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Cláudia Cecília

Quinta-feira, 30 Agosto, 2007

TODA MÃE É UMA PEÇA



Estavam minha jovem amiga, de 29 anos, e sua mãe, de 56, batendo papo na cozinha durante o jantar. Falavam da polêmica das cópias piratas do filme 'Tropa de Elite', que só estréia em outubro, mas já está à venda em todos os camelôs da cidade. Aí a conversa enveredou pelo talento de Wagner Moura, protagonista do longa-metragem. Foi quando a mãe da minha amiga se saiu com essa:

- Esse Wagner Moura é uma delícia!

E antes mesmo que a filha se refizesse do susto, a mãe completou:

- Pego fácil!

E a menina tapou os ouvidos, porque isso não é coisa que se ouça de mãe. Pobre de nós, que só porque parimos temos que reprimir a libido, pelo menos na frente das crianças.

As duas estão rindo da história até agora - apesar de a filha ter deixado bem claro que não se interessa por outras revelações do tipo, vindas de sua santa mãezinha. E Wagner Moura pode comemorar: está povoando o imaginário feminino dos 18 aos 80.

Ah, antes que eu me esqueça: faço minhas as palavras dessa mãe.

Divulgação TV Globo / Márcio de Souza

Já pra dentro, mamãe!


Terça-feira, 28 Agosto, 2007

FEITIÇO CONTRA FEITICEIRO



Banco de ImagensA gente fica aqui discutindo os relacionamentos, avaliando os comportamentos masculino e feminino, mas uma coisa é indiscutível: não tem nada mais de quinta categoria do que se vingar de ex depreciando publicamente seu desempenho sexual. Aliás, dar detalhes da vida sexual de um casal para geral é péssimo, se for para falar mal, então, pior ainda.

Pois na semana passada, vocês devem ter lido por aí, o ex-namorado da tenista-ultra-gata-russa Maria Sharapova foi à imprensa dizer que a musa das quadras se transforma numa múmia paralítica na cama. O sujeito garantiu que Sharapova, que grita feito gata no cio quando joga, é incapaz de emitir um sussuro sequer durante a transa e não admite que o parceiro o faça - exige silêncio absoluto, para não desconcentrar.

Bom, essa semana, depois de se dar conta da indelicadeza (para dizer o mínimo) que fez, o cara desmentiu tudo, muito provavelmente com medo do processo que ia tomar pelas costas. Mas aí já era tarde.

A leitura que ninguém fez e que pode ser a vingança de Maria - e, por tabela, a nossa - é: o sujeito é que nunca conseguiu arrancar um gemido da namorada. Maria ficava ali estática, pensando que o teto estava precisando de uma pintura, porque não havia estímulo suficiente, ora. Então, nós, defensoras da classe, decidimos que ruim de cama era ele.

Agora isso vale para nós também, amigas: muito cuidado com o que gente fala para derrubar o parceiro, porque isso é que nem bumerangue, vai e volta.



SALTO AGULHA TAMBÉM É CULTURA



Meninas,

Para que não fiquemos na ignorância, a leitora Ivone, muito gentilmente, nos ensina, a respeito da tecnologia que envolve os sutiãs:

"New Touch é um tecido leve, semi transparente com um toque muito agradavel que proporciona maior conforto no vestir. Apesar de leve, possui ótima sustentação sem comprimir, e com secagem rápida.

Espuma coenizada: é espuma prensada entre dois tecidos, em geral utilizada para dar sustentação e/ou volume aos seios."

Obrigada, Ivone, adoramos isso.




