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| Daniel Pereira |
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O estilo Paulo Barros ... Esta frase eu ouvi de uma fonte da Viradouro: “o Paulo (Barros) é ousado, polêmico e criativo demais. Tudo isso junto em uma única pessoa é que é o problema”. Faz sentido, faz sentido ... Cabe na Tijuca! O enredo da Unidos da Tijuca pode ser sobre “o Céu”. Pelo menos esta é a especulação na Escola. O anúncio deve ser feito pelo presidente portuga Fernando Horta nesta quinta-feira. A expectativa é de que ele anuncie também o retorno de Paulo Barros à agremiação. Porém ... O homem das "esculturas humanas" faria uma parceria com o carnavalesco Luiz Carlos Bruno, com quem a relação tem uns arranhões. Aliás, no último carnaval dos dois juntos sobrava picuinha até para Fernando Horta, que foi acusado de barrar convidados de Barros no ensaio. Depende do apoio de Fernando Horta O retorno de Paulo Barros e a confirmação do enredo sobre “o Céu” será a pauta de uma reunião da diretoria da Tijuca na tarde de hoje. A conferir ... New York, New York O talentoso Moyses Marques está de malas prontas. Em julho ele fará uma breve turnê por Nova Iorque. Chique, não? Pai ... Perdoe. Ela não sabe o que fala. Mas afasta de mim este cálice Mesmo com pouco público, o samba comia solto na Praça Mauro Duarte neste sábado. Eis que o Gabriel Cavalcante (do Samba da Ouvidor) decidiu comer um cachorro-quente e a vendedora, uma mulher de uns 60 anos, mexeu em vespeiro: "isso aqui tá um saco, eles só tocam velharia(...)". Resultado: lanchinho cancelado.
A leitora Regina Tozzy levantou a bola e eu vou dividir meu modo de pensar com vocês. Vamos fazer uma associação rápida: 1 – Maria Rita é filha de Elis Regina; 2 – Mart’nália é filha de Martinho da Vila; 3 – Diogo Nogueira é filho de João Nogueira; 4 – João Cavalcanti é filho de Lenine; 5 – Daniel Gonzaga é filho de Gonzaguinha; 6 – Alex Ribeiro é filho de Roberto Ribeiro; 7 – Ignácio Rios é filho de Zé Katimba; 8 – Cláudia Nunes é filha de Walter Alfaiate; 9 – Renato Milagres é sobrinho do Zeca Pagodinho; 10 – Juliana Diniz é filha do Mauro Diniz, que é filho do Monarco, que também é pai do Marquinhos Diniz; E, por último, Daniel Pereira é filho de Sebastião Alves, grande baluarte das rodas de samba de Paris, Londres e adjacências. E por aí vai ... poderia citar mais uma multidão na mesma situação. Pergunta-se: qual é problema de ter pai importante? Responde-se: nenhum, ué. Cazuza, por exemplo ... dá para questionar que o cara era genial? E daí se ele era filho de dono de gravadora? Sim, não nego que a dificuldade de um "filho de pais ilustres" é bem menor. Mas isso não garante nada. Eu posso dizer categoricamente que não basta ser filho de A ou de B para fazer sucesso NO SAMBA. Em outros estilos (sertanejo, por exemplo) é diferente. Esta associação direta com os pais pode até funcionar para abrir portas. Muito embora isso também não seja regra. Porém, diferentemente de outros gêneros, no samba quem não é bom não se estabelece. Os filhos dos artistas não têm culpa por ninguém ser “apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior”. Assim, tá insatisfeito com a sorte que tem? Reclame com Deus, caramba! Este discurso de “coitadinho” é coisa de "inconformados conformados". Já dizia João Nogueira que "quem leva fé no seu som verá que cantar é bom". Agora, quem não leva fé é melhor nem se arriscar. Mas largue de ser chorão, puxa vida! Já não chega os botafoguenses? E vamu-ki-vamu!!!
