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Cláudia Cecília

Terça-feira, 31 Julho, 2007

GENTIL E ROMÂNTICO: TUDO O QUE A GENTE QUER

Foi num almoço sábado, numa conversa rápida sobre vinhos, que ouvi a frase da semana. Diante da discussão sobre ser ou não ser um enochato, um dos convidados foi categórico:

- Desisti desse negócio de entender de vinho, de saber qual é a uva, qual é a marca, essas bobagens. Cheguei à conclusão de que, para mim, só existem dois tipos de vinho: o que a minha mulher gosta e o que ela não gosta.

Não foi lindo isso? Então contem essa história quando algum maleta for tirar onda com vocês.

Segunda-feira, 30 Julho, 2007

Um pouco de inferno astral - a Salto Agulha desta semana



Na manhã deste domingo, acordei a 368 dias de fazer 40 anos. Não é exatamente um número redondo, mas podemos ver de outra forma: na quarta-feira, daqui a três dias, estarei a um único, um mísero ano de passar para outra década, de deixar de ser balzaquiana para me transformar numa quarentona e vocês não têm idéia do quão difícil foi escrever essa palavra agora. Tá bom, está rolando um certo drama, mas, me digam, vocês que já passaram por isso, dá para fazer 39 anos pensando em outra coisa? Dá, claro. Pensando que eu poderia estar uns dois quilos mais magra, que meu cabelo está demorando a crescer e que as pessoas que vierem me dar parabéns vão pensar que já me viram em dias melhores. Ok, agora está rolando um ataque de pelanca e peço desculpas por não estar falando de coisas sérias e importantes, tipo fazendo uma avaliação da minha vida profissional, sentimental e financeira e traçando metas para o próximo ano, mas tudo está conspirando contra. Duvidam? Pois enquanto escrevo esse primeiro parágrafo, ainda sem ter tido a chance de desabafar toda a minha frescura e futilidade, a moça da televisão, que está apresentando um telejornal qualquer, acaba de dar a seguinte notícia: a barriga das mulheres está crescendo mais do que a dos homens, concluíram os médicos. É ou não é o inferno astral ao cubo?

Essa semana, quando vinha para o jornal, passei em frente a um último espelho pelo caminho e me dei conta do meu visual: casaquinho esportivo de moleton de mangas curtas, preto com coisas escritas em pink, blusa de helanca preta de mangas compridas por baixo, calça jeans e tênis. Passei depois por umas duas amigas que fizeram comentários elogiosos e duvidosos sobre o modelito e num acesso de auto-crítica percebi: a pessoa quando está a uma semana de fazer 39 anos entra em desespero e se veste assim, como se tivesse 22, para trabalhar. Pode ser mais bandeiroso? Aí o amigo dono do salão, com requintes de crueldade, avisa: “Fica tranqüila que, quando chegar aos 40, você corta a franja e bota aparelho. Colorido”. Entre morrer de rir e cortar os pulsos, fiquei com a primeira opção e jurei para mim mesma, tipo Scarlet O’Hara na varanda de Tara, que franja aos 40 eu jamais terei.

O MUNDO CONSPIRA CONTRA
Quando você pensa que vai esquecer, quando se dá conta de que tudo isso é uma bobagem, quando se convence de que ter um metro e meio já é uma supervantagem sobre a concorrência porque ninguém pode parecer velha com um metro e meio, vem outro choque de realidade. A amiga repórter de economia lembra que ela própria mês que vem faz 40 e um de seus presentes mais simbólicos será a fatura do plano de saúde com reajuste, porque ela mudou de faixa. Ninguém merece! Você pode até esconder a idade, mas seus credores e prestadores de serviço descobrem!

