Primeiro foi o ‘Yellow Submarine’ que a Flávia deu de presente. Ele abriu o livro de capa dura, ilustrado em tecnicolor, e vibrou: “Beatles!”. Começou a ler, juntando as sílabas: “E-ra. U-ma-vez-ou-du. As. Tal-vez-um. Pa-ra-í-so-qua-se-terr-terrr-terres-tre. Cha-ma-doo. Pepperland (nesta ele pediu ajuda aos universitários). Quase chorei.
Então ele ganhou, da maneira mais inesperada, uma guitarra. E um amp pequenininho, Laney, com um troço chamado ‘crunch’ que dá uma distoção suja, suja. Quando Bob Dylan era novo, ganhou uma guitarra de Johnny Cash. Soube, então, que esta era uma grande honra.
A Mônica há mais de um mês tentando convencê-lo a entrar no futebol da escola. Foi eu pendurar a guitarrinha em seu pescoço pra ele perguntar: “E agora, ainda preciso fazer futebol?” O primeiro guitar hero da turma...
Mas não alimento qualquer pretensão de transformá-lo em popstar ou celebridade. Mesmo porque ele já tem tudo planejado. “Dentista é legal (vai entender), mas eu vou ser astronauta mesmo.”
De todo modo, é dele, e de mais nenhuma criança de 7 anos, a frase lapidar sobre choque de gerações - edição 2008.
Mônica: “Como foi o seu dia na escola?” Ele: “O meu foi bom. O da professora, não.”
Alguém precisa avisar ao Jorge Benjor para evitar viagens ao México. Lá, punks, skatistas, darks, skatistas darks e punks skatistas andam descendo o sarrafo nos emos. Dizem que os rapazes e moças introspectivos copiaram seu "estilo": acabaram de subir no ônibus e já querem sentar na janela? Querem dar motivo para os pobres emos chorarem, mas isso é palhaçada. Desde quando punk tem estilo próprio? Tudo o que eles são (visualmente) devem à dona Vivienne Westwood. A Mônica adora: acabou de comprar uma sandália Melissa com a assinatura da dona. Então, fica aqui o recado: nenhum emo usa as melissinhas, beleza? Elas são exclusividade dos punks.
Ney Matogrosso sempre teve um quê de mutante. É só notar as várias guinadas que soube dar em sua carreira. Sempre surpreendente, Ney não batizou seu último CD de 'Inclassificáveis' à toa. Em 16 músicas, o artista depura peso e guitarras em canções das muitas e aparentemente desconexas parcerias que colecionou ao longo da vida: Cazuza (O Tempo Não Pára), Pedro Luís (Fraterno), Dan Nakagawa (Um Pouco de Calor), Los Hermanos (Veja Bem, Meu Bem), Arnaldo Antunes (Inclassificáveis), Itamar Assumpção (Existem Coisas na Vida, com Alzira Espíndola)... Com sua voz à frente, o álbum funciona que é uma beleza.
Esta aqui é a capa do CD:
E esta aqui é a Mística, personagem dos X-Men que, diga lá, inspirou ou não o visual do Ney?
Apesar de ser mutante, a inspiração de Ney foi outra. Na verdade, ele veste um modelito de "rei inca banhando-se com ouro no lago Titicaca". Sério! Mais amanhã em O Dia D, na apetitosa entrevista que o Pedro fez com o artista.
Melvin avisa: 'Consolers Of The Lonely', segundo álbum do The Raconteurs, chega às lojas na próxima semana. Esquema tudo ao mesmo tempo agora, para evitar possíveis vazamentos. Aguardemos os 14 novos petiscos sonoros de Jack White, Brendan Benson, Jack Lawrence e Patrick Keeler. Com o mesmo objetivo, imprensa, rádios e blogs receberão o disco na própria data do lançamento. "Dia 25 de março chega o novo álbum, masterizado, impresso e pronto para você em diferentes formatos (mais ainda se você for japonês!)", brincou o site Stereogum. No mesmo dia 'Salute Your Solution', primeiro vídeo/single do disco, já estará perambulando pela Internet. É só pescar. Já pelos diversos formatos do álbum - CD, vinil, MP3 e download via celular (se você estiver no Japão) - haverá que se pagar. Pelo menos por alguns minutos...
