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Ana Carla Gomes

Sexta-feira , 12 Dezembro, 2008

Ela vai deixar saudades...


Leila está tranqüila, serena e de bom humor. Não se abalou ao ver sua aposentadoria sendo antecipada em alguns dias, em virtude de uma lesão no ombro esquerdo que a tirou da última etapa do Circuito Brasileiro de vôlei de praia, que começou hoje, em João Pessoa. A musa só está triste mesmo por ter que operar. Num bate-papo descontraído, ontem à noite, por telefone, Leila relembrou os momentos da vitoriosa carreira, falou sobre a aposentadoria e os planos daqui para frente. Mas uma coisa é certa: ela vai deixar saudades...

Qual foi o resultado do seu exame?
Estou com uma ruptura no supraespinhoso. Mas não estou triste porque estou me aposentando porque isso já estava definido. Só estou triste porque devo ter que entrar na faca. Mas é o preço que eu pago por ter exigido demais do meu corpo. Vou esperar passar as festas de fim de ano para fazer a cirurgia. Mas não está sendo um sofrimento. Não estou sendo empurrada a parar.

Você sempre sentiu essa dor?
Essa dor existe desde sempre, desde a época em que jogava no Flamengo. Uma hora iria apitar e apitou agora. Sofri a ruptura na etapa anterior, em Fortaleza, durante o aquecimento. Mesmo assim, fui para o jogo, mas vi que tinha alguma coisa estranha como o meu ombro. Agora, vi que não dava mais, entreguei o atestado e a Bárbara, minha parceira, vai jogar com a Neide. Ainda bem que foi aos 45 minutos do segundo tempo, mas estou muito bem resolvida. Agora, é vida nova.

Não passa um filme na cabeça de todos esses anos de carreira?
Às vezes, penso, sim. Lembro de coisas muito boas, que eu soube aproveitar. Mas tudo tem seu tempo e agora vou viver uma fase diferente, cuidar mais da vida pessoal e do meu projeto social em Brasília. Quero ser mãe e vou estar sempre envolvida com o esporte, tentando devolver um pouco o que ele me deu. Nunca joguei vôlei por dinheiro, mas acabou acontecendo.

Dá para eleger algum momento especial?
Seria uma injustiça com todos os outros bons momentos (risos). Mas posso destacar quatro: a primeira vez em que fui campeã brasileira, pelo Minas, na temporada 1991/1992, as duas medalhas olímpicas de bronze, o Grand Prix de 1998, quando fui eleita a melhor jogadora, e, indiscutivelmente, a final da Superliga entre Flamengo e Vasco.

Ficou alguma frustração?
Muita gente me questiona sobre 2004 (quando voltou à quadra, depois de um período na areia, mas ficou fora da Olimpíada de Atenas). Mas não foi uma frustração. Foi um aprendizado. Tinha acabado de perder minha mãe e a Seleção era uma família para mim. Mas eu não era mais a mesma Leila de 2000. Já não era mais tão competitiva quanto antes. As meninas tinham vivido um momento muito conturbado, com mudança de técnico. Caí de pára-quedas. Estava mais procurando um colo.

Você acha que se precipitou?
Eu me precipitei porque o que eu buscava não existia. Era uma comissão técnica nova, que não tinha me visto jogar de forma competitiva. Agradeço a eles, mas poderia não ter essa dor-de-cabeça para o Zé nem para mim.

Deve ter sido difícil para ele te cortar...
As pessoas não sabem, mas, na verdade, eu pedi para ele minha passagem para voltar, numa das escalas na Europa. Senti que não estava legal. Na verdade, facilitei as coisas para ele. O Zé, aliás, é um cara inteligentíssimo, único bicampeão olímpico, que deu um tapa com luva de pelica com esse ouro em Pequim.

Como você acompanhou esse ouro, que a sua geração perseguiu durante tanto tempo?
Na minha época, era um vôlei diferente, a gente tinha Cuba...O grande barato da geração atual é que elas começaram descrentes e viram que podiam chegar lá. Esse grupo suportou a pressão o tempo todo. Sinceramente, me sinto de certa forma atuante nesse ouro olímpico e acho que todo mundo que veio antes deve se sentir. Eu me emocionei muito com a conquista delas e chorei, ainda mais por causa da Fofão, que transitou por todas as gerações. Ela provou que era a maior merecedora de todas nós.

Você não pensa em um jogo de despedida?
Não, está ótimo assim. Já valeu. E, se tivesse jogo, eu não teria ombro mesmo (risos).

Não tem mais nenhum torneio, jogo, nada previsto?
Nada, estou oficialmente aposentada.

Terça-feira, 2 Dezembro, 2008

A doce vida da campeã


O trajeto de casa até o treino, de bicicleta, pela Zona Sul, tem sido muito prazeroso. Não é raro ouvir alguém chamando seu nome. E Fabi tem adorado isso. "O reconhecimento nas ruas é grande e eu curto bastante mesmo. Fomos jogar em Uberlândia, no fim de semana, num ginásio para mais de quatro mil pessoas e eu fui a última a sair de lá. É incrível. Parece que todo mundo estava assistindo à final olímpica naquele dia 23 de agosto", conta Fabi, bem-humorada como sempre. "O mais legal de isso tudo é que dá para ver que todo mundo prestou atenção a todas as jogadoras da Seleção, já que o líbero não costuma ser tão reconhecido quanto os atacantes, por exemplo".
Com a medalha de ouro bem guardada, Fabi curte a boa fase no Rexona/Ades, campeão do primeiro turno da Superliga. Mas sempre atenta aos outros times e seguindo o discurso do chefe, o técnico Bernardinho: "Se a gente relaxa um segundo, ele já lembra do próximo jogo", diverte-se.