Estou ficando completamente obcecada por pesquisas. Ou melhor, pelos resultados das pesquisas. Além de fascinada pelo trabalho dos pesquisadores. Arriscaria até dizer que as pesquisas hoje praticamente mandam na gente. São elas que dizem como nós nos comportamos - e explicam por quê, claro -, definem quais são as exatas diferenças entre homens e mulheres e nos dão mais uma série de importantíssimas informações do tipo mulheres solteiras são mais saudáveis e compram mais pela internet ou a maioria das mulheres casadas tem fantasias sexuais com outros homens. Aí a gente acredita, se sugestiona e acaba se transformando justamente na prova que os pesquisadores precisavam para confirmar suas conclusões. Mas, enfim, teorias da conspiração à parte, as tais pesquisas, no fim das contas, se não mudam nossas vidas, pelo menos nos divertem - quando temos senso de humor, obviamente, porque há quem se ofenda.
Só essa semana descobrimos que: nós, as mulheres, essa categoria que tanto interesse desperta nos cientistas, temos mais orgasmos com homens ricos, e novamente nós, as mulheres, somos menos capazes de controlar a compulsão por comida. Então o que aconteceu foi que alguns sujeitos se debruçaram em estudos profundos para nos jogar na cara que, além de glutonas, somos interesseiras. Fisicamente interesseiras, o que é pior. E aí, está bom para vocês?
Eu fiquei nos imaginando dando motivos para a defesa dessas teses. Estavam lá as moças e seus parceiros ricos, felizes da vida. Sem se preocupar com as contas para pagar, planejando viagens, jantares em bons restaurantes, ela ganhando presentes caros e um sexo de boa qualidade. Assim realmente, queridos, é mole. Nós não temos mais prazer com homens ricos, nós temos mais prazer com a vida rica. Nós não somos movidas a sexo mecânico, temos a péssima mania de levar o contexto em consideração. Então, ponham-se vocês, senhores, em nosso lugar: o que dá mais tesão, contexto pobre ou contexto rico? Agora isso vale para o sexo casual, aventureiro, o sexo pelo sexo. Porque aquele com que nós, mocinhas, sonhamos, o sexo com amor, ah, pesquisadores, me desculpem, mas esse é bom de qualquer jeito. Se estamos transando com o sujeito com quem realmente queríamos e vale a pena transar, duvido que ali, na hora, a conta bancária faça diferença.
Quanto a sermos mais gulosas do que eles, o que ouvi é que homens e mulheres ficaram um número igual de horas sem comer e depois foram, primeiro, submetidos a cheiros de diferentes comidas e, segundo, expostos às próprias comidas. Aí parece que a mulherada caiu de boca e os homens teriam sido mais comedidos. Achei injusto. Primeiro porque eles podem ter combinado essa reação para ficar melhor na fita - homens são capazes de tudo para nos superar. Segundo porque não devem ter sido levadas em consideração as circunstâncias hormonais das mulheres pesquisadas. E se estavam todas em TPM? E se o cheiro que fizeram elas sentirem foi só de chocolate? E se os filhos delas estavam há três dias sem dormir? Somos muito complexas para sermos estudadas e simplificadas desse jeito. Os pesquisadores já deveriam estar cansados de saber disso. Ah, sim, claro, também detestamos ouvir algumas verdades, mas isso é só um detalhe sem importância.
Estou saindo de férias hoje, sexta-feira, por 10 dias. Estarei por perto e vou tentar aparecer por aqui sempre que puder, mas não posso garantir posts diários porque, afinal, também sou filha de Deus e mereço esquecer que o mundo existe de vez em quando. Mas isso não significa esquecer vocês, então, por favor, também não me esqueçam. E se alguém puder me ajudar na torcida para que o tempo melhore, agradeço. Beijos e até já.
Vi algumas cenas de alguns capítulos de 'Caminho das Índias' e ainda falta um bocado para a minha implicãncia com Glória Perez diminuir. Ainda assim gostaria de dividir minhas primeiras impressões com vocês:
Tony Ramos é, como diz uma de nossas agulhetes, PH! Vai ser bom assim no inferno. Ele rouba as cenas e junto com Eliane Giardini, Laura Cardoso e Flávio Migliaccio promete fazer desse núcleo o de maior sucesso da novela.
