A notícia da semana, no âmbito comportamental, foi a de que os homens estão mais românticos e as mulheres, mais ‘saidinhas’. Informação revelada, obviamente, por pesquisa, desta vez promovida pelo Hospital das Clínicas de São Paulo e o laboratório Pfizer, que faz o Viagra. Nela, mais da metade das mulheres entrevistadas se disse capaz de separar sexo de amor e de fazer o primeiro sem o segundo, o que está sendo considerado um avanço e tanto. E os homens, por exemplo, não só estão dando mais importância ao, digamos, sentimento, quanto se mostram verdadeiramente marcados por alguns relacionamentos. O melhor é a avaliação de uma das pesquisadoras, que diz que com homens e mulheres avançando em sentidos opostos, estamos caminhando para um equilíbrio. Tipo nem eles serão mais tão insensíveis quanto os acusamos, nem nós tão melodramáticas quanto eles dizem. Não sei vocês, mas achei a notícia ótima, mesmo que não chegue a ser uma grande novidade — na percepção da Salto Agulha, há tempos há homens que querem amorzinho e mulheres que só querem prazer. Mas assim, declarado oficialmente, a gente pelo menos pára de rotular os sexos, já que não consegue parar de generalizar.
Agora vem a parte assustadora. E diz respeito a nós, as cariocas. A maioria das mulheres deste balneário (64,8%) diz que a preocupação com a aparência durante a relação sexual beira a paranóia e 50,3% admitem que isso, a paranóia, chega a atrapalhar a transa. Ok, estranho seria se a aparência não importasse, uma vez que não há jogo de sedução sem atração física. O cuidado com o corpo faz parte da saúde sexual, já cansamos de ouvir isso. O susto é saber que isso vira paranóia. Uma coisa é ter problemas com a aparência a ponto de afetar a auto-estima e gerar insegurança e isso, sim, atrapalha não só o sexo como vários outros setores da vida. Outra coisa é, uma vez a conquista realizada, se deixar levar pelo pavor de ter os defeitos percebidos. Assim nós vamos acabar é dando razão a quem nos acusa de sucumbir à ditadura da beleza, dos padrões estéticos, da moda e sei lá mais do quê. Não pode, né, meninas?
Até porque, vamos imaginar assim: a conquista, na maioria das vezes, acontece com homem e mulher de roupa, vestidos, que é como as pessoas costumam se encontrar. Sim, para tudo há exceção, e se você já tirou a roupa primeiro para depois perguntar o nome de quem também está nu na sua frente, aí é outra história. Mas no curso mais comum, quando se chega ao sexo propriamente dito, quando estão você e o sujeito pelados, a atração física já aconteceu em outro momento, o tesão rolou antes, e aí, para desandar, tem que ser um desastre muito grande. Tipo, sei lá, você tira o sutiã com enchimento, tira os bicos de seio artificiais, os cílios postiços, o aplique do cabelo, a calcinha com sustentação e se revela uma fraude absoluta. Aí realmente não dá para culpar o sujeito nem reclamar da sorte. Mas, no geral, não vai ser uma barriguinha aqui, um peito de menos ali ou uma celulite acolá que vão alterar a performance e o prazer do sexo. A penumbra existe para dar uma força. E a cabeça, mais ainda. Porque não basta ser saidinha. Tem que ser desencanada, ter auto-estima em dia e bem tratada. Aí, sim, a gente vai longe. Eles não vão nem agüentar.
Ok, perderam o fôlego agora, né? Mas reconheceram? Pois bem, eu também não acreditei: é o Kayky Brito, minha gente, que ficou assim para viver um surfista na próxima novela das sete, 'Três Irmãs". Esses meninos crescem que é uma beleza... Ah, sim, ele está namorando a filha da Monique Evans.
Isso que vocês estão vendo aí em cima é uma espécie de fotonovela da vida real, com imagens que teriam flagrado Victoria fazendo uma ceninha de ciúme com David Beckham, no que parece ser um estádio em jogo de basquete. Notem a seqüência: Beckham dá uma conferida no traseiro da cheer leader à sua frente, Victoria percebe, dá uma resmungada, Beckham, com cara de cínico, tenta apaziguar e, sem sucesso, vira de lado com vontade de rir. Agora a questão: ou essa fotonovela é forjada ou é alguma campanha publicitária que a gente ainda não sabe qual. Primeiro porque, na minha modestíssima opinião, essa conferidinha não é motivo para barraco. A não ser que Posh seja muito boba e insegura. Segundo porque, se vocês repararem bem, as fotos não foram feitas no mesmo lugar nem na mesma hora. A não ser que nosso muso tenha trocado de roupa e feito a barba no intervalo do jogo. Voltem lá e reparem de novo: nas duas primeiras imagens, ele está de camiseta cinza e barba serrada. E não parece ter ninguém a seu lado. Nas seguintes, as mulheres são outras, ele está de camiseta branca com casaco preto e o rosto lisinho. Mistério...
A imprensa internacional dá conta de que Madonna e Guy Ritchie estão se separando. A cantora já teria até entrado em contato com a mesma advogada do Paul McCartney para dar entrada no processo de divórcio. Guy também já teria acionado sua defesa. Não que eles estejam brigando, mas com tanto dinheiro envolvido, não dá para ser só na conversa, né? Fico triste. Achava que Madonna tinha encontrado sua felicidade familiar. Mas deve ser coisa de fã - sim, amigos, sou muuuito fã da Madonna. E fico triste com qualquer separação. Ah, o que eu achei estranho é que dizem que o divórcio aconteceria no fim da turnê, em novembro. Esquisita essa espera, não? Tomara que seja tudo mentira.