Aí, antes de entrar em desespero, resolvi ser racional e traçar as tais metas que podem fazer de mim uma senhora mais feliz. Pois então pretendo, a partir de quarta-feira e até o dia 1º de agosto de 2008: perder os tais dois quilos, malhar para transformar a sobra em músculos, ir ao dentista e ao dermatologista, poupar dinheiro, escrever um livro, bombar o blog Salto Agulha, decorar melhor a casa, namorar mais meu marido, curtir o terceiro ano da minha filha, ler tudo o que for publicado sobre cremes e tratamentos estéticos e comprar tudo o que for vendido, me vestir mais adequadamente — tipo chique-contemporânea —, comer mais adequadamente e ser adequadamente feliz. Se todo esse milagre acontecer, quando chegar este domingo no ano que vem, vocês não vão estar me agüentando, de tão orgulhosa que estarei dos meus 40 anos.




Quinta-feira, 26 Julho, 2007

Mais peitinhos no mundo das celebridades

Divulgação / Ag. NewsDivulgação / Ag. News

Lá vamos nós e nossas famosas desinibidas. Não satisfeita em pagar calcinha inúmeras vezes, não satisfeita em mostrar as partes íntimas sem calcinha, Adriane Galisteu decide pagar peitinho, ou melhor, peitinhos, em evento essa semana. Está na coluna da Regina Rito, hoje, do Caderno D. A fofa foi à apresentação do russo Mikhail Baryshnikov, o bailarino mais gato do mundo, em São Paulo, e bancou a distraída. Imaginem, amigas, ela, sendo fotografada, nem percebeu que o vestido estava um pouco abaixo do que deveria.

Não vamos nem levar em conta o modelito, porque ninguém aqui mais se espanta com o que Adriane Galisteu veste. Ok, não resisto, vamos falar: o que é esse vestido com esse casaco esportivo? Não pode, né? Se alguém ficou em dúvida, a Salto Agulha avisa: não pode. Nem é dos piores momentos dela, mas não pode.

Só que a pergunta agora é outra. Meninas, por favor, respondam à enquete deste blog: é possível um vestido cair desse jeito e a gente não perceber? Você acha que seria capaz de exibir os seios dessa forma sem se dar conta? Não rola uma sensibilidade? Não bate um ventinho? Não dá para sentir que a barra do decote está apertando no lugar errado? E o namorado, meu Deus do céu, não viu isso?

Agora digamos que Adriane percebeu e deixou rolar, o que parece a hipótese mais provável. Será que ela acha que ficou bonito?


Terça-feira, 24 Julho, 2007

Pega um pega geral ou o emprego dos sonhos

Márcio de Souza  / Divulgação TV GloboEu sei que ela não é exatamente uma figura que desperte simpatia, mas justiça seja feita: Alessandra Negrini está se destacando nessa fase de 'Paraíso Tropical' em que ela tem que ser uma gêmea fingindo que é a outra e vice-versa. Pensa bem, gente, só para explicar a trama a gente já se confunde, imagina atuar assim. E ela está se saindo superbem.

Mas a questão aqui é outra. No momento pecado capital deste blog, já invejamos as atletas que se divertem sexualmente com os atletas na Vila Olímpica e agora vamos invejar Alessandra Negrini. Não me lembro de ninguém, nenhuma atriz, ter passado o rodo tão bem quanto Negrini em 'Paraíso Tropical'. É ou não é para invejar um emprego em que a criatura simplesmente é obrigada, coitada, a sair pegando os maiores gatos da TV brasileira?

Querem o histórico? Negrini abriu os trabalhos com Marcello Antony, o que já seria suficiente para garantir a felicidade eterna de muitas de nós. Não satisfeita, pegou Fábio Assunção, o que não precisamos nem comentar. Aí os autores acharam que era pouco - a atriz deve ser muito amiga deles - e fizeram a moça pegar Bruno Gagliasso, que é aquilo tudo o que a gente vê e mais um pouco. E agora, não satisfeita, a fofa vai dar uns trancos (e outras coisitas mais) em Wagner Moura, o feinho mais sensacional que eu conheci nos últimos tempos. Nem a Bebel, que é prostituta, coitada, se deu tão bem.