Concordo com vocês: Rodrigo Lombardi é um charme
Ninguém, ninguém nesse mundo merece ver Caco Ciocler pegando Vera Fischer, muito menos ouvir Vera Fischer dando gemidinhos
Alguém precisa ligar Márcio Garcia na tomada. Mas sou solidária a ele: fazer mocinho é chato e difícil mesmo
Por que Juliana Paes ri sem parar?
Quero ver mais Osmar Prado, mas já espero por cenas dele com Tony Ramos para nos fazer, mais uma vez, concluir que o poder está com os veteranos
Acho que nosso gato hoje vai ser polêmico de novo. Ele já foi unanimidade e ainda tem muito a nos oferecer em termos estéticos, mas ficou meio maluco e aí tem que considere que o charme se esvai um pouco. Gostos divididos à parte, Tom Cruise ainda é Tom Cruise e merece ser citado nesse espaço. O marido de Katie Holmes e pai da gostosura da Suri está rodando o mundo para lançar seu novo filme, 'Operação Valkiria', em que interpreta um coronel. Cruise, que deixou toda a minha geração suspirando quando apareceu em 'Top Gun', em 1986, está com 46 anos e já foi indicado ao Oscar três vezes. É um dos atores mais bem pagos de Hollywood e é adepto da Cientologia, o que, segundo dizem, justificaria seu comportamento estranho. Com vocês, meninas, Tom Cruise.
Vou tentar dar uma resumida básica nos últimos assuntos, assim a gente bota a conversa em dia e não fico devendo tanto a vocês. Então vamos lá:
1. Maria Clara está ótima, felizmente, já com a corda toda, obrigada pela preocupação.
2. O último capítulo de 'A Favorita' foi exatamente como O DIA antecipou, então eu já estava preparada para aquele final sem graça das duas crianças cantando 'Beijinho Doce'. Eu gosto de finais com passagem do tempo, tipo adoraria ver Halley e Lara casados, ambos chamando Donatela de mãe, Cassiano e Alícia se preparando para casar, Orlandinho e Céu felizes passeando com bebê, enfim, esses clichês de novela que a gente ama. Achei que faltou pegada. Ah, sim e nada pode ter sido mais surreal do que a Donatela ir morar naquele apartamentinho de solteiro do Zé Bob.
3. 'Maysa' foi uma minissérie que me deixou com um buraco no estômago. Muuuuito triste. Adorei o final, tipo chorei e tudo. Também adorei a entrevista de Jayme Monjardim na Veja dessa semana. Estou até simpatizando mais com ele.
4. Ainda não vi 'Caminho das Índias'. Como vocês sabem, tenho o estranho hábito de só ver novela no trabalho, então hoje devo me redimir com Glória Perez. Mas não tenho dúvida de que Márcio Garcia esteja lin-do.
5. Estou mesmo devendo a Feirinha de Segunda. Mas como não tenho tempo de ser produtora mesmo, daquela que bate perna e sai catando produto nas lojas, acaba que nem sempre tenho boas fotos de bons produtos à mão. Com assessorias de imprensa às voltas com as semanas de moda e com os feriados, me enrolei. Peço desculpas e prometo recompensar com folga.
6. Ontem fiz programa família no cinema e assistimos a 'Bolt, o Supercão'. Acho que o filme foi meio mal lançado por aqui, porque é simplesmente incrível e não vi qualquer estardalhaço em torno dele. A história é ótima, a animação é perfeita e as dublagens de Maria Clara Gueiros e Leandro Hassun também estão excelentes. Tem cópias em 3-D e isso, sim, deve ser uma experiência divertida. Boa dica para esse fim de férias com as crianças.
7. Vocês me dão a sensação de que tenho uns 120 chefes (hehehe), mas podem continuar cobrando à vontade, que sem vocês esse blog não seria nada.
