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Daniel Pereira

Terça-feira, 30 Outubro, 2007

CD do Casuarina une tradição e renovação

Eles têm vinte e poucos anos e não fazem samba por falta de opção. No repertório dos shows passeiam por Cartola, Chico Buarque e Paulinho da Viola, mas não deixam de apresentar composições próprias. Tanto que assinam 10, das 14 músicas do CD (Certidão) que será lançado hoje (terça-feira), no Canecão. A galera em questão é o Casuarina, um grupo com apenas seis anos de estrada, mas que ganhou o respeito e a admiração do mundo do samba.

O disco é de extremo bom gosto. Coisa de malandro que bebeu da fonte. E na capa a sugestão já é esta: uma simpática marionete de terno branco, chapéu de palha e sapato bicolor. Aliás, figura que - em forma humana - esteve no primeiro álbum e agora faz uma feliz reaparição. Belo gesto rapaziada, belo gesto ... a concepção da arte é um primor e mistura foto e pintura, além do próprio boneco.

A execução das músicas tem um “quê” de modernidade, mas nada que fira os ouvidos mais conservadores. Em algumas faixas a galera tira onda de cantar e abre as vozes com uma sincronia perfeita. Destaque para a música que dá nome ao álbum. “A música é um grito de quem vem sendo posto em cheque por fazer samba. Logo o samba, sempre tão popular e acessível, agora tinha uma cartilha determinando quem o podia ouvir e fazer”, disse o compositor e músico João Cavalcanti.

Outro fato marcante é que o repertório aposta em crônicas cantadas, a exemplo do que faziam mestres como João Nogueira e Noel Rosa. O homem volta a assumir o lugar de “dono da situação”. É o que mostra VASO RUIM, de Diego Zangado e Gabriel Azevedo. A letra fala assim: “eu sou pra quem gosta da dor / sou difícil de agüentar / não espere muito de mim / pois nada posso lhe dar”.

João Cavalcanti , em INCONSTANTE, arremata dizendo “não há do que reclamar / eu não fiz por merecer / quem mandou se apaixonar? / faça o favor de me esquecer”. E se as madames ficarem nervosas, em PEÇONHA ele dispara: “pois a uma mulher não há que se dá colher de chá ... e a porta da rua é minha cortesia.”

Mas aí, em ONDA DE POETA, eles mostram que nem só de machismo vive o samba. Fazem algo sofredor do tipo “meu reino não vale um beijo dela / E eu estou disposto a dar bem mais / Tudo é muito pouco quando comparado / À falta que ela me faz”.

É aquilo, o pessoal do Casuarina soube “pisar devagarinho”. Chegaram com personalidade, mas mostram que beberam da fonte. Não é à toa que “Poder da Criação”, de Paulo César Pinheiro e João Nogueira, inspirou “É, JOÃO”, onde o xará Cavalcanti diz “demorei para entender o valor de uma canção”. E por falar em tradição, o disco tem ainda músicas Paulo Vanzolini, Délcio Carvalho e Sérgio Fonseca, além de uma faixa de Sérgio Sampaio e Sidney Miller.

Para encerrar, vou usar a definição dada pelo grupo, mas que me pareceu muito apropriada: CERTIDÃO é um atestado de que o resgate e a renovação podem andar de mãos dadas. O disco é a resposta dos músicos-não-sambistas-que-fazem-samba-ainda-assim. Sem pedir endosso, mas apenas porque ninguém faz samba só porque prefere.

CASUARINA: Daniel Montes (violão de 7 cordas), Gabriel Azevedo (voz e percussão), João Cavalcanti (voz e percussão), João Fernando (bandolim e vocais) e Rafael Freire (cavaquinho).

DVD de Diogo Nogueira chega às lojas

Chegou às lojas o DVD de Diogo Nogueira. Ainda não escutei o trabalho final, mas fui à gravação e posso dizer que fiquei entusiasmado. Além da bela voz filho do grande João, destaque para as composições de Ciraninho, garoto novo, mas com talento de sobra. Aliás, ambos assinam os dois últimos sambas da minha querida Portela. Uma curiosidade: a direção do DVD ficou por conta do meu compadre Ginaldo, dono do restaurante Casa da Praia, em Rio das Ostras. Para quem não sabe, ele é um dos boêmios mais respeitados do Rio e dirigiu os shows do João. E ainda: é pai do meu amigo do peito e parceiro no samba do Imprensa que eu Gamo deste ano. Salve Claudinho de Souza!!!