Este frio é uma desgraça. O samba não tem nada a ver com este clima. Fico pensando como as pessoas devem ser tristes na Finlândia ou na Rússia ... para quem tem rinite alérgica é ainda pior. De boa, não dá para ser feliz deste jeito. 1 – Mais triste ainda vai ficar quem tiver show marcado hoje. Com este tempo e o agravante do jogo do Fluminense, certamente, “vai dar água”. Algumas casas nem vão abrir; 2 – Seguindo a tendência do preço dos alimentos, os estacionamentos da Lapa também inflacionaram. Agora, conseguir uma vaguinha para o nosso Fusquinha custa R$ 10,00; 3 – Ainda sobre os estacionamentos ... os caras fizeram cartel. Um absurdo; 4 – O movimento das casas da Lapa está caindo cada vez mais. Para bem ou para mal, o forró já se mostra uma alternativa ao samba; 5 – O DVD do Batuque na Cozinha promete ser um dos melhores do estilo, mas ... inteligentemente só será lançado em abril de 2009; 6 – Uma previsão de “Pai Pereira”: a carreira de Teresa Cristina vai crescer além do samba; 7 – Leandro Sapucahy deu uma de Pinóquio. Vejam vocês que, no show do Arlindo Cruz, o meu amigo produtor disse que já ganhou de Romário no futevôlei; 8 – Romário se limitou a uma gargalhada. E Arlindo a um “pelo amor de Deus Leandro!!!”; 9 – Deste jeito não sobra nada para ninguém. O cantor, compositor, músico e jornalista João Cavalcanti (Casuarina) foi convidado para fazer o release do CD do Lenine; 10 – Ainda falando em Casuarina, depois de sete anos de carreira, indicações ao Prêmio TIM e vencer o Prêmio Rival Petrobras, o grupo apresenta seu primeiro vídeoclipe na Parada da Lapa, na próxima sexta, dia 27. A música escolhida, A Roda Morreu, é um dos sucessos do segundo cd da banda; 11 – O disco dos compositores da Pedra do Sal já está no forno. A produção é assinada por Luiz Paulista; 12 – O simpático boteco da Pedra do Sal pode ser vendido em breve; 13 – Tânia Malheiros completa 7 anos de carreira no mês que vem e vai comemorar com uma apresentação no Rio Scenarium; 14 – Aliás, o que se tornou o Rio Scenarium, né? O Plínio virou o dono da Lavradio. Verdade seja dita, é a parte mais charmosa da Lapa e com melhor serviço; 15 – E o buraco é fundo, acabou-se o mundo.
Finalmente, o Cordão do Bola Preta começa a dar “nome aos bois” pelo estado caótico que está a sua parte financeira. Por um placar de 28 a 3, o Conselho Deliberativo do Clube expulsou o ex-presidente Roberto Nasser do quadro social. O título dele de “Emérito” também foi cassado. O motivo foi a má gestão administrativa, que levou à perda da sede na Cinelândia, quartel general do carnaval. As dívidas chegavam perto de 1 milhão de reais. Pergunta-se: como um bloco consegue dever tanto? Sem receita, o clube continua em dificuldades, tendo como única fonte a Banda show do Cordão. O glorioso Bola ainda aguarda o contrato de cessão do imóvel na rua do Lavradio com rua da Relação, que pertence a Rio Trilhos. A iniciativa de doação partiu do secretário Estadual de Transportes, Júlio Lopes, mas até agora .... neca de catibiriba.
