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Cláudia Cecília

Segunda-feira, 31 Março, 2008

A SALTO AGULHA DESTA SEMANA


DEZ ANOS DE SABEDORIA

Ele tem 10 anos e estava sentado na calçada, fazendo companhia à Maria Clara, que esperava ansiosa pela chegada do pai. Fez uma cara de conteúdo e, do nada, falou: “Acho que as coisas são mais fáceis para os meninos”. Pensei em perguntar “jura que você já descobriu isso?”, mas me controlei e apenas questionei “por quê?”. “Ah, porque os meninos têm mais liberdade. A gente pode brincar do que quiser. Menina é mais cheia de coisa”. Soltei um “é, pode ser” e estou até agora pensando por que perdemos tempo com tantas teorias para tentar embasar nossas tentativas de nos botar em pé de igualdade com eles se eles — e o mundo, provavelmente — já nascem sabendo que não tem essa de paridade, não, porque homem é homem, mulher é mulher, e a banda toca diferente para cada lado. Mais ainda, fiquei pensando em “a gente pode brincar do que quiser” e estou quase investindo na formação psicanalítica dessa criança, pois trata-se de um gênio, com capacidade ímpar de simplificar as coisas.

Eu poderia ter dito que não é bem assim, não, que a gente também pode brincar do que quiser, já que vamos manter a conversa no nível das metáforas, mas me faltaram forças. Lembrei de ter lido uma entrevista da Fernanda Torres confirmando que essa nossa lamentação constante acerca de nossos múltiplos expedientes é muito justa e que, apesar de na maioria das vezes a gente dar conta, é uma pauleira sem fim. E se a Fernanda Torres, com toda a infra-estrutura que tem, com os horários de atriz que se reveza entre períodos de muito trabalho e períodos de nenhum, enfim, se ela reclama, imagina nós, pobres mortais fadadas à vida comum. Pensei então em dizer ao meu amiguinho filósofo que nós, meninas, até podemos brincar do que quisermos em alguns momentos da vida, mas temos que escolher o momento certo, senão a brincadeira sai cara, mas achei que ele não precisava saber disso agora.

Tenho várias amigas — e, vou, sem cerimônia, me incluir nesse grupo — que, nesse momento, gostariam, por exemplo, de brincar de dondocas: ter um homem apaixonado e provedor (de recursos e prazer), trabalhar quando e se quiser, não se preocupar com dinheiro, ter um staff que resolva todos as questões de administração do lar, ter tempo e verba de sobra para manter-se linda, loura, magra e escovada, e, principalmente, ter o direito de acabar com a brincadeira na hora em que bem entender. Eu, por exemplo, queria brincar de ser a Carrie Bradshaw, do falecido ‘Sex and the City’, com a beleza, a fama e o guarda-roupa dela, mas com a minha casa — que gosto mais do que aquele apartamentinho em que ela morava — e a minha vida sentimental, que, modéstia à parte, é mais bem-resolvida.

Na impossibilidade de eu e minhas amigas nos juntarmos todas e transformarmos essas ficções em realidade, vamos rapidinho às compras, renovamos nosso modesto estoque de produtos de beleza, lembramos que é o nosso trabalho que nos proporciona isso e agradecemos por ele existir, damos uns gritos com as crianças e os maridos e está tudo resolvido. E assim vamos lidando com o fato de “as coisas não serem mais fáceis para nós” e de termos que ouvir isso de um menino de 10 anos. Ainda bem que Maria Clara — absorta na expectativa de que o pai aparecesse a qualquer momento — não prestou atenção.

Sexta-feira , 28 Março, 2008

Minha xará chique

Reproduções
Continuando a história que nossa leitora Suzy contou lá nos comentários da Carla Bruni, aí está Cecília Ciganer-Albeniz, ex Cecília Sarkozy, ex-modelo, de 50 anos e francesamente chique. Cecília foi a segunda mulher de Nicolas Sarkozy, que também foi seu segundo marido (antes ela foi casada com um figurão da TV francesa). Em 2005, ela largou o atual presidente da França para viver uma paixão tórrida com um norte-americano.
Dizem que no ano passado, durante a corrida presidencial, Sarkozy teria implorado pela volta da mulher, entre outros motivos, porque precisava de uma candidata a primeira-dama. Ela, provavelmente pensando no futuro das duas filhas e do filho, voltou, mas só esperou ele se eleger para dar no pé de novo e voltar para Nova Iorque.
Sarkozy tratou logo de arranjar uma namorada - Carla Bruni - e se casar em três meses para mostrar ao mundo que deu a volta por cima. Cecília se casou essa semana, com festa do Rockfeller Center, em Manhattan, com o produtor de eventos Richard Attias, por quem ela largou tudo três anos atrás.
Não é só porque é minha xará, não, mas acho essa Cecília tu-do.

