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| Cláudia Cecília |
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Pedidos que nós, meninas, não podemos deixar de fazer para 2008:
Que a gente consiga sobreviver ao verão ignorando nossas imperfeições físicas e usando esses vestidos curtos sem ficar ridícula Que nossos cabelos e nossa pele também sobrevivam ao verão Que a gente consiga finalmente perder aqueles três quilos que a gente sempre acha que estão sobrando Que nossas unhas quebrem menos e nossos saltos não quebrem nunca Que nossos filhos chorem menos e não desobedeçam nunca Que nossos homens nos namorem mais Que nossos dias tenham 36 horas, para que possamos cumprir pelo menos 75% de nossas tarefas Que nossos cabeleireiros estejam sempre disponíveis e de bom humor Que nossa auto-estima dê inveja à Preta Gil Que a gente tenha do que fofocar sem parecer fofoqueira Que Duas Caras acabe logo Que Beckham venha ao Brasil sozinho Que apareçam muitos Wagner Mouras nas nossas vidas Que a culpa nos abandone Que continuemos orgulhosas de ser mulher e conscientes de que ser mulherzinha, com todos esses desejos aí de cima, é só um estado de espírito. E uma grande brincadeira.
FELIZ ANO NOVO!!!!
 Ah, sim, e que a gente se encontre aqui em todos os dias de 2008
Acho que a gente pode encerrar 2007 com catiguria lançando uma campanha do bem. Pelo bem de nossas vistas, que merecem paisagens agradáveis, e pelo bem de um dos grande ídolos desse páis. Então, a partir de agora, o blog Salto Agulha lança o manifesto "Por um Fenômeno mais arrumadinho" e grita:
Corta o cabelo, Ronaldo!
Se você quiser aderir à batalha pela volta da careca do jogador, é só incluir um comentário repetindo a frase:
Corta o cabelo, Ronaldo, pelo amor de Deus!
A gente merece entrar 2008 sem ter que ver essa cabeleira de gosto duvidoso. Se ele for bonzinho e nos atender, a gente nem pede a ele para emagrecer, né?
 Alguém viu minha máquina zero?
QUE O BOM HUMOR E A DIVERSÃO FAÇAM PARTE DE SEU NATAL E PREENCHAM TODOS OS DIAS DE 2008. BOAS FESTAS E FELIZ ANO NOVO!
 Com carinho, do blog Salto Agulha
Começaria tudo outra vez
A essa altura, nesta manhã de domingo, a oito dias do fim de 2007, você já contabilizou, só nesta última semana ou, no máximo, nos últimos 10 dias, uns quatro porres, uns dois ou três micos nas confraternizações do pessoal do trabalho, pelo menos um barraco em fila de loja de departamentos e outro no trânsito engarrafado, e uns três quilos excedentes, já adquiridos com os panetones que ganhou de brinde e os chopes e vinhos que tomou. Isso, claro, se sua memória prejudicada pela ressaca permitir lembrar de tudo isso. Dependendo do tamanho da animação de quem está fazendo as contas, podem entrar nessa lista de duas a cinco bocas beijadas, metade delas seguida de arrependimento profundo, principalmente quando a coisa vai muito além do beijo e com o colega da mesa ao lado. No fim desse balanço parcial — ao resultado final só é possível chegar no dia 2 —, você jura que no ano que se inicia tudo será diferente até que, daqui a uns 10 meses, a memória o traia de vez e você comece tudo de novo.
Por essas e tantas outras que a Salto Agulha adora as festas de fim de ano. Podemos até não admitir, mas somos viciados nessa adrenalina. A gente não sabe mais viver sem reclamar que deixou tudo para última hora, que está um inferno andar nas ruas, que o rombo na conta bancária será maior do que no ano anterior, que não agüenta mais ir a tanto almoço, tanto happy hour, tanta chopada, e que odeia essa época com todas as forças, quando na verdade ama. A gente não vive sem o prazer de comprar presentes, mesmo jurando que será mais comedido dessa vez, porque afinal é uma festa religiosa, nem sem o prazer de juntar a família e os amigos, mesmo certos de que o bate-boca e a saia-justa se repetirão e que o amigo oculto tem tudo para dar errado. É impossível não entrar na fila para as crianças tirarem foto com o Papai Noel, assim como não dá para resistir a uma boa decoração de shopping. Ah, sim, somos obrigadas a comprar uma roupa nova para o dia 24, outra para o dia 31, sem contar a calcinha e o biquíni, que ninguém quer ir à praia em 2008 com cara de 2007. Querem maneira melhor de encerrar um ciclo? Vamos acabar o ano estressados, sem dúvida, mas será que saberíamos ser diferentes?
