Cacciola voltará preso
Extradição do ex-banqueiro autorizada pelo príncipe de Mônaco
Rio - O príncipe Albert II de Mônaco autorizou a extradição para o Brasil do ex-banqueiro Salvatore Cacciola, após nove meses e meio de batalhas jurídicas. A decisão favorável ao pedido do governo brasileiro era esperada, já que o príncipe jamais contrariou a Corte de Apelações.
Advogado de Cacciola em Mônaco, Frank Michel disse que ainda há chance de último, e inédito, recurso à Justiça do principado, já que foram rejeitadas todas as apelações apresentadas pela defesa, inclusive à Corte Européia de Direitos Humanos.
Desta vez, o protesto aconteceria contra a decisão de Albert II e seria encaminhado ao Tribunal Supremo, instância máxima local. Mas Michel admite que nem Cacciola está decidido a recorrer. Há 10 dias, o advogado havia dito que a tendência era acatar o parecer do príncipe.
Segundo a lei de Mônaco, o tempo de detenção de Cacciola, preso no principado desde o dia 15 de setembro, deve ser deduzido da pena no Brasil. Ele foi condenado à revelia, em 2005, a 13 anos por crimes de peculato (uso do cargo para apropriação de dinheiro) e gestão fraudulenta do Banco Marka, causando rombo de R$ 1,6 bilhão aos cofres públicos.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, e o o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, dão como certa a apresentação de Cacciola em até 15 dias à Justiça Federal no Rio. Agora, estudam a melhor alternativa de trazê-lo: avião comercial ou da FAB.
Se vier em vôo de carreira, o mais provável, o governo quer evitar a passagem pela Itália, onde Cacciola tem cidadania e estava foragido. Para Tuma Júnior, a extradição foi uma vitória dos brasileiros: “O príncipe destronou o rei da impunidade”.
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