A gente torce, mas se ela quiser mandar ele pra cá, a gente cuida
É claro que a gente não tem nada a ver com a vida alheia, só se mete um pouquinho por diversão, né? Então, lembra daquela sua amiga que de repente começou a namorar um cara nada a ver e você nunca se convenceu do romance? Acho que todo mundo já passou por isso e teve vontade de dizer 'querida, bota a fila para andar que desse mato não sai cachorro'. Até que o tempo te deu razão. Lembrei disso vendo umas fotos esses dias. E resolvi selecionar três casais, digamos, inusitados. Isso porque somos finas, senão diríamos bizarros mesmo. Vejam se concordam:
Não sou das mais fanáticas, não, mas gosto de futebol. Gosto de ver bons jogos e confesso que me empolguei com a Eurocopa, que está chegando ao fim e teve partidas animadíssimas. Acho divertido torcer pelo Portugal de Felipão ou bancar a defensora dos fracos e oprimidos e gritar pela Turquia ou Croácia. Fora, claro, ou melhor, principalmente, o festival de gatos que passam de um lado para o outro da tela. Hoje tem semifinal Espanha x Russia. O vencedor disputa o título com a Alemanha. Vou torcer pela Espanha, claro, porque além da latinidade, tem jogadores óootimos do ponto de vista feminino. A fim de aumentar essa torcida, separei quatro bons motivos para assitirmos a esse jogo e torcermos para os rapazes de vermelho com dourado (o uniforme, aliás, é lindo):
O goleiro Iker Casillas e Cesc Fabregas O brasileiro Marcos Senna e Alvaro Arbeloa
Uma menina de 14 anos, classe média, moradora de Botafogo, sumiu de casa. Deixou bilhete dizendo que estava de saco cheio da vida que levava. Os pais procuraram ajuda na FIA (Fundação da Infância e Adolescência) e lá disseram que a filha é uma jovem muito tímida e na dela, que passa sete horas por dia na frente do computador, freqüentando sites de relacionamento. A menina foi encontrada em São Paulo no dia seguinte. Estava travestida de menino, dizia ter nome de menino e tinha viajado para a capital paulista para encontrar a namorada que fez pela Internet. A familia da paulistana chegou a ir à rodoviária receber o namoradinho da filha - ninguém sabia que era menina.
Não sei para vocês, mas para mim essa história foi assustadora. Até então, me parecia exclusividade do filme 'Boys Don't Cry' (Meninos Não Choram), aquele que deu o Oscar à Hilary Swank. Não só me impressiona o comportamento da garota como o dos pais, que achavam normal uma garota de 14 anos passar sete horas na Internet. Se nós antes só nos preocupávamos com o que os filhos faziam da porta para fora, longe de nossos olhos, agora temos que saber que há um mundo inteiro a seduzi-los dentro de casa, debaixo de nosso nariz. Haja autoridade, disciplina, confiança e controle da situação. Que medo.
Aí vem a notícia de Campinas dando conta de que uma mulher de 44 anos foi seqüestrada, mas, felizmente, a polícia chegou, libertou-a e prendeu os bandidos. Então descobriu que a mandante do crime era a filha da vítima, de 19 anos, em parceria com a namorada, de 21. E a ordem dada aos bandidos contratados era de que matassem a mãe. A polícia suspeita de que a filha tenha sido motivada pela vontade de viver seu romance em paz. Que medo 2.
Não sei não, mas acho que alguém tem que descobrir o que está havendo com os jovens no momento em que descobrem sua sexualidade, ou sua homosexualidade, e como os pais estão reagindo isso. Alguma coisa, ao que parece, está fora da ordem.
Enquete Salto Agulha. Estou ficando maluca ou faz sentindo:
Eu me desesperar com as férias da babá a ponto de pensar seriamente em fazer campanha para um projeto de lei que proíba essa categoria de ter recesso? Antes que vocês decidam se é loucura ou não, devo esclarecer que: moro a 35 km do trabalho, a 38 km da minha mãe e a 20 km da sogra. E saio do trabalho entre 22h30 e 23h, todos os dias. É ou não é para querer babá em regime de escravidão? Fora que a criança chora de saudade, não desgruda do meu pé e passa 30 dias manhosa...
E é loucura ou faz sentido eu me preocupar com o fato de ser a única mulher na face da terra que não tem uma bota? Entra inverno, sai inverno, e nunca consigo comprar um maldito par de botas que me agrade ou que se ajuste a meu metro e meio de altura. Mas aí fico achando que não posso, aos 39 anos, mulher feita, não ter uma bota. A última que tive foi aos 13 anos. Durou até os 15, se não me engano, o que me dá 25 anos de carência.
Aguardo respostas. E não reclamem, porque esse blog não se chama Salto Agulha à toa.
Mais um sorteio desses e eu perco o emprego, de tanto tempo que fiquei aqui cortando e dobrando papelzinho, fora o aluguel de pedir aos colegas que sorteassem os nomes, para não correr o risco de o resultado gerar dúvidas. Daqui a pouco vou ter que contratar auditoria e tudo... Mas vamos ao que interesssa. Os vencedores da Promoção Mais Mulherzinha Impossível são:
Sex & The City (dois livros):
Hellen Caroline (hellencaroline@gmail.com) e
Paola (paoladechiara@gmail.com)
Por Que os Homens se Casam com as Manipuladoras? (dois livros):
Tha (tatmdi@gmail.com) e
Leticia Maia (leticia.maia@ig.com.br)
O Jogo - A Bíblia da Sedução (três livros):
Vanessa (vanessaspeedy@hotmail.com),
Michelle (mibatts@yahoo.it) e
Claudia (claudiafariass@hotmail.com)
Parabéns a todas as sorteadas (só mulher, né? meu deus...) e muito obrigada pela participação de vocês todos. Agora vou mandar e-mails para vocês, meninas, para pegar endereço de entrega dos prêmios.