A minha defesa é a de que, nessas horas, o melhor que se tem a fazer é, usando uma expressão do século passado, seguir o figurino. A menos que, por princípios ideológicos, algum trauma de infância ou pura chatice, você seja realmente contra tudo isso, bom mesmo é se entregar. É ter do que se envergonhar no dia seguinte à festa do trabalho, é dar um espacinho para aquela melancolia de fim de ano bater, é viver a ansiedade de uma noite de Réveillon perfeita (quantas já não idealizamos?), se entupir de tender, nozes e daquele pavê da sua tia, se emocionar com a vibração das crianças diante do Papai Noel, adorar um presente, reclamar do outro, chorar às 10 para meia-noite do dia 31, suspirar em seguida e tocar a bola para frente. Fim de ano é um clichê só, mas tenho para mim que a felicidade às vezes carece de originalidade. Feliz Natal!
Comentário rápido de quem trabalha de frente para uma TV ligada em 'Duas Caras':
Ninguém merece essa Amara, personagem da Mara Manzan!!! Que figura asquerosa é essa, meu Deus?! Que voz, que visual, que texto, que tudo de quinta categoria!
Aliás, que núcleo é esse em que nem a beleza de Juliana Knust salva?
Também, o que se pode esperar de uma novela em que os personagens se chamam Amara, Marconi Ferraço, Juvenal Antena, Evilásio, Gioconda, Ezequiel, Guigui, Claudius e Alzira?
Alguém precisa lembrar a Aguinaldo Silva daquele episódio ocorrido nos primórdios da telenovela, quando Janete Clair recorreu a um incêndio para matar todos os seus personagens, todos mesmo, porque seu folhetim estava um fracasso absoluto. Explodir a uisqueria é pouco, Aguinaldo.
Queridos, vocês não acham que os leitores do Blog Salto Agulha iam terminar o ano sem presentinho, né? Pois aí vai nosso sorteio de Natal. Usando o clichê da temporada, tem brinde para todos os gostos. Escolham e concorram:
 DVD Jota Quest - "Até Onde Vai", Edição Especial É um registro ao vivo da turnê da banda mineira, com 14 faixas, 6 extras, um documentário com a história do grupo e um álbum com 40 páginas de fotos exclusivas. Tipo fãs vão amar!
 Livro "O Presente da Princesa", de Meg Cabot (Ed. Record, 112 págs.) Um dos muitos títulos de sucesso da autora de "O Diário da Princesa", em edição especial de capa dura, essa é uma história de Natal tipo fofa, daquelas que fazem as adolescentes suspirarem.
 DVD "Ensaio - Gonzaguinha" É o registro de um dos programas da série Ensaio, da TV Cultura. Traz 19 faixas do filho de Gonzagão, incluindo sucessos que marcaram a geração 80, como "O que é, o que é", "Explode Coração" e "Começaria Tudo Outra Vez".
 Livro "Vera, A Pequena Moisi", de Vera Fischer (Ed. Globo, 200 págs.) A personagem é polêmica, mas mesmo quem não gosta tem, no mínimo, curiosidade de ler sobre uma vida um tanto inusitada. Vera abre o diário e coração e fala da infância, da relação conturbada com o pai, a perda do irmão etc. e ilustra com fotos tipo álbum de família.
Agora é só vocês incluirem comentários respondendo "Eu quero concorrer a ..." Se quiser participar de mais de um sorteio, tem que repetir a frase com o objeto de desejo seguinte. O sorteio acontece na sexta-feira e a divulgação do resultado, logo em seguida. Boas festas!
Tem gente que diz que é obsessão minha, mas taí a prova de que se trata de um senso comum. Wagner Moura foi eleito pela revista Vogue Homem o Homem do Ano, assim, em letras maiúsculas. E quem mais poderia ser? "Solícito, modesto, inteligente, articulado e divertido" é como a revista descreve nosso queridinho da vez. Eu diria que eles esqueceram de incluir "gostoso, charmoso, com uma voz incrível". Porque, vocês hão de concordar comigo, até anúncio de banco fica melhor narrado por ele.
