Ah sim: terça à noite fui ver o Tom Bloch no Estrela da Lapa. Como os chopes que eu tomei não caíram lá muito bem (e nem foram tantos assim), só agora lembrei de falar duas coisinhas sobre o show, que era de lançamento do álbum '2'. Ao contrário dos chopes, as músicas da banda desceram redondinhas pra platéia, receptiva e salpicada de homens-caixas (tipo esse aí do desenho) que perambulavam pra lá e pra cá. Cheguei a tempo de ver o fim da banda de abertura (não peguei o nome) - o tecladista parecia primo do Miranda ). Já no Tom Bloch as músicas do novo disco ganham, em geral, em comparação com as mais antigas - natural, né? O Pedro Verissimo fica meio paradão no palco, comedido mas um tanto teatral, e canta bem, e o Iuri Freiberger não seria convidado pra tocar com o Frank Jorge se não fosse um baterista de primeira. Na guitarra, quem fez as honras (já que a banda, em si, é apenas Pedro e Iuri) foi Luciano Granja: ela não funcionou na música de abertura, 'Sob a Influência' (de que mesmo, hein?), mas depois se acertou. E no baixo, Patrick Laplan, o cara que dispensou os Los Hermanos, divertia-se em seu mundo particular. Em 'A Dúvida', 'Situação de Dança', 'Entre Nós Dois' e 'A Invenção' a banda mostrou macheza roqueira, e Pedro fez as meninas suspirarem em 'Por Favor, Mente'. Mais performático, só a atuação da Liv e da Tati trocando mensagens por celular (não entre elas mesmas, ainda bem) até uma da manhã. Tsc, tsc.
Em agosto de 1984, o Iron Maiden embarcou em sua mais longa turnê, 193 concertos ao redor do planeta, tocando em mais de uma centena de cidades... Para ela, a banda criou seu mais teatral show com um espetacular cenário egípcio baseado no aclamado disco Powerslave. Depois de quatro álbuns de estúdio e extensas turnês pelos cinco anos anteriores, a banda decidiu que era tempo de registrar um show ao vivo. E então, em 1985, surgiu o legendário LIVE AFTER DEATH! A estonteante performance ao vivo foi gravada em película de 35mm por quatro noites na Long Beach Arena, em Los Angeles, e captura a paixão, energia e o espetáculo de um show do Iron Maiden!
É o que diz o exagerado texto da contracapa do dvd do melhor show da vida do Iron Maiden (se eles vão chegar perto disso sábado em sp? Duvida!). Comecei a ver em casa e a Mônica avisou o Antônio de que ia rolar “um show pra meninos”. O moleque adorou a velocidade de ‘The Trooper’ e mais ainda o cenário cheio de sarcófagos, pirâmides e “cachorros do faraó” (segundo ele mesmo explicou). E quando viu aquela múmia de dois metros de altura se arrastar pelo palco em Powerslave, virou fã. Descobri isso no dia seguinte, quando ele viu o anúncio do show de sábado numa revista e apontou: “olha, é o Eddie!”.
Clipe novo do R.E.M. A faixa é 'Supernatural Superserious' e mostra a banda na boa forma de sempre, embora mais guitarreira do que nos últimos tempos - o que, pessoalmente, acho bem bom. O disco, 'Accelerate', tem lançamento marcado para abril. No canal do R.E.M. no Youtube, a banda ainda convida as pessoas a editarem diferentes versões do vídeo. O link para bincar de videomaker é este aqui: supernatural superserious
De bobeira? Vai ver a Ana Cañas hoje à noite, por volta das 22h, no Estrela da Lapa. A Ana é uma cantora paulistana de 27 anos, dona de uma voz que não se ouve por aí, e de um CD, chamado Amor e Caos, que surpreende pelo simples e esquecido prazer de surpreender os ouvintes. Em São Paulo, nos últimos anos, houve uma verdadeira romaria ao Baretto, o sofisticado piano bar do sofisticado hotel Fasano, para vê-la cantar standards de jazz. Lá, ela já é a grande voz feminina a se ouvir. Agora, quer alargar seu alcance.