Depois de um raríssimo feriado enforcado - diga-se de passagem, o único que enforcarei em 2009, segundo nossa escala de plantão -, estou de volta. E vou começar os trabalhos pelo já eleito casal do ano. Gente, o que foram essas imagens de absoluta cumplicidade entre Barack e Michelle? Sim, porque diante dessas fotos a gente acaba se sentindo amigo do casal e já quer tratá-los assim, pelos primeiros nomes. O presidente dos Estados Unidos e sua primeira-dama deram um show de elegância, simpatia, simplicidade, charme, amor, sei lá mais o quê, na cerimônia de posse. Ok, existem os céticos, os mal humorados, os implicantes, mas boa parte do mundo se curvou ontem diante desse dois. Começaram bem. Tomara que continuem assim.
O presidente dos EUA falando bobagem no pé do seu ouvido. O que mais uma mulher pode querer? Ah, fiquei boba com as costas de Michelle. Ela malha, não malha?
Então a atriz de 60 e poucos anos, em sua entrevista polêmica para a revista que roda o país, diz que deve mesmo ser um problema envelhecer, mas como ela não envelhece, está tudo ótimo. Seria engraçado, seria obviamente uma piada se a senhora em questão não desse mais um milhão de indícios de que se recusa a admitir que o tempo passa e que agir de acordo com isso está dentro das expectativas e nem de longe significa jogar a toalha. É triste ver uma pessoa que serve de exemplo para tantas outras insistir no erro que vai acabar se transformando no grande mal de nossos tempos: não conseguimos mais admitir o envelhecimento. Ou pior: o que se espera de nós é que, de fato, façamos de tudo para não mostrar ao mundo que estamos envelhecendo. E o que vemos é uma triste guerra perdida, porque, sem querer evocar Cazuza, mas já o fazendo, o tempo não pára - e a maior prova disso é que daqui a algumas semanas nem essa palavra, pára, assim, acentuada, existirá mais.
Aí vendo os últimos capítulos de 'A Favorita', me peguei observando duas cenas que vieram quase em seguida: uma delas com Lilia Cabral e Paula Burlamaqui, a outra com Thiago Rodrigues e Tarcísio Meira. O que me chamou atenção foi o contraste entre o rosto artificialmente liso de Burlamaqui, com a testa paralisada pelo Botox e os lábios já sem curvas, e as rugas, as muitas rugas de Tarcísio, que nos faz o imenso favor de envelhecer com dignidade e todo aquele charme que Deus lhe deu. Agora me digam, vocês acham mesmo que a jovem atriz está muito em vantagem? Se já apelou para todas essas técnicas aos 40, o que será que vai inventar aos 60? Tenho medo só de pensar. E acho até que já falamos disso, mas não seria o caso de proibirem atores de encher a cara de botox? Se as tais rugas se chamam justamente rugas de expressão, como é que a criatura consegue atuar sem expressão? Deve dar um trabalho danado demonstrar, sei lá, preocupação, por exemplo, sem franzir a testa.
Temos motivos de sobra para agradecer por viver esses tempos de longevidade e de uma expectativa de velhice infinitamente melhor do que a dos nossos antepassados. Estamos cada vez mais jovens e por aqui costumamos brincar com as reportagens de comportamento que dizem que os 40 anos são os novos 30 e daqui a pouco os 50 serão os novos 40 e nunca mais ninguém terá 70 anos. Mas isso tem a ver com saúde, bem-estar, com a cabeça trabalhando, com amadurecimento, a memória em dia, a capacidade de produzir indo cada vez mais longe. E tem a ver também com o corpo, claro, e com a beleza. O problema, como sempre, são os exageros, a perda do bom senso, o desespero. E o que assusta é ver um monte de mulher - e, sim, somos nós, as mulheres, os piores exemplos nesse caso - perdendo a noção, dando bandeira de desesperada, como se uma pele lisinha e uma atitude adolescente fossem tudo o que lhes restasse na vida.
Sei lá em quanto tempo, mas sei que é quase daqui a pouco, o Brasil será um país de velhos. Eu me sinto totalmente parte desse processo, já que passei a adolescência e juventude ouvindo que éramos uma nação jovem. Estava achando tudo natural, mas agora fiquei tensa: se continuarmos nesse ritmo de vaidade desmedida, nessa negação, nesse estica e puxa e nesse comportamento quase esquizofrênico, seremos um povo muito, muito estranho.
