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Impressionam o rolo compressor e investimento de Antônio Rodrigues, dono de 'trocentos' Belmonte(s) e outros bares modernosos espalhados pelo Rio. Até na Urca tem Belmonte. Em breve, ele abrirá mais uma casa, praticamente dominando as esquinas da Rua Mem de Sá com Lavradio, na Lapa. Além do Antônio's e Boteco da Garrafa, ele abrirá mais um bar, na esquina em frente ao Estrela da Lapa. Tá dominado!
Dos barcos ancorados, os pescadores retiram montoeiras de peixes; o movivento incessante continua na ruazinha de paralelepídos repleta de carros, pessoas e que tem como moldura a Ponte Rio-Niterói e casébres mal conservados. Entre eles, talvez um dos principais heróis da resistência em meio ao rolo compressor dos novos botequins. O Bar Decolores, com seu surrado arco-íris pintado na parede repleta de penduricalhos, bebidas quentes e um clima acolhedor.
Num primeiro momento, o desavisado pode se assustar com o ambiente no mais autêntico estilo pé-sujo. As mesas de madeira resgatam os tempos de outrora, assim como o balcão com tampo de mármore. É da cozinha que surgem boas surpresas, como os bolinhos de bacalhau, pastéis (de qualidade impressionante), e pratos como polvo, lula e bacalhau. Tudo isso no charmoso bairro Ponto D'Areia, em Niterói.
A casa abriu um anexo mais moderno, mas a boa pedida é ficar na antiga casa, que dizem alguns, é quase centenária, com paredes verdes. Joel, o garçom atencioso que tem anos e anos no Decolores, fuma seu cigarrinho, mas quando é solicitado, apesar da idade avançada, salta para buscar a Brahma, talvez a cerveja mais gelada que bebi nos últimos tempos. Na tarde de sábado, o bar coloca mesas do lado de fora. A movimentação nas ruas, quiosques e barcos faz tudo ficar mais colorido. Mas é no fim do arco-íris do Decolores que está o pote de ouro.
Decolores: Rua Barão de Mauá, 342, Ponta D'Areia, Niterói. Telefone: 2622-6167.
A tradicional roda de samba do Escravos da Mauá acontece na sexta-feira, no Largo da Prainha, na Gamboa, a partir das 19h. Por falar em samba, aproveito para fazer lobby para o meu irmão Luiz Antônio Simas, que chegou à final na disputa do Salgueiro no ano passado e agora, em parceria com Beto Mussa e Edgar Filho, concorrerá com um samba na Império da Tijuca, a tradicional agremiação do Morro da Formiga. Simas explica que o enredo é sobre a Rainha Jinga, uma angolana que resistiu aos dominadores portugueses na África e tem uma história fabulosa. Jinga nasceu entre os Jagas - uma tribo de ferreiros, canibais e feiticeiros (os Kimbandas)- se disfarçou de homem para assumir o papel de rei; envenenou o irmão; morreu em batalha; virou o mito de libertação de Angola; e é cultuada nas cerimônias da congada. Para quem quiser escutar aí vai o link: http://fonogramas.galeriadosamba.com.br/FSC.asp?ijhhp2501747
Da esquina das ruas Marquês de Olinda com Bambina, em Botafogo, é possível ver o luminoso letreiro azul do motel Bambina, considerado durante anos como o top da categoria em eleições realizadas pela revista Playboy. Saliências e trocadilhos a parte, também é possível comer bem no tradicional Restaurante e Bar do Manolo. O chope Brahma (R$ 3,50) é sempre bem tirado, o cardápio traz diversas opções. Destaque para os pastéis de camarão e catupiry (R$ 19), bolinho de bacalhau, sanduíches como o lombinho com abacaxi (R$ 8) e o mini kibe. Para comer, uma bela pedida é a lula com arroz de brocólis (R$ 38).
Os garçons primam pela simpatia, as mesinhas do salão guardam um charme com as toalhas azuis. Na noite de segunda-feira, a varanda perdeu um pouco do brilho já que, por conta do vendaval, o toldo teve que ser aberto.
Na mesa atrás da minha, depois de doses de conhaque e muito chope, uma menina começou a falar alto e a conversar com três senhores com pinta de garanhões. Um deles começou a se engraçar, levantou, deu uns amassos na dita cuja, abraços, até que chegou uma prima da assanhadinha e acabou com a farra. Enquanto a menina andava trôpega pela rua, restou ao coroa com pinta de ator de cinema italiano dos anos 50 pedir uma saideira e fantasiar com o olhar voltado para o neon do Motel Bambina.
Manolo Endereço: Rua Marquês de Olinda ,87 - loja A Bairro: Botafogo Telefones: 2552-4998 e 2551-8398

O Original do Brás dispensa maiores apresentações. Na sexta-feira, uma caravana partiu rumo ao bar no começo da noite. A simpatia do dono do botequim, os torresmos, a cerveja estupidamente gelada, o anguzinho recheado fizeram todos mais felizes e saciados.
Zé Carlos, que posou para foto no cantinho em homenagem a Luiz Carlos da Vila, comprou a parte do seu sócio e agora é o único dono do Original. A cada dia ele recebe mais boêmios que saem de vários bairros do Rio rumo a Brás de Pina. "Como o bar está sendo muito falado, aguça a curiosidade. É o que eu chamo de turista de botequim: vem gente da zona sul, Recreio, Barra...Quando chegam aqui são sempre bem atendidos e comprovam que o botequim tem seu charme", afirma Zé Carlos.
Por enquanto, ele não pensa em filial do Original, que completou quatro anos e meio. Sua preocupação no momento é com o cardápio. "De duas a três vezes no ano renovamos o cardápio, incluindo alguns pratos e retirando outros", afirma Zé Carlos, que elege o anguzinho recheado como seu tira-gosto preferido: "É bom demais".
Além da Brahma gelada (R$3,80), tem cerveja com a Bohemia Confraria (R$ 9) e chope (R$ 3,50). Para tirar um gosto, salsichas alemãs, torresmo, entre outras opções. Destaque para o prato Nordestino Original, com linguiça mineira, carne de sol, queijo coalho e mandioca noisette.
Durante o papo em pleno Original, uma surpresa: aparece o irmão de Zé Carlos, cujo nome é...Janir. Em meio à mistura de nomes indígenas feita pelo meu falecido avô, deixei de achar a ideia tão original.
Original do Brás - Rua Guaporé, 680 - Brás de Pina, próximo à estação ferroviária - Telefone: 3866-1313
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 Formado na FACHA, Janir Júnior está no DIA desde 2002, no suplemento esportivo Ataque, além de produzir matérias para as editorias de polícia, cidade e economia. Em fevereiro de 2007, o repórter lançou o blog Rio de Botequins. Um ano depois, foi jurado do festival Comida di Buteco. Carioca de berço e coração, Janir fará do 'Rio de Chinelo' um colunão social e informal da Cidade Maravilhosa.
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