Então, amigas, a pergunta não pode ser outra: e ainda precisa ganhar para isso? Querem se roer mais? Dizem que com Fábio Assunção e Bruno Gagliasso a coisa foi além dos estúdios, o que só aumenta a nossa revolta.

Robson Araújo / Ag NewsQuem mandou não nascermos atriz? Pelo menos, aí vai a maldade final, não somos casadas com o Otto.



Domingo, 22 Julho, 2007

Leia hoje em O DIA

Na coluna Salto Agulha de hoje:

"Micareta Esportiva - por que queríamos estar na Vila Olímpica"

Dá uma olhada lá e depois, já sabe, volta aqui e comenta, por favor.

Um ótimo domingo a todos!


Quarta-feira, 18 Julho, 2007

Acho que vi um gatinho

Ernesto Carriço / Ag. O DIALéo Corrêa / Ag. O DIA

Um, não, eu vi três gatinhos. Brasileiros. Fora os estrangeiros. Convidada pela Oi, fui assistir às finais de natação no Parque Aquático Maria Lenk e, de cara, pude ver de perto o que a imprensa paulistana se recusa a enxergar: a organização dos Jogos Pan Americanos está dando um banho. É o Pan do Rio e o Pan do Rio está incrível, desculpem se decepcionamos a turma do mau agouro. O parque aquático ficou lindo, a arena multiuso, que fica ao lado e abriga as provas de ginástica, também está superbacana, e o astral do público, então, nem se fala.

Mas estava eu lá sem saber exatamente o que me esperava. Nunca assisti a uma competiçao de natação nem na escola, nem no clube do bairro, que, no meu caso não era pouco, era o Fluminense. Até já fiz natação algumas vezes, mas nada além daquelas burocráticas três vezes por semana e olhe lá. De modo que não tinha a menor idéia de como seria, como eu me comportaria, o nivel de emoção daquilo etc.

E aí, amigos, desculpem a humilhação, acabei vendo o Brasil ganhar três medalhas de ouro! Gente, é muito contagiante. A gente grita, pula, tem vontade de empurrar os meninos e meninas água a frente e até se pega fazendo gestos como se, de fato, os tivesse empurrando. E por boa parte da manhã, a gente teve 100% de aproveitamento: caíamos na água, ganhávamos medalha. Fora as três de ouro de Cesar Cielo, Kaio Márcio e Rebeca Gusmão, tivemos a prata de Gabriel Mangabeira e os bronzes de Gabriela Silva, Armando Nogueira e da equipe de 4x200m. Não foi pouca coisa, não, e saí de lá me sentindo a maior pé quente.

Mas vamos às futilidades, que sem elas não tem graça. Meninas, o que são os nadadores? Um festival de corpão de tirar o fôlego. Caio, Cesar e Gabriel, além de campeões, são três gatinhos. E não tive chance de registrar os nomes, mas tinha uns canadenses e um venezuelano de fazer a gente querer largar tudo para acompanhar o circuito mundial. A parte triste é perceber que o esporte que faz tão bem esteticamente ao corpo dos homens não é nada generoso com as mulheres. Minha mãe diz que me tirou da natação quando viu que, em pouco tempo, minhas costas alargaram. Como eu não ia nem de longe ser uma Rebeca ou Gabriela da vida, agradeço a ela pela minha harmonia física. Um metro e meio com aquelas asas ia ser um desastre.

E a reclamação: a gente sabe que a teconlogia avançou tanto que as roupas dos nadadores imitam pele de tubarão e o tudo o mais e ajudam que eles a deslizarem melhor, fora a proteção térmica etc etc, mas que eles ficavam muito melhor de sunguinha do que de calça 'legging', ah, ficavam.


