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Fundado em 1999, o Gigantes da Lira sempre fez um carnaval família, com Giramundo comandando os palhaços, perna-de-pau, muitas crianças e pais fantasiados. Nos últimos anos, o bloco sofreu com a invasão de pitboys e gente que não tinha nada a ver que acabou com a essência do desfile. Mas 2010 foi o ano da retomada do Gigantes.
Marcado para 8h, o desfile começou pouco depois das 9h do domingão, já com sol forte, mas protegido pelas sombras das árvores da Rua General Glicério. Entre as crianças, a fantasia de Bambam e Pedrita eram as mais usadas. Os adultos também abusaram da criatividade, com destaque para um cara que foi de Moranguinho e o Super-Homem que, como em outros anos, era levantado e 'voava' pelo bloco.  A organização foi muito boa, a festa estava bonita, as pessoas respeitaram e utilizaram os banheiros químicos e o que atravessou o ritmo foi a adulteração dos ambulantes no preço das cervejas, uma das principais reclamações dos foliões. Credenciados pela Antartica para venderem cervejas por R$ 2 (sendo três por R$ 5), os metidos a malandros mudaram os preços e tentaram levar a melhor. Não se deixe enganar.   No mais, a prévia do Carnaval teve desfile do Bola Preta na sexta-feira. Entupido, o bloco foi marcado por uma multidão, mijões e mais mijões (incluindo mulheres) e muitos furtos. O policiamento se limitou a um único carro. O Quem num Guenta Bebe Água, domingo, em Laranjeiras, foi mais animado na concentração do que no desfile. A bandinha tocando marchinhas funcionou melhor do que o samba do bloco. Pelo que soube, o bloco dos mijões também marcou presença no Suvaco de Cristo e Simpatia.

Na próxima segunda-feira acontecerá o primeiro Baile de Gala do Samba do Trabalhador. As camisas, que custam R$ 25, estão sendo vendidas no Renascença e com Armando Paiva (7622-8711), e dão direito a entrada. A tradicional roda de samba comandada por Moacyr Luz receberá convidados e fará um grande pré-carnaval. Local: Renascença Clube Endereço: Rua Barão de São Francisco, 54-Andarai Data: 08/02/10 Horário: 16h Camisa c/ingressso: R$25

No fim de semana, o carioca botou os blocos na rua, abriu o Carnaval e também os questionamentos, críticas e elogios. Algumas melhorias, antigos problemas. Os banheiros químicos deram o ar da graça em alguns blocos, mas ainda em número insuficiente abrindo passage para o bloco dos mijões. Apenas onze deles foram detidos. Vale lembrar que a Antarctica é patrocinadora oficial do Carnaval de Rua e divide com a Prefeitura certas responsabilidades.
Na sexta-feira à noite, o cheio e calorento ensaio do Escravos da Mauá foi regado a uma bela Lua Cheia e muito mijo. O som também foi ruim e os ambulantes estavam liberados.
Sábado pela manhã, o GB fez um desfile em Laranjeiras menos problemático do que o de 2009. O bloco, conhecido pela freqüência de maioria de tchutchucas e fortões, não parou tanto o trânsito na rua das Laranjeiras. O GB, que tem até DJ, arrastou seu desfile por longas horas e mostrou, assim como muitos outros blocos, que a decisão da Prefeitura de estipular horários é pouco eficaz. Os mijões atacaram.
Perto dali, o Imprensa que eu Gamo recebeu apoio da cervejaria e banheiros químicos, mas alguns bobalhões cismaram em regar as árvores. O bloco desfilou (quase) tranquilamente, sem as brigas dos últimos anos, mas com a velha e péssima ideia de só cantar o samba do bloco. Depois de duas horas, ninguém aguenta. Além disso, pelo menos duas pessoas registraram queixa na delegacia do Catete por furto de Nextel.
Quem esteve no encontro de blocos no sábado à noite, na Lapa, não teve maiores queixas e elegeu o Céu na Terra e o Rancho Flor do Sereno como destaques.
No domingo, o Bagunça meu Coreto fez Carnaval e literalmente bagunça na Praça São Salvador, em Laranjeiras. O bloco, que no início reunia apenas amigos, crianças e moradores da região, extrapolou fronteiras e perdeu o charme e a paz. Depois de algum tempinho de banda, o cenário era de sujeira e adolescentes exagerando na bebida.
Certo é que o Carnaval de rua do Rio enche cada vez mais, o que torna um simples desfile num martírio, com reclamação de moradores e queixas dos próprios foliões. Acredito que esse ano será o auge do fervo nos blocos. A dica é investigar aquele bloquinho que ainda mantém o clima família.
Antigos azulejos revestem a parede onde também estão retratos de um Vasco vitorioso. O belo balcão de madeira deixa à mostra uma das melhores empadas do Rio de Janeiro e, atrás dele, está Dona Olinda, portuguesa simpática que, ao lado da filha, comanda o simpático botequim encravado em São Cristóvão, na rua que leva o nome do bairro.
A grande pedida é a empada de camarão ao singelo preço de R$ 2,50. Bem recheada, desmancha na boca. A de frango não fica muito atrás. Pelo mesmo preço e sabor, o bolinho de bacalhau também é de lamber os beiços.
As cervejas acompanham o ritmo e deixam o freezer rumo ao balcão saltitantes de tão geladas. Como de costume, vou de Brahma a R$ 3,30. Tudo isso com a simpatia da solícita Dona Olinda, que faz questão de mostrar que a empada está fresquinha exibindo-as no tabuleiro para os fregueses. No bar também é servido almoço, comida caseira e com combinações ao gosto do cliente, mas sempre tendo o feijão preparado com gosto pela família. O botequim funciona há décadas, não é novidade, mas precisa ser lembrado sempre.
O agradável pé-sujo de Dona Olinda fica na Rua São Cristóvão, 321, quase ao lado da 17 DP, o que me faz lembrar um 'crime' no ramo de bares: tem gente que ainda prefere a tal empada aberta do Belmonte.

Tardiamente, recebo o email informando que o Cevada, na Praça Serzedelo Correa, em Copacabana, está reaberto depois de ter sido comprado pela rede Belmonte e completamente reformado. Frequentei muito o lugar antes da mudança, que aconteceu bem antes do recente comunicado. Era ali que Júnior Capacete, a galera do time da Juventus, da Figueiredo, costumava parar para beber chope, Brahma Extra e improvisar uma batucada. Recentemente, Júnior elogiou a reforma do bar, mas disse que agora reveza com o Espírito da Coisa, que fica bem próximo. Um dia, passando por lá, parei para ver o novo salão com a parede de pedras e aquela cara de Belmonte. É inegável: o chope é muito bom. Mas não costumo me render a modismos como a tal empada aberta e muito menos concordo com a extinção da cerveja em garrafa. No release da atrasada assessoria de imprensa existe a tentativa de usar um carioquês, sem muito sucesso. Diz o email: "Entre os petiscos, muitas opções, tanto para quem quer comer no balcão: pastel de provolone com cebola (R$ 4); bolinho de aipim com carne seca (R$ 4,50) e empada de palmito (R$ 3). Como porções generosas para quem quer gastar mais tempo no boteco: manjubinha na latinha (R$ 9,90); linguiça acebolada (R$15,50); carne assada aperitivo (R$ 24,00) e aipim frito (R$ 12,90)". Segue: "Mas como todo bom boteco a estrela é, de fato, o chope: tulipa (300 ml a R$ 3,80); garotinho (200ml R$ 3,10) e caldereta (400 ml R$ 43,00)". A vírgula veio no lugar errado e deixou a caldereta com um preço exorbitante. E mais: "a estrela é, de fato, o chope". Isso é um bar em Copacabana ou em Hollywood?!
Carioca perde o amigo, mas não deixa passar a piada. Quando não é amigo, então. Um apaixonado que desandou a espalhar imagens pintadas com jet ao lado da namorada e com a palavra "eterno" foi alvo de gozação. Em algumas imagens, a palavra "corno" foi singelamente adicionada. Ficou mal na foto.
Em primeiro lugar, peço desculpa pela longa falta de atualização do blog. Depois da exaustiva cobertura do hexacampeonato do Flamengo - que não termina no dia do título, pelo contrário, cresce ainda mais nas semanas seguintes - tirei alguns dias de folga, folga de tudo: Internet, jornal, compromissos burocráticos.
No fim da tarde de domingo, último dia de descanso antes de começar a semana de plantão de Natal, fui ver o sol se por sentado numa mureta, com vista para o Cristo Redentor, Baía de Guanabara, a encosta do Pão-de-Açúcar. Óbvio demais ir ao Bar Urca?! Teria sido óbvio e estressante se o destino fosse esse, já que o famoso bar estava entupido.
O cenário é parecido, mas o lado B do Bar Urca é o Urca Grill, boteco das antigas, o primo pobre, sem o luxo do seu quase homônimo: em vez de frutos do mar, um PF que, diz a placa: por R$ 8 você enche o prato e tem direito a dois pedaços de carne.
Não comi, não me arrisco a comentar a qualidade da comida nem do tira-gosto como a lingüiça oferecida no botequim que fica bem na bifurcação que dá caminho para o Cassino, Clube Militar e outros aprazíveis pedaços do bairro.
Nome da rua, confesso, não sei, mas para quem conhece o mínimo do pedaço não tem errada: bem em frente ao posto da PM.
Brahma gelada sai a R$ 3,50. Tem uma penca de opções de cervejas e você não precisa ser amigo dos garçons para arrastar seu casco escuro para a mureta e ver as cores do céu do Rio.
O único porém é o fluxo de veículos, mais intenso do que no cantinho do Bar Urca. Mas, no Urca Grill, os carros passam na mesma proporção que as pessoas estranhas transitam em frente ao tradicional bar.
Fotos: Beat Ferreira
Por conta da trabalhosa cobertura do Flamengo em Teresópolis, o blog está em recesso forçado até a próxima semana. Aos poucos leitores, agradeço pela atenção.
Fui chamado de maluco, minha mãe queria me presentear com um moderno aparelho, já conhecia cada detalhe do teto de casa, em pouco tempo li os livros Travessura da Menina Má (Mário Vargas Llosa), Trilogia Suja de Havana (Pedro Juan Gutiérrez ), Carta ao Pai (Franz Kafka) e Ernestina Ou As 7 Fases do Amor, de Stendhal . Muito literário, mas em português claro minha televisão queimou, dispensei a Internet e decidi ficar pouco mais de dois meses assim: sem TV e marginalizado voluntariamente da grande rede. O necessário - e também o desnecessário - de informações era consumido, engolido e nem sempre digerido durante o dia de trabalho.
A recordação passou como um filme na minha cabeça na segunda-feira à noite, do lado de fora do centenário restaurante Aurora, em Botafogo. A cerveja gelada, o contra-filé a bom preço e bom gosto, a conversa sobre como foi o dia, como seria a noite, o debate sobre o motivo de casais sentarem um de frente para o outro, o que impossibilita um abraço ou um beijo que seja. Pode parecer papo de mesa de bar. E realmente é.
Enquanto isso, no salão do Aurora, uma enorme televisão passava a novela das 9. Casais lado a lado. "Viu, minha teoria estava certa. Homem e mulher devem sentar lado a lado", pensei. Mas, não. Todos estavam virados e vidrados na televisão, no Rio resumido ao Leblon de Manoel Carlos. Prato cheio para uma nova discussão.
Afinal, qual o motivo de os bares e restaurantes colocarem televisões?
Ah, o futebol, sim, os jogos de futebol. Pode ser, mas quem quer assistir a um jogo sem ser importunado, sem ter de aturar Galvões Buenos espalhados pelas mesas, ironias de torcedores rivais, jamais assistirá à partida num bar ou botequim.
Na segunda-feira à noite, por exemplo, de longe dava para ver que no Informal, esquina e postura opostas as do Aurora, era reprisado o empate em 0 a 0 entre Flamengo e Goiás. Acredito que nem o mais fanático rubro-negro gostaria de rever o tropeço.
Bares tradicionais colocaram televisões nos salões. Bar Brasil, Bar Lagoa, Adega Pérola, Panamá, entre muitos outros. Num fim de tarde no Lamas, em um baita telão, passava Malhação. Um autêntico levantamento de chope com atrofia de cérebro.
Mesa de bar é lugar para reclamar do trabalho, discutir futebol e política, namorar, filosofar, rir, relaxar, tentar entender e discordar do fato de casais sentarem de frente, fazer planos, desfazer planos, esquecer dívidas, fazer novos penduras. Mesa de bar não é lugar de ficar vidrado na TV, boquiaberto, não pela cerveja gelada, mas sim pelo galã da novela das 9 ou rir (se isso é possível) com as cacetadas do Faustão.
Abaixo a ditadura da televisão nos bares e botequins!
PS: O grafite que ilustra o post está espalhado pelo Rio de Janeiro.
PS1: Comprei uma nova televisão, mas sigo com a leitura. Chico Buarque conseguiu agradar mais com Leite Derramado do que com o chato Budapeste.
A venda do Serafim pode ser concretizada a qualquer momento, mesmo com algumas pessoas envolvidas tentando derrubar o negócio. O tradicional bar em Laranjeiras passa por sérias dificuldades financeiras e, caso o negócio não seja concretizado logo, a casa corre risco de falir até o fim do ano. O Belmonte se desinteressou; os prováveis compradores, que desembolsarão R$ 350 mil, são moradores do bairro e já deixaram claro que manterão os garçons, cozinheiros e gerente do botequim, além de preservar o nome e as características do bar. Apenas algumas melhorias serão feitas. O bom e velho maracujá também resistirá. Até o fim da semana o destino do Serafa será traçado.
As luminárias com as ondas do calçadão de Copacabana até são bonitas, fotos do Rio ilustram bem as paredes, mas o bolinho de bacalhau requentado e a indefinição se o lugar é pizzaria, de culinária japonesa, bar ou restaurante não causaram uma boa impressão na primeira visita ao Alma Carioca Bar e Grill (Praia de Botafogo, 470). O próprio nome tenta ser tudo de uma vez; e grill não faz parte do vocabulário carioquês.
A varanda, que tem uma bela vista, estava fechada. Mais um ponto negativo. O chope Brahma servido no canecão e o atendimento atencioso diminuíram um pouco a decepção, mas não foram suficientes para estender a permanência por mais de 30 minutos.
Para piorar, um DVD do Lulu Santos. Na sequência, Exaltasamba. Se essa é alma carioca, posso me considerar uma alma penada vagando pelo Rio.
Texto de Rafael Cavalieri, jornalista e boêmio Está certo que o costume do carioca é bebericar aquele chope estupidamente gelado e cervejas tradicionais como Skol, Antartica, Bohemia. Mas se podemos variar, por que não fazê-lo? Na última quarta-feira tive a oportunidade de conhecer sete diferentes cervejas em uma degustação promovida pela Lidador de Ipanema, com organização da simpaticíssima Nadine, e comandada pelo jovem mestre Leandro Ajuz. Após uma breve apresentação de todos os tipos de cervejas, além de falar sobre a origem da bebida, fomos ao que realmente interessava. No cardápio, seis alemãs e uma tcheca. Antes de apresentá-las, uma curiosidade que não poderia deixar de comentar. Sabe aquela vontade de comer um petisco durante uma cervejada? Segundo Leandro, isso acontece por que o lúpulo é primo da maconha. Pois é, cerveja deixa todos com larica! A noite começou com a Wernesgruner. Uma pilsen de amargor pronunciado por conta do lúpulo. Como as Lagers básicas, pouco aroma, mas bastante refrescante. Em seguida uma híbrida. Explico melhor: uma Ale por classificação, mas com cor e sabor de Pilsen. Bem mais aromática do que a anterior. A tcheca foi a terceira da noite. E que delícia. Uma Pilsen que já foi considerada a segunda melhor do mundo. É fabricada na região que batiza o estilo da cerveja. Seu nome? Czechvar. Mas só nos países que a importam. Na República Tcheca, ela é encontrada pelo nome de Budweiser. E, por conta disso, até hoje rola na justiça uma briga pelo nome. A quarta e a quinta são da mesma fábrica: a Oettinger, uma das três maiores da Alemanha e que só fabrica cervejas em lata. Primeiro degustamos a de trigo. Um espetáculo e bastante curiosa. Segundo Leandro, a pasteurização termina na lata que contém lúpulos vivos. De aroma frutado, a cerveja é rica em vitamina B e muitos a bebem no café da manhã. Foi seguida pela Lager da fábrica com graduação alcólica de 8.9% e surpreendentemente adocicada. O álcool está lá, mas mal é notado. As duas últimas ficaram para o final. Primeiro a G Schneider Aventinus. Essa foi simplesmente a primeira Weizenbock do mundo. Uma pioneira até hoje considerada a melhor. Não pensei duas vezes após desgustar e levei duas garrafas para casa. No nariz tinha de tudo: de fruta ao torrado do malte. Agora o nariz se impressionou mesmo com a Aecht Schlenkerla que fechou a noite. O malte é tão defumado que ela é apelidade de presunto. Diferente de tudo que já bebi. Sem sombra de dúvida vale experiementar essa Rauchbier. Todas as cervejas são vendidas na Lidador. Fica a dica para quem quer fugir da mesmice e explorar novos sabores dessa bebida tão apreciada no infernal calor carioca. E prometo em breve escrever um post aqui sobre a verdade das cervejas brasileiras. O assunto é tão tenebroso que merece um tópico só para isso. O mestre Leandro fez alardes de assustar qualquer um. Mas, por enquanto, vamos ficar nas notícias boas. Um brinde a todos!