Segunda-feira, 27 Agosto, 2007

A SALTO AGULHA DESTA SEMANA



NOSSO VELHO AMIGO DE GUERRA

Se você ainda se faz a velha pergunta-clichê ‘aonde vamos parar?’ diante de cada novidade do tipo o-mundo-está-muito-mudado-mesmo, poupe-se. Primeiro porque, desculpem a sinceridade, são comentários típicos de quem está ficando velho e perdendo o ritmo para acompanhar a evolução e você não vai querer dar essas bandeiras. E segundo porque a resposta sempre foi óbvia: não vamos — nós, a humanidade, não eu você, claro — parar nunca em lugar algum. Tudo isso para contar a curiosidade da semana: um médico israelense desenvolveu uma nova técnica de cirurgia plástica, que vai entrar em testes em outubro. Trata-se do implante de um sutiã de silicone. Sim, esqueça as próteses do tipo almofadinha, essa cirurgia, batizada ‘Cup and Up’ — ou ‘para o alto e avante’, numa tradução livre —, consiste na implantação de uma prótese fina em forma de rede, que fica na base dos seios, e é sustentada por alças presas nas costelas com parafusos de titânio.
As vantagens, segundo a equipe médica, são o tempo da cirurgia (40 minutos), a ausência de cicatrizes (dois furinhos nas laterais) e a durabilidade da prótese, que seria muito maior do que a das convencionais — tem siliconada por aí reclamando que o peito cai de volta em um ano. Fora o efeito mais natural, de levantar sem inflar. As desvantagens, a concorrência, assim que estudar o caso, vai tratar de nos contar.

Agora, vejam vocês, vou eu aqui bancar a velhota nostálgica. Mas há 40 anos, outro dia, portanto, ser mulher de verdade era botar o peito pra jogo: queimar o sutiã na fogueira do feminismo e sair por aí balançando as tetas sob batas hippies e camisetas brancas. Depois, quando já estávamos praticamente umas índias, perdendo a visão do umbigo, descobrimos que o acessório era, na verdade, um grande aliado. Aí ganhamos uma infinidade de modelos e passamos a pagar fortunas por eles, que aumentam, diminuem, levantam, juntam, separam, fazem o diabo com os peitos, e, só para quebrar mais um galho, ainda enfeitam e auxiliam a montar o estilo que a gente quiser fazer: básica, lolita, romântica, fatal. Enfim, uma mão na roda, ou nas rodas.

Tenho amigas que compram uns sutiãs tão complexos que vêem com manual de instrução e uma delas está há mais de mês tentando se entender com as alças e as 352 maneiras de prendê-las. A outra tem o modelo especial do sábado à noite: é um daqueles ‘push-up’ com três regulagens na fivelinha que fica ali na frente, no meio. Aí ela sai de casa na regulagem 1, com os bichinhos mais afastados, tipo Camila Pitanga, que ninguém é de ferro. Se avista um gatinho, pula logo para a terceira fase, quando as duas partes praticamente se encontram, um momento Pamela Anderson. Se a coisa engrena e o carinha já se encantou, por exemplo, com o que ela tem a dizer, ela volta para a regulagem dois, para que, na hora de tirar, a diferença não seja muito gritante. E tem a outra que comprou um modelo mulher-maravilha, azul, com estrelas vermelhas que brilham no escuro, e garante que faz loucuras com ele. Com tantas e tão úteis funções, nem o silicone foi capaz de abalar o poder dos porta-seios, como diziam nossas avós.

O problema agora é decidir se nossa paixão pelos sutiãs é tão intensa que vamos topar transformá-los em parte do nosso corpo. A idéia de dar uma levantada sem parecer ter duas cascas de coco na comissão de frente me atrai. Assim como poder deitar sem que o peito se mantenha de pé, como se fosse massinha de modelar aplicada. Mas esse papo de parafuso de titânio nas costelas é assustador. Acho que, por enquanto, vou ficar com os meus de bojo em tecido ‘new touch’ e espuma coenizada, que são o que há, apesar de eu não fazer idéia do que isso signifique.



Quinta-feira, 23 Agosto, 2007

BARRACO PÚBLICO



Já que a gente está numa de se meter na vida alheia, vejam só essa: a Justiça de Minas Gerais condenou uma mulher a indenizar o ex-marido em R$ 15 mil por tê-lo enganado quanto à paternidade da filha, que não era dele. Enfim, pulou a cerca, engravidou, enrolou o marido e vai ter que pagar, literalmente, por isso. Muito justo.

O problema é que ela, para se defender, chamou o sujeito de gay e sexualmente bizarro. Em texto digno de tribunal, ela o acusou de "atos sexuais excêntricos e relacionamentos homossexuais". Resumindo, a criatura casou com uma bicha esquisita e achou que por isso podia ir fazer sexo normalzinho fora de casa, arrumar filho e enganar o cara.