Sobre seu momento, digamos, especial, Wagner banca o fofo e diz para a revista: "É um momento, daqui a pouco acaba".
O ensaio fotográfico foi feito por Bob Wolfenson e deu nisso aí. Suspirem, meninas.
  Pode mandar entregar lá em casa a-go-ra!
MANUAL DO ROMANCE INICIADO Ela, uma das amigas da Salto Agulha, estava aflita naquela semana. O trabalho estava pauleira justamente nos dias seguintes ao que ela finalmente tinha conhecido um gatinho interessante. Então a situação crítica era: o tal gatinho há vários dias tentava marcar de eles saírem e ela não conseguia levantar de sua cadeira de trabalho antes da meia-noite, o que frustrou todas as investidas do rapaz. Por mais que a gente queira, ou pelo menos tente, fazer charme numa hora dessas, vários ‘não vai dar’ consecutivos podem destruir qualquer projeto de início de relacionamento, argumentava a preocupada moça. “Ele vai desistir, é claro que ele vai desistir”, afligia-se. Foi quando esta colunista, do alto de sua pretensa experiência de sei lá quantos anos de Salto Agulha, respondeu: “Ele vai é se apaixonar, isso, sim. Quantas mulheres você acha que já o dispensaram várias vezes porque têm que trabalhar até tarde?”. Ela fez cara de dúvida, mas achou melhor acreditar em mim. Uns seis dias depois, sorriso de orelha a orelha, ela me diz, sem modéstia: “Que boca, hein? Você tinha toda razão. Tá apaixonado”. Agora me digam, sou eu a expert em assuntos de relacionamentos amorosos prestes a se iniciar — e estou aqui dando bobeira porque não enriqueço com palestras e livros de auto-ajuda — ou somos nós as bobocas que, por mais que já tenhamos passado por isso milhões de vezes, insistimos em não aprender? Jogo duro, quando feito com bom senso e aquele climinha de sedução, sempre foi um ótimo combustível, a gente é que teima em esquecer. Quando a coisa aperta, e tem apertado com alguma freqüência nesses tempos de mercado vendedor para nós (e, obviamente, comprador para eles), desandamos a fazer todas as besteiras típicas de encalhadas desesperadas, mesmo que ainda não estejamos nesse nível de classificação. Tipo isso de achar que o certo é dizer sim a todas as solicitações e que só vai dar certo se você bancar a boa moça disponível. É verdade também que o mundo às vezes conspira contra. Outro dia, na novela das oito, ou das nove, ou talvez, em breve, das dez, a personagem da Débora Falabella deu um péssimo exemplo. O segundo péssimo exemplo, porque o primeiro foi levar o carinha para conhecer os pais dela com uma semana de namoro. O mais grave foi no dia em que Júlia (Débora) e Evilásio (Lázaro Ramos) transaram pela primeira vez. No minuto seguinte, ela estava chorando e dizendo coisas tipo ‘não sei para você, mas para mim isso entre nós é muito sério’. Pelo amor de Deus, né? Isso é um passaporte para o pé no traseiro. Mulheres que choram depois da transa, ou, pior, mulheres que choram e discutem a relação depois da transa merecem padecer no limbo do encalhe absoluto. Será que Aguinaldo Silva não viu “Como Perder um Homem em 10 dias” ou fez de propósito para a gente torcer contra a mocinha-mala? O fato é que não podemos nos deixar influenciar. Já lemos todos os manuais, já vimos todas as comédias românticas, e, o mais importante, já vivemos todos esses clichês. O suficiente para saber que recusar algumas saídas, por exemplo, não determina o fracasso de um bom pega. Um pouquinho de insegurança é inerente aos romances iniciantes, não se pode negar, mas não podemos mais cair nos velhos erros. Não temos mais tempo nem homens disponíveis para isso.
A novela das oito, se não nos empolga, pelo menos serve para dar alguns momentos de felicidade profissional às coroas, e isso muito nos alegra. Ou você não acha divertido ver Betty Faria tirando umas casquinhas de Rodrigo Hilbert e Marília Gabriela, de Lázaro Ramos? As duas, inclusive, já andaram elogiando (pra não dizer agradecendo) as cenas que protagonizam com os bonitões e não sou eu quem vou tirar a razão delas.
Ao menos temos uma coisa para falar bem de Duas Caras. Sobre o resto, conversamos melhor outra hora, mas acho tudo muito de quinta.