Nas manhãs de domingo, a convite de meu irmão, morador da Tijuca, estacionava na calçada da Rua Afonso Pena, com Brahma gelada, carne de sol e linguiça comprada na feira e frita gentilmente pelo pessoal do Bar do Chico. O botequim era considerado orgulho dos moradores do bairro pela resistência no estilo pé-sujo, pôster do Dicró na parede, garrafas enfileiradas nas prateleiras e informalidade. O mesmo irmão fez o convite para festejar seu aniversário. Curiosamente, ele nasceu no dia dos mortos. E, no mesmo 2 de novembro, presenciei que naquele pedacinho da Tijuca, esquina da Afonso Pena com Pardal Mallet, jaz o Bar do Chico. Uma reforma transformou o bar em lanchonete, como bem definiu o sábio Fraguinha, ou num refeitório de hospital. Um salão anexo com ladrilhos brancos, que destoam dos mosaicos antigos que resistem em certas partes do bar, cor amarela tom ovo, tudo de gosto duvidoso, a originalidade do bar acabou sete palmos debaixo da terra. O cardápio está nos trinques, muito correto demais. Parece que estão servindo até pizza. Acabou o encanto. Mais uma baixa na guerra dos autênticos botequins contra a modernização (?!) dos bares.
O blog agora também está no Twitter, com rapidinhas, dicas e 'otras cositas más'. Quem se interessar ou quiser criticar está lá: www.twitter.com/riodechinelo.
No título do post, tentei fazer piada, trocadilho com o Bar do Serafim, apenas para achar graça em meio à tristeza. Na noite de sexta-feira, junto com o primeiro chope gelado e os bolinhos de bacalhau, foi servida a notícia difícil de digerir: uma reunião na sexta definiu que o bar será colocado à venda. Mais do que um botequim de estimação, chega ao fim uma história construída ao longo dos anos pelos falecidos Serafim e Juca. O valor é considerado baixo por quem é do ramo. O pedido inicial é de R$ 400 mil, sendo R$ 150 mil logo de cara, para honrar compromissos com funcionários e pagar dívidas. Mas é possível que, com R$ 350 mil, o negócio seja fechado.  Desde já, formou-se uma legião de órfãos do Serafim, composta em sua essência por moradores de Laranjeiras que se deliciavam com a lendária batida de maracujá e a cozinha portuguesa que funciona desde 1944. A primeira casa ficava na Rua Paissandu e, depois, mudou para a Rua Alice, sendo um marco entre os botecos cariocas. O comprador terá como concorrência a Tasca do Edgar, que agora fica colada ao Serafim e não anda bem das pernas. A tendência é que o novo dono compre o espaço do Edgar e fique com um amplo salão, sonho antigo e não realizado pelo saudoso Juca, que virou sócio da casa em 1996 e faleceu em março de 2009. O Belmonte deve entrar na rodada das negociações. A notícia da venda do Serafim corre à boca miúda. Quem sabe fica boquiaberto. A história está próxima do fim. Sem interrogação e com o pobre trocadilho que não tem graça nenhuma: será o fim.

Neste sábado, dia 24, Ziraldo completa 77 anos, a grande maioria dedicado a personagens imortais como o Menino Maluquinho. Nascido em Caratinga, Minas Gerais, ele é escritor, cartunista, pintor e cartazista. Durante a Ditadura Militar (1964-1984), com outros humoristas, fundou O Pasquim. Sua primeira revista foi A Turma do Pererê. Depois, em 1980, lançou O Menino Maluquinho, um dos maiores fenomenos editoriais no Brasil de todos os tempos. Lembro que Ziraldo era estimulado pela mãe a desenhar na parede. A imaginação era fértil desde os primeiros anos de vida. "Eu cresci inventando coisas. Inventava histórias, e tinha um circo no fundo do quintal. Eu era tão aberto para o mundo que o meu circo se chamava Circo Norte América, achava chiquérrimo. E a fera do circo era um gambá cego. E os meninos pagavam o ingresso pro circo com pau de fósforo, cinco paus de fósforo. Não se tinha unidade monetária, uma coisa que você podia dividir era o pau de fósforo. Fiquei rico de pau de fósforo, podia virar um incendiário. E também desenhava desbragadamente", recordou, certa vez.
Ziraldo é um mineiro com a alma que o carioca precisa em tempos de guerra. Suas armas são a literatura, as canetas, lápis de cor e pincel que fazem a vida ficar colorida. Parabéns, eterno Menino Maluquinho.

Diz a surrada frase que a primeira vez a gente não esquece. A primeira vez também requer acertos para a segunda. Na terça-feira, aconteceu a primeira edição de Os Botecos e a Estácio, que, diz a filipeta, reúne as paixões dos cariocas, botequim e samba.
Petit Paulette, Enchendo Linguiça, Cachambeer e Original do Brás colocaram alguns dos seus principais petiscos na festa na quadra da Estácio. Mas o atendimento confuso dos garçons e a qualidade do tira-gosto não correspondem, nem de longe, aos que são oferecidos nos bares. A costela no bafo do Cachambeer parecia ter sido aquecida num forninho elétrico, a linguiça crocante estava fria e o croquelete foi o que de melhor foi oferecido. Talvez pelo fato do Paulette participar ativamente na cozinha.
A roda de samba foi prejudicada pelo som abafado e algumas microfonias. A participação de Monarco dispensa comentários, dribla problemas técnicos e garantiu, ao menos, uma boa recordação da primeira vez. A entrada custa R$ 15, o balde com seis long neck da Itaipava Premium vale R$ 24.
A próxima edição será 10 de novembro, com Moacyr Luz e Banda com Filipe 7 cordas. Rola venda antecipada nos botequins participantes e na quadra da Estácio.
Mas, as paixões dos cariocas, como diz a filipeta, precisam de mais atenção. Caso contrário, assim como na vida, a relação fica estremecida. Aí, não tem frase feita de filipeta que dê jeito.
Desde a morte de Juca Ribeiro, em março, a rede Juca de botequins entrou em colapso. Primeiro, a Tasca do Edgar, em Laranjeiras, foi vendida. O bar na Gago Coutinho, outro em Laranjeiras, também foi passado adiante. O tradicional Serafim resiste, mas com alguns questionamentos entre os sócios. Agora, chegou a vez da Taberna do Juca, primeira casa que o português abriu na Lapa. Depois de alguns anos de funcionamento, troca de gerência e queda na qualidade, o bar está à venda. Juca, mesmo quando estava doente, sempre conseguiu contornar os problemas. Fica provado mais uma vez que quando o assunto é bar, o dono tem que estar sempre com a barriga colada no balcão, senão a coisa desanda e o chope fica aguado.
As Casas Casadas, em Laranjeiras, conservam as seis unidades residenciais em arquitetura neoclássica. Foram construídas em 1883 pela família Leite Leal e tombadas em 1994 pela Prefeitura do Rio, por se tratar de um exemplar único de residência multifamiliar do século 19. Um pouco de história do passado que, no presente, ganhou um anexo, onde funciona o restaurante Espaço Rio Carioca, com um varandão aprazível. No cardápio, carta de vinhos, Bohemina long neck a R$ 4,20, carpaccio (R$15), sanduíches, sopas e outras opções. Mas a coisa desafinou. Primeiro no som: a qualidade do jazz ou da voz marcante de Maria Bethânia não precisavam estar tão altos. Depois, no atendimento, lento, despersivo, e que incomodou os clientes de, pelo menos, três mesas. Acredito que as empregadas da família Leite Leal, vestidas com suas roupas clássicas nas cores branca e cinza, eram muito mais eficientes. O bistrô, como se define o espaço, não pode nem deve se garantir apenas na beleza da casa. A programação inclui rodas de samba (domingo, dia 18, vai ter Segura a Nêga, a partir das 17h, R$ 10), e outras boas atrações. Uma boa chance para o Rio Carioca acertar o tom, no som e no serviço.

Soube pelo amigo Armando Paiva: o samba da Pedra do Sal está em risco. Reclamações de pessoas que moram próximas ao batuque levaram agentes da Prefeitura ao local e proibiram o dono do bar - que abriga e banca a roda - de colocar mesas e cadeiras do lado de fora. Assim, o samba vai ficar entregue a Deus, a ambulantes e perfumado pelo cheiro de xixi, já que a mesma Prefeitura que cobra não disponibiliza banheiros químicos. Mas será que vai ter samba?
O choro da Praça São Salvador, em Laranjeiras, também levou um choque. O motivo foi a invasão de barracas sem cadastro, que deixou a coisa meio desorganizada. Luizinho das caipirinhas também foi vetado. Mas o motivo principal da reclamação dos vizinhos é a noite de sábado, quando a praça fica lotada, com um dos bares servindo garrafas fora do balcão. Parte da juventude de gosto duvidoso faz o desfavor de colocar funk em alto e bom(?) som nos rádios de carros. Muito barulho por nada, e que gerou o choque de ordem.
Amigos da Praça já recolheram assinaturas para que as restrições sejam direcionadas e as barracas regularizadas.
O Armazém Cardosão, em Laranjeiras, continua com a feijoada aos sábados, mas aos domingos também oferece risoto de camarão e peixe (namorado);
Quem for à Marina da Glória conferir o Brasil Rural Contemporâneo não pode deixar de experimentar o vinho feito com uvas orgânicas;
O Beco do Rato, na Lapa, vai além das cervejas geladas em garrafa, e agora oferece um bom chope Brahma; e
A roda de samba do Trabalhador, comandada por Moacyr Luz, sofreu mudanças na formação e ganhou novo gás.

Meu parco francês permite saber que Petit signfica pequeno. Daí a origem do nome Petit Paulette, bar aconchegante de dimensões diminutas que fica na Tijuca, e que no domingo serviu para que Paulette e Edu fizessem caruru e jiló, com muita Antarctica Original e Brahma Extra geladas. Além dos bolinhos de feijoada, também teve farta distribuição de doces para saudar o dia de Cosme e Damião.
Foi quando soube que a casa deixará de ser petit, não no nome, mas sim no espaço. O bar Florescente, que fica bem ao lado, foi comprado, as obras já estão sendo feitas e, no domingo, já foi possível conhecer o novo salão que deixará o bar bem mais espaçoso.
Sempre vai aparecer alguém para dizer que o Paulette vai perder o charme, assim como o Aconchego Carioca, que foi para um casarão do outro lado da rua. Não concordo. Pequeno, um pouco maior, isso talvez não seja a grande diferença. Diferente mesmo são os frequentadores do Aconchego no domingo. Parecia ponto turístico, com grupos chegando até de van. No meu parco francês, diria nul. Palavra que poder ser usada como gíria, algo como 'caído'.