Léo Corrêa / Ag. O DIALéo Corrêa / Ag. O DIA


Um dia muito estranho

Eu estava me preparando para escrever aqui sobre a conclusão a que o Pan me fez chegar: a de que eu não quero ter uma filha ginasta. Fiquei com muita pena dessas meninas esses dias, pela pressão que sofrem, pelas dores que sentem, pelas carinhas de tensão e de choro, mesmo quando estão prestes a receber uma boa nota. A impressão que se tem é que as bichinhas sofrem muito. Fora que vivem com problemas nas articulações, que não crescem, têm alterações hormonais etc. Enfim, não é exatamente um esporte saudável. E fora que ser ginasta no Brasil está longe de ser compensador e gratificante.

Bem, mas eu estava me preocupando com essa remotíssima hipótese de Maria Clara querer ser uma ginasta - se puxou as habilidades físicas dos pais, coitada, não vai dar nem para saída - quando fui surpreendida, eu e o País todo, com o acidente da Tam. Até agora, faltando cinco minutos para a meia-noite, as chances de sobreviventes são mínimas. E, até agora, são muitas as chances de o acidente ter sido causado pelas más condições da pista de Congonhas.

Há meses se fala da insegurança em Congonhas, desde ontem se fala sobre a pista ter sido aberta sem condições de uso. Ontem mesmo, dois aviões derraparam. O que signifca que, mais uma vez, uma tragédia aconteceu no Brasil por causa do descaso, da desonestidade, das brigas políticas, da nossa incompetência para resolver problemas antes que eles nos gerem prejuízos incalculáveis.

Diante disso, minha maior preocupação hoje, a verdadeira, a que faz sentindo, é pensar como Maria Clara vai crescer nesse país que se recusa a tomar jeito. Sempre ouvi e concordei que, quando a gente tem filho, tem obrigação de acreditar num futuro melhor, num mundo melhor, senão não faz sentido algum botar mais uma pessoa aqui. Mas vou dizer para vocês que, num dia em que achávamos que iríamos dormir comemorando 6 medalhas de ouro conquistadas no Pan e fomos dormir velando quase 200 pessoas, fica difícil, muito difícil, ser otimista.



Segunda-feira, 16 Julho, 2007

Salto Agulha, a coluna

Na falta de link, mais uma vez (reclamem, podem reclamar), aí vai a coluna Salto Agulha publicada ontem no Jornal O DIA.


Formando miniperuas

Foi um e-mail que chegou à redação divulgando uma colônia de férias diferente: uma empresa fabricante de maquiagem está promovendo um curso só para meninas de 8 a 15 anos, que vão aprender desde etiqueta social a cuidados com o corpo e a pele. Basicamente, um curso para formação de miniperuas e fiquei imaginando que tipo de mãe vai colocar a filha nessa versão compacta 2007 da Socila. Porque a princípio parece inofensivo, mas o programa acaba se revelando assustador para o que a gente imagina e/ou deseja que sejam os padrões de comportamento feminino no século XXI. A coisa começa com Etiqueta Social: apresentação e cumprimentos; correspondência escrita e virtual; mesa – copos, pratos e talheres, mesa – servir e ser servida. Atenção para o último detalhe: “servir e ser servida”, como assim? Em seguida, as minidondocas entrarão no capítulo Postura e Andar: vestir blazer, subir e descer escadas em uma aula; sentar, abrir e fechar portas em outra. Vestir blazer? Sentar? Abrir porta? Sua menina de 8 anos vai ser o quê, comissária de bordo? Não seria meio cedo para já estar fazendo curso? Mas vamos lá que não acabou. Tem ainda cuidados com a pele (incluindo massagem facial em 8 movimentos), o cabelo e o corpo; técnicas de maquiagem; produção de moda, e técnicas de desfile, que incluem “andar com ritmo e elegância”. Que tal?

