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Ricardo Calazans

Domingo, 28 Outubro, 2007

DE GRAÇA, ATÉ SHOW DA CIBELLE

Foi do palco/tema Novas Divas o troféu esculhambação do Tim Festival.
(O Novo Rock BR não conta, porque este nem aconteceu, por conta da chuva. Mas os rapazes do Vanguart, Montage e Del Rey se deram bem, no fim das contas: ganharam uma data para se apresentarem no Circo Voador, ou na Fundição, em breve, anotado).

De volta às Divas, a maldição começou com a labirintite de Feist, que tirou a canadense do Festival. Escalados de última hora, Antony Hegarthy e seus Johnsons foram para o sacrifício e conseguiram a proeza de ser ignorados por parte da platéia pela segunda vez na mesma noite. O pobre homem e seu piano pouco puderam contra o burburinho (indelicado, é verdade) do público da Björk, no Tim Volta, e da Cat Power, no Divas. E atraso considerável fez com que Cat Power pedisse para trocar de horário com Cibelle – e fez um grande show viajandão, disseram, não vi.

Mas vi quando a brasileira radicada em Londres Cibelle precisou de uma forcinha da produção do festival para encher a tenda, que às 3 da madrugada estava apenas meio cheia (ou já estava meio vazia). Logo ela iniciou sua intensa comunicação com a platéia. “Quem esperou cinco anos espera mais cinco minutos”, disse, enquanto o show não começava, e ninguém entendeu se ela estava dizendo isso para o público ou para si mesma. Aí ela encostou a boca no microfone e levou um choque. Depois foi mexer na pedaleira e levou outro. Normal que ela se revoltasse. “Não quero participar de nenhum ato trágico”, protestou, fazendo gestos de descarrego. “Muita coisa sobrenatural acontecendo...”, arrepiou-se. Devia ser o fantasma do Devendra Banhart. Mas foi um show bacana.


BABADO NOVO

reprodução da internet

Antes dos Arctic Monkeys, o Hot Chip, experiência que resultou do cruzamento do Kraftwerk com o Klaxons, sacudiu a rapaziada que foi ao palco/tema 'Novo Rock UK', do Tim Festival, com 40 minutos de beats e riffs malandramente premeditados. Quando a banda se diverte no palco a platéia se diverte junto. Houve quem cansasse no fim. Juliette Lewis, ao contrário, cansou no início, com o exagero de sua imitação debochada de Iggy Pop, mas no fim do show de sábado estava entregue àquele escracho de clichês roqueiros (e àquela roupa de vinil). Sua banda de modelos era a mais presepeira do festival. Ela botou a bandeira do Brasil nos ombros! E prometeu voltar ano que vem!! Daqui a pouco tá morando em Santa Teresa!!!

O cara do meu lado disse que, ali, o que valia mesmo o ingresso era a Juliette. “Ah, tinha música também, né?”, lembrou. Depois decretou: “Juliette & The Licks é o Babado Novo do rock”.


LÁ VEM O ARCTIC MONKEYS... IH! PASSOU. VIU?

Uma boa banda de rock sempre busca modos surpreendentes de dizer as mesmas coisas. O velho papo de sexo, drogas e rock’n’roll. A busca por uma vidinha, hmm, menos ordinária, pressa, tesão, curiosidade, guitarra, baixo, bateria. Quando o garoto ou a garota percebem, estão apaixonados pela banda. E são paixões que podem durar a vida inteira, mesmo que muitas delas sejam estranhas (o Coldplay não tem um monte de fãs?).

Paixões assim começam numa noite quente e chuvosa, como a de sexta-feira na Marina da Glória, cenário do Tim Festival. Não havia muita conversa, apenas quatro garotos em cima do palco tentando ser os Beatles, os Smiths, os Ramones ou, quem sabe, até o Blur (Coldplay não). E sobrava confiança ao quarteto Arctic Monkeys, de Sheffield, Inglaterra. Tinham aquele ar auto-suficiente adolescente, mas ora ora, eles têm apenas 20 anos – e têm talento, principalmente.

Na real, acho que o negócio ali era simplesmente despejar velozes descargas de eletricidade sobre a jovem platéia, fazê-la dançar e se divertir. Algo como “o mundo pode explodir amanhã, então vamos nos acabar de dançar hoje”. E havia groove no motor acelerado dos Arctic Monkeys. ‘Fake Tales Of San Francisco’, apesar de ser do primeiro disco, aponta para o futuro da banda: ninguém ataca os instrumentos daquela maneira a vida toda.

Dá pra ver como a galera se divertiu neste vídeo. O vídeo e o som são meio toscos, mas o cara que filmou captou bem o clima.