Mais do que televisão de cachorro, o imenso forno que serve para dourar frangos, costela e drumets, também é capaz de fazer criança salivar. Domingo, depois de conferir se os freios dos bondes de Santa Teresa funcionam, desviar do trilho no Largo dos Guimarães para um café com Itaipava, andar e descer, o jovem andarilho de sete anos brilhou os olhinhos com os frangos em posição e temperatura bem menos agradáveis do que em desenho animado.
Fica na esquina da Rua Bento Lisboa com Tavares Bastos, no Catete, a padaria Nova Viriato, que tem um dos melhores frangos de padaria do Rio ao lado do Rex, na Praça da Bandeira. Não é apenas a minha opinião ou do João Pedro. Paladares aguçados como o de Pedro Landim (blog Boca no Mundo), Luizinho da caipirinha, entre outros, aprovaram. O banho de molho na carne fresca é opcional, mas deveria ser obrigatório. A farofa é apenas razoável. Eles entregam em casa.
Um belo galeto custa R$ 12. A costela tem que ser pedida com antecedência. O drumet também é muito bom, custa uma bagatela e é vendido a kilo. Ponto fraco da Nova Viriato: recentemente, a Brahma foi cantar de galo em outro terreiro. A garrafa estava em falta.
Aos domingos, é bom chegar cedo para evitar as longas filas. Garante um bom almoço ou pode servir de tira-gosto. Nem sempre "colocar doce na boca de criança" é a expressão correta.
Fotos: Beat Ferreira
Nova Viriato - Rua Bento Lisboa, 72. Catete. Telefone: 21 2285-4159

Ainda criança, lembro que almoço ou jantar no La Mole era um evento de família. Na memória ficou aquele ambiente até então acolhedor, as toalhas de mesas quadriculadas, uma massa honesta e, na época, Coca-Cola na garrafa de vidro. O tempo passou, freqüentei bastante uma das filiais que ficava em Copacabana, onde hoje funciona um banco. O segundo andar era aprazível. Quando a oferta de variadas marcas de cerveja ainda era pouca no mercado, a antiga Bohemia do La Mole tinha seu valor. O caldinho de feijão forrava o estômago e ainda dava de brinde uma caneca de cerâmica pintada à mão.
O tempo passou, minha imagem do La Mole mudou: tomei implicância com o restaurante e não entendia como o pessoal se sujeitava a enfrentar longas filas.
Mas o couvert, marca registrada da casa, não amargou na linha do tempo. A partir dos anos 80 (o restaurante existe desde 1958), o couvert com linguiça calabresa, pastas, pizza branca, salame, queijo, sardinhas, pães era conhecido como a melhor larica do Rio. Depois da praia, esse foi por muitas vezes meu prato principal. Entrava, bebia Bohemia, devorava o couvert. Detalhe: por mês são vendidos cerca de 35 mil couverts.
E continua assim, só que agora delivery. Delivery é o cacete. Fato é que o La Mole entrega o couvert, que já não tem mais as sardinhas, em casa, sem necessidade de pedir prato principal. O couvert família custa R$ 23, 90, vem mais servido do que no restaurante. Sugere a atendente que a porção é para quatro pessoas. Para duas - ou a dois - sempre rende mais.
Telefone para pedidos: 3460 0800
A rua é de paralelepípedos, mas são raros os carros que passam por ali. Dos poucos, a maioria é fusca. Na varanda do bar nada de mesas com tampo de mármore. Como tira-gosto, queijo, batata caseira, amendoim e alguns improvisos trazidos pelos frequentadores. O banheiro é simples, porém limpo. Não é um autêntico pé-sujo, mas sim um bar acolhedor, sem frescuras, de São Pedro da Serra, depois de Lumiar, indo pela serra de Friburgo.   O nome - Conversa Fiada 2 - jamais poderia ser associado ao Conversa (A)Fiada do Rio. É justamente a antítese. Em vez de time de garçons, um solitário nativo com forte sotaque serve sem firulas, mas com atenção já que a maioria dos locais se serve.  Não adianta chegar a São Pedro e perguntar pelo bar que fica na Rua Aguinaldo Heringer. Basta dizer a rua que corta São Pedro de ponta a ponta. Perto dali, tem um armazém com cerveja gelada e mesa de sinuca, a famosa pizza do Girassol, feita com massa de aipim, o Estação Glória, onde rola um samba, o Centro Cultural. Mas, depois do banho de cachoeira, vale a cerveja Brahma gelada e barata no Conversa Fiada 2. Baratinha e boa é a cachaça artesanal feita pelo Café, que também é guia de caminhadas que levam pelas matas até a Barra do Sana. O caminho é do bem, pode acreditar. Maiores informações: http://www.lumiaresaopedrodaserra.com.br/
O Rio de Janeiro foi eleito pela Revista Forbes como a cidade mais feliz do mundo. Tem violência, o choque de ordem foi uma maquiagem mal feita, mas e daí? O registro de Marcelo Régua na tarde de quinta-feira, mesmo dia do resultado da eleição, explica um pouco o motivo de tanta alegria.

Não somente de botequim vive o blog. Na noite de segunda-feira, fui, enfim, conhecer o Empório Santa Fé, na Praia do Flamengo. A primeira impressão, além de ser das melhores, serviu para já deixar agendado um novo jantar no restaurante que surpreende pela carta de vinhos - são mais de 500 - e pela Cerpa gelada, além do atendimento atencioso. O ambiente é acolhedor, um clima agradável, com janelas que proporcionam um belo visual.
O couvert traz pães especiais, com acompanhamentos de primeira (Brandade de bacalhau, berinjela em molho de tomates, mussarela de búfala, patê de fígado de pato, pães e torradas). Como prato principal, o Frango Fashion pode causar uma impressão errada pelo nome, mas é uma bela pedida o filé de frango grelhado, molho de limão e sálvia. Acompanha omelete de claras com legumes e mussarela de búfala.
O restaurante também oferece promoções, como a Terça do Vinho, com 25% de desconto em toda a carta de vinhos, e o Sábado Drinks, com 15% de desconto em todas as bebidas, da água ao champagne.
Restaurante Empório Santa Fé Praia do Flamengo, 2 - Flamengo - Rio de Janeiro - RJ Tel.: (21) 2245 6274
Impressionam o rolo compressor e investimento de Antônio Rodrigues, dono de 'trocentos' Belmonte(s) e outros bares modernosos espalhados pelo Rio. Até na Urca tem Belmonte. Em breve, ele abrirá mais uma casa, praticamente dominando as esquinas da Rua Mem de Sá com Lavradio, na Lapa. Além do Antônio's e Boteco da Garrafa, ele abrirá mais um bar, na esquina em frente ao Estrela da Lapa. Tá dominado!
Dos barcos ancorados, os pescadores retiram montoeiras de peixes; o movivento incessante continua na ruazinha de paralelepídos repleta de carros, pessoas e que tem como moldura a Ponte Rio-Niterói e casébres mal conservados. Entre eles, talvez um dos principais heróis da resistência em meio ao rolo compressor dos novos botequins. O Bar Decolores, com seu surrado arco-íris pintado na parede repleta de penduricalhos, bebidas quentes e um clima acolhedor.
Num primeiro momento, o desavisado pode se assustar com o ambiente no mais autêntico estilo pé-sujo. As mesas de madeira resgatam os tempos de outrora, assim como o balcão com tampo de mármore. É da cozinha que surgem boas surpresas, como os bolinhos de bacalhau, pastéis (de qualidade impressionante), e pratos como polvo, lula e bacalhau. Tudo isso no charmoso bairro Ponto D'Areia, em Niterói.
A casa abriu um anexo mais moderno, mas a boa pedida é ficar na antiga casa, que dizem alguns, é quase centenária, com paredes verdes. Joel, o garçom atencioso que tem anos e anos no Decolores, fuma seu cigarrinho, mas quando é solicitado, apesar da idade avançada, salta para buscar a Brahma, talvez a cerveja mais gelada que bebi nos últimos tempos. Na tarde de sábado, o bar coloca mesas do lado de fora. A movimentação nas ruas, quiosques e barcos faz tudo ficar mais colorido. Mas é no fim do arco-íris do Decolores que está o pote de ouro.
Decolores: Rua Barão de Mauá, 342, Ponta D'Areia, Niterói. Telefone: 2622-6167.
A tradicional roda de samba do Escravos da Mauá acontece na sexta-feira, no Largo da Prainha, na Gamboa, a partir das 19h. Por falar em samba, aproveito para fazer lobby para o meu irmão Luiz Antônio Simas, que chegou à final na disputa do Salgueiro no ano passado e agora, em parceria com Beto Mussa e Edgar Filho, concorrerá com um samba na Império da Tijuca, a tradicional agremiação do Morro da Formiga. Simas explica que o enredo é sobre a Rainha Jinga, uma angolana que resistiu aos dominadores portugueses na África e tem uma história fabulosa. Jinga nasceu entre os Jagas - uma tribo de ferreiros, canibais e feiticeiros (os Kimbandas)- se disfarçou de homem para assumir o papel de rei; envenenou o irmão; morreu em batalha; virou o mito de libertação de Angola; e é cultuada nas cerimônias da congada. Para quem quiser escutar aí vai o link: http://fonogramas.galeriadosamba.com.br/FSC.asp?ijhhp2501747
Da esquina das ruas Marquês de Olinda com Bambina, em Botafogo, é possível ver o luminoso letreiro azul do motel Bambina, considerado durante anos como o top da categoria em eleições realizadas pela revista Playboy. Saliências e trocadilhos a parte, também é possível comer bem no tradicional Restaurante e Bar do Manolo. O chope Brahma (R$ 3,50) é sempre bem tirado, o cardápio traz diversas opções. Destaque para os pastéis de camarão e catupiry (R$ 19), bolinho de bacalhau, sanduíches como o lombinho com abacaxi (R$ 8) e o mini kibe. Para comer, uma bela pedida é a lula com arroz de brocólis (R$ 38).
Os garçons primam pela simpatia, as mesinhas do salão guardam um charme com as toalhas azuis. Na noite de segunda-feira, a varanda perdeu um pouco do brilho já que, por conta do vendaval, o toldo teve que ser aberto.
Na mesa atrás da minha, depois de doses de conhaque e muito chope, uma menina começou a falar alto e a conversar com três senhores com pinta de garanhões. Um deles começou a se engraçar, levantou, deu uns amassos na dita cuja, abraços, até que chegou uma prima da assanhadinha e acabou com a farra. Enquanto a menina andava trôpega pela rua, restou ao coroa com pinta de ator de cinema italiano dos anos 50 pedir uma saideira e fantasiar com o olhar voltado para o neon do Motel Bambina.
Manolo Endereço: Rua Marquês de Olinda ,87 - loja A Bairro: Botafogo Telefones: 2552-4998 e 2551-8398

O Original do Brás dispensa maiores apresentações. Na sexta-feira, uma caravana partiu rumo ao bar no começo da noite. A simpatia do dono do botequim, os torresmos, a cerveja estupidamente gelada, o anguzinho recheado fizeram todos mais felizes e saciados.
Zé Carlos, que posou para foto no cantinho em homenagem a Luiz Carlos da Vila, comprou a parte do seu sócio e agora é o único dono do Original. A cada dia ele recebe mais boêmios que saem de vários bairros do Rio rumo a Brás de Pina. "Como o bar está sendo muito falado, aguça a curiosidade. É o que eu chamo de turista de botequim: vem gente da zona sul, Recreio, Barra...Quando chegam aqui são sempre bem atendidos e comprovam que o botequim tem seu charme", afirma Zé Carlos.
Por enquanto, ele não pensa em filial do Original, que completou quatro anos e meio. Sua preocupação no momento é com o cardápio. "De duas a três vezes no ano renovamos o cardápio, incluindo alguns pratos e retirando outros", afirma Zé Carlos, que elege o anguzinho recheado como seu tira-gosto preferido: "É bom demais".
Além da Brahma gelada (R$3,80), tem cerveja com a Bohemia Confraria (R$ 9) e chope (R$ 3,50). Para tirar um gosto, salsichas alemãs, torresmo, entre outras opções. Destaque para o prato Nordestino Original, com linguiça mineira, carne de sol, queijo coalho e mandioca noisette.
Durante o papo em pleno Original, uma surpresa: aparece o irmão de Zé Carlos, cujo nome é...Janir. Em meio à mistura de nomes indígenas feita pelo meu falecido avô, deixei de achar a ideia tão original.
Original do Brás - Rua Guaporé, 680 - Brás de Pina, próximo à estação ferroviária - Telefone: 3866-1313

Num jingle para uma empresa de aviação, a voz melosa forçada de Seu Jorge diz 'eu quero voar'. Realmente, ele alçou voo em sua carreira, mas a sensação que tenho é de estar em turbulência toda vez que ouço as músicas sempre muito parecidas de Jorge Mário da Silva, 39 anos. Desde o começo do Farofa Carioca, quando era apenas violão e batucada no fim de tarde nas areias de Ipanema, eu tinha contato com o Jorge que virou Seu.
Num pagodão organizado por Ivo Meirelles toda segunda-feira, no extinto Ballroom , lá pelo fim dos anos 90, Seu Jorge ainda amargava a dureza de quem deixou de ser morador de rua para tentar a sorte como músico. Dividíamos cerveja, rolés pelas ruas do Humaitá e calote no ônibus para chegar ao Baixo Gávea, na segunda sem lei. Nos primeiros shows do Farofa, Jorge saudava os amigos que estavam na plateia. Mas o sucesso parece ter feito o cantor voar mais alto do que diz em seu jingle, um 'herói' que poderia ser chamado de 'Super-ego'.
Seu Jorge deixou o Farofa Carioca com divergências com outros integrantes do grupo que não concordavam com algumas de suas posturas. Seu Jorge passou a 'viajar' sem sair do chão. Depois de se mudar para São Paulo, ele deu uma entrevista que beirou o ridículo ao Jornal do Brasil. Algumas das declarações. "Cru é um CD francês, não foi feito para o brasileiro. Não dá para eu tocar isso aqui". Outra: "Fiquei desgostoso, e para morar lá não volto. Não tem cultura, não tem poesia, não tem violão na rua, é triste. O Rio é chopinho e papo furado, pizzaria Guanabara e Baixo Gávea, e todo mundo batendo palma pro pôr-do-sol. Aquela gente é inerte. Se eu fico lá fico igual. O Rio é o foco da luxúria". Toda vez que releio me questiono como é possível a pessoa mudar assim e negar justamente tudo o que ele fazia.
Seu Jorge também foi acusado pelos seus amigos - Ricardo Garcia e Rodrigo Freitas - de plagiar seis músicas. "Carolina", "Tive Razão" e "Chega no Suingue", "Gafieira S/A", "Não têm" e "She Will", foram registradas por Seu Jorge como sendo de sua autoria, o que os dois garantem ser mentira. Jorge fez cinema, Cidade de Deus, filmes no exterior, Casa de Areia. Até garoto propaganda ele foi.
Caso Jorge lesse o post, ele certamente questionaria: "Quem é esse que desanda a falar de mim?". Ele não lembra. Ou não quer lembrar. Afinal, alguns amigos e conhecidos ficaram esquecidos pela estrada. Nesse caminho, Seu Jorge agora canta que quer voar. Boa viagem, Jorge.