Não somos exatamente o esquadrão da moda, mas já adquirimos experiência e conhecimento para tecer alguns comentários, não é mesmo, amigas? Então, na falta de autoridade para mandar prender, a gente pode pelo menos gritar um 'já pra dentro!' e deixar algumas celebridades que agridem nosso bom gosto de castigo.
O que vocês acham de começarmos botando Adriane Galisteu - que apareceu assim, off white, no prêmio de uma revista em São Paulo - de cara para a parede um pouquinho? Ou seria esse um caso daqueles que já não tem corretivo que dê jeito? Avaliem, por favor.
Estilo próprio
Já está rolando nos blogs e não seríamos nós a ficar de fora: começam a aparecer os frutos do contrato multimilionário de David Beckham com a Emporio Armani, como mostra a foto abaixo. Está aí a primeira das imagens do jogador mais gato do mundo fazendo 'bico' de garoto-propaganda da linha de roupas íntimas da grife italiana.
Sem querer entrar em detalhes que saltam aos olhos, só me resta dizer: passo mal!!!
É tudo seu, querido, ou comprou alguma coisa?
Não precisamos de sansões
Foi no mínimo inusitado ver Romário, essa semana, admitir que faz tratamento contra a calvície e que foi o princípio ativo dos remédios que toma e das loções que passa no cabelo a substância que apareceu em seu exame antidoping e que o levará a julgamento. A sinceridade com que expôs sua vaidade — coisa ainda incomum entre homens — foi tanta que ficou todo mundo do lado dele. O baixinho já é baixinho e não está a fim de ser careca e parece que a opinião pública concordou que ele está no direito dele. Ainda mais que a tal substância nem indica doping, é apenas algo que pode mascarar um possível doping, e assim o Peixe, pelo menos por enquanto, só fortaleceu sua imagem de matador. Fosse eu homem, e vaidoso, e incomodado com o preconceito que sofrem homens vaidosos, agradeceria muito ao Romário. Porque, enquanto mulher a fim de defender os homens pelo menos de vez em quando, acho uma injustiça que eles sejam ridicularizados toda vez que manifestem um cuidado a mais com a beleza.
Não, a gente não os quer no salão sentados na cadeira ao lado, com a cabeça metida naquele secador de pé e as mãos esticadas para a manicure, não imaginamos dividir a depiladora com eles, e ainda não podemos tolerar que pintem os cabelos, mas homens bem tratados são muito bem-vindos, ou não são? E se os jogadores de futebol, reduto máximo da masculinidade (até que provem o contrário), estão nessa tendência ótima de virarem galãs, a exemplo de Beckham, por que os outros não podem segui-los? A gente se olha no espelho e, se o peito resolveu apontar um grau mais para baixo, bate logo o desespero. Por que raios, então, o sujeito do sexo oposto tem que se conformar com seus cabelos caindo?
Feita a defesa, vamos às ressalvas. Não, não vai ser aqui que vocês vão ler a gracinha “é dos carecas que elas gostam mais”, porque isso, além de piada velha, é mentira. Não é uma questão de gostar mais ou menos, é só que calvície não é o fim do mundo, rapazes. São poucos os sansões que concentram seu poder nos cabelos. Romário não vai deixar de ser imarcável se ficar careca. Com um conjunto bacana, como é o caso do baixinho — que, convenhamos, só melhora com o tempo —, cabelo não faz tanta falta assim. Podemos rapidamente fazer uma lista de carecas maravilhosos, começando por Zidane, só para ficar nos gramados. Beckham quando raspa a cabeça consegue ficar ainda melhor. A calvície faz bem até a Ronaldo Fenômeno, que está longe de figurar no grupo dos gatos, mas conseguiu ficar muito pior com os cachos do atual cabelo grande. Assim como Kaká, que ganharia cara de homem se cortasse aquela juba penteadinha.
Um amigo que não está a fim de se render aos tratamentos estéticos diz que, se calvície tivesse cura, Bruce Willis, vaidoso e multimilionário, não seria careca.Pois eu diria a ele que Bruce Willis não é careca por falta de opção, mas porque fica lindo sem cabelo. E que tal Malvino Salvador na novela das sete? E Marcelo Antony quando passa máquina zero? E Vin Diesel? E Ami James, o tatuador da série de TV por assinatura ‘Miami Ink’? Se o mundo fosse feito de carecas assim, ah, Romário, não teríamos do que reclamar. De forma que, se você tiver que abandonar o tratamento, seus cabelos podem até te abandonar também, mas nós, jamais.
