Rio - Mais um importante veículo internacional resolveu dar 'palpite' sobre a gestão da floresta amazônica. Dessa vez foi a revista britânica The Economist. Segundo uma reportagem publicada nesta sexta-feira é quase impossível para o governo brasileiro controlar o desmatamento e a exploração da floresta, porque não há controle sobre a propriedade de terras na região.
A matéria lembra dos índios encontrados recentemente em uma área nunca antese explorada, que também não reconheceriam a soberania brasileira. "Na prática é quase impossível para o governo impor sua vontade nos limites de seu império, mesmo se quisesse. Os membros da tribo fotografada recentemente não são os únicos que não reconhecem a soberania do Brasil na Amazônia", diz a reportagem intitulada "Bem-vindo à nossa selva que encolhe".
Minc hiperativo
A The Economist também menciona a atuação do novo ministro do meio ambiente, e o classifica como hiperativo. Segundo a publicação o plano de Minc "tem que dar certo... se o Brasil for combater o recente aumento do desmatamento...No dia 2 de junho, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que monitora o desmatamento, anunciou que a floresta diminuiu substancialmente em abril, em comparação ao mês anterior."
Sobre o desmatamento a The Economist enumera fatores que acredita terem sido responsáveis pelas altas taxas, dentre eles o fato de as fotografias de satélite serem mais claras agora por causa das condições climáticas.
"O aumento tem várias causas e escolher uma ou duas tende a distorcer o quadro. Mas parece haver uma ligação entre o alto preço de commodities e o desmatamento, com intervalo de cerca de um ano", acusa.
Terras irregulares
A revista aponta o mau uso da terra através da produção de carne e soja, ligando-a ao desmatamento, já que o gado criado na Amazônia não pode ser exportado, e a soja é plantada longe da floresta, mas empurra criadores para a região.
"O desmatamento ilegal ocorre quando pecuaristas e madeireiras conspiram para limpar faixas de terra. Um pecuarista tipicamente ocupa parte da floresta e vende os direitos de cortar as árvores para uma madeireira. Isto ajuda a financiar o próximo estágio da operação pecuária. A madeireira então vem e tira o que quer, e depois limpa a área. O pecuarista termina o trabalho com a ajuda de uma retro-escavadeira, queima o que sobra e planta capim e cria gado. Quando a terra se exaure, o que ocorre rapidamente, os pecuaristas seguem adiante", detalha a reportagem.
Segundo a revist, dos 36% da floresta supostamente de propriedade privada, apenas 4% contam com títulos de propriedade regularizados, segundo a organização não-governamental Imazon. "Como o governo não sabe quem possui o quê, impor qualquer regra é impossível", finaliza a Economist.