Torci o nariz, é verdade. O convite para ir a Niterói não chegou a virar intimação, mas em plena tarde de sábado atravessar a ponte não constava na programação de mais um dia de férias. Mas a programação de férias consiste justamente em não programar nada, sem horário, sem destino. Reclamei, mas no fim não queria voltar e já tomava as dores dos niteroienses que acham ridícula a piada de que a melhor coisa de Nikiti é a vista do Rio.
Depois de muito ouvir falar, conheci o Caneco Gelado do Mário (foto). Botecão, pé-sujo, com não sei quantas pessoas dentro do balcão, um funcionário esbarra no outro, alguém solta um grito, aparecem dois pastéis, bolinho de bacalhau, a cerveja chega bem gelada, o balcão ferve. Na calçada, mesas espalhadas. No salão, um clima mais calmo, mas sem o charme que tem do lado de fora. Além disso, no restaurante, os pedidos demoram a ser atendidos.
No balcão, destaque para o bolinho de bacalhau e o pastel. Na parede, muitas opções de pratos em meio a um fuzuê de letras e pessoas. Fiquei tentado com um arroz, ervilha e camarão. Fica para a próxima vez. Com certeza terá a próxima vez, pela cerveja gelada, por saber que Niterói não se resume ao óbvio Saco de São Francisco e por entender que muitas vezes é preciso seguir os conselhos e aceitar os convites da namorada.
Rua Visconde do Uruguai, 288, loja 5, Niterói - Telefone: 2620-6787

Na semana passada, mesmo tardiamente, aproveitei um dia de chuva e o preço do ingresso mais barato para assistir Loki, documentário dirigido por Paulo Henrique Fontenelle que mostra a vida, obra e loucura do grande músico e mutante Arnaldo Baptista.
São 120 minutos de uma lição de vida, amor e loucura. Não necessariamente nessa ordem. Foi bom conhecer um pouco mais do interior que Arnaldo passou a esconder dentro da sua reclusão. A trilha sonora, os registros históricos, tudo parece um flasback, aqui sem qualquer conotação lisérgica. É possível entender que toda piração de Arnaldo começa, passa e é amenizada pelo amor. Primeiro, a desilusão amorosa com sua primeira namorada e grande amor, Rita Lee. O término e a saída de Rita dos Mutantes desequilibram emocionalmente o músico. No documentário, é possível ver o brilho nos olhos de Arnaldo quando fala sobre Rita. Ela, por sua vez, se recusou a dar depoimentos no filme. No mínimo, foi insensível.
Ao mesmo tempo em que abre o coração ao citar Rita, Arnaldo se cala quando o assunto é droga. O mutante viu as cores agudas, decidiu viajar e bater na porta da loucura tomando centenas de ácidos. Os depoimentos dos amigos relatam o mergulho fundo no LSD e até a ideia de Arnaldo construir uma nave espacial. "Qualquer droga que mexe fundo com a consciência não é brincadeira". A frase de Sérgio Dias, irmão de Arnaldo, deveria servir de lição para uma juventude que a cada dia se entope mais de 'doces' em baladas e festa rave.
Os depoimentos de Tom Zé sobre o eterno mutante são loucos e profundos. O empenho de Lucinha Barbosa, mulher de Arnaldo, em tentar trazê-lo de volta à loucura do mundo real é comovente. O filme traz histórias curiosas, engraçadas, o nascimento, morte e ressurreição do Mutantes, e a 'quase morte' de Arnaldo, que depois do fim do grupo e na quarta internação em uma clínica psiquiátrica, decide voar e tentar o suicídio ao se jogar do quarto andar.
Mais uma vez, o amor pela arte, pela música e até pela vida - por mais contraditório que isso possa parecer - salva Arnaldo. Foi aí que tirei a minha lição. A principal terapia de Arnaldo em Juiz de Fora, onde mora, foi a pintura. Eis que me lembro de uma relíquia que ficou para trás na casa da minha mãe em uma das minhas mudanças. Um quadro pintado por Arnaldo, autografado com lápis, como ele costuma fazer. De uma série limitada de 300 quadros, o meu é o de numero 248. O desenho não poderia ser mais adequado. A Balada do Louco, que traz a maior lição: 'louco é quem me diz...e não é feliz'. Será devidamente pendurado na parede de casa.

Poeta e letrista, Wally Salomão dizia que nossa memória é uma ilha de edição. Alguns momentos dariam um grande final, outros seriam dignos de cortes, e alguns teriam capítulos inusitados, como a missão de ter que conhecer o Pagode do Imperador, em pleno domingo, no Botequim São Nunca, na Barra. A trabalho, é bom frisar, para saber como anda o reino de Adriano nas noitadas cariocas. Sei que de botequim o lugar não tem nada.Depois de uma grande reforma, a casa parece um cubo mágico. Mas, em vez de combinação de cores, uma misturada de tipos.
Marcado para começar às 19h, com caipirinha liberada para a mulherada até às 23h, o negócio só começa a ficar bom - ou seria esquisito - lá para meia-noite, quando o grupo Imperar já está no palco e os gritos de que o Imperador vai chegar ecoam no salão. Mas ele não chegou, para tristeza de dúzias e mais dúzias de mulheres melões, jacas, melancias, uma autêntica salada de frutas. Entre os homens, muito cordão daquele de fazer a pessoa ficar até meio corcunda. O chope é Itaipava, mas bem gelado e que desce bem.
Difícil mesmo de engolir foram os diálogos que refletiam o desejo quase sexual que as mulheres demonstravam para ver Adriano. Saias curtas, calças justas, muita pintura e disposição. No intervalo do pagode, funk, é claro. A noitada mais parece uma aula de sociologia. Cada indício de que o Imperador pode chegar movimenta seguranças, gera proibição de máquinas digitais e burburinho. Dessa vez ele não foi, mas deixou claro que o Pagode do Imperador movimenta quadris e coxas. Se tivesse que fazer uma oração seria São Nunca...mais.
Moradores, frequentadores e admiradores do Leme não estão em paz e muito menos aceitam as ponderações da Polícia. Segundo as autoridades, na noite de segunda-feira, apenas dois homens armados deram tiros para o alto nas comunidades, correram para a mata e pronto, tudo na maior paz. Mas não foi - nem é - bem assim.
Para começar, na noite de sábado, quando acontecia uma festa julina bem no alto do morro da Babilônia, uma saraivada de tiros deixou moradores do bairro incomodados. No posto de policiamento instalado no Chapéu, apenas três policiais estavam presentes. E assustados. Moradores do bairro relatam que a invasão da noite de segunda-feira foi feita por parte do bando que dominava a favela e que, com a chegada da unidade pacificadora, estava refugiado no Pavão-Pavãozinho.
As obras para abertura do Pavão Azul 2 estão em ritmo acelerado. Em pleno domingão, o pessoal ralava para que o novo botequim seja inaugurado no fim do mês. A casa é pequena, mas teve o espaço muito bem aproveitado, com uma varadinha simpática, bem em frente ao bar de origem, do outro lado da rua Hilário de Gouveia, em Copacabana. Ao contrário do Pavão original, o novo bar terá cozinha. Legal foi ver a precaução com a exaustão do lugar, para que o cliente não saia fedendo a gordura. Um exaustor, com um potente filtro, evitará isso, e também que a fumaça prejudique o meio ambiente. As pataniscas, pastéis, risoto seguirão sendo os pratos principais do cardápio imaginário, já que o bravo Pavão não possue cardápio.

Seria heresia minha fazer qualquer tipo de comentário ou comparação entre o chope Brahma e Sol, que há um tempinho passou a ser servido no Bar Luiz, na Rua da Carioca, Centro do Rio. Vale registrar o esforço dos donos da casa para que o chope venha gelado, bem servido, na meia pressão. Mas a pergunta de um dos frequentadores mostra que é impossível não notar a diferença: 'o chope é Sol?'. É Sol, o salsichão segue ótimo, mas a inscrição na plaquinha perto da porta merece ser revista: o melhor chopp do Rio. Um dia já foi, não é mais.
Teve chope Brahma, petiscos, donos de alguns dos principais bares do Rio e nova polêmica na festa Saideira, que na noite de segunda-feira divulgou o melhor bar e petisco entre os 30 botequins que participaram do Comida di Buteco. O anúncio da vitória da Academia da Cachaça, na Barra, com a empada de queijo coalho com alecrim, arrancou poucas palmas, deixou muita gente de cara amarrada e mereceu críticas de Rosa, uma das proprietárias do Aconchego Carioca. "Foi mais injusto do que no ano passado. Não participo mais", bradou Rosa, na festa que aconteceu no Centro Cultural Carioca, na Praça Tiradentes. A opinião foi compartilhada por grande parte dos participantes. No ano passado, a vitória do Original do Brás em todas as categorias - petisco, temperatura da bebida e higiene - também gerou insatisfação, apesar de o bar ter feito um belo tira-gosto e incorporado o espírito do festival. O espaço da festa, bem mais modesto do que o Rio Scenarium, onde rolou a 1ª edição da Saideira, em 2008, quase ficou pequeno para tanta gente, mas a bela noite, sem chuva e com lua cheia, possibilitou que a parte externa externo abrigasse os boêmios do Rio. Quem também se deu bem na atual edição do Comida di Buteco foi o Petit Pauleti, que ganhou da Elma Chips a premiação de petisco mais original feito com o biscoito Doritos. Paulinho, dono do bar na Praça da Bandeira, terá a receita do Dorilette - carne seca desfiada, cheddar e Doritos - estampada em 1 milhão de embalagens. O instituto Vox Popoli contabilizou 25 mil votos nas cédulas distribuídas por todas as casas participantes do Comida di Buteco. O crescimento foi de 25% comparado a 2008. "Mais do que um concurso gastronômico, o Comida di Buteco se consolidou como um evento de grandes dimensões, capaz de movimentar economicamente toda cadeia produtiva do setor e gerar maior receita para os estabelecimentos envolvidos que aumentaram o seu faturamento em 20%", afirma Eduardo Maya, um dos responsáveis pelo Comida. O tira-gosto inscrito por cada boteco teve o peso de 70% no concurso, os demais 30% foram igualmente distribuídos pelos quesitos: melhor atendimento, temperatura da bebida e melhor higiene. OS VENCEDORES 1º lugar - Academia da Cachaça - Av Armando Lombardi, 800 - 65L - Barra da Tijuca Petisco - Empada de queijo coalho com alecrim 2º lugar - Original do Brás - Rua Guaporé. 680 Ljs A e B - Brás de Pina Petisco - Doce Refúgio (Lombinho suíno folhado e versado a tamarineira) 3º lugar - Enchendo linguiça - Av Engenheiro Richard n2 - A - Grajaú Petisco - linguiça Croc 4º lugar - Varnhagem - Praça Vanhagen, 14A - Maracanã Petisco - Vaca Atolada 5º lugar - Pavão Azul - Rua Hilário de Gouveia, 71AB - Copacabana Petisco - Caldinho de feijão temperado

Nos anos 80, Armando Paiva sonhava em brilhar no palco e na frente das câmeras. Negro, ele recebia apenas convites para interpretar escravos, empregados e motoristas. O desânimo e o destino bateram à sua porta; ele trocou a carreira de ator pela de produtor. Mais tarde, nem mesmo o papel de anjo no filme 'Didi, o Cupido Trapalhão', o fez mudar de ideia. Ele aceitou o convite, mas seu roteiro estava traçado: ser agitador cultural de grandes nomes da música brasileira.
"Hoje está melhor, mas antigamente só chamavam atores negros para papéis pequenos", conta o sempre sorridente Armando, que fez curso de teatro no Tablado e algumas participações na Rede Manchete e Globo.
Em 1997, Armando começou a trabalhar com Baden Powell. "O trabalho com Baden foi um belo cartão de visita. Com ele, tive os primeiros contatos com músicos, artistas e empresários. Cuidei de tudo nos três últimos anos da vida dele: agenda, casa, enteados, shows e viagens", recorda Armando, que depois teve alguns desentendimentos com o músico, que deixou dívidas com o produtor."Quando ele morreu, os filhos queriam acertar a dívida. Não aceitei, mas consegui um emprego. Eles montaram a Baden Powell Produções, onde trabalhei em vários eventos e acabei sendo o produtor do disco do filho do Baden, Phelippe, 'Estrada de Terra', lançado em 2007 na Blue Note Jazz Clube, Nova Iorque. É mole?! Eu era o produtor do disco de jazz mais comentado em terras estrangeiras", vibra Armando.
Na estrada, ele produziu shows de Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara, Velha Guarda da Portela, Marquinhos Satã, Os Travessos, o primeiro show do Diogo Nogueira ("Antes de ele ficar famoso", destaca), Noca da Portela, entre outros. De repente, uma viagem ao passado. "Fui chamado para voltar a atuar, aceitei e acabei fazendo um filme com o meu amigo Renato e Paulo Aragão: 'Didi o Cupido Trapalhão', eu fiz um anjo! Mas a produção era minha cachaça", afirma Armando.
As doses da cachaça de Armando foram generosas.
Recentemente, ele começou a trabalhar na roda de samba do Clube Santa Luzia, onde estreitou laços com Moacyr Luz, de quem virou amigo e fiel escudeiro, e Márcio Pacheco, do Beco do Rato. Armando conheceu mais uma penca de pessoas e, em 2007, foi apresentado a Kadu Tomé, do Bracarense. Depois de rodadas de chopes e conversas, ficou acertado que Armando seria o produtor da casa de samba Mas Será o Benedito, na Rua Gomes Freire, em março. "Esse é meu maior desafio: fazer uma programação no bairro mais tradicional do Rio, a Lapa", completa.
O anjo negro Armando é mais um personagem do Rio de Chinelo.

