Existe uma idade certa para o vírus da beatlemania atacar? Eu me achava relativamente imune aos truques do quarteto de Lilliput, mas acabei contaminado pela empolgação constante de um velho amigo. Essa coisa pega, mas já era quase adulto e pude assumir meus atos numa boa. Hoje conheço razoavelmente os discos e a história da banda, mesmo sem nunca ter colecionado albuns, pôsteres, canecas, camisetas ou merendeiras dos caras. Porque não tem jeito: sempre existe alguém que vai te iniciar na mitologia beatle (ou pelo menos tentar). A professora de inglês do Antônio fez isso com ele, quando exibiu uma parte do ‘Yellow Submarine’ para a turma. Ele acabou assistindo o filme inteiro no youtube comigo e depois ficou pedindo um CD dos Beatles. Percorremos as quatro lojas de CDs aqui perto de casa (é, elas ainda existem!) e nada. Só em uma delas o dono me disse que chegaria uma nova remessa nesta sexta-feira. E decretou: “Meu filho descobriu os Beatles com sete anos e passava o dia inteiro cantando ‘Eleanor Rigby’ sem saber uma palavra de inglês. Isso não tem volta”. Em casa, o Antônio ouviu ‘Help’ e concluiu: “Os Beatles devem ser muito famosos, não é?”. Pelo jeito é bem cedo que se contrai a beatlemania. Será que não há mesmo vacina?
Voltando. E só descubro coisa velha: o Siouxsie & The Banshees não acabou! Mas agora vai. E o baterista Steven Adler anda lamentando a ausência de Axl Rose da festa em homenagem ao ‘Apettite For Destruction’ que vai reunir o Guns’N’Roses original em Los Angeles na semana que vem. Vai ver que, em vez dos 20 anos do clássico do Guns, Axl prefere comemorar mais um adiamento de seu novo disco. Que começou a ser gravado em 1999 e desde então não parou mais. E agora é sinônimo de vexame. Pelle Almqveist, vocalista da ótima banda sueca The Hives, lamentou dessa forma a demora nas conclusões de seu quarto álbum: “Às vezes parece que estamos fazendo o ‘Chinese Democracy’”. Mal comparando, o Guns só com o Axl é como o Charlie Brown Jr. só com o Chorão. Só que o Chorão é mais rápido no gatilho: quando ninguém pediu, lá vem ele com outro disco. E entre uma fralda, um cocô e uma noite em claro (não necessariamente nesta ordem), soube também que Lilly Allen aparentemente resolveu o mistério sobre o suicídio de Kurt Cobain: a culpa é da Courtney, declarou a mocinha meiga. “Uma noite com ela quase me fez ir para a reabilitação”, disse a doce Lilly. Muito original. Quem já não havia chegado a essa conclusão? E por falar (ou não) em ‘rehab’, o ‘The Guardian’ informa: ‘Shows de Amy Winehouse: agora com cusparadas e auto-flagelação’. O negócio tá bom mesmo.
Admito: este blog foi trocado por uma mulher. O nome dela é Mariana e seu ascendente é Peixes. E toda vez que ela arrota é uma felicidade aqui em casa.
O Queens Of Stone Age sempre foi a brincadeira particular do guitarrista e dono da bola Josh Homme. A saída do baixista Nick Olivieri, que levou o cartão vermelho por excesso de excessos há uns anos, apenas reforça isso. ‘Era Vulgaris’, o recém-lançado quinto álbum do grupo, traz as impressões pessoais e nada otimistas do cantor e guitarrista sobre o “mundo caindo aos pedaços” de hoje. O termo, emprestado do latim, significa ‘era comum’ ou ‘era cristã’, explica por alto a Wikipedia. Homme prefere uma definição mais literal, e soterra observações ácidas sobre a vulgaridade ao redor. “Minha geração está à venda/ A coisa real para nós é fama e fortuna/ Quantas vezes eu tenho que me vender antes de cair aos pedaços/ Eu sou um desses!!! Eu sou um designer!”, dizem os debochados versos anti-consumo (e prontíssimos para consumo) de 'I'm A Designer'. Em 'Run Pig Run', constata que “não há lugar seguro para se esconder”. Em ‘Battery Acid’ diz: “eu sei quem vocês são: robôs! robôs!”. Tudo seco, árido e psicodélico, equilibrando-se com acordes sujos e pesados entre o punk rock e o heavy metal, numa tênue linha pop. Não é qualquer um que tem a manha. Homme gravou o disco com o guitarrista Troy Van Leewen e o baterista Joey Castillo, e salpicou-o com participações de Trent Reznor (Nine Inch Nails), Mark Lanegan (Screaming Trees) e Julian Casablancas, do The Strokes, que canta e toca guitarra em ‘Sick Sick Sick’. Com guitarras que, segundo o próprio líder do grupo, soam como “uma obra em construção”, ‘Era Vulgaris’ é bem mais que isso: um dos grandes discos de rock que viram a luz este ano. Abaixo, ‘Into The Hollow’.
