Rio de Chinelo por Janir Junior

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Quarta-feira, 18 Novembro, 2009

Venda ou falência: o destino do Serafim

A venda do Serafim pode ser concretizada a qualquer momento, mesmo com algumas pessoas envolvidas tentando derrubar o negócio. O tradicional bar em Laranjeiras passa por sérias dificuldades financeiras e, caso o negócio não seja concretizado logo, a casa corre risco de falir até o fim do ano. O Belmonte se desinteressou; os prováveis compradores, que desembolsarão R$ 350 mil, são moradores do bairro e já deixaram claro que manterão os garçons, cozinheiros e gerente do botequim, além de preservar o nome e as características do bar. Apenas algumas melhorias serão feitas. O bom e velho maracujá também resistirá. Até o fim da semana o destino do Serafa será traçado.



Terça-feira, 10 Novembro, 2009

Alma penada

As luminárias com as ondas do calçadão de Copacabana até são bonitas, fotos do Rio ilustram bem as paredes, mas o bolinho de bacalhau requentado e a indefinição se o lugar é pizzaria, de culinária japonesa, bar ou restaurante não causaram uma boa impressão na primeira visita ao Alma Carioca Bar e Grill (Praia de Botafogo, 470). O próprio nome tenta ser tudo de uma vez; e grill não faz parte do vocabulário carioquês.

A varanda, que tem uma bela vista, estava fechada. Mais um ponto negativo. O chope Brahma servido no canecão e o atendimento atencioso diminuíram um pouco a decepção, mas não foram suficientes para estender a permanência por mais de 30 minutos.

Para piorar, um DVD do Lulu Santos. Na sequência, Exaltasamba. Se essa é alma carioca, posso me considerar uma alma penada vagando pelo Rio.



Domingo, 8 Novembro, 2009

Alemãs, tchecas e lúpulo, o primo da maconha

Texto de Rafael Cavalieri, jornalista e boêmio

Está certo que o costume do carioca é bebericar aquele chope estupidamente gelado e cervejas tradicionais como Skol, Antartica, Bohemia. Mas se podemos variar, por que não fazê-lo? Na última quarta-feira tive a oportunidade de conhecer sete diferentes cervejas em uma degustação promovida pela Lidador de Ipanema, com organização da simpaticíssima Nadine, e comandada pelo jovem mestre Leandro Ajuz.

Após uma breve apresentação de todos os tipos de cervejas, além de falar sobre a origem da bebida, fomos ao que realmente interessava. No cardápio, seis alemãs e uma tcheca. Antes de apresentá-las, uma curiosidade que não poderia deixar de comentar. Sabe aquela vontade de comer um petisco durante uma cervejada? Segundo Leandro, isso acontece por que o lúpulo é primo da maconha. Pois é, cerveja deixa todos com larica!

A noite começou com a Wernesgruner. Uma pilsen de amargor pronunciado por conta do lúpulo. Como as Lagers básicas, pouco aroma, mas bastante refrescante. Em seguida uma híbrida. Explico melhor: uma Ale por classificação, mas com cor e sabor de Pilsen. Bem mais aromática do que a anterior.

A tcheca foi a terceira da noite. E que delícia. Uma Pilsen que já foi considerada a segunda melhor do mundo. É fabricada na região que batiza o estilo da cerveja. Seu nome? Czechvar. Mas só nos países que a importam. Na República Tcheca, ela é encontrada pelo nome de Budweiser. E, por conta disso, até hoje rola na justiça uma briga pelo nome.

A quarta e a quinta são da mesma fábrica: a Oettinger, uma das três maiores da Alemanha e que só fabrica cervejas em lata. Primeiro degustamos a de trigo. Um espetáculo e bastante curiosa. Segundo Leandro, a pasteurização termina na lata que contém lúpulos vivos. De aroma frutado, a cerveja é rica em vitamina B e muitos a bebem no café da manhã. Foi seguida pela Lager da fábrica com graduação alcólica de 8.9% e surpreendentemente adocicada. O álcool está lá, mas mal é notado.

As duas últimas ficaram para o final. Primeiro a G Schneider Aventinus. Essa foi simplesmente a primeira Weizenbock do mundo. Uma pioneira até hoje considerada a melhor. Não pensei duas vezes após desgustar e levei duas garrafas para casa. No nariz tinha de tudo: de fruta ao torrado do malte. Agora o nariz se impressionou mesmo com a Aecht Schlenkerla que fechou a noite. O malte é tão defumado que ela é apelidade de presunto. Diferente de tudo que já bebi. Sem sombra de dúvida vale experiementar essa Rauchbier.

Todas as cervejas são vendidas na Lidador. Fica a dica para quem quer fugir da mesmice e explorar novos sabores dessa bebida tão apreciada no infernal calor carioca. E prometo em breve escrever um post aqui sobre a verdade das cervejas brasileiras. O assunto é tão tenebroso que merece um tópico só para isso. O mestre Leandro fez alardes de assustar qualquer um. Mas, por enquanto, vamos ficar nas notícias boas.

Um brinde a todos!



Quarta-feira, 4 Novembro, 2009

Aqui jaz o Bar do Chico

Nas manhãs de domingo, a convite de meu irmão, morador da Tijuca, estacionava na calçada da Rua Afonso Pena, com Brahma gelada, carne de sol e linguiça comprada na feira e frita gentilmente pelo pessoal do Bar do Chico. O botequim era considerado orgulho dos moradores do bairro pela resistência no estilo pé-sujo, pôster do Dicró na parede, garrafas enfileiradas nas prateleiras e informalidade.

O mesmo irmão fez o convite para festejar seu aniversário. Curiosamente, ele nasceu no dia dos mortos. E, no mesmo 2 de novembro, presenciei que naquele pedacinho da Tijuca, esquina da Afonso Pena com Pardal Mallet, jaz o Bar do Chico. Uma reforma transformou o bar em lanchonete, como bem definiu o sábio Fraguinha, ou num refeitório de hospital.

Um salão anexo com ladrilhos brancos, que destoam dos mosaicos antigos que resistem em certas partes do bar, cor amarela tom ovo, tudo de gosto duvidoso, a originalidade do bar acabou sete palmos debaixo da terra. O cardápio está nos trinques, muito correto demais. Parece que estão servindo até pizza. Acabou o encanto. Mais uma baixa na guerra dos autênticos botequins contra a modernização (?!) dos bares.



Segunda-feira, 2 Novembro, 2009

Rio de Chinelo no Twitter

O blog agora também está no Twitter, com rapidinhas, dicas e 'otras cositas más'. Quem se interessar ou quiser criticar está lá: www.twitter.com/riodechinelo.


Formado na FACHA, Janir Júnior está no DIA desde 2002, no suplemento esportivo Ataque, além de produzir matérias para as editorias de polícia, cidade e economia. Em fevereiro de 2007, o repórter lançou o blog Rio de Botequins. Um ano depois, foi jurado do festival Comida di Buteco. Carioca de berço e coração, Janir fará do 'Rio de Chinelo' um colunão social e informal da Cidade Maravilhosa.

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