Relatório sustenta que Isabella foi ferida por madrasta e jogada pelo pai
SÃO PAULO - Relatório final do inquérito do 9º Distrito de Polícia (Carandiru) entregue ao Ministério Público e à Justiça, assinado pela delegada Renata Pontes, não só culpa Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá pela morte da menina Isabella como afirma que os dois tiveram desprezo pela vida e mentiram dissimuladamente. O documento conclui que a madrasta esganou a criança, que foi arremessada pelo pai da janela do sexto andar.
Conforme mostrou o ‘Jornal Nacional’, trechos do relatório de 43 páginas dão conta de que as agressões contra Isabella já teriam começado no carro do casal. Segundo a delegada, a madrasta teria dado o golpe na testa da menina, com a mão esquerda, com um objeto não reconhecido, provocando o ferimento. Os sinais de sangue estariam no piso e ao lado da cadeira do bebê.
Laudo da perícia, no entanto, diz que não se pode concluir que o sangue encontrado no carro seria de Isabella, já que a quantidade encontrada não era suficiente para o exame de DNA.
A delegada sustenta que toda a família subiu junta para o apartamento, ao contrário do que disse o casal em depoimento. Por conta da presença de grande quantidade de sangue perto do sofá, Renata concluiu que, assim que chegou, Isabella foi colocada pelo pai neste local. A mancha só foi detectada com o uso de reagente.
POSSIBILIDADE DE MAIS UM INQUÉRITO
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá podem responder a um novo inquérito por não terem permitido a visita de uma funcionária do Conselho Tutelar de Guarulhos aos filhos. A providência vai ser estudada pelo secretário-geral do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Ariel de Castro, que solicitou a ida de um representante à casa da família.
Na segunda-feira, o Conselho Tutelar foi acionado, já que se acredita que as crianças tenham passado por momentos traumáticos. Uma funcionária esteve na casa na quarta-feira, mas sua entrada não foi permitida. A pessoa que atendeu ao interfone se identificou como pai das crianças.
Castro tem como alternativas pedir ao Ministério Público que abra inquérito ou providenciar uma nova visita com apoio policial. “Desde que exista o indício de que as crianças passem por um momento que classificamos como situação de risco, é dada ao Conselho Tutelar a atribuição de atuar com total liberdade”, disse ele.