Novidades do Trapiche e do "Meu bem, Volto Já"

O uruguaio-argentino mais brasileiro desta cidade maravilhosa, Jorgito Sápia, está promovendo todas as terças uma roda de samba na praia do Leme. O bamba é o presidente do bloco carnavalesco “Meu Bem, Volto já” e um dos maiores vencedores de sambas nos blocos do Rio. No comando da bagunça está o grupo Mosaico Urbano. Começa às 20h e acontece no quiosque "Estrela de Luz", em frente ao Sindicato do Chopp. O enredo do simpático cordão para 2008 é "A coroa deu um perdido em Bonaparte e se mandou para um paraíso tropical". Alô Jorgito!!! Vai ser meu parceiro ou meu rival no ano que vem?

ANA COSTA NO TRAPICHE GAMBOA

Outra boa notícia é que a cantora Ana Costa, aquela que cantou o hino de abertura do Pan, fechou uma temporada de dois meses no Trapiche Gamboa. Ela estará por lá todas as quintas e será acompanhada por uma galera que dispensa apresentação: Bianca Calcagni, Beloba e Pirulito (na percussão), Alceu Maia (Cavaquinho) e Wallace Perez (violão). A casa fica na Rua Sacadura Cabral, 155, Gamboa. O ingresso custa R$ 16 e o show começa às 21h.

Segunda-feira, 22 Outubro, 2007

Morre César Faria, a elegância do samba

O mundo do samba deu adeus ontem a um dos grandes violonistas do Brasil: César Faria, pai de Paulinho da Viola. O mestre tinha 88 anos, sendo 70 de carreira, e faleceu após sofrer um infarto. Fundador do Conjunto Época de Ouro, ele foi um dos principais artistas do choro e lançou discos como "Chorinhos e Chorões" e "Primas e Bordões". Até o ano passado era integrante do grupo que acompanhava Paulinho da Viola.

Quinta-feira, 18 Outubro, 2007

Finalmente, o samba começa a ser considerado MPB

Como já dizia a madrinha Beth Carvalho, sempre foi muito difícil enquadrar o samba dentro daquilo que se chama comercialmente de Música Popular Brasileira. Mas me parece que os últimos discos de Teresa Cristina e Maria Rita ganham aspectos de divisores de águas neste sentido.

Quem quiser criticar que critique, mas em minha humilde opinião o CD da Maria Rita (Samba Meu) ficou ma-ra-vi-lho-so. O produtor Leandro Sapucahy conseguiu unir elementos do “samba mais conservador” com as características pessoais da artista. Baixo acústico e piano em samba? Será que pode? Pois bem, os resultados dizem que pode sim: o disco ganhou as rádios e TVs. O CD tem 6 músicas do Arlindo Cruz. Uma melhor do que a outra, diga-se de passagem.

E a nossa Teresa, orgulho da Lapa e dos amantes do samba ... Que beleza de disco (Delicada) acabou de lançar. Aqui no Rio, duvido muito que alguém se arrisque a criticá-la. E se o faz é por recalque. Apesar dela ainda não ter o apelo “comercial” inerente aos artistas que tocam nas rádios e TVs, não dá para negar que aprendeu o caminho das pedras do sucesso. Ganhou presença de palco, se desinibiu, tomou posse do lugar de artista ... embora ela não ligue para este glamour. E qual foi o resultado: também ganhou a mídia.

Depois destes dois discos, o samba parece que, finalmente, ocupa um lugar ao sol. Antigamente, isso não acontecia. Existia a MPB e o samba. Mas hoje em dia samba é MPB.

Sabe o que isso representa? Mais espaço, mais compositores gravados, mais dinheiro ... acontece que, quando se fala em samba, parece um crime o cantor ser chamado de artista. Ganhar dinheiro é uma agressão. Sucesso representa fazer música ruim. É a velha máxima que bem lembrou o meu amigo compositor Chico Alves: “Depois que o Nelson Sargento botou dentadura, tem gente que diz que ele perdeu a essência.”

