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Ricardo Calazans

Segunda-feira, 31 Dezembro, 2007

BEEEM DEPOIS DA FOLGA DE NATAL

E antes que o ano acabe, segue uma retrospectiva do que 2007 deixa pra gente.

POR AQUI:
- em 2007 o Brasil festejou os 100 anos do frevo e os 110 anos de Pixinguinha.
- Sandy & Junior separaram-se depois de 15 anos de muito sucesso e pouca música boa.
- Los Hermanos entraram em "recesso" por tempo indeterminado. Amarante perdeu o rumo e foi parar no novo CD do Devendra Banhart.
- Claudia Leitte deixa o Babado Novo. Acho que babou pro Babado em 2008.
- A polêmica do ano: a censura de Roberto Carlos à biografia 'Roberto Carlos em Detalhes', do Paulo César de Araújo.
- Cansei de Ser Sexy + Bonde do Rolê: entraram no circuito de festivais de rock e viraram queridinhos da imprensa internacional (os primeiros terminaram o ano brigados com o empresário e os outros sem a vocalista Marina - será que ela sai em carreira solo? socorro!)
- Roberto Carlos de novo: pela primeira vez em quatro décadas não teve disco do Rei no fim do ano. De novo: quem é rei perde a majestade?
- 'Good Luck / Boa Sorte', da Vanessa da Mata, com canja do Ben Harper, foi uma das mais tocadas do ano. 'Tá Perdoado', de 'Samba Meu' (quer dizer, da Maria Rita) também tocou até rachar. Arlindo Cruz pra presidente!
- Chico Buarque tocou no Circo Voador. Caetano Veloso gravou DVD na Fundição. O que há com essa gente?
- Paulinho da Viola lançou CD e DVD 'Acústico', com três inéditas, depois de 11 anos sem lançar um disco novo.
- Os shows do Canastra: os mais divertidos do Rio
- Continua saindo muita coisa boa dos manguezais de Recife e arredores: em 2007, teve a Fuloresta do Siba, o Maquinado do Lucio Maia e o 'Simulacro' do China, sem contar o 'Fome de Tudo', do Nação Zumbi
- O fim patético do Ira!

10 Mais:
- Fernanda Takai: 'Onde Brilhem Os Olhos Seus' / Nação Zumbi: 'Fome de Tudo' / Vanguart / Orquestra Imperial: 'Carnaval Só Ano Que Vem' / Maquinado: 'Homem Binário' / Péricles Cavalcanti: 'O Rei da Cultura' / Alzira Espíndola: 'Alzira e.' / Marina de La Riva / Canastra: 'Chega de Falsas Promessas' / Siba: 'Toda Vez que Eu dou um passo o Mundo sai do lugar'

LÁ FORA:
- 2007 foi o ano da volta dos dinossauros: Led Zeppelin, The Police, Eagles, Smashing Pumpkins... E como em Jurassic Park, houve também efeitos colaterais: Spice Girls, Backstreet Boys...
- O Radiohead deixou a cargo dos consumidores decidirem quanto valia seu novo CD, 'In Rainbows', e gerou uma (boa) discussão mundial sobre o valor da música e os méritos da indústria.
- Prince divulgou seu novo CD, 'Planet Earth', na Inglaterra, de graça: encartou três milhões de cópias num jornal e provocou a ira dos lojistas.
- Madonna trocou a Warner pela Live Nation, que passa a cuidar de sua agenda de shows, discos e merchandising - justamente o que as gravadoras querem fazer com seus artistas.
- O myspace continuou sendo uma fonte da juventude: Mika e Kate Nash, bombados na Europa, agradeceram.
- Amy Winehouse bombou com 'Back To Black' e foi bombardeada por conta de sua depressão pública. Teve um dos discos mais aplaudidos (e vendidos) do ano, mas não sai das páginas dos tablóides.
- 2007 foi o ano em que Keith Richards confessou: "cheirei meu próprio pai"
- E tivemos uma boa agenda internacional: The Police, Motorhead, Marylin Manson, Diana Krall, LCD Soundsystem, Magic Numbers, Arctic Monkeys, The Rakes, The Killers, Gotan Project etc etc
- O calvário de Britney Spears desembocou num disco ridículo.
- O ano comprovou: o funk carioca vai dominar o mundo.
- O fim patético do New Order