Depois da Princesa Leopoldina virar estação de trem, ironicamente citada no Samba do Crioulo Doido, agora pode ser a vez do mestre Jamelão. Vejam vocês que o prefeito Cesar Maia quer alterar o nome da estação de trem da Mangueira para Jamelão. Que tal mudar logo o nome do morro? Já não bastava a atitude eleitoreira de tombar a torcida do Flamengo? Mas as homenagens ao velho Jamelão não param por aí. O nobre político visa ainda denominar a concentração do Sambódromo como Área José Bispo Clementino dos Santos. De boa, isso é uma tremenda bobagem. Volto a dizer, se houver vida após a morte, Jamelão está bem irritado com todo este circo. Acho que talento tem que ser reconhecido em vida. De que adianta virar banheiro de pombo em forma de busto? Mas, infelizmente, sambista só é reconhecido quando morre. Definitivamente, isso tem que mudar. Aproveitando o momento, vamos relembrar um samba de Mangueira. QUANDO EU ME CHAMAR SAUDADE (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito) Sei que amanhã Quando eu morrer Os meus amigos vão dizer Que eu tinha um bom coração Alguns até hão de chorar E querer me homenagear Fazendo de ouro um violão Mas depois que o tempo passar Sei que ninguém vai se lembrar Que eu fui embora Por isso é que eu penso assim Se alguém quiser fazer por mim Que faça agora Me dê as flores em vida O carinho A mão amiga Para aliviar meus ais Depois que eu me chamar saudade Não preciso de vaidade Quero preces e nada mais
*Por Gravataí Merengue Há duas coisas fundamentais em todo compositor de samba: incluir a palavra "bamba" (que foi inventada exclusivamente para facilitar nas rimas) e dizer em alguma música que o samba está morrendo, batendo as botas, indo desta para melhor etc. Bobagem. Ou melhor: bobagens. Em primeiro lugar, a palavra "bamba" é uma prova da falta de criatividade de boa parte dos compositores. Ela fala menos em favor da criatividade lingüística e mais em desfavor da habilidade em usar nossa Língua. Mas isso é bobagem. Dá nos nervos a repetição infinita com que os compositores anunciam a morte do samba. Parecem aqueles profetas caricatos das histórias em quadrinhos, empunhando cartazes com dizeres do tipo "O Fim Está Próximo". Ridículo. Assim como o mundo não acabou - para o bem ou para o mal -, o samba também não morreu nem vai morrer - de novo, para o bem ou para o mal. Essa agonia alegórica já perdeu a graça há vinte anos; hoje, no máximo, é objeto de humor involuntário. Gostaria de saber a origem da lenda. Quem foi o primeiro a vislumbrar a morte iminente do ritmo? Quando surgiu essa verdadeira lenda suburbana? Talvez seja um ato-falho de autocrítica. No fundo, muitos sambistas sabem que seu produto artístico não tem mesmo muita força para manter-se vivo - mas mesmo assim ele está aí, firme e forte. Se é para recorrer a adágios e à "sabedoria popular", vamos lá: vaso ruim não quebra. Desta feita, o samba não morre. Simples assim. O samba é uma espécie de Fênix, mas que de suas cinzas renasce sempre cada vez pior. E assim por diante. De Noel Rosa aos dias de hoje, convenhamos, a coisa deu uma bela caída. Quando alguém recorre a "bons nomes do samba", podem reparar, vão buscar as figuraças que apareceram na época da quadra do Cacique de Ramos - o mais novinho, Zeca, já é um verdadeiro decano. E assim caminha, tropeça e batuca a humanidade. O samba não morre, apenas piora. Não há força até hoje disposta a lutar contra a entropia sambista. Por fim, vale registrar: Bezerra da Silva conseguia fazer o melhor samba do mundo sem anunciar a morte do ritmo e sem mencionar a palavra "bamba" a cada duas canções. Bastava apenas ser sincero, autêntico e verdadeiramente um sambista. O resto é conversa mole. * Gravataí Merengue é o dono de um dos blogs mais polêmicos da rede e (junto com o mestre Isaías camanducaia) escreveu o famoso "Manual do Cafajeste Moderno". Para se divertir com outros textos dele, xingar e/ou passar cantadas CLIQUE AQUI.
