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Ricardo Calazans

Quinta-feira, 27 Novembro, 2008

ENCONTRO DE TITÃS

- Trouxeram?

Divulgação / Daniel Benassi
Repara no sapato do homem

Wando só perguntou isso: "trouxeram?" E choveram calcinhas sobre o palco do Claro Cine, no Jockey Club, no início desta madrugada. Fui até lá para ver o Brasov, que é uma banda verdadeiramente espetacular, porque seus sete ou oito integrantes trabalham para divertir seu público.

Eles são:
Daniel Vasques :: saxofone (mas quem tocou foi aquela menina que também toca com a Silvia Machete, infelizmente não sei o nome dela; e ela catou uma calcinha azul do Wando! O Daniel passou o show de Bez e bombou)
Fabiano Krieger :: guitarra e voz
Felipe Rocha :: trompete e voz
Lucas Marcier :: baixo
Rafael Rocha :: bateria e percussão
Raphael Miranta :: bateria e percussão
Ricardo Dias Gomes :: teclados

Divulgação / Daniel Benassi
Brasov em brasas

O Brasov já havia amaciado a platéia com seu inclassificável amor pelos sons renegados, do brega brasileiro ao cafona cigano, executados com safadeza, ironia finíssima e precisão de orquestra - o tragicamente calvo guitar hero Fabiano Krieger, que comanda a farra, é filho de um mitológico maestro. "É quase sem voz que eu convoco... Pepeu Gomes!", caprichou o ator Felipe Rocha, trompetista e cantor de interpretação, claro, teatral, chamando ao palco o outro convidado da noite. E, diante dos dois gigantes, a garotada foi reverente e companheira. Fez a cama para os solos - como não dizer? - incendiários de Pepeu e apimentou a malícia de Wando. 'Eu Também Quero Beijar', com Pepeu, e 'Fogo e Paixão', com Wando, levaram a platéia ao delírio. O "obsceno" deixou o palco coberto de presentes: "Obrigado pelas calcinhas!", agradeceu. E o Brasov, com temas de seriados ('Chips'), comerciais ('Piscinas Tone'), da Banda Black Rio ('Maria Fumaça'), de Roberto Carlos ('Falando Sério', 'O Show Já Terminou') e da própria lavra ('Gonzalito Airlines') também deixou a galera em ponto de bala. Parece até que fez o povo esquecer do filme que passou antes...

Wando, o cara


Pepeu 'taca' fogo no salão


Brasov faz a festa

Sábado, 22 Novembro, 2008

O CORAÇÃO DO HOMEM-BOMBA

Li que Michael Jackson teria se convertido ao Islamismo. Agora, quem quiser procurá-lo no orkut deve digitar Mikaeel, com dois 'ê'. Espero que o cantor-antigamente-conhecido-como-Michael (ou '?') siga os verdadeiros princípios do Islã e não caia naquela conversa mole fundamentalista. Ou corremos o risco de ver Osama Bin Laden produzindo sua próxima bomba?

Reprodução
Mikaeel Jackson


Quinta-feira, 13 Novembro, 2008

O TEMPO PASSA, O TEMPO VOA

Vejam Spencer Elden em 1991:

Reprodução

E vejam Spencer Elden em 2008:

Reprodução

A MTV convenceu o garotão a repetir a foto que o tornou o bebê mais famoso do mundo no fim do século passado - ainda que ninguém saiba seu nome. E, observando os dois retratos, duas conclusões óbvias: bebês são (quase) sempre fofinhos; adolescente tem (quase) sempre cara de mané.

Terça-feira, 11 Novembro, 2008

CAOS E DELÍRIO NA LAPA

Foto: Marcelo Mirrela
Okereke foi pra galera

Quando o baterista Matt Tong levantou de seu banquinho para rebolar, na introdução de The Prayer, exibindo seu i-na-cre-di-tá-vel - e absolutamente rock'n'roll - modelito bermudinha + dockside, o Circo Voador já havia conquistado o Bloc Party. É uma peculiaridade do Circo: quanto mais a banda no palco sua a camisa, mais a platéia incentiva; quanto mais os caras se entregam, maior é a empolgação da galera. O show de ontem (10/11) à noite do quarteto inglês foi assim, num crescendo hipnótico, e terminou com o vocalista e guitarrista Kele Okereke nadando sobre o público, na maior alegria, enquanto cantava She's Hearing Voices. Nesta hora, o baixista Gordon Moakes estava sobre o bumbo de Tong e o guitarrista Russel Lissack, o mais contido do quarteto, sacolejava furiosamente em busca de mais microfonia.