Graças a Deus esta mentalidade está mudando. E a mídia e o mercado fonográfico perceberam isso. Quem não quiser dar o braço a torcer que não dê, mas eu desci do palco do preconceito há muito tempo. E “prefiro ser esta metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”

PS: Para ser justo, vou citar ainda outros nomes que contribuem (e muito) com este novo momento do samba: Seu Jorge, Mart'nália, Zélia Duncan, Marisa Monte, Ana Costa, Arnaldo Antunes, Marcelo D2 ...

Segunda-feira, 15 Outubro, 2007

De olho no carnaval de rua ...

Eu li no BAFAFA que o seminário "Carnaval do Brasil", que aconteceu no dia 21 de setembro e discutiu os rumos do carnaval de rua, teve fruto. Um fruto meio verde, diga-se de passagem. Com sugestões de alguns blocos do Rio, foi elaborado um documento para nortear a relação dos organizadores com os governos (municipal e estadual).

Confira alguns dos itens que serão pedidos. Minhas considerações estão em negrito.

1 - Disposição de médicos e ambulâncias; (Considerando que o atendimento de emergência nos hospitais aumenta muito nesta época por causa de acidentes de trânsito, haja médico e ambulância)

2 - Banheiros químicos em quantidade suficiente e proporcional ao número de foliões; (um novo negócio: alugar banheiro químico. Vai ter gente rica depois deste carnaval)

3 - Segurança que respeite às particularidades de uma festa como o carnaval; (Como assim?)

4 - Organização do comércio alternativo e de barracas autorizadas, proibindo venda de bebidas em garrafas; (Esta sim é uma reivindicação válida)

5 - Palcos para eventos, atendendo à necessidade de blocos que o desejarem; (Pelo que eu sei, os blocos, normalmente, andam. Aqueles que quiserem fazer show devem pagar para montagem de seus palcos. Isso não é problema do governo)

6 - Diminuição do processo burocrático exigido para as liberações; (Sei não. Tem bloco botando 50 mil pessoas em locais com infra-estrutura para cinco mil. Se der problema, quem responde é o funcionário público que deu a liberação para o desfile? Ou será que algum organizador quer se responsabilizar criminalmente caso aconteça algum acidente?)

7 - Estímulo a que instituições públicas deixem seus banheiros abertos para os foliões; (vamos combinar ... Imaginem a Biblioteca Nacional aberta e 200 mil foliões bêbados querendo fazer xixi durante o desfile do Bola Preta ...)

8 - Proporcionalidade de financiamento entre o carnaval dos desfiles (sambódromo) e o carnaval de rua; (Não existe comparação entre o sambódromo e o carnaval de rua. Nunca vai ser proporcional. Talvez se criassem um “blocódromo” e transformassem também o carnaval de rua em um produto, mas, pelo bem do carnaval, isso não é interessante)

9 - Maior investimento dos setores público e privado para garantia de suporte aos blocos, como pagamento de músicos e estrutura técnica; (é a velha máxima do “Ei, você aí! Me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí!”. Lembram que eu cantei esta pedra antes?)

10 - Divulgação de todos os itinerários dos blocos da cidade, incluindo os desfiles que acontecem no pré-carnaval. (Mais uma reivindicação válida)

PS: Senhores organizadores ... não fiquem tristes comigo não. Mas ... se o governo der tudo isso que vocês estão pedindo, ele passa a ditar as regras do carnaval de rua. E ninguém quer isso, né? Uma das coisas mais legais é poder tirar um sarro dos políticos, poxa.

E VIVA O ZÉ PEREIRA!!!

Últimos dias para inscrição no Concurso Nacional de Marchinhas

Os compositores interessados em participar do ‘3º Concurso Nacional de Marchinhas Carnavalescas da Fundição Progresso’ só têm até o dia 18 de outubro para se inscrever. Para tanto, basta preencher o formulário disponível no site da FUNDIÇÃO e enviá-lo pelo correio ou entregá-lo na portaria da casa.