A Adega Pérola, encravada na Rua Siqueira Campos, 138, em Copacabana, já foi palco de muito chope e linguiça conservada no vinho. Mas, minha última visita serviu para experimentar o Rolmops, a sardinha marinada que concorre no festival Comida di Buteco. Servido em porção única que custa R$ 5, o tira-gosto parece uma mistura de culinária japonesa com brasileira. A sardinha vem crua, sem espinha, num rolinho com cebola e azeite como recheio. Nota 8, esse foi o meu conceito, mas o bar que frequentei durante anos continua nota 10, atendimento que é pura simpatia.
Por falar em Copacabana, no domingo à noite fui ao Real Chopp, na Rua Barata Ribeiro, 319, para tentar provar o Bolinho de Carne especial, outro concorrente do Comida di Buteco. Digo tentar, pois com vontade de encerrar o expediente, um dos garçons foi extremamente indelicado comigo e minha namorada. Sei que foi um fato isolado na casa que sempre acolhe muito bem. Dois chopes, uma grosseria e a conta, obviamente sem os 10%.
Prevista inicialmente para acontecer no terceiro fim de semana de julho, a Baratona de Laranjeiras já começa a agitar a galera do bairro e arredores. Os organizadores estão na fase de escolha dos botequins que farão parte do roteiro etílico. O que já está definido é que a saideira será no bravo Serafim, na Rua Alice, ponto de encontro de grande parte dos participantes da Baratona. Em breve, trago todos os detalhes.

O Comida di Buteco termina no dia 28. Em plena segunda-feira de folga, coloquei mais dois participantes na minha conta, um bar quase ao lado do outro. Primeiro, o croquelete do Petit Paulette (Rua Barão de Iguatemi, 408. Praça da Bandeira). O pequeno croquete com queijo bem derretido e empanado na farinha de torresmo, com queijo parmesão e flocos de milho, é bom, nada além disso. Na minha votação mereceu nota 8. A Brahma Extra estava tininda de gelada e o atendimento foi particular, já que a única mesa era ocupada justamente por mim.
Vinte passos ao lado, o Aconchego Carioca (Rua Barão de Iguatemi, 388. Praça da Bandeira) e o purê de baroa com camarão. Gostoso, com camarão de primeira, mas que na minha opinião não tem muita cara de petisco, além de ser caro para uma porção única: R$ 12. De quebra, pedi pastel de camarão, que deixou a desejar. A Serra Malte gelada desceu bem.
Mas o grande campeão da segunda-feira foi um petisco que não participa da disputa, mas que mereceu nota 10. Preparada pelo presidente do Clube Renascença, Jorge Ferraz, a sardinha feita na panela de pressão, com cebola, tomate e molho especial foi devorada e aprovada em poucos segundos. Como acompanhamento, pessoas queridas ao lado, o Samba do Trabalhador e Brahma gelada.

Nas investidas ao Comida di Buteco, uma grata surpresa. A Prupetinha do Cardosão, bolinho de carne bem temperado, com alecrim e mostarda, casa perfeitamente com a Brahma gelada. Na minha humilde opinião, a porção com 12 prupetinhas pode brigar pelo título de melhor tira-gosto entre os concorrentes do festival. O Armazém Cardosão fica na Rua Cardoso Júnior, 312. Telefone: 2225-3493
Os dias em Teresópolis para a cobertura da semana de treinos do Flamengo são quentes por conta da crise do time. Mas a temperatura cai drasticamente na noite fria da Serra, com termômetros marcando 8 graus. O refúgio dos amigos de imprensa na quarta-feira, horas depois de Cuca e Adriano concederem entrevista lado a lado, foi na tradicional Tarberna Alpina, para aliviar a cabeça, o estômago e a sede.
Mesmo com a friaca, deixei o vinho de lado e fui de Therezópolis Gold, a 'gorduchinha' que dispensa comentários e custa R$ 7 na Taberna. A casa, conhecida pela culinária alemã e o clima rústico, tem sempre um bom atendimento e pratos de primeira linha. A sopa de tomate (R$ 10) como entrada serviu para esquentar. Depois, em vez do muito conhecido kassler, vale pedir o belo filé de frango à parmegiana (R$ 30). Parece simples, mas a pedida revela um sabor especial, com molho muito bem encorpado e um queijo de babar.
Por mais que o jogo entre Corinthians e Internacional, válido pela final da Copa do Brasil e que passava na TV da Taberna, fosse de meu interesse, já bastava o tanto de futebol e crise que respiro nos últimos dias. Com (muito) frio, bem alimentado e saciado pela Therezópolis era hora de retornar para a pousada, dormir e se preparar para mais um dia quente onde o prato principal é a crise do Flamengo.
Taberna Alpina - Rua Duque de Caxias, 131 - Várzea - Teresópolis - RJ - Tel: (21) 2742-0123
O Pagode da Tia Doca saiu de Oswaldo Cruz, fez bagunça boa em vários pontos e agora a roda chega ao Cais Cultural, que fica na cada vez mais movimentada Rua Sacadura Cabral, 63, num sobrado do bairro da Saúde. Sexta-feira tem samba a partir das 18h. A casa só aceita dinheiro e a entrada custa R$ 10.

Em mais uma incursão ao Comida di Buteco, caiu no prato e no meu gosto o pastel de costela do Antigamente (Rua do Ouvidor, 43. Centro. Tel: 2507-5040). Recheio e massa na combinação ideal. Uma pimenta torna a coisa ainda mais interessante. Na cédula de votação, a temperatura da Antarctica Original e o atendimento - comandado pelo doce de pessoa que é o Carlinhos - mereceram nota máxima.

Provei e aprovei o Escondidinho de jiló e linguiça do Beco do Rato (Rua Joaquim Silva, 11. Lapa . Tel: 2508 5600), um dos petiscos que concorrem no Comida di Buteco.
O cheiro da feijoada que sai da pequena cozinha do Bar Albino, na Estrada do Bandeirantes número 28.135, se mistura ao verde das matas de Vargem Grande. Do lado de fora do boteco, algumas cadeiras e mesas de plástico, o letreiro e penduricalhos padronizados dão a impressão de que o bar foi engolido pela indústria da cerveja. Mero engano.
Do lado de dentro, uma prateleira de madeira sustenta dezenas de bebidas quentes. No salão, sentado nas mesas de ferro, é possível respirar ar puro, olhar para o nada e ver os moradores passearem tranquilamente com suas bicicletas. A Brahma gelada custa R$ 1,99, preço bem abaixo dos que são cobrados nos bares da zona sul. A Antartica sai a R$ 2,29. A feijoada com toque caseiro forra o estômago por módicos R$ 8. Tem Galo com aipim (R$ 6,50), peixe, frango ou carne (R$ 6,50), acompanhados por salada, arroz e feijão.
 Quem chega no bar é recebido com uma conversa ao ritmo baiano, sem pressa, sem tom alto de voz. À noite, o Albino enche e as garrafas de cerveja proliferam nas mesas. Com R$ 10, você come, bebe e ganha de sobremesa a doce calmaria de Vargem Grande. Fotos: Márcio Mercante
Na sexta-feira, a mistura boa é samba com angu. O grupo Berço do Samba fará uma roda no Angu do Gomes (Largo São Francisco da Prainha, 17) a partir das 19h. Pela bagatela de 3 merréis, você poderá dar início aos trabalhos do fim de semana com repertório recheado de Candeia, Wilson Moreira, Wanderley Monteiro, Luiz Carlos da Vila, Arlindo Cruz, entre outros.
...vale mais do que mil palavras.
Foto de Marcelo Hollanda.
No fim de semana, estive em dois bares participantes do Comida di Buteco (www.comidadibuteco.com.br). Não foi dessa vez que provei os quitutes participantes, mas vale trazer algumas considerações. No Bar Urca, que concorre com o kibe de peixe, os mesmos garçons que foram orientados a não servir mais cervejas na mureta ainda não entraram no clima do festival. No sábado, as fichas de votação ficaram esquecidas no balcão. Vale lembrar que, mesmo com o choque de ordem, ainda é permitido ficar na agradável muretinha, mas agora o freguês fica responsávael por pegar a cerveja. Domingo à tarde, foi a vez do Armazém Cardosão, em Laranjeiras. O bar, que concorre com a Prupetinha do Cardosão, entrou no clima e estimula o freguês a votar. A Brahma estava estupidamente gelada e o astral o melhor possível. Mais uma vez não provei o tira-gosto, mas o Cardosão dispensa maiores apresentações. Aos poucos, entrarei no espírito do Comida di Buteco. Quem gosta do Rio, de cerveja e de buteco tem o dever cívico de participar.

Nos próximos dias, dirigentes do Flamengo se reunirão com integrantes da diretoria da Mangueira na esperança de concretizar um antigo sonho: realizar ensaios da escola na sede do Rubro-Negro, na Gávea. No ano passado, as conversas não evoluíram, mas dessa vez a aposta é de que o casamento vai render belas batucadas na Zona Sul. Presidente da Estação Primeira e torcedor do Flamengo, Ivo Meirelles é favorável a ideia.
O nome continua sendo Casa Brasil, mas o bar na Praça São Salvador, em Laranjeiras, passou por reformas e abriu na semana passada com a grife Belmonte. Azulejos impecáveis, o aviso de que não serve quem estiver sem camisa ou com cachorro, aceita apenas American Express e ganhou mesas e painel by Belmonte. A obra foi radical, com a mudança do balcão, banheiro no segundo andar e tudo clean demais. O chope e cardápio seguem a linha da rede de bares. As mesas do salão ficaram muito próximas uma das outras. Os responsáveis pela casa garantem que o puxadinho foi autorizado e está dentro dos padrões exigidos. Estão aí algumas fotos do que um dia foi um botecão. E você, o que achou da mudança?  

O Circo Voador tem como uma de suas marcas registradas shows que começam bem depois do horário e varam a madrugada. Antes do fechamento, em 1996, lembro que presenciei Tim Maia entrar no palco lá pelas 3h, Pato Banton também, os famosos tributos Baú do Raul atrasarem devido às trocas de bandas, o Mano Negra (ainda com Manu Chao) e Jello Biafra (Dead Kennedys) fazerem a galera mofar, entre tantos outros.
Mas o que era uma lenda virou chatice. Na sexta-feira, boa parte do público perdeu a paciência com a demora de Pedro Luís e sua banda, a Parede, subirem ao palco. A noite foi aberta com o Doces Cariocas e a mistura de ritmos brasileiros, com batuques nordestinos e bossa nova. Depois foi a vez do Fino Coletivo, que alternou canções interessantes com outras meio arrastadas. Começou, então, um intervalo sem fim, espera de quase hora e meia com músicas brasileiras e chiado de parte da plateia. Algumas pessoas deixaram o Circo antes mesmo do Plap tocar, às 2h30 da matina. Um casal ao meu lado discutia que era melhor namorar nas cobertas do que sob a lona, e também desistiu de esperar. Eu aguentei três músicas. A admiração e respeito que tenho pelos músicos não foi suficiente para aguardar o refrão que diz que 'eu caio no suingue é pra me consolar'. O suingue não foi capaz de consolar a longa espera.
Dia desses na Vista Chinesa, um sossegado Macaco Prego, da espécie Cebus Nigrittus, passeava tranquilamente, sem se assustar com a presença das pessoas. No mesmo local, um grupo com mais 10 macacos curtia a aparente calmaria das árvores próximas. A bióloga Maíra Benchimol e o namorado David - os dois defenderam mestrado sobre primatas pelo INPA (Instituto Nacional de Pesquisas Ambientais) - fizeram os cliques e disseram que a espécie costuma andar em bandos. O macaquito da foto, segundo Maíra, deve ser o macho principal, pois era maior do que os demais. Cena carioca que vale o rgistro.  

O título do post pode remeter ao filme de Vittorio de Sica. No clássico (1948) que retrata a crise pós guerra na Itália, Antonio Ricci tem a bicicleta roubada e corre o risco de perder o emprego de colador de cartazes. A partir daí se desenrola toda a história, desde as situações do proletariado italiano, fetichismo de objeto de uso pessoal, inclusão e exclusão social, entre outros.
Pelas linhas acima até parece que tenho vocação para crítico de cinema. Nada disso. Apesar de ter visto o filme por mais de uma vez, a cena do ladrões de bicicleta(s) do século XXI é a seguinte: frequentadores de Ipanema e Leblon tem reclamado constantemente de furtos nos bicicletários dos postos 9 e 10. As correntes são rapidamente cortadas com grandes alicates. Policiais que trabalham pela área já foram comunicados. Esse filme não vale a pena ver de novo.

