Jack White de toureiro mané, Meg White de gandula de tourada e um touro malandro estrelam 'Conquest', novíssimo clipe do White Stripes. Dá uma olhada. Muito divertido - e a música é sensacional!
A jornalista norte-americana Sharon Lawrence não é uma biógrafa qualquer. Ela foi amiga e confidente de seu biografado, o genial e enigmático guitarrista Jimi Hendrix. Durante três anos, Sharon manteve com ele inúmeras conversas íntimas sobre sua infância dramática, sonhos e a angústia de ter se tornado uma celebridade sem controle sobre os próprios atos. Trinta e cinco anos após a morte do astro, a jornalista despejou suas memórias no amoroso e contundente 'Jimi Hendrix', em que oferece uma visão ampla e bem diversa da imagem do guitarrista "doidão" que se criou ao longo dos anos.
O livro está sendo lançado agora no Brasil, pela editora Jorge Zahar ((356 páginas, R$ 39,90). "Jimi era uma pessoa única, não se esquece facilmente o que ele tinha a dizer. Eu herdei de meus pais uma grande memória. E também gravei muitas de nossas conversas. Jimi adorava gravar fitas", contou Sharon, por e-mail.
Através dela, detalhes da infância itinerante do músico vêm à tona. Nasceu em Seattle, futura terra do grunge, em 1942, quase por acidente, e só conheceu o pai quando tinha três anos. Aos 4, Al, o pai, decidiu que ele não se chamaria mais John, seu nome de batismo, e sim James. "O pai de Jimi estava sempre a lhe dizer: 'Saia do caminho', 'não faça bagunça', 'não seja atrevido'", conta Sharon no livro.
Dos 3 aos 16 anos, o jovem Hendrix mudou de casa 14 vezes, e ao iniciar a carreira de músico, acompanhando artistas de rhythm'n'blues, continuou sua vida de nômade. Os que o conheceram assim, no limite da miséria, sem nunca desgrudar de sua guitarra, lembram que desde cedo ele se mostrava especial. Vários dos 250 entrevistados por Sharon se referem ao artista como um "ser iluminado". "Eu sempre penso nele apenas como Jimi, embora ele tenha feito muitas coisas que o tornaram maior que a vida. Mas quando morreu, não nos referíamos a ele com palavras como 'ícone' ou 'lenda'."
Enquanto descreve passo a passo o desenvolvimento do talento de Jimi, sua "descoberta" por Chas Chandler, ex-baixista do grupo Animals, em 1966, e o estouro na Inglaterra com o trio Experience (ao lado do baixista Noel Redding e do baterista Mitch Mitchell), Sharon também conta como o músico negro reverenciado pelos brancos foi seguidamente explorado, enganado e ludibriado por empresários, advogados, produtores e pessoas a quem ela se refere no livro como "parasitas" – incluindo nesta conta o pai de Hendrix e Janie, “irmã” postiça do astro, com quem se encontrou apenas quatro vezes em vida, mas que conseguiu meter a mão no dinheiro manipulando e jogando sujo.
Descreve longamente as diversas brigas judiciais que envolveram o espólio do cantor e como, apesar de ele ter pautado sua vida pelo lema paz e amor, via seu nome constantemente atrelado a interesses comerciais – ficava perturbadíssimo por ser visto como uma cifra.
Sharon responsabiliza a candidata a celebridade Monika Dannemann pela morte de Hendrix, que se intoxicou com o próprio vômito após tomar 9 comprimidos de um remédio fortíssimo (nove era o número da sorte de Jimi). "Em vez de prestar socorro, aquela egocêntrica ficou imaginando o que a imprensa iria dizer e como ela seria retratada."
Mas boa parte do livro é sobre o guitarrista intuitivo e genial que tinha, entre seus primeiros fãs, astros como Pete Towshend, Jeff Beck, os Rolling Stones, os Beatles e Eric Clapton. Em sua autobiografia, Clapton (que sempre se drogou muuuuuito mais que Hendrix) dizia que ele “deveria ter ido” no lugar do amigo. A Sharon, Clapton disse a mesma coisa. Jimi tinha apenas 27 anos quando morreu.
Primeiro comentário do Antônio enquanto via ‘Help!’ pela primeira vez, semana passada: “Quem não gosta dos Beatles deve ser maluco!”
Gosto de Pixies, não gosto da Britney, gosto do Guilherme Arantes, não gosto de Ana Carolina, gosto de Sepultura, não ouço CSS, gosto dos Beatles mas não sou besta de ouvir os discos do Ringo, gosto de Art Brut, não ligo pro Klaxons. Gosto, não gosto. E daí?