O júri é presidido pelo compositor João Roberto Kelly, o “rei das marchinhas”, e será composto pelo jornalista e pesquisador Sérgio Cabral, pelo artista plástico e compositor Xico Chaves, pelo maestro Kiko Horta, do Cordão do Boitatá e pela cantora Nilze Carvalho, entre outros. Os três primeiros colocados ganham como prêmio R$ 10 mil, R$ 5 mil e R$ 3 mil; respectivamente.

Quinta-feira, 11 Outubro, 2007

Quem se atreve a me dizer do que é feito o samba???

O samba sempre foi considerado como “coisa de preto”, “de favelado”, “de malandro”, “de pobre” ... e ninguém tem dúvidas do preconceito que existe por trás destes rótulos malditos. Mas este jogo mudou. Hoje em dia ele é patrimônio imaterial do Brasil, é um cidadão ... tem até documento. Não dá para negar: virou cult este lance de ser sambista.

Sei que vou semear a discórdia, mas quero aqui trazer uma reflexão. Existe uma “coisificação” chamada “SAMBA DE RAIZ” por aí que criou uma série de preconceitos tão ridículos como os de antigamente. E tem uma galera que se diz bamba repetindo esta bobagem.

Tem um fulano que fala em “samba autêntico” ... outro beltrano que sente saudade de um tempo que não viveu ... ciclano chega a se arrepiar em citar Cartola ... Tudo em nome da raiz!

Pois bem, para mim, não interessa se quem faz é o Marcelo Camelo, Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto, Leandro Sapucahy, Ricardo Maranhão ... ou se o compositor é o Cartola, Noel ou João Nogueira. Não me importa se o samba é feito no Municipal ou no Buraco Quente.

Ligar para isso é bobagem, é preconceito, é estereótipo... é limitar um estilo que já deveria ser uma febre no mundo inteiro. Acho que estamos vivendo o melhor momento do samba. E sei que entre os leitores do blogue tem muita gente que entende do ofício. Então, queria que vocês pensassem: este lance do “autêntico” não ajuda em nada. Muito pelo contrário, só coloca uma camisa de força no samba.

Pessoal, está na hora de abrir os olhos. Temos que respeitar a RAIZ deixada pelos grandes mestres, mas chegou o momento de pensar também nos FRUTOS. Vocês não acham!?

Salve Nossa Senhora Aparecida!!!

Portela na avenida
(Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro)

Portela / eu nunca vi coisa mais bela / quando ela pisa a passarela / e vai entrando na avenida / parece / a maravilha de aquarela que surgiu / o manto azul da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida / que vai se arrastando / e o povo na rua cantando / é feito uma reza, um ritual / é a procissão do samba / abençoando a festa do divino carnaval

Portela / é a deusa do samba, o passado revela / e tem a velha guarda como sentinela / e é por isso que eu ouço essa voz que me chama / Portela / sobre a tua bandeira, esse divino manto / tua águia altaneira é o espírito santo / no templo do samba / as pastoras e os pastores / vêm chegando da cidade, da favela / para defender as tuas cores / como fiéis na santa missa da capela

Salve o samba, salve a santa, salve ela / salve o manto azul e branco da Portela / desfilando triunfal sobre o altar do carnaval

Trapiche Gamboa aberto aos domingos

No próximo domingo (dia 14), os “Inimigos do Batente” farão um passeio pelas diversas nuances do samba (partido alto - com os tradicionais versos de improviso - de enredo, samba-canção, sincopados, de terreiro e de roda) no Trapiche Gamboa. O grupo é formado por Cebolinha (tantã), Eduardo Batata (cavaco), Geraldo (violão), Marcelo Justo (surdo), Railídia (voz), Fernando Szegeri (voz), Dil (pandeiro), Cacá Sorriso (repique de anel), Paulinho Timor (percussão geral) e Júlio (cuíca). O endereço é Rua Sacadura Cabral, 155. Começa às 17h e a entrada custa R$ 16.