Nossa promoção acaba de ser encerrada. O sorteio será feito com os comentários que foram postados até agora. A boa notícia é que consegui angariar mais livros para a promoção. Então serão:
2 exemplares de Sex & The City
2 exemplares de Por que os Homens se Casam com as Manipuladoras e
Gente, o que foi essa mulher lá nos Estados Unidos que resolveu dar de presente de aniversário ao marido, que fazia 40 anos, um ano inteiro de sexo diário? Charla Muller, moradora da Carolina do Norte, ainda achou que o mundo precisava saber dessa sua história e a transformou no livro ‘365 Nights: A Memoir of Intimacy’, ou ‘365 Noites: Uma História de Intimidade’ - e que intimidade. Casada há oito anos, com dois filhos e, segundo ela, uma relação sólida, ela decidiu estreitar ainda mais os laços - e outras coisinhas mais - com o marido e lhe fez essa sugestão inusitada de presente. Ele, claro, topou. E as mulheres do resto do planeta que têm maridos de 39 anos estão supertensas com a possibilidade de seus parceiros se empolgarem com a idéia e pedirem para ser igualmente presenteados.
Charla esclarece no livro que o casal estipulou algumas regras, tipo se um não quisesse transar em determinado dia, era só falar e tudo bem. Desde que fosse exceção, claro. E quando um dos dois precisasse se ausentar, viajando a trabalho, por exemplo, eles não precisariam compensar o sexo perdido depois. O que significa que eles não transaram 365 dias seguidos, como sugere o título do livro, mas, ainda segundo a autora, mantiveram uma média de 28 vezes por mês, que dá 336 vezes no ano. Charla diz que queria mostrar ao marido, Brad, que ela estava realmente comprometida com o casamento e encontrou no sexo diário a melhor expressão dessa dedicação.
Não quero derrubar minha própria imagem, não, mas eu cansei só de ler essa história. O livro ainda não chegou por aqui, mas me digam se nós conseguimos imaginar outra situação que não seja a de que:
Esse casal tem babá, empregada e/ou avós à disposição 24 horas por dia, sete dias por semana, e só precisa se dedicar aos dois filhos quando quer. Por isso, e só por isso, Charla consegue dormir noites inteiras sem ser incomodada pelas crianças (se eles estão casados há oito anos, os filhos só podem ser crianças) e só acorda quando tem vontade. Eles moram numa casa grande, com vários cômodos à disposição para eles variarem bastante e paredes a prova de som — o som deles e os das crianças. Se Charla trabalha, é só meio expediente, e seus horários sempre coincidem com os de Brad, ao contrário de boa parte de nós, que passa a semana dando boa noite e bom dia ao marido e o resto da conversa é por telefone. Charla tem manicure, depiladora e ginecologista à disposição e dinheiro para mantê-los assim. Brad não se aborrece no trabalho, não tem dívidas para pagar, o time dele não perde final de campeonato e seus amigos nunca o convidam para uma noitada regada a álcool. Charla não tem TPM, não fica naqueles dias, desconhece dor de cabeça, dor de barriga ou qualquer dor e nunca se acha muito gorda, muito magra, muito feia, muito nada. Ah, claro, e o Kama Sutra deve ser o livro de cabeceira dos dois desde que eles aprenderam a ler.
Assim, vivendo vida de comercial de margarina, é mole dar conta dessa maratona sexual. Resta saber como foi ao fim desses 365 dias. Vamos ter que esperar o livro chegar para descobrir. Ou, se alguém por aqui resolver copiar a idéia, conta pra gente depois.
Para garantir um fim de semana em alto astral, outro momento suspiro, desta vez com produto nacional. Com vocês, Cauã Raymond desfilando na São Paulo Fashion Week para a carioquíssima marca Blue Man:
Usando a expressão da hora: ADORO!
Isso aqui tá quase virando blog de homem pelado... Bom fim de semana!
Agora vamos, meninas, ao momento surto coletivo. Aí estão as novas fotos da campanha de underwear da Emporio Armani com David Beckham. Quem está rindo de orelha a orelha é a mulherada e os gays de San Francisco, que foram brindados com esse mega outdoor na fachada da Macy´s. Agora imaginem essa segunda foto esticada num prédio qualquer aqui da cidade: eu não poderia nem dirigir!
Faz tempo que a gente não tem um sorteio aqui, né? Pois então vamos lá: presentinho de, sei lá, festa junina, mês dos namorados, chegada do inverno, o pretexto que vocês acharem melhor. Os livros, por acaso, coincidem no tema: os relacionamentos e suas inúmeras questões. Então, quem quiser, pode concorrer a:
Um exemplar da edição de bolso de 'Sex And The City' (Candace Bushnell, Ed. Best Books), o livro que inspirou o seriado que inspirou o filme. É nessas páginas que começa a trajetória de Carrie Bradshaw, Samantha, Charlotte e Miranda. Mais mulherzinha, impossível.
Um exemplar de 'Por Que os Homens se Casam Com as Manipuladoras' (Sherry Argov, Ed. Best Seller). Escritora e colaboradora de revistas como Cosmopolitan, Squire e Playboy, Sherry defende neste livro que as mulheres realmente muito legais nunca conseguem fazer os homens ficar a seus pés. E que para levá-los ao altar é preciso alguma dose de esperteza e manipulação. Ela usa casos apurados em entrevistas para dar dicas de conduta. Mais mulherzinha, impossível.