Pode ser um certo mau humor, mas isso me faz lembrar o que ouvi a Rosely Sayão, psicóloga especializada em crianças, falar no rádio sobre o caso dos meninos que bateram na doméstica e sobre o pai de um deles argumentar que são universitários e não mereciam ficar presos. Rosely alertou para o fato de confundirmos instrução com valores. Dar estudo, bons colégios e cursos extracurriculares aos filhos é ótima iniciativa, claro, mas não significa dar valores, formação ética e moral. E num tempo em que pais estão sendo acusados de transferir essa responsabilidade – a de passar valores – para professores e até babás, parece estranho que alguém ache importante realmente uma menina de 11, 13, 14 anos aprender a usar blazer (que cafona, aliás) e fazer massagem facial. Nossas meninas já estão sendo tão influenciadas pelo que o mundo lhes dita como padrão de beleza, comportamento e consumo, que talvez o mais necessário seja frear isso e não incentivar.

Isso tudo, voltando ao exemplo da psicóloga, não deve ser confundido com educação. Não seria eu a louca de dizer que nossos filhos não precisam saber se comportar à mesa ou se vestir adequadamente em cada situação, mas não dá para a gente mesmo ensinar? Vamos partir do princípio que pais educados e com boas maneiras têm obrigação de passar boa educação e boas maneiras aos filhos. Pode ser que eles teimem em não aprender, mas aí o problema é outro e não vai ser o curso da empresa de maquiagem que vai resolver, né?

MACHISMO E RETROCESSO

Ainda implicando – e muito, como vocês já devem ter percebido –, tem também toda a conotação machista dessa história. Por que raios só meninas precisam saber usar talheres e sentar? Alguém vai fazer curso de bons modos para os meninos? Se fizesse, você matricularia o seu? E por que não consta do programa algo tipo como se comportar no ambiente de trabalho? Se elas já têm idade para aprender a se maquiar, servir e ser servida, podem pensar nas responsabilidades também, não?

Se a idéia era entrar na onda ‘My Fair Lady’ revivida pela Bebel de ‘Paraíso Tropical’, não foi bem executada. Ouvir espectadores da novela comentando no dia seguinte o que aprenderam com as aulas de etiqueta da Virgínia – outro dia peguei minha caseira se divertindo porque descobriu que não se corta a alface, tem que dobrá-la para comer – é o máximo. Ver pessoas que não tiveram base familiar, nem instrução, querendo aprender boas maneiras para ascender profissional e socialmente, também é ótimo. Mas isso tem pouco ou quase nada a ver com pagar R$ 240 para meninas de classe média aprenderem, em uma semana de aulas, dondoquices do século passado. Ou retrasado.




Quinta-feira, 12 Julho, 2007

Nossos problemas acabaram!!



Banco de Imagens

Está num site de notícias: Aquecimento global emagrece baleias! Desculpem a piada infame, mas inevitável: a informação, péssima para os biólogos, soa como sinos de igreja aos nossos ouvidos. Meninas, num futuro próximo, estaremos fritando os miolos, mas não precisaremos mais fazer dieta!! Nem nós, nem as baleias...



Terça-feira, 10 Julho, 2007

Malandramente escrotinha

Reprodução InternetEstá em uma matéria no site da BBC Brasil: uma suíça radicada na França está fazendo o maior sucesso no mundo literário europeu com um livro, digamos, um tanto polêmico. A psicanalista e economista Corinne Maier, 43 anos, lançou "No Kids: 40 Razões Para Não Ter Filhos", em que argumenta que o controle da natalidade é a única maneira de salvar o mundo, como se a culpa do estado em que a humanidade se encontra fosse nossa, das mulheres que pariram. O fato é que a moça já vendeu 45 mil cópias em um mês, o que não é de se jogar fora.

