Rio - A candidata a vereadora Carminha Jerominho (PTdoB) denunciou ontem ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que policiais civis estariam intimidando seus cabos eleitorais em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. A denúncia foi feita ao juiz Fábio Uchoa, coordenador da fiscalização da propaganda eleitoral no município. Segundo Carminha, os policiais estariam usando toucas ninjas e carros oficiais para praticar as intimidações. “Eles não estão me deixando trabalhar”, disse ela, que é filha do vereador Jerominho (PMDB) e sobrinha do deputado Natalino (DEM), preso segunda-feira acusado de comandar milícias na Zona Oeste. Também preso desde dezembro pelo mesmo crime, Jerominho desistiu da candidatura e agora tenta emplacar a filha como sucessora política.
O juiz orientou Carminha a denunciar o fato ao chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, e à Corregedoria da Polícia. Uchoa também sugeriu procurar a Polícia Federal (PF). “A Federal pode examinar se houve crime eleitoral”, explicou o juiz. “Minha função aqui é fiscalizar a propaganda, não é tomar as dores de candidatos”, completou.
Carminha e o candidato a prefeito pelo PTdoB, Vinícius Cordeiro, entregam denúncia sobre o caso hoje à PF. Antes fazem corpo-a-corpo em Campo Grande. “Se eu perceber intimidação ao pessoal dela, vou denunciar”, disse Vinícius.
Foi a primeira denúncia ao TRE de supostas intimidações praticadas por policiais na campanha. O Tribunal já recebeu várias denúncias sobre proibições de acesso de candidatos a áreas dominadas pelo crime, especialmente milícias. Carminha negou estar sendo beneficiada por esta proibição em Campo Grande. “Lá faz propaganda quem quiser.” garante.
Jungmann leva denúncias à direção-geral da PF
O presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE), apresentará hoje ao diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, denúncias sobre a atuação de milícias e traficantes que têm impedido candidatos no Rio a entrarem em comunidades.
“Cerca de meio milhão de cidadãos estão sendo proibidos de exercer seu direito constitucional de escolha. Milícias e traficantes proíbem que candidatos diferentes dos que eles apóiam façam acampanha e ameaçam moradores”, disse o deputado.
Jungmann pedirá que a PF intervenha e já conversou com o presidente interino do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Arnaldo Versiani, que ficou surpreso com as denúncias de que candidatos teriam se aliado ao crime organizado para garantir votos. (Ananda Rope)