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| Cláudia Cecília |
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Queridos, desculpem o sumiço, mas ando naquele momento mulher-à-beira-de-um-ataque-de-nervos, me dividindo entre: Arrumar a bagunça da casa pós pequena obra, cuidar para que o resto dos serviços que aindam precisam ser feitos sejam feitos realmente, trabalhar em semana de lançamento de projetos novos e noticiário bombando, levar Maria Clara ao médico, o carro na concessionária, e todas aquelas tarefas diárias que vocês conhecem bem. Ok, não significa que precisasse abandoná-los, mas faltaram-me forças.
Agora percebi que tenho motivos de sobra para me revigorar, num dia em que: Álvaro Lins e mais sete comparsas foram presos, Garotinho foi indiciado, um megaesquema de corrupção envolvendo a segurança foi, finalmente, desvendado e o Brasil liberou as pesquisas com células-tronco embrionárias! Pode ser que passe rápido, mas nesse minuto estou com a boa sensação que este país ainda tem jeito. Ah, sim, e só faltam três capítulos para 'Duas Caras' acabar! Melhor, estraga.
 As quatro fabulosas de Nova YorkAdivinhem onde estive hoje de manhã? Pois, fãs, podem se remoer de inveja: assisti à exibição para a imprensa de 'Sex & The City, o filme', um dos lançamentos mais esperados do ano, no mundo todo. Diria que não é para tanto, mas isso talvez seja uma postura mais blasé da minha parte. O fato é que os adoradores da série mais badalada dos últimos tempos terão o que esperam: Carrie Bradshaw, Samantha, Charlote e Miranda estão na sala escura tal e qual estavam lá nas nossas casas. Nada mudou na passagem da TV para o cinema e isso pode parecer decepcionante para alguns, mas acho até que é o melhor. Já que era uma fórmula de sucesso, por que não repeti-la? Não adianta que não vou contar se Carrie se casa com Mr. Big ou não. Quem quiser saber que veja. Só adianto que o filme começa onde a série parou, com todas, menos Carrie, casadas e levando suas vidinhas, enquanto a escritora continua tentando transformar seu caso em namorado e o namorado em marido. Elas estão um tanto mais caretas do que quando a série começou, mas foi assim, fazendo a linha tradicional, que a história acabou, não foi?  Quando eu crescer quero ser fashion assimNo mais, não tem por que não gostar, a menos que você não gostasse da série - ok, não precisava ter duas horas e meia, isso foi um certo exagero. Ah, no visual, minhas observações são: Elas ficaram over de tão fashion , mas quem gosta de moda vai se divertir com a montação das quatro; Sarah Jessica-Parker está tão magra e malhada e caindo tão bem em roupas coladas no corpo que saí da sessão decidida a largar tudo e passar o resto de meu tempo na academia, até fazer 40 anos igualzinha a ela, e Mr. Big está precisando de uma dieta e, definitivamente, não faz o meu tipo. Ah, sim, e o dia em que eu tiver um closet igual ao que Mr. Big constrói para Carrie, não precisarei de mais nada.   Ela só quer, só pensa em se casar
PERDOAR, MAS SEM AVISAR
Foi o assunto da semana a frase com que Angélica marcou nossa edição de domingo passado. A apresentadora admitia ser ciumenta, porém ressaltou que acredita na máxima de que quem ama perdoa. E usou como argumento o fato de ser uma mulher moderna, daí considerar a possibilidade de discutir e relevar uma possível traição. Virou enquete na internet e até na rádio e, acreditem, a maioria discordou. A Salto Agulha, tentando analisar esse viés do comportamento humano, chegou a algumas, ou melhor, duas conclusões. A primeira, que aliás já foi concluída por outros antes, é: as pessoas mentem nas pesquisas. Duvido muito que essa maioria que negou perdoar nunca tenha perdoado ou acredite mesmo que jamais perdoará. E a segunda conclusão é que Angélica deveria ter pensado melhor antes de dizer o que disse. Porque a menos que ela já tenha tido que desculpar Luciano Huck por algum deslize, o que não pareceu, ela acabou dando ao marido um habeas corpus preventivo, não acabou?