Mas, enfim, vamos aos argumentos. Há aqueles dos quais não podemos discordar: filhos custam caro, poluem o mundo e nos fazem renunciar a todo o resto. A coisa começa a complicar quando Corinne vai se soltando e pegando pesado. Aí ela diz que o desejo de ter filhos é "uma aspiração idiota", que as crinaças impedem os pais de serem felizes e desfrutar os prazeres da vida, e que você vai passar anos vivendo um verdadeiro inferno para criar um derrotado, que, na melhor das hipóteses, será considerado mais 'um recurso humano' pelo mundo. Que tal? Quer o resumo? Aí vai o que diz a Mademoiselle Maier: " Você vai carregar seu filho durante décadas. Um verdadeiro fardo do qual será difícil ficar livre. Um conselho: se for para alimentar um parasita, prefira um gigolô".

O mais divertido é que Corinne tem dois filhos, de 11 e 13 anos, e usa isso como respaldo. Eu fico aqui imaginando que esses meninos devem fazer análise desde os três anos e só terão alta lá pelos 85. Com uma mãe dessas, quem precisa de inimigos?

O livro anterior da psicanalista chama-se "Bom Dia, Preguiça" e ensina a manter o emprego trabalhando pouco. Enfim, dona Corinne achou uma maneira muito esperta e irônica de polemizar, fazer sucesso e ganhar um bom dinheiro bancando a escrotinha, a politicamente incorreta assumida. Em tempos da chatice extrema dos livros de auto-ajuda, com mensagens que podem significar qualquer coisa para qualquer situação, alguém que diga, mesmo que exageradamente, o que muita gente gostaria de dizer e não tem coragem, acaba mesmo se dando bem.

Calma, amigas, não quer dizer que eu concorde com tudo o que a francesa genuinamente mau humorada diz, só não levo a sério. Até porque, segundo li na reportagem da BBC, quando escreveu "Bom Dia, Preguiça", Corinne perdeu o emprego na companhia elétrica francesa.

Se alguém tiver uma idéia literária boa dessas e quiser sugerir, poderemos iniciar já, já, uma obra a quatro mãos. Esse negócio de ficar bancando a mãe coruja e mulher romântica não leva a lugar nenhum.



Segunda-feira, 9 Julho, 2007

Seremos todas Bebel

Como ontem não teve link, aí vai a coluna Salto Agulha, publicada na Revista Tudo de Bom!:



Foi a minha xará gaúcha – xará e sócia-gerente do Clube Salto Agulha – quem vaticinou: neste verão, seremos todas Bebel. Ou seremos ou vamos querer muito ser. Disse isso, claro, por conta do sucesso da personagem de Camila Pitanga e porque essa semana vimos que até Paris Hilton, lá nos Estados Unidos, estava usando um maiô tipo engana-mamãe de crochê, o que nos fez brincar com a idéia de que a prostituta de ‘Paraíso Tropical’ já está ditando moda até no estrangeiro, como ela mesma diria. Mas, voltando a nós aqui, se a idéia é que, lá para novembro, estejamos todas transformadas em clones de Camila Pitanga – por favor, não riam, nada nesse mundo é impossível –, enfim, se é esse mesmo o nosso objetivo, é bom nos prepararmos desde já. Porque já vai ser praticamente um milagre, mas se esperarmos que caia do céu, sinto muito, não vai rolar.

De cara, para quem não entendeu, vamos esclarecer: ninguém está pensando em ganhar a vida com o corpinho, não, viram amigos? Pelo menos não profissionalmente, já que se eu tivesse aquele corpo consideraria a vida ganha, claro. Mas não é a carreira da Bebel que a gente quer seguir e, sim, o que ela tem de melhor: a beleza, o carisma, o jeitão. Então vamos aos trabalhos, que há muito pela frente. Começando por: o que você comeu hoje? Pão francês, café com leite, macarrão no almoço, pudim de sobremesa... Ótimo, assim vai chegar à praia e ver a areia esvaziar-se automaticamente, uma vez que todos acreditarão estar diante de Orca, a baleia assassina. Vocês não acham que vão ter a barriga da Camila Pitanga se não for à base de alface e peito de frango grelhado, acham? Então, trancar a boca, perder uns seis quilos – aqueles três que a gente sempre acha que estão sobrando e mais três por conta – e malhar, nem que seja, como me ensinou uma nutricionista, dançando sozinha em casa meia hora por dia ou varrendo a sala cinco vezes de manhã e cinco à noite, são os primeiros passos. Se você tem o biotipo da atriz, multiplique tudo por dois, porque para manter aquele traseiro no lugar, amiga, ela dá duro desde que se entende por gente, o que não deve ser o seu caso.