Alguns leitores me acham sarcástico demais e, na maioria das vezes, eu até concordo. Confesso que me divirto bastante com este blog e, como sou um sujeito bacana, vou dividir esta satisfação com alguns felizardos. Sou um cara “do samba” e duvido muito que em nosso sistema solar (nos últimos 10 anos) alguém tenha freqüentado mais rodas e shows do que eu. (Digo, samba em TODOS os estilos). Vale até Raça Negra, para ódio de uns e gargalhadas de outros. (E músicos estão incluídos, ok?) (Ok, prometo parar de escrever entre parênteses). (Ok, prometo não escrever mais ok). Porém, meus textos são sempre de “dentro para fora” (agora usei aspas, viram?)... De alguém que vive no samba dando as suas impressões do que observa. Mesmo assim, tem muita gente que não se reconhece com o que eu escrevo. Então, decidi abrir o espaço para a opinião de outras pessoas. Conhecedores ou não. Goste ou não goste de samba. Claro, gente que não assassine a dona gramática e que consiga desenvolver um texto com pé e cabeça. Trocando em miúdos, quem se achar apto para escrever sobre o nosso “Rei do Terreiro”, por favor, me encaminhe o texto por e-mail e seja blogueiro por um dia. E saiba que não vai receber nenhum tostão por isso, ok? Vamos às regras: 1 – Não vale palavrão; 2 – Não vale levantar falso testemunho sobre ninguém; 3 – Não vale ser “anônimo” e/ou inventar nome; 4 – Não vale testamento. O texto tem que ser curto; 5 – Não vale pernada no pescoço e nem dedo no olho. PS: Sim, eu decido o que vai entrar, lógico. Então, se você mandar mal, provavelmente, vai gastar tempo à toa. Mais democrático do que isso, só Fidel Castro, né? PS1: Não enviem fotos, pelo amor de Deus!!! Viva a democracia, viva o Zé Pereira!
O grande Jamelão deixou a vida para entrar para história. E agora que ele não está mais aqui para reclamar dos elogios, o que mais aparece é gente falando bem dele. Não é para menos ... além da inconfundível voz, ele era o ranzinza mais querido do mundo do samba. Tive o prazer de estar com o maior de todos os intérpretes de samba-enredo algumas vezes. A primeira delas foi num ensaio técnico da Mangueira, na Sapucaí. Ele estava com cara de poucos amigos, olhando com semblante de reprovação para cima do carro de som. Perguntei o motivo da irritação e ele me ignorou. Mas olhou para o pessoal que cantava um “boi com abóbora” no esquenta e soltou uma bronca que eu fiquei sem graça pelos caras ... e entendi aquilo como a minha resposta. A última vez que encontrei com ele foi na preparação do carnaval de 2006, no show da Mangueira, no Canecão. Boa parte dos repórteres queria uma declaração do mestre, mas ninguém tinha coragem de pedir. Ele chegou discreto e, logo na entrada, foi abordado por um dos assessores da então governadora, Rosinha Garotinho. Visivelmente incomodado com a presença do moço, Jamelão fechou a cara. O moço, porém, insistiu. Queria convidar o cantor para um evento. E a resposta de Jamelão foi: “neste dia eu tenho compromisso”. E saiu andando e deixando o rapaz para trás. Eu observei a atitude do sambista e comecei a rir. Porque ele não tinha sequer ouvido o dia do evento. Então, não poderia saber que tinha compromisso. No final daquele dia eu e alguns amigos da imprensa tomamos coragem e fomos em direção a Jamelão. Uma das repórteres não conhecia muito de samba e estava desavisada sobre o humor do mestre. Ela parou na frente dele e começou a fazer um monte de elogios. Aí mandou a primeira pergunta: “Jamelão, o que senhor acha de pior no carnaval de hoje em dia?”. A resposta foi seca: “o carnaval tá cheio de gente chata e puxa-saco”. Educadamente, pediu licença para a moça e seguiu em frente. Além do velho Jamelão, o show teve participações de Maria Rita, Alcione, Emílio Santiago e até de Chico Buarque. Mas o meu texto foi quase que exclusivo sobre o “jeitão” de Jamelão. Estas são as minhas lembranças deste homem forte, com opiniões/posições firmes, voz aveludada e um mau-humor que chegava a ser engraçado. Foi sem dúvida o maior de todos os intérpretes de samba-enredo e um dos ícones da MPB. Mas tenho certeza que, se existir vida após a morte, ele deve estar dizendo que este texto não passa de “puxa-saquismo”.