Espera ansiosa

FOTOS GRAVIER y MEDIAPRO / EFE
Aí estão as primeiras imagens das filmagens de 'Vicky Cristina Barcelona', o novo longa de Woody Allen, estrelado por nosso muso maior do momento Javier Bardem. A única coisa que estraga é que o guapo espanhol está, neste novo trabalho, muito bem acompanhado de Penelope Cruz (escolhi essa foto dela bem feia de propósito), Scarlett Johansson (por quem todos, absolutamente todos os homens babam, até quando ela está de costas) e a igualmente linda Rebecca Hall.
Essa turma está rodando em Barcelona e a junção de Allen na direção, com esse elenco e a capital da Catalunha de cenário promete.
Pena que o filme só deve pintar por aqui no ano que vem - a estréia lá fora está prevista para setembro. Mas por Javier Bardem a gente espera, não espera?

Quinta-feira, 27 Março, 2008

Dama de primeira

Nós temos que agradecer ao presidente francês por ter se casado com a Carla Bruni e ter tornado Paris e tudo o que envolve a França ainda mais interessante para nós. No dia em que uma foto da ex top model nua era leiloada - junto com aquela de Gisele Bündchen -, Sarkozy partia com sua primeira-dama para uma visita oficial à Inglaterra.
Daí que o casal nos deu o prazer dessas imagens. Olhem com atenção, leiam bem as legendas, e divirtam-se.


Carla reina absoluta no meio da foto, basiquérrima de longo preto e jóias estonteantes. Agora olhem para o canto direito e - ai, que meda! - lá está Camila Parker vestida de debutante. Por que será que Sarkozy estampa um sorriso de orelha a orelha, enquanto o Príncipe Charles está com aquela cara de quem chupou limão?

Durante o dia, Carla simplesmente arrasou. Fez a Bonequinha de Luxo e abalou Londres. O que é essa pose no Palácio?

Eu confesso que esperava mais do vestido e questiono muito esses sapatos rasteiros que a primeira-dama da França usa. Mas fui convencida de que, diante de todo o resto, ela pode fazer essa linha linda-de-qualquer-jeito.


Quarta-feira, 26 Março, 2008

Terra de ninguém

Desculpem, amigos, mas está rolando uma irritação profunda essa semana. A vergonha de morar numa cidade (ok, eu moro na cidade vizinha, mas dá no mesmo) que, em pleno século XXI, vive uma epidemia de dengue é enorme. A agonia de ver pais sofrendo a perda de suas crianças, maior ainda. E me pegar absolutamente paranóica, quase tendo um treco porque MC teve febre e disse que estava com dor na barriga e nas costas, me deixou muito, mas muito aborrecida de viver nesse País e ter que passar por isso.


Chega a ser patético


Estamos, as mães cariocas, numa histeria coletiva. Na sala de espera da clínica, segunda-feira, achei graça da moça que explicava por que estava levando a filha - toda serelepe, animadíssima - à emergência: "ela teve uma febrinha ontem e hoje tá querendo ter diarréia". Não imagino o que seja uma criança querendo ter diarréia, mas quem vai julgar a preocupação e precipitação dessa mãe?

Depois, quando fazem filme retratando o Brasil como uma selva, com macacos andando pela rua, a gente fica revoltado. Não tem macaco, mas tem aedes aegypti, não dá no mesmo?

Profissional 2

Fotos André Az
Tá se achando a Julia Roberts, não tá, não?


Já que analisamos o caráter (ou a falta dele), agora vamos fofocar sobre o visual também, porque se o assunto é inevitável, vamos nos divertir. Olha a Andréia Schwartz aí, em fotos exclusivíssimas do DIA, feitas ontem à noite em Vitória, depois que a cafetina ficou loura.

Gente, o que óculos escuros não fazem por uma pessoa, né?


Terça-feira, 25 Março, 2008

Profissional


Já é fato que, aqui no Brasil, quanto mais de quinta categoria for uma pessoa, mais chance de virar celebridade ela tem. Mas bajular cafetina é um pouco demais, não é, não? E só o que nos faltava era ver essa Andréia Schwartz virar heroína. Ok, ela ajudou a polícia de Nova Iorque a descobrir que o governador usava dinheiro público para pagar por serviços sexuais e derrubar o sujeito. Mas a verdade é que ela vivia ilegalmente nos Estados Unidos, explorava brasileiras e foi presa por prostituição (que é crime em Nova Iorque), tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, o que, na minha mais modesta opinião, não faz dela uma pessoa a se admirar.