Tomada essa primeira e mais difícil atitude, vamos às outras etapas. Virar Bebel não é só ficar linda e gostosa. É se achar linda e gostosa, o que significa que a segunda fase de nossa empreitada consiste em trabalhar a auto-estima, nem que seja ouvindo umas palestras de Preta Gil, minha personagem preferida para exemplificar o quesito. Porque só se achando, minha querida, você usa um minivestido de cetim de um ombro só, com um cinto marcando o alto da cintura. E se você quer ser Bebel na alta temporada, vai ter que encarar um modelito do tipo.

CHARME, CARISMA E GARGALHADA

Já estamos gostosas e convencidas, agora faltam o charme e o carisma. Ser Bebel é, acima de tudo, ser espontânea. É usar o pior da sua ingenuidade e o melhor da malícia, ou vice-versa. É saber ser menina, mulher ou moleca na hora certa. É não ter vergonha de gargalhar se a situação pede, de armar um barraquinho básico, se for o caso, de se mostrar apaixonada ou revoltada, desde que seja tudo com muita classe, porque a gente pode querer ser qualquer coisa, menos de quinta ‘catiguria’. Bebel não tem medo de ser feliz e criar essa coragem é nossa terceira etapa.
No mais, precisaremos de uma renovadinha no guarda-roupa – um vestidinho curto aqui, uma plataforma ali, um maiô decotado acolá – e um investimento em cosméticos, porque ser Bebel sem aquela pele e aquele cabelo não tem graça. Depois, é só escolher nosso calçadão (pode ser até a calçada de casa mesmo) e nosso cliente exclusivo (namorados, peguetes fixos e maridos são bem-vindos) e aproveitar. Ninguém vai nos segurar!

Genuinamente nós

Depois de tanto trabalho, podemos também optar por uma segunda alternativa: sermos nós mesmas investindo no que temos de melhor. Tipo legenda de revista de celebridade: nós, no melhor da nossa forma. É mais simples, mais sincero e tem tudo para fazer o mesmo sucesso.



Quinta-feira, 5 Julho, 2007

Casamento faz mal à saúde

Reprodução Internet

Lá vai, mulherada, mais uma pesquisa para provar o que a gente já está cansada de saber: Vejam só:

Segundo pesquisadores espanhóis, o casamento faz bem à saúde do homem e mal à saúde da mulher. Homens casados, diz a turma lá da Espanha, são tão saudáveis quanto mulheres solteiras. Eles só não explicaram os motivos. Mas precisa?

Por melhor que seja o casamento, e quero acreditar que eles são, em sua maioria, otimos, pouca coisa muda na vida do homem. Ok, ele pode reclamar que perde um pouco a liberdade, que tem que dar mais satisfações e, talvez, que doa mais no bolso do que nos tempos em que era solteiro. E pára por aí. Nas coisas práticas do dia-a-dia, a vida do maridão, ou pelo menos da maior parte deles, continua a mesma da época em que ele não usava aliança na mão esquerda. Eles deixam de ser o filhinho da mamãe para ser o filhinho da mulher dona-de-casa ou o filhinho da empregada, ou o que seja. O fato é que vai ter sempre uma mulher para organizar a vida do sujeito.

Sim, existem homens - eu não conheço, mas sei que existem - que decidem o que vai se fazer para o almoço, que fazem as compras do supermercado sozinhos e por iniciativa própria, que compram as fraldas dos filhos e resolvem os problemas das crianças na escola, que secam o banheiro depois do banho e gardam os sapatos no armário quando chegam em casa à noite e que não acham que trabalhar e prover a casa é mais do que suficiente. Mas esses não devem estar com a saúde tão em dia quanto os maridos típicos, mas não devem mesmo.