O gato de hoje é do tipo indiscutível. Ou vai me dizer que você consegue se render ao sorriso de Will Smith? Este norte-americano de 40 anos, além de ator é rapper e atualmente é o sujeito mais bem pago de Hollywood. Mas não é só na beleza e na conta bancária que estão as vantagens de Mr. Smith. Não podemos esquecer o talento e a simpatia - esta comprovada em sua visita ao Brasil. Para completar é um senhor pai de família para ninguém botar defeito. Com vocês, nosso gato de sexta, Will Smith:
Estava tensa com a possibilidade de 'A Favorita' acabar e a gente nunca mais ver Donatela vestida decentemente. Porque não sei vocês, mas eu já não agüentava mais aquele jeans com camiseta básica. Mas aí tudo mudou e Donatela voltou a ser a Claudia Raia, o que é sempre mais divertido. Só não deu certo hoje, nas cenas do casamento. A idéia de ela se atolar com o vestido cheio de formigas e acabar casando de combinação foi engraçada, mas teria sido mais se a tal combinação não tivesse ficado tããããão esquisita na atriz. Vocês repararam? O que foi aquele quadril triplicado de tamanho? E o tecido, que era aquele cetim de seda que marca até a alma, marcando muito além da alma da Donatela? Só não foi mais assustador do que a aparição de Flora na lua-de-mel.
Antes que me chamem de sumida, me acusem de preguiçosa ou, sei lá, reclamem o abandono de alguma forma, sumi ontem porque fiquei às voltas com Maria Clara e uma febre que começou no sábado e não passava nunca, sem que a criança manifestasse qualquer outro sintoma significativo. Para melhorar, o pediatra está de férias e não posso nem reclamar porque o coitado também é filho de Deus. Enfim, só me restou manifestar uma velha irritação das mães contemporâneas: caraca, como essa história de virose é irritante!!! Eu gostava mais de como era no nosso tempo, em que tínhamos doenças com nomes: sarampo, catapora, rubéola, faringite, laringite, gripe, resfriado. Sim, entendo que existem zilhões de vírus circulando pelo mundo e é impossível identificar todos, mas vai dizer isso para a mãe de uma criança febril! Ah, sim, também me sinto no direito de desabafar e contar que passei uma tarde agradabilíssima ontem perumbulando com MC sob um calor de 50 graus atrás de uma clínica que fizesse um raio-x na hora e me desse o laudo em seguida. 'Senhora, só com hora marcada e laudo em quatro dias úteis'. Bom, se tivesse que esperar mais quatro dias, seria eu quem cairia doente, então insisti, determinada, até conseguir. Só então pude sossegar diante de um diagnóstico de sinusite, que não é nada demais e justifica a febre alta. Aliás, não sei como a menina não ferveu andando com febre naquele calor. Bom, queridos, deu tudo certo no final e decidi contar a vocês, para que seja recompensada com a compreensão de todos. Ok, ok, isso é quase uma chantagem emocional, mas está valendo, não está?
Aí agora acabo de ver a cena em que Maysa se recusa a levar o filho doente do internato para casa e larga o menino lá sozinho, porque todos os outros internos tinham ido ficar com suas famílias. Nesse momento, o mito vira monstro. Nossa, a cena me deu até um mal estar. Coitadinho do Jayminho.
'A Favorita' está chegando ao fim e com todos - ou quase todos - os finais revelados, podemos concluir que bateu uma preguicinha no autor e algumas histórias vão ficar sem final. Eu tenho pelo menos três perguntas que, ao que tudo indica, não serão respondidas. A saber: Quem é o pai do filho da Mariana? Quem é o pai de Shiva, afinal? Não ia ser o Pepe? Onde estão os milhares de dólares que Donatela tinha no exterior? Se alguém souber as respostas, fique à vontade para fazer suas revelações. Se houver outras dúvidas, complete a lista. Quem sabe a gente mesmo não decide esse finais?
Pelas primeiras imagens que vi do Fashion Rio - que começou domingo na Marina da Glória -, estaremos todas muito românticas no próximo inverno. De preto, claro, porque já que é para reviver os clássicos, não poderíamos recorrer a outra cor. Vamos de tubinhos, laços, babados, pérolas, evasés. Estaremos bem mocinhas, bem lady-like, umas fofas. Mais Audrey Hepburn, ou para quem prefere a personagem, mais Bonequinha de Luxo impossível. Adooooro.