Quinta-feira, 25 Outubro, 2007

A NOVA DIVA

reprodução da internet

Sai uma diva, entra outra. A canadense Feist anda meio tonta, acometida que foi de uma crise de labirintite, e não vem mais para o Tim Festival - ela se apresentaria amanhã, ao lado de Katia B., Cibelle e Cat Power no palco temático 'Novas Divas'. Em seu lugar, o americano Antony Hegarthy, oruglhosamente andrógino, vai fazer serão: depois de se apresentar com seus Johnsons, antes de Björk, no 'Tim Volta', ele muda de tenda e vai bombar ao lado das divas. Tudo a ver.



Terça-feira, 23 Outubro, 2007

A POLÍCIA APRESENTA SUAS ARMAS

reprodução
"Vamu pulááá!"

Momento corta-onda da coletiva com os promotores da vinda do The Police ao Brasil, hoje cedo, lá no Maracanã: um dos sócios da empresa que trará o grupo ao País capricha no suspense. Quando consegue toda a atenção da audiência, enche o peito e anuncia: "É com muita honra que anunciamos, como banda de abertura para o The Police no Brasil... os Paralamas do Sucesso!"
...
Tudo bem que os organizadores do show querem valorizar o produto nacional, esses papos, mas os Paralamas estão aí toda hora, não é mesmo? E com o ingresso mais barato a R$ 160 (!) bem que o Beck podia abrir pro Police aqui também.
E atenção senhores pais: os ingressos para o show começam a ser vendidos nesta sexta-feira. Depois, é só convencer os filhos de que não é o maior mico ver aqueles três senhores saltitantes no palco gigantesco do Maracanã no dia 8 de dezembro.


Sexta-feira , 19 Outubro, 2007

COLDPLÁGIO

reprodução da internet
Bonito, hein, seu Chris?

E o Coldplay? Foi acusado de plagiar o guitarrista (e astrólogo!) holandês Peter Van Wood, que há anos está radicado na Itália. Wood acusou Chris Martin e comparsas de copiarem sua música 'Caviar & Champagne', de 1982, em 'Clocks', faixa do CD 'X & Y', de 2005. Acostumado aos astros, o holandês pediu uma cifra astronômica (ai!...) pela cara-de-pau: "exige a beleza de um milhão de euros", informou o site italiano Rockol.
O pior é que dificilmente o Coldplay vai escapar de desembolsar uma grana neste caso. Ouça o que Chris Martin confessou à rádio inglesa XFM na época do lançamento do álbum: "O final de 'What If' é retirado dos Beatles. Roubamos muita coisa de muita gente. Mais do que as pessoas possam imaginar." Chris Martin é réu confesso! Mesmo que nunca tenha plagiado o holandês, como vai provar isso agora?
E, olha que divertido, o Coldplay está inclusive citado no site 'Famous Plagiarists', que se dedica a denunciar sem dó esse povo que copia sem pedir licença (tem de Jayson Blair a Osama Bin Laden!). Mas quem não faz isso hoje, não é mesmo?
Pode ter sido a primeira vez que outro artista acusa a rapaziada chorosa do Coldplay de plágio. Mas fãs do U2, Beatles, Radiohead e Kraftwerk já puseram a boca no mundo para reclamar das "apropriações" indevidadas da banda. Tudo bem que nesta vida nada se cria, tudo se copia e tal, mas assim também já é exagero.


Quinta-feira, 11 Outubro, 2007

PUNK FUNK DISCO HOUSE!

Confirmado oficialmente, agora há pouco, o show do LCD Soundsystem no Circo Voador, no dia 17 de novembro (isso originalmente: depois a data mudou para o dia 16. Valeu, Márcio!). O grupo vem badalar aqui seu ‘Sound Of Silver’, um dos discos imperdíveis, obrigatórios, definitivos etc etc de 2007. “Sound Of Silver talk to me, makes me want to feel like a teenager...” Abaixo, o vídeo de ‘North American Scum’. James Murphy é o cara.


VALE QUANTO PESA. MAS NÃO PESA NADA

www.inrainbows.com

Decidi que ‘In Rainbows’, o novo disco do Radiohead, valia 4 libras. Foi o que paguei para ter direito a downloadear o álbum. Ontem abri o computador, dei uma olhada nos e-mails e já estava lá, logo às 7h30, o link. Cliquei e vieram todas as 10 músicas. Inteirinhas. Sensacionais, como sempre (‘no surprises’). Foi bom pra mim e certamente pro Radiohead. Já há quem trombeteie que o 1º de outubro de 2007, data em que a banda liberou os consumidores a pagar o que quisessem pelo álbum, foi o dia da morte das gravadoras. Mas quer saber? Não é o mesmo que encomendar um CD e recebê-lo pelo correio...


