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| Cláudia Cecília |
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A notícia era "Hebe Camargo rouba a cena em lançamento de livro". E a pergunta é: cadê a novidade? Quando Hebe Camargo não rouba a cena?
Vou aproveitar então para confessar: eu adoro Hebe Camargo. Acho, sinceramente, que algumas pessoas, a certa altura da vida, podem se dar a certos luxos. O luxo da Hebe é o do exagero. Hebe é espaçosa, escandalosa, divertida. Parece saber aproveitar a vida. Parece não se importar com os excessos, mas ao contrário de muita estrela, faz isso com simpatia, sem se distanciar de seu público.
Eu me divirto com a Hebe. Dentro desse vestido, com esses brincos pendurados e esse sapato, então, nem se fala.
   Não é Cazuza, mas é exageraaaaada...
Pronto, gente, aí está a vingança de Daniella Sarahyba: a modelo apareceu assim, linda, morena, magra e escovada, no lançamento do livro do Alex Lerner. Sobre a foto de sua perna na versão casca de laranja, a mais nova integrante da família Klabin esqueceu o sobrenome chique e disse: "Foi uma sacanagem que fizeram comigo".
Celulite? Eu, hein!Então vamos tentar de uma vez esclarecer os fatos. Não, Daniella não tem como ter uma perna cheia de celulite, mas também, meninas, esqueçam as teorias da conspiração, porque a foto não tem montagem nem efeito de photoshop. O que aconteceu ali foi uma mistura de posição da perna, com o movimento dela correndo e com o efeito de luz e sombra. Porque também sabemos que ninguém, por melhor que seja, é totalmente esticada 100% do tempo, né? Agora fizemos justiça e fim desse papo.
Uma leitora antiga e muito querida escreveu dia desses, feliz da vida, contando que depois de dois anos de investimento tinha conseguido transformar um colega desejado em namorado. Um bombeiro, que finalmente havia descoberto o potencial dela de bom partido. E um bombeiro gato. Bem gato. Daí que ela, empolgada, encheu o orkut de fotos, com legendas tipo 'graças a Deus o amor venceu' ou 'renovada e amando'.
Fiquei muito feliz pela felicidade de J., a leitora querida, mas disse a ela que não alardeasse tanto o abençoado romance. Bombeiro e gato é muito fetiche para um namorado só e olho gordo de mulher encalhada é o que não falta nesse mundo, não é não?
Pois bem, tivesse eu a chance de falar com Ivete Sangalo, de quem gosto muito, confesso, daria a ela o mesmo conselho, embora duvide muito que ela pedisse. Mas vocês não acham que Ivete deveria esconder bem escondido o servio Andrija Bikic, de 27 aninhos? Gringo, modelo, novinho e gato desse jeito, era para ela desfilar duas ou três vezes, só para explanar pra geral - porque, também, se ninguém ficar sabendo, não tem graça -, e depois esconder o rapaz entre quatro paredes. Vejam só se o excesso de beleza e felicidade do casal nessa foto não é coisa para despertar a inveja de meio mundo.