A parte divertida é que ele diz que foi alertado por amigos sobre a possibilidade de a filha não ser dele. Tipo os caras deviam estar quase falando "a gente sabe que esse negócio de fazer filho não é muito a sua praia, então abre o olho".

Roupa suja se lava em casa, senão vira isso: a gente fica sabendo e faz piada. Pode ser muita maldade minha, mas eles merecem: isso não é papel que se faça em público.

Ah, e para fechar bancando a séria: mentir sobre paternidade é uma das coisas mais horríveis que nós, e só nós, mulheres, podemos fazer.




Quarta-feira, 22 Agosto, 2007

NÃO ME DÊEM IMAGENS

Divulgação / Fox Film

"Então, querida, vamos conversar?"


Essa eu ouvi no rádio: em entrevista recente, Angelina Jolie revelou que, quando ela e Brad Pitt querem discutir a relação, só há um jeito de isso acontecer. Para falar dos rumos do relacionamento, avaliar a criação dos quatro filhos, decidir quem paga as contas, reclamar que o leite está pela hora da morte ou qualquer que sejam os problemas do casal, eles se trancam no banheiro, tiram toda a roupa e então conversam, conversam, conversam.

Angelina Jolie diz que só assim - nus com a mão no bolso - os dois conseguem se concentrar e prestar atenção no que o outro tem a dizer.

Não vou nem entrar no mérito de 'discutir a relação', porque acho isso uma das maiores chatices que duas pessoas podem fazer. A questão aqui é outra.

Então você está trancada no banheiro - um senhor banheiro, diga-se de passagem - com Brad Pitt pelado e faz o quê, conversa? Concentra-se no que ele tem a dizer? Ah, me poupem esses dois.

Será que seremos nós que vamos ter que dizer a Jolie o que fazer com o maridão nos momentos de intimidade? A lista vai ser enorme...




Terça-feira, 21 Agosto, 2007

AGORA É QUE FICOU BOM



Divulgação / TV GloboUm amigo estava, ontem à noite, envolvido com a instalação de uma TV na cozinha, quando achou que estava silêncio demais no resto da casa. Foi checar se estava tudo bem e viu a filha de oito anos grudada em frente à TV da sala, sem nem piscar, assistindo à cena de 'Paraíso Tropical' em que Deborah Secco 'ataca' Wagner Moura. Apavorado, ele ordenou:

- Tira isso daí, já!

E ela respondeu:

- Mas agora que estava ficando bom?

Ele quase se descontrolou, mas conseguiu, apenas verbalmente, que a menina mudasse de canal. E passou a noite pensando que está ficando velho e com dificuldade de lidar com situações como essa.

Enfim, mas independentemente do fato de ser uma novela às nove da noite na TV aberta, e independentemente do problema de pais e filhos com isso, gente, o que foi aquela cena? E, gente, o que é Deborah Secco de calcinha e sutiã, humilhando a categoria de mulheres normais - em que me incluo - com aquele corpo irritante?

Não sou das que mais simpatizam com dona Deborah, mas temos que admitir que ali, de fato, a coisa estava ficando boa, bem boa. E a trama em si, da armação contra o casamento de Olavo, com ele algemado na cama, está bem divertida.

Agora, comentário nº 1: vocês repararam que, em meses de novela e cenas íntimas, não se viu o traseiro de Camila Pitanga em cena? Enquanto que bastaram dois dias de participação especial para a bunda de Deborah Secco aparecer várias vezes, uma delas de fio dental. Vocês saberiam dizer por que? Eu tenho minhas suspeitas, mas quem vai dizer são vocês. Aguardo respostas.

E comentário nº 2: todo mundo transa com Wagner Moura, quando é que a gente vai entrar na fila?




Domingo, 19 Agosto, 2007

LEIA HOJE EM O DIA

Na coluna Salto Agulha desta semana:

"É só uma questão de foco - por que os gays paqueram mais"

Dá uma olhada lá, mas depois, por favor, volte aqui e comente. Boa semana a todos!