EFEITO COLATERAL?

Divulgação / EMIToda a pirataria, a gritaria e o efetivo sucesso comercial de ‘Tropa de Elite’ ressuscitaram antigo sucesso do grupo Tihuana. ‘Tropa de Elite’, a música, já é uma das mais baixadas para toque de celular: são pelo menos 500 por dia. Até o fim do mês a EMI espera chegar à marca dos 60 mil downloads (deve ser isso que chamam de fogo amigo na linguagem militar do Bope). A música também está na inevitável trilha sonora do longa, que será lançada ainda este mês.


Sexta-feira , 5 Outubro, 2007

ALÔ, GALERA DO META-A-AAAAL!!!

A galera do metal / reprodução

Sam Dunn é um antropólogo com uma tarefa: provar ao mundo que os metaleiros também têm um coração. E que bater cabeça não afeta (tanto) o cérebro. Ele é diretor, com Scott McFadyen e Jessica Joy Wise, e narrador do festejado 'Metal — Uma Jornada Pelo Mundo do Heavy Metal', documentário de 2005 que até que enfim deu as caras por aqui. Dunn se propõe a desmistificar mitos acerca deste gênero de cabeludos, beberrões e satanistas. Entre eles o de que se trata de um gênero de cabeludos, beberrões e satanistas. Embora não dê muito para contestar isso, o persistente Dunn insiste na complexidade da questão.
Ele tenta explicar a adoração dos fãs (o sentimento adolescente de pertencer a “algo maior”), aborda o visual espalhafatoso das bandas e defende o metal das acusações de que suas letras estimulam a violência e o suicídio. Peregrina até a 'Meca' alemã dos bangers e vai atrás dos 'normaizinhos' adeptos do black metal demoníaco da Noruega, que queimam igrejas para acabar com o Cristianismo, e não esconde o fato de que vários heróis desta cultura de garotos estava lá justamente pelos garotos (taí o Rob Halford, do Judas Priest, para provar).

Piece Of Mind, do Iron Maiden / reprodução
Meu primeiro disco de meta-a-aaal!

Principalmente, o documentário conta com bons testemunhos de monstros do metal, caras do porte de Lemmy, Tony Iommi, Rob Zombie, Bruce Dickinson, Alice Cooper e Ronnie James Dio. O grande achado do filme é Dee Snider, o vocalista quase-travesti do Twisted Sister, e seu embate público com Tipper Gore, mulher de uma verdade inconveniente, num julgamento moralista que encheria de orgulho o senador McCarthy. Mas cadê o Sepultura no filme? Falha grave, cabeludo. Bacana, ainda assim.


Quarta-feira, 3 Outubro, 2007

PRA ONDE VAI O MUNDO?

http://www.pitchforkmedia.com / reprodução

Quem sabe o Radiohead redescobriu a pólvora? Ou iniciou um novo capítulo no arrastado ser ou não ser da indústria musical – e das músicas baixadas ilegalmente?
No mínimo, ao deixar para o público a tarefa de determinar quanto vale seu novo álbum, ‘In Rainbows’, disponível para download no dia 10, eles encurtaram o caminho entre quem produz e quem consome música.
Na média, pelo que conta a NME, eles vêm faturando cinco libras (cerca de 20 reais) por cada disco vendido, e a resposta do público tem sido muito boa, conforme a revista confirmou numa enquete para saber quanto as pessoas estavam pagando pelo CD.

“Eu paguei 10 libras. Eles merecem. Estou contente que eles tenham voltado a fazer música. É duro pôr um preço nisso”, disse um cara.
“Eu paguei 7,50. É o preço padrão de um CD aqui no Canadá. E porque o Radiohead fez um álbum disponível de graça eu resolvi pagar por ele. Eles têm rejeitado as jogadas de marketing e os padrões comerciais da indústria musical. Esta banda é absolutamente surpreendente”, comentou outro.
“Eu não paguei nada. Eu realmente queria pagar oito libras por ele, mas em meu país temos um controle cambial que limita nossa quantidade de dólares. Eu não me sinto bem de pegar o disco de graça. Por isso eu não peguei a caixa”, contou um venezuelano.
“Por um CD normal o preço final costuma ser de 9 libras. A gravadora recebe 25%, então sobram 6,75. Eu ouvi dizer que os artistas faturam 18% deste valor. O que dá 1,215. Portanto, paguei 1,22”, explicou um inglês.
E um australiano declarou: “Qual o preço da felicidade? Para mim, 7,99”.

Como estratégia guerrilheira de promoção, é um grande lance. O problema é que toda promoção é por tempo limitado. De qualquer forma, não dá pra negar que o Radiohead é uma banda que sabe ficar próxima de seu público. Mesmo à distância.