Conhecida pelas fortes ondas, a Praia do Diabo, o agradável cantinho de areia entre o Arpoador e a área militar, é ponto de encontro da cachorrada nas primeiras horas da manhã. Um grupo de moradores do Leblon e Ipanema, liderado por influente empresária, tentará junto à Prefeitura a liberação de cães naquela faixa de areia. A justificativa é de que, devido ao mar agitado, a praia é pouco frequentada por crianças e banhistas. O decreto municipal que proíbe cachorro na praia é de 2001. Apesar da empolgação do grupo que, em breve, irá formalizar a ideia, dificilmente terá aprovação, ainda mais com a moda do Choque de Ordem.

A história é verídica e recheia um pouco mais a semana de decisão do Campeonato Estadual que faz o Rio respirar futebol pelos cantos da cidade. Um rubro-negro roxo, daqueles que antes mesmo de o filho nascer já sabe que a única coisa certa é de que o rebento será Flamengo, teve que fazer uma viagem e ficou numa sinuca de bico. Com quem deixar sua estimada Calopsita, pássaro daqueles com belo topete, que anda pela casa, aprende a assobiar várias músicas e virou animal de estimação de muita gente? Para orgulho do flamenguista, sua Calopsita abria o bico e soltava o hino do mengão, em alto e bom som.
A solução foi deixar a Calopsita com o sogro. Mas um pequeno detalhe que faz a diferença. O sogrão é Botafogo na mesma proporção que o genro é Flamengo. Os primeiros assobios do hino rubro-negro foram suficientes para uma estratégia que resultaria numa virada extrema e forçada de casaca.
Dias depois, agradecido pelo gesto carinhoso do pai de sua mulher, o flamenguista pegou sua Calopsita para matar saudades e ouvir aqueles belos acordes de 'uma vez Flamengo...'. Para sua surpresa, meio confusa, com o topete encolhido como se estivesse sem jeito, a Calopsita desandou a assobiar o hino do Botafogo. Isso mesmo. A semana na casa do sogrão foi acompanhada de um CD com o hino alvinegro 24 horas por dia, numa lavagem cerebral no bichano, que aprende rapidamente várias músicas que escuta repetidas vezes.
Um caso carioca que mostra que toda rivalidade entre Flamengo e Botafogo deve ser sadia, e toda relação entre genro e sogro de times diferentes inspira "cuidados".
Ah, ia esquecendo.... A Calopsita passa bem, voltou a assobiar "Flamengo até morreu eu sou..." e, assim, fugiu de virar frango à passarinho, literalmente.
Duas horas da madrugada do dia 23 de abril. Ao chegar à Igreja de São Jorge, no Centro, percebo que a fila para entrar na igreja já era longa. Nenhuma novidade. O que me chamou a atenção até a hora da missa da Alvorada, às 5h, foram outras questões. O Choque de Ordem fez com que as barracas de comida e bebida ficassem apenas de um lado da rua, o que melhorou muito, pois as milhares de pessoas tinham mais espaço para circular. Triste foi constatar que muita gente que estava ali pensa em São Jorge apenas como grife, santo da moda. Algumas ironizavam, acendiam velas sem o mínimo compromisso em meio a risos e deboches. Acredito que o castigo virá a cavalo. Teve até carro com música eletrônica. Como todos os anos, a energia era forte nos arredores da Igreja. Dessa vez, porém, a missa foi um pouco arrastada e os fogos ao amanhecer deixaram a desejar. Lá pelas 8h, com a cerveja rolando desde a madrugada, começou uma roda de samba de primeira, com repertório tinindo e o povo cantando e saudando o Santo Guerreiro. Como acontece há 5 anos, um tambor de umbanda acompanhava os belos pontos em homenagem a Ogum que, no sincretismo religioso, corresponde a São Jorge. Minha mãe definiu bem todo o clima: "Foi uma grande festa". Realmente foi, mesmo com alguns 'penetras'. Quem tem fé e devoção pelo santo saiu de astral renovado.
Depois da morte de Juca Ribeiro, que marcou época no Serafim, a Tasca do Edgar, na Rua Alice, em Laranjeiras, tem sido alvo de disputa de duas redes de bares: os donos do Sonho Lindo (que tem botecos em Laranjeiras, Flamengo e Botafogo) e os proprietários da rede Belmonte mostraram disposição de desembolsar R$ 350 mil pelo ponto. O Sonho Lindo saiu na frente e está prestes a fechar negócio. Faltam apenas alguns detalhes, pois um desentendimento entre os sócios enrola a negociação.
A nova casa de Kadu Tomé (Bracarense), Mas Será o Benedito, não tem interrogação no nome, mas merece exclamação pela cerveja gelada, chope de estalar e samba de primeira. Sexta tem o DNA do Samba, com participação de Nelson Sargento. Sábado é dia do Samba da Amendoeira. A casa fica aberta desde cedo, mas no terceiro andar, onde rola a batucada, somente a partir de 21h. Custa R$ 20.
Mas Será o Benedito - Rua Gomes Freire, 599, quase esquina com a Rua do Resende, Lapa.
Segue a programação do samba de quarta-feira no Santa Luzia.
Na terça-feira fui conhecer o bar Chico e Alaíde, do garçom e cozinheira que fizeram história no Bracarense e recentemente abriram a própria casa no Leblon. Logo de cara, digo que pretendo voltar, infelizmente não por ter adorado o bar, mas para ver se dei azar.
Alguns amigos conheceram a casa e rasgaram elogios, eu tive alguns problemas. Primeiro, no atendimento. Apesar do diminuto salão, o garçom teimou em me deixar de mãos abanando e boca seca com a demora para trazer o chope, que estava honesto. Em seguida, o problema foi com o famoso croquete de camarão com catupiry. Depois de 20 minutos de espera, o garçom veio pedir desculpas pela demora. Mais 10 minutos e o aviso: na verdade, "tem croquete de camarão, mas acabou". Fui de croquete de carne.
Nada que pudesse estragar a noite da minha estreia no bar, afinal a companhia era ótima. O papo girava em torno de instinto de liberdade. Mas, apesar de a expressão soar interessante, não combinava com o bar. As mesas, muito próximas, coladas, fizeram com que eu me sentisse como um passarinho dentro da gaiola.
Os amigos dos simpáticos Chico e Alaíde vão implicar com a opinião do blog, mas tudo pode (e deve) mudar numa nova visita. Por enquanto, meu instinto de liberdade - de expressão e opinião - é esse, mas com todo carinho que a dupla do bar e minha companhia merecem.
Chico e Alaíde - Esquina da Bartolomeu Mitre com Dias Ferreira, Leblon. Telefone: 2512-0028
Na noite desta quinta-feira, Juca Ribeiro deixou os botequins mais tristes. Aos 69 anos, o português que há tempos travava uma luta com sua saúde não resistiu e foi brindar no céu. Sentimentos a mulher e as duas filhas. Conheci o Juca ainda criança. Troquei o Mineirinho pelo chope e do português virei amigo, com generosas rodadas de chope, muito papo furado e causos, presunto parma, carteado domingo pela manhã, brincadeiras sobre o Vasco, seu time de coração. Meu filho nasceu e com isso Juca conheceu outra geração da família. João Pedro cansou de ganhar bombom e carinho do bom português. Na última viagem a Portugal, ele trouxe um pião legítimo para o moleque, que chegou a batizar um passarinho com o nome de Juca. E pensar que para montar a rede que já teve sete botequins, Juca contou com a sorte, pelo menos era o que ele contava. Trabalhando como sapateiro, Juca foi consertar um sapato e, ao retirar a sola, garantia ele: achou US$ 5 mil, entrou em sociedade com o falecido Serafim, que originou o nome do bar, e escreveu sua história nos botequins do Rio. Seu bigodão virou marca registrada, Juca fez comerciais e outras participações na TV e não cansava de elogiar a beleza de Maitê Proença. Com certeza, o balcão do Serafa perde uma grande figura, com um grande bigode e o coração maior ainda.
Esse é o nome do evento que vai rolar no sábado, quando o cineclube terá suas primeiras atividades em 2009. A partir das 16h, os filmes 'Não quero falar da chacina' e 'Quando chega a Primavera', de Antônio Ernesto, serão exibidos no CASARTI (Casa do Artista Independente), na Rua Ponta Porã, 15, em Vista Alegre, próximo ao supermercado Intercontinental.
A Casa Brasil, na Praça São Salvador, em Laranjeiras, fechará no começo de abril para reformas. Comprado no ano passado pelos sócios da rede Belmonte, o bar terá o piso trocado, o rebaixamento no teto que é de madeira será retirado e a cozinha também sofrerá mudanças. A previsão é que a casa fique fechada por, pelo menos, 15 dias. O nome será mantido.
Nesta terça-feira, no lançamento dos livros da Coleção Artes e Ofícios, vai rolar uma bela roda de choro com Leonardo Miranda e grupo na Livraria Folha Seca (Rua do Ouvidor, 37 Centro), das 18h às 21h30.

Sábado (21), a lona do Circo Voador vai relembrar os bons tempos do reggae, com o show do The Wailers, no show do disco Exodus (1977), clássico de Bob Marley considerado o álbum do século pela revista Time em 1998. Para quem curte um bom reggae é uma viagem ao passado, apesar de eu não simpatizar com o vocalista Elan. Estudante ou quem levar 1kg de alimento paga R$ 60. No telão, vídeos sempre bem escolhidos nos shows de reggae do Circo. A foto é do responsável por tudo isso.
O Cine Theatro Íris, na Rua da Carioca, completou 100 anos no fim do mês passado. O espaço, que já teve frequentadores como Rui Barbosa, abrigou a festa Loud!, entre dezenas de outros agitos, retirou o filme Ninfetas Safadas 7 de cartaz para as comemorações de aniversário. As cenas quentes deram lugar à coletânea de filmes de Carmen Miranda.
"O pornô dá dinheiro e salvou o prédio já que não tínhamos como nos manter. Os filmes de bang bang e kung fu não vingavam na bilheteria", afirma o dono do Cine Íris, Raul Pimenta Neto, 51 anos, que já disse não a propostas milionárias da Igreja Universal do Reino de Deus que queria transformar o cinema mais antigo do Rio em funcionamento em lugar de preces, descarregos e dízimos.
Um ator da Globo - especulação dá conta de que seria Miguel Falabella - estaria interessado em fazer uma ampla reforma no Cine Íris para espetáculos noturnos. Por enquanto, além de alugar o espaço para festas, das 10h até o fim do dia, por R$ 8, idosos, homens de pastinha a tiracolo e motoboys - segundo o dono, os principais frequentadores entre as 450 pessoas, em média, que passam ali por dia - se divertem com as acrobacias sexuais das Ninfetas Safadas 7. É sacanagem, literalmente. O Cine Íris merece melhor destino.
Diante dos lamentáveis episódios de violência em Santa Teresa, alguns amigos meus moradores do bairro e que participam da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (AMAST) pediram para que publicasse na íntegra a carta que convoca para um encontro para buscar soluções.
Plenária dia 12/03 para discutir os problemas de segurança do bairro Sua presença é fundamental
A Associação de Moradores de Santa Teresa (AMAST) realizará uma plenária para debater a questão da segurança pública no bairro, na próxima 5ª feira, 12 de março, às 19h, no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo. O objetivo é buscar alternativas para fazer frente às inúmeras ocorrências que têm vitimado moradores e turistas no bairro.
Assaltos e roubos na rua e em residências estão avançando de forma grave, inclusive com abordagens violentas. As ruas de maior ocorrência são as que dão acesso ao bairro, que funcionam também como via de escape dos criminosos em direção à Glória, Lapa, ao Bairro de Fátima, Catumbi e Rio Comprido.
A excessiva exposição de Santa Teresa como destino turístico, bem como a precariedade da iluminação pública e do transporte público noturno, contribuem para o recrudescimento da violência. A faixa colocada por moradores em rua de Botafogo há poucos dias, denunciando a violência, não é novidade. Moradores da Rua Cândido Mendes já usaram faixas para fazer a mesma denúncia.
Qual a melhor estratégia de segurança pública para fazer frente ao problema? Como moradores e turistas podem minimizar riscos? Qual o plano de segurança da Polícia Militar para o bairro? Como a Polícia Civil pode contribuir?
Estão convidados, para a plenária, o delegado da 7a DP, Sr. Marcus Antonio; o comandante do 1o BPM, cel. Mendes Afonso; o subprefeito do Centro Histórico, Sr. Marcus Vinicius; o administrador da 23a Região Administrativa, Sr. Fabio Vinelli; e o representante da Guarda Municipal na23a RA.
Local: Centro Cultural Laurinda Santos Lobo Rua Monte Alegre, nº 306 12 de março de 2009 19 horas
Quinta-feira vai rolar uma bela roda de samba, com diversos convidados, na quadra do Cardosão, na rua Cardoso Júnior, em Laranjeiras. Começa às 19h;
A partir do dia 25 desse mês, o clube Santa Luzia vai ter mais uma roda de samba, toda quarta-feira, sempre com presenças ilustres. Depois trago a programação do primeiro mês;
A roda do Negão da Abolição, que também rola quarta-feira, no Clube Guanabara, perdeu o seu grande atrativo, que era fazer o batuque no bar da rampa, com o belo visual da Baía de Guanabara. O samba, agora, acontece no salão do clube;
Moacyr Luz não toca mais no Samba, Luzia, na sexta-feira;
Grata revelação do samba, Rafael dos Santos, em breve, lançará um CD com belas composições próprias. Guardem esse nome.
Durante a semana que passou, do Leme à Prainha (foto), o que mais se ouviu foi que o Rio virou Caribe. Verde, azulado, transparente, com água morna, o mar tranqüilo impressionou. A falta de chuva, os ventos fracos e as correntes que trouxeram águas límpidas foram as responsáveis pelo tom caribenho, que dura até a próxima frente fria. Segundo o Climatempo, o sol segue no fim de semana, apenas com previsões de chuvas rápidas no fim dos dias.

