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Ricardo Calazans

Quinta-feira, 31 Julho, 2008

A MUSA DA FAROFA

Reprodução / http://www.flickr.com/photos/karinayamane/2719202598/
Agora todo mundo levanta a mão, hein?

Até ontem à noite, eu não conhecia quase nada do Muse. Havia visto um número deles no 'Cool Britania', DVD bacana com nome ridículo do Jools Holland. Acho que achei legal, mas não guardei grandes lembranças. Então até pensei que estava no show errado quando os caras subiram ao palco do Vivo Rio. Vou dizer: parecia show dos Los Hermanos! Lugar lotado e a massa roqueira, da gatinha de preto ao senhor de (cabelo) branco, cantando tudo a plenos pulmões, pra ver se do palco o trio inglês ouvia o tamanho da devoção. O grupo, que deve ter freqüentado a escola de rock do Jack Black, é chegado na farofa com conhecimento de causa. Indie demais para ser metal e metal demais para ser indie. Ou, como disse o Marlos, U2 com cacoete de Wolfmother. Ou Duran Duran com Metallica. Ou Radiohead com Kiss. Tudo executado com a manha de quem conduz o baile como quer. E aí teve aquela música cujo refrão dizia "juntos somos invencíveis". Então eu tive certeza de que aquele baixinho ali carcando a guitarra andou ouvindo o Bloco do Eu Sozinho. Vieram a fumaça, os balões gigantes, papel picado sobre a malta e um robozinho fazendo o passo do aleijadinho no telão. E o povo no maior amor, explode coração, maior felicidade. Praticamente uma micareta indie. O âmago da presepada era o baterista:o malandro trocava de chapéu como o Tim Maia de camisa,e ainda inventou uma cartola verde-e-amarela para o bis. Farofa elegante, essa do Muse. Não conhecia, foi um prazer.

Agora, se você quiser algo mais qualificado sobre o Muse... Go To Heaven, go.
Foto: Karina Yamane


Segunda-feira, 28 Julho, 2008

WILDNER WILDNER WORLD!

Reprodução / Rochelle Costi
"Amanhã ponho outro traje ainda mais sensacional"

Sexta à noite, no Cinematèque, Wander Wildner fez um dos melhores shows de Wander Wildner deste ano - o que, vou dizer, não é pouca coisa. Ouvi duas mocinhas (ou quase) na porta do banheiro recordando seu primeiro encontro com o gaúcho, "em 2003, naquele show no (festival) Ruído". Pois digo, com orgulho, embora isso também deponha contra mim, que já vejo shows do cara há mais de uma década - desde que ele lançou suas Baladas Sangrentas, um clássico, subterrâneo, infelizmente, de nosso cancioneiro. E ele é bem mais velho que isso, vem lá dos anos 80, época de surfistas calhordas e corridas espaciais e hippies punks rajneeshs. "Botei prego e tachinha no nariz / Comprei roupa toda preta e uma corrente / Descobri a besteira que eu fiz / Quando você me chamou de indecente", berrava o bardo, difusor do portunhol selvagem das margens do Guaíba às do Tietê e além, enquanto a malta replicante, (a)celerada, trocava cotoveladas em frente ao palco.

Reprodução

Era lançamento de disco novo, 'La Canción Inesperada', coleção de 12 faixas sencillas y sabrosas que o Wander pôs no mundo pelo selo Fora da Lei, e lá estava ele, felizão, tocando várias no show: a espetacular 'Um Bom Motivo' (pra eu não chorar/ Pra não cheirar cola esta noite); 'Bocomocamaleão', autobiografia mutante do artista escrita por Antonio (ex-Toninho) Vileroy e Jimi Joe (presença vintage no palco a bordo de un guitarrón), 'Mares de Cerveja' ('Reconquistar a força pra remar / E navegar em mares de cerveja', um hino, um hino) e outras de que no me acuerdo ahora. Foi começar o show e um cara deu de gritar 'Amigo Punk', da Graforréia, uma das 12 do disco novo. E o cara do meu lado: "toca logo, pra ele calar a boca". Era assim a Cinematèque na sexta à noite - alegria punk brega, "meio Wando meio Wild", sincera e desencanada, nada para se levar a sério demais, nenhuma "piada interna" em debate, zero de "referências cool", "metalinguagem" de nada. Era um monte de músicas bacanas, tocadas com amor pelo Wander, pelo Jimi Joe e por sua cozinha feminina e enfurecida. Me acabei e, pelo que soube, assim o foi com todos os presentes. Recomendo o disco, hein?, um dos melhores manufaturados este ano. Produção da dupla Kassin e Berna Ceppas e participações mui elegantes de Gabriel Muzak, Moreno Veloso, Rodrigo Barba e Jorge Mautner. É música para aquecer coraziones románticos, pero no mucho.