Aí, na ótima série de reportagens que o DIA publicou, aparecem os pais dela, todos orgulhosos da filha capixaba de origem muito pobre que venceu na América. E, não satisfeitos, admitem que ainda pretendem ganhar dinheiro com a fama da pimpolha. Ah, o berço, né, gente?

Para melhorar, a moça chega, faz pose de celebritie-perseguida-por-paparazzi, cobra para dar entrevistas e, na hora em que resolve falar de graça, diz que nunca foi prostituta, que o porte de drogas foi 'plantado' pela polícia, que jamais lavou dinheiro algum, e que foi tão roubada que veio embora para o Brasil sem trazer nem as calcinhas. Eu também acredito em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa.

Agora a pergunta: agenciar modelos para acompanhar executivos e homens importantes, se não é prostituição de luxo, é o quê, querida? E se você não trabalhava no ramo, como é que sabe que o tal do Eliot Spitzer era voyeur?

FILIPE ARAÚJO/AGÊNCIA ESTADO
E ela ainda diz que tem 31 anos...

Domingo, 23 Março, 2008

A SALTO AGULHA DESTA SEMANA


A Gente Só Precisa Acreditar

Sim, sabemos que viver 100% do tempo com os pés no chão e uma postura cética diante da vida é praticamente impossível. E chato. Daí que as crenças existem mesmo para dar um molho, ou uma razão, a essa bagunça toda e, se não precisássemos de dicas, explicações, teorias, dogmas, filosofias ou o que valha, as igrejas não se reproduziriam com a velocidade que têm se reproduzido nem estariam cada vez mais lotadas, e livros como ‘O Segredo’ não fariam tanto sucesso. Então acho que o tal segredo deve estar em cada um encontrar o seu cada um e seguir em frente, porque ficar julgando as fórmulas alheias não está com nada.

Se bem que, essa semana, toda essa idéia pode ter mudado. Porque quando achávamos que já tínhamos visto tudo na vida, que todas as opções já nos tinham sido oferecidas, eis que nosso nobre colunista lá da página 4 do jornal nos faz a revelação do ano: um tal de Ministério Brilho do Sol oferece jornadas de milagres e, entre todas as bênçãos que os fiéis podem receber, está a ‘lipoespiração divina’, que despacha, sabe-se lá para onde, de 3kg a 5kg de cada discípulo no momento da oração. Acho que se chama ‘lipoespiração’ porque como não há qualquer aparelho para aspirar a gordura excedente, cabe a nós ou a quem quer que se submeta a isso espirar — ou expirar — a banha que sobra. Agora me digam, é ou não é para jogar tudo em que acreditamos até agora para o alto e aderir em massa?

Essa tal jornada começou domingo passado e acabou sexta-feira, então ainda não foi dessa vez que pudemos nos beneficiar, amigas. Mas haverá próximas e se alguém aí mora em Caxias, fique atenta à distribuição de folhetos da seita, ou igreja, ou sei lá, e avise para nos inscrevermos todas na próxima série de milagres. E enquanto esperamos essa maravilhosa oportunidade, já vamos nos livrando de conceitos ultrapassados. Agora que vimos a luz, não vamos mais perder tempo nas trevas das dietas, malhações exageradas e sessões histéricas de briga com a balança e o espelho. Agora que já sabemos que é uma questão de poder da mente e que sai de graça — pelo menos até passarem a sacolinha —, podemos ir mentalizando aquele corpo com que sempre sonhamos enquanto caímos de boca no bacalhau, no vinho e nos ovos de Páscoa sem culpa.

E se a coisa começar a ficar feia a ponto de você achar que uma tentativa de milagre só não bastará, tem também o livro ‘Um Feitiço Por Dia’, com 365 feitiços, encantos e poções. Aí você compra, vai arrumando uma vela branca, um castiçal, uma caneta e um broto de visco (?), e espera até 4 de abril, que é o dia do ‘Feitiço para o corpo lindo’. Depois, faz o retoque em 29 do mesmo mês, dia da ‘Poção da Longevidade’. Então, de posse de tão valiosas páginas, você vai passando o resto do ano nessa brincadeira e descobre que a vida é uma questão de fazer a mágica certa, não é incrível?

Voltando à nossa realidade, digamos, menos delirante, se somos do grupo dos cristãos, como é a maioria dos brasileiros, vamos nos livrar, pelo menos por hoje, desses desejos materiais, carnais, e pequenos, e aproveitar nosso domingo de Páscoa como nos ensinaram que deve ser: com amor e em paz. Além de vinho, bacalhau e chocolate, muuuito chocolate... Feliz Páscoa!

Sexta-feira , 21 Março, 2008

Que trazes pra mim


Feliz Páscoa a todos!


Eu achava que a gula era o pecado cujo castigo vem mais rápido: a cavalo e num cavalo que corre à beça. Mas descobri essa semana que a vaidade também é rapidamente punida, e com castigo físico mesmo.