A Rede Juca de Botequins passa por um momento delicado. Debilitado de saúde e brigado há anos com Edgar, Juca Ribeiro está passando o ponto na Tasca do Edgar, na Rua Alice, em Laranjeiras. Mas o português vende apenas sua parte na sociedade por R$ 350 mil (!). Edgar espera para saber se continuará com quem adquirir a parte da sociedade. Caso não chegue a um acordo, também venderá sua parte. Na Taberna do Juca, na Lapa, o gerente Kleyson Rodrigues teve atritos e deixou a casa, que anda um pouco fora dos trilhos, assim como a Toca do Juca, na Rua das Laranjeiras. O restaurante abriu na correria e sofre com problemas. Clientes já reclamaram da qualidade da comida, higiene, entre outras coisas. Pela tradição, o Serafim segue com salão cheio, mas alguns antigos freqüentadores questionam contratempos que têm acontecido no bar. Com os sérios problemas de saúde, Juca se distancia cada vez mais dos balcões e a rede de botequins ainda busca um rumo para o futuro. Batalhador, o português luta para ver os bares a pleno vapor, mas o abatimento dificulta o trabalho. Melhora para Juca e seus botequins.

Quem curte as cachoeiras no Horto, na Estrada Dona Castorina, precisa ficar atento. Em pouco mais de um mês, três amigos reclamaram da falta de segurança no acesso ao local e nas trilhas que levam até a última queda d'água ou até a cachoeira dos Macacos. Uma dupla com uma moto fez a limpa: três celulares, uma máquina digital, iPod e alguns trocados. Aí não tem banho de cachoeira que faça esfriar a cabeça.
Hoje tem a roda de samba no clube Santa Luzia (atrás do Aeroporto Santos Dummont). Homens pagam R$ 15, mulheres R$ 12. Vale para curar (ou prosseguir) a ressaca de Carnaval.

Aos poucos leitores, peço desculpas pelo meu sumiço. A fase final da Taça Guanabara e o trabalho na Marquês de Sapucaí embolaram o meio-campo, mas prometo voltar com força total. Aproveito para postar uma foto de Dyocil Menezes e Helô, com uma das fantasias muito bacanas que vi no Cordão do Boitatá: Obama, a mulher Michelle com o vestido usado na posse e duas bonecas representando as filhas Sasha e Malia. Por sinal, cheguei ao bloco pouco depois das 7h de domingo, o que garantiu duas horas de muita marchinha boa na concentração. O bloco saiu por volta de 9h, mais tarde do que nos últimos anos, e também demorou muito a tocar no palco. Aos poucos, deixarei aqui minhas considerações sobre o Carnaval.
O bloco Devotos de Madá, fundado pela galera do jornal O Dia, fará sua batucada na segunda-feira (dia 16), na Rua do Lavradio, em frente ao Mangue Seco, a partir das 19h. Joanna Chigres é a mentora intelectual da camisa, e a dupla Maloca e Landau pelo samba que será companhado por integrantes da bateria do Empolga às 9 e Kizomba. .jpg)
Para quem quiser fugir da folia, dos blocos mais do que lotados e da batucada frenética, vai a dica para um Carnaval zen. O lugar do retiro é paradisíaco. Ohm!

Na sexta-feira, o bloco Laranjada lançará sua camisa para o Carnaval 2009. O batuque vai rolar no Bar da Zoé, no fim da Rua General Glicério, em Laranjeiras (próximo ao ponto final do 184), e começa às 19h. Na minha opinião, o Laranjada é um dos blocos que tem se destacado nos últimos anos de folia. Pela primeira vez, o desfile acontecerá no domingo de Carnaval, e não no sábado. São dois os motivos. A lotação dos últimos anos e o fato de alguns integrantes da bateria desfilarem na São Clemente, primeira escola a entrar na Sapucaí no sabadão, o que tornaria inviável a presença nos dois lugares.

Domingão de 32º graus em Volta Redonda e é dia da tradicional feira da Vila. Muito antes do modismo no Rio, a Cidade do Aço já tinha seu Mercado Mistureba. Desde as primeiras horas da manhã, centenas de barraquinhas tomam conta de duas ruas principais da Vila. E, poucas vezes, vi em um só lugar tanta diversidade. Parece que domingo muita gente não toma café. Logo cedo, as barraquinhas de churrasco fervilham e cerveja em garrafa e muita latinha de Brahma (o melhor, a bela lata comemorativa de 120 anos) começam a rolar.
Na feira vende-se de tudo. Frutas, verduras, flores, peixe, tênis de procedência duvidosa, dogue alemão, poodle, hamster, calopsita, disco vinil, roupa de neném, DVD pirata, promoção de cuecas e calcinhas, ervas para amenizar TPM, curar enxaqueca e um tal de viagra natural. Tem ainda churrasquinho, brinquedos, queijos, espelho que reflete o desenho a ser copiado, fogos de artifícios, antena, utensílios domésticos, camisas de time made in Paraguai...tem até cigana lendo a mão. Mas eu já sabia meu destino. Depois do jogo Flamengo e Volta Redonda, descer a Serra das Araras de volta ao Rio.

A sexta-feira em Volta Redonda foi de muita (muita!) chuva, alguns chopes e caldo. O Mc Donald's da cidade tem drive-thru. Alguns bares começam a ser padronizados com mesas de plástico de festa de playground. Mas quem tem boca vai a Roma. Quando a boca é maldita melhor ainda.
Na rua 23 B, na região da Vila, o bar Boca Maldita, com sua porta pequena e um balcão honesto, faz lembrar os bons botequins do Rio. O feijão amigo, servido no bom e velho copo americano, impressiona pela qualidade. Conservado numa garrafa térmica, o caldo é derramado sobre o torresmo, dos melhores, e salsa. Tudo pela bagatela de R$ 2,50. Tem moela (R$ 7), língua (R$ 4), costela (R$ 5). O chope é Kaiser (R$2,80). E acreditem: é bom. Quem quiser o chope Xingu escuro paga R$ 3.
Thiago e Leo, que ficam de frente no balcão, primam pela simpatia e exaltam uma história: dois crias de Volta Redonda se encontraram em Londres, um deles com a camisa do Boca Maldita. Gritaram, trocaram abraços e lembranças da Cidade do Aço. E ficou provado: quem tem boca vai a Roma, a Londres ou a Volta Redonda.
Quase esqueço: no Boca Maldita o Caju Amigo (R$ 1,50) é a sensação. Parece que faz chover. Mas nem precisava.
Para preparar o estômago durante os dias em que estarei em Volta Redonda com o Flamengo nada melhor do que uma parada na Casa do Alemão, na Dutra, ainda no começo do caminho para a Cidade do Aço e da fumaça da CSN. O salão interno foi reformado, mas o croquete de carne (R$ 3,60) e o sanduíche de lingüiça com queijo (R$ 6,60) continuam como antigamente. Com mostarda preta, por favor. Um luxo. O chope poderia estar um pouco mais gelado, tava meia bomba. Como ao meu lado estava a secretária de Cultura, Jandira Feghali, e um belo salsichão, não poderia criticar a temperatura da bebida. Mas quase falei que o teatro, definitivamente, precisa ser olhado com mais carinho. Mas a Casa do Alemão é croquete e lingüiça, não cultura. 

Aos 15 anos, Kadu Tomé pegou uma mochila da Aldeia dos Ventos e saiu de casa na Ilha do Governador para ganhar a vida e escrever sua história no bar Bracarense. Mesmo sendo neto de um dos donos, ele começou como garçom, foi copeiro, caixa e, hoje, aos 26 anos, é o principal responsável por tocar o bar que há cinco décadas faz o Leblon fervilhar.
"Fugi de casa com uma sacola de roupas e comecei a trabalhar como garçom, mas sobrevivia de caixinha, pois meu pai proibiu que me pagassem salário. Não aconselho ninguém a ser dono de bar. Tentar o suicídio é melhor", brinca Kadu, diante da ralação que é comandar a casa.
No momento, Kadu vive entre burocracias de bar, chopes e burburinho desde a saída do garçom Chico e da cozinheira Alaíde, funcionários das antigas que deixaram o Braca. "Não tem história de processo, nada. Saíram três pessoas da cozinha e não alterou em nada", garante.
A julgar pelos bolinhos de bacalhau e de camarão com catupiry, Kadu tem razão, já que continuam de babar. E, segundo ele, o chope não tem grandes mistérios para ser gelado e redondo. "O segredo é o tirador do chope. Temos dois, o Antônio e Dirceu, que estão há 25 anos na casa. Só de olhar o filete eles já sabem a temperatura do chope", afirma Kadu.
E novidades vão surgir no cardápio, como a surpresa de jiló, recheado com carne seca, lingüiça e cebola, e o bolinho de feijão com ovo de codorna. "Essa idéia foi com minha consultora Catita, do Aconchego Carioca", revela.
Kadu conhece o Rio de ponta a ponta e revela alguns locais estratégicos. "Para esquecer da vida vou ao Café Gaúcho, no Castelo. Para beber um bom chope corro para o Bar Brasil, na Lapa. E, lógico, o Aconchego Carioca, na Praça da Bandeira, onde passei o último ano-novo", revela.
Ele logo esclarece que a chance do Braca ter uma filial é zero. Além de exaltar os clientes antigos, Kadu defende a cultura dos botequins. "Os amigos mais antigos são a alma do bar. É uma tristeza no sábado à tarde o cliente chegar, não receber a atenção que merece e me avisar que vai beber no Alvaro´s", brinca.
O Braca passou por reformas, mas continua sendo um ponto de referência do Leblon de antigamente. Kadu segue na ralação e, por enquanto, suas tentativas de suicídios se resumem a mergulhos em copos de chope, asfixia de boas rodas de samba e "envenenamento" com jilós e afins.
PS: Em breve, conto um pouco mais do tour etílico que completou o bate-papo com Kadu.
BAR BRACARENSE: Rua José Linhares, 85, Leblon - Tel: (21) 2294-3549

Minha quarta-feira de folga começou com uma dura e terminou na moleza. Logo pela manhã, ao pegar um moto-táxi para visitar minha mãe em Laranjeiras, uns homens de preto do Bope me deram bom dia com um fuzil na cara e gritos de "levanta a camisa", "pára essa porra" e por aí vai. Isso na esquina onde morei 20 anos e onde os caveiras estão há alguns poucos anos.
Depois da dura, o relax. Um telefonema do amigo Moacyr Luz, que estava em companhia do Eduardo, organizador do festival Cumida de Buteco. Fomos ao Serafim, na Rua Alice, e ouvi boas novas. Eduardo já garimpou os bares que concorrerão na competição etílica-gastronômica prevista para acontecer em junho. No ano passado, o grande campeão dos petiscos e cerveja gelada foi o bar Original do Brás. Botecos como Vanhargen e Bar Jóia estão fora da disputa. Outros novos deverão entrar, como o Serafa e o Rio-Brasília. Com a forte chuva e o bom papo as bolachas de chope se multiplicavam. Foi quando lembrei dos caveiras e pensei comigo mesmo: "Pede pra sair 01". Aproveita e "bota na conta do Papa"
Sexta-feira, a partir das 19h, tem a roda de samba do Escravos da Mauá. Samba bom, barracas e mais barracas com cerveja gelada e churrasquinho e muita gente pelas ruas do Largo da Prainha, agora reforçado pelo Angu do Gomes. Vale a pena conferir e chegar cedo para evitar a aglomeração. Cada vez mais tenho a certeza de que o Carnaval não terá estrutura suficiente para tanta gente.

A Pizzaria Guanabara da Lapa cresceu. Com o fim do Asa Branca, a casa terá capacidade para mil pessoas e começará a funcionar na quinta-feira. A Guanabara terá shows ao vivo, principalmente de samba, e promete ficar aberta até o dia amanhecer. As pizzas fazem alegria do pessoal das madrugas. As mais pedidas são Marguerita e Portuguesa, a única na cidade que leva camarão. Tem ainda as de Calabresa (fatia no balcão R$ 4,00 e gigante R$ 34,00), Mussarela (fatia no balcão R$ 3,90 e gigante R$ 31,00), Camarão com Catupiry (gigante R$ 46,00). Para beber, chope claro Brahma (R$ 3,90), além de cerveja em lata (R$ 5,00).
Serviço Pizzaria Guanabara Lapa Avenida Mem de Sá, 17- Lapa Tel. 2224-9358/ 2224-5848 Horário: segunda a domingo das 11h às 06h Couvert artístico: R$ 10,00 (quinta, sexta e sábado) Aceita todos os cartões.
A primeira noite das muitas que eu e os amigos da imprensa teremos em Teresópolis - onde acompanhamos a pré-temporada do Flamengo - não foi das mais felizes. Ou melhor: foi muito infeliz. Para começar, na segunda-feira grande parte dos restaurantes não funciona. Depois de rodar de carro pelo centro de Terê, decidimos parar em um rodízio de massas e pizzas. Quando entrei e vi um salão iluminado demais, mal decorado e alguns garçons batendo cabeça, previ o pior. Ao sentar, a primeira pergunta: "Vocês trabalham com chope ou cerveja?". A resposta deixou todos de queixo caído: "Não servimos bebidas alcóolicas", disse o garçom, para espanto geral da mesa formada no tal Bistrô Pizzaria. "Por que?", foi a pergunta mais imediata e óbvia que poderia ser feita. "Os donos são evangélicos e não permitem", completou.
Não adiantava rezar. Para piorar, o primeiro pedaço de pizza demorou 30 minutos para chegar. Para aplacar a fome, foi oferecido uma cortesia de batatas fritas!!! Com o salão cheio de clientes, o garçom parecia querer nos acalmar, sem sucesso: "calma que já pedimos para colocar seis pizzas no forno". Para completar o visual, garrafas de refrigerante de dois litros espalhadas pelas mesas. Quando questionei o garçom sobre os 'pequenos' problemas, ainda ouvi resposta ríspida. Levantei antes dos amigos para encontrar o restante que estava num bar próximo. Alguns goles e a constatação: a cerveja estava quente. Era hora de retornar à pousada antes de acontecer algo (ainda) pior.

