Garibaldi suspende cargos
Contratação de 97 assessores com salário de R$ 10 mil vai a nova votação
BRASÍLIA - Pressionado por parlamentares e pela má repercussão na opinião pública, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), resolveu suspender ontem a criação de 97 cargos para os 81 senadores e gabinetes de lideranças, com salários de R$ 9.979, totalizando R$ 12,5 milhões ao ano. A decisão de criar esses cargos, sem concurso público, havia sido tomada quarta-feira, numa reunião da Mesa Diretora do Senado.
Garibaldi, entretanto, adiantou que não pode manter a decisão de suspender a criação dos cargos se os senadores que integram a Mesa Diretora não o acompanharem no propósito de encaminhar o assunto para votação em plenário. No entanto, pondera que, “diante do que está acontecendo, diante desse clamor, o Senado tem que ser e será sensível”.
Nas gestões passadas, segundo o presidente do Senado, a medida entrava em vigor automaticamente e depois o projeto de resolução era aprovado no plenário sem maiores discussões. “Agora a repercussão foi muito grande. O Senado tem que estar sintonizado com o que diz a imprensa e a população”, afirmou Garibaldi.
Senadores criticaram a contratação
Ontem o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) enviou uma carta a Garibaldi solicitando uma reavaliação da decisão da Mesa Diretora. Segundo Suplicy, a medida tomada pela Mesa é inconstitucional. Ele defende que a proposta de se criar novos cargos passe pelo plenário.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) também defendeu, em discurso, que a decisão seja rediscutida por todos os senadores: “Que autoridade a gente tem de falar em reduzir gastos quando a gente mesmo não faz o que é necessário?”, questionou.
Quinta-feira senadores da Mesa Diretora e líderes partidários passaram o dia num jogo de empurra sem querer assumir a paternidade da polêmica decisão.
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