Quarta-feira, 10 Outubro, 2007

Samba é tombado como patrimônio do Brasil

A exemplo do que aconteceu no recôncavo baiano, o “samba carioca” foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio imaterial do Brasil. A comemoração aconteceu ontem, no prédio do Ministério da Educação, no Centro do Rio. “Graças ao esforço de gente como Cartola, hoje o samba virou cidadão. Tem até documento”, disse o mestre Nelson Sargento.

Na verdade, apenas três linhas de samba foram selecionadas: partido alto, samba de terreiro e o samba-enredo. Agora, serão estabelecidos projetos que preservem e divulguem a história do samba. E aí o Sargento já deu a dica: “sambista precisa de mais espaço e dinheiro. Se possível, eles podiam pensar um jeito da gente ter uma previdência social”.

Por falar em Nelson Sargento ...

Nelson Sargento (Divulgação)Domingo, 11h30m. Dona Evonete liga para o marido dela que foi fazer a caminhada habitual na praia de Copacabana e diz: “os jornalistas já estão aqui te esperando, mas que barulhada é essa aí na praia?” Desliga o telefone desconfiada e fala: “isso não está me cheirando boa coisa.”

Logo, logo chega ele ... Nelson Sargento, aos 83 anos, em forma, com a camisa de sua amada escola, Mangueira, e responde à desconfiança da mulher: “estava no botequim sim, mas para questões de necessidade fisiológica...”. E fim de papo.

A íntegra da matéria será publicada na próxima edição da revista “Batucadas”, que foi lançada recentemente. Fico de olho e quando sair vou disponibilizar alguns trechos ...

Só para adiantar, o mestre está mais ativo do que nunca e ainda aceita encomendas para pintar quadros. Quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho dele como pintor, basta agendar uma visita pelo telefone 2247-7220 (falar com Evonete).

Colaborou Anabelly Pontes

Segunda-feira, 8 Outubro, 2007

Sobre a polêmica envolvendo Alcione e Beth Carvalho...

O clima de “disse me disse” tomou conta do mundo do samba na semana passada, depois que Alcione deu uma declaração um tanto polêmica sobre Beth Carvalho em um programa de TV: “Ô Beth Carvalho! Tá na hora de você usar uma pulserinha de desconfiômetro”, disse a Marrom. O motivo do recado foi um comentário da “madrinha” no livro ‘Clara Nunes, Guerreira da Utopia’, de Vagner Fernandes.

Beth fala no livro que a estilista Zuzu Angel fez o figurino e o cabeleireiro Silvinho deu a idéia do cabelo ruivo para ela. Bom, teria Clara Nunes se apropriado do estilo alheio? Sei não, sei não ...
Encontrei com Alcione na feijoada da Mangueira e ela me disse que não retira nada do que falou. Beth Carvalho não quis comentar o assunto.

Agora, vamos combinar: sem sentido esta briguinha, né!? O que fez o sucesso das três envolvidas na história (Clara, Beth e Alcione) não foi o figurino, nem de longe ...

Todo mundo sabe que Beth e Clara fariam sucesso até de roupa laranja e cabelo azul. Vou aqui repetir a frase que um sabiá me soprou: “deixa disso, gente!”.

Se a questão fosse o figurino, minha sambista favorita seria a Viviane Araújol!!! Sim, eu sou fã daquela morena!!! Deus a abençoe e conserve!!! (RISOS)

Walter Alfaiate, a elegância do samba

Foto: Bruno Villas Bôas
“Esse lance de estar aparecendo na televisão, no jornal, está me prejudicando um pouco. Veja bem, não estou reclamando. Eu gosto, mas o pessoal começa a ligar achando que você está com dinheiro no bolso. As pensionistas pedem uma grana; se eu dou cem, elas querem trezentos. Aí fica complicado.” Quem deu esta pérola de declaração foi o mestre Walter Alfaiate, em uma entrevista dada ao pessoal gente boa do blog O SAMBA. Vale conferir!!!

Não deixem de ler também a matéria sobre a águia da Portela, que se tornou o símbolo maior da escola. Os caras conseguiram uma foto de 1968, primeiro desfile da agremiação com a águia.

Sexta-feira , 5 Outubro, 2007

Dicas para o fim de semana ...