Com a proximidade das festas caipiras, o forró vem ganhando cada vez mais espaço. As casas de samba perceberam este bom momento do bate-coxa e decidiram inovar. O Trapiche Gamboa (Alô Claudinha!!!), por exemplo, vai virar um arraiá com direito a bandeirinhas, balões e outros enfeites. Vai ter sanfoneiro e tudo ... Nesta quinta-feira, Moyseis Marques convida Mara (sanfoneiro do Forróçacana) para animar a noite. Começa às 21h e custa R$ 16 Na sexta-feira 13, quem comanda a festa é o versátil Eduardo Gallotti. Começa às 23hs e custa R$ 18.
Já escrevi aqui sobre a casa Mal do Século, que fica na rua do Resende 26. O lugar é beeeem bacana e a programação foge do "mais do mesmo" tão comum no samba da Lapa. No dia dos namorados a boa é pintar por lá e conferir o som do Melanguê, grupo criado há menos de dois anos. Começa às 21h e custa R$ 12. O objetivo da galera é fazer música pra dançar de um jeito diferente do usual. Por ter uma instrumentação inusitada e flexível - violino, flautas, flautim, clarineta, acordeão , clarone e bandolim - o grupo investe em arranjos específicos para os instrumentos, propondo novos caminhos de timbre e harmonias. O repertório é de sambas de várias épocas, uns conhecidos outros ainda pouco tocados. Mas há espaço ainda para incursões no choro e no forró. O grupo Melanguê é formado por sete integrantes: Joana Queiroz (voz e clarineta) – que também toca na Orquestra Republicana, no Clube dos Democráticos; Carol Panesi (voz e violino); Thiaguinho da Serrinha (voz, bandolim e percussão); Mariana Zwarg (flautas) - filha do baixista Itiberê Zwarg, músico de Hermeto Pascoal; Vitor Gonçalves (acordeão); Luciano Câmara (violão 7 cordas) e José Izquierdo (percussão). CONFIRA A PROGRAMAÇÃO SEXTA–FEIRA: Anderson Balbueno e Gabriel Cavalcante SÁBADO: Conversa de Botequim convida Elisa Addor DOMINGO: forró com "Os Cabras"
Um presente para os cariocas. Parte da galera que toca no Samba da Ouvidor está toda quinta-feira na Rua do Mercado, em frente ao restaurante Casual. Começa às 18h e é de graça. Para quem ainda não conhece, trata-se da roda de samba mais badalada da atualidade. Brasa pura!!! Aliás (Alô Gabriel!!!), já está mais do que na hora de sair um CD!!! Anotem aí a previsão de “pai Daniel” ... daqui a alguns anos o Tiago Prata e o Gabriel Cavalcante estarão entre os maiores músicos do Brasil. Na cozinha do grupo estão Anderson Balbueno, Fábio Cazes é Zé Leal. O Paulinho Bicolor aparece às vezes também. O sucesso desta roda é uma prova de que existe espaço para quem faz música de qualidade. Deixo aqui os meus parabéns pela ousadia!!!
