Vou ter que discordar
Daniel, dessa vez acho que você viajou um pouquinho. Quantas casas no Rio, por exemplo, têm condição de abrigar essas 2 mil pessoas, por exemplo? Em termos percentuais eu diria que é irrisório. As casas não vivem da sua parte no couvert artístico. Quem já tentou organizar qualquer coisinha, por menor que seja, sabe que o tesouro está no bar, principalmente em áreas como a Lapa, por exemplo. Onde você tem um enorme público que paga cerca de R$ 5,00 em uma cerveja (faz as contas aí), quem bebe não bebe menos do que 5 cervejas (por baixo) em um noite com show de samba, se observarmos casas que vendem chopp o buraco é mais baixo ainda.
E olha o lado do artista, mesmo os não renomados ou como você falou "mortais tocadores de instrumentos" estudaram para isso e ainda, ajudam a garantir o público emprestando seu talento, sua simpatia ou seja lá o que for.
Pode ser que essa lei (não a conheço bem para fazer uma defesa) não seja o melhor dos mundos e necessite de outros acertos, mas com certeza a auto-regulação do mercado, que deixa os peixinhos brigando com tubarões, não é o melhor dos mundos. Principalmente no Rio de Janeiro, onde o músico toca "por bebida", por migalhas.
É de conhecimento geral que em São Paulo a coisa funciona melhor para o músico. Será que os donos de casa de show de lá são mágicos e multiplcam o dinheiro? Será que estamos em outro país tão longe assim de São Paulo? Ou será que por aqui o capitalismo dessas casas e a falta de luta dos músicos por uma "profissionalização" de seu serviço é pequena.
Temos que parar com essa estória. Nenhuma casa vai quebrar se pagar um dinheiro justo ao músico.
Rafa (refalmeida01@yahoo.com.br)
Qua, 15 Abr 2009 05:29:56 GMT
CONSIDERANDO ...
Meu amigo, Chico Alves - Claro, não vai dar em nada. A gente sabe disso ...
Grande Carlos Montes - Eu entendo perfeitamente oq vc diz, mas todo mundo tem liberdade para não tocar, ué.
Fala, Rafa - Eu não falei em nenhuma casa de 2 mil pessoas. E acho a mesma coisa que vc. Se o forte é o bar, não tem pq um empresário manter uma casa de samba. É melhor fazer bar, né? As casas de samba precisam ter público e para ter público é preciso serviço de produção, coisa que os grupos não têm. E aí as casas não podem arriscar muito ... Por isso existe este papo de dividir o couvert. Ou seja, responsabilidades divididas ... Porém, vou voltar neste assunto em breve. Falando inclusive dos músicos que tocam por migalhas e da diferença do perfil do Rio e de SP.
OI Jonas - Exatamente, exatamente ...
Bindi - Que nome diferente ... sim, eu sou um porco, capitalista, neoliberal, discípulo de FHC, com visões imperialistas explícitas ... Mas não conte pra ninguém, não, tá?
Amigo Pedro - Claro. Isso é "lei para inglês ver".
ABÇOS a todos.
Daniel Pereira
Qui, 16 Abr 2009 12:18:04 GMT
Absurdo!
Daniel, não o conheço. Conheci o seu blog por acaso pesquisando "só no sapatinho" do Arlindo para uma crítica.
Vi essa postagem e estou abismado com o que disseste!
Quando é feito um contrato fechado (a casa paga X pro músico e o couvert, ou entrada, fica 100% pra casa), a casa corre pra fazer a publicidade, contratar assessoria de imprensa, marketing, material de propaganda, gente para entregar os folders, designer para desenhar o material, chamadas de rádio, etc.
Quando o couvert, ou entrada, é dos músicos, é o músico quem corre pra fazer a publicidade, contratar assessoria de imprensa, marketing, material de propaganda, gente para entregar os folders, designer para desenhar o material, chamadas de rádio, etc. E A CASA AINDA COME 20, 30 OU 40% DO MÚSICO ! É justo? É muito justo? É justíssimo????
Se vão mudar o nome de "couvert artístico" pra "entrada", dane-se. A lei não diz que tem que repassar o valor integral de quando estiver escrito "couvert", mas subintende-se que quando se le "couvert", sabe que se trata do dinheiro que os clientes pagam para o músico. Se for o caso, que se faça uma complementação a lei.
Casas que já tem a aparelhagem de som? Maravilha! A isso chamamos de INVESTIMENTO! Não é desculpa pra cobrar porcentagem do músico.
Casa quebrar????? Tem buteco que vive há 130 anos vendendo cerveja a R$2,50, sem músico, sem atração, e não quebrou até hoje. Tu achas, realmente, que casas noturnas, com atração, ou seja, atraem gente, vendendo cerveja a R$5, R$6 reais, fora o resto, vai quebrar???
Ainda bem que tu fez jornalismo e não administração!!!
Taes gravando um cd? Vais tocar na noite pra divulgar teu cd? E és contra repassar todo o couvert pro músico????? Quase nada contraditório.
Que pena que eu estou fazendo jornalismo. Estarei na mesma classe trabalhadora que tu. Imagino que sejas contra o diploma pra jornalista. Libera tudo. Deixa o médico apresentar um programa de tv. Deixa o professor de química fazer reportagem. Deixa o mecânico editar um jornal...
Artur de Bem (arturdbem@gmail.com)Dom, 19 Abr 2009 21:12:27 GMT