A Ana poderia muito bem dizer que “desde os 3 anos sabia que seria cantora”. Mas a Ana prefere dizer a verdade. Foi criada com muita AM nos ouvidos, Madonna, Michael Jackson, “Transamérica e Jovem Pan”. Filha de um engenheiro cheio de feeling e de uma secretária executiva, cismou de estudar artes cênicas. Aos 20 anos, cismou também de morar sozinha. Tinha contas a pagar. Um amigo avisou: “tem um teste para um musical, vai lá”. A música a ser cantada era ‘Night And Day’; a voz que ela ouviu era a de Ella Fitzgerald. A Ana nunca mais foi a mesma. “Minha vida mudou. Ella usava a voz como um instrumento.” Ah, pode fazer assim? A Ana, que nunca havia ouvido jazz na vida, virou jazzista de carteirinha.
Foi cantar na noite. Vieram o Baretto, o boca-a-boca, as madrugadas de improviso, o Chico Buarque na platéia. O glamour da história, porém, esbarrava nas contas a pagar. “A noite é isso: você vai do glamour ao lixo em cinco segundos. Uma noite, o Chico está ali para te ver cantar. Na outra, tem um cara arrotando do seu lado”.
A jazzista, porém, cresceu tanto que começou a incomodar. A Ana não quer saber de rótulos. Rótulos são fáceis demais. Quando foi fazer Amor e Caos, abriu a cabeça. Virou compositora, mirou em rock, blues, pop, invenções, audácia, Marisa Monte. “Ela é exemplar. Mostra que integridade artística e sucesso comercial podem conviver muito bem.” Compôs ‘Para Todas As Coisas’ de olho em ‘Diariamente’. Uma amiga, estudiosa, disse que era pastiche. A Ana viu generosidade na letra de Nando Reis. “O genial é que cada um pode ter seu ‘Diariamente’. Cada um que faça o seu”, ela propõe. O dela vem com opinião, mentira, conflito, mensagem, Brasil, sorte, aposta. E Marisa.
Hoje à noite, a Ana vai cantar sua ‘Ana’, que já toca (bem) nas rádios. “ A Ana é azeda/ Mas é doce quando é doce”. “Eu bebo e falo palavrão”, ela avisa. “E gosto de gente maluca.” Jack White, Amy Winehouse, Bezerra da Silva. A Ana não quer o caminho mais fácil. “O difícil é ousar.” Quando for velha, quer ser como a avó, espanhola, que cruzou os Pirineus a pé fugindo da guerra, e até hoje canta quando está triste. A Ana é paz e amor. E sabe o que quer. “Quero morrer velha, enrugada, que nem uma uva passa. Cantando.”
Digo isto depois de assistir, pela terceira vez em uma semana, ao acelerado Please Experience Wolfmother. É o primeiro DVD ao vivo do power trio australiano, num show em Sydney, em 2006, que não apela para nenhum cover e segura a galera em êxtase o tempo todo.
Enquanto Andrew Stockdale (voz, guitarra), Chris Ross (baixo, teclados) e Myles Heskett (bateria) não liberam o novo álbum do grupo, peguei uma cerveja e fiquei vendo os moleques, lotados de energia, mostrarem que estudaram direitinho.
O show, 12 músicas em pouco mais de uma hora de apresentação, tem praticamente o mesmo repertório do disco de estréia dos caras, com a diferença de tempo - eles adoram solos e climas. Nos anos 70, talvez passassem por apenas mais uma boa banda entre o Deep Purple e o Led Zeppelin, mas hoje, diante de Fall Out Boys e Chemical Romances, os moleques sobram. Jogam no time do Kings Of Leon, Raconteurs, Queens Of Stone Age. Vencem pela insistência, de tanto que repisam os riffs retos e sem frescura. Até explodirem tudo. E aí começam de novo. Dimension, Minds Eye, Love Train, Woman, Joker & The Thief... A bagaça vem servida com uma porção de farofa. Afinal, é hard rock. Mas desce bem.
Ano passado, eles chegaram a negociar uma vinda ao Rio. A apresentação seria no Circo. O negócio não andou, mas o picadeiro da Lapa comportaria de maneira excelente os decibéis dos garotos. Vai que este ano eles vêm?
Bateu aqui no blog um recado do De Leve. Um convite pra conhecer a Banda Leme. Apesar de ser de Niterói e freqüentar locais de procedência duvidosa, como esta página, o De Leve é um dos poucos rappers brasileiros que dá para se ouvir sem tentar cortar os pulsos. Ele não se leva a sério nem leva a sério os limites do hip hop. Quem conhece seu trabalho solo e/ou ao lado do Quinto Andar já sabe disso há tempos. Fui então conferir a Banda Leme. E descobri que o Flu também está por trás da bagaça.