Não sei se vocês já repararam, mas na estação da Carioca tem um sujeito magrinho, com um defeito no nariz, que está sempre com uma bíblia na mão e pregando aos berros. O cara é doidinho de pedra. Uma vez, sem mais nem menos, ele virou para mim e disse que “os adúlteros não herdarão o reino de Deus”. Fiquei sem entender nada, mas não parou por aí. Ele ficou gritando que nunca tinha adulterado. Aí uma senhora que passava do meu lado soltou a pérola: “também, feio deste jeito”. Engraçado, aqui no Rio parece que virou moda dizer que “não se vende” e o discurso sempre me soa igual ao do “doidinho da Carioca”. Assim, conversa fiada matou carambola e é muito fácil dizer que não se vende quando ninguém quer comprar. Eu classifico esta galera como “os calangos”. Vamos identificar o calango: 1 – Ele se acha a última cerveja gelada do deserto, mas faz pose de humilde 2 – Ele desmerece todos os artistas que conseguiram alcançar a mídia 3 – Invariavelmente, ele também desmerece a mídia 4 – Ele gosta de cantar e/ou tocar, mas nunca se profissionalizou 5 – Ele encontrou meia-dúzia de bocós que alimentam o seu gênio ruim 6 – Ele cita nomes de baluartes para parecer entendedor 7 – Ele nunca dá valor aos calangos de outra espécie 8 – Ele diz que não faz sucesso porque não “se vende” e odeia samba-enredo 9 – Ninguém quer comprá-lo e ele nunca ganharia um samba-enredo 10 – Ele vai se identificar com este texto e xingar a mãe do blogueiro
 PS: Para quem não sabe, calango é um lagartinho de língua comprida, cauda longa e membros reduzidos. É isso ... e viva o Zé Pereira!!! E o buraco é fundo acabou-se o mundo
HOJE É DIA DE MARIA ... Quanto tempo é necessário para lotar uma casa da dimensão da Vivo Rio? Tá certo que isso depende muito do artista. Eu, por exemplo, persigo este objetivo para a próxima encarnação. Já Maria Rita precisou de apenas 12 horas para realizar o feito. A moça do “corpitcho bacana” vai gravar hoje o DVD do show “Samba Meu”, que foi sucesso total em CD. Alguns ingressos foram trocados por doações para o Instituto da Criança. Resultado: foram arrecadados mais de 4 mil latas de leite em pó e 1 mil livros infantis. O DVD será lançado pela Warner, no segundo semestre. E POR FALAR EM DVD ... ONTEM FOI O DIA DE WALTER ALFAIATE No alto dos seus 78 anos de idade, o simpático Walter Alfaiate foi a estrela maior de “A elegância do Samba”, um DVD produzido pela Business Television, sobre a vida do bamba. O final da gravação aconteceu ontem, na Lapa 40º Sinuca & Gafieira. O documentário começou em 2002 e a direção é assinada por Emiliano Leal, Paulo Roscio, Rommel Prata e Vitor Fraga. Com quase uma hora de duração, o filme passeia por Botafogo, bairro onde Walter nasceu e vive até hoje. Artistas e amigos dos sambistas dão depoimentos que são unânimes quando falam da elegância, do bom humor, da amizade e da dedicação ao samba do músico, que lançou seu primeiro CD depois dos 60 anos de idade e nunca abandonou o trabalho como alfaiate, para o qual mantém, em Copacabana, um ateliê na galeria Ritz. Quem conhece o personagem principal sabe que vai ser diversão garantida. O alfaiate é um show. E POR FALAR EM SHOW ... AMANHÃ É DIA DE TÂNIA MALHEIROS A gloriosa Tânia Malheiros, jornalista, cantora e amiga do blog, se apresenta nesta quarta feira, no Velho Armazém, na minha querida cidade (Niterói). O show começa às 21h e custa R$ 15,00. No repertório, pérolas de Cartola, Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Noel Rosa, João Nogueira, Pixinguinha, Xangô da Mangueira, Delcio Carvalho, Dona Ivone Lara, Nelson Sargento, Wilson Moreira, entre outros mestres. Dentre os clássicos não pode faltar "O Samba é meu dom" de Paulo Cesar Pinheiro e Wilson das Neves.
Após três anos longe dos grandes palcos cariocas, Leci Brandão lançará o CD “Eu e o samba” (LGK Music), no Canecão, nesta sexta-feira (dia 06). A artista preparou um roteiro de inéditas, além de relembrar sucessos. Ela contará com a participação de Arlindo Cruz e do grupo de dança Afro Atitude. Em uma entrevista descontraída, Leci comentou sobre o novo trabalho e ainda fez colocações sobre as barreiras e os preconceitos do mundo do samba. Com vocês, a integridade e a ética de Leci Brandão ...
