Rio - Quando gravar esta semana a propaganda gratuita do DEM, que vai ao ar em dezembro, a deputada federal Solange Amaral terá o desafio de explicar a surpreendente aliança com o PMDB. A escolha de seu nome para o programa não é casual, já que é a preferida da direção dos dois partidos para concorrer à prefeitura da capital. Apesar de não poder se apresentar como candidata na TV por conta da legislação, sua exibição será um teste de popularidade.
A confirmação de seu nome ganhou força quarta-feira com a eleição do presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani (PMDB), para presidente do diretório municipal do partido. Picciani é um dos articuladores da aliança com o DEM e deu aval à indicação de Solange.
Além das inserções em programas de TV, a deputada se movimenta nos bastidores realizando pesquisas qualitativas para tentar captar as tendências do eleitorado. Outra estratégia é fazer consultoria com especialistas em marketing político.
Numa campanha que promete ter muitos candidatos, a deputada acredita que pode levar vantagem com pelo menos nove minutos no horário eleitoral e não esconde que torce pela pulverização. Também não disfarça que o objetivo da união com o ex-adversário PMDB é barrar o crescimento do PT. Só não abre mão de defender a administração Cesar Maia.
SOLANGE AMARAL: ‘NÃO HÁ INTERESSES EM CHOQUE’
Candidata à Prefeitura do Rio e aliada fiel de Cesar Maia, ela garante que o DEM e o PMDB são hoje complementares.
A união com o PMDB é irreversível? O DEM (ex-PFL) e o PMDB sempre se enfrentaram no Rio, e todas as eleições mostraram que nós éramos majoritários na capital, e eles, no interior e na Baixada. Os dirigentes dos partidos começaram então a conversar em fevereiro. Em agosto, conclui-se pela importância da aliança em mais de 60 municípios, discutindo nome por nome, executivas e tempo de televisão. Houve a compreensão de que não há interesses eleitorais nem administrativos em choque.
Na verdade, trata-se de uma aliança anti-PT? O Rio é a única capital importante do Brasil que o PT nunca governou. Do lado de lá, tem um desejo grande, e do lado de cá, uma postura de defesa. Tanto da saúde financeira do município quanto do servidor público. Não descontamos o dinheiro do aposentado e damos paridade a ele. É um governo diferente do que vem fazendo o PT. Mas é claro que há a característica de barrar o avanço do PT.
A boa relação do governador Sérgio Cabral com o governo federal tem trazido recursos. O Rio poderia perder com essa ruptura? Eu não acredito. O governador Sérgio Cabral merece aplausos por defender o estado, trazendo recursos. Essa também é minha compreensão. Nós estaremos com quem quer ajudar o Rio e dar recursos para a cidade.
Como fica a situação do governador, que pertence ao PMDB? A aliança foi uma decisão do diretório regional do PMDB. Não é produto da vaidade individual de ninguém. É uma coisa pensada e refletida pelos dois partidos.
E se Eduardo Paes convencer o PMDB a lançá-lo candidato? O combinado na aliança é que o DEM fica com a candidatura na capital. Na maioria dos outros municípios vamos dar o vice, e o PMDB vai encabeçar as chapas. Minha candidatura é do PMDB com o DEM e ainda poderemos receber outros partidos. O DNA da aliança é esse.