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Cláudia Cecília

Segunda-feira, 8 Fevereiro, 2010

A SALTO AGULHA DESTA SEMANA


Desapego ao estresse

Naquelas não-resoluções de ano novo que fiz aqui há algumas colunas, estava a ideia de adotar uma filosofia de vida mais zen, algo que me livrasse do estresse que já está quase me transformando numa caricatura de mim mesma. Mas não vou ficar aqui falando em primeira pessoa, que esse problema não é só meu. Não sou a única a me irritar umas 250 vezes por dia, a querer matar alguém dia sim dia não e a ter a impressão de que vai explodir pelo menos uma vez por mês. Não deve ser só a mim que os serviços mal prestados de teleatendimento enlouquecem, para citar só um exemplo, e também não sou a única vítima das mil e uma tarefas que alguém um dia decidiu que caberiam às mulheres - e só a elas, que fique claro. Então também não devo estar sozinha na decisão, ou pelo menos na intenção, de fazer alguma coisa para amenizar as consequências dessa, digamos, fadiga emocional, antes que a gente exploda de fato. Considerando que temos como agravante um calor de 40º, que ajuda a ferver nossos miolos e a fritar nosso humor, é melhor tomar logo uma decisão.

Só não começo com uma terapia de choque e passo o Carnaval comendo arroz e tomando chá verde num templo hare krishna porque minha família me internaria de vez e porque tenho que trabalhar, mas admito que seria um bom começo. Depois, era só procurar uma daquelas senhoras de 120 anos, magérrimas, enrugadinhas, supersaudáveis e cheias de vida, que dão aulas de ioga tradicional, e me matricular em uma das turmas. Ok, eu não me vejo comprando um daqueles tapetinhos e indo malhar (fazer ioga é malhar?) de calça de algodão frouxa e camiseta de dormir, mas isso é puro preconceito e preconceitos, os impostos e os sofridos, também geram estresse. Tenho pena é da professora, coitada, porque, do jeito que ando, a chance de eu desestabilizar todo o clima harmônico da aula é enorme. Tipo todo mundo lá de olho fechado se concentrando na posição e na respiração e eu sacudindo os pés, batendo com os dedos das mãos no chão e procurando um relógio para ver quanto tempo falta para aquele momento de tranquilidade irritante acabar.

Não, não tem graça nenhuma. Dar uns chiliques de vez em quando e ficar com fama de baixinha furiosa pode até ter seu charme, ser pitoresco e coisa e tal, mas quando o exame de sangue mostra o colesterol tentando chegar à lua e quando os quilos a mais já se acostumaram a chegar com rapidez e não ir embora nunca, a coisa muda de figura. Aí, para completar, toda hora aparece um raio de uma pesquisa mostrando o quanto nossos hábitos, aqueles aos quais somos tão apegadas, andam nos fazendo mal. Enfim, quando o estresse deixa de ser piti para virar caso de saúde, é hora de parar de palhaçada e rever os conceitos, não é, não?

Morro de inveja daquelas pessoas que viram personagens de revista ou do programa de reportagem da sexta-feira à noite porque conseguiram mudar radicalmente de vida. De uma hora para outra, chutam o balde e aí o gordinho fumante e sedentário vira triatleta depois de implantar cinco pontes de safena e vai concorrer ao Ironman; a workaholic passa a se dedicar à jardinagem e à pintura em porcelana e consegue se sustentar com isso, e aquele empresário que só via a mulher e os filhos duas horas por semana se muda com toda a família para uma fazenda no interior do Acre e passa a ensinar a comunidade a fazer pão doce e sobreviver dessa produção. Acho incrível.

Não pretendo ser tão radical, nem preciso. Mas, tendo a séria intenção de viver muito, é bom dar um jeito de viver bem. Sem comida macrobiótica nem filosofias xiitas, mas com bom senso e um mínimo de harmonia e tranquilidade. Antes que vocês - e nem eu - me aguentem mais. Assim que me matricular no tai chi chuan - depois do Carnaval, obviamente -, aviso.

Sexta-feira , 5 Fevereiro, 2010

INSPIRAÇÃO


Quando eu crescer, eu quero ser...