Isabeli Fontana para Tessuti
Tessuti e Letícia Birkheuer para Filhas de Gaia
Maria Bonita Extra
Maria Bonita Extra e Grazi Massafera para Walter Rodrigues
Já que estamos nessa onda de exaltar mulheres, digamos, guerreiras, hoje é um bom dia para incluir a Marta na lista. Ontem ela foi eleita, pela terceira vez consecutiva, melhor jogadora de futebol do mundo e, não sei vocês, mas eu acho que ela é uma figura e tanto e um grande motivo de orgulho. Marta saiu do nada absoluto, lá dos cafundós da pobreza de Alagoas, cismou que tinha que se dar bem com o que ela fazia de melhor e, sem o menor incentivo - ou vocês acham que futebol feminino era incentivado aqui? -, correu atrás até arrebentar na Europa. Ralou um bocado, mas hoje pode se olhar no espelho e dizer 'sou uma estrela de primeira grandeza'. Ontem, chorou ao ganhar o prêmio pela terceira vez, dizendo, com simpatia e simplicidade, que todas as vezes eram como se fosse a primeira. Depois brincou dizendo que se na casa da mãe em Alagoas já não coubesse tanto prêmio, ela construiria outra. Estava toda bonita, com um vestido muito bem escolhido, bem maquiada, bem tratada, feliz. Um sucesso, a Marta. Tomara que venham outras.
Se ela soubesse o que anda provocando por aqui, mais de 30 anos após sua morte, ficaria orgulhosa. Maysa virou, desde a segunda-feira passada, uma obsessão feminina. Sim, uma obsessão passageira, mas ainda assim absolutamente coerente com a personagem em questão e com o tipo de sentimento que ela mesma alimentava. Maysa era uma figura estranha, intensa, extremada, exagerada, única. Mas a impressão que se tem nesses dias de minissérie é que cada uma das espectadoras se identificou um pouquinho, um pouquinho mesmo que seja. Porque Maysa é a essência da trajetória da mulher contemporânea. Ou você não percebeu que, ali, nas entrelinhas, ela simboliza toda aquela nossa ladainha sobre as dificuldades de ser mulher, mãe, profissional etc etc.? Enquanto a maioria das mulheres ainda se conformava com o papel de rainha do lar, ela, desde cedo, chutou o balde como poucas e pagou caro como muitas.
A idéia não é endeusar a mãe de Jayme Monjardim, não. Se nem ele está fazendo isso, não serei eu a doida aqui. Maysa era, como parece ter dito Ronaldo Bôscoli, mimada mesmo. Era imatura, intransigente e auto-destrutiva e nada disso é digno de se louvar. Mas era uma apaixonada. E uma transgressora. Botou a cara a tapa para que nós, hoje, tenhamos, por exemplo, o direito de decidirmos nossa vida amorosa e sentimental sem interferências. Abriu mão de um casamento apaixonado e milionário para, mesmo que inconscientemente, provar que nossa independência era um caminho sem volta. Usou o talento e o sucesso para dar passos importantes para nós. Mostrou ao mundo o que é ter estilo.
O lado triste dessa história é perceber, a cada capítulo, que toda essa irreverência e transgressão vinham acompanhadas de imensa angústia e solidão. E mais triste do que notar que Maysa pagou com infelicidade, é saber que esse roteiro ainda se repete. E muito. Quantas de nós não sucumbimos à tristeza diante da incapacidade de se conciliar tudo o que desejamos e acreditamos que é preciso para ser feliz? Quantas de nós ainda caímos na armadilha de que é possível se realizar sem fazer concessões? Foi só Maysa ou faz tempo que a gente sofre por não conseguir abraçar o mundo? E quando a gente fica numa busca incessante de sei lá o quê?