Terça-feira, 22 Julho, 2008

A EDUCAÇÃO MUSICAL DAS CRIANÇAS - 4

Carl Perkins não sabia contar até quatro. Era “one for the money”, “two for the show”, “three to get ready” e estava muito bom. Elvis também não era nenhum gênio matemático, mas só precisou contar até três para virar Rei.

Blues Suede Shoes - Elvis Presley


Já os Beatles, um tanto mais educados que o caipira Presley, sabiam contar até quatro. Por isso, tornaram-se mais famosos que Jesus Cristo.

The Beatles - I Saw Her Standing There


E os Ramones? Eram quatro e passaram a vida inteira contando até quatro. Vai ver que era para conferir se estava todo mundo no palco. Imagina começar a música sem baterista?

Ramones contando até quatro


A evolução conceitual trazida pelos Ramones foi estabelecida pelo Little Quail & The Mad Birds, ali de Brasília mesmo. Com eles aprendemos que “não tem cinco, não tem seis”. Parou no quatro.

Little Quail - 1,2,3,4


E foi contando até quatro que a canadense Leslie Feist fez a fama e rolou na cama. Há pouco, ela compôs para o Vila Sésamo (Sesame Street) uma deliciosa versão infantil para sua ‘1,2,3,4’ – está entre as mais vistas no Youtube. Atenção: isto vai grudar no seu cérebro. “one, two, three, four monsters walkin’ cross the floor…”

Feist - 1,2,3,4


Mostrei o vídeo para o Antônio. Ele viu e, apesar de já saber contar até “pelo menos” 100, adorou o clipe da Feist. Riu com os monstros, pingüins e galinhas-peruas que contracenam com a cantora e foi escovar os dentes cantarolando ‘one, two,three, four’. Perguntei: “De 1 a 10 que nota você dá pro vídeo?” E ele: “Hmmm... que tal quatro?”

Perfeito.


Segunda-feira, 21 Julho, 2008

BATALHA DAS BANDAS

Reprodução daquele jeito

E sem o Jack Black! Adorei esta brincadeira com capas clássicas do roque (e outras nem tanto). Tem Dead Kennedys contra Van Halen, Asia contra Nirvana, AC/CD vs. Def Leppard e todos contra o Coldplay. Minha torcida foi pelo Ozzy, mas, lamentavelmente, mais uma vez ele foi seu próprio pior inimigo.E finalmente entendi porque aquele cara pega fogo na capa do Wish You Were Here. Dica da Carol, que viu a bagaça na, pasmem, infiéis, MTV. Vê aí.


Sábado, 19 Julho, 2008

SAMBA DO JAPONÊS

Reprodução / http://www.gardenal.org/trabalhosujo/

O Adilson é meu camarada praticamente desde que eu comecei a ganhar (?) dinheiro com as letrinhas. Já vimos muito show bacana por aí, apresentamos uma penca de música um pro outro, fizemos um programa de rádio juntos, concordamos e discordamos uma cacetada de vezes sobre os mais variados assuntos. Outra dia ele inaugurou o SambaPunk, blog de nome esperto e conteúdo inteligente, desses que sempre vale a pena visitar. Entrei lá e vi um post sobre o Curumim. E eu já estava mesmo pensando em comentar aqui a faixa Compacto, do disco Japan Pop Show, lançado há pouquinho tempo pelo multiinstrumentista e produtor paulistano. Ia dizer que é a melhor música que o Jorge Ben deixou de fazer nos últimos tempos. Mas já está tudo lá no post do SambaPunk. Você descobre quem é o Curumim e lê sobre os mecanismos de invenção de sua música, na prateleira de referências entre o Jorge Ben e o Turbo Trio, Roberto Carlos e Cidadão Instigado, Beastie Boys e Portishead. Na página do cara no myspace dá pra ouvir Compacto e Magrela Fever, outro hit obrigatório, se o povo ouvisse bem. Vai lá ver.