Um exemplar de 'O Jogo, a Bíblia da Sedução' (Neil Strauss, Ed. Best Seller). Neil é um jornalista especializado em rock e absolutamente inapto na arte de atrair as mulheres. Até que ele resolve fazer uma espécie de jornalismo participativo, arruma um mestre que o inicia nas técnicas da sedução, muda radicalmente o visual e parte para a guerra. O resultado é esta espécie de manual da conquista, a partir da experiência do autor, que acabou conseguindo pegar geral. Mais homenzinho, impossível.
Agora incluam seus comentários e participem. No comentário, vocês têm que dizer 'eu quero ganhar o livro...'. Se quiserem concorrer a mais de um, basta citar os titulos. Tem que ter endereço de e-mail no comentário. Boa sorte. O resultado sai na segunda-feira.
Estou muito revoltada e precisava dividir isso com vocês. Em 2006, minha declaração de imposto de renda caiu na malha fina. Estavam lá todos os gastos médicos que tive durante o tratamento para engravidar: de ultrassonografias ao procedimento de coleta dos óvulos e ao congelamento e descongelamento de embriões. Os remédios, que são a parte mais cara do tratamento, eu não incluí, porque sei que remédios não são passíveis de restituição. Mas procedimentos médicos, sim. Há um mês e meio, dois anos depois, fui convocada pela Receita Federal para apresentar toda a documentação relativa àquela declaração: recibos médicos, notas fiscais etc. Com tudo devidamente organizado, fui recebida num esquema de plantão, porque os auditores fiscais estavam em greve - aquela greve em que eles pediam que os salários de R$ 16 mil passassem para R$ 24 mil e foram atendidos. Então entreguei meus documentos sem que eles sequer fossem conferidos, afinal quem deveria fazer isso não estava trabalhando, porque, coitado, ganha uma miséria. E me avisaram que aguardasse novo chamado para entrevista.
Ontem fiz consulta ao 21º lote da malha fina e lá estava a boa notícia: finalmente minha restituição saiu. Estranhei que tenha saído sem que eu tivesse sido chamada para a tal entrevista, mas fiquei feliz da vida com a expectativa de pagar dívidas e organizar minhas finanças. Pois bem, felicidade de pobre dura pouco. Hoje recebi uma correspondência dizendo que minha restituição foi reduzida para um quarto do valor, porque a maioria dos gastos médicos não foi aceita, uma vez que não estão previstos na lei. O que vou receber é um troco.
Aí está a grande decepção: despesas médicas com tratamento para engravidar não são aceitas para efeito de desconto no imposto de renda. Como se fosse, por exemplo, uma cirurgia plástica estética. Não é saúde, não é necessidade, é vaidade. Nem os planos de saúde cobrem nem o governo aceita descontar o imposto por isso. Não sei se é drama meu, mas me senti desrespeitada, num país de m., em que se eu tiver que recorrer à medicina para ter um filho, eu que arque tudo do próprio bolso e continue pagando imposto como sempre paguei (que não é pouca coisa). Pelo visto, ter filho é capricho. Numa boa, é muito desaforo. Assim como é desaforo a rede pública de saúde não oferecer tratamento a mulheres carentes que têm o direito de ter seus filhos - nos poucos lugares em que isso acontece, as filas têm espera de tantos anos que, quando chega a vez da coitada, ela já passou da idade de engravidar. Resumindo: sem plano de saúde, sem rede pública, sem incentivo fiscal - não conseguiu engravidar naturalmente, azar o seu.
Ah, e para esclarecer: eu não congelei embriões por luxo, não. É porque tive a sorte de conseguir gerar 13 embriões, mas o conselho de medicina determina que só 3 sejam implantados por vez (imagina, parir 13!). Então os outros são congelados para que, se a gravidez não acontecer, você os utilize em novas tentativas. E foi o que aconteceu: para Maria Clara nascer, foram 'gastos' 9 embriões, só ela foi guerreira e vingou. Agora já sei que se eu quiser ter outro filho, vou ter que assumir os gastos sozinha mesmo. Se eu soubesse que meu dinheiro pago em impostos estava tendo bom uso, nem me importava. Mas nem isso.
É, tenho que admitir: sou uma pessoa volúvel. E estou confessando isso porque me afeiçoei com a personagem de Cláudia Raia em 'A Favorita'. Sim, estou gostando de Donatella e acho que ela e o Carmo Dalla Vechia têm mais pegada do que ele com a Patrícia Pillar. Parece que uma colunista de São Paulo contou que o autor da novela, João Emanuel Carneiro, entrou aqui no Antiquarius esses dias e foi recebido no restaurante pela mulherada gritando "Donatella, Donatella, Donatella!!!". As peruas do Leblon fecharam com a perua da novela e uma amiga acaba de me acusar de estar fazendo coro com as peruas todas, as reais e as da ficção. Mas, enfim, a personagem é divertida, cheia de conflitos, ciumenta, implicante, e ainda não está claro - nem vai ficar por um bom tempo - se é vilã ou não. Daí que gostei e pronto.
Esse Paulo Szot, o paulistano que ganhou o Tony de melhor ator de musicais nos Estados Unidos, não é fraco, não, né, gente? Tem 38 anos, faz sucesso na Broadway, faturou o Oscar do teatro norte-americano e é gato. Está de bom tamanho. Tá bom, tá bom, queria ser bailarino e virou barítono, mas aqui, vocês sabem, não rola preconceito de espécie alguma. Palmas para ele.