Não sei, não, mas acho que a gente tem bastante a aprender na frente da TV esses dias. Nem que seja a lição de que marido milionário, com sobrenome e apaixonado, não é coisa que se dispense, e sogra chata a gente tem que aprender a lidar. Ou que cabelão, caftan (aquele vestidão tipo bata indiana) e olhos fortemente delineados são superfashion. Ou ainda que talento combina com sofrimento. E que homem, se lhe pareceu canalha uma vez, canalha será sempre. Ah, sim, e que mais perigoso do que dirigir bêbada é dirigir Brasília trocando fita-cassete. Ok, ok, foi só piada. Talvez a gente só precise se dar conta de que não vale a pena se levar tão a sério e que nossos sonhos são importantes, mas sonhar sozinho pode ser, de fato, muito solitário. Além de escolhas, a vida, sabemos bem, é feita de ajustes. E Maysa não soube - ou não quis - se ajustar.
Não vou nem comentar o modelito, porque só essa canga já é caso de polícia. Vou me ater ao mico de comportamento da nova musa de minha escola, Luma de Oliveira. Todas adoraríamos ter um personal trainer para correr do nosso lado na praia, não vamos negar. Mas, Luma, ninguém precisa de um personal que use uma camiseta dessas. 'Personal trainer' escrito nas costas já é um king kong dos maiores. Que os professores se identifiquem assim nas academias, tudo bem, mas na rua vira exibicionismo puro. E sem necessidade, né, fofa? O que mais uma criatura que está passando exercícios para você, e só para você, pode ser? E para quem, como eu, pensava que não poderia piorar, a surpresa: piora. O que é essa mensagem na parte da frente da maldita camiseta? O conselho de educação fisica já fiscalizou esse sujeito?
O gato dessa sexta-feira é quase previsível - mas não menos emocionante. Prestes a estrear como protagonista da nova novela das oito, Márcio Garcia parece conservado em formol. Continua o espetáculo de sempre, um banquete para uns 200 talheres, por baixo. Antes de pintar o cabelo de preto para ficar 'mais indiano' na TV, o máximo de demonstração que tivemos de que o tempo também passa para ele foram uns fios brancos, o que, vamos combinar, só melhoravam o visual do sujeito. Só de lembrar das cenas dele com a Cláudia Abreu em 'Celebridade' - os dois fazendo vilões -, passo mal. Márcio foi meu vizinho de bairro durante um bom tempo, seu irmão era amigo dos meus amigos, e ele, o ator, sempre teve fama de, além de lindo, ser muito gente boa, o que eu sempre fiz questão de acreditar. Ok, teve ali o episódio Angélica e um namoro estranho com Daniela Sarahyba, mas como a nós só cabe admirar isso tudo que Deus deu a ele, o resto é o resto. Márcio tem 38 anos, é casado com a nutricionista Andrea Santa Rosa e acabou de ter seu terceiro filho, fora uns três ou quatro cachorros. Com vocês, nosso gato de sexta, Márcio Garcia:
Defendo a teoria - e perturbo os repórteres com isso - de que jornalista tem que se interessar por tudo. Não pode ter assunto que a gente deteste, por exemplo, simplesmente porque a gente não pode se dar ao luxo de ignorar algum assunto. Mas como já sou editora faz tempo (hehehe), me dou ao direito de desbafar com vocês: EU ODEIO BIG BROTHER Já gostei, entendo o interesse das pessoas, mas não tenho mais a menor paciência de acompanhar aquela gente de quinta categoria se exibindo para o mundo. E aí, alguém me acompanha?
Outro dia fui a um almoço de trabalho naquele hotel novo de Santa Tereza, que abriu no lugar do hotel dos descasados. Um lugar muito bacana, com uma vista linda e um restaurante que ainda precisa de ajustes. Lá para o fim do almoço, entra o que parecia ser uma equipe de produção, seguida de uma mulher com bobes nos cabelos e vestindo um roupão. Na hora achei que alguma hóspede tinha surtado e decidiu sair da cama direto para a mesa, mas claro que estava rolando uma sessão de fotos com alguém conhecido. Foi quando notamos que aquela figurinha pequena era a Scheila Carvalho. Fiquei imaginando o que eles estariam fazendo, mas decidi fazer a fina (e péssima repórter) e saí sem perguntar. Scheila estava fotografando para o site Paparazzo e hoje saíram as primeiras imagens. Então vou aproveitar para contar que tenho muita simpatia por ela, que acompanho - como jornalista, claro - desde o dia em que apareceu na fila do concurso para morena do Tchan. Não esqueço o dia em que um amigo, que tinha viajado para cobrir o tal concurso, chegou à redação dizendo que apostava todas as fichas dele numa morena de Juiz de Fora que, além de bonita, era supercarismática. O dia em que ela própria esteve aqui no jornal, o carisma e a beleza foram confirmados. Ah, sim, e me surpreendi por ela ser do meu tamanho e bem magrinha. O resto vocês já sabem. Scheila sofreu um bocado com o filhinho que nasceu doente e não sobreviveu, mas está pronta para voltar a ser feliz. E linda.
