Ontem minha filha fez dois anos e se tem uma coisa que entra definitivamente no repertório das mães é a frase ‘nossa, como passa rápido’. Filhos têm esse pequeno defeito: o poder de, mais do que qualquer coisa ou pessoa, nos mostrar como o tempo voa. Ou vai me dizer que vocês não têm a sensação de que foi ontem que eu estava aqui perturbando meus pacientes leitores com as inéditas experiências da gravidez? Essa semana quase matei, mesmo, uma senhora de seus 75 anos de susto. Fazíamos hidroginástica juntas quando eu estava grávida e nunca mais nos vimos. Aí, há uns cinco dias, cheguei com Maria Clara para a natação e ela não disfarçou a surpresa quando viu a criancinha andando de roupão da Cinderela e óculos escuros – sim, tenho uma perua em casa – e falando pelos cotovelos. O espanto da senhora foi tão grande que acho que ela chegou a duvidar de que estivesse realmente viva, uma vez que dois anos se passaram e ela nem percebeu.
O pior é que, não satisfeitos em nos dar esse choque diário de realidade apenas com a aparência em constante mutação e a evolução natural das habilidades físicas e psíquicas, os filhos fazem questão de serem explícitos, para não correr o risco de a gente fingir que não percebe. Já tem uns quatro meses que fui informada das mudanças que estavam ocorrendo debaixo do meu nariz mas eu me recusava a enxergar. Foi no dia em que liguei para casa e a criança, naquele momento com 1 ano e oito meses, atendeu o telefone. Depois do ‘alô’ mais fofo que eu poderia escutar na vida, respondi, toda melosa: “Oi, minha bebezinha, tudo bem?”. E ouvi de volta: “Não é bebezinha, é Maria Clara”. “Ah, tá, desculpa”, foi tudo o que eu consegui, em absoluto estado de choque, dizer em seguida.
E quem, diante da imagem romântica que se faz e se tem da maternidade, pode imaginar que, antes mesmo de se completarem dois anos depois do parto, você já estará, por exemplo, levando um fora? Isso foi em outro telefonema, dia desses, em que ela atendeu dizendo que um de seus programas preferidos da TV tinha terminado naquele instante. “Mamãe, acabou vaivai”. Para quem não tem intimidade com o universo infantil, vaivai é a maneira que bebês, ops, desculpa, que meninas encontraram de dizer ‘Hi-5’, o nome do tal programa com adolescentes meio bobalhões que as crianças amam. Pois bem, ela tinha acabado de me dar essa notícia e eu, ridiculamente comovida e insistentemente melosa, respondi: “Acabou, meu amor? E agora?” “Agora estou falando no telefone”, foi a resposta. Pude, acreditem, perceber ligeiro tom de indignação, como quem dissesse “como assim ‘e agora’?, você não percebeu o que eu estou fazendo agora?”. “Ah, tá”, foi novamente o que me restou dizer.
Fora a constatação patética de que, em 24 meses, você já pensou em correr para um psicólogo umas cinco vezes pelo menos. Coisas de mães modernas, claro, porque as nossas resolviam essas questões que nos atormentam com sessões de análise em que quem mais falava era o chinelo. Mas como temos conceitos muito mais pacíficos (e ineficientes) de educação, ficamos sem saber o que fazer quando, por exemplo, perguntamos ao filho, no caso, à filha, o que ela fez na escola e a resposta é: “Mordi a Carol e chutei o Hugo”. Me diz se isso não é motivo para uma crise imediata? Felizmente a mãe inexperiente aqui descobriu que era fantasia da cabeça da pequena praticante de luta-livre e nenhuma dessas agressões havia de fato acontecido.
A conclusão aqui é que dois anos de maternidade servem para descobrirmos como conseguimos nos transformar em pessoas capazes de acertar mais do que errar num dia e errar mais do que acertar no outro e, o melhor, se acostumar com isso. E que, por mais jovens e modernas que sejamos, filhos vão sempre nos fazer sentir pré-históricas. Mas que essa é a maneira mais deliciosa de se transformar num dinossauro.