Se fosse meu, só saía de casa com figuinha e medalinha de São Jorge presas na roupa com alfinetinho de fralda
DE ALMA GORDA E IMATURA
Conversávamos sobre comida. Assunto de minha preferência e predileção. Andei com a alma gorda nas últimas semanas e tão bom quanto comer é lembrar depois do que se comeu e daqueles momentos de prazer. Aliás, uma conclusão óbvia que me ocorreu esses dias: férias foram feitas para, entre outros, comermos coisas gostosas, calóricas, daquelas que nos enchem de culpa em dias normais e de felicidade nas horas de absoluta folga. Tipo churros e acarajé da carrocinha, x-tudo, casquinha com três bolas de sorvete e calda quente, todas de chocolate, refrigerante normal etc. Férias foram feitas para que você possa, por exemplo, gastar uns bons minutos com um copo de meio litro de milkshake de Ovomaltine sem ser interrompida, censurada, criticada, nada: só você e ele, curtindo o momento, inconseqüentes. Aí quando você volta a trabalhar, tudo bem, pode retomar a neurose, começar a arrancar os cabelos com os quilos adquiridos em menos de um mês e mais uma vez fazer todas aquelas promessas de jejum completo e imersão na malhação, porque a gente já não consegue mais viver se não for assim, estressada. Aliás, com quantas fotos de barrigas saradas e bundas esculpidas você já se deparou nessas semanas que antecedem o verão? E quantas foram as ofertas de dietas, serviços, tratamentos e milagres para que você fique igualzinha à imagem? É muita cobrança, muita pressão, não é não? Mas voltemos à conversa sobre comida. Falávamos de uma chef de cozinha famosa que andou dizendo que está em fase de namoro com o quiabo. Sem interpretações maliciosas, por favor, era de fato uma declaração literal: apaixonada pelo fruto, ela tem usado muito quiabo em suas receitas e um dos motivos é o prazer provocado pela “explosão das bolinhas na boca”, conforme explicou. Eu já tive a grata oportunidade de ir a esse restaurante e vou entregar: uma das entradas vinha, sim, com quiabo, sendo dois pedacinhos de três centímetros de altura. Isso mesmo, amigos, apenas dois pedaços com apenas três centímetros cada, de modo que a moça precisa arranjar outra explicação porque já era muito difícil perceber que se tratava de quiabo, que dirá sentir a tal ‘explosão das bolinhas’.
Diante dessa história, fizemos uma enquete entre as pessoas envolvidas na conversa e descobrimos que a maioria só passou a comer quiabo depois de adulto. E a conclusão a que se chegou, com a concordância de todos, foi a de que comer quiabo é um sinal de maturidade. Antes que vocês comecem a ligar para clínicas de repouso imaginando que só posso estar avariando com essa conversa, aviso que isso é só um exemplo a mais para externar minha revolta com a cada vez maior quantidade de teorias desenvolvidas para estabelecer nosso padrão de comportamento.
Lembram da história da sex shop? Pois então sigam meu raciocínio: temos que ser lindas, louras, magras, escovadas, mãe, mulher, profissional, dona-de-casa e fashion-sexual. Quando não faltava mais nada, descobrimos que temos que comer quiabo para provar que, além de tudo, somos mulheres maduras. Façam-me o favor, né? Eu adoro quiabo, mas é possível que um saco de jujuba diga muito mais sobre mim.
Momento que-falta-faz-um-photoshop...Mirem nas pernas e me digam: devo ou não devo dar o telefone do meu personal para a Daniela Sarahyba? Ou vocês acham que é só uma questão de ângulo, luz e maldade do fotógrafo?
Amigos, finalmente estou de volta. Lamentando ter ficado tanto tempo ausente, apenas com a coluna semanal, vou logo explicando: fiquei sem computador em casa, impedida de freqüentar meu próprio blog. Mas também serei sincera: acabou sendo uma maneira de eu tirar férias de verdade.
Agora, descansada, renovada, com a pele ótima e fugindo da balança como o diabo da cruz (como se come nas férias, né?), estou apta a retomar nosso papo diário (ou quase) e o saudável hábito de falar da vida alheia.
Mas vou começar por mim mesma e contar a minha resolução de férias, que tanto está me orgulhando. Troquei a babá folguista por um personal trainer! Não, gente, não vai ter um professor de ginástica lá em casa nos fins de semana tomando conta da criancinha, não. É que na falta de paciência de ter mais uma pessoa trabalhando em casa e na incapacidade de encontrar alguém legal, decidi reverter esse dinheiro em benefício próprio. Sim, vou continuar acordando segunda-feira com a sensação de que o fim de semana nem começou, mas pelo menos vou ter quem cuide de mim nos dias seguintes.
Enfim, sem querer fazer inveja, estou me sentindo uma dondoca. É verdade que poderia ter escolhido um personal um pouco mais novo e um pouco mais gato do que o selecionado - tipo aquele do anúncio de banco em que o marido até desiste de ir trabalhar -, mas digamos que a relação custo-benefício está satisfatória.