FOTOS AG NEWS
... que nem Fernanda Montenegro, aos 80 anos, de jardineira xadrez e tênis, coluna esticadinha, uma moça


... que nem Marília Pêra, bonita, lépida, fagueira e feliz, aos 67 anos, há onze casada com Bruno Faria, 20 anos mais jovem

Quinta-feira, 4 Fevereiro, 2010

PRECONCEITO COM PATENTE


Então o general achou que poderia falar em uma entrevista que gays não podem ser militares porque gays não conseguem impor um comando e não são respeitados. Aí a gente desrespeita um general e ele fica bravo. Mas, me digam, que tratamento merece esse oficial do Exército?

AGORA OU NUNCA


A-do-rei a cena da Letícia Spiller avisando ao Carlos Casagrande que resolveu transar com ele (a expressão seria outra, mas vou ser fina), em 'Viver a Vida'. Imagina você puxar um sujeito pelo braço e dizer 'de hoje não passa'. Sucesso total. E aí marcar hora e local para o sexo, como se a coisa funcionasse assim, sem qualquer espontaneidade.
Aliás, da série 'me irrita', por que raios o Manoel Carlos resolveu fazer o estereótipo do estereótipo e botar homens galinhas e mulheres que não conseguem trair na novela? Ah, por favor, né, Maneco?

Terça-feira, 2 Fevereiro, 2010

FEIRINHA


Gosto muito das alternativas moderninhas para fantasias de carnaval. Tipo pegar aquele vestido de laise branca e fazer uma baiana, ou transformar em havaiana o tomara-que-caia florido. Apostar na dupla short-camiseta caprichando nos acessórios também é uma alternativa. E agora as lojas resolveram contribuir e estão criando linhas especiais para a folia. Achei graça dessas duas: os abadás da Dress To, com o nome da fantasia impresso, e as camisetas da Maria Filó, com bonequinhas fantasiadas. Os abadás na verdade são camisetões/vestidos de malha, daqueles perfeitos para jogar por cima do biquíni e cair no samba. E as camisetas vão bem com o que a sua criatividade imaginar. Ah, sim, e força nos acessórios, sempre.
E se o que você precisa é de uma parte de baixo florida, para criar vários visuais, aí está a saia de babados da Basthiana (tel.: 2512-4285 e 2512-4721). Dá para fazer o diabo com ela.



Vestido silk Carnaval: R$ 49. Faixa melindrosa: R$ 19. Arco orelhas oncinha: R$ 19. Tudo da Dress To,




Camisetas fantasia: R$ 79. Kit maquiagem: R$ 19. Da Maria Filó


Saia florida de babados Basthiana: R$ 79


Segunda-feira, 1 Fevereiro, 2010

CONFUSÃO MENTAL




Da série a gente não sabe o que quer. Estava eu aí embaixo reclamando que ainda não tinha tido o prazer de comprar material escolar quando fui surpreendida hoje, no primeiro dia de aula da Maria Clara, com a notícia de que ela terá um livro de matemática. Choquei. Minha filha nasceu ontem e já tem livro de matemática? Como assim? Ok, eu queria, mas não precisava ser assim, sem nem me prepararem antes.
Passado o susto, já vou logo comprar contact. É só um livrinho para encapar, mas já é um começo, né? A-do-ro encapar material.
Também adoro primeiro dia de aula e deixar minha pequenininha de braço quebrado na sala do Jardim 3 (já é o 3, gente!) foi a maior emoção.
Deem um desconto, por favor, também tenho meus momentos de mãe miquenta.


Ah, e a prova cabal de que estou ficando velha é que escrevi uma bobagem sem tamanho na coluna desta semana: o acento diferencial do verbo poder não caiu. Assim como também não caiu o dos verbos ter (ele tem, eles têm) e por. Caíram os diferenciais de para e de ver. Enfim, tão ultrapassada que não consigo nem aprender as novas regras da língua portuguesa. Tsk, tsk, tsk...

PODEROSA, NÉ?


Não sei o que está me irritando mais na Gisele Bündchen: se é ela dizer que pariu sem anestesia para ter plena consciência do momento ou se é ela se orgulhar de não ter babá.
Alguém precisava avisar à supermegatop model que anestesias peridurais são usadas em partos normais e não tiram a consciência de ninguém. E pode ser lindo isso de parto na banheira de casa, mas duvido que não tivesse uma UTI móvel de plantão no cômodo ao lado.
Quanto à babá., se você pode se dar ao luxo de não fazer mais nada além de cuidar do filho e de ter sua mãe ao seu lado, realmente elas, as babás, tornam-se dispensáveis. Quero ver ela voltar a trabalhar sem ninguém para ajudá-la.
Ah, sim, e agora só para implicar, será que ela já se tocou que as iniciais do filho, B(enjamim) B(ündchen) B(rady), aqui no Brasil remetem a algo de quinta categoria?


