Rio - Os nomes de nove políticos eleitos para a Câmara Municipal do Rio em 2004 constam na lista negra em poder do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ). Todos têm anotações criminais em suas fichas. Seis deles ainda são vereadores e deverão tentar se reeleger em outubro. Para isso, no entanto, terão que passar pelo crivo da Justiça Eleitoral.
O caso mais grave é o de Jerominho (PMDB), preso desde dezembro, acusado de liderar um grupo de milícia na Zona Oeste e denunciado pelo Ministério Público por formação de quadrilha. Constam em sua ficha criminal quatro anotações — inclusive por duplo homicídio em inquérito registrado na Delegacia de Homicídios.
Outro caso é de Stepan Nercessian (PPS). Ele chegou a responder por homicídio culposo após provocar a morte de um jovem em acidente automobilístico, em 1997. O caso foi arquivado pela Justiça. “Tive um acidente que pode acontecer com todo mundo. Paguei todas as indenizações na área civil”, disse o vereador.
Lucinha (PSDB), Renato Moura (PTC), Rosa Fernandes (DEM) e Verônica Costa (PMDB) também tiveram problemas criminais. A Mãe Loura do Funk tem três anotações. Na primeira, de 2004, ela é acusada de falso testemunho. O segundo inquérito, de 2005, refere-se a uma briga com seu ex-marido, o também funkeiro Rômulo Costa. Verônica ainda chegou a responder, em 1999, por dirigir sem habilitação. Ela não foi localizada.
Lucinha foi acusada de lesão corporal e por dirigir sem habilitação, em 1989. “Foi um atropelamento que já prescreveu. Na época nem era candidata. A minha carteira não tinha sido renovada”, disse.
Consta na ficha de Rosa Fernandes uma anotação por ameaça. Segundo ela, a queixa foi retirada. “É correto o levantamento para que se possa depurar os candidatos desde que se tenha bom senso de separar o que é procedimento de rotina, denúncia anônima dos atos verdadeiramente nocivos à sociedade”, argumentou a vereadora.
Acusado de crime eleitoral em 2006, Renato Moura disse não lembrar do que tratava a denúncia. Ele acredita que tenha sido alguma irregularidade cometida por um assessor: “Às vezes, um funcionário mal orientado comete uma irregularidade. Até adversários podem colocar propaganda irregular em locais proibidos, isso acontece”.
Os outros três ex-vereadores citados na lista em poder do TRE são o atual ministro da Secretaria da Igualdade Racial, Edson Santos; o ex-presidente da Câmara e atual conselheiro do Tribunal de Contas do Município Ivan Moreira, com cinco anotações (todas arquivadas ou prescritas); e o ex-vereador e atual deputado estadual Dionísio Lins, acusado de crime eleitoral em 2004 e com anotações por passar cheques sem fundo nos anos 70.
Moreira e Lins não foram localizados. Edson Santos disse que respondeu a inquéritos por incitação ao crime e resistêcia, em 1992, quando tentou impedir a remoção de uma invasão em Jacarepaguá. “Isso já foi julgado, já fui absolvido”, explicou o ministro, que reclamou de constar na lista em poder do TRE: “Tem que ter critério, para não misturar políticos corretos com criminosos”.