E daí que todo mundo sempre tem seu palpitezinho pra dar, um conceito a formular, uma idéia para expor, um comentário a fazer. Nada a ver os Paralamas abrirem pro Police? O Radiohead é mais malandro que revolucionário? Eu acho isso, eu acho aquilo. O achismo é geral. Muitas vezes você não perguntou nada. Ainda assim, abre o jornal, folheia a revista, liga a TV, sintoniza o rádio, navega na Internet, baixa o podcast, e esbarra em dezenas, centenas, milhares de velhas e novas opiniões formadas sobre tudo. E música é desses assuntos que mobilizam as pessoas, gera amores e ódios, vendettas, risadas, lamentos. O cara que resenhou e sentou a tapa num disco que você adora e conhece de trás pra frente é ou não é um imbecil?
Sobre este assunto, já dizia Anton Ego que “a mais simples porcaria vale mais que nossas críticas”. Ou algo que o valha.
O Antônio, que não perde tempo, nem pensa nessas coisas.
Estereotipando bandas inglesas sem a menor vergonha: os Franz Ferdinand são os “ambivalentes da escola de arte”; o Bloc Party, o “multiculturalismo em ação”; o Kaiser Chiefs, os “hooligans de guitarras”. Sobre esta última, os caras gostam mesmo de futebol, são fanáticos pelo Leeds e batizaram o grupo em homenagem ao sul-africano Lucas Radebe, jogador de seu time importado diretamente do, olha só, Kaizer Chiefs Football Club. Com os ouvidos educados em estádios, eles têm vocação para fazer hinos e, com ‘Yours Truly, Angry Mob’, a bela coleção de música pop que lançaram este ano, querem que o povo cante com eles. Produziram com esmero e foram além do punk tecnopop oitentista, The Clash com Duran Duran, que grassa (já grassou mais) por aí. Calcularam bem as jogadas e seu disco tem bons lances de efeito, riffs e refrões que grudam fácil: ‘Ruby’, ‘The Angry Mob’ e ‘Love’s Not a Competition’, que acaba de ganhar videoclipe. Se continuar assim, quando crescer o Kaiser Chiefs vai ser o Supergrass.
É o título de um publicado ontem por Danny McFaden no site do jornal inglês The Guardian. Ele diz que esta semana se pegou assinando três mensagens com um "incerto obrigado" e, depois de avisar que não fala português, começa a se perguntar se não deveria, já que esta vem se tornando a "primeira língua" da música dance.
Cita os angolanos do Buraka Som Sistema, propagadores do kuduro, e os situa como primos do "movimento Baile Funk ou Funk Carioca", do Brasil, que ele coloca bem distantes do significado do termo 'world music' popularizado por Peter Gabriel e Paul Simon nos anos 80.
Conta que conversou sobre as barreiras da linguagem com o DJ Gorky, do Bonde do Rolê (e não esconde um certo espanto ao descobrir que o popular (por lá) 'Solta o Frango' significa, em inglês, 'Release The Chickens').
E que a nova música do popozudo Edu K, 'Gatas Gatas Gatas', é o que movimenta o novo comercial de TV da Sony Ericsson.
O Cansei de Ser Sexy não entra nessa conta porque não canta em português.
Será? Porque o Led Zeppelin vai sair mesmo em turnê em 2008. Ian Astbury, vocalista do reformado The Cult, não deixou muita margem para especulações ao afirmar recentemente que "voltaremos ano que vem, porque vamos abrir para uma banda da qual vocês já devem ter ouvido falar. Seu nome começa com 'L' e tem um 'Z' nele".
Desde 2005, Jimmy Page é cidadão honorário do Rio de Janeiro. Há 10 anos, ele faz doações para a Casa Jimmy, gerenciada pela ONG britânica Task Brasil Truth, que abriga crianças de rua e acolhe adolescentes carentes grávidas. Ele também costuma passar longas temporadas em Lençóis, na Chapada Diamantina, onde tem uma casa. Não sei não, mas acho bom começar a economizar uns trocadinhos para o show do Led no Maraca! E se for que nem o The Police, põe trocado nisso aí!