Sigam o raciocínio: vai que você realmente pensa que amar significa, entre outras tantas coisas, perdoar. E entre tudo o que você terá que perdoar — são muitos os perdões, só quem nunca se relacionou não sabe —, traição estaria na lista. Você avisa ao sujeito? Tipo “Olha, amor, se eu te pegar agarrando a vizinha na escada do prédio, eu não vou gostar, vou ficar muito aborrecida, irritada e tal, vou até pensar em largar você, mas se você pedir com jeitinho, eu te perdôo, tá?”. Faz sentido isso? É ou não é passaporte para o crime? Colocando-se do outro lado da situação, você também não se sentiria, digamos, mais à vontade para jogar água fora da bacia?
Já estou até revendo a primeira conclusão, sobre mentir nas pesquisas. Talvez, nesse caso específico, quando perguntadas sobre se quem ama perdoa, as pessoas digam que não para não dar bandeira. Vai que o ser amado fica sabendo. Deve ser por isso também que eu, até agora, não manifestei minha opinião pessoal, já que aquele que mais estaria interessado em saber lê a coluna — ai dele se não lesse — e eu não vou dar esse mole que a situação não está para isso.
Ah, sim, a coluna também é obrigada a discordar de Angélica quando associa o perdão aos tempos modernos. Não tem nada de moderno nisso, muito pelo contrário: nada é mais antigo do que mulheres perdoarem as traições de seus maridos. A diferença é que hoje a gente perdoa por opção, não por obrigação, e as coisas costumam ser postas em pratos limpos, ao contrário de antes, quando a vista grossa era prática comum. No mundo machista em que vivemos tantos anos, moderno é homem perdoar a mulher que pula a cerca. Mais moderno ainda é homem que não trai e acho, inclusive, que deveríamos fazer campanha para essa modernidade. Agora mudando de pato para ganso, mas ainda no terreno das pesquisas: essa semana saiu um estudo que dizia que europeus preferem um jogo de futebol a uma noite de sexo. Eles próprios, os europeus entrevistados, admitiram isso. Pois na enquete feita aqui, os cariocas juraram que preferem sexo. Então me digam: brasileiros mentem ou não mentem nas pesquisas?
Meninas, como pelo visto a brincadeira agradou, vamos brincar mais um pouquinho. Antes quero deixar claro que a lista aí embaixo foi exclusiva para o grupo de quarentões a sessentões, ídolos que estavam no auge quando eu era adolescente. Por isso ficou muita gente de fora. Agora, para fechar com chave de ouro, aí vão os Clássicos Imbatíveis, aqueles que a gente só aprende a admirar quando atinge um certo grau de maturidade, mas, quando isso acontece, já não pode viver sem eles. Suspirem à vontade:
Al Pacino, 58 anos, e Andy Garcia, 52:
  Robert De Niro, 64, e Clint Eastwood, que faz 78 dia 31:
  Tarcisio Meira, 72, e Sean Connery, 77:
  Homens-vinho: melhores com o tempo
Já que abri meu coraçãozinho para vocês confessando a paixão por Sylvester Stallone e isso, claro, gerou polêmica, resolvi encerrar essa questão listando meus principais ídolos da meia idade. Então, amigos, e, principalmente, amigas, aí estão alguns de meus coroas preferidos, aqueles a quem, desde a adolescência, dedico os meus melhores pensamentos. E cega como boa fã, ignoro a passagem do tempo para eles e/ou seus possíveis desvios de conduta (pelo menos os menos graves). O mais novo tem 44 anos e o mais velho, 62. Vejam, concordem, discordem, façam piadas, que eu nem me importo.