Domingo, 31 Janeiro, 2010

A SALTO AGULHA DESTA SEMANA


A tecnologia que me envelhece

Da série 'você sabe que está ficando velha quando...', decidi incluir na minha lista o item 'quando resiste às inovações tecnológicas'. Essa semana, o mago da tecnologia, aquele que faz qualquer aparelhinho parecer a coisa mais imprescindível nas nossas vidas, o senhor Steve Jobs, da Apple, mostrou o tal do iPad, que pretende ser, sei lá, mais do que telefone, quase um computador, o novo formato de livro, jornal, revista, enfim, uma revolução. Aí alguém me liga, todo empolgado, e diz: 'Maria Clara vai aprender a ler ali. Em pouco tempo, um iPad será todo o material que ela vai levar para a escola'. E eu imediatamente pensei que o senhor Steve Jobs, com sua camisa de gola rolê preta e seus jeans, já está se metendo demais na minha vida. Já virei escrava de um celular em que o que menos importa é telefonar, já tenho um marido grudado em headphones e orgulhoso de ter quatro dias de música em seu walkman moderninho, e agora ele quer tirar os cadernos da minha filha? Quem disse que eu vou deixar?

Só pode, claro, ser sinal de velhice. Assim como eu resmunguei que 'pode' perdeu o acento diferencial e agora a gente precisa ler uma frase duas vezes para saber se está no presente ou no passado, nossos avós devem ter achado o fim da picada farmácia passar a ser escrito com f. Aliás, escrever 'fim da picada' também é uma indicação óbvia de algumas décadas vividas. Mas, voltando à tecnologia, velha ou não, me senti no direito de não querer, por exemplo, que minha filha use os dedos em vez de lápis e caneta e que só saiba folhear um livro clicando na setinha. E, poxa, eu ainda nem tive o prazer de sair para comprar material escolar - sim, adoro fazer isso, mas a escola insiste em me poupar - e vem alguém me dizer que o material escolar vai desaparecer? Não dá para esperar mais um pouquinho, não?

Ok, já estou me preparando para aceitar vc, naum, entaum, kd, valew, tc e rsrs como palavras de uma nova língua estabelecida entre povos civilizados e, sim, já estou até me preparando para o dia em que a redação da escola chegará escrita dessa forma e aprovada pela professora, mas não sei se estou a fim de ver os trabalhinhos da escola num iPad. E o cheiro de cola e giz de cera? E como vou emoldurar trabalhinhos eletrônicos? Já não bastam as fotos, que a gente nunca mais passou para o papel? Se estava escrito em algum lugar que eu seria obrigada a viver no futuro, essa parte do contrato eu não li.

Ok, sou jornalista, tenho mais é que me atualizar e ficar quieta, porque fazer esse tipo resistente e saudosista não vai me levar a lugar algum. Só estou com um pouco de preguiça - não sou a única, vai, confessem -, mas vai passar. E, querendo ou não, passo o dia na Internet, pago contas e faço compras pela rede, mantenho um blog, frequento mídias sociais, ainda que esporadicamente, e consigo adquirir com facilidade uma certa intimidade com aparelhos eletrônicos diversos e alguns games, o que, justiça seja feita, faz de mim uma mulher moderna. Já fui muito além da minha mãe, que só chegava perto do aparelho de som para diminuir o volume, porque aquele era o único botão que lhe interessava conhecer - os tempos mudaram para ela também, que agora ganhou um notebook e vai fazer um cursinho para aprender a usá-lo.

Feito o desabafo, vou tentar que essa seja a última bandeira que dou de ser uma criatura do século passado. E mesmo que me assuste com as próximas invenções que me forem apresentadas, farei a empolgada. Sou capaz até de fingir adesão imediata. Mas que estou doida para comprar uns cadernos de caligrafia, antes que eles nunca mais sejam vendidos, ah, estou.