Disse ao telefone: “Oi, minha bebezinha”. E ouvi de volta: “Não é bebezinha, é Maria Clara
Eu, na condição de pessoa que trabalha em horário alternativo, até tarde da noite, que mora longe do grande centro urbano, que tem filha pequena, está sem babá folguista e não consome produtos piratas, só consegui assistir a 'Tropa de Elite' ontem, no meu primeiro dia de férias. E a primeira coisa que tenho a dizer sobre o filme é:
EU AMO O WAGNER MOURA!!!!!
Gente, o que é o Capitão Nascimento? Chega a ser chover no molhado dizer que Wagner Moura está tudo, porque, pelo visto, ele é tudo o tempo todo. Ai, ai.
Agora fazendo as considerações mais sérias, vou me limitar a dizer que o filme é excelente e acho uma grande besteira quem perde tempo discutindo teorias sobre facismo ou coisa que o valha. É, sim, ficção com boas doses de realidade, mas insistir que é uma defesa da tortura e de práticas pouco ortodoxas de combate ao crime me parece exagero. Mostrar não quer dizer defender.
Mas, enfim, vamos voltar às amenidades: a direção de elenco é perfeita e fica até difícil saber quem se sai melhor atuando, além, claro, de Caio Junqueira, o Neto, e André Ramiro, o Matias, que mandam muito bem.
Adorei e acho que quem viu em casa deve rever no cinema. Wagner Moura em dimensões ampliadas e no escuro só melhora.
Em uma semana de correria, daquelas que você tem certeza de que dias de 24 horas jamais serão suficientes para fazer tudo o que nos aparece pela frente, a Salto Agulha decidiu que todos nós temos que ter sempre à mão uma lista de coisas que precisamos, devemos, temos que fazer para não enlouquecermos. Porque se a gente dá mole, quando vê, está afogado na rotina e aquela tentativa de ter um mínimo de qualidade de vida passa longe. E com a expectativa de que vamos cada vez viver mais, com a idéia de que fazer 100 anos será uma realidade para muitos, é bom que comecemos a nos preocupar em como queremos chegar lá. Porque não adianta nada ter 95 velinhas em cima de um bolo se não houver mais forças para apagar nem cinco delas. Ok, ok, estou começando a ficar dramática e a idéia não é essa. A proposta aqui é seguir aquela propaganda que diz que o melhor plano de saúde é viver. Então, a coluna vai tomar a liberdade de dizer que, para viver bem, a gente precisa se dar o direito de, às vezes:
Não ter hora para acordar uma vez por semana. Não ter hora para dormir uma vez por semana. Dormir fazendo conchinha (ou colherzinha) com quem se gosta de dormir no mínimo outras duas ou três noites.
Esquecer o excesso de informação que nos reprime e comer churros, cuscuz com muito leite-condensado em cima ou 10 bombons de uma vez só sem culpa.
Tirar algumas horas por mês para bater perna, ver vitrine, olhar as pessoas na rua, prestar atenção aos lugares por onde se anda, sorrir para quem não se conhece e dar bom dia para quem nunca se viu. Já repararam como somos capazes de, num olhar mais atento, perceber um detalhe que nunca tínhamos visto antes na mesma paisagem diária?
Fazer fofoca, falar besteira, contar piada grosseira, bancar a fútil e todos os deslizes politicamente incorretos que podemos cometer desde que não levados a sério e sem ofender ninguém.
Chorar só por chorar.
Sentar diante da TV e assistir ao que estiver passando sem raciocinar. Passar bons minutos sem raciocinar. Desligar a TV e descobrir todas as outras coisas boas que se pode fazer em casa com a TV desligada.
Namorar seu marido, bancar a esposa do namorado, ser amiga dos filhos, dar bronca nos pais e esquecer, por algum momento, quem você é de verdade.
Almoçar com as amigas, jantar com os amigos e cair no lugar-comum de se divertir com as lembranças do passado sem medo de parecer saudosista ou velha.
