Rio de Chinelo por Janir Junior

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Terça-feira, 27 Outubro, 2009

Será o fim do Serafim?

No título do post, tentei fazer piada, trocadilho com o Bar do Serafim, apenas para achar graça em meio à tristeza. Na noite de sexta-feira, junto com o primeiro chope gelado e os bolinhos de bacalhau, foi servida a notícia difícil de digerir: uma reunião na sexta definiu que o bar será colocado à venda. Mais do que um botequim de estimação, chega ao fim uma história construída ao longo dos anos pelos falecidos Serafim e Juca.

O valor é considerado baixo por quem é do ramo. O pedido inicial é de R$ 400 mil, sendo R$ 150 mil logo de cara, para honrar compromissos com funcionários e pagar dívidas. Mas é possível que, com R$ 350 mil, o negócio seja fechado.

Desde já, formou-se uma legião de órfãos do Serafim, composta em sua essência por moradores de Laranjeiras que se deliciavam com a lendária batida de maracujá e a cozinha portuguesa que funciona desde 1944. A primeira casa ficava na Rua Paissandu e, depois, mudou para a Rua Alice, sendo um marco entre os botecos cariocas.

O comprador terá como concorrência a Tasca do Edgar, que agora fica colada ao Serafim e não anda bem das pernas. A tendência é que o novo dono compre o espaço do Edgar e fique com um amplo salão, sonho antigo e não realizado pelo saudoso Juca, que virou sócio da casa em 1996 e faleceu em março de 2009. O Belmonte deve entrar na rodada das negociações.

A notícia da venda do Serafim corre à boca miúda. Quem sabe fica boquiaberto. A história está próxima do fim. Sem interrogação e com o pobre trocadilho que não tem graça nenhuma: será o fim.



Sexta-feira , 23 Outubro, 2009

Parabéns, Ziraldo, o eterno Menino Maluquinho

Neste sábado, dia 24, Ziraldo completa 77 anos, a grande maioria dedicado a personagens imortais como o Menino Maluquinho. Nascido em Caratinga, Minas Gerais, ele é escritor, cartunista, pintor e cartazista. Durante a Ditadura Militar (1964-1984), com outros humoristas, fundou O Pasquim. Sua primeira revista foi A Turma do Pererê. Depois, em 1980, lançou O Menino Maluquinho, um dos maiores fenomenos editoriais no Brasil de todos os tempos.

Lembro que Ziraldo era estimulado pela mãe a desenhar na parede. A imaginação era fértil desde os primeiros anos de vida. "Eu cresci inventando coisas. Inventava histórias, e tinha um circo no fundo do quintal. Eu era tão aberto para o mundo que o meu circo se chamava Circo Norte América, achava chiquérrimo. E a fera do circo era um gambá cego. E os meninos pagavam o ingresso pro circo com pau de fósforo, cinco paus de fósforo. Não se tinha unidade monetária, uma coisa que você podia dividir era o pau de fósforo. Fiquei rico de pau de fósforo, podia virar um incendiário. E também desenhava desbragadamente", recordou, certa vez.

Ziraldo é um mineiro com a alma que o carioca precisa em tempos de guerra. Suas armas são a literatura, as canetas, lápis de cor e pincel que fazem a vida ficar colorida. Parabéns, eterno Menino Maluquinho.



Quinta-feira, 22 Outubro, 2009

Paixões dos cariocas precisam de mais atenção

Diz a surrada frase que a primeira vez a gente não esquece. A primeira vez também requer acertos para a segunda. Na terça-feira, aconteceu a primeira edição de Os Botecos e a Estácio, que, diz a filipeta, reúne as paixões dos cariocas, botequim e samba.

Petit Paulette, Enchendo Linguiça, Cachambeer e Original do Brás colocaram alguns dos seus principais petiscos na festa na quadra da Estácio. Mas o atendimento confuso dos garçons e a qualidade do tira-gosto não correspondem, nem de longe, aos que são oferecidos nos bares. A costela no bafo do Cachambeer parecia ter sido aquecida num forninho elétrico, a linguiça crocante estava fria e o croquelete foi o que de melhor foi oferecido. Talvez pelo fato do Paulette participar ativamente na cozinha.

A roda de samba foi prejudicada pelo som abafado e algumas microfonias. A participação de Monarco dispensa comentários, dribla problemas técnicos e garantiu, ao menos, uma boa recordação da primeira vez. A entrada custa R$ 15, o balde com seis long neck da Itaipava Premium vale R$ 24.

A próxima edição será 10 de novembro, com Moacyr Luz e Banda com Filipe 7 cordas. Rola venda antecipada nos botequins participantes e na quadra da Estácio.