Na quarta-feira eu, toda metida, saí me gabando de ter batido meu recorde na malhação, com 500 abdominais feitas em uma sessão de musculação. Desculpem a falta de modéstia, mas 500 abdominais, para quem há três meses estava no mais absoluto sedentarismo, são para ser cantadas aos quatro ventos, não são, não?

Pois as forças superiores acharam que eu estava exagerando na tiração de onda e, menos de 24 horas depois, estava eu entrevada, com uma crise de coluna de matar. Não quero sair dizendo que pincei o nervo ciático porque isso me faz sentir com 80 anos, mas acho que foi isso mesmo o que aconteceu. Daí que só agora recuperei as forças para teclar, ainda que me doam todos os músculos traseiros, incluindo esse que você acabou de pensar. Então, assim, meio torta, e com a missão de passar todos os dias deste feriadão aqui, trabalhando, só me resta confessar que pretendo, sem culpa, cair de boca no chocolate, e desejar que vocês tenham uma Páscoa mais animada do que essa que me espera.

Quarta-feira, 19 Março, 2008

Barraquinhos públicos


Mais divertido do que ter visto uma prostituta derrubar o governador de Nova Iorque com a valiosa ajuda da cafetina brasileira, foi ter visto o novo governador dar coletiva ao lado da mulher para dizer que ali estava casal infiel.

David Paterson, o primeiro governador cego dos Estados Unidos, ao suceder o colega que pediu para sair por conta do escândalo sexual, tratou logo de lavar roupa suja em público, antes que fizessem uma devassa em seu passado.

Mas o que mais me intriga é a cara-de-pau dos políticos, que é uma coisa universal. Porque só sendo politico, e um tanto ator, que você pega sua mulher pela mão e se posta diante de um batalhão de repórteres para dizer: "Eu traí minha mulher, essa que está com esse sorriso Colgate aqui do lado, mas pelo menos não foi com dinheiro público. Ah, sim, e Michelle já me traiu também, então estamos quites e entendidos e vocês, agora que sabem, lembrem-se de não nos encher o saco com isso nunca mais". Aí se beijam e seguem a vida como se aquele circo fosse normalzinho.

Ainda bem que não somos famosos. Já pensaram ter que sair dando satisfações de nossos relacionamentos e - eventuais e hipotéticos - deslizes? Eu, hein!

REUTERS
Pulamos a cerca, sim, e daí?

Terça-feira, 18 Março, 2008

Nota triste

Juro que queria falar de algum assunto mais divertido. Mas está difícil esquecer as coisas que estamos lendo e vendo neste início de semana. Tipo:
* Menina de 12 anos é barbaramente torturada por empresária-monstro em Goiânia
* Menina de 4 anos é encontrada em estado de abandono, pesando 7 quilos, na Bahia. Mãe foi encontrada alcoolizada, com outros três filhos
* Menina de 5 anos é encontrada em quarto de motel, em Camboriú, Santa Catarina, com três homens, um deles o pai. Exames constatam que não sofreu abuso, mas foi vítima de constrangimento
* Menina de 12 anos fica tetraplégica depois de baleada no pescoço por homens, quer dizer, monstros, que tentaram assaltar a família em Magé, Rio
* Crianças são a maioria das vítimas fatais de dengue, que provoca o caos na saúde do Rio
Que vivemos tempos de violência desmedida e descaso total das autoridades de vários setores, já sabemos, mas será que não tem nada que a gente possa fazer para poupar as crianças disso?


Parem o mundo que eu quero descer!

Segunda-feira, 17 Março, 2008

A SALTO AGULHA DESTA SEMANA


FÉ NA EVOLUÇÃO HUMANA

Tem aquela teoria de pessoas bem-educadas e avessas a barracos que diz que alguns assuntos não devem ser discutidos, pois dizem respeito a questões muito pessoais e deles dificilmente tiram-se conclusões. Mas essa teoria não vale para o jornalismo nem para a coluna — chegada a um barraquinho de vez em quando —, então vou aproveitar que o tema está em pauta para deixar o humor um pouco de lado e dizer que estou um tanto farta de ver questões religiosas interferindo nas decisões do País. Falo do julgamento da lei que permite a pesquisa científica em células-tronco embrionárias. Ou, em outras palavras, a lei que pode nos deixar em pé de igualdade com os países de primeiro mundo, que usam embriões congelados para desenvolver tratamentos e curas para doenças genéticas. O fato é que, em vez de apressarmos a aprovação da lei e tratarmos logo de arregaçar as mangas e recuperar o tempo perdido — levando em conta que, onde nos é permitido, temos uma medicina um tanto evoluída —, estamos aqui perdendo tempo com um julgamento em que se questiona o direito de interferir na criação dos seres humanos, como se embriões fossem gente.