2007 É o ano do eterno retorno. De todo tipo: The Police, Sex Pistols, Eagles, Smashing Pumpkins, Spice Girls, até Backstreet Boys. E Led Zeppelin, que fará um show depois de longa e até então definitiva hibernação no dia 10 de dezembro, em Londres. E está virando febre de novo: esta semana, 'Stairway To Heaven' voltou às paradas! A música mais famosa do famoso Led Zeppelin IV, de 1971, alcançou o 37º lugar na parada de singles britânica, dias depois do grupo de Jimmy Page, Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham (in memorian) ter liberado suas canções para download (pago).
Jimmy Page, aliás, anda se empolgando com a idéia de reunir seu supergrupo. Anunciou hoje que vai tocar uma música inédita no show, composta, segundo sua prodigiosa memória, "entre 1968 e 1980". E, enquanto o dedinho quebrado não fica bom, faz planos de vôo mais altos para o Zeppelin. "É um pouco egoísta fazer um show só. Se não fosse assim, seria melhor nem ter tirado o gênio da garrafa", andou dizendo o guitarrista quase baiano há alguns dias. E também andou dizendo: "Eu ficaria muito surpreso caso não fizéssemos músicas novas. Somos músicos e alguma coisa nova deve surgir, se estivermos tocando bem", contou. Então tá tudo certo, hein: disco novo e show no Maracanã em 2008.
E aí eu li que as Spice Girls cantaram 2 (duas) músicas e trocaram de roupas 3 (TRÊS) vezes durante o primeiro show da “volta”, semana passada, no desfile da Victoria Secret’s.
Dos artistas independentes que rodam o país no circuito de festivais e shows de rock, a dupla Montage, nascida em Fortaleza em 2005, é feita de electro, punk e uma boa dose de coragem. Nesta época cinzenta e preocupante, em que qualquer Capitão Nascimento vira herói da classe média apavorada, o grupo batizou seu disco de 'I Trust My Dealer', e tem uma letra de deixar qualquer neo-reaça de cabelo em pé: "Eu não tenho problemas porque confio no meu traficante", canta/provoca Daniel Peixoto, o lourinho aí ao lado. "Falamos de coisas que todo mundo faz mas não fala abertamente", contou Daniel, que costuma fazer muito sucesso nos shows quando destila a letra de 'Ode To My Pills': "Lexotan, Diazepan, Hactapan, Ripnol, Valiun Vale um, Benflogin faz bem faz mal faz bem faz mal pra mim". Esta é a vantagem de ser independente: não há filtros moralistas na comunicação com o público. Durante um ano, Daniel e o multiinstrumentista Leco Jucá, a outra metade do grupo, juntaram dinheiro para bancar uma pequena turnê de divulgação por Inglaterra, Holanda e Alemanha. "Nosso plano de carreira incluía essa excursão", lamentou Daniel, porque a viagem terminou na intransigência xenófoba e homofóbica do departamento de imigração inglesa, no aeroporto londrino de Heatrow, onde o músico ficou detido por 32 horas - 17 delas sem poder se comunicar com qualquer pessoa para dizer o que estava acontecendo. Mais lamentável que este triste, porém até certo ponto previsível, episódio, foi a reação de alguns leitores dos inúmeros sites que o noticiaram. Houve quem dissesse que, ao viajar, deve-se sempre conservar "a melhor aparência possível". A aparência de Daniel, ex-modelo da Ford, é a que ele deseja ter. Pelo jeito, ele foi inocente ao exercer a própria liberdade. Nosso tempo é muito cínico.
Boa notícia para começar a semana, pelo menos para quem é fã do Weezer: a banda terminou as gravações de seu novo disco no mês passado e ele deve lançá-lo no dia 22 de abril de 2008. A informação está no site www.albumsix.com (álbum seis), que é como a banda tem chamado, por enquanto, o novo trabalho. Na mesma página, há também anúncio do primeiro disco solo de Rivers Cuomo, o normalzinho líder dos Weezer, desde sempre um dos grupos preferidos de Caco, O Sapo. O trabalho é uma coleção de demos de Cuomo, registradas desde a época em que ‘Buddy Holly’ ainda era um esboço e está programado para vir ao mundo em dezembro.