Sábado, 18 Agosto, 2007

O ÓBVIO E O BIZARRO PARA FECHAR A SEMANA



Duas notícias chegam para nós. Uma daquelas que chovem no molhado e outra um tanto inusitada. A primeira veio daqui: pesquisa do IBGE divulgada nesta sexta-feira mostra que, vejam só, nós, mulheres, ainda somos as principais responsáveis pelas tarefas domésticas. Nove entre 10 mulheres se ocupam dos afazeres do lar, mesmo quando trabalham fora, enquanto que, entre os homens, só cinco de cada 10 fazem alguma coisa em casa, tipo lavar uma louça, passar uma vassoura etc. Enquanto a gente gasta 14 horas por semana cuidando da casa, eles gastam, no máximo, 8 horas. No trabalho, eles passam 27,8 horas semanais e nós, 26,1, o que prova que não somos compensadas em momento algum.

É claro que, até aí, nenhuma grande novidade, pelo menos não para nós, que ralamos em dobro.O curioso é quando a pesquisa chega em meninos e meninas de 10 a 17 anos: nessa idade, 83% das meninas já realizam tarefas domésticas, mas só 47% dos meninos o fazem. O que significa, claro, que a culpa é nossa: a gente reclama, reclama, mas ensina a filha a lavar a calcinha no boxe e deixa o filho jogar a cueca no cesto de roupa suja, como bem já discutimos por aqui neste blog.

Ah, uma curiosidade: militares e empresários são os homens que menos ajudam as mulheres em casa. E maridos com nível de escolaridade maior tendem a colaborar mais.

NÃO LAVAM LOUÇA, MAS TIRAM A ROUPA

Agora vamos ao inusitado: o grupo de strippers australianos 'Thunder From Down Under" está fazendo uma promoção na Cidade do México, onde foi se apresentar. Vejam só isso: as mexicanas que provarem que foram infiéis ao marido em 2007 podem assistir ao show dos rapazes peladões de graça! É só a mexicana chegar lá e contar sua história de traição. Achou mole? Então ouve essa: tem detectores de mentira no teatro, o que restringe a promoção às infiéis de verdade. O diretor do espetáculo diz que os maridos (os cornos em questão) vão agradecer, porque as mulheres costumam chegar em casa em ponto de bala depois dos shows.

Agora vamos juntar as duas coisas: depois de ralar 26 horas no trabalho e 14h em casa, quando é que a gente vai arrumar tempo para trair? E quem já tem marido e amante, precisa ir ver homem tirar a roupa no palco?

A outra gracinha é que as mexicanas devem estar tirando o couro dos maridos com ameaças tipo "se não fizer o que quero, vou lá, digo que te traí e ainda tiro umas casquinhas dos peladões".

Ah, se a moda pega.

Reprodução Internet

Quinta-feira, 16 Agosto, 2007

MENTIRAS SINCERAS ME INTERESSAM



Uma amiga ia a uma festa de pessoas do trabalho do marido. Gente muuuuito muderna e ela estava um tanto insegura sobre se se sentiria à vontade naquele ambiente. Minha amiga é uma mulher muito bonita, interessante, bem resolvida, mas de fato não faz parte do mundinho hype, dessa turma que se acha um tanto à frente do nosso tempo, mesmo que nem sempre esteja.

Pois ela decidiu que tudo bem, poderia até ser interessante habitar outro universo por algumas horas, se arrumou e foi ao encontro do marido. A poucos metros da porta , ele - um cara igualmente bonito, gentil, interessante, bem resolvido, um casal ótimo, enfim - se vira e diz:

- Essa roupa te envelhece...

Nesse momento a gente ouve aquela música incidental das novelas, tipo 'tcharam!', e espera para ver se ela vai ter um ataque de nervos, arrancar tudo e voltar para cama; se vai dizer 'ok, meu bem, vou me trocar rapidinho e volto', ou se vai respirar fundo, dizer 'é o que temos para o momento' e seguir em frente.

Minha amiga deu um olhar do tipo faca de ponta para o marido, respirou fundo, disse 'vamos' e passou a noite fingindo que insegurança não era com ela.

Considerando que o pobre do marido estava só sendo sincero e querendo ajudar, a questão que nem eu nem ela soubemos responder é:

Numa hora dessas, a gente prefere uma crítica sincera, construtiva e detestável ou um falso elogio que tão bem faz aos ouvidos?

Respondam, meninas.