O mercado fonográfico passa por dificuldades e, talvez por isso, as gravadoras estejam dando mais enfoque às regravações. Porém, o CD que você vai lançar é de inéditas. Foi difícil convencer a LGK? Eu confio muito no meu empresário e foi ele que acertou os detalhes do CD com a gravadora. Foi tudo muito rápido e me senti muito acolhida pela LGK. Eles toparam investir num CD de inéditas e foi o meu próprio grupo que me acompanhou. O CD é rápido, com letras curtas, pouca batucada, execução definida ... ficou lindo. O caminho é este mesmo. Não temos que ficar só regravando. Tem muita gente boa fazendo samba por aí. Como você faz para escolher as músicas? Eu não tenho enredo pra lançar disco. Não tenho proposta definida. Gravo aquilo que me deixa tocada. Não sou uma cantora romântica. Aliás, prefiro músicas que falam do cotidiano e de política. Sou uma cantora das minorias. O que você considera minorias? Gente pobre, que vem de baixo, que não tem tanta atenção dos governantes ... a música “Zé do Caroço” é uma prova disso. Agora, estou gravando uma outra que se chama “O Bagulho do Amante”. Ela fala de mulheres que foram presas por carregar drogas para os seus parceiros. Canto muito em presídios e percebi que esta história sempre se repete. Aí decidi mostrar esta realidade através do samba. A minha única regravação será “Tributo A Martin Luther King”, que em um dos versos diz que “com uma canção também se luta”. Quem são os compositores deste novo disco? Tem muita gente. O Arlindo Cruz não pode faltar, né? Os outros são Jorge Aragão, Xande de Pilares (Revelação) e Picolé, Sereno, Adilson Gavião e Darcy Maravilha, Didi de São Paulo e Serginho Madureira, Waltinho Jota, PH do Cavaco, Robson Capela ... tem mais gente que não me lembro agora. Teve coisa que não deu para entrar neste trabalho, mas eu não dispensei. Fica para o próximo. Você consegue passear bem por vários estilos de samba. Inclusive, alguns grupos de pagode dos anos 90 gravaram as suas músicas. O que você acha desta galera? Eu sou sambista de raiz, mas não posso virar as costas para o pessoal desta geração do pagode dos anos 90. Quando eu fiquei sem gravadora e numa condição financeira ruim foram eles que me deram a mão. Me ajudaram mesmo. E eu sou muito grata a eles por isso. O primeiro grupo desta época que me ajudou foi o Sem Compromisso. Depois o Sensação e o Art Popular também deram uma força. Por fim, o Revelação, do Xande de Pilares, gravou o “Zé do Caroço” e só aí a música (que é de 1978) fez sucesso. O Revelação conseguiu alcançar o Brasil inteiro. Quem é que pode falar mal deles? O Só Preto, Sem Preconceito, por exemplo, é também um grupo ótimo. O grupo é "Só Preto, Sem Preconceito", mas ... o preconceito existe Engraçado. Só no samba é assim. O pessoal do sertanejo e do rock se adora. Mas o samba tem estas picuinhas. Uma vez o Casuarina me convidou para cantar com eles na Lapa. E eu já tinha ouvido uma história que o pessoal da Lapa reclamou que o som do pandeiro da Mart’nália era muito alto. Algumas pessoas de São Paulo me disseram que era para eu tocar mais baixo ... Pois eu fiz exatamente aquilo que estou acostumada a fazer. Os garotos me receberam super bem e me deixaram à vontade. E o resultado é que foi um sucesso e fomos muito aplaudidos. Foi lindo ... Tanto que o Rildo Hora convidou a gente para cantar juntos no CD Cidade do Samba, da gravadora do Zeca Pagodinho. Outra vez cantei com a Mart’nália no Circo Voador e a casa ficou completamente lotada. Este é o caminho certo. Temos que ser autênticos e fazer aquilo que gostamos. Só para eu entender. O que você considera samba de raiz? Samba de raiz é o que faz o Zeca Pagodinho, o Arlindo, o Fundo de Quintal, o Dudu Nobre ... O que te levou para São Paulo? Foi uma questão de sobrevivência. Aqui no Rio o mercado estava muito ruim para mim. Minhas músicas não tocavam nas rádios. E a gente que é músico precisa sobreviver e pagar