Da série "a adolescência chega aos 3 anos": a família passeia de carro, o rádio ligado, o pai ameaça trocar de estação. MC, imediatamente: - Não tira, pai, quero ouvir Madonna. Ok, fica lá o rádio tocando 'Four Minutes'. Passa-se algum tempo e, aos primeiros acordes de uma nova música, a criança se manifesta de novo: - Oba, Rappa. Eu adoro Rappa. Preciso botar CDs infantis no carro já.
Já que vocês estão, como eu, gostando tanto de 'Maysa', e como temos agulhetes bem anteriores à cantora, aí vão dois vídeos bem simbólicos que catei no Youtube. O primeiro, 'Ne Me Quite Pas', foi gravado em 1975, dois anos anos de Maysa morrer, portanto quando ela estava com 38 anos. O segundo é anterior, de 1974, e logo reconheci, pela areia e pelo vento, que foi gravado em Maricá. Nesse ela fala um pouco antes, como se estivesse mandando recado para algum amigo músico que não consegui identificar. Acho que essa fase de meados dos anos 70 foi a em que ela estava mais bonita.
Agora um adendo: Ronaldo Bôscoli praticamente emendou Maysa em Elis Regina. Pelo visto ele procurava namoradas que acompanhassem seu ritmo de bebedeiras. De qualquer forma, vai gostar de mulher complicada assim lá longe.
Sou completamente apaixonada por biografias. Principalmente as boas histórias da vida de pessoas que, por um motivo qualquer, são ou foram especiais. Então, para eu não gostar de 'Maysa', a minissérie tinha que ser muito ruim e não é o caso. Gosto da história, do figurino, do cenário, das músicas. Estou gostando um pouco menos do texto do Manoel Carlos, mas não chega a comprometer. Maysa me lembra parte da minha infância. De quando tínhamos casa em Araruama e adorávamos, eu e meu pai, ouvir o disco da novela 'Estúpido Cupido', que tinha 'Meu Mundo Caiu' (segunda faixa do lado B), o maior sucesso da cantora. No dia em que ela morreu (eu tinha 8 anos), fiquei muito impressionada, não só pelo desfecho trágico, mas porque também tínhamos passado pela ponte Rio-Niterói horas antes e porque nosso carro também era uma Brasília. Mas, de tudo, o que mais está me fascinando é pensar na capacidade do Jayme Monjardim de fazer esse trabalho. O relacionamento dele com a mãe foi difícil, sofrido, conturbado. Fora o pai ter morrido com 45 anos e a mãe, com 40, Jayme tinha mais alguns mil motivos para se sentir rejeitado, carente e todo aquele pacote que nem duas vidas de análise resolvem. Não consigo nem imaginar o turbilhão de sentimentos que essa minissérie está provocando nele e isso é, com certeza, um componente importante nesse trabalho. Jayme Monajardim exorcizou seu passado e, pelo visto, deu supercerto.
Não é de falta de capricho que a gente pode acusar Juliana Paes. A protagonista de "Caminho das Índias" estudou muito bem o visual com que apareceu na coletiva de imprensa da novela. Vestido estampado bem cortado e assentado (é de André Lima), make e cabelos muito bem feitos e acessórios escolhidos a dedo. Mas, numa boa, esse estilinho moça-casada-que-deixou-a-vida-de-gostosona-para-trás já deu, né? Ou seria uma onda Maysa? Vocês decidem.