A cantora de soul, sal e sol (Bossa Nova não) vai se apresentar no Brasil ainda no primeiro semestre. Dia 1º ela se apresenta no Rock In Rio In Lisboa. Depois disso, dará um pulo no Hemisfério Sul. Ainda não há datas confirmadas, mas aqui no Rio a apresentação deve rolar no Vivo Rio ou na RioArena. Quem traz a moça é a Mondo Entretenimento.
Pra quem vai completar 50 anos em agosto, até que a coroa tá bem, hein? 'Hard Candy' de dar água na boca.
Estas são as faixas do álbum, que verá a luz do mundo no dia 28 de abril: 1.Candy Shop Written by: Madonna and Pharrell Williams Produced by: The Neptunes
2. 4 Minutes Written by: Madonna and Justin Timberlake Produced by: Timbaland Background Vocals by: Justin Timberlake
3.Give It 2 Me Written by: Madonna and Pharrell Williams Produced by: The Neptunes
4.Heartbeat Written by: Madonna and Pharrell Williams Produced by: The Neptunes
5.Miles Away Written by: Madonna and Justin Timberlake Produced by: Timbaland
6.She’s Not Me Written by: Madonna and Pharrell Williams Produced by: The Neptunes
7.Incredible Written by: Madonna and Pharrell Williams Produced by: The Neptunes
8.Beat Goes On Written by: Madonna and Pharrell Williams Produced by: The Neptunes
9.Dance Tonight Written by: Madonna and Justin Timberlake Produced by: Timbaland Background Vocals by: Justin Timberlake
10.Spanish Lessons Written by Madonna and Pharrell Williams Produced by: the Neptunes
11.Devil Wouldn’t Recognize You Written by: Madonna and Justin Produced by: Timbaland Co-Produced by : Danja Background Vocals by: Justin Timberlake
12.Voices Written by: Madonna and Justin Timberlake Produced by Danja Co-Produced by: Timbaland Background Vocal: Justin Timberlake
Não teve pra ninguém. Nem as goteiras sobre o palco, nem o som baixo e às vezes embolado da Fundição, nem a falta de energia que interrompeu o show por uns 20 minutos, fizeram com que os fãs do Interpol se decepcionassem com a apresentação do grupo de Nova Iorque na Lapa, ontem à noite. A galera foi lá disposta a se emocionar e se emocionou. Já eu, que conheço bem apenas o último disco dos caras, 'Our Love To Admire', esperava mais do show. Achei a banda ali no palco sonolenta demais. E tratei de comentar com uma amiga, que justamente naquela hora se dizia emocionada com a bagaça que (eu mal) ouvia.
Eu: Este show tá um saco. Ela: Que é isso, tá muito bom. Eu: Tá um porre.
E estávamos neste diálogo elevado quando uma menina que ia passando decidiu compartilhar conosco sua opinião.
Menina: Me desculpa, mas não tá nada um porre, viu? Eu: Tá, sim, senhora! Ela: Você vai acabar apanhando aqui.
“Se você continuar batendo assim ela vai acabar confessando.”
De Max Cavalera, por telefone, de Phoenix, relatando o que disse para o irmão Iggor ao vê-lo esmurrando a bateria durante as gravações de ‘Inflikted’, o “violentamente ótimo”, como diria Milton Nascimento, disco de estréia do Cavalera Conspiracy. Max se pirulitou do Sepultura em 1997, brigado com o irmão, e montou o SoulFly. Depois, foi a vez de Iggor pular fora do barco, antes que o Sepultura baixasse os sete palmos. Ano passado, os manos reataram os lacinhos. O resultado é um troço desse naipe:
Sanctuary
O disco sai no mundo todo dia 25 de março, mas 'Sanctuary' e 'Inflikted' já podem ser ouvidas na página do grupo no MySpace.
As cadeiras da platéia foram abandonadas assim que os primeiros acordes de ‘Rainy Day Women # 12 & 35’ trovejaram no potente sistema sonoro da RioArena. Sábado à noite, Bob Dylan, quem diria, foi parar em Jacarepaguá. Jacarepaguá é longe pra caramba, mas, se você não liga para o Jota Quest, que mal há em dar um ‘chego’ nos arredores do Autódromo?