Ouvi de uma médica outro dia na TV uma defesa que me convenceu: se considerarmos que o fim da vida é o fim das funções cerebrais, então, o início da vida deve ser o início das mesmas funções cerebrais. Daí que embriões, quando congelados, ainda não estão com as terminações nervosas ligadas, de modo que são células embrionárias e não seres vivos. Então não consigo entender por que as pessoas podem usar a fé como motivo para se incomodar de esses embriões serem usados para tentar salvar a vida e melhorar a sobrevida de milhões de pessoas. Até porque, na minha modesta conclusão, se fossem seres vivos, não deveriam estar num freezer, né?

Eu me considero uma pessoa de fé. Cristã, criada na religião católica, vou à missa de vez em quando, rezo, acendo velas, faço promessas. Mas tenho embriões congelados. Fiz fertilização in vitro porque era a única chance de ter filhos e tive a oportunidade de guardar os embriões que não foram usados para o caso de querer engravidar de novo. Se não os usar, terei o maior prazer de doá-los à ciência, com a esperança de, cheia de orgulho, um dia poder dizer ‘eu contribuí para a cura do Alzheimer’. Nunca tratei os embriões como bebês e acho que se tivesse entrado nessa onda não levaria o tratamento até o fim. Bebê eu passei a ter no dia em que um desses embriões, já implantado no útero, se desenvolveu e virou um feto. Tudo graças à ciência e às chances e incentivos que os cientistas tiveram.

Se fosse seguir a ferro e fogo as orientações das igrejas que condenam técnicas artificiais de fertilização, eu não teria engravidado. E custo muito a acreditar que Deus realmente preferisse me privar da existência da Maria Clara — que, por sinal, tem nome de santas e foi batizada. Mas isso tem a ver com a minha relação com a crença e a religião e as minhas opções pessoais. Não tem a ver com leis e decisões do Estado, que dizem respeito à sociedade como um todo. Crenças e escolhas pessoais devem interferir tão somente na vida de cada um e não podem impedir a evolução da espécie. Até porque, me perdoem a ousadia, também duvido muito que Deus se oponha ao trabalho daqueles que só querem diminuir a dor e o sofrimento humano.

Quinta-feira, 13 Março, 2008

Otávio Augusto que me perdoe, mas de todas as bizarrices da novela 'Duas Caras', a Debora de Juliana Knust se apaixonar pelo Antonio é a maior delas. E o que continua a me impressionar na novela é como quase todos os personagens são de quinta, incluindo o Antonio, que agora posa de marido dedicado, mas era podre de nojento até uns capítulos atrás.
E a pergunta que não quer calar: alguém consegue ver a Célia Mara da Renata Sorrah em ação sem ter engulhos?
E que tal a revolta dos evangélicos contra o trio amoroso, naquelas cenas tão agrádáveis de quarta-feira?
E pensar que isso vai se arrastar até maio...

Reprodução
Revoltem-se meus filhos, que, do lado de cá da tela, a revolta é geral

Quarta-feira, 12 Março, 2008

Louca obsessão


Eu tento, eu me esforço para não ser repetitiva, obcecada, mas é inevitável. Alguém pode pelamordedeus me dizer o que é Wagner Moura nos anúncios da Marisa??!! Provocação? Tortura?
Vocês já viram os dois filmes? E repararam, no primeiro, quando ele passa a língua nos lábios? Ai, ai!


Passo muuuuuuuuuito, mas muuuuuito mal

Terça-feira, 11 Março, 2008

Quero ser francesa


Gente, no mês internacional da mulher - o quê? vocês acharam que a gente ia se contentar só com um dia? -, vale destacar o governo francês. A França agora não só tem a linda de morrer da Carla Bruni de primeira-dama, como tem um time de ministras de dar inveja a qualquer país. Aliás, a ex-mulher de Sarkozy, minha xará Cecilia, também não é nada fraca. Agora vejam só a ministra da Educação, Valerie Pecresse, que sucesso:

EFE

Pois bem, essa semana, Sarkozy deu uma festa no palácio Elysee para o presidente de Israel, Shimon Peres, onde compareceu todo o seu ministério. Daí que não só nos surpreendemos com a Valerie aí de cima, como com as ministras da Justiça, Rachida Dati, que ousou de pernas de fora, e a do Interior, Michele Alliot-Marie, uma coroa chique de doer. Será que elas não querem vir aqui dar umas palestras tipo 'como ser chique e poderosa'? Eu entraria na fila.

Abalaram Paris!