Richard Gere, 58 anos; Bruce Willis, 53; Sylvester Stallone, 62, e Jon Bon Jovi, 46:
 
  Marcos Paulo, 57 anos; Dinho Ouro Preto, 44; Fábio Júnior, 55, e Paulo Zulu, 45:
 
  Ninguém tasca, eu vi primeiro
 Lindo, sim, e não se discuteEssa eu tenho que dividir com vocês: eu quase me separei no sábado à noite e confesso que estou até agora repensando meu casamento. Vejam se não era para isso: Estávamos assistindo a Rocky Balboa na TV à noite. Eu tentando me redimir dessa falha grave de ainda não ter visto o último filme da série e, mais uma vez, me emocionando com o personagem-ícone da minha adolescência. Não sei se já contei isso aqui, mas sou apaixonada por Silvester Stallone e assumo essa paixão, não importa o quanto me critiquem. Ah, sim, e choro em todos os Rocky. Pois bem, estávamos vendo o filme, quando o senhor meu marido me pergunta: 'O Rocky sempre foi assim meio burro, bobão?'. E eu, quase que em estado de choque, respondi com outra pergunta: 'Você nunca viu Rocky?!?!' Então, no sábado à noite, dia 17 de maio de 2008, descobri que sou casada há quase 16 anos com um sujeito que nunca viu Rocky. Nem mesmo 'Rocky, um lutador', o primeiro de todos. Vocês não imaginam o tamanho da minha indignação. Alguém acha mesmo que eu posso constituir família com uma criatura que não tem a menor referência da cena da escadaria? Gente, ele não entendeu o fim do filme, com todas aquelas pessoas da vida real subindo a escadaria da Filadéfia e pulando com os braços para cima lá no alto!!!! Fiquei muuuuito chocada... Decidi não alongar a conversa, antes que ele me jogasse na cara todos os Truffauts, Antonionis e Pasolinis a que ele assistiu e eu não, e eu tivesse que provar que Rocky é muito mais importante para a formação cultural de uma pessoa contemporânea e pop do que essa turma cabeça. Mas dei um ultimato: ou a gente aluga 'Rocky 1' no próximo fim de semana ou teremos que rever as bases do nosso relacionamento.  Cena ícone do cinema. E eu sempre choro
Gente, peço desculpas pelo abandono do blog esses dias, mas além de eu ter me enrolado resolvendo coisas fora do jornal, meu computador decidiu me boicotar e fiquei sem conseguir postar. Por favor, não façam malcriação e leiam a coluna, ok? Beijos a todos e boa semana.
SEM NOÇÃO DO TEMPO
Descobri ser um sentimento comum a muitos esse de a cabeça não bater com o que nossa certidão de nascimento diz. Estava achando que era um problema pessoal, preocupada até, pensando em recorrer a um terapeuta e certa de que ele me diagnosticaria com retardamento mental. Mas, felizmente, resolvi expor, me abrir com os amigos, e, sem medo de parecer maluca, desabafei: eu não me sinto com 40 anos. Ok, eu não tenho 40 anos ainda, mas não me sinto com 39 anos e nove meses de qualquer forma. Não que seja um drama ter e admitir essa idade – se fosse, não estava aqui explanando para geral –, não é recusa, é pura falta de enquadramento e o conseqüente medo, para não dizer pavor, de ter perdido o senso de ridículo.
Então, sendo esse um conflito de grande parte dos que já passaram dos 35, me sinto mais aliviada. O que não quer dizer livre. Porque ainda me pego pensando na imagem que eu fazia de adultos quarentões quando a distância entre mim e eles ainda era de décadas e continuo não conseguindo me encaixar naquela visão. Quando fiz 15 anos e teve toda a produção da festa – simples, caseira, mas com produção, claro –, me lembro de ter feito questão de deixar claro que eu e meus amigos ficaríamos no salão de festas do prédio e a velharia (pais, tios, avós, parentada em geral), no nosso apartamento, 10 andares acima. Não ia eu querer pagar o mico de ver meu pai e minha mãe dançando Michael Jackson no meio da galera, né? Pois a minha mãe, naquela data, estava com apenas 36 anos e meu pai, 47. Agora me diz se passa pela minha cabeça hoje que dançar em festa de adolescente é mico? Logo eu, tão eclética musicalmente, tão ligada nas novidades, tão supostamente fashion e jovem, tão baixinha e quase magra, não concebo sequer ser notada na pista de um baile de debutante, que dirá ser apontada como a coroa sem noção.