Quanto a nós, não precisamos nem comentar. A vida de casada é ótima, não vamos negar, mas que não é lá muito saudável, não é mesmo.

Quarta-feira, 4 Julho, 2007

Bebel é cachorra mesmo!

Álbum de família

Todo personagem popular de novela batiza criancinhas que nascem na mesma época. Lembram da enxurrada de Giulianas e Matheus nos tempos de 'Terra Nostra'? E a quantidade de Luanas que hoje têm 24/25 anos por causa da Luana Camará de Regina Duarte em 'Sétimo Sentido'? Caramba, fui longe agora.

Pois bem, acabei de descobrir uma versão atualíssima e bem mais divertida desse fenômeno: a Salto Agulha já sabe de três cadelas recém-nascidas que foram batizadas, adivinhem, Bebel! Pode alguma coisa fazer mais sentido do que Bebel virar nome de cachorra? Até onde eu soube, são todas moreninhas, uma delas, inclusive, é uma labradora chocolate linda. Adorei.

Pena que não tenho a menor intenção de levar um segundo cachorro para casa, senão seria Bebel na certa. Fuça, meu golden retriever lindo, louro e escovado, adoraria ter uma versão canina de Camila Pitanga por perto.



Segunda-feira, 2 Julho, 2007

Bebel em Paris

ReproduçãoReprodução

Que Bebel faz sucesso a gente já sabia. Só não sabia que a prostituta de Camila Pitanga tinha ganhado o mundo. Vejam só o modelito com que Paris Hilton, a milionária mais patricinha do universo, foi tomar um banho de mar para descarregar depois de cumprir uma rápida etapa num presídio norte-americano. É Bebel pura! Ok, ok, nossa personagem tem muito mais corpo e não usaria uma calcinha tão grande, mas aí seria pedir demais a Paris, que nasceu com muito, muito mais dinheiro, mas com muito menos dotes naturais do que Camila.

Será que ela comprou o maiozinho com uma das colegas da cadeia?

Sou só eu ou vocês também se irritam um pouco com o espaço que essa moça, que não faz nada de sua vida, tem no noticiário mundial. É bem verdade que sua prisão, por dirigir bêbada, foi um exemplo que a justiça norte-americana deu, mas ela sair da penitenciária desfilando para um batalhão de fotógrafos foi um pouco demais, não?

E agora, para quem me criticou por gostar de Preta Gil, uma reclamação sobre a baiana: aparecer com camiseta "Free Paris", pedindo a libertação da herdeira dos hotéis Hilton, foi ridículo.



Bebês-Pinóquio

Reprodução InternetLá vêm os pesquisadores ingleses de novo. A novidade agora é que eles concluíram que os seres humanos começam a mentir aos seis meses! Isso: bebês de seis meses, quando choram sem nada estar sentindo, apenas para conseguir o que querem, já estão nos passando para trás, dizem os estudiosos do Reino Unido.

Então amiga, além do seu marido chegando meia-noite em casa em plena segunda-feira, cheirando a cerveja e perfume barato da cabeça aos pés, mas jurando que estava jantando com o chefe, você ainda tem que se preocupar com a pequena criatura do quarto ao lado, que ainda nem fala, mas já pode estar tentando te enganar.

Aquela história que eu costumava ouvir de que criança não mente é, a história em si, uma mentira. Em quem vamos acreditar, então, meu Deus? Resta-me lembrar da frase clássica que um conhecido insiste em repetir: o ser humano é inviável. Desde o dia em que nasce, pelo visto.



Domingo, 1 Julho, 2007

Leia em O DIA

Na coluna Salto Agulha de hoje:

"De volta ao front - o difícil momento de virar solteira de novo"

Leiam e, por favor, comentem. Um ótimo domingo a todos.