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| Ricardo Calazans |
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Assim como a imigração japonesa e Machado de Assis, o tênis All Star também tem um centenário a festejar. E como em 100 anos dá para morrer muita gente, os gênios publicitários (todos os publicitários são gênios, já viu?) da Converse bolaram uma campanha que vai passar em 75 países do mundo, com vários ícones da cultura pop posando com o tênis cabeçudo nos pés. O gonzo original Hunter S. Thompson, a vocalista do Yeah Yeah Yeah's, Karen O., o motorista imprudente James Dean, a funkeira M.I.A., a invocada Joan Jett e o acústico Lobão estão entre as estrelas do comercial. Tem gente viva, morta, alguns mortos-vivos e outros muito vivos na peça. Só não consegui descobrir em qual categoria o Lobo se encaixa.
M.I.A., Dean e o grande Lobo de pés juntos
 Acelerado, bem humorado e contagiante, o Canastra é sempre garantia de diversão — e hoje à noite o grupo toca no acolhedor palco do Estrela da Lapa, onde o clima de proximidade com a platéia costuma tornar seus shows ainda mais quentes. Agora com o ex-Los Hermanos Rodrigo Barba na bateria (no lugar de Marcelo Callado, que se mudou para a banda de Caetano Veloso), os roqueiros das camisas estampadas vão tocar músicas de seus dois ótimos discos discos, ‘Traz a Pessoa Amada em Três Dias’ (2004) e ‘Chega de Falsas Promessas’ (2007). A banda de Renato Martins (voz e guitarra), Edu Villamaior (baixo acústico), Fernando Oliveira (guitarra e trompete), Marcelo Magdaleno (saxofone) e Marco Rafael (trombone) fala de sorte e azar (no amor, na vida) com ironia e sagacidade, e faz uma saudável confusão de estilos: do dixieland à surf music sem traumas nem sustos. O Estrela da Lapa fica na Avenida Mem de Sá 69, Lapa (2507-6686). Hoje, às 22h30. A bagaça fica em R$ 25. Vai lá!
 MC Lord Magrão, guitarrista do Guillemots, a cintilante banda-colagem que volta e meia aparece por aqui, queria levar um som nas Europa. E pra lá ele se mandou, com um amigo músico, em 2004. Deram com os burros em Barcelona, onde nada aconteceu. Quando viu, estavam dormindo na rua, sem dinheiro para o aluguel. Mas ainda sobravam cem dólares no bolso do Magrão. O amigo músico partiu para os Estados Unidos, ele voou para a Inglaterra. Chegou lá com 25 dólares e o endereço de uma amiga, onde se aboletou por uns tempos, até arranjar visto de estudante e emprego como lavador de pratos. Estava prestes a embarcar para Berlim quando encontrou o anúncio do delirante compositor Fyfe Dangerfield numa revista. O paulistano respondeu à cata de músicos para a nova banda de Fyfe: "toco máquina de escrever e caixa de fósforos". O inglês adorou o humor; foi amor à primeira vista. Com a canadense Aristizábal Hawkes, a baixista com nome de cabeça-de-área da seleção Mexicana, e Greig Stewart, o escocês da bateria, o Guillemots tirou Magrão do sufoco. Ele já não mora mais na rua - "comprei um apartamento financiado este ano" - tem um trabalho regular - "fazemos uma média de 20 shows por mês" - e vive do que gosta de fazer - "dá para pagar as contas e é melhor do que lavar pratos". Os dois discos do Guillemots (Through the Windowpane, de 2006, e o recém-lançado Red) foram editados no Brasil, e a banda espera tocar por aqui logo. Caso alguém se interesse, a banda vai (na categoria definições musicais babacas) do 'orquestral onírico' ao 'indie pop' sem escalas, passa longe do pós-punk e mais ainda do estilo Timbaland de ser. Houve quem tenha odiado o disco novo: a Rolling Stone já decretou, em junho, que Red estará entre os piores de 2008. Se eu tivesse 16 anos estaria morrendo de vergonha de gostar do disco; 20 anos mais velho que isso, tudo o que eu posso fazer é cair na gargalhada. Magrão também anda rindo mais ultimamente: o R.E.M. os adotou para abrir, com os Editors ( ouça esses caras!), uma turnê pelo Reino Unido. "Parece mentira pra mim, que cheguei aqui sem nem um puto". Conto de fadas? Nada. É só música bacana amplificada.
 Mick Jagger, apesar de toda a propaganda, não é a maior língua do rock'n'roll. O posto, qualquer adolescente sabe (pergunte ao Rivers Cuomo), pertence ao baixista do Kiss, Gene Simmons. O ex-mascarado botou o linguão pra funcionar e revelou todo o seu rancor com os fãs de música. Afeito aos temas escabrosos, tio Simmons não gosta nem um pouco de, neste exato momento, ser uma das viúvas a velar o cadáver da indústria fonográfica, enquanto internautas daqui, de lá e alhures navegam, mergulham e pescam como querem todo tipo de petisco sonoro - inclusive a discografia do Kiss.  Como se portasse seu mítico contrabaixo-machado, o P2People mutilou, eviscerou e cuspiu em cima das gravadoras, essas gigantes indefesas, sem repelente à vista para combater os milhões de mosquitinhos da pirataria, os flibusteiros do download e os bucaneiros da troca de arquivos. Pra completar, o malcriado Gene mostrou a língua, bateu com os saltos de 20 cm no chão e... resolveu não fazer nada. "Assim que os executivos acordarem para o problema, gravaremos de novo", avisou. Alô, fãs do Kiss: é melhor tirar a poeira do velho Dressed to Kill. Pelo jeito, agora o tio Simmons só vai dar mesmo as caras (são várias, depois de tanta plástica) em realities shows.
É assim que se atualiza um blog empoeirado sem ter que escrever nada:
Em primeira mão (segunda, na verdade), impressões da Gabi sobre a volta aos palcos do Franz Ferdinand, no show londrino de ontem, 9 de junho. O corta-e-cola é do blog Altos Decibéis, que ela acaba de inaugurar lá na terra da Rainha. Na página você encontrará também um vídeo de Kathryn Kiss Me, música nova dos dândis. Vai lá!
 "O show do Franz Ferdinand, ontem à noite, foi curtinho, apenas 40 minutos, mas muito bom. Eles abriram com “Jacqueline” para Alex Kapranos dizer que estavam felizes por estarem de volta das férias dos palcos. No início estavam revezando sucessos dos dois álbuns anteriores com músicas novas, mas foi só ver que a platéia estava respondendo bem, que seguiram apenas com novas faixas. Kapranos e Nick McCarthy colocaram uma energia na performance como se não estivessem tocando em um showzinho íntimo como aquele, mas para uma platéia de 5 mil pessoas na Brixton Academy. "As músicas novas vão das guitarras e viradas do segundo álbum a alguns momentos bem pops e dançantes. Acho que vem mais um disco bom do Franz Ferdinand por aí. Pelo menos no palco, eles estão redondinhos, prontos para cair na estrada. "As novas músicas tocadas no show de ontem foram “Send Him Away”, “A New Thrill”, “Kathryn Kiss Me”, “Ulysses”, “What She Came For”, “Turn It On”. Das antigas tocaram “Jacqueline”, “Tell Her Tonight”, “Dark of the Matinee” e “Outsiders”. Todo mundo saiu do pub bem suado (ontem foi o dia mais quente do ano por aqui), surdo (o som tava muito alto, ouvidos ainda estão zunindo) mas feliz."
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