Depois conto como está sendo essa experiência. Ah, sim, porque eu como personal aluna, por enquanto, sou um fracasso: estávamos combinados de começar nesta segunda-feira passada e, 10 minutos antes, liguei para ele adiando para semana que vem. Ok, ok, foi só um acidente de percurso. Juro que até dezembro eu engato!
Assim que eu vou ser quando crescer!
O PASSADO BATE À PORTA
Pode parecer estranho dizer isso em tempos de culto à juventude eterna, mas há, sim, vantagens em envelhecer. Começando pelo baú de informações, experiências, cultura, sentimentos e histórias que a gente vai enchendo e carregando ao longo da vida. E prazeres como o de, por exemplo, encher a boca para lembrar que algumas de suas amizades estão durando mais de 15 anos. Ou para avisar à metida da sua filha que aquele funk do Mr. Catra que ela está ouvindo, cantando e dançando, é um sampler de ‘Tédio’, do Biquíni Cavadão, que você ouvia, cantava e dançava, então não venha ela tirar onda de moderna que não tem nada ali que você não conheça. Enfim, há muito o que se tirar do fato de se ter vivido quase quatro décadas — no meu caso — ou mais. Temos, ora bolas, um passado, e isso tem que ser usado a nosso favor. Pelo menos na maioria das vezes.
Esse momento filosofia de vida está acontecendo porque me lembrei de dois casos tipo ‘o passado bate à sua porta’ muito divertidos que aconteceram em momentos distintos e com pessoas idem. E que me fizeram pensar na frase lá do início. Vejam só se não é preciso ter, pelo menos, mais de 30 anos, para passar por situações inusitadas e divertidas como a que passamos eu e uma amiga. Vamos começar por ela, claro.
Caminhávamos até o restaurante para um rápido almoço em dia de trabalho. Aqui, na Rua Riachuelo, centro do Rio. Éramos quatro. Três morenas e ela. Loura, magra, alta, escovada, olhos claros, linda, um destaque na paisagem. Aí surge um sujeito do tipo coroa boa vida. Grisalho, beirando os 50, jeitão de garotão de praia. Aproxima-se e diz: “Eu te conheço”. Ela segue. Ele insiste, avisa que não é pedinte, e fala: “Há muito tempo, do Posto 9”. Nós, as outras três, paramos, claro, que a história começava a ficar boa. Ela nem olhava para os lados. Ele aumentava o tom de voz: “Você continua linda”. Vendo que teria mais chances de reposta com nós três, as outras, avisou: “Eu sei o passado dela todo”. E diante da nossa cara de espanto, esclareceu: “Mas é limpo, é limpo”. Aí começamos a rir e ela, coitadinha, mais vermelha que pimentão. Mas diante de tantas evidências de que aquele não era exatamente um desconhecido, virou-se, sorriu e deu um tchauzinho. Ele se resignou e partiu. E ela teve assunto, lembranças e motivos para rir por, pelo menos, o resto do dia. Fora que está até hoje tentando lembrar quem era aquela figura.
Algum tempo antes, muito tempo antes, peguei um táxi na Lagoa. Dei o endereço onde tudo acontece, Rua Riachuelo, centro, e me assustei quando o motorista, jovem, alto, meio ruivo, de óculos escuros, disse que aquela seria sua última corrida, pois estava trabalhando desde a noite anterior. Já era meio incômodo a idéia de ter um insone pilotando o carro e piorou com o fato de que ele me olhava com freqüência pelo retrovisor. A tensão, minha, aumentou, quando ele errou o caminho. Pediu desculpas e disse que eu ficasse tranqüila porque “ia chegar direitinho” onde queria. Aí intensificou os olhares pelo espelho, perguntou se eu trabalhava no jornal, o que fazia e, por fim, meu nome. E eu, apatetada, respondendo. “Cláudia de quê?”, insistiu, olhos fixos no espelho. “Cecília”. Aí ele simplesmente virou para trás, me encarou e disse: “Você foi minha namorada!”. E eu, no susto, respondi: “Henrique?”.
Pois é, o motorista inicialmente assustador era o Henrique, que respondeu pelo cunho de meu namorado por uns dois meses quando tínhamos 16 e 17 anos. O trajeto restante era muito breve, mas conseguimos contar resumidamente o que tínhamos feito da vida naqueles 20 anos. Como minha amiga, desci do táxi ruborizada, achando muita graça de ter me despedido do motorista com dois beijinhos. E supersatisfeita de ter essa história para contar.