É claro!, o esquema anárquico com que o De Leve leva a carreira tem tudo a ver com o Flu, gênio das programações e da música inclassificável desde os 80, quando atendia pela alcunha de Flávio Santos e defendia o contrabaixo borbulhante da primeira formação do De Falla.
Resultado? A Banda Leme, que não diz a que veio nem por onde vai, mas se você for esperto, se liga nela. Há pelo menos uma razão para grudar no Leme: ‘Nadadora’, ode cheia de malícia à atleta excessiva Rebeca Gusmão. “Você é nadadora (nada de peito, nada de costas), você é nadadora (nada de frente, nada de bunda)”, eles começam, e admitem: “Eu adorei seu jeito anatômico de ser”. Querem casar e tudo. Admiro. Tem que ir direto pras pistas – e redimir nossa querida Rebeca!
De Leve deixa os raps de lado e canta (bem) em cima dos grooves e beats de Flu e da guitarra do Luciano Frias. ‘Com Bola e Tudo’ é outro golaço. Fui conferir e me dei bem. Vai lá também. Não é coletivo, mas é o fino.
Por que se chama Banda Leme? Eles explicam:
“É o lugar onde queremos morar depois que ganharmos dinheiro.”
No tempo em que caía de boca – na verdade, nariz – no pó, João Guilherme Estrella (o Selton Mello de ‘Meu Nome Não É Johnny’) tinha uma banda de pop rock chamada Prisma. A banda não virou verbete de almanaque oitentista, mas dela saiu, para as fileiras do Barão Vermelho, o baixista Rodrigo Santos. E o Marcelo Serrado, que virou, quem diria?, delegado na Record. O Nervoso, apesar de o filme afirmar o contrário, não é dessa época.
Já o João foi preso, todo mundo sabe, com seis quilos de cocaína, e puxou uma etapa de dois anos num manicômio. Pena de relativa leveza, dizem os cruzados contra as drogas, mas ainda assim cumprida como se deve (há quem diga também que o fato de ele ter se tornado uma celebridade em 2008, na esteira do livro do primo Guilherme Fiúza e do longa de Mauro Lima é prêmio; como diria (disse?) Jesus, eles não sabem o que dizem – ou fazem, tanto faz).
Caso é que, depois de um e de outro, o João voltou à música e se saiu com ‘Meu Nome É João Estrella’, 10 canções numa bolacha que a EMI solta por agora. Conversei com o cara por conta de um texto que sai nesta segunda-feira no Dia D (se tudo correr bem; o jornalismo é assaz dinâmico); ele está numa de colher “bônus” da vida, depois de toda loucura de seus 20 e poucos e 30 e muitos anos. Quem viu o filme vai sacar melhor versos como "Essa solidão cheia de gente incomoda demais/ Caio doidão na cama estranha de alguém que eu nem lembro quem é", de Pra Onde Se Vai, ou “Eu estava na porta do banco/ No meio de um assalto/ Olhava praquilo tudo/ Parecia um filme/ As balas não me atingiam/ Eu estava no meio de tudo e ninguém me via” (O Alvo).
'Meu Nome Não É Johnny’ não deve ganhar nenhum Urso de Berlim ano que vem. O filme, porém, pode bater ‘Tropa de Elite’ nas bilheterias nas próximas semanas. Sem recados moralistas, sem dedos na cara, sem “você é responsável por isso ou aquilo”. Ou como prefere o próprio João, em relação à questão da guerra contra as drogas, tema tanto de ‘Johnny’ quanto de ‘Tropa’: “Violência só gera violência. O diálogo é uma arma muito mais poderosa. É por falta dele que se iniciam guerras. Mas é através dele que a paz é selada. É nisso que eu acredito”.
E aí chegou aqui na redação o CD/DVD comemorativo dos 25 anos de 'Thriller', do Wacko Jacko. Ediçãozinha caprichada, com remixes para Beat It (com a Fergie), The Girl Is Mine (com o will.i.am.), Billie Jean (com Kanye West), uma que ficou de fora do disco original (For All Time), um DVD com os vídeos históricos de Thriller e a apresentação no especial de TV dos 25 anos da Motown... Além, obviamente, das nove canções da bagaça em versão cincopontoum. Uma beleza. Mas como hoje vivemos dias escorregadios, em que uma palavra mal interpretada pode render um processo milionário, o Thriller 25 vem com a seguinte advertência:
Não recomendado para menores de 12 anos. Contém: consumo de drogas lícitas.