Quarta-feira, 15 Agosto, 2007

A GENTE É O QUE REPRESENTA



Divulgação / Ag. NewsSábado à noite, antes de um vírus mala me acometer, fui ao show da Maria Bethânia no Canecão. Não tinha visto "Dentro do mar tem rio" da primeira vez em que esteve por aqui e fui conferir nesta segunda temporada.

Não sou do tipo fã de carteirinha de Maria Bethânia. Gosto de muitas coisas que ela fez, não gosto de algumas poucas e fui sem qualquer expectativa, já avisada de que alguns acharam que ela declama poesias demais.

Pois quando Bethânia apareceu, juro que, no auge de minha maldade, pensei: minha nossa senhora, como está feia e envelhecida essa criatura. Não consigo me acostumar com aquele cabelão grisalho à la índia boliviana e com os braços enrugados demais para quem está pouco acima dos 60. Mas, ao contrário das outras vezes, gostei do figurino que fazia alusão à Iansã: saia de shantung coral, com pregas batidas, e listras coloridas no meio, uma blusa de renda em ouro velho e um bolero de búzios dispensável, mas que não comprometia. Bethânia, apesar de estar uma versão pouca coisa mais nova de Dona Canô, sua mãe, estava bem vestida, chique.

Na segunda parte da apresentação, a baiana, ainda enrugada, ainda grisalha, volta com outra produção, agora representando Iemanjá: saia branca evasé de renda com microcristais Swarovsky, uma calça bem sequinha por baixo, e uma blusa tipo cache-coeur que aparentava ser de lycra, com bordado, tudo branco. Uma Iemanjá muito moderninha.

Divulgação / Ag. NewsEnfim, tudo isso para dizer que terminei a noite feliz com a óbvia - mas nunca demais - conclusão de que, felizmente, a gente é muito mais o que representa do que o que nossa aparência mostra. O show é incrível e, lá pela metade, eu já estava que nem Caetano: achando as músicas lindas, o cenário lindo, a banda linda e Maria Bethânia, a mais linda de todas. Grisalha, enrugada, índia boliviana, o que seja, Bethânia, por tudo o que é, é linda.

E isso vale pra gente também.




Terça-feira, 14 Agosto, 2007

A SALTO AGULHA DESTA SEMANA



Desculpem o sumiço, mas uma virose me deixou fora de combate. Com a saúde recuperada, vamos abrir os trabalhos com a coluna Salto Agulha publicada na Revista Tudo de Bom!:

QUEM PRECISA DE PESQUISA

Foi uma colunista de uma rádio de notícias quem comentou: uma pesquisa inglesa - talvez seja de outro país, mas não importa - foi tentar descobrir como são avaliadas a reações emocionais de homens e mulheres no ambiente de trabalho. E descobriram que a irritação é vista de forma diferente em ambos os sexos. Manifestações irritadas dos homens são vistas como sinal de comprometimento com o trabalho, preocupação, liderança. Manifestações de irritação das mulheres em ambiente profissional são vistas como ataque de piti mesmo. A pesquisa concluiu que, aos olhos de terceiros, mulheres são aquelas que misturam o emocional e o profissional, que levam problemas pessoais para o trabalho, que, como bem exemplificou a colunista, avisam que estão na TPM, justificam o mau-humor com a ausência da empregada, perdem tempo se preocupando com quem vai buscar as crianças na escola etc. A colunista deu razão à pesquisa no quesito ‘a gente mistura tudo mesmo’ e quando eu já estava pronta para espancar o rádio sem acreditar no que estava ouvindo, ela fez a ressalva: que jeito nós temos, já que é essa a nossa realidade? Suspirei aliviada e resolvi endossar a colega do dial. É mole dizer que nós somos as afetadas, problemáticas, as que querem bancar os homens mas sempre se comportam como mulherzinhas.