Entrar para a academia, se empolgar e se orgulhar. Largar a academia, se desculpar e se envergonhar. Repetir o ciclo todo ano até tomar jeito de uma vez.
Fazer planos, muito bem definidos, de como gastar os milhões que você vai ganhar na MegaSena, mesmo sem ter jogado.
Reclamar de trabalhar muito, orgulhar-se de trabalhar muito e resignar-se de trabalhar muito, alternadamente, claro.
Gastar mais do que devia, beber e comer mais do que devia, beijar na boca e transar com mais gente do que devia e não se arrepender jamais.
Guardar o último item da lista para alguma coisa só sua, um segredo guardado entre você e as forças ocultas que regem o universo.
E aí, de posse de uma lista dessas e fazendo valer suas regras com alguma freqüência, você pode, numa semana em que não se consegue tempo nem para tomar fôlego, parar e pensar que a vida, a sua vida, é boa e vale a pena. Estou piegas de doer hoje.
Se vocês achavam que eu já tinha provocado toda a inveja que poderia provocar essa semana com minha (falsa) intimidade com o Dudu Azevedo, aí vai mais uma:
Estou, aos 27 minutos deste sábado, saindo de férias!!!
Serão só 20 dias, mas não pretendo, de forma alguma, abandonar este blog. Mesmo que a freqüência diminua, por favor, não me abandonem também.
Não é porque vou passar três semanas indo à praia, dormindo de tarde, pegando sessão de cinema às três, levando e buscando minha filha na escola, passando de bicicleta em frente à casa do Dudu Azevedo e, às vezes, se der tempo, não fazendo absolutamente nada, que mereço ser rejeitada.
Bom fim de semana a todos. Ah, domingo tem coluna. Beijos
Fosse meu esse corpitcho, eu não voltaria a trabalhar nunca mais!
Vocês me desculpem, mas essa eu tinha que contar: eu vi esse menino, o Dudu Azevedo, só de fraldinhas andando pela casa. Váaarias vezes. Dos meus 12 aos 15, 16 anos, freqüentei a casa dele, porque seu irmão mais velho (bem mais velho) era um dos meus melhores amigos de escola e de bairro. E lá estava Dudu, dos dois aos seis anos, brincando e fazendo gracinhas. Muitas vezes, só de fraldinhas.
Há uns dois anos, reencontrei meu queridíssimo amigo e descobri que o ator principal do filme 'Pode Crer' (o primeiro trabalho de destaque dele) era o Dudu, o Duduzinho que eu via de fraldinhas e que agora está na novela das oito fazendo indecências com a empregada. E que, mais de vinte anos depois, continua sendo meu vizinho, só que, acreditem, em outra cidade, num bairro a 40km de distância do que morávamos antes.
Confesso que estou, desde então, lamentando não ter acompanhado esse crescimento. Nem ter esbarrado com meu vizinho, agora tão crescidinho. Vocês já viram Dudu sem camisa? E fazendo strip tease em 'Toma Lá Da Cá'? Então, vejam:
Flávia Alessandra é a notícia da semana. Primeiro por sua chegada à nova novela, no papel de uma enfermeira que vira dançarina de boate à noite (haja fetiche). E agora porque descobriram que um site de garotas de programa inglês usa fotos sensuais da atriz - feitas para o Paparazzo - para anunciar uma de suas meninas, o que é um absurdo total (veja reportagem do Dia Online aqui). Os caras devem pensar "vamos pegar umas mulheres desses sites brasileiros que ninguém vai perceber" e agora vão tomar um belo processo. Tomara que Flávia ganhe rios de dinheiro com isso para essa gente aprender.
Mas nós, como somos meninas muito más, faremos de Flávia o sujeito de um terceiro assunto. Nada, nem a estréia na novela nem a fraude de que foi vítima, justifica esse modelito com que a atriz apareceu numa festa daquelas que contratam famosos para fingir que são convidados. Alguém pode, pelamordideus, me explicar o que é essa roupa? Alguém pode avisar à moça que, de vez em quando, sutiã faz falta?
