Brasília - A escolha de Carlos Minc para chefiar o Ministério do Meio Ambiente desagradou boa parte dos parlamentares que compõe a base aliada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso. Os governistas defendiam a escolha de Jorge Viana, ex-governador do Acre, que possui um histórico de atuação na área. A indicação de Minc sinalizaria a intenção do governo federal de priorizar o avanço do desenvolvimento econômico, com a provável execução de obras que colocam em risco o meio ambiente.
A líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC), disse que o secretário do Ambiente do Rio tem todas as condições para assumir o cargo. Ela ressaltou, no entanto, que torcia pelo ex-governador do Acre Jorge Viana. De acordo com a senadora, Viana teria mais condições de reduzir o impacto negativo internacional de três assuntos envolvendo a Amazônia: o conflito na Raposa Serra do Sol; a absolvição do fazendeiro acusado de mandar matar a missionária Doroty Stang; e a própria saída de Marina Silva.
"Por ser uma pessoa de um estado da região Amazônica e muito próximo à Marina [Silva, da ex-ministra do Meio Ambiente], Jorge Viana atenuaria mais essas questões em âmbito internacional", disse a senadora, acrescentando que Minc tem todo reconhecimento na área internacional, mas não a mesma "magnitude que teria Jorge Viana".
O líder do PV na Câmara e deputado Sarney Filho (MA), ministro do Meio Ambiente no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também elogiou a escolha de Carlos Minc, mas expressou preocupação com o prosseguimento das políticas ambientais pelo governo federal.
“A preocupação do PV é que, com a saída da ministra, não haja mudança de visão do governo”, declarou Sarney Filho. “Acho que o Minc vai dar prosseguimento às políticas de Marina Silva, mas, se não fizer isso, o governo Lula ficará com a imagem seriamente abalada, não só nacionalmente, mas em nível internacional.”
Apesar das ressalvas, o deputado disse que Minc está credenciado a dar continuidade às políticas do governo para o meio ambiente.
Minc pode diminuir "cara feia", diz Garibaldi
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), disse que a nomeação pode dar mais versatilidade à pasta já que, na visão dele, Marina Silva tinha uma postura "extremada" que nem sempre favorecia o governo. "Com a ministra, ninguém pode negar que haviam posições extremadas, não pode haver extremismos no governo. Com uma cara nova no governo pode ser que os que faziam cara feia para a ministra Marina diminuam sua cara feia", disse.
Garibaldi afirmou que a confirmação de Minc no ministério abre caminho para "uma rediscussão interna" no governo para conciliar as questões de preservação ambiental com a necessidade de se implementar ações de infra-estrutura.
De acordo com o senador, na gestão de Marina Silva vinham ocorrendo "posições extremadas" de confronto entre ambientalistas e setores chamados de desenvolvimentistas.
Na mesma linha, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) comemorou a escolha de Minc como ministro do Meio Ambiente. Ele ressaltou, no entanto, que Minc deverá enfrentar pressões de diversos setores desenvolvimentistas do governo. "Ainda é cedo para dizer, mas essa é a visão do governo. A prioridade deles é o desenvolvimento em detrimento ao meio ambiente. Os ministros tentam resistir a isso, vamos quanto tempo ele (Minc) consegue", disse.
O novo ministro e Gabeira se conhecem desde o tempo de exílio no Chile e são "amigos de longa data", segundo ele. Na visão do deputado, Minc é uma "figura de destaque na luta ambiental".
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), afirmou que Carlos Minc é uma pessoa do setor, mas terá que dar resposta rápida sobre a preservação ou não da política de meio ambiente até então sob a coordenação de Marina Silva.
"Existem interrogações. Por exemplo, o Brasil manterá sua política de meio ambiente? Tudo isso exige uma resposta rápida do novo ministro, principalmente em âmbito internacional onde a ministra Marina Silva é uma pessoa muito respeitada", destacou Arthur Virgílio.
Com agências