as contas. Em termos de show de samba, São Paulo e o Sul do Brasil são muito melhores do que o Rio. Depois que fui para São Paulo a minha carreira teve outro rumo. Lá a gente toca nas rádios no horário nobre. Fazemos parte da programação. Não tem este negócio de só tocar de madrugada. O que você acha destas divisões no samba? Primeiramente, é importante que as pessoas entendam que de Vila Isabel para cima tem coisa boa. Eu gosto do pagode na palma da mão, com caldinho de feijão é melhor ainda (RISOS). Esta divisão no samba chega a ser falta de respeito com o trabalho de alguns artistas. Quem é que pode questionar o Jorge Aragão? O Zeca? O Arlindo? Este negócio de bairrismo é muito ruim. Eu, por exemplo, comecei na quadra da Mangueira em 1971. Fiz um ano de estágio para ter carteirinha de compositor. Ariei panelão de feijoada para ajudar a arrecadar verba para desfile, estava sempre na comunidade ... adoro o cartola, mas isso não me impede de ouvir o Donga, de cantar músicas do Leandro Lehart ... O Martinho é outro quem sempre fez de tudo. E fez tudo bem ... tem que ser assim. Fico sem entender estas barreiras. Eu respeito o trabalho de todo mundo. Mas também exijo respeito. Antes de ser artista, sou uma pessoa comum. Não sou rica, ando sem segurança, faço minhas compras no mercado ... sou uma trabalhadora como outra qualquer. O caminho certo é o da Teresa Cristina, do Casuarina, do Leandro Sapucahy ... estes não desmerecem ninguém. A gente tem que deixar de ser separatista. Como diria o Martinho, o samba é a música da alegria, é música de sorriso ... Se deixar este papo não termina, né? (RISOS) O que o público pode esperar para esta sexta-feira, no show do Canecão? Vou cantar cinco inéditas que estão no CD. Depois vou fazer algumas homenagens à Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra, Candeia, Chininha, Neocimar (neta de Cartola) e Martinho da Vila. Quem for vai ter um show de muita qualidade e na palma da mão. É assim que eu gosto de fazer. Serviço Leci Brandão Show de lançamento do CD “Eu e o samba” Local: Canecão Petrobras Endereço: R. Venceslau Brás, 215 – Botafogo Telefone: 2105-2000 Dia: 06 de junho (sexta-feira) Horário: 22h Preços: R$ 60 (Poltrona numerada), R$ 80 (Frisa lateral), R$ 100 (Setor C/Mezanino), R$ 110 (Setor B/Balcão nobre), R$ 120 (Setor A/Frisa central) e R$ 240 (camarote).
Arlindo Cruz, em entrevista à TV O DIA, fez uma colocação interessante. Quando perguntado se o Império Serrano pode esperar um bom samba-enredo para 2009 ele respondeu que depende muito da sinopse. De fato, escuto muitas reclamações sobre as composições atuais, mas tem cada assunto que (meu Deus do céu) só mesmo Freud para explicar. Vejamos este: a Estácio de Sá, do carnavalesco Cid Carvalho, vai passar com o enredo"Que Chita bacana", conforme adiantou o site Galeria do Samba. A idéia é tratar a história de um tecido de algodão que veio da Índia e se chama Chita.
E aí, como é que isso vira samba? Depois ainda culpam os compositores ... vai vendo. Nada contra o Cid Carvalho. Acho que ele é um profissional competente. Mas fazendo uma pesquisa “besta e rápida” descobri a comunidade “Que Chita Bacana” num site de relacionamento. E qualquer semelhança não me parece mera coincidência. Assim, é bem possível e até provável que o desfile tenha um visual legal, que seja bem colorido e bonito. Mas, em igual proporção, acredito que sairá um samba-enredo “sem pé nem cabeça” daí. Sei que o Estácio é considerado o “berço do samba”, lugar de sambistas reverenciados ... mas este enredo seria difícil até para Ismael Silva, Bide e Marçal. Aliás, o tema que perdeu para o do “tecido Chita” abordava a vida de Estácio de Sá, mostrava a importância cultural do bairro do Estácio, fazia homenagem aos malandros e bambas que fizeram a história do samba naquele pedaço. Ahhh se Baiaco e Brancura estivessem vivos ...
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