Uma amiga um pouco mais nova veio me contar, indignada, que vai ser tia-avó. A sobrinha de 19 anos está grávida, do ex-namorado, para, obviamente, espanto da família, que sempre leva um tempo para absorver o impacto. A menina mal tinha acabado o segundo grau e agora os planos de faculdade foram adiados. Não vai casar — nem deveria mesmo, já que não há relacionamento com o pai —, não tem como arranjar emprego grávida e vai continuar morando com a mãe, repetindo história que já estamos cansadas de ver neste país de adolescentes parideiras. Mas o que mais espantou minha amiga tia-avó é que a menina está na mais absoluta felicidade e suas amigas no Orkut não só enviam mensagens de apoio e felicitação como chegam a falar em ‘invejinha boa’, como se gravidez aos 19 anos não fosse o menor problema para elas.
Há tempos tenho vontade de falar sobre isso e achei essa uma boa chance. Enquanto insistirmos na teoria de que nossas jovens engravidam precocemente por falta de informação e enquanto acharmos que programas educacionais sobre prevenção e métodos anticoncepcionais, além de distribuição de camisinha, são a forma de combater os índices alarmantes, vamos continuar tendo um monte de crianças botando crianças no mundo. Gente, não é de hoje que essas meninas nos mostram que sabem exatamente o que estão fazendo e nós teimamos em achar que não. A questão não é de informação, é de cultura e educação.
Por que as meninas das comunidades mais carentes engravidam cada vez mais cedo? Porque não lhes resta o que fazer. Deixaram de ser crianças e perderam status na sociedade. Não têm um projeto escolar, não teriam a audácia de pretender fazer uma universidade, ficaram sem função naquele núcleo que habitam. Aí viram mães e ganham posto dos mais nobres. Quando conseguem se juntar com os pais da criança, chegam ainda mais longe: são também donas-de-casa. Sabe Deus e sabem elas a que custo, mas é melhor do que não ser nada. Elas se orgulham de suas barrigas, fazem inveja às amigas e serão imitadas pelas mais novas.
E as meninas de classe média? Elas não precisam de filhos para ganhar status, mas, por incrível que pareça, ainda conseguem ver glamour nessa situação. De alguma forma, se diferenciam das amigas, porque ao contrário da outra realidade, ela será exceção entre seus pares. E quando não se quer fazer esforço para sobressair em outros setores da vida — sendo uma ótima aluna, por exemplo, ou investindo cedo em uma carreira —, ser mãe é uma forma romântica de se destacar. E a diferença é que essas não vão saber nunca o verdadeiro preço que deveriam pagar por isso.
Porque, ao contrário das meninas carentes, que em raras exceções podem contar com o apoio financeiro e até emocional de suas famílias, as meninas de classe média engravidam, têm filhos e acabam mantendo a mesma vidinha confortável de antes, salvo um caso ou outro. Por maior que seja o susto dos pais — e futuros avós —, por mais que eles discordem da situação, por mais raiva que tenham num primeiro momento, acabam usando todos os recursos de que dispõem para ajudar seus rebentos sempre que precisarem. Quem é que vai deixar uma filha e um neto — sempre um bebê irresistível — passar dificuldade se se pode ajudar? Não estão errados e talvez nem tenham errado antes. Mas assim fica cada vez mais difícil mudar nossa posição de país em que mais jovens engravidam. Eu não tenho a solução. Em casa, pretendo educar muito, informar mais ainda e rezar com fervor. E que Deus me ajude.
A baixa audiência de 'Duas Caras' é assunto em tudo o que é suplemento cultural do país e há até discussões em sites de comunicação sobre se isso seria um indício do fim da massificação, se a TV estaria, enfim, perdendo terreno para outras mídias etc. Como não somos nós os teóricos da comunicação e nem estamos aqui para fazer análises complexas de nada, vou apelar para a minha simples caretice e implicância para tentar justificar os 35 pontos de audiência da nova novela das oito.
