filme do Joy Division*", disse hoje cedo a assessora de imprensa do grupo, Jayne Houghton. Peter Hook, porém, insiste que dessa vez a separação é para sempre. "Mas parece que ninguém está levando muito a sério a separação", resmungou Hook, dizendo-se "aliviado" por ter feito esta revelação. Só faltou avisar os companheiros Bernard Sumner e Stephen Street. Essas coisas não deveriam ser melhor combinadas?

* 'Control' é uma cinebiografia (um docudrama?) sobre a vida de Ian Curtis, líder do Joy Division, que se matou em 1980. O filme é baseado nas memórias de sua mulher, Deborah.


Terça-feira, 8 Maio, 2007

COBAIN x POP

Um dia, o telefone tocou na casa de Iggy Pop. "Iggy, aqui é Kurt Cobain. Vamos para o estúdio, cara", dizia o recado em sua secretária eletrônica.

alô? / reproduçãoUma década e meia depois, o Iguana ainda lamenta não ter atendido aquele telefonema. "Kurt Cobain me ligou às duas da manhã. Mas isso foi quando eu era velho e ia para a cama às nove e meia", contou Iggy à NME. Mês passado, ele comemorou seus 60 aninhos pulando sobre a platéia num show dos redivivos Stooges.

Kurt queria colaborar com Iggy Pop em uma música. "Seria 'cool', porque ele era um grande músico. Ele fez o convite e então deixou um número do (hotel) Four Seasons, em Beverly Hills", disse Iggy, que não perdeu a chance de dar uma sacaneada no finado líder do falecido Nirvana. "E aí, toda vez que eu discava o tal número, ouvia coisas como 'O senhor Cobain está debaixo da cama' ou 'Não o vemos há três dias'."

bu! / reproduçãoComo assim 'debaixo da cama'? Iggy deveria ter insistido com Cobain. Poderia ter lhe ensinado a ser mais cínico, a se livrar da heroína, a rolar em cacos de vidro e sobreviver. Mesmo que, aos 60 anos, Kurt tivesse esta cara:


Segunda-feira, 7 Maio, 2007

PAULO COELHO EM DETALHES

Era de se esperar que, mais cedo ou mais tarde, a biografia censurada ‘Roberto Carlos em Detalhes’, de Paulo César de Oliveira, fosse parar na internet. E foi mais cedo ainda do que se pensava. Hoje, o Dia Online contou que já há quem ofereça o livro por R$ 150 num site de leilões. Galvão Bueno há de levantar a placa: Eu já sabia!

Paulo Coelho também, com a sabedoria dos magos que fazem ventar e escrevem letras de rock. Semana passada, quando publicou o artigo ‘O Que É ‘Contexto Desfavorável?’’ na Folha de S.Paulo, Coelhão conquistou a admiração geral (ou quase) ao assinar um texto em que cobrava de Roberto Carlos uma explicação plausível para a censura à biografia e criticava o acordo que a Planeta, editora do livro (e do próprio Paulo Coelho), aceitou fazer com os advogados do cantor.

Mesmo quando ainda não havia sido “redescoberto”, na época em que assumir o gosto por suas músicas era sinal de cafonice, e não de sinceridade estética, Roberto Carlos nunca apanhou como o escritor Coelho. Duas décadas atrás, Paulo lançou ‘O Diário de Um Mago’ e virou best-seller, mas autor e livro foram perseguidos com tochas e frases agressivas por críticos que, pra começar, nem consideravam ele um autor, nem seu livro um livro de verdade. Vinte anos e 54 milhões de livros vendidos em 59 países depois, as tochas continuam lá, prontas para queimá-lo(s). Auto-ajuda esotérica, picaretagem zen, seguem a xingar os críticos. E o que o Coelhão faz? Ele suporta.