Soul Grand Prix, Jet Black, Dinamic Soul, Vip's, Furacão 2000, Black Power, Luizinho (Disc Jockey Soul), Boot Power, Equipe Modelo, Cash Box, Tropa Bagunça, Alma Negra, Prelúdio, Apoluisom, Soul Layser, My Soul, Pop Rio, Afrosoul, Black Flower... Variavam por aí os nomes das equipes de som que se multiplicaram pelos subúrbios do Rio nos anos 70, inspirados nos Bailes da Pesada do pioneiro Big Boy, no funk e no soul americanos de James Brown, Funkadelic, Stevie Wonder, e no som cheio de groove de Tim Maia, Cassiano, Carlos Dafé, Banda Black Rio, Gerson King Combo, Tony Tornado. Hoje, no Circo Voador, a festa 'Circo Soul' homenageia os 30 anos dos avós dos bailes funk de hoje com 11 horas de festa, show e memorabilia do movimento Black Rio. Começa às 18h e os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Com filipeta, saem por R$ 20. Vai lá chacoalhar o esqueleto. E por falar em filipeta, aí vão duas raridades da época (circa 1976), que estarão em exposição hoje, durante o bailão. Na época, o povo chamava esses flyers de "volantes".
Isso é que é mudar sem sair do lugar. O '(operadora) Noites Cariocas' trocou o Morro da Urca pela Praça Mauá, como informa hoje a capa do DIA D. Não carregou a vista do Pão de Açúcar, mas em compensação levou para o píer a mesma programação musical de sempre: Cidade Negra, Jota Quest, Jorge Ben, Fernanda Abreu, Lulu Santos, Paralamas, Capital Inicial etc ai que sono etc. Dá a impressão de que nada acontece nesta cidade...
Em apenas uma semana, 'Long Road Out Of Eden', o novo disco dos Eagles, o primeiro que eles lançam em 28 anos, vendeu 3 milhões de cópias. Feito impressionante nesta indústria vital, em qualquer época, com ou sem crise, e prova de que, apesar da idade, os dinossauros ainda sabem vender discos. Semana que vem o disco chega ao Brasil.
Indo um pouco além da matéria publicada ontem no DIA, sobre a alta contínua nos preços dos shows, com algumas visões interessantes sobre a questão que não couberam no jornal impresso por sua natural limitação de espaço.
Uma latinha de Coca-Cola custava R$ 1 em 1994, ano zero do real. No supermercado aqui do lado de casa, custa R$ 1,89 hoje. Treze anos para chegar perto dos cem por cento de aumento.
Em 2002, Roger Waters se apresentou na Praça da Apoteose. O ingresso, de valor único, custava R$ 70. Em março deste ano, o ex-baixista do Pink Floyd voltou a tocar lá. O ingresso mais barato custava o dobro do de cinco anos atrás. O mais caro saía por R$ 500.
Este é também o valor do ingresso mais caro para o show do The Police, dia 8 de dezembro, no Maracanã. Apesar do preço, os 2.500 lugares para o setor "Premium", ao lado da área VIP, esgotaram-se em menos de 24 horas.
Sérgio de Mello Souza, um dos sócios da Brasil 1 Entretenimento, responsável pela vinda do Police, sabe explicar o fenômeno. "Público não falta no Brasil, o desafio é lidar com a economia. Quando o consumidor consegue destinar um percentual do seu orçamento para gastos com entretenimento, é sinal de uma economia estável. Cria-se um mercado para eventos de grande porte, como esse."
Mas o que justifica essa alta contínua de preços nos ingressos? O meteorologista Igor Cerqueira comentou, alguns posts abaixo, como conseguiu pagar R$ 126 por dois ingressos, quando o preço de entrada mais barato no Maracanã é R$ 160."Veja bem, na Argentina paguei dois ingressos por 126 reais (incluindo taxas do cartao). Voo ida e volta da Gol por 400 pratas (comprei ha um tempao também, nem imaginava que teria o show) e uma semana depois do The Police vai ter o PersonalFest com Happy Mondays, Cypress Hill, Dandy Warhols etc. Eu acho que vale a pena...", disse Cerqueira, que vive em Capetown.
"Mas a Argentina está em crise", argumenta Sérgio de Mello Souza. "Para o argentino, este valor talvez seja mais pesado, no orçamento, que o preço dos ingressos no Maracanã. A economia deles não está aquecida. Você tem que ver também parâmetros de outros shows, como U2, Aerosmith e Roger Waters."
Em 1998, o ingresso mais caro para o desastroso show do U2 no Autódromo custou R$ 175. Ano passado, o mais barato, no Morumbi, saiu por R$ 200 (o mais caro era R$ 380). Na mesma época, o Franz Ferdinand veio tocar no Circo Voador. Os ingressos, vendidos a R$ 100, esgotaram-se em dois dias. Dia 16, o LCD Soundsystem, sucesso nos festivais da Europa, é quem se apresenta por lá. A R$ 200. Por que?
