Defesa quer anular ação
Análise de perito leva advogados do pai e da madrasta de Isabella a pedir fim de processo
SÃO PAULO - A avaliação feita pelo médico-legista George Sanguinetti sobre os laudos periciais da morte da menina Isabella, em 29 de março, fez a defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados pelo crime, anunciar que vai pedir a anulação do processo e a revogação da prisão preventiva dos dois.
Coordenador da defesa, o advogado Marco Polo Levorin afirmou que vai protocolar os pedidos no 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana assim que os pareceres que estão sendo preparados por Sanguinetti ficarem prontos. Contratado pelos advogados do casal, o médico-legista afirmou ontem que Isabella não foi asfixiada e que a causa de sua morte é traumatismo craniano — provocado pela queda do 6º andar do Edifício London. “Tecnicamente, o processo é nulo. A denúncia foi fulminada”, afirmou Levorin.
Acompanhado da também perita criminal Delma Gama, Sanguinetti criticou o laudo do Instituto de Criminalística (IC), considerado “medíocre, falho e sem valor”. Os especialistas disseram que seus “colegas” foram precipitados, pressionados e cobrados a produzir laudo parcial, contra Nardoni e Anna Jatobá.
“O laudo não é isento e prejudica o casal”, disse o perito, que ficou conhecido, em 1996, ao contestar os laudos sobre a morte de PC Farias, ex-tesoureiro de Fernando Collor, e da namorada, Suzana Marcolino.
‘O CADÁVER FALA’
Sanguinetti afirmou ser capaz de provar que Isabella não foi esganada e que a causa da morte é o politraumatismo, causado pela queda. “O cadáver fala. É só prestar atenção. O pescoço da garota não apresentava machucados externos, nenhum arranhão, o que é fundamental em uma asfixia mecânica”, afirmou.
Os peritos afirmaram que a menina foi jogada de cabeça para baixo e não em pé, como atestam os laudos do IC. Para eles, é possível que a menina tenha sido jogada consciente, uma vez que as marcas na parede do prédio são de pernas.
A dupla apontou falhas na investigação policial, como a falta dos exames de impressão digital no apartamento e o de vestígios de pele debaixo das unhas de Alexandre e Anna Carolina.
O promotor do caso, Francisco Cembranelli, disse que foi “antiética” a maneira como foi feita a apresentação por Sanguinetti. “Tudo o que aconteceu no dia da morte de Isabella já está devidamente comprovado”, afirmou Cembranelli. “O que vale são os laudos oficiais”, concluiu.
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