Foto: Marcelo Mirrela
Repara na bermuda do baterista, lá no fundo!

Em torno deles, os fãs dançavam, pulavam, tiravam fotos com os músicos e se atiravam (ou eram atirados) do palco. Uma mulatona deu uma bela duma sarrada no Okereke do Kele depois que ele foi pra galera, e ao mesmo tempo que os seguranças (da banda e do Circo) suavam para conter os mais empolgados, Moakes, moleque, convidadava as pessoas a continuarem a subir ao palco. O som do Circo fez, como disse o Silvio, o som do REM, sábado, na Arena, parecer um radinho de pilha - o que também ajudou a levantar o ânimo do pessoal.

E olha que duas horas antes não dava para dizer que seria uma dessas noites incríveis na Lapa. Às 21h30, só havia meia dúzia de gatos pingados debaixo dos Arcos. às 23h, quando o show começou, com uma hora de atraso, ainda tinha gente entrando às pressas no Circo. O Bloc Party abusa dos efeitos e do metrônomo humano que é o baterista Tong para criar ondas de transe que embasbacaram o povo, como em 'Mercury', do novo disco, Intimacy. E não era playback!

Lembra do Franz Ferdinand no Carnaval de 2006?
Pois é.

Abaixo, retratos do caos. O show está todo no Youtube. Um sujeito chamado Cybertechno filmou tudo.

Mercury


Helicopter


She's Hearing Voices

Domingo, 9 Novembro, 2008

O REM É COISA NOSSA!

Pequena demonstração do tamanho da alegria de Michael Stipe diante da HSBC Arena parcialmente cheia (ou vazia, depende do gosto do freguês), no show do REM, sábado à noite: já no bis, depois de se empolgar com a reação estrondosa à recente 'Supernatural Superserious', o saltitante vocalista ergueu uma lata de Itaipava, tentou ler o nome da cerveja e admitiu que havia gostado do que provou. "O Brasil é ótima!", brindou, em bom português de gringo.

Rodrigo Alves/ AG News
Stipe rebolou até o chão

Generoso, esse mister Stipe. Inclusive no show. Ele e os veteranos companheiros Mike Mills (o baixista afinado) e Peter Buck (o guitarrista sensível), mais Scott McCaughey (guitarras, teclados) e Bill Rieflin (bateria), dupla igualmente cinqüentona - ou em vias de. Por duas horas, ele se esmeraram num irrepreensível show de 24 músicas, das ultra conhecidas Losing My Religion, Everybody Hurts, Orange Crush, Drive e The One I Love a preciosidades como Ignoreland, What's the frequency, Kenneth?, Exhuming McCarthy e Let Me In. Como diria o outro, quem sabe faz ao vivo (por falar nisso, será que o Bloc Party vai repetir o playback do VMB no Circo Voador, nesta segunda?).

Embora nos poleiros da Arena houvesse quem reclamasse do som baixo que vinha do palco, a sensação geral, após o show, era mais de satisfação garantida do que de dinheiro de volta. E olha que não era pouco dinheiro - as entradas estavam na média (cara) dos últimos tempos, o que talvez tenha impedido a casa de ter a lotação esgotada. Mas quem compareceu viu um grande show. Nos anos 80 o REM ocupava na vanguarda do rock independente, inteligente e inspirado, que ainda ramifica e se espalha por aí, 28 anos após sua estréia (a banda tinha ainda o baterista Bill Berry, que pediu para sair em 1997, depois de sobreviver a um aneurisma cerebral). Não vi o show do Rock in Rio em 2001, que, dizem, foi uma espécie de 'Echo and The Bunnymen' com lama, mas já ouvi que o de sábado não deixou muito a dever àquele. Isso não sei. Mas ninguém tira dos simpáticos gringos bebedores de Itaipava o troféu de trocadilho da semana, exibido em letras garrafais num telão nada convencional:
'Barack'n'roll'.

Palmas para o REM que ele merece.