 Você sabe que é casada com praticamente o Beckham de tão metrosexual, quando o Kaká aparece na TV recebendo um prêmio e seu marido comenta: "Que terno bem cortado". O pior, não, o melhor é que ele estava coberto de razão: Kaká, que apesar de ídolo adolescente deixa muito a desejar com sua beleza arrumadinha demais e esse cabelo precisando de tesoura, fica ótimo num bom Armani. E não tenho culpa se o que o destino me reservou foi um sujeito que entende de moda. Desculpem pela invejinha, meninas. Agora avaliem o Kaká, na versão melhorado-por-Armani, que ele merece.   Gosto mais assim, com cara de mau
UM FUTURO DE PERUAS
Andei pensando no mundo daqui a algumas décadas e acho que fiquei com uma certa pena dos homens que serão adultos lá para 2035 ou coisa assim. Não dos seres humanos de uma maneira geral, mas especificamente do sexo masculino, e essa piedade vem da dúvida sobre que tipo de mulher estamos criando para o futuro. Sim, pode ser uma certa paranóia e espero que vocês vejam isso com o bom humor que o assunto obviamente merece, mas é que ando assustada desde que descobri que uma casinha que antes era um restaurante japonês no caminho da minha casa e que está em obra há alguns meses vai, finalmente, abrir as portas e será, vejam só, um salão de beleza infantil. A preocupação aumentou desde a semana passada, quando a última frase que minha filha, de 2 anos e um mês, falou, antes de receber uma anestesia geral para fazer um exame, e já sob o efeito dopante do pré-anestésico, foi “a minha mãe não deixa eu passar batom”. Disse isso olhando com cara de coitadinha para o anestesista.
A auto-piedade não era pela situação de paciente infantil numa cama de hospital, nem pelo exame que se aproximava, muito menos pelo jejum absoluto que fazia há seis horas. Nada disso importava. Ela, naquele momento, era uma criancinha infeliz porque eu, a mãe tirana e insensível, não permito que ela ande por aí que nem anã de jardim com a boca pintada. Claro que a madrinha — madrinha, assim como avós, são feitas para estragar os filhos dos outros, vocês sabem — chegou à noite com um minibrilho sabor uva de presente e a miniperuinha ficou feliz da vida, fazendo bico para o espelho. No dia seguinte, ela folheava sozinha uma revista feminina, quando apontou uma foto e gritou: “Mamãe, gostei dessa bolsa, o que você acha?”. No que eu lembrei da minha mãe e pensei em responder algo tipo “o que eu acho é que você vai ter que estudar muito e trabalhar mais ainda se quiser sustentar esse gosto”, mas achei que ela ainda não entenderia. A opção ‘arranjar marido rico’ também passou pela minha cabeça, mas eu seria uma mulher morta se dissesse isso e o pai ouvisse, de forma que acabei entrando na brincadeira e respondendo “acho linda, filha”.
Claro, são apenas gracinhas de uma bebê que já pensa que é gente e posso estar aqui só arranjando uma desculpa para contá-las. Mas quando lembro do salão de beleza infantil e imagino meninas de 6 anos fazendo o pé; quando ouço uma amiga contar, indignada, que a professora da filha fez a turma aplaudir o tênis importado de uma aluna que acabara de chegar de viagem; quando a outra amiga diz que na sala da filha de 8 anos tem uma menina que faz escova progressiva, e quando fico sabendo que um grupo de meninas de 7 anos zoa a coleguinha porque ela vai para a escola todo dia com a mesma sandália, fico, de fato, apavorada. Logo eu, que achei que, desde o declínio de Xuxa e as paquitas e o conseqüente fim das botas brancas, o sexo feminino estava no caminho da redenção.
Não, não vou pregar que temos que proibir nossas meninas de brincar de passar batom, mas não custa nada ficar de olho. Nessa onda de achar toda essa precocidade uma graça, nessa de incentivar modismos e consumismos, e, pior, nessa de nos realizarmos nas filhas, vamos acabar criando ou umas monstrinhas peruas, consumistas e com valores deturpados ou umas escravas da ditadura da beleza e do consumo, ultrahipermegavítimas da moda. Diante das duas opções, só posso olhar para os meninos da pracinha e dizer “coitados”.
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