Hoje teve coletiva de imprensa de 'Caminho das Índias', a novela de Glória Perez que estréia assim que fecharem o caixão de Flora. Aí o povo, ou melhor, o elenco, aproveitou essa chuva que insiste em nos aborrecer para se valer do visual preto total sem culpa, coisa que não costumamos fazer a essa época do ano. Poucas coisas são tão boas para a auto-estima quanto se vestir de preto da cabeça aos pés naqueles dias em que você está se achando meio gorda, meio feia ou tudo junto. Ou quando você simplesmente não sabe o que vestir. Será que foi isso que rolou com a galera aí embaixo? Sim, era só uma entrevista coletiva, mas fiquei com a sensação de que poderiam ter caprichado um pouquinho mais.
Ísis Valverde com uma calça-erro - ficou devendo -, e Cleo Pires, beem magra, exagerando no básico
Dira Paes num visual que envelhece qualquer cristã e Ana Beatriz Nogueira também se esforçando para parecer mais velha
Cristiane Torloni e Bruno Gagliasso: terça-feira com chuva definitivamente não é um bom dia para fotografar
Quantas mulheres vocês acham que estão, neste exato minuto, pensando que vão começar uma dieta amanhã, o primeiro dia realmente útil do ano? Eu diria que todas. Ou todas menos as verdadeiramente magras. Ou melhor, todas menos as que se consideram verdadeiramente magras. Na nossa conversa no blog sobre desejos para o ano que chegou, mais de 95% das leitoras incluíram emagrecer/perder peso nas suas resoluções. Seguido de malhar, mas não necessariamente nessa ordem. Também teve perder peso, malhar e botar silicone, mas essas foram minoria. E tem uma que escapou porque quer engravidar esse ano, mas posso apostar que ela quer engravidar e ficar magra, só não teve coragem de admitir. E não venham vocês tentar rotular as meninas, não, porque havia, sim, preocupações mais nobres e altruístas. Lógico que a gente não quer só emagrecer, mas quer muito. Então, não adianta lutar contra a realidade: ainda não será em 2009 que vamos nos livrar dessa fixação, dessa relação viciada, dependente, desesperada com a balança, ou, para as mais evoluídas, com o medidor de percentual de gordura - aquele maldito alicate que fica beliscando nossas dobras bem na frente do professor de ginástica.
Não vou fingir que estou excluída desse grupo. Massas e doces não farão parte da minha vida a partir de amanhã e Deus sabe até quando - meu recorde de abstinência de açúcar foi um mês, com algumas crises de privação, mas isso foi há tanto tempo que nem lembro mais. No ano passado, todas as tentativas não passaram de cinco dias, e eu admito que tenho um talento especial para inventar desculpas para os fracassos. Agora, por exemplo, confesso que estou escrevendo agarrada a um copo duplo de chocolate batido com leite, integral, claro, e alguns pães de queijo (meia porção, para não exagerar), mas isso não faz de mim uma derrotada. Muito pelo contrário: entrego-me aos prazeres da gula certa de que serei capaz de retomar a disciplina e porque, vou ser sincera, alguma compensação eu tenho que ter por estar de plantão do Réveillon, né? Mas, voltando à razão, faço, sim, parte do grupo que quer se livrar daqueles malditos três ou quatro (ou seriam cinco ou seis?) quilos excedentes e, de preferência, até o Carnaval, porque se não for no verão, não será mais e nem adianta se iludir.
Mas antes que sejamos crucificadas, que nos acusem de dar mau exemplo à garotada que acha que beirar a anorexia é lindo, aviso que estamos, a maioria de nós, longe, muito longe da obsessão. Aliás, a maioria de nós passa anos repetindo o mantra do emagrecimento à exaustão, mas poucas se esforçam para chegar aos objetivos estipulados, porque, na maior parte das vezes, os objetivos são impossíveis e, no fundo, no fundo, estamos felizes com o que temos, só não queremos perder a preocupação. Pensar que estamos sempre precisando perder uns quilinhos tem a ver com auto-estima, com a vaidade saudável, com a vontade de se manter bem, com o sonho de caber em calças 38 e a felicidade de pelo menos não passar de 42, enfim, tem a ver com ser mulherzinha na essência. E isso, ser mulherzinha, é uma das coisas que fazemos melhor. Mudar pra quê? Então, meninas, à meia-noite, zíper na boca. Até a próxima recaída.