Essa, a gente não pode deixar de comentar. Claudia Collares, nossa amiga, estava assistindo a uma reprise do programa 'Irritando Fernanda Young' - ao qual eu não assisto porque Fernanda Young me irrita muito -, no GNT, com uma entrevista com Adriane Galisteu. Papo vai, papo vem e Adriane resolveu contar uma, digamos, peraltice que costuma fazer. É que a apresentadora que não apresenta nada no momento, coitada, tem um pé maior do que o outro. A diferença é tanta que cada pé calça um número, daí que algumas vezes ela é obrigada a levar dois pares do mesmo sapato. Então, o que a moça faz? Quando vai às compras nos Estados Unidos, ela pede para experimentar dezenas de pares, nos números que precisa e, quando a vendedora se distrai, Galisteu dá um jeito de juntar um pé de cada tamanho e separar como se fosse um par certo. Assim, ela compra um par só e calça bem os dois pés. Pois é, queridos, Adriane Galisteu não só manda essa, como tem a cara-de-pau de contar. Deve ter um monte de vendedora de sapato nos EUA que já teve que pagar do próprio bolso pelos pares descombinados que sobraram em suas mãos. Mas Adriane, que embora não esteja no ar continua contratada como uma das estrelas do SBT e ganhando suficiente para comprar tantos sapatos quanto precisar, acha graça disso. Eu, hein.
Em entrevista à revista ‘Elle’, Madonna, nossa musa-mor, falou da dificuldade que é manter seu casamento. E cita o trabalho e a freqüente distância do marido como os principais problemas. Ela também confessa que Guy Richie é um saco, do tipo que implica com suas roupas e diz que achou uma música nova ruim sem meias-palavras. Aí, a gente que achava que a loura superpoderosa penava para manter relacionamentos longos e tranqüilos justamente por ser a loura superpoderosa acaba descobrindo o contrário. É só juntar as palavras-chave: trabalho, distância, chatices da intimidade. Madonna tem dificuldades no seu casamento simplesmente porque é uma mulher como todas nós. Duvidam? Pois nessa mesma entrevista ela cita aquela sujeitinha que a gente detesta, mas que insiste em aparecer: a culpa. A diva da música pop, a linda, loura, gostosa e escovada e, ainda por cima, trilhardária, se sente culpada por não estar com os filhos em horas cruciais e por não poder dar atenção ao marido sempre que ele solicita. E aí, alguma identificação?
A questão agora é: diante dessa informação, nós ficamos felizes por nos descobrirmos iguaizinhas à Madonna ou sucumbimos diante da conclusão de que não há solução para os problemas da espécie feminina? Porque, amigas, se a Madonna não conseguiu dar um jeito nisso, não seremos nós que conseguiremos, né? Digamos que resolvemos defender a teoria de que tanto sucesso, tanto dinheiro, tanto poder atrapalham. Aquele papo meio machista de que mulheres superpoderosas assustam os homens, que não foram preparados para dar conta delas. Acho bobagem. Até porque, logo vão aparecer os que defendem justamente o contrário: parada, bancando a mocinha das antigas, subserviente e sem ambições pessoais é que você não vai conseguir nada com eles mesmo. Eu fico com a frase que li outro dia sei lá onde: homens gostam de mulheres interessantes e ponto. Madonna é uma mulher interessante assim como a maioria de nós também, cada uma com seu interesse específico. O que nos leva de volta ao ponto de partida: qual o problema, então?
O Data Salto Agulha, depois de uma pesquisa de campo, arrisca uns palpites. Diante de tantos depoimentos consoantes, só nos resta concluir que a culpa é um sentimento inerente à mulher. Cultural, claro, mas uma cultura tão antiga e arraigada que as menininhas já nascem culpadas, pobrezinhas. A outra conclusão é que casamentos são inviáveis, a gente é que insiste em mantê-los. São lindos, apaixonantes, deliciosos, reconfortantes, a base de uma vida familiar, sim, mas inviáveis. A sorte é que, de tanto tentar, a gente acaba conseguindo levá-los e, muitas vezes, com boas doses de felicidade. A receita? Cada um que encontre a sua.
Ah, na mesma entrevista, feita em Los Angeles por uma repórter da imprensa norte-americana, Madonna entrega algumas das coisas que ela conseguiu mudar no marido. E cita, acreditem, ter acostumado o coitado a dormir com os celulares na cama. Segundo ela, cada um com seu telefone embaixo do travesseiro. Aí a repórter brinca e pede à cantora que não derrube a imagem que nós, mortais, temos de uma vida sexual intensa e superexcitante desse casal. Madonna ri. E cai um mito.
Hoje é dia de Santo Antônio, meu santo predileto. Sempre recorro ao mais atarefado dos santos quando preciso, mas nunca foi para pedir namorado ou casamento, porque achei que, diante de tantos milhares de pedidos do gênero, ele deve tentar resolver tudo tão rápido que as chances de dar errado são grandes. Já para os outros problemas, acredito no empenho de Antônio, que nunca me faltou. Espero que Santo Antônio tenha garantido o Dia dos Namorados de vocês. O meu foi ótimo, se é que alguém quer saber. Ah, sim, e não esqueçam de agradecer a ele hoje. Para quem tem fé, é um amigo e tanto. Bom fim de semana.
Achei que ia assistir ao desfile de Juliana Jabour no Fashion Rio, quarta-feira, e isso seria a última coisa que faria em vida. Porque no momento em que Fernanda Lima entrasse na passarela, apenas um mês e meio depois de parir gêmeos, eu cortaria os meus pulsos e ficaria ali mesmo na Marina da Glória, para sempre. Não achei que seria justo Fernanda fazer isso com a gente, pobres mães normais, que, depois de ter filhos, levam sei lá quanto tempo para conseguir se olhar no espelho novamente, que dirá sair se exibindo para geral. Mas eis que Fernanda Lima adentra a passarela. Num vestido balonê, larguinho, que deixava as pernas magras de fora, mas escondia todo o resto. E não disfarçava os peitões de quem está amamentando dois. Ufa, escapei do suicídio, pensei. Mas ainda estava tensa com as aparições seguintes. E lá veio Fernanda Lima de novo: de vestido larguinho, que deixava as pernas finas à mostra e escondia todo o resto. E foi tudo. Assim, até nós, né, amigas? Foi o que pensei. E dessa forma estou aqui, viva e com a auto-estima super no ponto.