"O Franz Ferdinand se envolveu no processo, quis fazer o show e nós também, então foi uma feliz coincidência. Cobramos cem reais porque limitamos a venda de ingresso para não ficar insuportavel pra quem pagasse esse preço. Nós não temos bala pra comprar um show desses, oferecemos um percentual da bilheteria pra quem está trazendo.Mas para que compense para quem está trazendo o show, temos que acordar um preço de ingresso que seja suficiente para pagar a produção deles. Por mais que possamos insistir em um teto, tem uma hora que chega no impasse: Se não for assim, nao fazemos o show. Nosso consolo é sabermos que quem for ao LCD vai ver um show que nao se veria nem na gringa, porque o LCD nao toca mais em espaços pequenos faz muito tempo. Os caras estão no auge, tocando pra multidoes em festivais. Aqui é outra onda", diz a equipe do Circo Voador, que responde coletivamente.
Até 2001, as carteiras estudantis eram emitidas exclusivamente pela UNE e pela UBES. Naquele ano, a medida provisória 2.208 estendeu a todo estabelecimento de ensino essa prerrogativa. Qualquer aluno de qualquer curso de qualquer coisa com uma carteira na mão passou a exigir meia-entrada em cinemas, teatros, casas de shows. Sem contar as muitas carteiras falsificadas. Os ingressos subiram de preço. A lei continua em vigor e a própria UNE reconhece que o caso exige algum tipo de regulamentação.
"A verdade é a seguinte: não existe desconto. O estudante paga a entrada inteira e o público normal paga o dobro", assume Ricardo Chantilly, presidente da Associação Brasileira dos Empresários Artísticos, que luta com unhas e dentes contra a meia-entrada. "A lei é absurda e inconstitucional. Eu pago imposto inteiro, com ou sem meia-entrada. Eu sou a favor da meia-entrada, mas sou contra uma lei que tira 50 por cento do meu trabalho", argumenta ele.
Pelas contas de Chantilly, até 80% dos ingressos para teatros, shows e cinema são comprados com carteirinhas estudantis. "É uma intervenção estatal na iniciativa privada sem contrapartida alguma para quem oferece o produto cultural", diz. A galera do Circo também acredita que o problema só pode ser resolvido com uma mudança na lei. "Poderiam dar uma moralizada nessa meia entrada oba oba, para que beneficie quem tem que beneficiar, gente que está estudando. Mas numa cidade em que a dureza extrema não é exclusividade de estudantes, muito pelo contrário, nós torcemos mesmo é para que todos possam pagar 50% do ingresso. Mas enquanto não se resolve isso, temos que fazer malabarismos para poder trazer shows como o do LCD para o Circo."
‘Neon Bible’, o disco sombrio e do caceta que o Arcade Fire lançou este ano, foi gravado dentro de uma igreja no Canadá. O Cowboy Junkies, outra banda canadense, fizera algo parecido há 20 anos. ‘The Trinity Sessions’ foi registrado em um único dia de 1987 na igreja da Santíssima Trindade, em Toronto, pelos irmãos Timmins. Como o álbum da turma do Win Butler, o disco de estréia dos Cowboys Junkies imprimiu uma estranha intensidade fervorosa a suas canções. São discos fantasmagóricos, repletos de reverberação, como se fossem músicas do além. ‘Trinity Sessions’ ganhou agora uma versão comemorativa, com gente como Nathalie Merchant e Ryan Adams regravando, com os próprios Junkies, aquelas belezuras que são ‘Misguided Angel’ e ‘Blue Moon Revisited’, as músicas mais tristes de toda a existência.
E vou dizer: gosto de graça do Arcade Fire. Fui com a cara dos sinistros canadenses desde que dei de cara com eles no Tim Festival, há dois anos. Mesmo com aquele aspecto de quem não é muito chegado num chuveiro. Não sei, não cheguei perto do povo pra conferir. O negócio é que eu não esperava nada do show e, Olívia e Pedro estão de prova, fomos varridos de cara por uma onda irresistível de coros de torcida de futebol inglesa: "Ôô! Ôôôô. ÔÔ! Ôôôô! ôÔ. ôÔÔôô..." Wake Up! Show de verdade. Desde então, fiquei ligado nos malandros. É uma gente estranha, vou te dizer. Dá uma olhada no site dos caras.
E há umas semanas viciei no miniclipe interativo da música 'Neon Bible', que permite ao espectador brincar à vontade com o Win Butler, o chefe da gangue, enquanto ele canta. Tudo em preto-e-branco. Como no reino de pesadelos que eles refletem com requintes de crueldade e sofisticação. Não é fácil ser gente.