*Colaborou Anabelly Pontes
O fim de semana tem samba para todo gosto. Lembro que não tenho como dar espaço para todos os eventos (SORRY), mas quem quiser divulgar outras rodas pode deixar as informações aqui nos comentários. Para saber outras dicas, é só acessar o site AGENDA SAMBA-CHORO.

Nesta SEXTA (dia 5), a cantora e jornalista Tânia Malheiros se apresenta no Cotton Club Café, no Mezanino do Shopping Cassino Atlântico. Ela será acompanhada pelos músicos Francesco Pollola (violão), Fábio Mendes (cavaquinho), Rodolpho Dutra e Gustavo Carvalho (percussão). O evento começa às 20h30m e custa R$ 18. O endereço é Av. Atlântica, 4240.

Neste SÁBADO (dia 6), às 14h, tem mais uma edição da roda de samba do Jonny Bala. Desta vez com a presença de Nem, do Pagode da Tia Doca e da ala de passistas da Padre Miguel. Quem comanda a batucada é o ator Nando Cunha. O evento acontece uma vez por mês na Câmara Comunitária de São Cristóvão, na Rua São Cristovão,136, próximo ao museu do exército, na Zona Norte. É grátis.

O simpático cantor-mirim Gabrielzinho do Irajá estará no Coisa da Antiga para apresentar o show “Tem criança na roda”. Excepcionalmente, o samba começará às 18h. A intenção é atrair a meninada das escolas da região. Presença confirmada também de Marquinho Diniz, do Trio Calafrio. O endereço é Av. Ewerton Xavier (ex-Av. Central), 3360 (500m antes do Ubá-II) (Itaipu) – Niterói. Menores de 16 anos não pagam.

Nelson Sargento e Agenor de Oliveira Foto: Léo VilellaAinda no sábado, o mestre Nelson Sargento e o violonista Agenor de Oliveira fazem um tributo a Nelson Cavaquinho , no Centro Municipal de Referência da Música Carioca. O endereço é Rua Conde de Bonfim, 824 – Tijuca. Os ingressos custam R$ 20 e o show começa às 17h.

O DOMINGO tem duas boas opções: a tradicional feijoada da Mangueira vai receber Arlindo Cruz, Dona Ivone Lara, Alcione e Leandro Sapucahy, além de artistas de outros estilos. O evento vai arrecadar fundos para a Ong Força do Bem, que ajuda portadores de necessidades especiais. Começa às 13 horas e custa R$ 10. A quadra fica na rua Visconde de Niterói 1.072.

Luiz carlos da Vila (Divulgação)Outra boa pedida para o domingo é o evento Caldos e Canjas, liderado pelo poeta Luiz Carlos da Vila. O samba come solto a partir das 13h, na Lona Cultural João Bosco, em Vista Alegre. Os primeiros 300 pagam apenas R$ 8. O ingresso inteiro custa R$ 16. O endereço é Av. São Félix, 601. O mestre será acompanhado pela galera amiga do Grupo Ciranda (Rodrigo Jesus, Leandro Saramago, Rodriguinho, Dinho, Alessandro Cardoso e Alexandre Marmita). Alô Niterói!!!

Quinta-feira, 4 Outubro, 2007

Zeca Pagodinho participa do novo CD do Samba Som Sete

Está previsto para novembro o lançamento do CD “Orgulho da Raça”, do grupo SAMBA SOM SETE. A galera era uma referência na década de 70 e acaba de completar 35 anos de atividade. O grupo acompanhou artistas como Ismael Silva , Zeca Pagodinho, Martinho da Vila, Beth Carvalho e Almir Guineto. O Zeca, aliás, canta uma das 14 faixas do disco. Mauro Diniz também faz uma participação especial.

Para quem quiser conferir uma prévia do trabalho, eles se apresentam todas as quintas de outubro no Cais do Porto (Rua Sacadura Cabral, 63 Praça Mauá -às 21h e entrada a R$ 12) e todas as sextas no restaurante Espelunca Chic (Rua Olegário Maciel, 293, Barra da Tijuca - 22h e entrada a R$ 15).
Arquivo Samba Som Sete
OBS: Dá para acreditar que aquele magrinho ali de cima é o Zeca!?