Quinta-feira, 17 Julho, 2008

CHINESE ROCKS!

Heavy Metal Drummer é a faixa de número 7 do Yankee Hotel Foxtrot, do Wilco, até aqui um dos grandes discos da década. O refrão dizia algo como "Eu perdi a minha inocência / Fazendo covers do Kiss". O rock'n'roll, todos sabem, é essa coisa nociva, corrosiva, má influência comprovada para a juventude há cinco décadas. Taí o Coldplay que não nos deixa mentir: vai dizer que aquilo faz bem a alguém? Vejam, por exemplo, o caso da China, esta vetusta potência oriental, que pouco a pouco sucumbe aos apelos sedutores do consumo e troca sua tradicional cultura milenar pelos prazeres descartáveis do capitalismo. A proximidade das Olimpíadas de Pequim só fez aumentar a influência nefasta do Ocidente, que tem no rock um de seus aliados mais irresistíveis. E para desalento dos entusiastas da Revolução Cultural, deve doer como uma agulha debaixo da unha a notícia de que a China já tem a sua banda cover de Kiss. Adeus, inocência. Tudo o que resta é decadência e devassidão.


Reprodução

é roquenrrol all nite, broder!


Terça-feira, 15 Julho, 2008

VERANEIO VASCAÍNA

Do Raios Triplos!:

Reprodução

Tá certo que o Trovador Solitário, a compilação recém-lançada de registros caseiros de Renato Russo, nunca deveria ter visto a luz do dia. Na boa, ninguém merece ouvir as versões caseiras de proto-sucessos da Legião Urbana, como Geração Coca-Cola e Eduardo e Mônica, retiradas de uma fita cassete gravada por Renato na, olha que bonito, aurora dos anos 80. Ah, é um registro histórico e tal, mas ainda assim só foi pras lojas porque o cara já tá mortinho há mais de uma década. E tome cadáver exumado. Mas ali no meio tem uma assombrosa execução de Veraneio Vascaína - feita em 'homenagem' aos carros em que os meganhas de Brasília circulavam, distribuindo truculência a esmo nos anos 70, e gravada no primeiro LP do Capital Inicial. A rispidez da letra, que não deixa de trair um certo preconceito de classe, é proporcional à 'eficiência' dos homi. E beeem atual. Ouve aí:

Cuidado, pessoal, lá vem vindo a veraneio
Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho
Com números do lado, dentro dois ou três tarados
Assassinos armados, uniformizados

Veraneio vascaína vem dobrando esquina

Porque pobre quando nasce com instinto assassino
Sabe o que vai ser quando crescer desde menino
Ladrão pra roubar, marginal pra matar
Papai eu quero ser policial quando eu crescer

Cuidado, pessoal, lá vem vindo a veraneio
Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho
Com números do lado, dentro dois ou três tarados
Assassinos armados, uniformizados

Veraneio vascaína vem dobrando esquina

Se eles tem fogo em cima, é melhor sair da frente
Tanto faz, ninguém se importa se você é inocente
Com uma arma na mão eu boto fogo no país
E não vai ter problema eu sei estou do lado da lei

Aí, hoje, eu leio isso aqui:

Vítima de assalto é morta em perseguição da polícia

PS: A veraneio continua dobrando a esquina tranqüilamente.