Segunda-feira, 10 Março, 2008

A SALTO AGULHA DESTA SEMANA

Gente, como a semana é de data festiva, foram duas colunas, então hoje vocês têm muito o que ler. Essa é a que saiu na Tudo de Bom! domingo:

MULHERES APAIXONADAS

Antes que me chamem de careta, foi a Julia Lemmertz — que com a maior simpatia do mundo veio à redação essa semana para uma sessão do filme ‘Mulheres Sexo Verdades Mentiras’, que protagoniza — quem falou que acredita, sim, que toda mulher, ou pelo menos a maioria das mulheres, sonha com um final romântico para sua própria história. Algo tipo ficamos modernas, liberais, sexualmente atrevidas e todas as outras transformações que conhecemos bem, mas a verdade é que ainda queremos nos entender com os homens e ser feliz com eles. E confesso que ouvir isso de uma atriz que, entre tantas vantagens, está a de parecer gente como a gente, me deixou com vontade de soltar um ‘viram, eu não disse?’, porque toda vez que defendo essa idéia, quase sou apedrejada. E gente, por favor, que mal há em confessar que a paixão, o amor e o sexo, combinados, nos levam à felicidade suprema? Em que momento de nossa evolução assinamos um contrato que dizia que o preço de nossas conquistas seria endurecer a ponto de não poder admitir que homens, quando querem e têm talento, nos deixam de quatro e que isso é ótimo? Ah, por favor, né? Antiquado, para mim, é levantar bandeira da solidão como sinônimo de independência. Ou vai me dizer que você não quer encontrar o Alexandre Borges da sua vida?

Então, já que o Dia Internacional da Mulher foi ontem, vamos deixar a conversa em torno de nossos próprios umbigos um pouquinho pra lá e olhar para quem está do outro lado dessa história. Agora que os homens, salvo algumas exceções pouco evoluídas, se renderam ao nosso poder e nossa tomada de espaço, não custa nada admitir que nada disso seria possível sem eles. Não se vence uma batalha sem inimigo, mas o fato é que esse inimigo, graças a Deus, está longe de ser dos piores e o susto que ele leva com a gente, até hoje, e diariamente, até que lhe confere um certo charme. Tem quem ainda não tenha se dado conta, mas faz tempo que levantamos a bandeira branca e fomos aproveitar a paz. Como bem disse a Julia Lemmertz, no mundo heterossexual só há homens e mulheres, então não nos resta outra alternativa senão nos entendermos com eles.

Acho até que vou começar a defender a criação do Dia Internacional dos Homens. Porque eles são uns malas — ops. desculpem, foi só um deslize —, mas nós também não somos exatamente facinhas, não no sentido mais complexo da expressão. Ok, mesmo que ainda seja difícil admitir tudo isso, podemos passar a aceitar, sem culpas, fatos incontestáveis como: é com eles que a gente faz sexo e sexo é que nem pizza, até quando é ruim é bom; dormir de conchinha também é ótimo e dividir uma garrafa de vinho, melhor ainda; ouvir frases românticas não tem preço e ganhar um abraço daqueles que fazem você se sentir a mais protegida das mulheres também não. Não podemos negar que precisamos de pais para os nossos filhos, mesmo que a ciência já diga o contrário; precisamos de ouvidos para nossas neuroses e, mais do que tudo, precisamos de alguém que nos desafie, de uma forma ou de outra, a ser cada dia melhores. De modo que essa guerra dos sexos, hoje em dia, tende a acabar em empate. E talvez seja essa nossa maior conquista.

Sexta-feira , 7 Março, 2008

ESPECIAL DIA INTERNACIONAL DA MULHER

AS MELHORES CONQUISTAS


São séculos de batalha e cada conquista, mais do que festejada. Votar, trabalhar, andar com as próprias pernas, divorciar, transar sem engravidar, só engravidar quando e se quiser, usar biquíni, não usar sutiã, chefiar homens, vestir terninho, não saber cozinhar nem costurar e mais uma lista tão grande de direitos com os quais nos presenteamos esse tempo todo que, não é por nada, não, já está bom de calçar os chinelos, esticar as pernas e descansar. Ok, ok, ainda há muito o que fazer e, se sairmos do nosso guetinho para olhar o mundo, aí mesmo é que o trabalho cresce. Mas o fato é que a gente já ganhou bônus suficiente para agora dar uma relaxada, se divertir e se deixar ser, simplesmente, mulher. Daí que peço licença às batalhadoras mais ferrenhas, aquelas que não descansam nunca — e que precisam ter muito cuidado para não ficarem assim, como dizer, meio chatas — para listar uma série de frescurinhas que conquistamos e das quais não podemos mais, nunca mais, jamais, abrir mão.