ReproduçãoDe volta ao artigo: “Mas vejo essas diatribes com outra ótica: elas fazem parte do jogo. A única coisa que não faz parte do jogo é a calúnia, e, pelo que me consta, isso não foi tema da ação judicial que levou à proibição de ‘Roberto Carlos em Detalhes’”, escreveu Coelho. “Desde que publiquei meu primeiro livro, tenho sido sistematicamente atacado. Creio que qualquer pessoa em seu juízo normal sabe que, a partir do momento em que sua carreira se torna pública, está exposta a ter sua vida esquadrinhada, suas fotos publicadas, seu trabalho louvado ou enxovalhado pelos críticos”, admitiu. Ele convive com isso, e segue escrevendo, sem se preocupar em censurar ninguém. Coelho é dono da própria imagem, e trabalha com ela, mas não pode impedir que outros projetem outras imagens dele e de seu trabalho. Como ele próprio diz, faz parte do jogo.

No site No Mínimo, Tutty Vasquez aplaudiu Paulo Coelho, e convocou os intelectuais que sempre lhe torceram o nariz a fazer o mesmo. Eu, que nunca li nenhum diário do mago (logo, não posso ser chamado de intelectual), mas não perco suas entrevistas (e acredito que ele sabe fazer ventar), vou aderir humildemente ao coro proposto pelo Tutty: “Viva o Paulo Coelho!”

E viva a Sociedade Alternativa!


Domingo, 6 Maio, 2007

A CARA DO FREDDIE

Johnny Depp chegou a ser cotado para interpretar Freddie Mercury no filme que irá contar a história do líder do Queen, mas havia uma escolha muito mais óbvia logo ao lado: Sacha Baron Cohen. Ou, para quem não liga o nome à pessoa, o descarado, desbocado e debochado jornalista fictício do Cazaquistão Borat.

Mercury? / reproduçãoSacha? / reprodução

Parece que os produtores do filme e os próprios integrantes remanescentes do Queen (Mercury morreu em 1991) preferiram Cohen a Depp. Ele também, pelo jeito. "Sacha amou a idéia de que poderá interpretar Mercury depois de modelar o 'look' de Borat nele mesmo", disse ao Daily Mirror a boa e velha "fonte muito próxima" do ator.


A 'VOLTA' DE BJÖRK

Olha aí o video de 'Earth Intruders', o primeiro do novo CD da cantora Björk, 'Volta'. É totalmente coerente com o estilo incomum da islandesa, e perturbador como um pesadelo. E era mesmo para ser assim. Ano passado, Björk visitou locais da Indonésia devastados pelo tsunami de 2005 e viu cenas terríveis. Pouco tempo depois, estava com o produtor Timbaland num estúdio em Nova Iorque, "e a letra de 'Earth Intruders' saiu da minha boca como uma tsunami", contou ela ao The Guardian. A batida pesada, marcial, da música envolve a letra e a voz de Björk desde os versos iniciais: "Nós somos os invasores da Terra/ Nós somos os invasores da terra/ Enlameados com ramos e galhos/ A-haaaaaaa". E segue falando de "tumulto", "carnificina", "paraquedistas", "atiradores", "desenterrar ossos da terra" e "vodu necessário". A cantora disee que ainda tentou editar os versos para estabelecer uma lógica mais clara, mas desistiu. "É basicamente sobre caos". Brrrrrrrrr!

Gostei. Da música e do vídeo. Dia 7é o lançamento do CD.


Sexta-feira , 4 Maio, 2007

O BICHO-PAPÃO, A MULHER LOURA, O VELHO DO SACO... E O BOB DYLAN

Toda criança tem medo de monstro ou de fantasma. Eu, quando era moleque, fui assombrado um bom tempo pela ‘mulher loura’, lenda urbana sobre criancinhas raptadas nos banheiros dos colégios por uma mulher com algodão no nariz. A lista de criaturas apavorantes é grande: vai do ‘vintage’ bicho-papão ao suburbano Velho do Saco, que “carregava” as crianças malcriadas com ele, e à surreal lenda recifense da Perna Cabeluda, terror dos pequenos pernambucanos, cantada por Chico Science & Nação Zumbi em ‘Banditismo Por Uma Questão de Classe’ (favor consultar ‘Da Lama Ao Caos’, se lhe fizer gosto).