Sexta-feira , 11 Julho, 2008

VEM AÍ: MGMT ou 'A GERÊNCIA'

Reprodução


Time To Pretend’ é a melhor faixa de abertura de um disco desde, deixa eu ver... ‘Rehab’? A música que inaugurava o ‘Back to Black’ da Amy Winehouse também era uma carta de intenções bem explícita. Mas enquanto a mocinha caminhava rumo à escuridão, a duplinha multiinstrumentista do MGMT (abreviatura para 'management', gerenciamento - ou 'a gerência') vai estrada acima, de mãos dadas com o hedonismo dançante dos nossos dias. Dance antes que o mundo se acabe, dizem os moleques apocalípticos. Lembra dos Arctic Monkeys? 'Are you ready for the floor?', pergunta o Hot Chip. ‘My little brother just discovered rock’n’roll, he’s 23 and he’s out of control’, informa o Art Brut. ‘Ready? Let’s roll onto something new’, convocam os Killers. E, finalmente, a dupla de eletro-hippies (serve?) Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden provoca: ‘A juventude está começando a mudar/ Você está começando a mudar?’. A psicodelia e o eletro servem bem ao pasto de referências pop onde o MGMT engordou as músicas de Orcaular Spetacular. Prince e Depeche Mode, Pet Shop Boys e Stone Roses, Talking Heads e Radiohead, David Bowie e Flaming Lips (o produtor Dave Fridmann, por sinal, também cuida das esquisitices de Wayne Coyne, o líder-doido do FL)... as vitaminas são várias. Soa como patchuli, cheira a Pink Floyd. Um pequeno banquete sensorial. Que vai ser possível saborear em outubro, no Tim Festival. Se ao vivo soarem como no CD, eles são o Pelé.


PS: E por falar em aberturas geniais, aqui vão cinco faixas de abertura arrasadoras:

BLACK DOG, LED ZEPPELIN IV – Led Zeppelin


SMELLS LIKE TEEN SPIRIT, NEVERMIND – Nirvana


BANDITISMO POR UMA QUESTÃO DE CLASSE, DA LAMA AO CAOS – Chico Science& Nação Zumbi


MODERN LOVE, LET’S DANCE – David Bowie


SUNDAY BLOODY SUNDAY, WAR – U2


Terça-feira, 8 Julho, 2008

ROBOT ROCK!

Reprodução

Harder! Better! Faster! Stronger!


É verdade que a banda tem um charme frio, um tanto impessoal. Mas não se pode negar que a execução é precisa, ainda que inevitavelmente mecânica. De qualquer forma, quando formou o grupo The Trons, o neozelandês Greg Lock conseguiu o reconhecimento que não teve por 22 anos seguidos, como baixista do desconhecido (mui justamente, é de se presumir) The Hollow Grinders. A banda é formada por Wiggy, cujo vocal evoca o timbre muito particular de Stephen Hawking. Ele também toca guitarra, assim como Ham. Fifi (baixo) e Swamp (bateria) seguram firme a cozinha. Em seu perfil no myspace eles se definem como uma banda de garagem (serve oficina?) e informam que suas influências são Velvet Underground, Yo La Tengo e máquinas de lavar (não necessariamente nesta ordem). E Greg, como inventor da banda, colhe os louros do sucesso: disse a sempre bem informada Gabi que eles já fizeram uns cinco shows por aí. Uau! No YouTube eles já estão chegando à casa do 1 milhão de pageviews. Seja você o milionésimo espectador do grupo:



Será que eles fazem a dança do robô?


Sábado, 5 Julho, 2008

THE ACCIDENTAL

Reprodução


Pessoas apressadas não esperam as calças ganharem um rasgo no joelho; já as compram rasgadas. Não sei se isso é lá uma coisa inteligente, mas como diria o sábio Away de Petrópolis, a moda jovem tá cada dia mais escrota. E o sujeito/sujeita apressado/a que tem um rasgo de R$ 200 no joelho da calça certamente não vai ter paciência para ouvir The Accidental (a dica é cortesia do Altos Decibéis). Paciência. O grupo, inglês, aparentemente (vou checar e já volto; isso mesmo: ingleses do Reino Unido) é o Kings Of Convenience do ano, os Simon & Garfunkel da vez, O Belle & Sebastian da temporada, os Nick Drake da estação. Fina melancolia caipira, embora eles prefiram os termos ‘Folk/ Melodramatic Popular Song’. Dá no mesmo. E saiba que suas influências são “o sol, a lua e as estrelas”. Seu début, como se diz por aí, deu-se em 11 lindas canções tranqüilas e afinadas, no álbum There Were Wolves. Para ouvir quando estiver tudo calmo ou para acalmar as coisas. Os autores são quatro respeitadas figuras do sub-underground britânico, ao que indica o release-biografia da banda. Tanto faz. Sei que gostei das canções (Illuminated red é, hmmm, uma coisa!) e gostei das letras. Olha eles aí.