Samba internacional ...

Estes dias senti falta do grupo “É com esse que eu vou”, que lançou no início do ano um belo CD chamado “Samba do Baú”. O disco traz 12 músicas inéditas de mestres como Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Ketti e João Nogueira. A galera andou pela Lapa uns tempos e depois sumiu. Agora eu acabo de saber o motivo: o vocalista Pedro Moraes está fazendo uma turnê na Europa.

Depois de ter passado por Barcelona, na semana que vem ele canta no Guanabara, em Londres. A casa é considerada uma das maiores referências de música brasileira por aquelas bandas. O viajante fará também três apresentações em Berlim. Aqui das Terras Tupiniquins fica a torcida para que o samba se alastre por lá ...

Terça-feira, 2 Outubro, 2007

PROCURA-SE PAGODEIROS!

Estes dias pensei com os meus botões: onde estarão aqueles “pagodeiros” que vendiam milhões de discos nos anos 90? Juro que fico curioso para saber o paradeiro do Katinguelê, Os Morenos, Art Popular, Travessos, Grupo Raça, Raça Negra, Só Pra Contrariar, Negritude Júnior, Karametade ... o Belo eu sei que tá bem (RISOS). Aliás, eu assumo: tenho inveja dele!

Tudo bem, tudo bem ... era meio brega sim. Mas quem é que não se lembra de um pagodão daquela época? Só dava isso nas rádios e TVs. Até que, de uma hora para outra, eles desapareceram, evaporaram, escafederam ... simples assim. Mas, caramba! Como pode um cara vender 1 milhão de cópias e depois sumir?

Recompensa: G Magazine do irmão do VaváEntão decidi começar uma busca aos pagodeiros desaparecidos. Quem tiver informações sobre esta galera, por favor, comente aqui! A recompensa para quem der boas pistas será a revista G Magazine com as fotos do irmão gêmeo do Vavá pelado (RISOS).
PS: Em tempo, o lance da revista é só uma ironia, ok!?

Segunda-feira, 1 Outubro, 2007

Martinho da Vila entra no “Samba do Crioulo Doido”

Martinho da Vila (Divulgação)Sou fã de carteirinha do Martinho da Vila!!! Acho que ele é um dos artistas que mais representam o que é ser “bamba de berço”. Digo isso só para deixar claro a “saia justa” que estou ao escrever este post. Pois bem, eu dei a dica do filme A Magia do Samba, dirigido pelo diretor inglês Teddy Hayes e com trilha sonora do nosso Martinho. Sei pouco de cinema. Então, vou relatar apenas um pouquinho ...

A sessão atrasou uns 20 minutos e apenas 25% dos assentos estavam ocupados ... até que Martinho chegou ... devagar, devagarinho ...

Disse que ainda não tinha visto o longa pronto. Visivelmente tenso, contou que havia comentado com o diretor que se o filme não ficasse bom a exibição seria impedida. Para mim, aquilo já era o prenúncio de uma tragédia ...

Mas, na verdade, foi uma comédia... foi tão ruim, mas tão ruim (gente, pode botar ruim nisso) que algumas pessoas se levantaram e saíram no meio. Enfim, perderam o filme mais engraçado dos últimos anos. As cenas e os diálogos eram tão toscos que faziam a platéia gargalhar.

Só para dar uma idéia ... o nosso São Jorge, Santo Guerreiro, mata um agente da imigração.

Teve ainda uma piada em que um sujeito homofóbico diz para um gay:

- “Você sabe a diferença entre o homossexual e o microondas?”.
- Não.
- O microondas não queima a rosca.

Gente ... Vou parar por aqui, mas foi neste nível o tempo inteiro. Não tem nada de samba no filme. Aliás, é um roteiro “sem pé e nem cabeça”.

Bom, como disse no início, sou fã do Martinho!!! Mas, desta vez, ele se meteu em um verdadeiro “Samba do Crioulo Doido”. Acho que o embaixador da Vila deveria ter cantado para o diretor um dos seus sucessos ... “na aba do meu chapéu você não pode ficar”...