Babado forte no mundo da publicidade: a C&A tirou a campanha do Dia dos Namorados do ar. Aquela que incita os casais a saírem da mesmice com o slogan "Papai-Mamãe, não!". Órgãos de defesa do consumidor e o Conar (Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária) consideraram o conteúdo abusivo e erótico. Os filmes são esses aí embaixo, com Daniela Sarahyba fazendo a sexy. O material impresso tinha dicas de práticas sexuais, caça-palavras erótico e um par daqueles dadinhos que sugerem coisas como 'massagear pés' e 'beijar seios' ou vice-versa. Daí que pais encontraram suas crianças brincando com esse material, distribuído nas lojas, e subiram nas tamancas. No Espírito Santo, acreditem, teve gerente da C&A preso por atentado ao pudor. A loja e a agência de publicidade, a DM9DDB, resolveram, então, acabar com a brincadeira. Querem saber o que eu acho? Que tem gente que não tem o que fazer e fica vendo chifre em cabeça de cavalo. E que a campanha vai ganhar muito mais repercussão agora, porque antes não tinha nem dado o que falar. E, claro, concordo plenamente: Papai-mamãe não!!!
Ah, sim, e Daniela Sarahyba como atriz é uma ótima modelo
Das coisas que vi até agora no Fashion Rio só tive vontade de falar de uma, pelo menos por enquanto. Sempre gostei muito do trabalho da dupla Marco Maia e Luciano Canale, da Santa Ephigênia. Desde os tempos em que eles carregavam as araras e roupas nas mochilas e iam expor no Mercado Mundo Mix. Depois criaram uma segunda marca, a Miss Daisy, para poder participar de mais de uma feira fashion ao mesmo tempo, mas era tudo uma coisa só: uma roupa extremamente feminina, sensual, às vezes ousada e sempre usável. Marco e Luciano sempre foram uns amores. Quando eles começaram a receber clientes no ateliê, o lugar era um apartamento pequenininho em Copacabana, onde fui uma vez com minha mãe, atrás de um vestido para meu aniversário. Enquanto experimentava um monte de coisas, superbem recebida pelos dois, a cadela deles dormia no colo da minha mãe, na maior intimidade, e nunca me esqueci dessa cena. Eles cresceram, mais do que apareceram e fizeram de sua marca uma grande marca da moda carioca e brasileira. Agora é um luxo para poucos: a grife não tem loja e muitas das peças são exclusivas, então entraram para a lista de sonhos de consumo. Os desfiles da Sta. Ephigênia não têm erro: são sempre um prazer de ver. Em outubro do ano passado, Marco Maia morreu, de complicações respiratórias. Luciano perdia o sócio e companheiro, mas não o talento nem a vontade de seguir com a Sta. Ephigênia. Este de domingo foi seu segundo desfile sozinho. E eu achei tudo lindo, realmente e especialmente lindo: as estampas, as formas, o romantismo, as cores. Agora vejam vocês:
Sex & the City, o Filme’ estreou sexta-feira e se você está tensa porque faltam menos de 100 horas para o Dia dos Namorados e as chances de ficar a ver navios são imensas, inspire-se em Carrie e suas amigas e tenha fé: se elas conseguiram, você há de conseguir também. Pode ser que não seja este ano, mas aí tem a alternativa de aproveitar o dia 12 para ir ver o filme e aprender. Porque o que acontece no cinema é uma extensão do final feliz da série: casadas, encaretadas e quarentonas, as moças agora se esforçam para manter a vidinha de sonhos que elas deram um duro danado para conquistar. Se é tão perto da vida real assim, só nos resta ter fé. Se há um final feliz para a Carrie, com todas aquelas questões cheias de psicologia de mesa de bar, com tanta vontade de discutir relações; se o destino reservou ‘grand finales’ para a caretinha da Charlotte, a insensível da Miranda e a ninfomaníaca da Samantha, não será você, tão fiel a esses clichês todos, que ficará de fora.
Sim, estamos falando com um público específico hoje: meninas solteiras que se incomodam com essa condição, especialmente neste mês de junho em que se insiste em comemorar essa data romântica e injusta. Meninas, digamos, tipicamente S&C (sex&thecity, para quem não entendeu a sigla). Porque é claro que a cena do Dia dos Namorados sem namorado, comemorado com a amiga para consolar, também está lá no filme, como estão todas as outras cenas que o público feminino espera ver. Mas, voltando às leitoras-alvo da semana, se você é uma dessas que realmente se importam com tudo isso, já está na hora de tomar uma atitude.
As opções são muitas, mas todas envolvem risco, claro. Você pode sair feito doida por aí, determinada a arranjar um peguete, promovê-lo a namorado quinta-feira e, qualquer coisa, dispensar na sexta. Exige uma boa dose de competência, alguma sorte e nenhuma garantia de que a noite será como um comercial de shopping center. E você tem que ser do tipo bem-humorada e descolada, porque essa empreitada pode lhe render um limão e você vai ter que saber fazer uma caipirinha, querida, porque limonada no Dia dos Namorados não dá. E sem ressaca na manhã seguinte.