Sexta-feira , 4 Julho, 2008

ARTE NO TERRENO BALDIO

Do Escriba:
Tem um grafiteiro brasileiro transformando ruínas urbanas em obras de arte. Não sei em que cidade nem sei quem é o cara, mas olha essa aqui:

Reprodução


Achei a cara do 'In The Court Of Crimson King', piração original do Robert Fripp à frente do King Crimson, de 1969. Vê só:
Reprodução

Nesta página você pode ver outros trabalhos do grafiteiro anônimo. Chorei com ele, hein.


Quinta-feira, 3 Julho, 2008

INGRESSO BOSSA NOVA

Reprodução Reprodução

Nos 50 anos da Bossa Nova, quem leva prejuízo é você. Tudo bem, cada um com seus reais. Você pode ser desses que acha que vale a pena pagar - atenção - R$ 2.100,00 (agora por extenso: dois mil e cem reais) para ver Roberto Carlos e Caetano Veloso cantando os clássicos do amor, do sorriso e da flor no Theatro Municipal, no dia 15 de agosto. Este é o valor de uma frisa ou um camarotes; outros setores do teatro saem mais em conta (os mais baratos, na galeria, custam R$ 30; balcão nobre fica em R$ 350 e balcão simples sai por R$ 120).

A questão é: será que algum show na face da Terra vale esses (ou quaisquer outros?) R$ 2,1 mil? Mesmo com o Rei e o Caê juntos e misturados? Eu, com essa grana, passava um fim de semana em Buenos Aires, ou comprava uma TV de LCD irada pra ver um DVD do Iron Maiden, ou um Nintendo Wii pra descer uma montanha num snowboard virtual, ou talvez duas noites no Copacabana Palace, ou até mesmo as discografias completas do Roberto e do Caetano, ou aplicava em ações da Starbucks se quisesse jogar o dinheiro fora... Ou será que os ingressos de ouro são um sintoma da inflação? Se forem, o custo de vida no Rio está bem maior do que em São Paulo. Lá, a dupla vai se apresentar no auditório do Ibirapuera. Os ingressos mais caros (caríssimos) custam R$ 360; os populares, R$ 30. Mais justo, não é?

As vendas para o show no Rio começam dia 5 de agosto; em São Paulo, a farra do banquinho e do violão será dia 26 do mesmo mês. Aposto que os ingressos vão esgotar em meia hora, lá e aqui. Afinal, são os 50 anos da bossa nova, cobrar os olhos da cara pelo ingresso é muito natural. Ou não?


INTERLÚDIO - VERSÃO DO DIRETOR (SEM CORTES)

Terça-feira publiquei no impresso uma entrevista com Léo Jaime, que acaba de lançar o disco 'Interlúdio' pela Som Livre. Abaixo, segue o texto original, sem cortes nem edição. Assim, bem roots.

Divulgação


São Paulo abrigou Léo Jaime por 14 anos. Um longo período para se viver por lá, mas ainda assim bem menor que o intervalo entre seu trabalho anterior e 'Interlúdio', álbum de inéditas que acaba de lançar pela gravadora Som Livre. O exílio paulistano foi proposital; o dos CDs, que durou 18 anos, não. "Aconteceu um erro histórico. 'Sexo, Drops & Rock'n'Roll foi lançado em 15 de março de 1990, o dia em que o Collor confiscou as poupanças dos brasileiros. Disseram: 'sinto muito, ano que vem a gente faz outro'. E o ano que vem chegou e nada. Quando conseguiu lançar o próximo, um disco de intérprete, em 1995, já estava há cinco anos na gaveta", lembra.

Léo Jaime foi um dos grandes hitmakers dos anos 80, mas passou quase
em branco após isso, à exceção do recente revival oitentista e da Internet. "Comecei a fazer shows na cena alternativa de São Paulo, criei blog, Orkut e repercutiu. Essa comunicação direta com o público deu à indústria noção da minha popularidade.", diz o cantor, hoje com 48 anos. Seu disco anterior saiu quando ele tinha 30. "As gravadoras só se interessam pelo que já é sucesso. Só querem o pé da laranja quando ele está maduro.", constata, mais do que se queixa.