Sim, o mundo mudou, a expectativa de vida hoje é muito maior, somos todos mais jovens por mais tempo e, sim, adolescentes têm uma idéia muito injusta dos mais velhos. É nisso tudo o que penso para me convencer de que não é só comigo essa suposta inadequação. Não sou a única a levar vários pequenos choques por dia toda vez que ouço um ‘senhora’, não sou só eu que me interesso pelas vitrines de lojas cujo público alvo não passa dos 25, que vê a fila na porta da boate e se imagina ali, sem problema, e que conversa com o professor de ginástica sobre os mesmos interesses e faz a mesmas brincadeiras, ignorando que ele é 14 anos mais novo — isso para não mencionar pensamentos mais impróprios com figuras um tanto mais jovens, não necessariamente os professores de ginástica e nunca, jamais, os filhos das amigas. Seguindo esse raciocínio, de que apenas faço parte de um enorme grupo que não entende como o corpo envelhece e a alma não acompanha, me livro da culpa e do medo de passar por louca. Até porque terapias são muito demoradas e com 60 anos eu espero não estar mais pensando nisso.
Da série 'eu-quero-um photoshop-para-mim', olha como ficam as mocinhas de 'Sex and the City' depois de devidamente trabalhadas para ilustrar o material de divulgação do filme. Quem fez a 'denúncia', mostrando o antes e depois, foi o tablóide inglês Daily Mail, e nós, claro, não poderíamos passar sem essa.
 Sarah Jessica Parker com seus reais 42 anos e remoçada em uns 4 anos
 Kim Catral aos 51 e photoshopada
 Kristin Davis, que tem 43, fica com cara de garota
 e a caçula Cynthia Nixon, de 42, que parece ser a que dá menos trabalho ao computadorNão é por nada, não, mas esses closes do 'antes' fizeram eu me sentir ótima.
E a gravidez de Bia-Ronaldo? Providencial, não? Quem acredita levanta a mão!
É impressão minha ou as celebridades estão roteirizando suas vidas?
Domingo rolou, em Londres, a estréia de 'Sex and the City', o filme que trará Carrie Bradshaw e amigas de volta. Pois então o tapete vermelho foi estendido para fazer brilhar Kristin Davis, Cynthia Nixon, Kim Catrall e a estrela-maior Sarah Jessica Parker. Ouvi dizer que os americanos fãs da série, que não só se passava em Nova York como refletia totalmente o estilo 'big apple way of life', ficaram meio passados, para não dizer revoltados, de a estréia ser na Inglaterra. E eu acho que os ingleses, por sua vez, devem ter ficado muito passados com o decote de Cynthia e o chapéu de Sarah.

  Se a gente saísse assim na rua...
Mãe só tem duas: a sua e você Tem duas ou três coisas que eu aprendi nesses dois anos, seis meses e 14 dias de maternidade. E talvez a mais importante delas seja a conclusão de que, se mãe fosse tudo igual, a gente não faria tanta questão da nossa. Ok, há as exceções que confirmam a regra, mas o mais comum é considerarmos nossa mãe única e desejarmos que ela faça parte da nossa vida para sempre, mesmo sabendo que esse sempre tem fim — e mesmo tendo rompantes de desejar justamente o contrário. E, sinceramente, não sei como são capazes de ser mães as mulheres que já não têm as suas mães, porque para mim seria impossível contar as vezes em que recorri a minha mãe para tirar alguma dúvida sobre ser mãe. Nem que seja para ouvir o que ela tem a ensinar, discordar de tudo, discutir até virar briga e acabar fazendo do jeito que ela falou. Enfim, uma relação muito estranha, mas inevitável e imprescindível, que justifica, por exemplo, essa coluna não ter nem chegado ao fim do primeiro parágrafo e a palavra mãe já ter sido escrita sete vezes. Ah, sim, e entre as coisas aprendidas está também a certeza de que, a não ser que nossa criação tenha sido uma coisa muito traumática, vamos, sim, repetir a fórmula familiar, ou pelo menos boa parte dela. Ou vai me dizer, querida leitora, que você nunca se pegou agindo com seus filhos exatamente como sua mãe agia com você?