Então, neste Dia Internacional de Nós Mesmas, podemos fazer um juramento de que, haja o que houver, não viveremos mais sem o direito de:

Ter um ótimo cabeleireiro, uma excelente depiladora e uma manicure de primeira linha. E que estejam sempre disponíveis e prontos a atender nossas necessidades e desejos, mesmo quando chegamos ao salão com uma foto da Angelina Jolie, apontamos e dizemos: ‘quero igual’.

Manter relacionamentos amorosos com quem bem entendermos e nos moldes que consideramos ideal, seja ele peguete, namorado, marido ou objeto sexual.

Vivermos nossos clichês sem culpa, o que significa admitir que esperamos telefonemas no dia seguinte, sim; discutimos a relação, sim; achamos que nunca temos roupa suficiente, sim, e penduramos as calcinhas na torneira do box, sim, e daí?

Usar a TPM como desculpa para tudo e em qualquer dia do mês. Então, se o interlocutor for esperto, nem pergunta o motivo dos velhos e bons ataques de choro e das famosas 265 alterações de humor por dia porque a gente vai, inevitavelmente, evocar a tensão pré-menstrual.

Usar nosso poder de sedução para o bem e para o mal, desde que, claro, o mal não seja nada além de escravizar um homem.

Ser mãe quantas vezes a gente quiser, com a idade que bem entender, desde que de acordo com a outra parte. Ah, e não ser mãe também, se essa for a vontade, sem que isso gere cobrança e olhares desconfiados.

Esperar que os homens abram portas, mandem flores e cartões carinhosos e paguem a conta quando puderem sem ter que ouvir uns ignorantes dizendo que, se a gente quer igualdade de direitos, tem que saber viver sem as gentilezas — como se uma coisa tivesse mesmo a ver com a outra.

Fazer sexo, falar de sexo, consumir sexo sem barreiras e à vontade, mas com a educação de mocinha que sempre nos foi peculiar.

Querer ser dona-de-casa, mãe e mulher cheirosinha, bem-tratada e disponível, sem que nos acusem de retrocesso.

Ser moderna, bem-sucedida, bem-resolvida, dar conta dos três expedientes diários com todos os superpoderes que nos foram conferidos, mas, acima de tudo, ser mulherzinha e com muito, muito orgulho.

Feliz Dia Internacional das Mulheres!

É nóis

Meninas,

Aí estão as fotos de nosso encontro: Julia Lemmertz, Rafael Dragaud e nós. Quem quiser se identificar, vou adorar.





Papo de mulherzinha

Quarta-feira, 5 Março, 2008

Noite feliz

Foram tantas faltas que pensei em ficar de mal geral, mas o grupo que veio assistir a 'Mulheres Sexo Verdades Mentiras' transformou nosso pequeno evento numa noite agradabilíssima. Com uma incrível surpresa de última hora: Julia Lemmertz, a protagonista do filme, veio conversar com a gente.

O filme é superbacana e o papo com a Julia, que é especialmente fofa, e com o roteirista Rafael Dragaud, que é especialmente divertido, foi sensacional.

Falamos de comportamento, sexo, de nosso jeito mulherzinha de ser, enfim, fizemos uma espécie de Salto Agulha ao vivo com participações muito especiais.

Espero que todas vocês que vieram tenham curtido e espero que encham esse post de comentários sobre essa noite. Adorei conhecê-las pessoalmente.

Ah, e sábado tem caderno especial do Dia Internacional da Mulher no Jornal O DIA, com tudo o que aprontamos aqui no auditório. Até a próxima. À tarde incluo as fotos, que hoje não deu tempo.

Clima de tensão

As coisas não andam muito boas nas fronteiras sul-americanas, mas como nós somos mulheres de paz e mulheres com olhar feminino 100% apurado, nosso comentário sobre a crise Colômbia-Equador-Venezuela é um só:
Esse Rafael Correa, presidente do Equador, não é fraco, não!

ReproduçãoReprodução
Que tal?

Esperando você para o cinema

Meninas,

Todas vocês que se inscreveram e suas acompanhantes estão sendo esperadas hoje, às 19h, aqui no auditório do DIA (Rua Riachuelo 359, Centro), para assistirmos juntas a Mulheres Sexo Verdades Mentiras. Não vão furar, hein?
E quem ainda quiser participar, dá tempo de se inscrever até o meia-dia desta quarta-feira.
Até mais tarde.
Ah, e 'Miúda', para mim você é uma menina como todas as outras leitoras, ok?