Já resmungamos aqui do triângulo amoroso vivido por Susana Vieira, Herson Capri e Renata Sorrah. Nada contra o amor maduro, mas é muita falta de carisma para três protagonistas. Ninguém se imagina torcendo para que Herson Capri escolha Susana ou Renata, porque pra gente tanto faz.
Os diálogos são chatos, as cenas, arrastadas, e sobra miséria e gente feia. E, numa boa, se não é documentário, a gente não precisa dessa overdose de realidade, porque, para isso, basta abrir a janela.
A falta de cuidado com o texto, resvalando para a grosseria, incomoda. Não sei vocês, mas a mim me dá uma certa gastura ouvir o Otavio Augusto dizer que vai "dar uma barrigada" e fazer caretas de dor-de-barriga e Marília Pêra avisar que o marido da cunhada vai continuar "mijando fora do penico". Também não é para ouvir isso que eu ligo a TV.
Fora as dúvidas que nos assolam. Por que Marília Gabriela não abre a boca para falar? Se um cirurgião plástico fez uma megatransformação no rosto de Dalton Vigh, para 'matar' o homem que ele era antes, como é que volta o próprio Dalton Vigh, com duas camadas a mais de pancake e o cabelo penteado? Se a primeira fase da novela era em meados dos anos 90, que figurino era aquela da Marjorie Estiano e por que raios ela foi de trem para São Paulo? E por que tinha fog na estação de trem? Ela estava em Londres?
E, por fim, ninguém, ninguém nesse mundo merece assistir aos shows de interpretação de Dalton Vigh e Oscar Magrini juntos. Dalton Vigh e Oscar Magrini na mesma novela é o máximo que poderíamos suportar. Na mesma cena, só desligando a TV.
Nossa esperança é que Aguinaldo Silva use de toda a sua esperteza e talento para virar esse jogo. Quem sabe se isso não acontece com a chegada de Lázaro Ramos, Flávia Alessandra e Alinne Moraes? Porque não vai ser com 'Sete Pecados' - inacreditável - e 'Eterna Magia' - inexplicável - que vamos no conformar.
"Calma, meninas, eu sou o herói que vai salvar esta novela"
Essa semana, o Ibope Mídia Brasil apresentou uma nova pesquisa sobre o comportamento e os hábitos do homem do século XXI ou, como eles mesmos resolveram batizar, o Novo Homem. Claro que não podemos ignorar o que eles têm a nos dizer. Nós, as maiores interessadas, sabemos que um servição assim, de bandeja, não pode ser desprezado. Então, vamos aos fatos e às nossas considerações. De cara, a pesquisa conclui que eles, os representantes do sexo oposto, deixaram de ser Super-Homem para virar o Neo, de ‘Matrix’. Não sei vocês, mas isso me confundiu um pouco, até porque ‘Matrix’ é coisa para iniciados, de forma que resolvi analisar essa informação superficialmente. Então ficamos com Christopher Reeve, o Super-Homem mais famoso para a minha geração, como exemplo de homem do passado e Keanu Reeves, o homem do presente, o que, na minha modesta opinião, já é motivo para comemorarmos — sempre achei Keanu Reeves tu-do. A pesquisa menciona a “personalidade mais flexível” de Neo, mas achei que isso dá margem a muitas interpretações, daí que decidi mudar de tópico e voltar aos números, que são mais precisos.
Então, meninas, anotem e decidam o que fazer com essas informações. No Brasil, 48% da população são homens — nascidos sob o sexo masculino, que fique bem claro. Entre eles, 44% são casados, o que significa que, em cada grupo de 10 homens, 5 ou 6 estão na pista. Isso seria uma ótima notícia, não fosse o fato de que temos que descontar os gays, coisa que a pesquisa não fez. Mas não desanimem, amigas: há mais homens solteiros do que mulheres, ao contrário do que imaginávamos. E se você está atrás de sua cara metade, a fim de constituir família, fuja de Curitiba, onde o percentual de sujeitos com aliança na mão esquerda é maior, e corra para Salvador, onde os desimpedidos são maioria: 71%.