Há uma segunda alternativa, bem diferente. Você banca a resignada e decide protagonizar uma daquelas cenas bem lacrimosas das comédias românticas: mete um pijamão, calça as pantufas, pega uma caneca de chocolate quente, uma caixa de bombons e se joga no sofá em frente à TV, pronta para chorar com uma cena bem lacrimosa de comédia romântica. O risco? Não segurar a onda e tentar se afogar com o chocolate ou se eletrocutar com o fio da televisão. Ou chorar tanto que as olheiras a impedirão de sair de casa no dia seguinte. Você teria que ser uma romântica piegas e auto-piedosa muito bem-resolvida para encarar essa numa boa.
Também restam as opções de: a) cair na armadilha de uma dessas festas para solteiros; b) entrar nessa de trocar presentes com as amigas, não necessariamente as gays; c) passar a noite traçando estratégias para cumprir nos próximos 365 dias e assim garantir que ano que vem será diferente; d) ligar para todos os ex e ver se algum topa um ‘revival’ providencial; e) ligar para o disque-solidão e ouvir o que eles têm a dizer. Ou você pode se render à indústria do entretenimento, ao modismo da hora, pegar três amigas, caprichar na produção, ir com elas ao cinema e se divertir com ‘Sex & The City, o Filme’. Quem sabe você não chega à conclusão de que a solteirice também tem seu glamour? Feliz Dia dos Namorados, de qualquer forma.
Vou repetir a frase que eu adoro: o amor é lindo, pena que tem que tomar banho depois. Foi nela que eu pensei quando soube do livro que Carla Bruni lançou anteontem na França, contando sua história de amor com o presidente Nicolas Sarkozy, 15 anos mais velho e 12cm mais baixo. Gente, eles se conheceram outro dia, casaram com três meses de namoro e ela já conseguiu escrever um livro! Quantas páginas deve ter? Aí ela conta que se apaixonou não só pelo físico (aquela coisa deus grego que sabemos), mas pelos 'seis cérebros' que o homem tem. Sim, segundo a ex-modelo e cantora e hoje primeira-dama francesa, seu marido tem seis cérebros e ela achou isso uma loucura de apaixonante. Como exemplo, citou a incrível capacidade de Sarkozy de prestar atenção ao que quatro ou mais pessoas falam à sua volta enquanto lê um livro. Incrível, não? Não quero me gabar, não, mas acho que Carla Bruni nunca esteve numa redação de jornal para ver do que a gente é capaz por aqui. Ela também fez o favor de contar ao mundo que o presidente trabalha muito duro e que a função dela enquanto esposa dedicada é fazê-lo relaxar. Como diz uma amiga, não nos dê imagens, querida. Mas, enfim, ela é linda e poderosa e, por mais que nos leve às gargalhadas, ainda está longe de cair no ridículo. Os franceses - conhecidos por uma certa carência de humor - é que não estão gostando muito.
Levei quatro dias para ver se conseguia reclamar de alguma coisa, que sem reclamar não tem graça, mas tenho que admitir: estou gostando muito de 'A Favorita'. Antes, uma explicação: trabalho de frente para várias TVs e, entre uma tarefa e outra, consigo esticar olhos e ouvidos para a novela. Por isso assistia tanto a 'Duas Caras'. Mas, voltando, esses primeiros capítulos da nova novela das oito que começa às nove foram ótimos. De cara, gostei dO Carmo Dalla Vechia, que não é lá grande ator, mas está um charme. Sim, é só em novela que a criatura fica 18 anos presa (coisa que não acontece com ninguém neste país), sai com a cara da Patrícia Pillar, é azarada por um gato horas depois e no dia seguinte vira namoro, com casa, comida, roupa lavada e macarrrão quentinho. Mas é por isso que novela é bom. Aliás, adorei a cena em que ela parte pra cima dele (18 anos de seca, né, gente?) Adorei também o núcleo Mauro Mendonça x Tarcísio Meira. Está com toda cara de que os velhinhos vão passar a novela brigando, mas se amam e acabarão grandes amigos, aproveitando juntos o que lhes resta de vida. Cláudia Raia vilã é o de sempre e Mariana Ximenes fazendo a jovenzinha também. Ah, também adorei ter a certeza absoluta de que Murilo Benício pode ter feito ótimos trabalhos no cinema, mas pelamordedeus, é péssimo ator na TV. Que voz é aquela, alguém pode me dizer? Com bom humor, também dá para se divertir com o personagem do Cauã Raymond. Ah, sim, vocês já comentaram e vou responder: claro que lembrei que a trama de Donatela e Flora, em que a presa sai da cadeia e vai atrás da filha criada pela outra, é igualzinha à de Dancin' Days. Sendo que Sonia Braga (a presa) e Joana Fomm (a vilã) eram irmãs e a filha tinha 15 anos e era a Glória Pires. Assim como a história de amigos que cresceram juntos, um enriqueceu, outro ficou proletário e acabaram inimigos também não é novidade, mas com tantos anos de novela neste país, não dá para exigir tramas totalmente originais de nossos autores. Já ia me esquecendo: há tempos não vejo uma abertura tão acertadinha como essa. A música é boa e do tipo que não vai dar no saco e a arte ficou bacana. Comparada com aquela cafonice que é a abertura da novela das seis, vira uma maravilha.
Na ausência de Guga, achei que seria de grande valia buscar novos ídolos no tênis. Sabem como é, o marido gosta, eu acabei gostando também, e já que eventualmente estarei diante de alguma partida, que seja com um, digamos, estímulo a mais. Faz bem, vocês não acham? O bom do Guga é que era ídolo de verdade. Longe de ser um exemplo de beleza, nosso menino de Floripa é um poço de carisma, um fofo, daqueles por quem a gente torce até em campeonato de bocha. Mas Guga foi traído pelo quadril e resolveu, muito bem resolvido por sinal, ir curtir a vida. E ficamos órfãs. Então, chega de lero-lero, vamos ao que interessa. Meninas, o meu eleito - agora mais gato do que ídolo - é o top 10 do ranking da ATP David Ferrer.