Extended version da resenha que saiu hoje no jornal sobre o filme 'Fabricando Tom Zé', em cartaz a partir de hoje. Tom Zé sempre esteve situado num local estranho e ambíguo na história da música brasileira: foi e não foi tropicalista, faz e não faz sucesso, é e não é um artista popular. O documentarista Décio Matos Jr. perseguiu o compositor de 'Tô' por cinco anos, da pequenina Irará onde Tom Zé nasceu há (quase) 71 anos até uma animada e brancaleônica turnê pela Europa, em 2005. Décio queria enquadrar o artista, q ue surgiu nos anos 60 com a turma baiana de Caetano e Gil, submergiu nas duas décadas seguintes e foi redescoberto no fim do século passado, graças ao interesse do 'talking head' David Byrne pelo disco 'Estudando o Samba', de 1976 (que ele descobriu em 1992). No filme, Décio flagra Tom Zé de todas as maneiras: em momentos de sucesso, aplaudidíssimo na Itália, ou de derrota total, como quando tenta improvisar uma música em francês e a platéia de Vienne vaia o sotaque nordestino do cantor. Sem se preocupar em ser chapa branca, o documentarista exibe um ataque de fúria do artista em Montreaux e o flagra contando piadas para a "maquininha", como chama a câmera Sony que o perseguiu tanto tempo. Mostra seu amor e dependência de Neuza, sua devotada companheira da vida inteira, e expondo suas frustrações e surpresas com a própria vida. Mas nem Décio nem nenhum dos entrevistados que falam sobre Tom Zé conseguem definir o gênio (ou antigênio, como ele mesmo prefere). O próprio trata de fazer isso, quando canta, exasperado, num dos shows da turnê européia: "Eu tô te explicando pra de confundir / Eu tô te confundindo pra te esclarecer".
Jim Morrison pode sair de sua famosa tumba no cemitério de Père La Chaise. Não pelas próprias pernas, claro, mas por obra da polícia francesa, que está doida para exumar seu cadáver. É que parece ter surgido uma nova pista sobre o misterioso fim do cantor, encontrado morto numa banheira parisiense há 26 anos, de acordo com o depoimento do jornalista Sam Bernett. No livro ‘The End – Jim Morrison’, o autor revela o que teriam sido os últimos passos do líder do The Doors antres de se mudar para o Père La Chaise.
Na Paris dos anos 70, Bernett se ocupava de um bar, o Rock’n’Roll Circus. No dia 3 de julho de 1971, Morrison deu as caras por lá atrás de heroína. Quando conseguiu, meteu-se no banheiro do muquifo – foi encontrado meia hora depois, com a boca e o nariz espumando. Os traficantes que venderam a droga ao ídolo, então, teriam-no carregado do bar, na presença de Marianne Faithful (mas hein?). No dia seguinte, Morrison foi encontrado morto na tal banheira de hotel. Bernett diz ter se livrado de um fardo ao fazer a revelação, mas arrumou outro para a polícia francesa, que agora pretende reabrir o caso “em busca de novas evidências”. Poderiam aproveitar e descobrir também o paradeiro do Jordy.