“Everybody must get stoned”, ponderou o velho Dylan, e o povo ainda na fila da cerveja, imensa. Não sei se era bem essa a idéia, mas o que deixou o povo doido de cara foi a eletricidade cheia de manha da banda do homem, amplificada pela boa acústica do ambiente – ao menos no nível do palco. Aquela voz das trevas mastigava agora a letra de It Ain’t Me, Babe, mais velha que boa parte da audiência (a música é de 1964!), com uma guitarra na mão e cinco bons músicos ao redor.
Dylan só tocou mais uma na guitarra. Logo na quarta música, Masters of War, pulou para o teclado. A cada fim de música, pequenas ovações sopravam pelam arena. Havia boa vontade entre os homens do palco e os da platéia.
Uma senhora do tempo do Bob enfrentava a fila da cerveja a bordo de uma muleta, mas logo voltou, guerreira, pro meio da turba. No palco, a banda de chapéus evoluía entre o rhythm’n’blues e o country rasgado, quase na fronteira do rockabilly, e o velho Dylan balançava a perninha enquanto cantava novas e antigas canções.
Não é preciso ser gênio para tocar rock, mas tocar rock de verdade é coisa de gênio. E Dylan tinha logo ao lado o guitarrista Denny Freeman, que ofereceu à platéia solos monstruosos, aplaudidos, é verdade, mas não com o mesmo entusiasmo com que cada nota soprada pelo chefe era recebida. Mesmo quando ele soprava a mesma nota seis vezes seguidas, como em como em Leeve’s Gonna Break. Dylan estava na dele, entortando a própria obra, tocando sua gaitinha e jogando para a galera sem precisar dizer um “Hi!”.
“Ah, ele não tem mais voz!”, e eu também não esperava muito da apresentação, confesso. Mas, ou o cara zoou os paulistas, que taxaram seu show de “difícil” e “hermético”, ou os paulistas não souberam curtir o velho astro do rock como os cariocas. Acontece por lá.
Por aqui, a garotada que vendia a cerveja começou o show com cara de quem queria que aquilo terminasse logo (‘eu vou pro baile pra poder zoar’), mas se largou no twist enquanto a banda atacava de ‘Summer Days’, quase no fim do show, logo antes de ‘Like A Rolling Stone’ deixar everybody totalmente stoned na Arena. “Thank you, friends” (houve quem ouvisse “thank you, fans”), disse o Dylan na volta para o bis, e terminou o show com ‘Blowin’ In The Wind’. Tá certo que ele tentou escondê-la debaixo de uma versão esquisitona, mas o povo reconheceu e cantou junto, os bracinhos pro alto. Bob Dylan mandou bem.
Ian Curtis se vestia de maneira convencional. Quando eu vi 'Control' (ou 'Controle - A História de Ian Curtis', não sei quando estréia por aqui) entendi por quê: ele saía direto do trabalho para tocar com o Joy Division. Emprego público. O mito era proletário.
Um dia, enquanto dava expediente, Ian viu uma menina ter um ataque epilético na sua frente. Ele também sofria com a doença, e seu ataque em pleno palco, na seqüência de sua célebre dança, hmmm, epilética, é um dos momentos mais fortes do filme de Anton Corbijn.
O holandês Corbijn fotografou meio mundo desde o fim dos anos 70.
Mas começou mesmo com o Joy Division, em Manchester. Em sua estréia como cineasta, ele voltou justamente ao ponto de partida, e registrou outra vez o encontro de Ian Curtis com Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris para...
Para que, mesmo?, Curtis parecia se perguntar o tempo inteiro. Ele viveu de maneira acelerada e, ao mesmo tempo, apagada. Casou muito jovem, foi pai muito cedo, conheceu o sucesso rapidamente, mas carregava nas costas uma infelicidade cinza permanente.