David é espanhol, e só a latinidade já lhe dá vários pontos. Tem 26 aninhos, 1.75m, que, para mim, está de ótimo tamanho, não é aquela beleza perfeitinha e, como bom tenista, tem pegada. Ah, li que ele faz backhand com as duas mãos e isso deve servir na vida pessoal para alguma coisa. Ah, deve.
Duas ou três coisas sobre o fim de Duas Caras: * Betty Faria não merece fazer uma personagem que é esquecida no último capítulo. O que aconteceu com a Bárbara? * O fato de a Mara Manzan estar passando por um momento difícil não deveria servir para mudar o caráter da personagem assim, sem mais nem menos. Amara foi uma das piores coisas que já vimos numa novela e a volta dela era dispensável * A briga de Suzana Vieira e Renata Sorrah dispensa comentários, assim como a amizade das duas personagens no fim * A novela vai ficar marcada como a que mais reuniu histórias de amor sem graça. Ou você torceu para o final feliz de algum casal? Ferraço e Maria Paula, pra mim, foram os únicos que tiveram uma história com início, meio e fim coerentes, por incrível que pareça. * Alguém se emocionou com a revelação da identidade do sufocador? Alguém dava a mínima para esse sufocador? * E, para mim, o mais grave: se Aguinaldo Silva pretendia fazer uma crítica dos valores morais e éticos de nossa sociedade, errou na mão. O que pareceu mesmo, me desculpem a caretice, foi a valorização da desonestidade, da falta de caráter e moral. Vejam se não faz sentido: Alzira foi ser prostituta na Espanha (ou alguém acredita que uma mulher faça pole dance apenas como exibição artística e justamente em Ibiza?); Carlão casou com Bernardinho dias depois de aplicar um Boa Noite, Cinderela num gay; Silvia atirou em Ferraço, seqüestrou a criança, ameaçou matá-la e terminou pedalando em Paris com noivo rico e o amante motorista, e Juvenal Antena, um miliciano típico, que usa e abusa do poder, da manipulação, da violência e tudo o mais, acaba muito bem na vida, como herói do povo da Portelinha. Novela é ficção, claro, mas considerando a penetração que tem, as camadas da população que atinge e a realidade que nosso país vive, um pouco de crítica mais explícita não faz mal a ninguém. Mas, enfim, acabou.
Era um programa de rádio que trataria do comportamento masculino. A apresentadora entrevistaria um especialista qualquer alguns minutos mais tarde e estava, naquele momento, adiantando o teor da conversa. Não sei se entendi muito bem qual era o gancho, mas a certa altura a moça falou em homens que reparam em tudo nas mulheres e homens que não reparam em nada. Até aí, acompanhei. Só não consegui entender quando ela disse que marido, namorado, peguete ou afim que nota se você fez ou não a unha, se pintou o cabelo, se engordou ou está usando roupa justa demais corre o sério risco de virar um mala, do tipo que fica regulando e cobrando. O ideal, ainda segundo a voz feminina do rádio, é o homem que repara nas nuances, nos humores, nos sentimentos da mulher. Foi quando meu trajeto de carro chegou ao fim e não deu tempo de ouvir o resto dessa história. Mas saí convicta de algo que venho defendendo há um tempo: numa boa, amigas, nós somos chatas pra burro. Não sei como o mundo nos agüenta.
Depois de anos e anos martelando na mesma tecla enjoada de que homens não dão a mínima para os detalhes, de que a gente pode ficar careca que o marido típico não repara, que homem não entende de moda e blablablá, agora a gente reclama do contrário e isso só pode ser pelo prazer de resmungar e a mania de culpá-los por nossas insatisfações. Os sujeitos se esforçaram, botaram aquela área meio parada do cérebro masculino para funcionar, foram se inteirar do mundo da vaidade e do consumo de que tanto gostamos e nós, o que fizemos? Decidimos que não queremos que a criatura do sexo oposto tenha embasamento, informação, bom gosto adquirido e interesse para criticar nosso estilo e mudanças estéticas. A gente quer sair do cabeleireiro e ouvir ‘noooossa, amor, ficou lindo seu cabelo’, mas não quer, não admite escutar algo tipo ‘essas mechas não ficaram boas, querida, a tinta tinha que ser um tom abaixo’ de alguém que não seja a bicha do salão, né? Queremos ser notadas, mas não questionadas, já que esse universo sempre esteve sob o nosso domínio e não podemos correr o risco de perder esse reinado. Ah, faça-me o favor a mulher do rádio e façam-me o favor as que concordam com ela.
Agora imaginem a cena: a fofa chega em casa linda, toda produzida, roupa nova, acessórios saídos da loja, o cartão de crédito ainda quente dentro da bolsa. Aí o namorado elogia, fala que a estampa da blusa é ótima, que a calça vestiu superbem nela e aquela bolsa prata deu a levantada que o visual pedia. E ela, prontamente, cai em pratos. Diz que está deprimida, que torrou todo o dinheiro por causa do baixo astral, que a auto-estima está no pé e ele, aquele insensível, egoísta, ingrato e grosseiro, não percebeu nada disso. “Eu aqui, querendo me matar, e você só reparou que estou bonita, que absurdo!” Aí, no dia seguinte, vai estar engrossando a fila de solteiras na boate de happy hour do centro da cidade e vai ter cara-de-pau de reclamar da sorte.
Não, queridas leitoras, não surtei nem decidi trair nossos princípios, é só um arroubo de auto-crítica. Essa lamúria feminina sem fim está ficando fora de moda, né? E, agora num arroubo de machismo, já dizia a minha mãe: quem escolhe demais fica sem nada. E o mercado não está pra isso.