É mole olhar para o homem e ver o profissional e olhar para a gente e ver a histérica. Não vou travar aqui outra batalha contra o sexo masculino - que tanto amamos, que fique bem claro -, mas vamos só fazer umas perguntas a esses pesquisadores que chegaram a tal brilhante conclusão e às pessoas que, com suas respostas, fizeram a pesquisa ter o resultado que teve. Antes, vamos esclarecer que estamos conversando no nível nas generalizações, porque nada é mais generalizado do que essas teorias. Então, vamos lá: sim, nós somos as que misturamos tudo, mas quando a empregada não aparece para trabalhar, de quem é o problema? Quando a babá resolveu prolongar o fim de semana, quem tem que se virar como bebê abandonado? Quando a criança quebra a cabeça ou arde em febre na escola, para o trabalho de quem a professora liga? Quem a diretoria da escola acha que estará disponível para ir à reunião de pais na quarta-feira, às três da tarde? E a quem Deus presenteou com uma revolução hormonal mensal cuja conseqüência tem três letras maiúsculas? Se você respondeu ‘a mulher’, ‘para a mulher’ ou ‘da mulher’ para todas as perguntas, parabéns!, você está mais esperto (ou esperta) do que os pesquisadores ingleses.

Só nos resta a resignação

E aí ainda temos, como diz a expressão da vez, que 'chupar essa manga'. A gente está cansada de saber que o estereótipo profissional é 'o homem soca a mesa, a mulher chora', mas nada é mais velho do que isso. Cabe a nós continuarmos a nos esforçar, a bancar a supermulher para acabar com essa imagem. Ok, as lágrimas vão rolar em uma crise ou outra, vamos gritar para toda a repartição ouvir toda vez que ligarmos para casa e descobrirmos que o caçula besuntou a televisão com toddy e manteiga e está rindo da cara da avó, e, em algum momento, vamos nos pegar contando detalhes do cocô do bebê para o pediatra no telefone do trabalho. Vamos ter nossos ataques de ‘mulherzice’ e dar um fora no colega da mesa ao lado só porque acabamos de nos olhar no espelho do banheiro e perceber que estamos gordas e com olheiras, mas, poxa vida, não é isso, só isso, que faz de nós profissionais piores. Os pesquisadores que nos perdoem, mas irritadinhas ficavam as avós deles.



Quinta-feira, 9 Agosto, 2007

SÓ PAIS TRABALHAM, PENSAM AS ESCOLAS



Cuidado se você for pego por um ataque de mau humor feminino esses dias. Há várias mulheres enciumadas e revoltadas com a programação das festinhas escolares de Dia dos Pais. Muitas foram marcadas para o fim da tarde de sexta-feira, outras, para a manhã de sábado, de modo que os orgulhosos pais não terão problemas no trabalho para comparecer às homenagens feitas por seus filhos. Até aí, tudo bem, tudo ótimo, é assim mesmo que tem que ser feito. Por que, então, a irritação das mães?

Porque as nossas festas, as das mães, são sempre às terças, quartas ou quintas-feiras, às dez e meia da manhã ou três da tarde!!!!! O que só pode significar que, em pleno ano de 2007, século XXI, as escolas pensam que só os pais trabalham!

Em maio, minha irmã leu um bilhete na agenda escolar da minha sobrinha, de três anos, informando que naquela semana haveria, às três e meia da tarde, uma festinha para Nossa Senhora (a escola é de freiras). Minha irmã falou algo tipo 'olha, filha, que legal' e pronto. Até ligarem para ela, na tal tarde da festa, avisando que minha sobrinha estava aos prantos porque era a única criança sem mãe no evento. Como é que ela ia adivinhar que tinha que ir prestar homenagens à Nossa Senhora em pleno dia de semana à tarde?! E o pior é que aquele estava sendo o terceiro compromisso a que as mães eram convocadas naquele mês, que já tinha tido festa das mães e reunião de pais. Então a escola acha que nós, mães, podemos virar para o chefe e dizer 'tchau que vou na escola da minha filha' três vezes no mesmo mês, sem que nada nos aconteça. Como se nossa presença no trabalho fosse meramente figurativa, uma vez que nossas tarefas, sem qualquer importância, podem ser interrompidas a qualquer hora.

Aí isso gera frustração na mãe, que morre de culpa de não poder participar, e frustração na criança, que fica tensa com a possibilidade de a mãe não ir ou fica arrasada porque a mãe, de fato, não foi.
Quando escolhi a escola da Maria Clara, uma das coisas que procurei saber foi quando eram feitas as festinhas. São todas - dia das mães, dos pais, festa junina etc. - aos sábados, e isso pesou muito na minha decisão.

Acho que deveríamos pensar bem nisso e cobrar.