Pensando nisso, a Salto Agulha resolveu dar uma força para as mulheres que estão se iniciando agora ou planejando se iniciar nessa complicadíssima e apaixonante etapa da vida. E antes que você se surpreenda achando que o encosto da sua mãe baixou em você, a coluna avisa que você, querida, tal e qual sua progenitora, em algum momento vai:
Dizer a sua filha que ela não pode sair com calcinha velha ou furada, porque, se sofrer um acidente na rua, vai passar vexame. Tenho uma amiga, coitada, que a primeira coisa que pensou quando bateu com o carro foi se estava de calcinha nova, para não levar uma bronca.
Responder ‘eu não sou mãe do Paulinho’ quando seu filho resmungar que não pode ir à festa, mas todo mundo, até o Paulinho, vai.
Fazer um drama porque as crianças — já com uns 17 anos, mas, para você, sempre crianças — ficaram na ‘night’ até de madrugada e você “não dormiu enquanto elas não chegaram”.
Berrar que não tem nada mais insuportável do que botar a comida na mesa e ficar chamando, chamando, sem que ninguém apareça para almoçar.
Ensinar sua filha a lavar as calcinhas no box e considerar um grande progresso se conseguir que seu filho tire as cuecas do chão para o cesto de roupa suja.
Jurar, cada vez que eles terminam um namoro, que não vai mais deixar que eles levem nenhuma namorada ou namorado em casa porque, poxa vida, quando você se apega, lá vem outro. Como se você, de fato, acreditasse que o primeiro namoro fosse virar casamento.
Ah, sim, você também vai dizer que não liga para datas festivas, mas vai ameaçar cortar os pulsos caso eles se esqueçam de alguma; vai fazer discurso contra sexo casual, drogas pesadas e rock’n’roll de baixa qualidade com a cara mais lavada do mundo, como se nada disso tivesse feito parte de sua vida, e, depois dessas e tantas outras, vai entender sua mãe muito melhor do que quando só ela tinha filhos. E pode ficar tranqüila: embora esteja repetindo sua mãe em quase tudo, você, para os seus filhos, também será única.
A nota triste da semana veio hoje, com a morte do jornalista, colunista de O DIA há 20 anos e ex-senador Artur da Távola. Por que resolvi falar disso? Porque, em parte, devo a ele o início da Salto Agulha. Vou contar: Eu já era editora e, na falta de reportagens para escrever, vinha amadurecendo a idéia, no caso, mais vontade do que idéia, de fazer uma coluna de comportamento que tratasse do universo feminino. Mas ainda hesitava em sugerir isso a meus chefes. Até que um dia o Senador, como o chamávamos, carinhosamente, me ligou - ele, também carinhosamente, me chamava de 'minha editora' - dizendo que tiraria férias da coluna, coisa raríssima nesses anos todos de jornal. Foi quando aproveitei a deixa para sugerir aqui que me dessem a chance de, por um mês, cometer a ousadia de ocupar aquele espaço. Assim nascia a Salto Agulha: ocupando, interinamente, o nobre cantinho de Artur da Távola, que, por coincidência tinha sido meu paraninfo na formatura da faculdade. Na última vez em que nos falamos, ele, todo fofo, me disse que se sentia muito honrado de que meu trabalho como colunista tivesse começado no espaço dele. Eu torcia, para, quem sabe por osmose, sair daquele canto com um tiquinho de toda a sabedoria do Senador, mas, sem falsa modéstia, acho que não rolou, não. Uma pena que o país tenha ficado sem mais um sujeito bacana e que nós, leitores, tenhamos perdido mais um bom texto. São tão poucos - sujeitos bacanas com bons textos -, que não podemos desperdiçar.