Apesar da contundência da crítica, Léo Jaime não guardou espaço para rancores. "Ficou uma preocupação com a qualidade. Muita gente gravou nestes 18 anos e eu não. Não tinha o direito de errar", afirma. Então, chamou amigos como os compositores Leoni e Alvin. L e o baixista Mingau para gravar as 10 faixas do disco, todo ele melancólico como a faixa-título. "Esse CD foi feito com uma certa dose de sofrimento, até porque talvez seja mesmo o último para mim. Ele é o reflexo desse longo interlúdio", explica.

De volta à carreira, Léo está também de volta ao Rio, na companhia da mulher, Daniela, e do filho Davi, de 10 meses, heranças da estadia paulistana. "Foi em São Paulo que eu experimentei as músicas desse disco. Mas sou carioca, apesar de goiano, e tinha que voltar. O bom humor do carioca é maior do que tudo", diz. A escolha dos arranjos e a maneira cuidadosa de compor e cantar deixam Léo Jaime mais perto de Elvis Costello do que do Elvis Presley que idolatrava em sua bem-humorada época de 'Sessão da Tarde', quando enfileirava sucessos – 'O Pobre', 'As Sete Vampiras', 'A Vida Não Presta', 'A Fórmula do Amor'... "Os anos 80 foram o último sopro de inocência nas canções. Havia algo de otimismo e descontração. Não sei se eu perdi isso ou se isso se perdeu com o tempo", conta.

Seu disco fala de decepções, amadurecimento, perdas e dúvidas. "Eu já não sei onde vou chegar/ Eu já não me acho no espelho/ Será que alguém sabe responder/ Se um dia desses ainda vou ser/ Quem eu devia ser", pergunta, na única música em que não assina. 'Hoje e Sempre', de Alvin L. Mais do que tudo, porém, 'Interlúdio' é essencialmente romântico – e a obra de Roberto e Erasmo Carlos, uma das matrizes do rock brasileiro dos anos 80, continua a ser perseguido como o santo graal por Léo Jaime. Ele confirma. "'Fotografia' é o mais próximo que Leoni e eu jamais conseguimos chegamos de Erasmo e Roberto."


Terça-feira, 1 Julho, 2008

RENATO RUSSO HOMENAGEADO NO PRÊMIO MULTISHOW

Reprodução


(atualização) Mallu Magalhães cantou Música Urbana 2, do segundo disco da Legião Urbana, na festa do Prêmio Multishow, ontem à noite, no Theatro Municipal. Mallu tem 15 anos, mesma idade do prêmio, e sete a menos que a canção de Renato Russo que ela homenageou. Mas o grande homenageado da noite foi Lulu Santos.

Por falar em Mallu... Outro dia o João Barone, baterista dos Paralamas, que já dobrou os 25 anos de estrada, fez uma comparação curiosa sobre as mudanças no processo de fabricação da música de lá para cá: "Quando começamos, gravar um disco era o fim do processo, a grande recompensa, era onde todo mundo queria chegar. Agora, gravar um CD é o ponto de partida." Aconteceu exatamente assim com Mallu. Sua 'Tchubaruba' virou o primeiro fenômeno pop do MySpace Brasil e tornou a moça conhecida antes mesmo de fechar qualquer contrato de gravação. E só agora, longínquos, hmm, seis meses? um ano? (tudo isso?) de sua aparição em formato MP3, Mallu chegará ao CD. Mario Caldato Jr., produtor dos Beastie Boys, Marisa Monte, Marcelo D2 e Beck, vai registrar suas músicas, a partir do dia 14, nos turbinados estúdios AR, aqui no Rio. Mallu é novinha, mas vai tocar com equipamentos que poderiam ser seus avós - analógicos, valvulados e com uma fina camada de poeira por cima, para que tudo soe como antigamente, na época dos The Beatles e do Bob Dylan, suas paixões e influências confessas. Capricha, Mallu!