O filme tem as mesmas cores das fotografias de Corbijn para o Joy Division, o preto e o branco, e uma aridez melancólica, silenciosa, que, é de se imaginar, traduz o desconforto do astro diante do estrelato, da paixão com a jornalista amadora, de sua insatisfação como marido e pai, dos remédios para epilepsia que o embotavam, dos sentimentos de traição, das dúvidas diante da mulher, da filha e da banda... Curtis se matou em maio de 1980. A famosa história: após uma briga com a mulher, Debbie (cujas memórias originaram o roteiro de 'Control'), ele viu 'Stroszek', do Werner Herzog, ouviu 'The Idiot', do Iggy Pop, teve um último ataque epilético e se enforcou, miseravelmente, aos 23 anos, apenas um dia antes de o Joy Division iniciar sua primeira turnê pelos Estados Unidos.
Em Cannes, ano passado, diante da aclamação ao filme de Corbijn, o baterista Stephen Morris disse exatamente o que sentiu ao saber do suicídio do amigo. "Foi um choque, mas o que senti mesmo foi muita raiva por ele ter sido tão estúpido".
No filme não há espaço para a banda, apenas para a música do Joy Division. É especialmente esclarecedora a passagem que mostra a composição de ‘She's Lost Control’, inspirada na morte da menina epilética: ele enxergou nela seu próprio futuro. E, no fim, perdeu mesmo o controle.
Em 1982, o Venom inventou o Black Metal. Na capa do disco de mesmo nome escorria o veneno: “As gravações domésticas em fitas-cassete estão acabando com a música… e o Venom também!”
Naquela época, a “pirataria” já agia de com força e nem todo mundo levava a história com o bom humor do Venom. Malévolos VCRs (pra quem chegou há pouco, gravadores de vídeo-cassete) iriam dar cabo de Hollywood em dois tempos. O alarmismo conservador e a cultura de processos judiciais em defesa da propriedade intelectual estavam começando a engrossar para o lado dos “piratas”. Continue a ler Los Pirata...
Em meio a toda a grosseria, auto-indulgência e esperteza rasteira ao redor, de vez em quando é bom ver que nem todo mundo está nessa. Estou aqui versando sobre música mas, olhe em volta, tá difícil. E, apesar de há algum tempo já ouvir falar da banda Violins, só fui realmente dar de cara (ouvidos) com o grupo há um mês, ou pouco mais que isso. De vez em quando eu me atraso...
E aí não parei mais de ouvir este quarteto de Goiânia e sua música estranhamente hipnótica. Entre o Radiohead e o Clube da Esquina, há esforço, estudo, inteligência e propósito em suas músicas. Há algum tempo, chamava-se a isto arte. E o que me deixou mais empolgado foram as letras, escritas pelo vocalista/guitarrista Beto Cupertino - a banda é ele mais Thiago Ricco (baixo), Pierre Alcanfôr (bateria) e Pedro Saddy (teclados e sintetizadores). Melhor que tentar descrevê-las bestamente é postá-las. Esta aqui é 'Guerra Santa':
Eu sou o homem enviado por deus aqui pra disseminar a paz pra trazer harmonia qual fez meu irmão há mais de dois mil anos atrás
eu vim esclarecer mas ninguém ouve todos passam reto certos de que sou só mais um louco esperto pronto pra roubar o dinheiro de quem trabalha duro aqui não!
quanta concorrência por um nome quantos porta-vozes sob véus em conflitos por um deus em conflitos que não honram o Seu nome
como posso espalhar a mensagem que vim passar se mal posso convencer um homem sequer pra ver o valor de amar a todos? é o mesmo barco é o que eu vim pra esclarecer mas ninguém ouve todos passam reto certos de que sou só mais um louco perto de merecer internação num hospício valei-me o compromisso não!
'Guerra Santa' faz parte do próximo disco da Violins, 'A Redenção dos Corpos', a ser lançado no dia 27 de março, no Bolshoi Pub (onde é que fica isso?). Uma versão demo está disponível na página que uma fã fez para eles no MySpace. Outra que está lá é 'Ok Ok', do álgum anterior, 'Tribunal Surdo', disco que nego disse que é f****aço. Ouvi só algumas músicas através da página oficial da banda - www.violins.com.br - onde, a cada dia, eles andaram disponibilizando as músicas do novo CD. O link é esse aí em cima. Embaixo, o vídeo com 'Ok Ok', outra letra que, melhor que ser descrita, merece ser ouvida. Vai escrever bem assim lá em Goiânia, rapaz. Violins é um 'créu' bem dado na mediocridade.