 O Senador, em 2006, se esforçando para ver se eu aprendia alguma coisa...Bom fim de semana a todos. E, claro, FELIZ DIA DAS MÃES, amigas
Para elevar nossa auto-estima, vejam só se essa cidade não é uma delícia, com uma fauna de jet set internacional:
 Caminhando na praia, os macho men do Village People e...
 passeando nas ruas de Ipanema, o todo chique Calvin Klein com um amigoE depois ninguém entende porque carioca é blasé. A gente pode.
Quantas mulheres vocês já viram essa semana ou ainda vão ver tendo ataques de pelanca por conta do Dia das Mães? É a semana do sofrimento: a criatura mulher-mãe-profissional tem que trabalhar e a escola, claro, marcou a festinha para o meio da tarde de um dia útil. Aí, mais uma vez, a gente tem que se virar, ficar mal com o chefe e morrer de culpa, porque até vai conseguir chegar, mas vai chegar atrasada, quando metade da musiquinha que a criancinha ensaiou para você já tiver sido cantada - pelas outras crianças, claro, porque a sua é a que dá aquele ataque súbito de timidez e fica parada feito estátua. Quando é que as escolas vão se dar conta de que faz tempo que a mãe saiu de casa para trabalhar e passar a marcar essas malditas festinhas no fim de semana? Ou desistir delas de vez, já que o transtorno acaba sendo maior do que o prazer? Porque, vamos combinar, a primeira festinha é linda, a segunda é fofa, a terceira é ok e já está de bom tamanho, que nem espaço para guardar porta-retrato de papelão você tem mais.
Sim, tenho esperanças de que um dia vamos parar de falar do barraco de Ronaldo. Eu só tenho mais uma pergunta a fazer: Os travestis foram, espontaneamente, à delegacia desmentir tudo o que haviam dito, mostrar arrependimento e elogiar a atitude de Ronaldo naquela noite no motel e ninguém vai desconfiar de nada? Depois da entrevista chapa branca de domingo e dessa surpresa de ontem, o próximo passo será Bia Anthony perdoar o namorado e voltar com ele para a Europa. E tudo continua como antes, até voltarmos a nos divertir com um novo escândalo.
Acho que podemos ter uma semana só de lazer, que tal? Então vejam a escolha Salto Agulha da matéria feita pela Revista Tudo de Bom! deste domingo. Entre os mecânicos da vida real, descobertos pela TDB!, que fariam frente aos da novela 'Duas Caras', fico com:  Murilo, 32, que atende na oficina 480, na Penha, e...
 ... Carlos Henrique, 28 anos, da Almeida's Car, em BotafogoAgora me digam, meninas, o carro de vocês não acabou de dar problema? E vocês não acham que podemos virar produtoras de calendários?
Para dar um pouco de glamour à nossa semana, ontem teve baile de gala do Instituto de Figurino do Metropolitan Museum of Art, de Nova York. Era a abertura de uma exposição que mostrava grandes figurinos do cinema, como os usados por Christopher Reeve em Super Homem e Tobey Maguire em Homem Aranha, entre tantos outros. Quem realmente importa estava lá e a Salto Agulha selecionou umas fotos para vocês comentarem à vontade. Na seqüência:
1. Claudia Schiffer num vestido duvidoso e o homem-cenoura Valentino, criador do modelito. 2. A sempre linda modelo Iman e seu David Bowie, que dispensa comentários. 3. O casal exótico Katie Holmes e Tom Cruise. Tenho uma teoria de que ela é a Nivea Stelman dos ricos e esse vestido vermelho com sapato azul pode ser a prova. 4. Jennifer Lopez recém-parida de seus gêmeos, mostrando como uma diva se apresenta pós-gravidez, e o maridão, Marc Anthony. 5 e 6. As esquisitíssimas Jennifer Connelly e Liv Tyler, mostrando como por mais linda que seja uma mulher, sempre dá para estragar. 7. E, para fechar matando a gente de inveja, o casal-escândalo Gisele Bündchen e Tom Brady. Ela, um pouco mais magra do que deveria, e ousada como deveria ser sempre (que decote é esse, hein?), e ele, simplesmente lindo de morrer.