Segunda-feira, 3 Março, 2008

CONVITE

Meninas,
Aí vai a surpresa: como sabado é Dia Internacional da Mulher, o Blog Salto Agulha antecipa as comemorações e tem um convite para fazer a vocês.
Nesta quarta-feira, dia 5, vamos exibir aqui, no auditório de O DIA, o filme 'Mulheres Sexo Verdades Mentiras', estrelado por Julia Lemmertz, e vocês estão convidadas a vir assistir comigo.
No filme, mulherzinhas típicas como nós falam sobre suas relações com o sexo e, depois da exibição, a gente pode bater um papo com o roteirista Rafael Dragaud.
Vamos fazer nossa sessão de cinema particular às 19h. O auditório de O DIA tem capacidade para 100 pessoas e se a gente não lotar a sala, vão achar que o blog é um fracasso, né?
Então estou esperando vocês, meninas. Para vir, basta mandar um comentário se inscrevendo. Pode trazer acompanhante, mas como é o Dia Internacional da Mulher, é um evento só para mulheres. Mas é só dessa vez, ok, rapazes? Ah, e teremos uma lista na porta, então só pode vir quem se cadastrou.

Divulgação
Sessão de Cinema do Blog Salto Agulha, com o filme
MULHERES SEXO VERDADES MENTIRAS
Quarta-feira, 5 de março, às 19h
Auditório do Jornal O DIA
Rua Riachuelo 359, 7º andar, Centro

A SALTO AGULHA DESTA SEMANA


PARA QUE EXPLICAR

Um dos melhores momentos da teledramaturgia nacional aconteceu outro dia, em ‘Duas Caras’. Silvia, personagem de Alinne Moraes, estava despejando todo o seu ódio sobre a mãe, Branca, personagem de Susana Vieira. A moça dizia coisas horríveis, culpando a mãe por praticamente tudo de ruim que existe no mundo, quando a criatura que ouvia todos esses desaforos se achou no direito de perguntar pelo menos qual a razão de tanto rancor naquele coraçãozinho tão lindo e tão rico. “Mas, minha filha, por que você me odeia tanto?”, perguntou a ofendida mãe. Fez-se aquela breve pausa de suspense, a gente ficou aqui, do outro lado da tela, esperando uma história daquelas, cheia de revelações, quase roendo as unhas — ok, menos, que a novela não está isso tudo —, até que veio a resposta: “Eu não sei!!!!”

Pois é, minha gente, aquela que se revela ser a grande vilã da trama, a revoltada, a que faz tudo por absoluto ódio da mãe não tem nenhuma explicação para tanto sentimento ruim. O que inevitavelmente nos deixou com a sensação de que Aguinaldo Silva estava escrevendo a cena quando se deu conta de que tinha um buraco no roteiro, de que ele simplesmente não tinha uma história maior para contar ali. Aí, estava com pressa, os capítulos atrasados ou qualquer contratempo do tipo e decidiu: se eu não sei, Silvia também não sabe e estamos conversados. E ficaremos nós igualmente sem saber. Depois a audiência não é lá grandes coisas e aí ele também não sabe por que.

Mas o fato é que podemos ver certa vantagem nisso e usar o exemplo de Silvia como salvo-conduto. Porque se ela pode dizer e fazer as coisas horríveis que diz e faz sem sequer ter explicação, por que não nós, que damos ataques muito mais inofensivos? Ou vai me dizer que você nunca deu um ataquezinho de pelanca, nunca disse coisas que não queria ou não deveria dizer, nunca caiu em prantos repentinamente e, quando perguntada sobre a razão de tudo aquilo, quis responder ‘eu não sei’? É que nós sempre tentamos arranjar uma desculpa, dar uma explicação para nossas crises, ainda mais depois que a ciência descobriu a TPM e que passamos a poder contar com ela para justificar tudo. Mas a verdade é que nós, nascidas sob o sexo feminino, fazemos coisas para as quais simplesmente não encontramos motivo. E, vamos ser sinceras, não vemos nenhum problema nisso. O que não seria justo é esse privilégio do desatino inexplicável ser apenas dos bebês e das vilãs, uma vez que não estamos nem fazendo chantagem, como os primeiros, nem maldades, como as segundas — pelo menos não na maioria das vezes.

Então, usando das mesmas armas do autor de ‘Duas Caras’, podemos, a partir de agora, criar uma lista de atitudes que queremos poder ter a qualquer hora, em qualquer lugar, sem que tenhamos qualquer razão. Eu defendo que crises de choro devem encabeçar a lista. Seguida por cinco alterações de humor por dia. Ah, também não pode faltar o direito de discutirmos com o cabelo, a roupa e com o espelho, mesmo que estejam todos — o cabelo, a roupa, o espelho — ótimos. Dizer uma coisa e fazer outra pode ficar lá em sexto ou sétimo lugar e dar uns gritos com quem passar pela frente, em décimo. Não podemos esquecer de comprar uma coisa da qual não precisamos e sequer gostamos e amar hoje o que odiávamos ontem e vice-versa. Só não podemos esticar demais a lista, para não parecermos loucas. Ou vilãs. Mas aceito sugestões.