FASHION-SEXUAL
Entrei no shopping e recebi um folheto de inauguração de uma nova loja. Uma sex shop. Só para mulheres. Cada dia abre uma nova sex shop só para mulheres e de repente achei graça de como o negócio antes dedicado aos homens agora é quase exclusivamente voltado para o público feminino. Antes, a gente passava rápido pela porta e, para entrar, precisava praticamente usar disfarce. A primeira sex shop que visitei na vida foi há exatos 11 anos – aos 28, portanto –, em Amsterdã, Holanda, viajando com um amigo. Era uma rua só de lojas de apetrechos sexuais, ele cismou que tinha que entrar em todas e eu tive que fingir que não havia ali qualquer constrangimento para não passar recibo de careta justamente na cidade dos doidões. Não eram lugares para mulherzinhas, como esse que abriu no shopping, e a quantidade de bizarrices que vi, para contar o mínimo, foi o suficiente para eu me dar por satisfeita, sem trocadilhos. Agora, mais de uma década depois, me deparo com essa nova moda: se você, mulher, não for quase sócia de alguma sex shop só para mulheres, você não é uma mulher desse tempo. Ainda não perceberam essa onda? Folheiem revistas, passeiem pela Internet, visitem blogs de mulheres e vejam se não é verdade.
Diante disso, o que se pode dizer é: amigas, está cada vez mais difícil ser mulher. Porque além de ter que ser linda, loura, magra e escovada, ser mãe, mulher, profissional e dona-de-casa, a gente agora tem que ser fashion-sexual. Já comentamos isso por aqui, mas a coisa vem num crescendo, com trocadilhos, que se não tomarmos logo uma posição, vamos ficar em maus lençóis. Boa de cama já não basta, é termo mais do que ultrapassado. Se você não tem pelo menos uma algema de pelúcia em casa, ai, querida, não sei nem como você tem um parceiro. O pior não é simplesmente ter que incluir acessórios eróticos na sua lista de compras de mês, o pior é ter que entrar no clima, adotar esse como seu novo padrão de comportamento. É comprar uma fantasia de empregada doméstica de rico (porque só empregadas domésticas de rico usam aquelas roupas e não vamos nem entrar na questão do politicamente correto) para você, uma de bombeiro para seu parceiro, fingir que, sei lá, está lavando louça quando um forno invisível explode, a cozinha começa a incendiar, o bravo soldado do fogo vem salvá-la e aí tudo isso que, claro, é muito excitante, acaba em sexo. Em sexo tórrido.
Antes que alguém comece aí do outro lado a tentar me analisar, antes que alguém cite Freud e pergunte como foi minha infância, aviso: não estou, nem de longe, defendendo a caretice, as tradições sexuais, querendo dizer que papai-e-mamãe são a única possibilidade decente nesse mundo perdido, nada disso, muito pelo contrário. Só não tenho culpa se tudo o que conseguiria fazer fantasiada entre quatro paredes diante de um sujeito igualmente vestido com acessórios estranhos seria cair na gargalhada. Admiro muito quem o faça. Mas não vou me sentir constrangida de confessar que chicotes e lingerie comestível não são a minha idéia de afrodisíaco e não devem ser para muitas das mulheres que agora estão por aí tirando essa onda de dublês de profissionais do sexo e que acham que livro de cabeceira que impressiona mesmo é ‘250 Maneiras de Levar Seu Homem à Loucura’ ou coisa que o valha.
Já fomos – ou pelo menos foram as que caem nessas – obrigadas a alisar os cabelos com escova progressiva, já temos que nos depilar seguindo as últimas tendências do mercado, não podemos jamais admitir que não damos conta de todas as tarefas que cabem a nós e é nosso dever nos manter bonitas, gostosas e sempre capazes de atrair os parceiros. Só faltava, para completar, não podermos mais dizer que o que nos excita é um jantar romântico, um lugar exótico, uma situação de risco de flagrante, palavras picantes ao pé do ouvido, uma lingerie bacana ou o que quer que excite cada uma de nós, a seu gosto próprio e pessoal. Se eu tiver que estar na moda até para transar, acho que desisto.