Tem as boas notícias, como “para o novo homem a cozinha ganhou importância” e os homens de Porto Alegre são os maiores gourmets; tem as más notícias, como a que diz que 21% dos brasileiros ainda pensam que lugar de mulher é dentro de casa, e aquelas em que os entrevistados mentiram e só os pesquisadores não perceberam. Ou você acredita nos 93% dos homens que disseram que suas parceiras podem contar com eles em qualquer situação, incluindo atividades domésticas e cuidado com os filhos? Isso seria o mesmo que dizer que em cada 10 homens, 9 dividem todas as tarefas com as mulheres e a essa altura vocês, queridas amigas, já devem estar rolando no chão de tanto rir. Ah, sim, também teve os 97% que disseram estar satisfeitos com sua vida sexual, o que me parece outra mentirinha deslavada.
Agora, o grand finale, o melhor momento, o da nossa vingança. Vocês sabiam que os homens gastam em compras pessoais — leiam-se roupas, acessórios, produtos de higiene e beleza — 15% a mais do que nós, mulheres? E que a média de gasto mensal com cartão de crédito é de R$ 482? Pois é, eles vão menos às compras, mas, quando vão, gastam mais e não se importam de pagar caro se estão certos do que querem. Isso é para a gente guardar e mostrar toda vez que nos acusarem — muito injustamente — de consumistas. Agora, sim, adorei esse novo homem. Quero vários.
Fernanda Montenegro deu entrevista de lançamento do filme 'O Amor nos Tempos do Cólera", adaptação do livro de Gabriel García Marquez dirigida pelo inglês Mike Newell, que teve pré-estréia ontem no Festival do Rio.
A parte boa dessa história é que, no filme, Fernanda é mãe do personagem vivido pelo ator espanhol tudo-de-ótimo Javier Bardem. Daí que, no meio da entrevista, nossa dama da dramaturgia nacional definiu assim seu companheiro de set:
"O Javier parece os touros eróticos de Picasso. Ele tem um apelo erótico sobre as mulheres. Não sei se sobre os homens.... Mas isso deve ser um carma para ele"
Gente, 'parece os touros eróticos de Picasso' é tudo, não? Vai ser indecente e chique assim no inferno. Agora vê só se Fernandona não sabe das coisas:
Desculpem o comentário corrido, mas o dia hoje foi enlouquecedor. Gente, o que é essa versão construção civil de Carga Pesada que vimos nesses primeiros dias de 'Duas Caras'? Mais um capítulo dominado por Antônio Fagundes e poderemos chamar a novela de Estaca Pesada. Chaaaato...
Bom, não sei vocês, mas a mim Dalton Vigh ainda não convenceu.
Ok, não acho justo julgar novela antes dos primeiros 15 dias, mas uma trama que começa com Dalton Vigh vendendo uma máquina de fazer dinheiro para Carlos Vereza em cena interrompida por Ida Gomes com sotaque alemão não dá, né?
E quem ainda agüenta Letícia Spiller fazendo papel de perua gostosa e maluca? Quer dizer, papel de perua gostosa, porque o resto, bem, deixa pra lá.
Nossa, estou uma chata. Deve ser cansaço.
Ah, agora a boa notícia: Waguinho, ou Olavinho, ou Piscininha, como vocês preferirem, estará de volta depois de amanhã. O filme 'Tropa de Elite' teve a estréia antecipada para esta sexta-feira. Corram, meninas.
Como este blog conta com a participação de pessoas muito ligadas e bem informadas, foi, sim, o Olavo de Wagner Moura o mais votado no bolão, com 11 votos. Marion ficou em segundo lugar, com 9, e Tatiana, em terceiro, com 7 votos.