Lícitas, diz o aviso. O que serão? Xarope para tosse? Cigarros? Álcool? O moonwalk? De qualquer forma, eu concordo com a gravadora prevenida: é sempre melhor prevenir do que remediar. Vai que algum menor de 12 anos ouve o disco, vira fã e resolver visitar o Jacko na Terra do Nunca?
E aqui está Amy Winehouse, direto da clínica de reabilitação, mandando ver com sua banda fidelíssima na cerimônia de entrega do Grammy, ontem à noite. De Londres, já que teve seu visto de entrada nos Estados Unidos negada, ela emendou 'You Know I'm No Good' e 'Rehab'. Canta muito a doidinha e a banda dela é um espetáculo. Não dá para levar muito a sério o Grammy, mas foi bacana ela receber cinco dos seis prêmios a que concorria. Entre eles, artista revelação, composição do ano e música do ano para 'Rehab'.
Daqui a três semanas, quando arqueólogos escavarem os escombros da Internet atrás de provas de vida inteligente em fevereiro de 2008, talvez dêem de cara com '2', segundo álbum do ex-grupo gaúcho Tom Bloch. O talvez se explica pelo fato de que a banda de Pedro Verissimo (voz) e Iuri Freiberger (bateria), que se aboletou aqui no Rio e recrutou Junior Tostoi (guitarra) e Patrick Laplan (baixo), ainda tem trabalho duro pela frente: ligar a audiência nas tijoladas cerebrais que são as composições de Pedro. Tocar no rádio, hoje, ou é jabá ou é loteria e o '2' do Tom Bloch, em vez disso, vem com espessas camadas de ironia e melancolia. Mas vença a preguiça, vá ouvir os caras (espécie de 'dream team' subterrâneo entre o Guaíba e a Guanabara) e sinta os neurônios se exercitarem com os pés, para variar, com versos como "Hoje eu sou teu / Pra sempre / Se eu perguntar / Por favor, mente" ou "Os que já naufragaram, por aqui / Atenção, desavisados, também por aqui / Na próxima chamada já vai começar / A primeira convenção dos corações partidos". Aí embaixo, 'Entre Nós Dois', música de trabalho do disco.
Mas no meu caso, acabou ontem mesmo. Fim das férias em pleno carnaval mas, bem, há que se ganhar o pão, não é mesmo? Pois, de volta, dei de cara com intrigantes manchetes do mundo musical. A ver:
= 'Lenta e dolorosa'. Esta é a definição dos integrantes do Coldplay para o "processo" de mixagem de seu quarto álbum. Comentário: 'lenta e dolorosa' também é uma boa definição para a música do Coldplay.
= Qual fênix, o Grateful Dead ressurgiu das cinzas para apoiar Barack Obama nas primárias do Partido Democrata americano. Até agora, nem sinal de Jerry Garcia. Comentário: Isso não quer dizer que os dead heads não irão vê-lo no palco no show que o grupo fará em San Francisco.
= Will.I.Am, do Black Eyed Peas, também disse que é Obama desde criancinha. Comentário: mas eu aposto que o Obama preferia o apoio da Fergie.
= As Spice Girls cancelaram sua turnê mundial. Comentário: ainda há esperança para 2008.
= A justiça americana pedirá a um psiquiatra que avalie a sanidade mental de Britney Spears. Enquanto isso, seus US$ 40 milhões continuam no bolso do papai, James Spears, aquele que botou a menina pra trabalhar no Clube do Mickey quando ela tinha 7 anos. Comentário: se o psiquiatra indicado for o Marcelo do BBB, desconfie, Britney!
= Tem uma banda californiana nova, que mistura sons psicodélicos, influências do Camboja, blah-blah-blah, chamada Dengue Fever. Comentário: grupinho desavisado. A piada certa seria Yellow Fever.
= Os Beatles foram para o espaço. 'Across the Universe' vai viajar 431 anos pelo espaço sideral até chegar a seu destino, a estrela Polar, na galáxia Polaris. Comentário: tomara que tenha um rádio por lá daqui a quatro séculos.
= O ingresso mais barato para ver o show do Bob Dylan em São Paulo custa R$ 250. Por que tão caro, meu Deus?! Comentário: the answer, my friend, is blowing in the wind.