
Rio - Conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal (PF) mostrariam que Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teria usado o nome de Lula para pedir dinheiro, o que caracterizaria tráfico de influência.
Na transcrição de um trecho das gravações, Vavá conversa com Nilton Cezar Servo, suspeito de ser um dos comandantes da máfia dos jogos, e diz que defende os interesses dele e de pessoas indicadas por ele. As informações foram passadas por uma fonte que teve acesso aos autos do processo que culminou com a Operação Xeque-Mate.
O irmão de Lula foi indiciado pela Polícia Federal por tráfico de influência na última terça-feira. As investigações indicam que em uma das conversas telefônicas, do dia 25 de março, os dois fariam referência ao presidente Lula: "Veio, veio, veio, e eu falei com ele sobre o negócio das suas máquinas", disse Vavá.
"Ele (Lula) falou pra mim pegar... (ininteligível) pra levar pra ele lá", completa o irmão do presidente, dando a entender que, no dia seguinte, ele conversaria com o irmão.
Segundo a Polícia Federal, o "ele" que aparece nas conversas seria o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não há indicativos de que as promessas tenham sido cumpridas.
Em sua análise, feita na transcrição das conversas telefônicas, a PF afirma que a "conversa indica que Vavá está usando o nome de seu irmão, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para conseguir dinheiro junto a Nilton Cezar Servo".
Em outros diálogos gravados pela PF estariam promessas de beneficiar uma empreiteira em obras públicas do governo e influenciar o Judiciário.
Entre os dias 1º e 25 de março, Vavá e Servo falaram ao telefone pelo menos 12 vezes e, na maioria delas, o tema seria um combinado entre promessas de ajuda e pedidos de dinheiro. Segundo a PF, Vavá pediu R$ 5 mil ao empresário.
Também em março, Servo teria discutido com um cunhado sobre o comportamento do irmão do presidente, que, segundo ele, pediria dinheiro "insistentemente" e que, de acordo com uma conversa do dia 26 de março, o teria "passado para trás" num lobby para favorecer uma construtora não identificada.
As informações são do Terra