Terça-feira, 7 Agosto, 2007

GLÓRIA PIRES X LUCIA, O RETORNO



Divulgação / Ag. NewsOntem foi a festa do Prêmio Contigo de Cinema e aí está Glória Pires, ao lado do marido, Orlando Moraes, com um visual de sua própria responsabilidade (até que nos provem o contrário).

Diante desta imagem, o que podemos dizer das figurinistas de 'Paraíso Tropical'? Lúcia está muito melhor do que a gente imaginava.

Ah, Glória ganhou o prêmio de melhor atriz pelo trabalho no filme 'Se eu fosse você', ao lado de Tony Ramos. Boa atriz, a gente sabe que ela é.



Segunda-feira, 6 Agosto, 2007

A SALTO AGULHA DESTA SEMANA



QUE DIREITOS IGUAIS QUE NADA

Rolou uma certa polêmica essa semana com a história de primeiro encontro de uma amiga tipo jovem fofa descolada. Ela havia conhecido o gatinho em um show numa quarta-feira qualquer e uma conversa despretensiosa acabou em um surpreendente pega. Mais surpreendente ainda foi quando o gatinho, tipo muito jovem muito fofo muito descolado e disputado, ligou dois dias depois convidando nossa amiga para sair. O que, vamos combinar, dá uma certa empolgação, uma vez que não é qualquer um que depois de uns beijinhos num show chama para sair no sábado à noite. Pode parecer meio velho isso, mas sábado à noite sempre confere uma importância maior ao encontro. Não é a mesma coisa que chamar para sair na terça ou quarta. Mas vamos voltar ao casal e seu primeiro encontro. A noite começou no cinema. Quando ela chegou, ele estava às voltas com uma menina de rua, e ela então pagou as entradas. Saíram do cinema e ele a convidou para jantar, sugerindo o restaurante. O jantar foi ótimo, a conversa, melhor ainda, e o encantamento pairava no ar. Até que veio a conta, ele olhou, fez uma expressão de espanto (tipo ‘uhhh’), sacou o cartão de crédito e deu ao garçom, que perguntou quanto ‘tiraria’ ali. E o rapaz respondeu ‘metade’. Foi quando nossa amiga sacou o cartãozinho dela e pagou a outra metade.

A discussão começa agora. Dois terços de nós, o grupo que resolveu debater a noite da colega, achou o fim da picada o sujeito não pagar a conta. Um terço achou normal, sinal dos tempos, igualdade entre os sexos, coisa e tal. E antes que alguém especule, aviso: faço parte do primeiro grupo. Ah, gente, numa boa, igualdade não significa falta de cavalheirismo, de gentileza. Nada impede a moça de pagar o próximo jantar e, se o namoro for adiante, de eles passarem a dividir as contas, ou se revezarem, o que seja. Mas o sujeito convidar a menina para jantar, sugerir o restaurante e mandar um ‘metade’ para o garçom é de quinta. Manifestar espanto com o valor da conta, então, imperdoável. Aí um defensor argumentou que, tendo 20 e pouquinhos anos, o rapaz poderia ser duro. Não era o caso. Nosso garotão em questão é muito bem nascido, trabalha e tem um salário global, se é que vocês me entendem. E se não fosse — e aí vai um recado para os duros —, convidasse para uma pizza, um cachorro-quente no trailer da esquina, o programa mais simples que fosse, desde que pagasse. Pelo menos na primeira vez.

Estou quase fazendo um movimento ‘meninas, exijam cavalheirismo’. Não estamos aqui falando de grana, mas de gentileza, de fazer questão de passar uma boa imagem. As feministas radicais podem tentar nos matar, mas essa idéia de que nós queremos ser iguais aos homens foi a maior furada que já se divulgou sobre nós. Queremos, sim, um monte de coisas antes exclusivas ao universo masculino, mas queremos, acima de tudo, ser mulheres e tratadas como tal. Queremos que o homem que nos convide para sair pague a conta — mesmo que seja a conta de dois picolés na barraquinha da praia — para que nós possamos pagar a conta seguinte e assim estabelecermos uma troca de gentilezas. Queremos que eles abram a porta do carro, assim como queremos lhes mandar rosas no trabalho sem que isso vire piada. E esses são só alguns dos muitos exemplos.