Lá em Los Angeles, a garotada de um jardim de infância em Calabasas também tem o seu terror particular: o Estranho do Violão. Tremei, pois ele existe.Ei crianças, querem ouvir uma historinha? / reproduçãoO sujeito fica lá, cantando umas músicas esquisitas para elas, com aquela cara vincada e um olhar desconcertante. Em casa, roendo as unhas e chorando de medo, as criancinhas contaram a seus pais que um “homem estranho” as visitava durante a aula e cantava “músicas assustadoras”.

Alô, garotada! / reproduçãoAs pobres crianças não sabiam, mas estavam diante de Bob Dylan, monstro, sim, mas do rock. O músico e avô – seu neto, filho de Jakob Dylan, estuda lá e isso explica quase tudo – tocava para os alunos “apenas por diversão”, informa o New York Post. E conclui: “para elas, ele era apenas o ‘estranho do Violão’”.

Pessoalmente, acho uma grosseria das criancinhas chamarem de “assustadoras” as músicas do velho Dylan. Onde já se viu dizer isso de ‘Mr. Tambourine Man’, ‘Rollin’ And Tumblin’’, ‘Like A Rolling Stone’, ‘Ballad Of A Thin Man’?

Um barquinho, um violão... / reproduçãoA não ser que o Bob estivesse piradão:
a) imitando a Ana Carolina;
b) emulando o Devendra Banhart;
c) tocando ‘Vira, Virou’;
d) analisando as letras do Djavan;
e) cantando um sambinha de sua autoria, “pra homenagear a velha guarda”;
f) e por aí vai.
O que será que o Bob Dylan cantou naquele jardim de infância? O que será agora daquelas pobres criancinhas??!


Quinta-feira, 3 Maio, 2007

NEURÔNIO FM

Na minha rádio cerebral só deu esta hoje. 'Life is very short and there's no tiiiiime...'


Terça-feira, 1 Maio, 2007

VENDO CAMISA DE FLANELA

´Love Love Love... / reprodução da internetCourtney Love, única mulher no mundo capaz de rivalizar com Yoko Ono pelo posto de viúva mais odiada do rock, resolveu fazer faxina. Ela encheu o saco de ver as tralhas do finado Kurt Cobain espalhadas por sua casa e vai se livrar dos restos mortais do ídolo. "Vou fazer um leilão na Christie's e vender tudo. Minha casa parece um mausoléu. Minha filha não precisa conviver com uma bolsa lotada de camisas de flanela", disse Love à Spinner, recheando suas frases com incontáveis 'f*@!#$!ucking'.

Kurt Cobain deu um tiro nos miolos há 13 anos, no auge da era grunge (e das camisas de flanela), mas seu fantasma não abandonou Courtney e sua filha com o músico, Francis Bean, hoje com 14 anos. "Francis pegou um suéter, uma guitarra e a letra de 'Teen Spirit'. O resto eu vou vender, ganhar um monte de dinheiro e dar uma parte para a caridade", informou a viúva loura.

O líder suicida do Nirvana, porém, ainda sobrevive nas letras de 'Nobody's Daughter', o disco que ela pretende lançar em breve. Ele, Billy Corgan, Edward Norton, Evan Dando, Trent Reznor e mais uma penca de casos que miss Love acumulou durante sua turbulenta trajetória. "Há pedaços de Kurt, de Edward, de um monte de gente no disco", contou. Será exorcismo? Ela diz que a sombra de Cobain não a larga. "Eu ainda visto os pijamas dele para dormir. Como vou ter um novo relacionamento na minha vida vestindo os pijamas de Kurt?" Ah, Courtney, a gente sabe que você tira isso de letra!