Sempre que vamos à praia, o que ultimamente acontece mais ou menos uma vez a cada estação, na saída é obrigatória uma visita ao BB Lanches, para um sanduíche de pasta de ovo e um suco de tangerina. E foi por pouco que o novo disco dos Beastie Boys, ‘The Mix-Up’, não se chamou, olha só, ‘BB Lanches’. Adam Yauch, ou MCA, também ficou viciado no suco de tangerina da lanchonete, e esta sim virou nome de música no disco, inteiramente instrumental, elegante, cheio de balanço. “Quando estávamos no Rio, fomos a um lugar chamado ‘BB Lanches’, que fazia uns lanches enormes”, lembra MCA, em entrevista à Folha de S.Paulo.
“Descobrimos que o lugar se chamava BB porque Brigitte Bardot costumava almoçar lá quando estava na cidade. E descobrimos também que ela teve um ‘affair’ com Jorge Ben! Então, ‘Suco de Tangerina’ foi feita para Bardot e Jorge Ben”, disse. Na apresentação que fizeram ano passado no Tim Festival, Ad Rock já mencionara o suco de tangerina em pleno palco da Marina da Glória. É uma paixão duradoura, essa.
Abaixo, ‘The Rat Cage’, resultado de uma das sessões que Mike D (bateria), MCA (baixo) e Ad Rock (guitarra) fizeram com o tecladista Money Mark e o percussionista Alfredo Ortiz para criar ‘The Mix Up’.
E numa vibe rock'n'roll, depois de seis anos sem um disco de inéditas. 'Rainin' in Paradize', novo single do cantor, segue sua conhecida verve 'nômades do mundo, tamos aí', mas abandona o violãozinho com bongô que fez sua grande fama e investe em guitarras com distorção e outros efeitos sonoros. Ainda assim, é exatamente o que se espera de Manu Chao. Se 'La Radiolina', o novo disco do músico, programado para sair em setembro, for por este caminho, Manu Chao terá dado uma volta completa rumo às próprias origens, ou seja, ao inclassificável grupo Mano Negra. Até agora, mais de 300 mil pessoas já ouviram 'Rainin' in Paradize' no site do cara, que é bem bacana. Clique aqui para ouvi-la, e também trechos de outras duas canções: 'Mama Cuchara' e 'Panik Panik'. O clipe da música, dirigido pelo bósnio Emir Kusturica, está logo abaixo. Foi filmado na Argentina e é carregado de imagens fortes, inspiradas na letra que diz 'Em Bagdá não há democracia' e 'Em Fallujha, há calamidade demais/ Está chovendo no paraíso'. Manu Chao entende o mundo em que vivemos.
Este Live Earth... não sei não, hein. Apesar disso, qual é a do Ministério Público do Rio de proibir o evento, com uma liminar, justamente na semana de sua realização? Perguntei isso ontem ao Marcelo Lobato, baterista do Rappa, um dos grupos escalados para a etapa carioca do festival. Ele, claro, não soube responder. “Poxa, o filme da cidade já é queimadaço lá fora! Qual é o sentido de proibir o evento logo agora? Por que o MP não questionou isso antes? Quem é que pensa na imagem do Rio?”
Lobato está certo. O MP alegou que a Polícia Militar não teria condições de dar segurança aos “700 mil” espectadores do Live Earth no sábado. Já a PM diz que nunca disse isso. E, cá entre nós, a menos de 10 dias do Pan, a Prefeitura, o Governo do Estado e o Governo Federal não precisam de mais um atestado de incompetência. Vai pegar muito mal para a cidade se o evento for cancelado por falta de segurança. Por isso, não tenho a menor duvida de que o festival irá acontecer. Mesmo que seja propagandeado pelo Al Gore. Mesmo que tenha Xuxa e Pharell Williams em sua escalação...
Ó, nada a ver com aquela musiquinha descerebrante da Eliana (principalmente quando cantada por adultos). Ao contrário: é uma complexa 'coreografia para mãos e dedos' realizada por um certo FrEckleStudios. A trilha sonora, 'Harder Better Faster Stronger', do Daft Punk, é a razão de ser da brincadeira. Crianças, tentem fazer isso em casa!