Passado o discurso, voltemos à história: nosso amigo indelicado acabou perdendo. A jovem fofa descolada nem mesmo quis ir esticar na casa dele. O sujeito morava longe à beça e vai que nem a carona de volta ele oferecia, então ela achou melhor não arriscar. Dançou ele. Bem feito.



Sexta-feira , 3 Agosto, 2007

AS ROUPITCHAS DE LÚCIA



Márcio de Souza / Divulgação TV Globo Revolta fashion: alguém poderia esclarecer por que raios as figurinistas de 'Paraíso Tropical' estão fazendo isso que estamos vendo com a Glória Pires? Não somos nós que vamos aqui fazer discurso em prol de atrizes magérrimas. Mas também não vamos fingir que não pensamos que Glória Pires poderia perder uns quilinhos, porque esse formato quadradinha está envelhecendo a moça. Mas já que ela está com esse visual, digamos, mais cheinho, o figurino podia ajudar, né?

Quando, no capítulo de quinta-feira, Lúcia chegou para Antenor, pronta para ir ao show/jantar black tie, e perguntou o que ele tinha achado de seu modelito, a vontade foi de chorar. O vestido só não era mais feio do que o do casamento, que fez Gloria Pires parecer uma velhota. Tudo bem que ela casou com o Toni Ramos, mas nem o visual de Renée de Vielmond era tão careta.

O povo lá no Projac está gastando toda a criatividade com a Bebel.



Quinta-feira, 2 Agosto, 2007

RESULTADO DE PROMOÇÃO



Aí vão os ganhadores da promoção Festa Ploc 80's:

Ganharam um CD cada da Festa Ploc 80's:

ReproduçãoFabiana (fabiana.cardoso@odianet.com.br)

M.M.


Ganharam um DVD cada da Festa Ploc 80's:

ReproduçãoIone (im.heilmann@uol.com.br)

Dani França (dfsilva@sulamerica.com.br)




Agora um recado ao M.M: preciso que você publique um comentário com seu endereço de e-mail para que eu possa entrar em contato e acertar a entrega do prêmio. Ou então mande um e-mail para ccecilia@odianet.com.br. As meninas receberão e-mails meus em breve.

Parabéns e obrigada pela participação!




Quarta-feira, 1 Agosto, 2007

O ANIVERSÁRIO É MEU, MAS QUEM GANHA É VOCÊ



Amigos, podem ficar tranqüilos que, depois de toda a piada, depois da crise histérica, depois do ataque de frescura, estou bem feliz hoje, completando meus 39 anos com a auto-estima em dia. E depois de tudo o que vocês me disseram, cortei o cabelo 'chanel francesinha', com uma discreta franja jogada para o lado, segundo explicou meu 'hair stylist' (cabeleireiro é coisa de quem não lê revista de celebridade), não estou nem lembrando que os 40 anos estão mais próximos do que nunca e, mesmo que me lembre, será uma lembrança agradável. Como vocês podem ver, sou uma colunista que obedece os leitores.

Agora chega de bobagem e vamos ao que interessa. Em homenagem à minha adolescência, feliz e orgulhosamente passada nos anos 80, vou aproveitar a data, que pede presente, para lançar a promoção: leitores do blog Salto Agulha vão ganhar 2 Cd´s e 2 DVD´s da Festa Ploc 80's.

ReproduçãoPara quem não sabe ou quem não é do Rio, a Festa Ploc 80's já acontece há alguns anos por aqui e é feita por quem e para quem curte tudo de pior que ouvimos e cantamos nos anos em que minha geração mais se esbaldou. Preparem-se, então, porque o CD e o DVD têm pérolas que vão desde Guilherme Isnard, do Zero, cantando "Carta aos Missionários", do Uns e Outros; e Fernando Deluqui, do RPM, com "Nós Vamos Invadir sua Praia", do Ultraje, até Gretchen com 'Conga Conga Conga', dela mesma, e Byafra, com "Leão Ferido".

Então a promoção é: quer ganhar CD ou DVD da Festa Ploc 80's?

Faça um comentário divertido sobre a década mais brega do século. Os dois primeiros sorteados levarão um CD cada, os dois sorteados seguintes levarão um DVD. O sorteio e o resultado saem nesta quinta-feira. Boa sorte!