 
 
 
 Agora a gente suspira - ai, ai! - e volta à vida real
A DOR DO CHIFRE PÚBLICO
A essa altura já fizemos todo tipo de comentário e piadinha grosseira sobre o barraco do ano, protagonizado por Ronaldo e suas três travecos. E olha que a gente achava que o episódio Cicarelli seria o melhor que o Fenômeno poderia nos oferecer, mas ele foi tão além do que pudemos supor que vai ser difícil esquecer esse assunto. E um dos desdobramentos é uma velha questão que insiste em nos assombrar: a traição pública. Não é a primeira vez que tratamos disso, mas o tema é recorrente e não custa nada botar em pauta sempre que pintar oportunidade — quem sabe assim nos preparamos para a possibilidade, remota, claro, de chegar a nossa vez. Porque por mais que a gente tente fazer a linha não-dou-importância-para-o-que-dizem ou minha-vida-não-diz-respeito-a-ninguém, ser traída em cadeia nacional — ou mundial — é simplesmente a morte. Quando o sujeito (ou sujeita, que não somos santas) pula a cerca com discrição, numa situação em que só ele(a) e a sujeitinha(o) de quinta ficam sabendo, sem que ninguém mais tenha notícia dessa baixaria, fica, sim, mais fácil de, quando se descobre, perdoar. Você faz um escândalo a dois, joga tudo o que tiver em casa em cima da criatura traidora, deixa ele sem sexo pelo tempo que você agüentar, impõe mais uma série de castigos e torturas, diz que na próxima ele será capado etc., mas se achar que vale a pena, se acreditar que pode ter sido um deslize isolado, se estiver a fim de passar uma borracha e começar tudo de novo, é problema seu. Ou melhor, é a solução que você acha a mais adequada para sua vida e ninguém tem nada com isso. Até porque ninguém vai saber. E, se por acaso, você achar que tem mais é que mandar o pulador de cerca para o inferno e quiser jogar a titica toda no ventilador, para o mundo saber o tipinho que ele é e a coitada que você foi, tudo bem também, é opção sua. Mas quando ele(a) não teve nem o respeito e o cuidado de preservar sua imagem, quando aquele para quem você foi tudo um dia não se importou de vê-la passar por uma espécie de celebridade do mundo dos cornos, aí a coisa muda muito de figura. No dia em que uma pessoa tem a sorte ou o azar de ser promovida a namorada do Ronaldo Fenômeno, esse risco está no pacote. Ele já deu várias demonstrações de que, nesse setor, é craque nas faltas graves e só não foi expulso de campo mais vezes porque algumas das jogadoras acharam que o resto (dinheiro, fama, viagens, presentes) compensava os chifres. Mas vamos supor que Bia Antony tinha esperanças de que com ela fosse diferente. Não é normal acreditar que você foi predestinada a endireitar aquele pau que nasceu torto (sem trocadilhos, por favor)? Então estava lá a moça achando que dessa vez ia dar certo. Com outros interesses ou não, o que importa é que ela estava ali se dedicando ao relacionamento. E, justiça seja feita, Maria Beatriz foi a mais discreta das namoradas que Ronaldo já apresentou ao mundo. Não saiu dando entrevistas posando de primeira-dama do futebol, não foi às compras na Europa vestida de pistoleira, não teve pai e mãe para aparecer dizendo que fazia gosto no novo genro, nem saiu anunciando casamento faraônico. Se ela era melhor do que as outras, não sei, mas até então, era a mais fina. Aí um dia Bia acorda e vê seu noivo nas páginas dos jornais. E vê a foto de travestis inacreditáveis e descobre todo aquele babado. E se vê transformada em traída universal, já que o mundo todo, literalmente, viu. É uma história tão surreal, tão de décima categoria, tão ruim para o Ronaldo, que acho que não deu nem para manchar a imagem dela. Bia tirou seu time de campo com a mesma discrição com que entrou e saiu de chique. Era isso ou correr o risco de encarar um Talavera Bruce — porque que deve ter dado vontade de matar, ah, deve.
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