Mas, as paixões dos cariocas, como diz a filipeta, precisam de mais atenção. Caso contrário, assim como na vida, a relação fica estremecida. Aí, não tem frase feita de filipeta que dê jeito.



Domingo, 18 Outubro, 2009

Taberna do Juca da Lapa está à venda

Desde a morte de Juca Ribeiro, em março, a rede Juca de botequins entrou em colapso. Primeiro, a Tasca do Edgar, em Laranjeiras, foi vendida. O bar na Gago Coutinho, outro em Laranjeiras, também foi passado adiante. O tradicional Serafim resiste, mas com alguns questionamentos entre os sócios. Agora, chegou a vez da Taberna do Juca, primeira casa que o português abriu na Lapa. Depois de alguns anos de funcionamento, troca de gerência e queda na qualidade, o bar está à venda. Juca, mesmo quando estava doente, sempre conseguiu contornar os problemas. Fica provado mais uma vez que quando o assunto é bar, o dono tem que estar sempre com a barriga colada no balcão, senão a coisa desanda e o chope fica aguado.



Sexta-feira , 16 Outubro, 2009

Rio Carioca fora do tom

As Casas Casadas, em Laranjeiras, conservam as seis unidades residenciais em arquitetura neoclássica. Foram construídas em 1883 pela família Leite Leal e tombadas em 1994 pela Prefeitura do Rio, por se tratar de um exemplar único de residência multifamiliar do século 19. Um pouco de história do passado que, no presente, ganhou um anexo, onde funciona o restaurante Espaço Rio Carioca, com um varandão aprazível. No cardápio, carta de vinhos, Bohemina long neck a R$ 4,20, carpaccio (R$15), sanduíches, sopas e outras opções. Mas a coisa desafinou. Primeiro no som: a qualidade do jazz ou da voz marcante de Maria Bethânia não precisavam estar tão altos.

Depois, no atendimento, lento, despersivo, e que incomodou os clientes de, pelo menos, três mesas. Acredito que as empregadas da família Leite Leal, vestidas com suas roupas clássicas nas cores branca e cinza, eram muito mais eficientes. O bistrô, como se define o espaço, não pode nem deve se garantir apenas na beleza da casa. A programação inclui rodas de samba (domingo, dia 18, vai ter Segura a Nêga, a partir das 17h, R$ 10), e outras boas atrações.

Uma boa chance para o Rio Carioca acertar o tom, no som e no serviço.



Quarta-feira, 7 Outubro, 2009

Choque de Ordem na Pedra do Sal e na Praça

Soube pelo amigo Armando Paiva: o samba da Pedra do Sal está em risco. Reclamações de pessoas que moram próximas ao batuque levaram agentes da Prefeitura ao local e proibiram o dono do bar - que abriga e banca a roda - de colocar mesas e cadeiras do lado de fora. Assim, o samba vai ficar entregue a Deus, a ambulantes e perfumado pelo cheiro de xixi, já que a mesma Prefeitura que cobra não disponibiliza banheiros químicos. Mas será que vai ter samba?

O choro da Praça São Salvador, em Laranjeiras, também levou um choque. O motivo foi a invasão de barracas sem cadastro, que deixou a coisa meio desorganizada. Luizinho das caipirinhas também foi vetado. Mas o motivo principal da reclamação dos vizinhos é a noite de sábado, quando a praça fica lotada, com um dos bares servindo garrafas fora do balcão. Parte da juventude de gosto duvidoso faz o desfavor de colocar funk em alto e bom(?) som nos rádios de carros. Muito barulho por nada, e que gerou o choque de ordem.

Amigos da Praça já recolheram assinaturas para que as restrições sejam direcionadas e as barracas regularizadas.


Curtas e boas

O Armazém Cardosão, em Laranjeiras, continua com a feijoada aos sábados, mas aos domingos também oferece risoto de camarão e peixe (namorado);

Quem for à Marina da Glória conferir o Brasil Rural Contemporâneo não pode deixar de experimentar o vinho feito com uvas orgânicas;

O Beco do Rato, na Lapa, vai além das cervejas geladas em garrafa, e agora oferece um bom chope Brahma; e

A roda de samba do Trabalhador, comandada por Moacyr Luz, sofreu mudanças na formação e ganhou novo gás.


Formado na FACHA, Janir Júnior está no DIA desde 2002, no suplemento esportivo Ataque, além de produzir matérias para as editorias de polícia, cidade e economia. Em fevereiro de 2007, o repórter lançou o blog Rio de Botequins. Um ano depois, foi jurado do festival Comida di Buteco. Carioca de berço e coração, Janir fará do 'Rio de Chinelo' um colunão social e informal da Cidade Maravilhosa.

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