10 mais:
Amy Winehouse: 'Back to Black' / Arcade Fire: 'Neon Bible' / The Good, The Bad And The Queen / Daft Punk live at Olympia / White Stripes: 'Icky Thump' / Queens Of Stone Age: 'Era Vulgaris' / Radiohead: 'In Rainbows' / Arctic Monkeys: 'Favourite Worst Nightmare' / LCD Soundsystem: 'Sound Of Silver' / Wilco: 'Sky Blue Sky'


Quarta-feira, 19 Dezembro, 2007

EU, HEIN?

chuta o balde, filha! / reproduçãoEu estava no meu canto. Não havia perguntado nada a ninguém. Nem estava interessado no assunto. Aí chegou o e-mail: 'Lilly Allen espera seu primeiro filho'. Uau, vamos ver do que se trata. "A assessoria de Lily Allen confirmou hoje que Lily e seu namorado, Ed Simons (Chemical Brothers), estão esperando seu primeiro filho", informava a nota da gravadora, seguida do aviso mal-humorado: "Como a gravidez está no início, a saúde da criança é a principal preocupação e Lily e Ed não farão mais comentários sobre a novidade". Ah, sim. Mas então pra que espalhar a "novidade" - e através de nota oficial? Ela quer ou não quer publicidade?


Segunda-feira, 17 Dezembro, 2007

SAPATO VOADOR

Reprodução

Qualquer artista, faça sucesso ou não, goste-se dele ou não, pode virar alvo de críticas – ou objetos voadores. Aconteceu com o Cansei de Ser Sexy, que na sexta-feira viveu seu dia de Maurinho contra a geral do Maracanã. Durante show em Brighton, na Inglaterra, a banda deixou o palco mais cedo, depois que um sapato voou da platéia e acertou a vocalista Lovefoxx bem na cara. A apresentação terminou abruptamente, os fãs ficaram fulos e protestaram contra o anônimo atirador de sapatos.

Lembro que jogaram uma lata de cerveja no Lobão no Rock In Rio II; ele abandonou o palco xingando a mãe dos cabeludos que queriam ver o Sepultura (Erasure, talvez?). Na edição seguinte do evento, Carlinhos Brown entrou numa de desafiar o público do Guns’n’Roses e levou uma saraivada de, quem diria, água mineral. E a rejeição ao Erasmo Carlos, no primeiro Rock In Rio, já foi contada até em livros. Ao que consta, o CSS não estava enfrentando a platéia do Oasis em Brighton. Teoricamente, não havia, ali, nada contra eles, além do maldito sapato voador.

E se ele tivesse chulé?


Segunda-feira, 10 Dezembro, 2007

THE POLICE

Do Maracanazinho ao Maracanã a distância é a de um pulo, mas o Police levou 25 anos para percorrer este caminho. Sábado à noite, um sistema de som potente bombava nos ouvidos das 74 mil (será?) pessoas que foram oficialmente ao ex-Maior do Mundo assistir ao veterano power trio inglês. Em 1982, imagino, o som devia ser, no mínimo, sofrível. Mas as coisas pareceram ser como antes: Sting na linha de frente, Andy Summers e Stewart Copeland ali ao lado, loucos para roubar um pouco da atenção para si também.
No desfile de músicas que apresentaram, todos tiveram seus momentos de brilho. Summers pôde exibir seus muitos truques na guitarra, Copeland fez questão de mostrar que ainda é um ritmista alucinado, Sting cantou e tocou bem seu velho baixo e conversou em português com o público (pelo menos no início; depois foi ficando cada vez menos expansivo).
Em alguns momentos deram a impressão de estar ali em campo apenas cumprindo uma milionária tabela. Nas quase duas horas de show, a empolgação de 30 anos atrás voltou em ondas (em Don't Stand So Close To Me, Walking On The Moon, Can't Stand Losing You, King Of Pain...). A que eu mais gostei foi ‘When The World Is Running Down, You Make The Best What’s Still Around’. Roqueirona e suingada a regatta de blanc dos coroas.