Quem votou em Olavo concorreu aos 4 prêmios e o resultado foi:
CD "Blitz Ao Vivo e a Cores": Tatiane (tatizavoli@hotmail.com)
DVD "Blitz Ao Vivo e a Cores": Claudia Collares (claudia.collares@redemeta.com.br)
DVD "Energia", de Jorge Benjor: Elaine (eluercio@ig.com.br)
Livro "Proibido se Apaixonar", de Care Santos: Marisa
Tatiane, Cláudia e Elaine, entrarei em contato com vocês por e-mail para acertarmos a entrega. Marisa, preciso que você me mande um e-mail (ccecilia@odianet.com.br) ou publique comentário com o seu e-mail, senão não consigo te mandar o prêmio. Parabéns, meninas, e obrigado por participarem.
Ah, agora o grito de guerra que acordou entalado nas nossa gargantas hoje:
EU QUERO O OLAVO DE VOLTA!!!!
Vamos ter que esperar até o dia 12, quando estréia "Tropa de Elite".
Aconteceu num salão de beleza e nunca se pode duvidar de coisas que acontecem em salões de beleza, pois testemunhas não faltam. A moça entrou eufórica, celular em punho, alardeando as fotos que tinha para mostrar. Queria provar a todos ali — e não fez distinção entre amigos, conhecidos e desconhecidos — que estava, digamos, no melhor momento de sua vida sentimental e, principalmente, sexual. E aí, acreditem, ela, a felizarda, como ela mesmo se intitulava, começou a exibir imagens das partes íntimas do sujeito com quem estava se relacionando. As mais íntimas e em várias situações, tal e qual os melhores ensaios fotográficos de revistas masculinas — no caso, femininas ou gays, se é que vocês me entendem. Não satisfeita, ainda fazia questão de verbalizar os detalhes que as fotos não mostravam e não sossegava enquanto os presentes não admitissem que, sim, ela poderia se considerar uma mulher privilegiada.
Vou poupar vocês da frase ‘não sei se estou ficando velha’ porque eu sei que estou ficando velha, mas não pode ser isso a explicação para o estado de choque em que essa história me deixou. Saí desse mesmo salão outro dia muito impressionada com uma mulher que detalhava, orgulhosa, os atributos físicos do marido, fazendo comentários tipo “quem vê não diz”, e achei que aquilo era o máximo de propaganda íntima que alguém poderia fazer em público, mas agora vi que estava enganada. Não há limites para a criatura que, sabe-se lá por que motivo, precisa externar suas realizações sexuais. E não venham vocês questionar que tipo de lugar eu ando freqüentando, que posso garantir que é um salão muito classe média, decente, de família como tantos outros. Até porque seria muito preconceito associar exibicionismo erótico a classe social ou nível de escolaridade. Mulheres, digamos, muito bem amadas, podem perder a linha a qualquer hora em qualquer lugar.
Não vamos nem entrar em questões tipo elegância x vulgaridade, discrição x exibicionismo ou coisa que o valha. A dúvida aqui é: qual a vantagem de tanta propaganda? Porque tudo bem que você queira, assim como quem não quer nada, que as pessoas saibam por que sua pele está tão boa e o cabelo, com tanto brilho, fora o bom humor inabalável. Tudo bem que você chegue no trabalho dizendo coisas tipo ‘ai, não dormi nada essa noite’, seguido de um sorrisinho irônico, ou ‘não é que malhação a dois emagrece mesmo?’, para suscitar uma invejinha saudável das colegas. Mas excesso de publicidade me parece perigoso. Porque ou as pessoas vão duvidar, como costumam duvidar de quem conta muita vantagem, ou vão crescer o olho para cima daquilo que você tanto exaltou.
Nenhuma das duas opções me parece boa. A fama de propaganda enganosa denigre tanto a sua imagem quanto a daquele que está te fazendo tão feliz. E olho grande para cima de nosso objeto de prazer é tudo o que a gente não precisa nesses tempos de disputa acirrada. De forma que, caretices à parte, fico com a linha mais modesta e discreta, por uma questão de auto-defesa. E se nossa amiga lá do início da coluna estivesse tão bem servida assim, não perderia tempo fotografando, né?