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08/08/2008 01:26:00

A política da agressão

Um terço dos candidatos do Rio responde por violência contra mulher

Mahomed Saigg


Rio - Agressão contra mulher é o crime mais comum entre os candidatos do município do Rio inscritos no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Segundo levantamento do Ministério Público Eleitoral, um em cada três candidatos cariocas responde a pelo menos uma ação por crime de violência contra a mulher.

A pesquisa também detectou que pelo menos 40% dos candidatos a prefeito e vereador na capital possuem anotações em sua folha de antecendentes criminais.

À frente da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, a ex-ministra da Assistência Social, Benedita da Silva, recebeu com surpresa o resultado da pesquisa. “Esse dado é assustador. Afinal, estamos falando de pessoas que vão representar o povo. É lamentável que ainda tenhamos um número tão grande de homens comprometidos com este tipo de violência”.

Diretora da Divisão de Polícia de Atendimento à Mulher (DPAM), a delegada Inamara Pereira também comentou o resultado da pesquisa feita pelo MP. “Como políticos, esses homens deveriam dar exemplo. Deveriam ser pessoas íntegras, e os exemplos de integridade devem começar dentro de casa”, destacou. Segundo ela, “os dados mostram que a violência contra a mulher é a prática criminal mais democrática de todas, porque atinge cidadãs de todas as classes sociais, sem distinção”.

REGISTROS DUPLICARAM NO 1º SEMESTRE

Em todo o País, o número de atendimentos a mulheres vítimas de agressão dobrou no primeiro semestre de 2008 em relação ao mesmo período de 2007. De acordo com a Central de Atendimento à Mulher (telefone 180), de janeiro a junho foram registrados 121.891 atendimentos, contra 58.417 em 2007 — um aumento de 107,9%.

A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), que apresentou os números ontem, avalia que o aumento no número de registros resulta, principalmente, da maior divulgação da Lei Maria da Penha, que pune com mais rigor os agressores das mulheres e completou dois anos ontem.

Das mulheres que entraram em contato com a central no primeiro semestre, 61% afirmaram sofrer agressões diariamente e 17,8% semanalmente. O agressor, em 63,9% das vezes, é o parceiro da vítima, que costuma ser usuário de drogas ou álcool (58,4%). Segundo a pesquisa, 37,6% das atendidas eram negras, 52,6% têm idade entre 20 e 40 anos e 32,8% cursaram parte ou todo o Ensino Fundamental.

Rio é o sétimo estado em chamados

Os estados que lideram o número de chamados para a Central de Atendimento à Mulher são: Distrito Federal, com 132,8 atendimentos para cada 50 mil mulheres; São Paulo, com 96,4, na mesma base de comparação e Pará, com 79,5 chamados. O Rio de Janeiro fica em sétimo lugar entre os 27 estados brasileiros, com 65,4 ligações para cada 50 mil mulheres. Já o Piauí (5,8 atendimentos para cada 50 mil mulheres), o Acre (21,5) e o Maranhão (22) têm menos denúncias.

Durante cerimônia ocorrida no Palácio do Planalto, foram mostrados também os resultados de uma pesquisa a respeito da Lei Maria da Penha. A pesquisa Ibope/Themis — esta última uma ONG gaúcha — revelou que 68% da população brasileira já ouviu falar da lei. Outros 82% conhecem a sua eficácia, mas 32% não conhece e nem ouviu falar da lei enquanto 20% acreditam que ela coloca o agressor na cadeia e 33% afirmaram que inibe a violência doméstica.

A pesquisa teve apoio da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e foi feita entre 17 e 21 de julho, com 2002 pessoas em 142 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
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