Rio - Sérgio Cabral está à vontade na cadeira de governador. Com o celular, ele dispara dezenas de perguntas ao secretário de Saúde, Sérgio Cortes. No moderníssimo laptop à sua frente, mostra, orgulhoso, resultados e exemplos dos pontos que considera mais positivos na gestão do auxiliar — a quem chama de “bonitão”. Alguns minutos depois, passa a mão de novo no celular e determina ao vice-governador e secretário de Obras, Luiz Fernando Pezão: “Pezone! Bota o terror naquele cara do Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes), que a situação da BR-101 está terrível”. Depois ainda recomenda: “E se comporta neste fim de ano, hein”.
Outro que mereceu referências carinhosas foi o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. Cabral contou que esteve na manhã de sexta-feira na Central do Brasil, sede da secretaria, e viu que cada banda do relógio mostrava um horário diferente. “Falei: ‘Mariano, pelo amor de Deus’. De manhã mesmo, ele me ligou. O Mariano é fogo, né? Fica mordido, quer resolver. Me ligou para falar um monte de coisas operacionais e disse: ‘Olha, governador, o relógio já está todo funcionando’. É do relógio às operações”, comemorou Cabral.
Ele se sente tão confortável que, depois de ser bombardeado por perguntas durante mais de uma hora ao longo da entrevista, ficou à vontade para imitar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Nunca antes na história deste estado...”, com a voz característica, após receber mais uma informação do ‘bonitão’ da Saúde.
Questionado se aceitaria concorrer à Presidência em 2010, caso Lula o convidasse a sucedê-lo, foi taxativo: “Só se for a (presidência) do Vasco. O Lula é vascaíno no Rio. De repente, em 2010, ele assume o Corinthians, e eu, o Vasco”.