Não sei se era uma impressão só minha, por serem as mulheres o foco desta coluna, mas dia desses jurei que a cidade estava dominada pelo sexo feminino.Para onde eu olhava, havia grupos delas, das mais variadas idades e a maioria falando sem parar. A sensação começou no banheiro do shopping mais novo da Zona Sul. Duas moças da limpeza faziam comentários sobre suas duras rotinas de trabalho e chegaram ao item uniforme. Reclamavam um pouco, porque a roupa é feita de tecido que amassa muito. “A gente passa e, quando chega aqui, já está toda amarrotada”, comentou uma. A outra concordou e a primeira insistiu: “Você não acha um saco ficar passando essa roupa para ela amarrotar num segundo?”“Acho, mas não sou eu quem passo. Lá em casa quem passa roupa é o fulano”, respondeu a outra, referindo-se ao marido. E diante, do espanto da primeira, ainda esclareceu: “Toda a roupa lá em casa quem lava e passa é ele”. Num misto de inveja e orgulho, a primeira elogiou: “Gostei de ver como você trata seu marido. Na linha. Muito bem!” E as duas saíram rindo. Confesso que a inveja não foi sentimento exclusivo à moça da limpeza, mas também fiquei com certa pena do marido. Não porque parte das tarefas domésticas caiba a ele, mas se o sujeito colabora como poucos, ele poderia pelo menos levar os elogios. Então a gente reclama quando eles não fazem e quando fazem é só porque a gente obriga? Eles nunca são participativos? Aí também não, né? A segunda moça da limpeza preferiu ficar com os louros de ser esposa linha dura do que enaltecer as qualidades do marido. A menos que lavar e passar sejam as únicas coisas boas que o sujeito faz, não achei justo. Depois a gente fica com fama de mala e reclama. Num restaurante do mesmo shopping, duas amigas de 30 e poucos anos almoçam. Parece que não se vêem há algum tempo e uma lembra à outra como foi que se livrou do antigo namorado de anos. A coisa se arrastava quando ela, do alto de seus 26 anos (à época), se deu conta de que aquele relacionamento-sanfona não ia dar em nada. “Ah, menina, numa dessas idas e vindas, achei que ia ficar encalhada, que não ia casar nunca, bateu a maior paranóia”, dizia à atenta amiga. Foi quando ela consultou, vejam só, o pai. E narrou o diálogo: “Pai, você acha que vou conseguir casar?” “Se continuar como fulano, nunca”, respondeu o tal pai, com a sutileza de elefantes pisando em ovos. Ao que parece, só nossa amiga não tinha percebido isso, mas bastou o pai lhe dar esse leve toque para ela jogar tudo para o alto. Terminou a novela de vez. Dois meses depois, conheceu aquele que virou seu marido. Adorei ouvir essa história, mesmo sem ter sido convidada. Caso fosse uma das interlocutoras, meu comentário final – nessa manhã em que resolvi elogiar os homens – seria: “Amei seu pai, me empresta?” O dia marcado por cenas femininas acabou à tarde na praia. Estava eu brincando com Maria Clara na areia, junto à vizinha, com seus dois meninos. As duas ali exercitando a maternidade, com biquínis de coleções passadas e ‘shape’ de mães que fugiram da academia. Apesar desses detalhes, estávamos nos divertindo. Até ouvirmos um“Ai, não acredito, estou me sentindo uma mãe desnaturada...” Era a outra vizinha, que deixou o casal de filhos em casa e chegava de uma corrida para um mergulho, com uma amiga. O corpo, irrepreensível, o biquíni, saído da vitrine, os óculos de grife, a pele óootima e a amiga, no padrão. As duas com jeitão de personagem de revista feminina e ela tirando onda de culpa. Preciso dizer o que aconteceria se inveja e raiva matassem? Fui dormir com a certeza de que tem mulher demais no mundo e vocês nem podem me culpar por isso.
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