À tarde, do lado de fora, eu vi um inusitado show de uma banda da linha ‘80 Pride’, o trio de Barra Mansa Figurótico. Garotos que amam Os Paralamas e o Ultraje a Rigor, chegaram na careta e plugaram os instrumentos na frente do pé sujo Maraca Gelo. Os caras lançaram um CD independente que se chama ‘Mamãe, Quero Voltar No Tempo’ – mas o trabalho é autoral. Tinha nego às seis da tarde pogando no boteco, bem em frente ao estádio, com as versões dos caras para sucessos do Ira!, Ultraje, Paralamas e Police, além de arriscarem algumas de própria lavra. Voltaram para Barra Mansa como os mais novos heróis da Tijuca.

E os Paralamas encararam o Maracanã com a tranqüilidade de quem disputa uma pelada de fim de ano no estádio. Convidaram Andreas ‘Sepultura’ Kisser para dar um peso extra às guitarras e cascaram velharia na galera. Ironicamente, Herbert errou a introdução de ‘Meu Erro’; parou e recomeçou, sem frescuras. Quando deixaram o palco, o público pediu mais.

Ainda assim, eu senti falta do Beck.


Quinta-feira, 6 Dezembro, 2007

ALL WE NEED IS LOVE

'Across The Universe', o delírio musical psicodélico feito a partir de 30 canções dos Beatles, estréia nesta sexta-feira nos cinemas do Rio. Se você é: a) fã do quarteto de Liverpool; b) gosta de musicais; c) curte filmes que combinam histórias pessoais e contextos sociais; ou d) todas as alternativas anteriores; este é um filme para você.

Com seu visual poderoso, colorido, onírico, lisérgico (veja as fotos), o que for, a diretora Julie Taymor transforma o espectador em ouvinte e traduz a obra - romântica, pacifista, filosófica - dos Beatles em imagens e mensagens para humanizar ouvidos e olhos embrutecidos.

No romance de Jude (Jim Sturgess) e Lucy (Evan Rachel Wood, linda e loura), enfeitado com referências à obra e história dos Beatles (a começar pelo nome dos personagens), a diretora, que tem 52 anos, conta também a história dos anos 60. Guerra, paz e amor, liberação sexual, drogas, direitos humanos, tudo vai sendo costurado a partir das músicas que os personagens cantam: 'All My Loving', 'I Am The Walrus', 'Revolution', 'Let It Be', 'I Want You/ She's So Heavy'... 'Across The Universe' mostra que o mundo ainda precisa dos Beatles. É um filme que acredita no amor e condena a violência. E ensina que, com uma pequena ajuda dos amigos, tudo pode ficar bem. Vai lá ver.

Reprodução
Reprodução
Reprodução
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Quarta-feira, 5 Dezembro, 2007

CINEMA NOVO

Aí está ‘Jigsaw Falling Into Place’, primeiro clipe do novo disco do Radiohead, ‘In Rainbows’, aquele lançado apenas na Internet. Segundo o diretor Adam Buxton, o vídeo foi gravado em apenas um take no dia 8 de novembro, com um capacete no cucuruto de cada um dos cabeças de rádio. Inventivo, viajandão, a cara do Radiohead. Tipo Glauber ao contrário: uma câmera na cabeça, uma idéia na mão.


Domingo, 2 Dezembro, 2007

QUANDO MENOS SE ESPERA, CHEGA O NATAL...

Os inevitáveis ossos do ofício me levaram ontem à Lagoa, para cobrir a inauguração da famosa árvore que a cada ano cresce mais um pouco e atingiu desta vez os 85 metros. Segundo a PM e sua habitual metodologia do chute, 100 mil pessoas foram até lá assistir ao concerto da Orquestra Sinfônica Brasileira, seguida de queima de fogos e o acender daquele pisca-pisca gigante. A OSB, regida pelo maestro Arakaki, foi competente, mas nada emocionante. O concerto teve ainda participação de Fafá de Belém (exagerando na dramaticidade), Ivan Lins (caprichando nas caretas) e dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, autores da duvidosa música, a pedido do banco que patrocina a árvore, que terminava com o verso “segurança em família no Natal” (é o quê?).

Dois painéis imensos do banco patrocinador, que tapavam boa parte da árvore na área onde aconteceu o concerto, indicavam que o projeto recebeu apoio da Lei federal de Incentivo à Cultura. Mas a árvore ostentava em sua base o imenso logotipo do banco, que piscava alegremente diante do público, como se fosse mero enfeite natalino. O Alessandro, que estava lá trabalhando comigo, ficou confuso: “Ué, a lei é de incentivo à cultura ou ao marketing?”