Rio - O banqueiro Daniel Dantas é o “capo” (chefão) da organização criminosa que movimentou US$ 1,9 bilhão em paraísos fiscais, segundo o relatório final do delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal. “É nele que se concentram todas as decisões em se tratando de estratégias, investimentos, aporte de recursos ou qualquer saída dos respectivos caixas do Grupo Opportunity”, destaca o documento de 152 páginas, juntado ao inquérito.
O banqueiro foi indiciado por corrupção ativa e gestão fraudulenta de instituição financeira (artigo 4º da Lei 7.492/86, que trata crimes do colarinho branco). Além de Dantas, a PF indiciou mais 12 pessoas e enquadrou Verônica, sua irmã, como “subchefe central da organização”. Diretores e gerentes do Opportunity Fund foram apontados como laranjas e testas-de-ferro do esquema do banqueiro.
ESCALÃO ESPECIAL
O ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh e o lobista Guilherme Henrique Sodré foram indicados no relatório como “integrantes de escalão especial”. Os dois serão alvo de inquérito policial separado. Advogado de Dantas, o criminalista Nélio Machado protestou contra o relatório: “Contém linguagem totalmente imprópria, deselegante e que não traduz realidade”. E disse: “A autoridade policial deve investigar. Como chamar de fraudulenta uma gestão marcada pelo sucesso? O relatório não chega a ser peça literária, mas é ficção. Não vejo dificuldade em reduzir essa acusação ao nada e ao vazio que ela representa.”