Com o slogan Verão no Circo, o lendário Circo Voador viajou no tempo até o ano de 1988 para fazer uma bem transada filipeta com toda a programação de janeiro e fevereiro. Na capa do livrinho, uma lata com a inscrição Solano Star 1988, cores psicodélicas e algumas 'plantinhas'. Pouco mais de vinte anos depois, o Circo lembra, assim, do Verão da Lata.
Em setembro de 1987, grandes latas de leite recheadas de maconha surgiram no litoral de São Paulo e, depois, em onze locais da costa do Rio. O carregamento fora dispensado pela tripulação do iate Solano Star, que vinha da Austrália, depois de um cerco da Polícia Federal. Resultado: 15 mil latas de maconha foram espalhadas pelas correntes marítimas pelas praias do Rio, principalmente no Diabo, Arpoador, Leblon, Barra, Restinga da Marambaia e Ilha Grande. 'Da lata', virou gíria para algo que fosse bom e assim foi batizado o verão 87-88. Os consumidores alegavam que o jererê era 'du bão'.
Na onda da lata, o bloco Simpatia é Quase Amor cantou no Carnaval de 88 o refrão "Tá lá, tá lá/As latas que vêm do mar/ São presença de Iemanjá/Para este ano que inicia". Das 15 mil latas, a polícia recuperou apenas 3 mil. À época, qualquer brilho prateado no mar era sinal para que surfistas e mergulhadores começassem uma frenética caçada marítima.
Foi um verão que passou. Agora, o Circo faz uma viagem nostálgica.
Aproveito para destacar alguns shows 'da lata' que vão rolar na lona: Ressaca do Forró (dia 15), Roberta Sá (16 e 17), Diogo Nogueira (23), Orquestra Imperial (26), Mombojó (13/02) e Baile Infantil do Gigantes da Lira (8/02).
PS: A foto é da lata original
Plaquinha presa em uma árvore qualquer

Com a bênção de João de Deus, o Baixo Gávea não ficou tão 'chato Gávea' assim. Domingo chuvoso, plantão na redação e, à noite, o convite do amigo de todas horas para chope(s) e uma passada nos bares da Praça Santos Dumont, onde o Léo é habitué. Como já disse num post anterior, freqüentava o Baixo na época da segunda-sem-lei e, de uns anos para cá, a freqüência mudou muito, virou desfile de moda e peguei implicância. Mas é inegável que o Braseiro é bom, assim como o Hipódromo.
Já no Baixo Gávea, mais precisamente no Hipódromo, fomos brindados com um belo papo com João de Deus, 54 anos, e que trabalha como garçom da casa há 26. "Eu servia uísque para o Cazuza nas madrugadas", recorda João, que perdeu a conta das vezes que foi chamado de Pincel: "Pooorrraa. Todo mundo fala isso", brinca o garçom, que é a cara do sargento carecão dos Trapalhões.
Além de ter servido Cazuza, João de Deus viu o crescimento de um xará seu: ainda garoto, João Guilherme freqüentava os arredores do Baixo; depois, seu crescimento foi na hierarquia do tráfico, fornecendo cocaína para high society, promovendo festas movidas à loucura e sempre com um chope no Hipódromo.
João virou filme; não o de Deus, mas, sim, João Estrella, do Meu Nome Não é Johny. "Tem uma foto minha no livro. Conheci o João Guilherme pequeno. O Selton Mello me deu convites para ver o filme, mas nem fui", recorda o Pincel de Deus.
Entre ficção e realidade, o garçom prefere cenas da vida real, que são muitas no Baixo. Como a de um casal mais assanhado e apressado que, com o bar no fim do expediente, começou uma pegação no corredor e acabou em uma das cabines do banheiro. Pincel foi conferir, deu um flagra, mas deixou rolar. Outro garçom se encarregou de fazer o serviço 'sujo' de estraga prazeres.
O papo estava bom, mesmo com João de Deus - que acredita ter esse nome em referência a um padre de sua cidade no Rio Grande do Norte - cismando em dar mais atenção a algumas meninas do Leblon. Vinte e dois chopes depois, algumas boas risadas e as avaliações feitas pelo Léo de louras, morenas, amarelas, azuis e por aí vai...foi chegada a hora da conta. Algumas meninas de calças justas e meninos de cordão de prata atravessavam a praça em direção à boate Namastê. No palco, MC Marcinho. Obviamente, tomei o rumo de casa. Não é por ter conversado com o Pincel que depois daria uma de trapalhão.
PS: Desprovido da máquina digital, improviso uma foto do Pincel. Quem for ao Hipódromo não terá dificuldade de saber quem é o João de Deus.
O Cervantes, da Rua Prado Júnior, em Copacabana, reabriu há alguns dias, depois de um bom tempo fechado para obras. A salvação do 'rango' da madrugada está de volta, com um salão mais iluminado e arrumadinho, chope gelado e o bom e velho sanduíche de pernil.

O mês de janeiro promete ser quente. Pelas praias do Rio algumas tendências se confirmam, os preços sobem, o frescobol segue 'liberado', a máquina de chope prolifera e a babilônia nas areias ferve.
O preço dos copos de mate e limão de galão subiram de R$ 1,50 (pequeno) para R$ 2, e de R$ 2 para R$ 2,50 (grande). Ainda é possível conseguir pelo preço antigo, mas é preciso 'chorar'.
Pior do que frescobol na beira d' água em dia de praia cheia é frescobol na beira d' água em dia de praia cheia com duas pessoas que não sabem jogar. A repressão tem sido zero.
Entre as mulheres, o biquini tomara-que-caia parece em alta. Sei não, prefiro o tal cortininha.
Cada vez aparecem mais máquinas de chope na areia. Um carrinho da Brahma que circula pela areia oferece chope (310ml) de R$ 3 a R$ 3,50. Não bebi para saber se é gelado ou não.
Além dos refletores do Arpoador, a boa iluminação na orla possibilita um belo mergulho à noite. Com lua cheia, então, melhor ainda (dia 11 vai ter lua cheia). Cuidado apenas com máquinas fotográficas, celulares...Recentemente, alguns amigos levaram prejuízo em Copacabana.
Os bancos de areia de Ipanema, como acontecera no início dos anos 90, voltaram a ser os fumódromos da galera chegada à maresia.
Algumas maquininhas do Cuca Fresca espalhadas pela orla estão com defeitos.
Quem estiver interessado em aprender a surfar uma boa pedida é navegar no site http://www.escolacariocadesurf.com.br/ para ter mais informações
Foto: Ernesto Carriço
Mais um ano chega ao fim. Cada vez parece que passa mais rápido, todo mundo fala isso. Não pense apenas em festa, bebedeira, abraços falsos. Não é preciso curtir como se fosse o último dia da vida. Não sinta-se obrigado a estar feliz. Seja feliz sempre, todos os dias.
Siga sua fé, seja ela qual for. Reze ao seu Deus, ao seu orixá. Seja com um terço ou com flores brancas oferecidas a Iemanjá e ao povo do mar. Como dia 1º é de Oxóssi, azul claro ou verde são recomendados. Em vez de lágrimas para quem se foi ou lamentos pelo que deixou de ser feito e não deu certo, nada de arrependimentos, pense para frente. Veja, pense, repense, olhe para dentro. Quem faz o bem só tem o bem: 2009 com saúde, paz e muito amor. Esse é o desejo do blog Rio de Chinelo. (Foto: Severino Silva)
12 ensinamentos do mestre Carlos Gracie
Promete a ti mesmo: 1- Ser tão forte que nada possa perturbar a paz da tua mente. 2- Falar a todos de felicidade, saúde e prosperidade. 3- Dar a todos os teus amigos a sensação de que têm valor. 4- Olhar as coisas pelo seu lado luminoso e atualizar teu otimismo em realidade. 5- Pensar somente no melhor, trabalhar unicamente pelo melhor e esperar sempre o melhor. 6- Ser tão justo e tão entusiasta com respeito ao êxito dos outros como és com o teu próprio. 7- Esquecer os erros do passado e concentrar tuas energias nas conquistas do futuro. 8- Manter sempre o semelhante alegre e ter um sorriso para todos os que a ti se dirijam. 9- Empregar o maior tempo no aperfeiçoamento de ti mesmo, e nenhum tempo em criticar os outros. 10- Ser grande demais para sentir desassossego, nobre demais para sentir cólera, forte demais para sentir temor e feliz demais para sentir contrariedades. 11- Ter boa opinião sobre ti mesmo e proclama-la perante o mundo, mas não com palavras altissonantes e sim com boas obras. 12- Ter a firme convicção de que o mundo estará ao teu lado, enquanto te mantiveres ao que há de melhor em ti.
Reveillon em ritmo de Carnaval. Hoje à noite (segunda-feira, dia 29), o bloco Meu Bem, Volto Já! lança sua camisa para 2009, quando completará 15 anos. O samba vai rolar a partir das 19h no quiosque da Beth, lá no cantão do Leme.

A Toca do Juca - com seu varandão, chope gelado e carnes feitas na brasa - engrena os primeiros passos para virar o novo ponto de referência do português que, com sociedades, já tem oito casas espalhadas por Flamengo, Lapa, Laranjeiras e Caxias.
Na Toca, os destaques são as picanhas na brasa e os galetos. O preço não é exorbitante, mediano eu diria. O chope é gelado. Alguns ajustes ainda estão sendo feitos, principalmente no meio-campo entre garçons e cozinha. As opiniões de quem fez o test-drive divergem, mas Juca promete dar o toque final para a Toca engrenar de vez.
Fotos: Ricardo Moraes
Toca do Juca - Rua das Laranjeiras, 336 - Laranjeiras

No dia 31 de dezembro, o Bola Preta completará 90 anos de fundação. A festa acontecerá no dia 30, às 19h, no desfile com saída da Praça Mauá rumo à Cinelândia. Tudo ao som das marchinhas de carnaval e sambas-enredos. Nos começo, o bloco era chamado de "Só se bebe água", única bebida que não entrava nos ensaios. Depois, o nome foi trocado por Cordão da Bola Preta em homenagem a 'uma mulher bonita, com vestido justo, branco com bolas pretas' que passou pela calçada do Bar Nacional, parou, sentou à mesa e fez parte do grupo. Surgiu assim, em 31 de dezembro de 1918, o Bola. Desfile na Avenida Rio Branco Terça-feira (30/12) - 19h Concentração: Praça Mauá -18h Chegada: Cinelândia - 21h

Dia 25 de dezembro tem o enterro dos ossos na casa da família. Aquele clima de fim de festa; fim do chester e da rabanada. E depois, o que fazer? Os bares e restaurantes que abrem suas portas certamente faturam. No Leblon, os botecos estavam cheios na tarde chuvosa de Natal. A Cobal de Botafogo idem. Mas, por mais um ano, decidi não trocar o certo pelo duvidoso: fui ao Lamas, no Flamengo. Além de ter certeza de que a casa estaria aberta, sabia também que encontraria o bom Filé à milanesa com arroz à piamontese (R$ 29), batatas portuguesas (R$ 10) e chope (R$ 3), ainda mais gelado do que em dias normais. Por volta de 18h, o salão estava praticamente vazio, apenas uma mesa ocupada. O atendimento quase particular resultou num serviço rápido, de primeira. A qualidade do filé mignon segue indiscutível; indiscutível também é o fato que desde que o bife diminuiu de tamanho e o preço subiu nunca mais essa condição foi alterada. No comecinho de noite começaram a chegar os freqüentadores mais assíduos. Eles não teriam problema com a única reclamação que fiz naquele dia de Natal: o telão do Lamas passava Malhação. Getúlio Vargas que ia no restaurante tomar chá, Carmem Miranda, Juscelino Kubitschek, Chacrinha, que também freqüentavam a casa, certamente ficariam contrariados.
Café Lamas - Rua Marques de Abrantes, 18, Flamengo. Telefone:(21) 2556-0799

A preocupação da Therezópolis Gold vai além da combinação do melhor malte importado e os três tipos de lúpulos com a excelente água mineral de Teresópolis que dão a cerveja Premium - Puro Malte um tom encorpado, cor dourada e fazem da 'Gorduchinha' (como é chamada no Rio) ou Thereza (em São Paulo) o melhor produto no mercado atualmente.
Em um bate-papo com Marco Antônio, gerente de marketing da empresa, é possível perceber a preocupação com os estabelecimentos que vendem a Therezópolis, o investimento na divulgação na base do boca à boca, o foco num público-alvo admirador da boa cerveja e a luta contra a forte mercantilização do mercado cervejeiro.
"Não pensamos em nenhuma comunicação de massa, trabalhamos baseados no boca à boca. Queremos um público que esteja disposto a consumir a cerveja. Nós somos pequenos, mas já produzimos dois milhões de litros por ano. Os preços mais altos do que o de outras cervejas também segmentam os pontos de venda e são gerados pela qualidade. A seleção da Therezópolis é natural. O que desejamos é manter nossa qualidade", afirma Marco Antônio.
Diariamente, o gerente recebe dezenas de emails com encomendas de caixas de cervejas, tulipas personalizadas, além de acompanhar o crescimento de blogs e referências à Therezópolis em comunidades do Orkut. Além do Rio, Florianópolis e Salvador começam a ter mais ofertas da cerveja. "Tem gente que vai a Teresópolis, abre o bagageiro do carro e lota de caixas de Therezópolis", revela Marco Antônio.
Enquanto as grandes empresas investem pesado no mercado publicitário e aumentam as vendas no mesmo ritmo que perdem em qualidade, a Therezópolis Gold faz o caminho inverso. E a cerveja parece trilhar o caminho do sucesso: um crescimento mais pelo produto oferecido do que pela imagem.
Vale um belo brinde!
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 Formado na FACHA, Janir Júnior está no DIA desde 2002, no suplemento esportivo Ataque, além de produzir matérias para as editorias de polícia, cidade e economia. Em fevereiro de 2007, o repórter lançou o blog Rio de Botequins. Um ano depois, foi jurado do festival Comida di Buteco. Carioca de berço e coração, Janir fará do 'Rio de Chinelo' um colunão social e informal da Cidade Maravilhosa.
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