Terça-feira, 26 Janeiro, 2010

A SALTO AGULHA DESTA SEMANA


Férias sem homens

Uma semana de folga e a Salto Agulha fez uma descoberta importante. Porque, vocês sabem, como diz aquele sujeito que ganha rios de dinheiro defendendo a teoria do ócio criativo, é quando estamos à toa que as maiores revelações nos são feitas. Deve ser por isso que os grandes meditadores parecem seres superiores: é esvaziando a cabeça que se abre espaço para as coisas realmente importantes, as verdadeiras sabedorias. Enfim, vou parar de enrolar e contar logo que eu descobri quando os homens não fazem a menor falta: nas férias com as crianças. Sabem aquela situação que a gente viu muito na infância, em que as mães viajavam para a casa de veraneio com os filhos, os pais ficavam trabalhando e só apareciam no fim de semana? Pois o que me parecia um acordo meio machista hoje vejo que é uma escolha muito acertada e mostra que nossas mães eram mais espertas do que imaginávamos. E mostra também que minha descoberta é mais velha do que andar para frente e eu só não tinha me dado conta antes porque minha mãe deu mole e não me passou essa dica valiosa.

Estamos em São Luís do Maranhão uma avó, três mães, dois adolescentes e quatro crianças e tudo transcorre na mais absoluta paz - algo nos diz que é graças à ausência de adultos do sexo masculino. Tudo bem que uma é viúva, duas são separadas e só restou a mim a opção de estar ou não acompanhada do marido, mas isso não quer dizer, claro, que só o meu marido não está fazendo falta. Seria muito injusto, inclusive. É só que chegamos ao consenso de que eles, os pais, costumam atrapalhar mais do que ajudar nessas horas. Senão vejamos: num momento férias com as crianças, desses cheios mesmo de crianças, as chances de sobrar tempo para viver momentos de uma relação marital são mínimas, se é que vocês me entendem. Raramente se fica a sós, as instalações não costumam ser as mais confortáveis e só os mais abastados viajam para lugares com cômodos separados para cada um, babás e luxos afins. Então, se não vai rolar umas namoradinhas, se é para ser pai e mãe em tempo integral, na boa, basta um.

A gente fica na praia o tempo que for preciso e isso não significa ter que esperar o estoque de cerveja do quiosque acabar. A gente deixa a criancinha tomar três picolés seguidos sem ter que ouvir discurso sobre os males do açúcar em excesso. A gente dá um tempo na programação infantil para ir ao salão fazer as unhas e imaginem só se teríamos essa chance com homens por perto. A gente nunca é cutucada por alguém que decidiu apontar uma falha de comportamento do seu filho como se ele, esse alguém, também não fosse responsável pela existência daquele pequeno ser. Aliás, sou só eu ou vocês também se irritam com o pai de que chama para dizer 'olha, a fulana vai derrubar o copo', como se a distância entre você, ele e a fulana não fosse a mesma e como se a fulana não fosse obra dos dois? Gente, isso me enlouquece. Mas, voltando, a gente se senta à mesa do restaurante e não se incomoda com o fato de os homens terem formado um grupinho de conversa paralela porque simplesmente eles nem estão ali. Ah, sim e a gente nem percebe que as crianças estão tocando o terror não só naquele como em todos os restaurantes da cidade porque dessa vez sobrou para as mulheres o direito de fingir que não é com elas e fazer aquela cara de 'de quem são essas pestes?'.

Aí, passada essa semana em que se pode fazer tudo à nossa moda, de um jeito bem mãe e mulherzinha, sem intervenção do sexo oposto, você reencontra aquele que não fez falta, deixa os filhos matarem a saudade dele rapidinho, depois despacha as crianças para a casa da avó e vai curtir o sujeito da maneira que vocês merecem. Com saudade, sem resquícios de estresse, cheia de coisas para contar e fotos para mostrar, só vocês dois. Simples assim. Não parece perfeito?

Sexta-feira , 22 Janeiro, 2010

SOM ESTRANHO


Hoje fui a uma daquelas praias em que os maranhenses estacionam o carro ao lado da mesas, na areia, abrem a mala e botam o som a todo volume. Felizmente a praia estava vazia, então só ouvi a música de um dos carros, que se alternava entre brega e forró. E aí, minha gente, entre as pérolas, ouvi Pitty em ritmo de forró. 'Que você me adooora... que me acha f..' Não me afoguei por pouco.